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Ciência Rural

Print version ISSN 0103-8478On-line version ISSN 1678-4596

Cienc. Rural vol.36 no.1 Santa Maria Jan./Feb. 2006

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-84782006000100044 

NOTA
FITOTECNIA

 

Períodos e temperaturas de pré-resfriamento na germinação de sementes de Leonotis nepetaefolia

 

Periods and pre-cooling temperatures on Leonotis nepetaefolia seeds germination

 

 

Andréia Cristina SilvaI, 1; Eduardo Fontes AraújoII; Francisco Affonso FerreiraII

IAgência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), Pólo Regional da Alta Sorocabana, CP 298, 19001-970, Presidente Prudente, SP, Brasil. E-mail: andreiacs@aptaregional.sp.gov.br
IIDepartamento de Fitotecnia, Universidade Federal de Viçosa, UFV, Viçosa, MG, Brasil

 

 


RESUMO

Com o objetivo de estudar condições favoráveis durante a germinação das sementes de L. nepetaefolia, foi conduzido um experimento utilizando temperaturas de 5°C e 10°C por períodos de 7 e 14 dias, durante a embebição. Após estes períodos, as sementes foram submetidas a regimes de temperatura contínua (20°C) ou alternada (20°C noite - 30°C dia). Adicionalmente foram adotadas duas testemunhas sem pré-resfriamento (20°C e 20°C – 30°C). As sementes submetidas ao pré-resfriamento e as testemunhas não germinaram em temperatura contínua de 20°C. O tratamento pré-resfriado a 10°C por 14 dias promoveu maior uniformidade, porcentagem de germinação (45%) e índice de velocidade de germinação de Leonotis nepetaefolia comparado à testemunha.

Palavras-chave: cordão-de-frade, qualidade fisiológica, índice de velocidade de germinação.


ABSTRACT

The objective of this work was to study beneficial conditions during L. nepetaefolia seeds germination an assay was carried out to study pre-cooling temperatures of 5°C and 10°C for periods of 7 and 14 days, during seeds soaking. After these periods, the seeds were submitted to continuous (20°C) or alternate (20°C night – 30°C day) temperatures. Additionally two controls were studied (20°C e 20°C – 30°C) without pre-cooling. The experimental design was completely randomized, with four replications. Seeds submitted to pre-cooling, as well as the controls did not germinate in continuous temperature of 20°C. The seeds submitted to pre-cooling of 10°C for 14 days provided greater uniformity, final germination percentages (45%) and germination speed index compared to that the control.

Key words: Lion’s ear, physiology quality, germination speed index.


 

 

Leonotis nepetaefolia, conhecida vulgarmente como cordão-de-frade, é uma planta originária da África tropical, sendo vastamente distribuída nas regiões tropicais e subtropicais da África, Ásia e América. No Brasil, apesar de freqüente, ocorre raramente no extremo Sul (KISSMANN & GROTH, 2000). Pertence à família Labiatae, é anual, herbácea ou subarbustiva (80 a 160 cm de altura), aromática, apresenta caule quadrangulado e propaga-se por sementes (LORENZI, 1991).

Tem sido observada em áreas cultivadas com milho, principalmente em sistema de plantio direto, produzindo sementes inclusive no período de entressafra (TOMAZ et al., 2004). A espécie apresenta dormência primária, após a maturação dos frutos (KISSMANN & GROTH, 2000) o que contribui para incrementar o banco de sementes do solo.

Apesar dos prejuízos ocasionados às espécies cultivadas, L. nepetaefolia contém princípios com propriedades terapêuticas (LORENZI, 1991). Informações sobre as condições necessárias para germinação da espécie são imprescindíveis para permitir a produção tecnificada de plantas em fase de domesticação, o que facilitaria o estudo controlado da produção de seus princípios ativos (BROWN JR., 1988).

O trabalho teve como objetivo avaliar o efeito do pré-resfriamento de sementes de L. nepetaefolia, em diferentes intervalos e temperaturas, associados à temperatura contínua e alternada após o resfriamento, na germinação da espécie.

O experimento, realizado em laboratório, utilizou sementes de L. nepetaefolia, provenientes de plantas infestantes existentes em área previamente cultivada com milho sob plantio direto. O lote de sementes foi coletado de glomérulos distribuídos na planta, homogeneizado e submetido à retirada de impurezas. As sementes foram armazenadas durante 9 meses, em ambiente de laboratório, desprovido do controle de temperatura. TOMAZ et al. (2004) relatam aumento na taxa de germinação da espécie com o aumento do período entre a coleta das sementes e a semeadura.

Foram avaliados dez tratamentos, os quais constaram de duas temperaturas de embebição das sementes (5°C e 10°C) por períodos de 7 ou 14 dias na ausência de luz, em câmaras de germinação tipo BOD. Após os períodos de pré-resfriamento, as sementes foram submetidas a dois regimes de temperatura para germinação: contínua (20°C) ou alternada (20°C noturna por 14 horas e 30°C diurna por 10 horas), na presença de luz.

As avaliações de germinação foram feitas diariamente, por um período de 46 dias contados a partir da disposição das sementes em temperatura definitiva. A partir dessas informações foram calculados a porcentagem de germinação final (BRASIL, 1992), o índice de velocidade de germinação (MAGUIRE,1962), a germinação acumulada no tempo e os fluxos de germinação a intervalos de 48 horas.

O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente ao acaso, com quatro repetições. Os dados foram submetidos à análise de variância, sendo as médias da germinação final comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. Foram ajustadas curvas para a % de germinação cumulativa dos tratamentos ao longo do tempo, adotando-se o modelo Y = a / 1 + (x / x0)b.

As sementes submetidas à temperatura contínua (20°C) não germinaram. Nessa condição, nem mesmo os tratamentos de pré-resfriamento mostraram qualquer impacto sobre a germinação da espécie. Contudo, houve germinação nos tratamentos em que a temperatura de pós-resfriamento foi de 20 – 30°C. Na prática, essa informação sugere que o nível de infestação da espécie em áreas agrícolas pode estar associado à amplitude térmica.

Foi observado que a temperatura de 10°C por um período de 14 dias promoveu maior porcentagem de germinação de L. nepetaefolia (Tabela 1). Os tratamentos com temperaturas de 5°C e 10°C durante 14 e 7 dias, respectivamente, não diferiram da testemunha. TOMAZ et al. (2004) não verificaram efeito do pré-resfriamento de 7-10°C durante 7 dias na superação de dormência da espécie L. nepetaefolia utilizando temperatura pós-resfriamento contínua (20°C).

 

 

Nas curvas de regressão ajustadas para a porcentagem de germinação acumulada no tempo (Figura 1), o tratamento 10°C (14 dias) foi superior a partir de 5 dias após o estabelecimento das sementes em temperatura definitiva (20 – 30 °C). O parâmetro x0 da equação, o qual corresponde ao período (dias) em que ocorreu 50% da germinação indicou 9 dias após a semeadura (DAS) para todos os tratamentos, informação que pode auxiliar no manejo da espécie em áreas agrícolas.

 

 

Na tabela 1, pode ser observado que a testemunha apresentou baixa velocidade de germinação comparada ao tratamento pré-resfriado a 10°C pelo período de 14 dias. Desse modo, no caso de L. nepetaefolia, condições específicas, como quedas de temperatura por determinado período, podem aumentar o IVG da espécie, promovendo germinação antecipada à das culturas, aumentando sua capacidade competitiva.

Na figura 2, podem ser visualizados os fluxos de germinação, a intervalos de 48 horas, dos tratamentos que obtiveram maior porcentagem de germinação e a testemunha, no decorrer das avaliações. Foram necessários cerca de 5 e 7 dias de temperatura alternada para iniciar a germinação das sementes dos tratamentos com e sem pré-resfriamento, respectivamente. O pico máximo de germinação alcançada por L. nepetaefolia foi aos 8 DAS para o tratamento 10°C (14 dias) e 10 DAS para o tratamento 5°C (7 dias). Um aspecto interessante observado no fluxo de germinação foi que o tratamento a 10°C (14 dias) apresentou maior uniformidade, comparado ao tratamento a 5°C (7 dias) que apresentou maiores oscilações. Houve germinação até os 16 DAS para a testemunha, prolongando-se até os 18 e 20 DAS para os tratamentos com pré-resfriamento de 10°C (14 dias) e 5°C (7 dias), respectivamente.

 

 

O pré-resfriamento de sementes de L. nepetaefolia a 10°C por um período de 14 dias, seguido de temperatura alternada (20°C noite – 30°C dia) promove maior uniformidade, porcentagem e índice de velocidade de germinação em relação à testemunha. A espécie não germina em temperatura contínua de 20°C.

 

REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Agricultura e Reforma Agrária. Regras para análise de sementes. Brasília: SNDA / DNDV / CLAV, 1992. 365p.        [ Links ]

BROWN Jr., K.S. Engenharia ecológica: novas perspectivas de seleção e manejo de plantas medicinais. Acta Amazônica, v.18, n.1, p.291-303, 1988.        [ Links ]

KISSMANN, K.G.; GROTH, D. Plantas infestantes e nocivas. 2.ed. São Paulo: BASF, 2000. 726p.        [ Links ]

LORENZI, H. Plantas daninhas do Brasil. Nova Odessa: Plantarum, 1991. 440p.        [ Links ]

MAGUIRE, J.D. Speed of germination-aid in selection and evaluation for seedling emergence and vigor. Crop Sci, v.2, n.2, p.176-177, 1962.        [ Links ]

TOMAZ, M.A. et al. Germinação de sementes de Leonotis nepetaefolia, em função do estádio de maturação e da posição do glomérulo na planta. Planta Daninha, v.22, n.3, p.359-364, 2004.        [ Links ]

 

 

Recebido para publicação 20.04.05
Aprovado em 03.08.05

 

 

1 Autor para correspondência.

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