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Ciência Rural

Print version ISSN 0103-8478On-line version ISSN 1678-4596

Cienc. Rural vol.36 no.1 Santa Maria Jan./Feb. 2006

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-84782006000100002 

ARTIGOS CIENTÍFICOS
DEFESA FITOSSANITÁRIA

 

Ação de produtos fitossanitários utilizados em cafeeiros sobre pupas e adultos de Chrysoperla externa (Hagen, 1861) (Neuroptera: Chrysopidae)

 

Action of pesticides used in coffee crops on the pupae and adults of Chrysoperla externa (Hagen, 1861) (Neuroptera: Chrysopidae)

 

 

Rogério Antônio SilvaI, 1; Geraldo Andrade CarvalhoII; César Freire CarvalhoII; Paulo Rebelles ReisI; Brígida SouzaII; Antônio Marcos Andrade Rezende PereiraIII

IEmpresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG-CTSM/EcoCentro), CP 176, 37200-000, Lavras, MG, Brasil. E-mail: rogeriosilva@epamig.ufla.br
IIDepartamento de Entomologia, Universidade Federal de Lavras, Lavras, MG, Brasil
IIICurso de Graduação em Agronomia da Universidade Federal de Lavras, Lavras, MG, Brasil

 

 


RESUMO

Avaliou-se a ação de produtos fitossanitários usados em cafeeiros sobre pupas e adultos de Chrysoperla externa (Hagen, 1861) (Neuroptera: Chrysopidae). Os bioensaios foram conduzidos no Departamento de Entomologia da Universidade Federal de Lavras - UFLA, Lavras, MG, Brasil. Os tratamentos avaliados, em g i.a.L-1 de água, foram: 1- endosulfan (Thiodan 350 CE - 1,75), 2- chlorpyrifos (Lorsban 480 CE -1,2), 3- betacyfluthrin (Turbo 50 CE - 0,013), 4- enxofre (Kumulus 800 PM - 4,0), 5- azocyclotin (Peropal 250 PM - 0,31), 6- oxicloreto de cobre (Cuprogarb 500 PM - 5,0) e 7- Testemunha (água). As pulverizações foram realizadas diretamente sobre pupas e adultos do crisopídeo por meio de torre de Potter. As pupas foram colocadas em tubos de vidro e os adultos em gaiolas de PVC, e mantidos em sala climatizada a 25 ± 2°C, UR de 70 ± 10% e fotofase de 12 horas. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, com sete tratamentos e dez repetições, sendo cada parcela formada por quatro pupas ou um casal de C. externa. Os produtos foram distribuídos nas quatro classes de toxicidade conforme escala estabelecida pela IOBC. O chlorpyrifos mostrou-se levemente nocivo para pupas (classe 2, 30£E£79%), e os demais produtos foram inócuos (classe 1, E<30%). O endosulfan, enxofre, azocyclotin e oxicloreto de cobre foram inócuos em adultos, enquanto o betacyfluthrin foi moderadamente nocivo (classe 3, 80£E£99%) e o chlorpyrifos foi nocivo (classe 4, E>99%). Os produtos testados à base de endosulfan, enxofre, azocyclotin e oxicloreto de cobre podem ser recomendados em programas de manejo de pragas do cafeeiro em associação com C. externa, em função da baixa toxidade apresentada por esses compostos ao predador.

Palavras-chave: Coffea arabica, crisopídeo, controle integrado de pragas, seletividade.


ABSTRACT

It was evaluated the action of the pesticides endosulfan, chlorpyrifos, betacyfluthrin, sulphur, azocyclotin and copper oxychloride to pupae and adults of Chrysoperla externa (Hagen)(Neuroptera: Chrysopidae). The bioassays were carried out in the Entomology Department of the Universidade Federal de Lavras - UFLA, MG, Brazil. The treatments in g i.a.L-1 of water, were: 1 - endosulfan (Thiodan 350 CE – 1.75), 2 - chlorpyrifos (Lorsban 480 CE – 1.2), 3 - betacyfluthrin (Turbo 50 CE – 0.013), 4 - sulphur (Kumulus 800 PM – 4.0), 5 - azocyclotin (Peropal 250 PM – 0.31), 6 – copper oxychloride (Cuprogarb 500 PM – 5.0) and 7 - control (water). The sprayings were accomplished directly on pupae and adults of green lacewing, using a Potter's tower. The pupae were placed in glass tubes and the adults in PVC cages and maintained in climatic chambers at 25 ± 2°C, RH of 70 ± 10% and 12-hour photophase. The experimental design was completely randomized, with seven treatments and ten replicates. Each plot was made up by either four pupae or one couple of C. externa. The pesticides were classified according recommendations of the IOBC. Chlorpyrifos was classified in the class 2 = slightly harmful (30£E£79%) for pupae, and the all the other products were selective and classified in the class 1 = harmless (E<30%). To adults, chlorpyrifos was toxic, being classified in class 4 = harmful (E>99%) and betacyfluthrin in class 3 = moderately harmful (80£E£99%). Endosulfan, sulphur, azocyclotin and copper oxychloride were harmless to adults, being classified in class 1. The pesticides endosulfan, azocyclotin, sulphur and copper oxychloride can be recommended in coffee pest management programs in association with C. externa, based in the reduced toxicity presented in these products for this predator.

Key words: Coffea arabica, green lacewing, insect pest management, selectivity.


 

 

INTRODUÇÃO

No agroecossistema cafeeiro ocorrem muitas espécies de insetos que se tornam pragas de importância econômica, como o bicho-mineiro, Leucoptera coffeella (Guérin-Mèneville, 1842) (Lepidoptera: Lyonetiidae) que, muitas vezes, em condições climáticas favoráveis, ocasionam prejuízos à produção de café (REIS et al., 2002).

Dentro da filosofia do Manejo Integrado de Pragas (MIP), a conservação e o aumento de inimigos naturais que beneficiem o controle biológico natural são estratégias fundamentais (GLIESSMAN, 2000; REIS et al., 2002). Portanto, para o estabelecimento de um programa de MIP para o cafeeiro, a utilização de produtos químicos seletivos que preservem os inimigos naturais no agroecossistema faz-se necessária.

Os insetos pertencentes à família Chrysopidae têm tido importante atuação no equilíbrio da densidade populacional de muitos artrópodes-praga e dentre os crisopídeos a espécie Chrysoperla externa (Hagen, 1861) (Neuroptera: Chrysopidae) destaca-se na Região Neotropical, ocorrendo naturalmente em culturas de interesse econômico, como a do cafeeiro (Coffea.), sendo considerada agente potencial de controle biológico de diversas pragas de importância agrícola (CARVALHO & SOUZA, 2000; FONSECA et al., 2001).

A fase de pupa dos crisopídeos é considerada uma das mais tolerantes a muitos produtos fitossanitários (KOWALSKA & SZCZEPANSKA, 1988; ULHÔA et al., 2002; GODOY et al., 2004). Em relação aos adultos, algumas espécies de crisopídeos são tolerantes a determinados piretróides e altamente suscetíveis a outros e também a organofosforados (GRAFTON-CARDWELL & HOY, 1985; GODOY et al., 2004). Levando em consideração tais fatos, o presente trabalho objetivou avaliar a ação de alguns produtos fitossanitários utilizados na cultura do cafeeiro sobre pupas e adultos de C. externa.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Os ensaios foram conduzidos no Laboratório de Estudos de Seletividade do Departamento de Entomologia da Universidade Federal de Lavras - UFLA de junho de 2002 a janeiro de 2003. Os compostos e doses utilizadas encontram-se relatados na tabela 1, sendo que o tratamento testemunha foi composto somente de água.

 

 

Efeito da aplicação dos produtos em pupas.

Quarenta pupas de C. externa, por tratamento, com idade máxima de 24 horas, foram retiradas cuidadosamente de tubos de vidro de uma criação de manutenção de quarta geração do laboratório, obtidas a partir de adultos coletados em lavouras de café, no campus da UFLA. As larvas, que originaram as pupas, foram alimentadas com ovos de Anagasta kuehniella (Zeller) (Lepidoptera: Pyralidae), colocadas em placas de Petri de 15cm de diâmetro por 2cm de altura e pulverizadas, por meio de torre de Potter regulada à pressão de 15lb pol-2, com 1,5 ± 0,5mg de calda química cm-2. Em seguida, foram individualizadas em tubos de vidro de 2,5cm de diâmetro e 8,5cm de altura. Esses tubos foram vedados com filme de PVC laminado e mantidos em câmara climatizada regulada com temperatura de 25 ± 2°C, umidade relativa de 70 ± 10% e fotoperíodo com fotofase de 12 horas, para avaliações e emergência dos adultos.

O delineamento experimental foi inteiramente casualizado com sete tratamentos e dez repetições, sendo cada parcela constituída de quatro pupas. Avaliaram-se a duração e sobrevivência, através de observações diárias e a razão sexual, após a emergência dos adultos.

Avaliação da fecundidade de adultos de C. externa oriundos de pupas que receberam os tratamentos.

Os adultos emergidos de pupas tratadas foram separados por casal e individualizados em gaiolas de PVC de 10cm de altura e 10cm de diâmetro, revestida internamente com papel filtro. As gaiolas foram apoiadas em bandejas plásticas de 15cm de diâmetro forradas com o mesmo tipo de papel, tendo a parte superior fechada com tecido tipo voil. Os adultos de C. externa foram alimentados com dieta à base de lêvedo de cerveja e mel (1:1 v/v), conforme metodologia de BARBOSA et al. (2002).

O delineamento experimental foi o inteiramente casualizado com sete tratamentos e sete repetições, sendo cada parcela composta por um casal. Durante quatro semanas consecutivas, realizaram-se a contagem do número de ovos postos e separados 96 ovos por tratamento. Esses ovos foram individualizados em compartimentos de placas de microtitulação usadas em teste ELISA (Enzime Linked Immunosorbent Assay), fechadas com PVC laminado e mantidas em sala climatizada nas mesmas condições descritas anteriormente. Avaliou-se a capacidade diária (média de cada três dias) e total de oviposição por fêmea, nas quatro semanas consecutivas, bem como a viabilidade dos ovos.

Análise dos dados.

O efeito total (E em %, efeito na mortalidade e reprodução) de cada produto testado ao longo da fase adulta do predador foi determinado por meio da fórmula E = 100% - (100% - M%) x R1 x R2, proposta por VOGT (1992), sendo: E = efeito total (%); M% = mortalidade no tratamento corrigida pela fórmula de ABBOTT (1925); R1 = razão entre a média diária de ovos colocados por fêmea tratada e não tratada e R2 = razão entre a viabilidade média de ovos postos por fêmea tratada e não tratada. Após a obtenção do efeito total, cada composto foi enquadrado em uma das quatro classes de toxicidade propostas pela “International Organization fot Biological and Integrated Control of Noxious Animals and Plants” - IOBC (HASSAN, 1997; STERK et al. 1999), sendo: classe 1 = inócuo (E<30%), classe 2 = levemente nocivo (30£E£79%), classe 3 = moderadamente nocivo (80£E£99%) e classe 4 = nocivo (E>99%).

Os dados foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas pelo teste de agrupamento de Scott - Knott a 5% de significância (SCOTT & KNOTT, 1974).

Aplicação dos produtos em adultos.

Dez casais de C. externa com até 24 horas de idade, oriundos de uma criação de manutenção na quarta geração do laboratório, foram anestesiados com CO2 durante um minuto. Após serem anestesiados, os adultos foram colocados em placas de Petri de 15cm de diâmetro por 2cm de altura e pulverizados por meio de torre de Potter. Em seguida, foram individualizados, por casal, em gaiola de PVC de 10cm de diâmetro e 10cm de altura e mantidos nas mesmas condições climáticas e de alimentação empregadas no ensaio anterior.

O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, com sete tratamentos e dez repetições, sendo cada parcela constituída por um casal de C. externa. Após 24 horas da pulverização foi avaliada a mortalidade e a capacidade diária e total de oviposição durante quatro semanas consecutivas. A viabilidade dos ovos e o efeito total (E) foram determinados conforme ensaio com pupas.

Os dados referentes ao período de pré-oviposição, oviposição diária e total e a viabilidade de ovos foram transformados para e submetidos à análise de variância, e as médias comparadas pelo teste Scott - Knott a 5% de probabilidade (SCOTT & KNOTT, 1974).

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Efeito dos produtos fitossanitários sobre pupas de C. externa.

A duração da fase de pupa de C. externa que receberam aplicação dos produtos não foi afetada pelos compostos avaliados, variando de 10,5 a 10,9 dias (Tabela 2). A sobrevivência das pupas foi afetada por chlorpyrifos, com média de 77,5%, diferindo dos demais tratamentos em que a sobrevivência foi de 90% a 97,5% (Tabela 2). A maior mortalidade causada por esse produto foi devida, provavelmente, ao seu modo de ação, por ingestão e/ou contato (RIGITANO & CARVALHO, 2001), bem como pelo maior efeito residual, provocando a morte de adultos faratos (recém emergidos) quando entraram em contato com o composto, por ocasião do rompimento e saída do casulo.

 

 

Pupas pulverizadas com betacyfluthrin tiveram uma sobrevivência de 97,5% (Tabela 2) assemelhando-se aos resultados obtidos por ULHÔA et al. (2002) e GODOY et al. (2004) quando pulverizaram pupas de C. externa com deltamethrin, esfenvalerato e fenpropathrin.

A razão sexual de adultos provenientes das pupas não foi afetada por nenhum dos compostos avaliados, variando de 0,47 a 0,55 (Tabela 2), estando de acordo aos resultados de GODOY et al. (2004) que observaram razão sexual de 0,5 para adultos de C. externa, criadas a 25°C.

Analisando-se o efeito total dos produtos avaliados sobre as pupas e os adultos de C. externa provenientes de pupas tratadas, os produtos endosulfan, betacyfluthrin, enxofre, azocyclotin e oxicloreto de cobre foram enquadrados na classe 1 (inócuos, E<30%) e chlorpyrifos na classe 2 (levemente nocivo, 30£E£79%) (Tabela 3). Observou-se que quando C. externa encontrava-se no estágio de pupa, sofreu pouca influência dos inseticidas testados. Isso ocorreu, provavelmente, pelo impedimento físico e mecânico à penetração dos compostos através da seda do casulo.

 

 

Esses resultados aproximam-se aos de GODOY et al. (2004) que, avaliando os efeitos de abamectin, lufenuron, fenbutatin oxide, tebufenozide e deltamethrin aplicados em pupas de C. externa, verificaram que a sobrevivência variou de 96,7 a 100% para essa espécie de predador. Também no caso de ULHÔA et al. (2002), ao avaliarem a seletividade de endosulfan, esfenvalerate, fenpropathrin, trichlorfon e triflumuron, encontraram sobrevivência de 71,7 a 100%. Esses resultados fazem analogia, ainda, às observações de KOWALSKA & SZCZEPANSKA (1988) que, ao testarem os efeitos de vários produtos para Chrysoperla carnea (Stephens, 1836), em diferentes fases do desenvolvimento, constataram que a fase de pupa foi a mais tolerante, possivelmente pela proteção proporcionada pela seda que forma o casulo.

Efeito dos produtos fitossanitários sobre adultos de C. externa.

Observou-se que chlorpyrifos e betacyfluthrin foram altamente nocivos aos adultos, ocasionando 100% e 82,5% de mortalidade, respectivamente, diferindo dos demais produtos. Observaram-se, ainda, 2,5% de mortalidade para adultos pulverizados com azocyclotin e oxicloreto de cobre e de 0% para aqueles tratados com endosulfan, enxofre e na testemnha (Tabela 3).

Os resultados observados com o piretróide betacyfluthrin que proporcionou 82.5% de mortalidade dos adultos de C. externa (Tabela 3), são semelhantes àqueles de GODOY et al. (2004), que constataram para o piretróide deltamethrin, mortalidade de 100% de adultos de C. externa. Igualmente àqueles de MATTIOLI et al. (1992) e SANTA-CECÍLIA et al. (1997) que, ao pulverizarem adultos de C. cubana com deltamethrin, verificaram 100% de mortalidade.

Os adultos de C. externa pulverizados com o piretróide betacyfluthrin sofreram um choque inicial “knock down”, permanecendo estáticos por aproximadamente 24 horas, e, após esse período, 17,5% dos indivíduos se recuperaram e reiniciaram a alimentação. Essas observações assemelham-se às de MORAES & CARVALHO (1993) que constataram, após o choque inicial quando ficaram paralisados, a recuperação de 17,9% dos adultos do crisopídeo Ceraeochrysa cubana (Hagen, 1861) quando foram pulverizados com o piretróide fenpropathrin na dose de 0,4ml.L-1 de água. Essas observações coincidem com a sintomatologia descrita por FERREIRA et al. (1993), quando aplicaram os piretróides fenpropathrin e bifenthrin sobre larvas de C. cubana que além do efeito de choque, observaram paralisação de 40% das larvas por um período que variou de 4 a 18 horas. Segundo RIGITANO & CARVALHO (2001), os piretróides possuem efeito de choque acentuado, porém pode ocorrer, posteriormente, a recuperação do inseto.

A sobrevivência de 97,5% dos adultos de C. externa tratados com azocyclotin, observada nessa pesquisa (Tabela 3), compara-se à sobrevivência de 100% dos adultos de C. cubana quando pulverizados com o acaricida fenbutatin oxide, do mesmo grupo químico dos organoestânicos, conforme observado por MATTIOLI et al. (1992) e SANTA-CECÍLIA et al. (1997).

Quanto à classe de toxicidade, endosulfan, enxofre, azocyclotin e oxicloreto de cobre foram enquadrados na classe 1 = inócuos (E<30%), betacyfluthrin na classe 3 = moderadamente nocivo (80£E£99%) e chlorpyrifos na classe 4 = nocivo (E>99%) (Tabela 3). O efeito total provocado pelo acaricida azocyclotin é comparável àquele observado por GODOY et al. (2004) para fenbutatin oxide, do mesmo grupo químico.

Avaliando-se a capacidade reprodutiva de casais de C. externa sobreviventes, constatou-se que os produtos aplicados não afetaram o período de pré-oviposição, que variou de 5 a 5,2 dias (Tabela 4). Estes resultados são semelhantes aos obtidos por FIGUEIRA et al. (2002) que, estudando a biologia de adultos de C. externa, observaram duração de 5,1 dias para o período de pré-oviposição de fêmeas alimentadas com a mesma dieta utilizada no presente estudo.

 

 

Considerando a oviposição média diária no período avaliado, observou-se que as fêmeas de C. externa pulverizadas com endosulfan e azocyclotin apresentaram menor oviposição diária, com média de 12,9 ovos/fêmea/dia, em relação àquelas pulverizadas com enxofre, oxicloreto de cobre e água (testemunha), que apresentaram médias de 15,1; 15,6 e 16,5 ovos/fêmea/dia, respectivamente (Tabela 4). Esses resultados foram próximos aos de FIGUEIRA et al. (2002), que obtiveram, em média, 18,5 ovos/fêmea/dia para adultos de C. externa que não receberam nenhuma pulverização e foram alimentados com a mesma dieta.

Endosulfan e azocyclotin não afetaram a sobrevivência dos adultos, contudo influenciaram de alguma forma na reprodução, reduzindo a fecundidade. Esses resultados aproximam-se aos de ULHÔA et al. (2002), que constataram redução na capacidade de oviposição de C. externa após receberem aplicação de triflumuron na dose de 0,038g i.a. L-1 de água. VELLOSO et al. (1999) ao avaliarem inseticidas reguladores de crescimento sobre adultos desse mesmo crisopídeo, observaram que buprofezin, pyriproxifen e cyromazine não afetaram a capacidade de oviposição nem a viabilidade dos ovos, demonstrando que esses compostos podem atuar de maneira diferente na fisiologia de adultos dessa espécie, em relação ao composto triflumuron avaliado por ULHÔA et al. (2002).

A viabilidade dos ovos não foi afetada por nenhum produto, com médias variando de 90,1 a 94,6% (Tabela 4), assemelhando-se aos resultados de FIGUEIRA et al. (2002) que obtiveram 87,7% de viabilidade para ovos de C. externa que não recebeu nenhuma pulverização e foi alimentada com a mesma dieta e também aos de RIBEIRO et al. (1991), que observaram viabilidade de 95,4% para ovos dessa mesma espécie, que não recebeu nenhuma pulverização e foi alimentada com a mesma dieta.

 

CONCLUSÕES

O composto chlorpyrifos é tóxico para pupas e adultos de C. externa. Betacyfluthrin, endosulfan, enxofre, azocyclotin e oxicloreto de cobre são seletivos para pupas de C. externa e não afetam a fase subseqüente de desenvolvimento desse crisopídeo, sendo betacyfluthrin tóxico para adultos de C. externa, enquanto endosulfan, azocyclotin, enxofre e oxicloreto de cobre são seletivos. Em função da baixa toxicidade apresentada por endosulfan, azocyclotin, enxofre e oxicloreto de cobre, esses compostos podem ser recomendados em programas de manejo de pragas do cafeeiro em associação com C. externa.

 

AGRADECIMENTOS

À Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais – FAPEMIG pela concessão de bolsa de doutorado, e à Universidade Federal de Lavras – UFLA e Epamig-CTSM/EcoCentro pelos suportes laboratoriais.

 

REFERÊNCIAS

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Recebido para publicação 01.04.05
Aprovado em 30.08.05

 

 

1 Autor para corresoponência.

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