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Ciência Rural

Print version ISSN 0103-8478On-line version ISSN 1678-4596

Cienc. Rural vol.38 no.3 Santa Maria May/June 2008

https://doi.org/10.1590/S0103-84782008000300021 

ARTIGOS CIENTÍFICOS
CLÍNICA E CIRURGIA

 

Hemodinâmica de diferentes frações inspiradas de oxigênio em cães submetidos à infusão contínua de propofol sob ventilação espontânea

 

Hemodyinamic effects of several inspired oxygen fractions in spontaneously breathing dogs submitted to continuous infusion of propofol

 

 

Newton NunesI, 1; Patrícia Cristina Ferro LopesII; Paulo Sérgio Patto dos SantosIII; Danielli Parrilha de PaulaII; Celina Tie Duque NishimoriII; Roberta CararetoII; Marlos Gonçalves SousaII; Vivian Fernanda BarbosaII; Aparecido Antonio CamachoIII

IDepartamento de Clínica e Cirurgia Veterinária, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV), Universidade Estadual Paulista (UNESP). Campus de Jaboticabal, Via de Acesso Prof. Paulo Donato Castellane, s/n, Zona Rural, 14884-900, Jaboticabal, SP, Brasil. E-mail: newton@fcav.unesp.br
IIPrograma de Pós-graduação, FCAV/UNESP, Jaboticabal, SP, Brasil
IIIDepartamento de Clínica, Cirurgia e Reprodução Animal, Faculdade de Medicina Veterinária de Araçatuba, UNESP, Araçatuba, SP, Brasil

 

 


RESUMO

Avaliaram-se os efeitos do fornecimento de diferentes frações inspiradas de oxigênio (FiO2) sobre os parâmetros hemodinâmicos em cães submetidos à infusão contínua de propofol e mantidos em ventilação espontânea. Foram utilizados oito cães, os quais foram empregados em cinco grupos com diferentes FiO2, G100 (FiO2 = 1), G80 (FiO2 = 0,8), G60 (FiO2 = 0,6), G40 (FiO2 = 0,4) e G20 (FiO2 = 0,21), respeitando-se um intervalo de dez dias entre cada procedimento anestésico. Os animais foram induzidos e mantidos sob anestesia com propofol na dose de 0,7mg kg-1 min-1 e, após a intubação orotraqueal, iniciou-se o fornecimento de oxigênio conforme a FiO2 determinada para cada grupo. As primeiras mensurações, da freqüência cardíaca (FC), das pressões arteriais sistólica, diastólica e média (PAS, PAD e PAM), da resistência vascular periférica e pulmonar (RPT e RPV), do débito cardíaco (DC); da pressão venosa central (PVC), da pressão média da artéria pulmonar (PMAP), da pressão média capilar pulmonar (PMCP), da pressão parcial de oxigênio (PaO2) e do dióxido de carbono (PaCO2) no sangue arterial, foram efetuadas 30 minutos após o início da infusão do anestésico (M0), seguidas de intervalos de 15 minutos (M15, M30, M45 e M60). Os dados numéricos obtidos foram submetidos à Análise de Variância, seguida pelo teste Tukey (P<0,05). Os parâmetros hemodinâmicos não apresentaram diferenças significativas ao longo do tempo e entre os grupos. Os resultados obtidos permitiram concluir que as variáveis hemodinâmicas não são afetadas pelo emprego de diferentes FiO2.

Palavras-chave: frações inspiradas de oxigênio, propofol, cão, parâmetros hemodinâmicos.


ABSTRACT

The effects of several inspired oxygen fractions (FiO2) in hemodynamics parameters in spontaneously breathing dogs submitted to continuous infusion of propofol were evaluated. Eight adult mongrel dogs were studied and the animals underwent five anesthesias. In each procedure the patient was submitted to a different FiO2, thereby resulting in five groups, namely: G100 (FiO2 = 1), G80 (FiO2 = 0.8), G60 (FiO2 =0.6), G40 (FiO2 = 0.4), and G20 (FiO2 = 0.21). The dose of propofol was sufficient to abolish protector reflex and ensure endotracheal intubation, followed by immediate continuous infusion of that drug (0.7mg kg-1 min-1). The initial measurement (M0) of heart rate (HR); systolic (SAP), diastolic (DAP) and mean pressure (MAP), systemic (SVR) and pulmoary vascular resistance (PVR), cardiac output (CO); central venous pressures (CVP); mean pulmonary pressure (MPAP); pulmonary capillary wedge pressure (PCWP), arterial partial pressure of oxygen (PaO2) and carbon dioxide (PaCO2) were recorded thirty minutes after the beginning of propofol infusion. Additional recordings were performed at each 15-minute interval during 60 minutes (M15, M30, M45, and M60). Numeric data were submitted to Analysis of Variance followed by Tukey Test (P<0.05). Significant values of hemodynamic parameters were not recorded neither during the experiment period nor among the groups. In conclusion, different FiO2 does not impair hemodynamic parameters.

Key words: oxygen inspired fraction, propofol, dog, hemodynamic parameters.


 

 

INTRODUÇÃO

Na Medicina Veterinária, trabalhos empregando o propofol como agente anestésico têm proporcionado embasamento teórico para que seja cada vez mais freqüente seu emprego na rotina anestésica, pois a infusão contínua desse fármaco apresenta-se como uma alternativa importante em substituição à anestesia inalatória, por apresentar indução (DUKE,1995) e recuperação anestésicas rápidas (WHITE, 2001), poucos efeitos adversos e ausência de efeito cumulativo (MORGAN & LEGGE, 1989).

No entanto, a preocupação com a ventilação e conseqüente oxigenação do paciente, durante os procedimentos anestésicos, é de extrema importância, pois a função primordial da integração dos sistemas cardiovascular e respiratório é suprir as necessidades metabólicas dos diversos tecidos do organismo, por meio da oferta adequada de oxigênio (O2) (ROMALDINI, 1995). Entretanto, deve-se ressaltar que prejuízos na troca gasosa durante a anestesia geral podem decorrer da formação de áreas de atelectasia tanto em anestesias inalatórias como em intravenosas (STRANDBERG et al., 1986), sendo que altas frações inspiradas de oxigênio (FiO2) durante esses procedimentos freqüentemente estão correlacionadas com tal ocorrência (MAGNUSSON & SPAHN, 2003). Dessa forma, baixas concentrações desse gás têm sido utilizadas para evitar tal problema (AKÇA et al.,1999; ROTHEN et al., 1996).

Novos estudos têm avaliado o emprego de baixas FiO2 no sistema cardiovascular. FUIJI et al. (2001), utilizando FiO2 = 0,4 em cães submetidos à infusão de propofol, observaram redução da freqüência cardíaca (FC) e da pressão arterial média (PAM), sendo tal fato atribuído à infusão do fármaco, pois, 10 minutos após o término da sua administração, os valores retornaram a seus patamares iniciais. Em outra pesquisa, ZAPPELLINI et al. (1996), em seu estudo com cães, não registraram diferenças significativas nos parâmetros hemodinâmicos entre os grupos ventilados com FiO2 = 1 e FiO2 = 0,21.

Em contrapartida, em estudo com diferentes concentrações de O2 (11, 21 e 100%), CLAYBAUGH et al. (2003) afirmaram que o emprego de FiO2 = 1 durante hemorragia induzida em cabras manteve a pressão sangüínea arterial, melhorando, portanto, a pressão de perfusão dos tecidos. Entretanto, KIM et al. (1998), em seu estudo com ratos submetidos a choque hemorrágico letal, observaram que a FiO2 = 1 proporcionou aumento da PaO2, mas não alterou a PAM.

Objetivou-se, com este trabalho, determinar os efeitos do emprego de diferentes frações inspiradas de oxigênio nas variáveis cardiovasculares em cães mantidos em ventilação espontânea e submetidos à infusão contínua de propofol.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Foram utilizados oito cães adultos, machos ou fêmeas, sem raça definida, evitando-se animais prenhes ou em estro, pesando entre 5 e 11kg, considerados hígidos após exames físico e a complementares, dentre os quais a hematológico, urinálise, o eletrocardiográfico e radiografias torácicas. Os animais foram mantidos em canis individuais.

Cada cão foi submetido a cinco procedimentos com infusão contínua de propofol, permitindo, portanto, a formação de cinco grupos experimentais denominados G100 (FiO2 = 1), G80 (FiO2 = 0,8), G60 (FiO2 = 0,6), G40 (FiO2 = 0,4) e G20 (FiO2 = 0,21), sendo respeitado um intervalo de dez dias entre cada anestesia. Para o início do estudo, escolheu-se a FiO2 a ser empregada ao acaso, iniciando-se pela concentração de O2 de 60%, seguida pelas frações inspiradas de 100, 80, 40 e 21%.

Todos os animais foram induzidos à anestesia geral pela administração intravenosa de propofola na dose necessária para perda do reflexo laringotraqueal. Em seguida, os animais foram intubados e a sonda foi conectada ao circuito anestésico com reinalação parcial de gasesb, para o fornecimento de O2 conforme as FiO2 determinadas em cada grupo, sendo o fluxo total mantido de 30 a 50ml kg-1 min-1. Iniciou-se então a infusão contínua de propofol, por meio de bomba de infusãoc, empregando-se a dose de 0,7mg kg-1 min-1. A leitura da concentração do gás foi obtida pelo uso de analisador de gasesd, cujo sensor se encontrava adaptado na extremidade da sonda orotraqueal conectado ao equipamento de anestesia.

Procedeu-se à cateterização transcutânea da artéria társicae para mensuração das pressões arteriais sistólica (PAS), diástólica (PAD), média (PAM) e para coleta de sangue para hemogasometria e mensuração da pressão parcial de oxigênio no sangue arterial (PaO2), pressão parcial de dióxido de carbono no sangue arterial (PaCO2) e pHf. No terço médio da região cervical, localizou-se a veia jugular esquerda para a introdução do catetere, para posterior introdução de catéter de termodiluiçãog, cuja extremidade distal foi posicionada na luz da artéria pulmonar, observando-se as formas das ondas de pressão, segundo descrito por SISSON (1992), para mensuração do débito cardíacod (DC), da pressão venosa central (PVC), da pressão média da artéria pulmonar (PMAP) e da pressão média capilar pulmonar (PMCP). A resistência periférica total (RPT) e a resistência vascular pulmonar (RVP) foram obtidas por cálculos matemáticos descritos por VALVERDE et al. (1991) e NUNES (2002).

A FC foi obtida calculando-se o intervalo de tempo constituído entre dois intervalos R-R consecutivos do traçado eletrocardiográfico, registrado por método computadorizadoh e ajustado para leitura na derivação II.

As observações das variáveis iniciaram-se após 30 minutos da infusão contínua de propofol (M0). Novas mensurações foram realizadas em intervalos de 15 minutos, por um período de 60 minutos (M15, M30, M45 e M60, respectivamente). Todas as variáveis foram submetidas à Análise de Variância (ANOVA), seguida pelo teste de Tukey (P<0,05) para avaliação individual dos grupos e entre eles.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Relativamente à FC, foi possível observar, em todos os grupos, estabilidade das médias (Tabela 1), com valores situados dentro do intervalo considerado fisiológico para a espécie segundo TILLEY (1992), não sendo observadas alterações decorrentes do emprego de diferentes FiO2. QUANDT et al. (1998) também observaram estabilidade desse parâmetro em cães, após 30 minutos de anestesia com propofol recebendo FiO2 = 1. O mesmo foi observado por FERRO et al. (2005), que não encontraram alterações significativas na FC após a administração de diferentes doses de propofol (0,2; 0,4 e 0,8mg kg-1 min-1) em cães respirando espontaneamente ar ambiente.

A PAS, a PAD e a PAM não apresentaram diferenças entre os momentos em todos os grupos, sendo observados valores significativos entre os grupos apenas em M60, no qual o G20 foi maior que o G100 e G80 para a PAS, enquanto para PAM maior que G80. Apesar de a PAD não apresentar diferença estatística entre os grupos, a média do G20 também apresentou valores absolutos superiores aos de G80 e G100 no M60 (Tabela 1).

De acordo com GUYTON (1992), os quimiorreceptores são células quimiossensíveis à falta de O2 e ao excesso de dióxido de carbono (CO2) ou de íons de hidrogênio, sendo sua localização em vários pequenos órgãos, dois corpos carotídeos e vários corpos aórticos. Os sinais transmitidos desses receptores para o centro vasomotor proporcionam, nessas condições, aumento da pressão arterial.

Dessa forma, sugere-se que os quimiorreceptores tenham sido ativados, não permitindo, portanto, reduções nas pressões arteriais em nenhum grupo, conforme descrito por BUFALARI et al. (1996) e FERRO et al. (2005), uma vez que, em todos os grupos, foi observado excesso de dióxido de carbono e de íons de hidrogênio, conforme demonstrado pelos valores de PaCO2 e pH (Tabela 2). Além disso, os valores registrados para estes parâmetros foram maiores e menores, respectivamente, aos considerados fisiológicos (HASKINS, 1996; SENIOR, 1997), e adicionalmente, em G20, registrou-se baixa tensão de oxigênio.

Quanto às diferenças entre os grupos registradas nas PAS e PAM, essas confirmam a hipótese anteriormente mencionada, uma vez que, no G20, a média de PaO2 foi inferior a 90mmHg (Tabela 2). Como a estimulação dos quimiorreceptores pode ser gerada a partir de tensões de CO2 acima de 30mmHg e de tensões de O2 menores ou iguais a 90mmHg (DETWEILER, 1993), no G20, houve um fator a mais de estimulação, proporcionando valores de pressão superiores aos grupos G100 e G80, que, em contrapartida, apresentaram valores significativamente maiores de PaO2. Em cães anestesiados, são previstos valores de PaO2 aproximadamente quatro a cinco vezes maiores à FiO2 fornecida, corroborando os valores registrados neste estudo. Dessa forma, as diferenças registradas podem ser justificadas pelo emprego de diferentes FiO2 em cada grupo (Tabela 2). No G20, a PaO2 no M0 e no M15 apresentou-se inferior aos valores considerados fisiológicos (HASKINS, 1996), o que pode ter ocorrido pela baixa tensão de O2 fornecida. Do mesmo modo, WATKINS et al. (1987), após a indução anestésica com propofol, observaram PaO2 igual a 77mmHg em cães saudáveis respirando ar ambiente.

Em relação aos valores de PaCO2, como citado anteriormente, todos os grupos apresentaram valores acima dos fisiológicos. Todavia, o grupo que recebeu oxigênio a 21% registrou média abaixo de 60mmHg. No entanto, somente em M30 foi registrada média de G100 maior que a de G20 (Tabela 2). Observando-se os valores absolutos dessa variável, foi possível detectar o aumento das médias, seguido pelas crescentes FiO2 fornecidas, sendo que quadros de hipercapnia, observados nesse estudo, podem ter sido causados por atelectasia (O'FLAHERTY,1994). Esta proposta pode ser embasada ainda pelo emprego de FiO2 = 1,0 ou 0,8 (JEFFERIES, 1994), justificando as diferenças nas médias de PaCO2, já que a formação de áreas de colapso pulmonar compromete a troca gasosa e, conseqüentemente, a liberação de CO2.

No pH, não houve diferenças entre os grupos e, dentro destes, entre os momentos (Tabela 2). Apesar de terem sido registradas diferenças nos valores de PaCO2 e de maiores médias desse parâmetro proporcionrem aumento de ácido carbônico (HOUPT, 1993) e redução de pH (MUIR III, HUBBELL, 1997), acredita-se que a ocorrência de reações tampões, bem como de mecanismos compensatórios, possam ter evitado a ocorrência de diferenças entre os grupos.

O emprego de diferentes FiO2 não permitiu o registro de diferenças significativas na PVC entre os momentos e grupos, sendo que as médias registradas foram consideradas normais para a espécie, segundo HASKINS (1996) (Tabela 3). Os resultados obtidos corroboram os achados de FUJII et al. (2001), que também registraram valores normais em cães sob ventilação mecânica com FiO2 = 0,4, tratados ou não com propofol.

A PMAP é muito menor que a sistêmica, sendo da ordem de 15mmHg nos mamíferos (ROBINSON, 1993). Portanto, mesmo com o emprego de diferentes concentrações de oxigênio, os valores registrados para PAMP estiveram dentro da normalidade (HASKINS, 1996), não havendo diferenças entre os grupos e dentro destes. KOJIMA et al. (2002), em seu estudo com cães, pré-medicados ou não, recebendo propofol sob respiração espontânea com ar ambiente, também não relataram diferenças nos valores de PAMP entre os valores basais e os registrados no decorrer do protocolo.

De acordo com GREENE et al. (1990) e MUIR III & MASON (1996), a PMCP pode ser empregada como referência e representa boa estimativa da pré-carga, sendo que, nesse estudo, para tal parâmetro, não foram constatados interferências do emprego de diferentes FiO2.

As PMAP e PMCP mativeram-se no mesmo patamar em todos os grupos, durante todo o período experimental (Tabela 3), o que pressupõe estabilidade da função ventricular e pré-carga, já que esses parâmetros são rotineiramente empregados na clínica de emergência, para se estimar a pressão de enchimento do ventrículo esquerdo (MARK, 1998) e a pressão atrial esquerda, respectivamente (GREENE et al., 1990; MUIR III & MASON, 1996; MARK, 1998). Dessa forma, a administração de diferentes FiO2 não foi capaz de causar alterações nessas variáveis, e, portanto, não prejudicou a estabilidade da função ventricular e pré-carga.

Relativamente ao DC, a variável não apresentou diferenças entre os grupos, bem como dentro destes (Tabela 1), não sendo observadas alterações decorrentes do emprego de diferentes concentrações de oxigênio em cães com respiração espontânea. Os mesmos resultados foram relatados por QUANTD et al. (1998) em cães submetidos à anestesia com dose única de propofol, com FiO2 a 100%. Adicionalmente, é importante ressaltar que, embora o DC seja expresso matematicamente como o produto da FC pelo volume sistólico (VS) (MUIR III & MASON, 1996), deve-se considerar outras variáveis que possam interferir diretamente sobre o parâmetro, principalmente atuando sobre o VS, o qual sabidamente sofre interferência direta da contratilidade cardíaca, da pré e pós-carga (GREENE et al., 1990). Dessa forma, a manutenção do DC durante todo o período experimental pode ser atribuída à estabilidade observada nas variáveis hemodinâmicas estudadas, que não sofreram interferências do emprego de diferentes FiO2, como descrito anteriormente.

A RPT não diferiu significativamente entre os grupos (Tabela 3). Considerando-se que a RPT é obtida através de calculo matemático (NUNES, 2002; VALVERDE et al., 1991), sendo que, neste estudo, os componentes da equação (PAM e DC) se mantiveram estáveis e não registraram alterações decorrentes do emprego de diferentes FiO2, fica clara a influência desses parâmetros sobre a variável. O mesmo ocorreu com relação à RVP, calculada a partir dos valores médios da PMAP, PMCP e DC (NUNES, 2002).

 

CONCLUSÃO

Conclui-se que, em cães submetidos à infusão contínua de propofol, na dose de 0,7mg kg-1 min-1, e mantidos em ventilação espontânea, as variáveis hemodinâmicas não são afetadas pelo emprego de diferentes FiO2. Entretanto, ao avaliarem-se os dados hemogasométricos obtidos, é possível concluir-se que a melhor FiO2 a ser empregada no protocolo proposto é a de 60%.

 

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), pelo apoio financeiro concedido, e ao Programa de Pós-graduação em Cirurgia Veterinária da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias - FCAV.

 

FONTE DE AQUISIÇÃO

a Diprivan, ZENECA Farmacêutica do Brasil Ltda., São Paulo, SP, Brasil.
b OHMEDA, mod. Excel 210SE, Madison, EUA (Processo FAPESP 97/10668-4).
c Infusion Pump 670T, Samtronic, São Paulo, SP, Brasil.
d DIXTAL, mod. DX – 2010, Manaus, AM, Brasil (Processo FAPESP 96/02877-0
e 02/04625-0). e Cateter Insyte – BD Insyte ® -Becton, Dickinson Indústria Cirúrgica, Juiz de Fora, MG, Brasil.
f Hemogasômetro Roche Omi C – Rochi Diagnostics GmbH - Mannheim, Alemanha.
g Cateter Swan-Ganz Pediátrico – 75 cm/5F (4 vias)- Edwards Lifesciences, Irvine, CA, EUA.
h TEB- Mod. ECGPC software versão 1.10, São Paulo, SP, Brasil (Processo FAPESP 96/1151-5).

 

COMITÊ DE ÉTICA E BIOSSEGURANÇA

Este experimento foi aprovado pela Comissão de Ética e Bem-Estar Animal (CEBEA) da FCAV/Unesp, conforme o protocolo número 017678-06, sendo realizado de acordo com normas éticas. Terminado o estudo, os animais foram oferecidos para adoção.

 

REFERÊNCIAS

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Recebido para publicação 21.11.06
Aprovado em 25.07.07

 

 

1 Autor para correspondência.

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