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Ciência Rural

Print version ISSN 0103-8478On-line version ISSN 1678-4596

Cienc. Rural vol.38 no.4 Santa Maria July 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-84782008000400027 

ARTIGOS CIENTÍFICOS
PRODUÇÃO ANIMAL

 

Comportamento ingestivo de ovelhas em lactação alimentadas com dietas contendo diferentes níveis de fibra em detergente neutro

 

Feeding behaviour of lactating ewes fed diets containing different neutral detergent fiber levels

 

 

Cristiano Haetinger HübnerI; Cleber Cassol PiresII, 1; Diego Barcelos GalvaniI; Sérgio CarvalhoIII; Felipe JochimsI; Tatiana Pfüller WommerIV; Bernardo Garziera GasperinV

IPós-graduação em Zootecnia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil
IIDepartamento de Zootecnia, UFSM, Camobi, 97105-900, Santa Maria, RS, Brasil. E-mail: cpires@ccr.ufsm.br
IIICentro Universitário Feevale, Novo Hamburgo, RS, Brasil
IVCurso de Zootecnia, UFSM, Santa Maria, RS, Brasil
VCurso de Medicina Veterinária, UFSM, Santa Maria, RS, Brasil

 

 


RESUMO

O objetivo do trabalho foi avaliar o efeito do fornecimento de dietas com diferentes níveis de fibra em detergente neutro (FDN) sobre o comportamento ingestivo de ovelhas em lactação. Foram utilizadas 18 ovelhas 5/8 Ile de France 3/8 Texel, confinadas 24 horas após o parto em baias individuais, sendo aleatoriamente distribuídas em três tratamentos: 34, 43 e 52% de FDN na dieta. As dietas, isoproteicas, foram compostas por silagem de milho (Zea mays L.), milho triturado, farelo de soja (Glycine max L.), calcário calcítico, fosfato bicálcico e sal comum, sendo fornecidas ad libitum, duas vezes ao dia, em horários pré-estabelecidos às 8h30min e 16h30min. O comportamento ingestivo dos animais foi determinado mediante apreciação visual. O aumento do nível de FDN na dieta influenciou significativamente os consumos de MS e FDN, a produção de leite e os tempos despendidos em ingestão, ruminação, ócio e mastigação total, que variaram de forma quadrática (P<0,05). As eficiências de ingestão e ruminação de FDN, expressas em g h-1, aumentaram (P<0,05), ao passo que as eficiências de ingestão e ruminação de MS decresceram linearmente (P<0,05) com o incremento do nível de FDN da dieta, sendo necessário maior período de tempo para ingerir e ruminar uma mesma quantidade de alimento. Altos níveis de FDN na dieta podem acarretar depressão do consumo de matéria seca.

Palavras-chave: concentrado, forragem, ingestão, ovinos, ruminação.


ABSTRACT

The aim of this study was to evaluate the effects of different neutral detergent fiber (NDF) levels in the diet on ingestive behavior of lactating ewes. Eighteen 5/8 Ile de France 3/8 Texel ewes, housed in individual cage 24 hours postpartum, were used. Animals were assigned to one of three treatments: 34, 43 and 52% NDF in the diet, in dry matter (DM) basis. The total mixed rations, composed by corn silage (Zea mays L.), ground corn, soybean meal (Glycine max L.), limestone, salt and dicalcium phosphate, were given twice a day, at 0830 AM and 0430 PM. Ingestive behavior was determined by visual appreciation. The increase of the NDF level in the diet significantly influenced (P<.05) DM and NDF intakes, milk yield, and the feeding, rumination, idleness resting and total chewing times, that varied quadratically (P<.05). The NDF feeding and rumination efficiency increased, whereas DM feeding and rumination efficiency linearly decreased (P<.05) as effect of the NDF increased, being necessary more time to feed the same amount of total mixed ration. Highest NDF levels in the diet can cause depression in DM intake.

Key words: concentrate, forage, idleness, intake, sheep, rumination.


 

 

INTRODUÇÃO

A maximização do consumo de nutrientes por animais em lactação é necessária para o atendimento dos requerimentos de manutenção e produção destes. Contudo, geralmente, a capacidade do retículo-rúmen pode determinar limitação do consumo e, conseqüentemente, da produção. Segundo JUNG & ALLEN (1995), o consumo voluntário de alimentos é inversamente relacionado à concentração de parede celular da dieta. Assim, o fornecimento de alimentos concentrados é um fator de fundamental importância para potencializar a produção de leite, evitando excessiva mobilização das reservas corporais do animal. Entretanto, dietas compostas por pequenas frações de alimentos volumosos podem ocasionar distúrbios ruminais com reflexos negativos sobre a produção animal (MERTENS, 1997).

De acordo com THIAGO et al. (1992), a quantidade de alimento consumido por um ruminante em determinado período de tempo depende do número de refeições nesse período e da duração e velocidade de ingestão de cada refeição. Cada um desses processos é o resultado da interação do metabolismo do animal e das propriedades físicas e químicas da dieta, estimulando receptores da saciedade. Segundo ARNOLD (1985), o consumo alimentar é ajustado de acordo com as necessidades nutricionais do animal, sobretudo de energia. Assim, animais confinados gastam em torno de uma hora consumindo alimentos com elevada densidade energética, ou até mais de seis horas, para fontes com baixo teor de energia. Da mesma forma, o tempo despendido em ruminação é influenciado pela natureza da dieta, sendo proporcional ao teor de parede celular dos alimentos (VAN SOEST, 1994).

A eficácia de ruminação também é fator importante no controle da utilização de volumosos. Dessa forma, um animal que rumina mais durante um determinado período de tempo pode consumir mais volumoso e ser mais produtivo (WELCH, 1982). Contudo, as eficiências de ruminação e ingestão, expressas em gramas por hora, podem ser reduzidas para dietas com elevados teores de fibra, em razão da maior dificuldade em diminuir o tamanho das partículas originadas de materiais fibrosos (DULPHY et al., 1980).

Os períodos de ingestão de alimento são intercalados com um ou mais períodos de ruminação ou ócio. O tempo gasto em ruminação é mais elevado à noite, mas os períodos de ruminação são ritmados também pelo fornecimento de alimento. Entretanto, existem diferenças entre indivíduos quanto à duração e à repartição das atividades de ingestão e ruminação, que parecem estar relacionadas ao apetite dos animais, a diferenças anatômicas e ao suprimento das exigências energéticas ou repleção ruminal, que seriam influenciadas pela relação volumoso:concentrado da dieta (FISCHER et al., 1998).

Os modernos sistemas de produção de carne ovina têm sido baseados na terminação de animais jovens. Dessa forma, a correta nutrição das ovelhas durante a fase de lactação assume fundamental importância, uma vez que o ganho de peso dos cordeiros, sobretudo nas primeiras seis semanas de lactação, fase na qual apresentam crescimento acelerado, depende diretamente da ingestão de leite (SUSIN, 1996). No Rio Grande do Sul, contudo, o manejo nutricional das ovelhas nesta fase, muitas vezes baseado em volumosos de baixa qualidade ou somente no uso de pastagens naturais, com valores de FDN superiores a 60% (CERDÓTES et al., 2004), pode limitar o consumo e, conseqüentemente, o desempenho animal. Segundo SUSIN et al. (1995), a adição de concentrado na dieta de ovelhas em lactação pode melhorar a produção de leite destas, além de afetar sua composição, devido ao menor tempo despendido pelos animais em mastigação (ingestão e ruminação) (LAMMERS et al., 1996), com conseqüente redução do fluxo de saliva e decréscimo do pH ruminal.

O objetivo do trabalho foi avaliar a influência do nível de fibra em detergente neutro da dieta sobre o comportamento ingestivo de ovelhas em fase de lactação.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi realizado no Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Santa Maria, localizado na região fisiográfica denominada Depressão Central, no Estado do Rio Grande do Sul, situado a 29°42'S de latitude, 53°48'W de longitude e 95 metros de altitude em relação ao nível do mar, perdurando de julho a setembro de 2004. O clima da região segundo a classificação de Köppen é o do tipo Cfa, subtropical úmido (MORENO, 1961).

Foram utilizadas 18 ovelhas 5/8 Ile de France 3/8 Texel (submetidas a protocolo de sincronização de estro com uso de progestágeno) com peso médio inicial de 55,7±1,44kg, paridas de cordeiros machos, confinadas 24 horas após o parto em baias individuais (2m2) cobertas e equipadas com comedouros e bebedouros. Os animais foram distribuídos aleatoriamente em três tratamentos: 34, 43 e 52% de FDN na dieta, em base na matéria seca (MS). A dieta com nível mais elevado de FDN foi calculada objetivando-se a máxima inclusão de volumoso, sendo o nível protéico da mesma ajustado pela adição de concentrado, de acordo com as recomendações do NRC (1985). Por outro lado, o menor nível de FDN testado foi baseado em experimentos prévios (BÜRGER et al., 2000; CARVALHO et al., 2006), com vistas à prevenção da ocorrência de distúrbios ruminais. Durante o terço final de gestação, os animais foram mantidos em área contígua e alimentados com a dieta intermediária (43%), de modo a adaptá-los às dietas experimentais. O experimento teve duração de 42 dias, subdivididos em três períodos de 14 dias.

As dietas, isoproteicas, foram compostas por mistura completa de silagem de milho (Zea mays L.), grão de milho triturado, farelo de soja (Glycine max L.), calcário calcítico, fosfato bicálcico e sal comum. O arraçoamento foi feito ad libitum, duas vezes ao dia, em horários pré-estabelecidos às 8h30min e 16h30min. A quantidade de alimento oferecida e as respectivas sobras foram pesadas diariamente, sendo que, a quantidade ofertada foi ajustada em função das sobras do dia anterior, que deveriam ser de aproximadamente 10% do total oferecido. O consumo de nutrientes correspondeu ao ofertado, descontadas as sobras. A produção de leite foi determinada, semanalmente, pelo método indireto da dupla pesagem proposto por DONEY et al. (1979), e seu teor de gordura foi pelo método de Gerber (FAGUNDES, 1997).

Diariamente foram coletadas amostras dos alimentos fornecidos e das respectivas sobras, as quais foram identificadas e acondicionadas em freezer à temperatura de -10°C para posteriores análises laboratoriais. As amostras foram pré-secadas em estufa ventilada a 65°C e, posteriormente, moídas em moinho tipo “Willey” com peneira de 1mm. A determinação dos teores de matéria seca (MS), matéria orgânica (MO), fibra em detergente neutro (FDN), fibra em detergente ácido (FDA), proteína bruta (PB) e extrato etéreo (EE) foram realizadas segundo metodologia descrita por SILVA & QUEIROZ (2002). Os teores de carboidratos totais (CHT) foram calculados segundo SNIFFEN et al. (1992), em que CHT (%) = 100 - (%PB + %EE + %CIN), e os teores de carboidratos não-estruturais (CNE), forma calculadas pela diferença de CHT - FDN. A composição percentual e bromatológica das dietas experimentais constam na tabela 1.

As ovelhas foram submetidas, no sétimo dia de cada período experimental, à apreciação visual para avaliação do comportamento ingestivo, sendo observadas em intervalos de dez minutos durante 24 horas, de acordo com a metodologia citada por JOHNSON & COMBS (1991). Foram determinados os tempos despendidos com ingestão, ruminação e ócio. O ócio foi estabelecido como ausência de movimento mandibular. A observação noturna dos animais foi realizada mediante o uso de iluminação artificial.

Os resultados referentes aos fatores do comportamento ingestivo foram obtidos pelas relações EIMS = CMS/TI, EIFDN = CFDN/TI, ERUMS = CMS/TRU e ERUFDN = CFDN/TRU; em que: EIMS (g MS consumida h-1) e EIFDN (g FDN consumida h-1) = eficiência de ingestão; CMS (g) = consumo diário de matéria seca; CFDN (g) = consumo diário de FDN; TI (h dia-1) = tempo gasto diariamente em ingestão; ERUMS (g MS ruminada h-1) e ERUFDN (g FDN ruminada h-1) = eficiência de ruminação e TRU (h dia-1) = tempo de ruminação. O tempo de mastigação total (TMT), expresso em min dia-1, foi obtido pelo somatório dos tempos despedidos em ingestão e em ruminação (TMT = TI + TRU).

O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado com três tratamentos e seis repetições. Os dados foram submetidos à análise de variância, cujo modelo incluiu os efeitos dos tratamentos e dos períodos e a interação entre tratamentos e períodos. Após selecionado o erro pelo modelo, foi ajustado o seguinte modelo de regressão polinomial: Yij = a + ß1xij + ß2x2ij + j + eij em que: Yij = observações das variáveis dependentes correspondentes à repetição da variável independente j sob o tratamento de ordem i; a = interceptação do eixo y; ß1 e ß2 = coeficientes de regressão parciais da equação; xij = observação da variável independente associado à repetição de ordem j sob tratamento de ordem i; j = desvios da regressão e eij = erro aleatório residual determinado no modelo anterior.

Utilizou-se como variável independente o nível de FDN consumido pelos animais, os quais corresponderam a 32,78, 42,03 e 51,74%. O modelo adotado, segundo o grau da polinomial, foi selecionado de acordo com a significância dos coeficientes de regressão, adotando-se o nível de 5% de probabilidade, e com o coeficiente de determinação. As análises foram realizadas através do procedimento GLM do pacote estatístico SAS (1997).

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados referentes aos tempos médios despendidos em ingestão, ruminação, ócio, mastigação total e outras atividades, em minutos por dia (min dia-1), e respectivas equações de regressão e coeficientes de determinação são apresentados na tabela 2.

Foi observado comportamento quadrático (P<0,05) dos tempos despendidos em ingestão, ruminação, ócio e mastigação total, em função do nível de FDN na dieta. Os tempos de ingestão, ruminação e mastigação total elevaram-se na medida em que se incrementou o nível de FDN da dieta, com pontos de máxima estimados ao nível de 43,5% de FDN, sendo reduzidos quando as ovelhas receberam dieta com nível de FDN superior a este. O tempo de ócio, por sua vez, apresentou ponto de mínima estimado também ao nível de 43,5% de FDN. Estes resultados, possivelmente, estão associados àqueles referentes aos consumos de MS e FDN (Tabela 3), uma vez que, segundo VAN SOEST (1994), quanto maior a ingestão diária de fibra, maiores são os tempos despendidos pelos animais em ingestão e ruminação, reduzindo, conseqüentemente, o tempo em que estes permanecem em ócio. MIRON et al. (2004), avaliando dietas com níveis de FDN distintos (30,70 e 40,80%), observaram maiores tempos de ingestão e ruminação de matéria seca para os animais alimentados com a dieta mais fibrosa, associando tais resultados ao maior consumo de matéria seca destes animais.

Comportamento semelhante ao deste trabalho foi relatado por ALBRIGHT (1993), que, em experimento com vacas em lactação, alimentadas com três níveis de FDN (26, 30 e 34%), observou resposta quadrática com valores médios dos tempos despendidos em ruminação e total de mastigação de acordo com o nível de FDN, respectivamente, de 344 e 558; 403 e 651; e 414 e 674min dia-1. Outros autores (BÜRGER et al., 2000; CARVALHO et al., 2006), contudo, têm relatado aumentos lineares dos tempos despendidos nestas atividades à medida que o nível de fibra da dieta foi incrementado de 21 para, aproximadamente, 60% da matéria seca total.

Os resultados observados para o consumo de matéria seca concordam com BULL et al. (1976), os quais descreveram que a relação entre a ingestão de MS e o conteúdo de FDN da dieta pode ser interpretada de forma quadrática, uma vez que o incremento de fibra na dieta promove elevação do consumo de matéria seca de forma a manter constante o consumo de energia, existindo, contudo, um ponto de transição entre o controle fisiológico e o físico, no qual o efeito da repleção ruminal, pela presença da fibra, passa a ocorrer, limitando o consumo de matéria seca e mantendo constante o consumo de fibra. Da mesma forma, a produção de leite variou de forma quadrática (P<0,05) com o aumento do nível de fibra da dieta, estando diretamente relacionada ao consumo de matéria seca. O percentual de gordura láctea, contudo, não foi afetado (P>0,05), sugerindo que o menor nível de FDN testado não prejudicou o crescimento dos microrganismos celulolíticos e a relação acetato:propionato, como conseqüência do provável menor fluxo de saliva para o rúmen (LAMMERS et al., 1996).

As eficiências de ingestão e ruminação da FDN (g de FDN ingerida e ruminada por hora) apresentaram comportamento linear crescente (P<0,05), em função da elevação dos níveis de fibra, o que está associado à maior concentração desta fração na dieta, e conseqüentemente ao seu maior consumo (Tabela 3). Por outro lado, as eficiências de ingestão e ruminação de MS (g de MS ingerida e ruminada por hora) decresceram, permitindo inferir que, com o incremento do teor dietético de fibra, faz-se necessário um maior período de tempo para que os animais possam ingerir e ruminar uma mesma quantidade de alimento, corroborando os trabalhos de DULPHY et al. (1980), BÜRGER et al. (2000) e MIRON et al. (2004).

Para avaliação dos períodos de maior concentração de atividade, os dados referentes aos três dias de observação foram compilados e distribuídos em doze períodos de duas horas, sendo que, as freqüências de atividade de ingestão e ruminação, de acordo com o período e com o nível de FDN das dietas experimentais, são apresentadas na figura 1.

A atividade de ingestão concentrou-se principalmente em torno dos dois horários de distribuição da ração, entre 9h30min e 11h30min (20,25%) e, posteriormente, entre 15h30 e 17:30 horas (35,47%), confirmando o efeito positivo da distribuição de ração sobre o início das refeições e a concentração da atividade ingestiva durante o período diurno, conforme verificado por MIRANDA et al. (1999), MIRON et al. (2004) e CARDOSO et al. (2006). São observados, ainda, diversos picos de atividade ingestiva com duração inferior a 10 minutos, entre 11h30min e 15h30min e 17h30min e 9h30min. DULPHY e FAVERDIN (1987) destacaram a existência de um número variável de refeições secundárias realizadas no período entre as refeições principais.

A atividade de ruminação, por sua vez, foi mais intensa durante a noite e às primeiras horas do dia (Figura 1). MIRANDA et al. (1999) e CARDOSO et al. (2006) constataram que a atividade de ruminação foi mais consistente durante a madrugada. Foram constatados, contudo, picos de atividade de ruminação concentrados, principalmente, após os períodos de maior ingestão de alimento, evidenciando o estímulo à ruminação provocado pelo enchimento ruminal. DESWYSEN et al. (1993) e MIRANDA et al. (1999) verificaram que bovinos alimentados duas vezes ao dia possuem um importante período de ruminação no início da tarde, além do pico de atividade noturno.

 

CONCLUSÕES

O consumo de matéria seca é afetado pelo nível de FDN da dieta, com reflexos diretamente proporcionais sobre os tempos despendidos em ingestão e ruminação, e inversamente proporcionais sobre o tempo de ócio dos animais. O incremento do nível de FDN da dieta reduz as eficiências de ingestão e ruminação da MS, sendo necessário maior período de tempo para ingerir e ruminar uma mesma quantidade de alimento. A atividade de ingestão de ovelhas confinadas é maior durante o período diurno e de ruminação durante o noturno. Sugere-se o nível de 43% de FDN para formulação de rações para ovelhas em lactação.

 

AGRADECIMENTOS E APRESENTAÇÃO

Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pela concessão de bolsa a Cleber Cassol Pires.

Parte da dissertação de mestrado do primeiro autor.

 

REFERÊNCIAS

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Recebido para publicação 24.07.06
Aprovado em 29.08.07

 

 

1 Autor para correspondência.

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