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Ciência Rural

Print version ISSN 0103-8478On-line version ISSN 1678-4596

Cienc. Rural vol.35 no.1 Santa Maria Jan./Feb. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-84782005000100003 

ARTIGOS CIENTÍFICOS
FITOTECNIA

 

Substituindo o uso de bordaduras laterais por repetições em experimentos com milho

 

Replacing lateral borders by replications in corn experiments

 

 

Sérgio José Ribeiro de OliveiraI; Sandra FeijóII; Lindolfo StorckIII, 1; Sidinei José LopesIV; Luiz Fernando Dias MartiniV; Henrique Perin DamoV

IEngenheiro Agrônomo, Professor Assistente do Departamento de Ciências Exatas e Tecnológicas (DCET), Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), Doutorando em Agronomia na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)
IIEngenheiro Agrônomo, Doutorando em Agronomia, UFSM
IIIEngenheiro Agrônomo, Doutor, Professor Titular, Departamento de Fitotecnia, UFSM, 97105-900, Santa Maria, RS, E-mail:storck@ccr.ufsm.br
IVEngenheiro Agrônomo, Doutor, Professor Adjunto, Departamento de Fitotecnia, UFSM
VAluno do Curso de Agronomia, UFSM, Bolsista de Iniciação Científica

 

 


RESUMO

O uso de bordaduras, aliado ao número adequado de repetições para definir um plano experimental, tem sido pouco estudado. Dois híbridos de milho foram avaliados com o objetivo de estimar o número de repetições necessários, substituindo-se o uso de bordaduras laterais por um maior número de filas por parcela. Foram utilizados oito tratamentos que proporcionaram comparar parcelas de duas, três, quatro e cinco filas, com e sem as duas bordaduras laterais, além de duas e três filas com bordadura simples. Verificou-se que não houve diferenças entre as estimativas das médias de híbridos e dos diferentes tipos de parcelas e nem efeito da interação entre tipos de parcelas e híbridos. Constatou-se homogeneidade nas estimativas das variâncias entre os tipos de parcelas para os dois híbridos. Em experimentos de comparação de híbridos de milho, não é vantajoso substituir o uso de bordaduras por um número maior de repetições. No entanto, um maior número de repetições, sendo que oito repetições de parcelas de duas filas, proporcionam os planos experimentais mais precisos.

Palavras-chave: Zea mays, delineamento experimental, precisão.


ABSTRACT

Few studies were conducted so far in regard to the use of row borders and number of replications to define an experimental plan. Therefore an experiment was conducted in order to estimate the number of replications necessary to substitute greater row numbers of the plot for the use on row borders. Two corn hybrids were used and eight treatment in which plots with two, three, four and five rows with and without two lateral row borders and two and three row plots with a single border row. There was neither difference among the estimated yield average of the hybrids and the different plots and nor interaction between the plot forms and hybrids as well as homogeneity of variance estimates among the plots of the two hybrids. In hybrid corn yield experiments there is no advantage to substitute the use of row borders for greater number of replications. However, a greater number of replications such as eight replications and two row plots with no border rows, will result in more precise experimental plans.

Key words: Zea mays, experimental design, precision.


 

 

INTRODUÇÃO

A cultura do milho, no Brasil e no mundo, tem grande importância econômica e social; serve como alimento para pessoas e animais, é matéria-prima na indústria e sua demanda é crescente. Pesquisas visando melhorar a produtividade, com redução de custos, são realizadas por órgãos públicos e privados, usando-se técnicas experimentais para identificar os melhores procedimentos de cultivo. Uma grande ênfase é dada ao melhoramento genético, cujos resultados são avaliados nos ensaios de competição de híbridos. Nestes ensaios, uma boa precisão experimental é imprescindível para a identificação de híbridos superiores.

Sabe-se que o rendimento de grãos da cultura de milho é influenciado pelas variações ambientais devido à interação entre genótipo e ambiente, como se observa nos trabalhos de análise de estabilidade (SOUZA et al., 1991; MARODIM, 1999). Essa variação ambiental é a principal causa da baixa precisão dos experimentos com milho, comparada a outras culturas (LÚCIO & STORCK, 1999; LÚCIO et al., 1999).

São muitas as fontes conhecidas de erro experimental (STORCK et al., 2000), o qual pode ser avaliado pelas estatísticas: coeficiente de variação, diferença mínima significativa, dentre outras. Na cultura de milho, as causas responsáveis pela baixa precisão foram estudadas em vários trabalhos (LOPES, 1993; SILVA et al., 1994; LOPES & STORCK, 1995; LÚCIO & STORCK, 1999; LÚCIO et al., 1999; MARQUES, 1999; CARGNELUTTI FILHO et al., 2003). Dentre as causas de erros mais importantes, pode-se destacar a competição interparcelar, que pode ser controlada pelo uso de bordaduras. No entanto, o uso de bordaduras em áreas limitadas está diretamente relacionado ao número de repetições (STORCK et al., 2000). No caso de experimentos de comparação da produtividade de híbridos de milho, a competição interparcelar é devida, principalmente, a diferenças na arquitetura, na estatura de plantas e/ou ciclo, porque estes afetam a interceptação da radiação e a polinização (CARGNELUTTI FILHO, 2002).

Trabalhos de pesquisa visando estimar e/ou identificar o efeito de bordadura na cultura de milho e em outras culturas, em geral, referem-se à sua relação com o número de repetições na determinação do plano experimental. No entanto, não são precisos no uso dessa relação para a definição de um plano experimental mais eficiente, por falta de dados experimentais específicos para tal fim.

O objetivo deste trabalho foi estimar o número de repetições necessárias para um experimento de competição entre dois híbridos de milho, substituindo-se as bordaduras laterais por um número maior de filas por parcela. Buscou-se, desta forma, determinar qual o tamanho de parcela, dentre as estudadas, que proporciona o melhor plano experimental.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido na área experimental do Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Santa Maria, RS, no ano agrícola 2002/03, em solo da unidade de mapeamento Santa Maria (Brunizem Hidromórfico).

Oito tipos de parcelas (tratamentos), variando o número de filas da área útil e o número de filas de bordadura, foram casualizados em parcelas principais segundo o delineamento experimental inteiramente casualizado, com desbalanceamento do número de repetições, para tornar fixa a área total disponibilizada a cada tratamento, conforme apresentado na Tabela 1. As filas de 5,0m de comprimento foram espaçadas em 0,8m. Nas parcelas principais, foram casualizados dois híbridos (subparcelas): híbrido simples (HS) P30F33 – Pioneer, cujo ciclo é de 77 dias e 2,10m de altura; e, híbrido duplo (HD) AGN 2012 – Agromen, cujo ciclo é de 76 dias e altura de 2,06m. O híbrido triplo (HT) AGN 3150 – Agromen, com ciclo de 77 dias e altura de 1,85m, foi utilizado como borda nos tratamentos 7 e 8 (Tabela 1), para separar as subparcelas dos diferentes híbridos.

 

 

A semeadura foi realizada em 07/11/2002, e o desbaste em 05/12/2002. Os tratos culturais, tais como adubação, irrigação e aplicação de defensivos, foram realizados de forma que o desenvolvimento e o crescimento da cultura não fossem afetados por déficit hídrico, plantas daninhas, pragas, doenças e deficiências nutricionais. Avaliaram-se o número de espigas e o rendimento de grãos a 13% de umidade em 24/03/2003, desprezando-se 0,5m das extremidades das filas.

Para as duas variáveis, procedeu-se à análise de variância, com teste F, a fim de verificar se houve diferenças nas estimativas das médias para tipos de parcelas e híbridos e para o efeito da interação entre tipos de parcelas e híbridos. Aplicou-se o teste de Bartlett com o objetivo de verificar a homogeneidade das variâncias entre os tipos de parcelas para cada um dos híbridos. Estimou-se o número de repetições (n) necessárias para diferentes semi-amplitudes do intervalo de confiança expresso em percentagem da média (D), separadamente para cada tipo de parcela e híbrido, bem como na média de híbrido e na média geral, usando-se a expressão: n = t2 CV2 / D22, onde t é o valor tabelado da distribuição de t com 5% de probabilidade de erro e GL=n-1 graus de liberdade; CV = coeficiente de variação expresso em percentagem da média; e, D = 10, 20 e 30%. O processo iterativo do cálculo de n é concluído quando o estimativa de n estabiliza com o GL.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

O uso de diferentes tipos de parcelas, com variações no número de filas e de repetições, bem como no uso de bordaduras, resulta nas mesmas estimativas das médias para os dois híbridos e entre híbridos, para as variáveis rendimento de grãos e número de espigas (Tabela 2). O coeficiente de variação da subparcela da variável rendimento de grãos é classificado como muito alto (>23%) (LÚCIO et al., 1999). Muitos outros autores, dentre os quais LOPES, (1993), LOPES & STORCK, (1995), MARQUES, (1999) e CARGNELUTTI FILHO et al. (2003) também constataram uma baixa precisão nos experimentos com a cultura de milho. Isto permite inferir que a cultura é bastante sensível a variações ambientais.

 

 

As estimativas das médias de rendimento e do número de espigas, para os dois híbridos, em relação aos diferentes tipos de parcelas, cujas diferenças não são significativas, estão apresentadas na tabela 3. Com isso, é indiferente, quanto aos valores das estimativas, o uso de doze repetições de parcelas com duas filas ou, por exemplo, de seis repetições de parcelas com quatro filas (com ou sem uso da bordadura). Constata-se também (Tabela 3) que as variâncias associadas aos diferentes tipos de parcelas, para os dois híbridos e as duas variáveis, são homogêneas pelo teste de Bartlett (Tabela 3). Isto indica que a precisão experimental, no caso, não está relacionada às combinações do número de repetições com o número de filas por parcela (com ou sem o uso da bordadura).

 

 

De modo geral, o híbrido simples, usado neste experimento, apresentou uma variação ambiental (CV = 32,13%) não significativamente maior do que o híbrido duplo (CV = 23,19%), o que não contraria os resultados encontrados por outros autores (NASPOLINI FILHO, 1975; MARTIN, 2003). No entanto, para fins de estimação por intervalo e/ou testes de hipótese, a comparação das variâncias entre os tipos de parcelas deve ser procedida pela estimativa da variância da média [V(M)] para padronizar o número de repetições. Neste caso, observam-se diferenças maiores de V(M) entre os tipos de parcelas.

Uma forma mais completa e mais informativa de se verificar o efeito dos tipos de parcela consiste em avaliar a estimativa do número de repetições para cada caso (Tabela 4). Quanto ao rendimento de grãos, usando-se oito parcelas do tipo T1 (duas filas) ou quatro parcelas do tipo T4 (4 filas sem borda) no híbrido simples, resulta numa mesma precisão experimental de 30% de diferença mínima significativa, num total de 16 filas por tratamento. Por outro lado, no caso do híbrido duplo, a mesma precisão é obtida com 10 filas (cinco repetições de duas filas) ou, de forma semelhante, com 12 filas (quatro repetições de três filas – uma borda e duas úteis).

 

 

O número total de filas por tratamento pode ser avaliado a partir das estimativas do número de repetições para cada tratamento utilizado (Tabela 4). Para rendimento de grãos com D = 30%, os experimentos podem ter suas dimensões menores com o uso dos tipos de parcela T1 e T4 para o híbrido simples e T1 e T7 para o híbrido duplo. Os piores tipos, para ambos os híbridos, foram proporcionados por T5 e T6 com o uso de cinco filas por parcela, independente do uso ou não de bordadura. Quanto ao número de espigas com D = 20%, os melhores tipos foram proporcionados pelas parcelas T1 e T2 para o híbrido simples e T1, T2 e T7 para o híbrido duplo. Como os piores tipos foram obtidos a partir da utilização das parcelas T5 e T6 em ambos os híbridos, não é aconselhável o uso de parcelas com cinco filas, avaliando-se as três filas centrais.

A parcela T1 sempre esteve entre os melhores planos obtidos, tanto para rendimento de grãos quanto para número de espigas, em ambos os híbridos. Com exceção do número de espigas para o híbrido simples, quando se apresentou inferior ao tipo T2, e para rendimento de grãos no híbrido simples, quando foi igual ao tipo T4, o tipo de parcela T1 foi o que proporcionou o melhor plano experimental nas demais situações. Em geral, planos experimentais que não usam bordadura, em ambos os híbridos, seriam menos onerosos (menor número total de filas por tratamento) sob a mesma precisão.

O híbrido simples exigiu maior número de repetições para o rendimento de grãos que o híbrido duplo, contrariando a seqüência encontrada por MARTIN (2003) ao estudar a precisão de híbridos simples, triplo e duplo. No entanto, tanto num caso como em outro, deve-se considerar, como sendo importante, a existência da diferença de precisão entre híbridos. Além disso, estudos do plano experimental, incluindo todos os híbridos que deverão fazer parte de um experimento, devem contemplar um número diferente de repetições e/ou tamanho de parcela e/ou uso de bordaduras para que todos os híbridos sejam comparados a um mesmo grau de precisão. Como este procedimento é, na prática, muito complicado, poder-se-ia usar o tamanho de parcela com o número de repetições adequado ao híbrido de maior sensibilidade à variação ambiental, sendo que os demais não seriam prejudicados devido ao “excesso” de precisão.

 

CONCLUSÕES

A substituição do uso de bordaduras por um maior número de repetições em experimentos de comparação de híbridos de milho não é vantajosa. Oito repetições de parcela de duas filas proporcionam os melhores planos experimentais, tanto para rendimento de grãos quanto para número de espigas para os híbridos simples e duplo. Parcelas de cinco filas, com as três centrais avaliadas, e parcelas de cinco filas, sendo todas avaliadas, proporcionam os piores planos experimentais para rendimento de grãos e número de espigas para híbridos simples e duplos.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Recebido para publicação 08.04.04
Aprovado em 04.08.04

 

 

1 Autor para correspondência.

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