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Ciência Rural

Print version ISSN 0103-8478On-line version ISSN 1678-4596

Cienc. Rural vol.39 no.1 Santa Maria Jan./Feb. 2009  Epub Aug 20, 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-84782008005000045 

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
PARASITOLOGIA

 

Mastite micótica em ruminantes causada por leveduras

 

Mycotic mastitis in ruminants caused by yeasts

 

 

Andréia SpanambergI, II, 1; Edna Maria Cavallini SanchesI; Janio Morais SanturioIII; Laerte FerreiroI, II

IDepartamento de Patologia Clínica Veterinária, Setor de Micologia Veterinária, Faculdade de Veterinária, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, RS, Brasil. E-mail: andreiaspanamberg@yahoo.com.br
IIPrograma de Pós-graduação em Ciências Veterinárias, UFRGS, Porto Alegre, RS, Brasil
IIILaboratório de Pesquisas Micológicas (LAPEMI), Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, RS, Brasil

 

 


RESUMO

A ocorrência de casos esporádicos de mastite causados por microrganismos de origem ambiental pode ser considerada como emergente e as leveduras, os fungos leveduriformes e os filamentosos são alguns dos principais agentes envolvidos. Em relação à mastite micótica, as leveduras são freqüentemente causas de infecções da glândula mamária em animais produtores de leite. A maior parte dos casos ocorre sob a forma de surtos localizados e/ou após tratamento com antimicrobianos. Os principais gêneros envolvidos são Candida e Cryptococcus, além de outros como Geotrichum, Pichia e Trichosporon. O objetivo do trabalho é revisar os aspectos gerais sobre a mastite micótica causada por leveduras e fungos leveduriformes, tais como etiologia, causas predisponentes, patogenicidade, diagnóstico, tratamento e profilaxia por meio de uma abordagem cronológica dos primeiros relatos, mas com enfoque principal nos resultados descritos recentemente na literatura veterinária nacional e internacional. O controle da mastite micótica é fundamentado em métodos preventivos, como adequado manejo da ordenha, correta higienização dos equipamentos e das instalações, com a finalidade de reduzir o número de animais acometidos, além de garantir a qualidade e a inocuidade dos produtos lácteos.

Palavras-chave: mastite micótica, leveduras, fungos leveduriformes, Candida, Cryptococcus


ABSTRACT

The veterinary literature registers sporadic cases of infections caused by environmental microorganisms in which the main agents involved are yeasts, yeasts-like and filamentous fungi. In relation to dairy animals, the yeasts are more frequently incriminated as the aetiological agents of mycotic mastitis. Most cases occur under the form of localized outbreaks and / or after treatment with antimicrobial agents. The main genera involved in mastitis are Candida and Cryptococcus, besides others such as Geotrichum, Pichia and Trichosporon. The purpose of this review is to point out the main aspects of mastitis caused by yeasts and yeast-like fungi, such as etiology, predisposing factors, pathogenicity, diagnosis, treatment and prophylaxis, through a chronological approach of the first reports, with main focus on results described recently in national and international veterinary literature. The mycotic mastitis control should be mainly focused on preventive methods, especially based on adequate management of essential factors like proper milking procedures and a high level of hygiene of the environment and equipments, with the aim of reducing the number of affected animals, assuring the quality and innocuity of dairy food safety.

Key words: mycotic mastitis, yeasts, yeast-like, Candida, Cryptococcus.


 

 

INTRODUÇÃO

A mastite é um sério problema econômico no contexto da pecuária nacional. Os prejuízos ocorrem tanto na quantidade quanto na qualidade do leite produzido, com conseqüências no segmento da produção dos derivados lácteos.

Os agentes causadores de mastite são bactérias, fungos e algas, sendo as bactérias os agentes isolados com maior frequência (COSTA, 1991). Porém, cada vez mais, a literatura registra casos esporádicos de microrganismos de origem ambiental, entre os quais se destacam as leveduras, os fungos leveduriformes e os filamentosos. Apesar de os fungos filamentosos estarem amplamente distribuídos na natureza, eles são apenas esporadicamente isolados de casos de mastite, enquanto que as leveduras são os fungos que mais freqüentemente estão relacionadas às infecções da glândula mamária em animais produtores de leite (CHENGAPPA et al., 1984; KELLER et al., 2000).

A mastite micótica ocorre sob a forma de surtos localizados (CHAHOTA et al., 2001) e/ou após tratamento com antimicrobianos (CRAWSHAW et al., 2005) e são classificadas como primária ou secundária. A mastite primária ocorre espontaneamente, não é precedida por infecção bacteriana e/ou de tratamento com antimicrobianos, e é mais diagnosticada durante as primeiras semanas de lactação. Já a mastite micótica secundária, que é a forma clínica mais encontrada, se desenvolve após a administração de antimicrobiano intramamário para tratamento ou prevenção de casos de mastite bacteriana. Como em todos os casos de infecção da glândula mamária, a inoculação do agente pode ocorrer por via ascendente (via canal do teto) ou a partir de traumatismos cutâneos no teto e/ou no úbere. A população alvo em potencial compreende todos os animais produtores de leite. Aspectos relativos à produção animal como sistema intensivo ou extensivo empregado, tipo de ordenha (mecânica ou manual), além de outros fatores relativos à higiene de equipamentos e instalações utilizados, influenciam o aparecimento da enfermidade. Os principais gêneros envolvidos na mastite micótica são Candida e Cryptococcus, além de outros como Geotrichum, Pichia e Trichosporon (KUO & CHANG, 1993; LAGNEAU et al., 1996; KRUKOWSKI et al., 2000).

O objetivo deste trabalho é revisar os principais aspectos ligados à mastite micótica causada por leveduras e fungos leveduriformes, tais como etiologia, causas predisponentes, patogenicidade, diagnóstico, tratamento e profilaxia por meio de uma abordagem cronológica dos primeiros relatos, mas com enfoque principal nos resultados descritos recentemente.

Leite como substrato para o crescimento de microrganismos

A riqueza de nutrientes presentes no leite propicia um excelente substrato para diversos microrganismos. A sua composição química favorece o crescimento de várias espécies de leveduras com diferentes perfis bioquímicos e fisiológicos, como, por exemplo, a habilidade de Kluyveromyces marxianus e Candida catenulata, entre outras, em metabolizar os constituintes lácteos (ROOSTITA & FLEET, 1996). Ainda pode ser citada a capacidade de diversas leveduras em produzir enzimas como lipases e proteinases (CHEN et al., 2003; VACHLU & KOUR, 2006) e fermentar diferentes açúcares, o que favorece o desenvolvimento nos produtos lácteos (FLEET & MIAN, 1987).

Mastite Micótica

Atualmente, o estudo das micoses nos animais e no homem adquire uma importância cada vez maior devido ao fato de que muitas espécies de leveduras, fungos leveduriformes e filamentosos, anteriormente consideradas não-patogênicas, têm atuado como agentes oportunistas, causando enfermidades nos hospedeiros.

Em geral, as leveduras são consideradas sapróbicas e têm sido isoladas de tanques de armazenamento de leite oriundo de animais sadios (SPANAMBERG et al., 2004; RUZ-PEREZ et al., 2004). No entanto, em alguns casos, elas também estão presentes em amostras de leite provenientes de animais com mastite (CHENGAPPA et al., 1984; KUO & CHANG, 1993; SANTOS & MARIN, 2005; KRUKOWSKI et al., 2006).

Os agentes envolvidos na mastite micótica vivem no ambiente dos animais leiteiros, tais como na pele do teto, nas mãos dos ordenhadores e em vários substratos orgânicos (RICHARD et al., 1980; BARNETT et al., 2000). Este tipo de mastite ocorre sob a forma de surtos de casos clínicos, sejam isolados ou em vários animais, geralmente de curta duração, freqüentemente com manifestação aguda e com maior concentração nos momentos do pré e pós-parto imediato (CARBON, 1968). Vários aspectos influenciam o aparecimento de mastite micótica, entre eles o mau funcionamento do sistema de ordenha, o manejo inadequado da ordenha, a falta de higiene e a limpeza das instalações e dos equipamentos, além do uso prolongado de terapia antimicrobiana por via intramamária (RUZ-PEREZ et al., 2004; YAMAMURA et al., 2007)

No Brasil, no Estado de São Paulo, o isolamento de C. albicans ocorreu em 8,9% de 260 amostras leite de vacas com mastite (SANTOS & MARIN, 2005). No Rio Grande do Sul, FERREIRO et al. (1985) detectaram, em 896 amostras de leite mamítico, a presença de Candida spp. em 1,3% da amostragem, das quais 0,9% eram Candida albicans. Posteriormente, outro estudo no mesmo Estado não detectou a presença de C. albicans no leite de animais com mastite clínica e subclínica, apesar de as espécies do gênero Candida representarem 37,9% dos isolados fúngicos (SPANAMBERG et al., 2008a).

Em outra pesquisa realizada em São Paulo, com 2.078 amostras de leite de quartos normais e de quartos infectados, foi observado que 10,0% (208) correspondiam a leveduras, sendo 3,2% (66) pertencentes ao gênero Candida (COSTA et al. 1993). Nos Estados Unidos da América, RICHARD et al, (1980) cultivaram 91 isolados do leite de animais com mastite clínica e subclínica, com predominância do gênero Candida (78%), principalmente Candida tropicalis e Candida rugosa. Ainda nesse estudo, espécies como Candida tropicalis, C. rugosa, C. parapsilosis e Cryptococcus lactativorus foram utilizadas em estudos experimentais de patogenicidade na glândula mamária, com a observação do desencadeamento da enfermidade em todos os quartos inoculados e a cura espontânea do quadro de mastite de 10 a 30 dias após a inoculação. Na Dinamarca, a partir de 2.896 amostras, AALBAEK et al. (1994) obtiveram 45 isolados, entre os quais Candida kefir, C. krusey, C. catenulata, C. rugosa, C. tropicalis, C. valida e Geotrichum capitatum, além da alga Prototheca zopfii.

Na Polônia, KRUKOWSKI et al. (2000) isolaram diversas espécies de Candida, Rhodotorula e Trichosporon no leite coletado de 172 vacas com mastite clínica e subclínica. VICTORIA & LANGONI (2006) relatam a ocorrência de mastite clínica e subclínica causada por Trichosporon beigelli em rebanho leiteiro no Estado de São Paulo. Por outro lado, em outros trabalhos desenvolvidos com leite bovino e caprino in natura no Rio Grande do Sul, Trichosporon spp. foram encontradas em baixa freqüência e não associadas à mastite (SPANAMBERG et al., 2004, SPANAMBERG et al., 2006). O genêro Trichosporon, quando isolado do leite e de produtos lácteos, pode indicar falta de higiene nas instalações e dos equipamentos durante a obtenção e o processamento dos mesmos (WESSTAL & FILTENBORG, 1998).

Quanto aos pequenos ruminantes, são poucos os relatos de mastite micótica, porém, MOAWAD & OSMAN (2005), em pesquisa realizada no Egito, detectaram a presença de leveduras (5,13%) em 196 amostras de leite de ovelha provenientes de animais com mastite subclínica.

O desencadeamento da mastite micótica em vacas e cabras ocorre usualmente após terapia antimicrobiana (THOMPSON et al., 1978; JENSEN et al., 1996; VESTWEBER & LEIPOLD, 1995). O uso de antimicrobianos por um período prolongado é apontado como o principal fator que favorece a ocorrência de mastite micótica, por afetar a microbiota que atua, quando em equilíbrio, como defesa natural do animal. Por exemplo, as leveduras do gênero Candida podem utilizar a penicilina e a tetraciclina como fontes de nitrogênio (LOFTSGARD & LINDQUIST, 1960), fato que enfatiza a relevância da implementação de um adequado manejo para prevenir a infecção. Existe também a possibilidade de as soluções antimicrobianas estarem contaminadas com fungos, os quais podem ser inoculados e provocar mastite (THOMPSON et al., 1978; JENSEN et al., 1996).

Outro aspecto ligado ao uso inadequado de antimicrobianos via intramamária é o fato de algas aclorofiladas, sobretudo as do gênero Prototheca, serem consideradas como causa emergente de mastites subclínicas em bovinos, embora a casuística seja, muitas vezes, subdiagnosticada. Além deste fato, é preciso considerar o potencial zoonótico e sua resistência a diversos fármacos utilizados, entre eles penicilina e gentamicina, além de uma particular resistência à pasteurização (ALMEIDA et al., 2005). Cabe salientar ainda a importância do correto diagnóstico de Prototheca spp., uma vez que algumas espécies, como Prototheca wicherhamii, apresentam perfil bioquímico semelhante ao de algumas leveduras, como, por exemplo Candida glabrata (KOEHLER et al., 1999), o que torna fundamental o estudo da morfologia celular do organismo analisado.

As principais espécies fúngicas associadas à mastite pertencem aos gêneros Candida e Cryptococcus, embora espécies de Trichosporon, Rhodotorula e Geotrichum, entre outros, também estejam associadas (Tabela 1). A maioria dos isolamentos de leveduras de leite mamítico de ruminantes se refere à espécie bovina, além das espécies ovina, caprina e bubalina (COSTA et al., 1993; CORBO et al., 2001; MOAWAD & OSMAN, 2005; CARVALHO et al., 2007).

Mastite por Candida spp.

Candida spp. vivem normalmente em saprobiose, mas em circunstâncias propícias podem desenvolver seu potencial patogênico. Usualmente, a presença de Candida spp. no leite ocorre sem patogenia associada, embora possa causar mastite nas formas subclínica, clínica ou crônica (WAWRON & SZCZUBIAL, 2001). Dependendo da gravidade da infecção, a queda da produção de leite pode ser rápida, apresentando alterações macroscópicas no leite com formação de flocos e grumos (CARBON, 1968).

Candida albicans, integrante normal da microbiota gastrintestinal dos mamíferos (ODDS, 1988), é a espécie mais freqüentemente isolada e descrita em casos de mastite micótica. Por meio de inoculações experimentais, por via intramamária, em ovelhas e cabras, já foi demonstrada a capacidade patogênica desta espécie. Mesmo sem o uso prévio de terapia antimicrobiana e na ausência de fatores imunossupressores, ocorreu o desenvolvimento de um quadro inicialmente agudo e purulento, que gradualmente tornou-se crônico, não-purulento e com formação de granulomas. A queda na produção leiteira é rápida, podendo até ocorrer agalaxia com lesões teciduais que podem ser extensas e irreversíveis. As lesões são restritas aos quartos mamários inoculados, sem disseminação aos outros quartos e aos outros orgãos do corpo (CARBON, 1968). Inoculações experimentais de Candida tropicalis em vacas demonstraram igualmente elevada patogenicidade desta levedura para a glândula mamária (KUO, 1993).

Estudos indicam a participação de espécies não-albicans cada vez mais associadas a patologias da glândula mamária (OLIVEIRA et al., 2001; CRAWSHAW et al., 2005), principalmente de espécies como Candida tropicalis, C. guilliermondii, C. luzitanae, C.kefyr, C. rugosa, C. catenulata, C. zeylanoides, C. lambica e C. inconspicua (LOKEN et al., 1959; COSTA et al., 1993; LAGNEAU et al., 1996; SWINNE et al., 1997; SANTOS & MARIN, 2005). Em estudo realizado no Rio Grande do Sul (SPANAMBERG et al., 2008a), a identificação de espécies como Candida aaseri, C. caseynolitica, C. saitoana e C. sorbophila confirma a variada gama etiológica potencialmente presente no leite, o que corrobora a hipótese de que espécies normalmente consideradas não-patogênicas podem, em condições propícias, causar danos à glândula mamária.

Mastite por Cryptococcus spp.

A criptococose mamária pode ser esporádica ou enzoótica em certas situações. Na maioria das vezes, ela está associada à mastite clínica e, em menor porcentagem, aos casos subclínicos (LANGONI et al., 1998; KLOSSOWSKA & MALINOWSKI, 2001), podendo ter evolução aguda ou crônica (PAL, 1991). Dependo do quadro clínico, o animal pode apresentar agalaxia em poucas semanas. Na forma aguda, o comprometimento do parênquima mamário pode ser observado pela presença de fibrose, nódulos necróticos e algumas vezes hemorrágicos. Esse tipo de infecção normalmente fica restrita aos quartos infectados e sem comprometimento sistêmico (VERMA et al., 1985; MANJEET et al., 1994).

A literatura registra diversos casos de mastite causados por Cryptococcus spp. em bovinos (KIRK & BARTLETT, 1986; LANGONI et al., 1998; KLOSSOWSKA & MALINOWSKI, 2001), bubalinos (PAL, 1991), ovinos (SHNAWA & NIGAM, 1987), assim como em caprinos (CONTRERAS et al., 1995).

A espécie mais freqüentemente implicada é Cryptococcus neoformans, considerada uma das mais patogênicas, e que já foi isolada de vários casos de mastite clínica, subclínica e também do leite de vacas sadias (EBRAHIMI & NIKOOKHAH, 2002). Outras espécies, como Cryptococcus laurentii e C. curvatus, também já foram isoladas de casos de mastite bovina (COSTA et al., 1993; KLIMAITE et al., 2003), leite de cabra in natura (SPANAMBERG et al., 2006) e em tanque de armazenamento de leite (SWINNE et al., 1997).

Causas predisponentes

A maioria dos casos de mastite ocorre por via ascendente, com a penetração dos microrganismos via canal do teto, durante ou entre as ordenhas, assim como durante a administração intramamária de antibióticos (CRAWSHAW et al., 2005). Devido ao fato de as leveduras serem encontradas em uma grande variedade de substratos, como, por exemplo, no epitélio da glândula mamária, nos tetos, nas mãos dos ordenhadores, no solo e na água (RICHARD et al., 1980; BARNETT, 2000), a possibilidade de ocorrência da doença aumenta quando está aliada à contaminação ambiental e à falta de higiene na ordenha e nos equipamentos.

Patogenicidade

A aderência de qualquer microrganismo nos tecidos do interior da glândula favorece a instalação da infecção, dificultando sua remoção mecânica pelo fluxo do leite durante a ordenha. Caso ocorra uma falha nos mecanismos de defesa do sistema imunológico, os microrganismos inicialmente se instalam nos ductos e nas cisternas e posteriormente progridem para pequenos ductos e alvéolos das porções mais baixas do úbere, onde se multiplicam, provocando edema e destruição das células secretoras (RAINARD & RIOLLET, 2006).

Especificamente em relação às mastites micóticas, o principal fator para a o desenvolvimento do quadro é a administração de antimicrobianos diretamente no canal do teto, os quais podem favorecer a multiplicação fúngica e/ou destruir a microbiota que sintetiza certas vitaminas. KAUKER (1955), por meio de estudos experimentais, observou que o tratamento prolongado com penicilina induz uma redução de vitamina A, situação que favorece o aparecimento de lesões na mucosa, o que facilitaria a penetração e a instalação das leveduras no parênquima mamário.

Diagnóstico

Os sinais clínicos das mastites micóticas, na maior parte dos casos, não podem ser distinguidos das mastites bacterianas. Entretanto, o uso de antimicrobiano intramamário sem sucesso no tratamento ou a intensificação dos sintomas, com a continuidade da terapia, pode sugerir o desenvolvimento de uma etiopatogenia fúngica. Para o esclarecimento do agente etiológico envolvido, amostras de leite podem ser coletadas para imediato processamento no laboratório ou então serem congeladas por períodos inferiores a 10 dias, porque após este limite a viabilidade das leveduras começa decrescer (SPANAMBERG et al., 2008b).

Atualmente, existem diversos procedimentos utilizados para facilitar a rotina laboratorial de identificação das leveduras. Entre eles destaca-se a utlização dos meios cromogênicos (CHROMagar Candida/Candida ID bioMérieux® SA), empregados na triagem e na identificação rápida de espécies patogênicas como Candida albicans, C. parapsilosis, C. glabrata e C. krusei, além dos testes bioquímicos que podem ser realizados por meio do padrão de assimilação de substratos existentes no sistema de galerias API 20 e API 32 (bioMérieux® SA), ambos processados segundo a indicação do fabricante. O grande entrave para a utilização destes testes e de outros já disponiveis é o alto custo e a baixa procura por diagnóstico fúngico nos laboratórios de medicina veterinária.

A metodologia convencional para a identificação laboratorial das leveduras envolve a observação de características fenotípicas dos isolados (macromorfologia e micromorfologia), a realização de testes rápidos, tais como formação de tubo germinativo e produção de clamidosporos (Candida albicans), além de outros testes bioquímicos e fisiológicos complementares para o diagnóstico das demais espécies (YARROW, 1998; NEUFELD, 1999; BARNETT et al., 2000; CHABASSE, 2006).

É reconhecido o fato de que a caracterização fenotípica de leveduras pode apresentar erros, pois várias espécies apresentam similaridades morfológicas nos testes bioquímicos e fisiológicos. Recentemente, novas técnicas moleculares têm sido desenvolvidas para identificar e caracterizar microrganismos provenientes de leite cru e queijos (COCOLIN et al., 2002; CALLON et al., 2006; LOPANDIC et al., 2006).

Tratamento

Apesar do aumento no número de antifúngicos comercialmente disponíveis nos últimos anos para o tratamento de diversas micoses humanas e animais, são raros os fármacos antimicóticos disponibilizados em veículo adequado para o tratamento da mastite micótica, principalmente quando comparados aos medicamentos antimicrobianos usualmente empregados para combater a doença de origem bacteriana.

A literatura registra poucos dados específicos sobre tratamento contra mastite fúngica, mas alguns autores citam a nistatina, a natamicina, o fluconazol e o miconazol em solução aquosa para o tratamento intramamário em vacas com mastite por Candida sp. (NOBRE et al., 2002; KRUKOWSKI & SABA, 2003). Um recente estudo avaliou a susceptibilidade antifúngica de 319 leveduras isoladas do leite de animais com mastite e demostrou que mais de 75% dos isolados apresentou resistência à Anfotericina-B, 66% ao Fluconazole, 40% ao Primaricin e ao Itraconazole (LASSA & MALINOWSKY, 2007).

Exceto na infecção por Cryptococcus spp., a mastite micótica, na maioria das vezes, é autolimitante, apresentando uma fase aguda com recuperação espontânea sem uso de antifúngicos (CARBON, 1968; PENGOV, 2001; CRAWSHAW et al., 2005). Geralmente, o tratamento suporte utilizado visa diminuir os sinais clínicos e não combater o agente etiológico específico (AINSWORTH & AUSTWICK, 1959). Nos casos agudos de mastite, é altamente recomendável o esgotamento freqüente da glândula mamária com utilização de ocitocina (6-8 vezes/dia), antiinflamatórios, além de intensa fluidoterapia intravenosa.

Profilaxia

Práticas higiênicas inadequadas prejudicam a qualidade do leite e predispõem a ocorrência de mastite. A prevenção é fundamental para o controle da mastite. As instalações como sala de ordenha e curral de espera, por onde circulam os animais antes, durante e após a ordenha, devem ser mantidas limpas e secas, para evitar a multiplicação de microrganismos. Na limpeza diária, é fundamental a remoção das fezes para reduzir a proliferação de moscas e outros parasitas. Utensílios e objetos de ordenha devem ser limpos e adequadamente desinfetados após cada ordenha.

A correta higiene do ordenhador é outro ponto fundamental, pois as mãos atuam como veículo transmissor de microrganismos, entre eles leveduras, as quais podem contaminar o úbere, o leite e todo o material utilizado. Outros aspectos a serem considerados em um programa de controle de mastite incluem a imersão dos tetos pré e pós-ordenha com desinfetante germicida, descarte dos animais com diagnóstico de mastite crônica, além da correta manutenção do equipamento da ordenha com a finalidade de evitar traumatismos mecânicos (RADOSTIS et al., 2002).

Outro ponto importante na resistência da glândula mamária às infecções é a dieta, pois a carência de certos nutrientes afeta os mecanismos de defesa, como, por exemplo, a atividade dos leucócitos, transporte de anticorpos e integridade do tecido glandular. Desse modo, alguns autores sugerem, por exemplo, a suplementação com selênio e vitamina E. (PASCHOAL et al., 2003).

 

CONCLUSÕES

A diversificada gama de agentes potencialmente causadores de mastite micótica ressalta a importância da realização concomitante de exames micológicos e bacteriológicos para o correto diagnóstico e monitoramento dos casos de mastite. Uma vez constatada a etiologia fúngica, deve-se evitar o tratamento com antibacterianos, os quais, além de não exercerem efeito terapêutico, podem favorecer a proliferação de fungos na glândula mamária em determinadas circunstâncias.

Em relação à saude pública, o leite, quando contaminado e ingerido in natura, assim como os produtos lácteos produzidos a partir de leite cru, podem ser veiculadores de uma grande diversidade de agentes potencialmente patogênicos.

No que concerne à produção de derivados lácteos, a contaminação do leite por leveduras pode afetar o produto final por meio de alterações organolépticas que ocorrem pela produção de enzimas lipolíticas e proteolíticas, além de outros derivados metabólicos produzidos pelas leveduras e pelos fungos leveduriformes.

O controle da mastite micótica e de origem bacteriana deve ter como base principalmente os métodos preventivos, em que se torna essencial a implementação efetiva de medidas como o correto manejo e a adequada higiene na ordenha (pré-dipping, pós-dipping e ordenha de tetos limpos e secos). Essas ações incluem a obtenção do leite e a limpeza dos equipamentos e das instalações, que reduzem a porcentagem de animais acometidos e melhoram a qualidade do leite produzido, além de aumentarem a rentabilidade econômica da pecuária leiteira.

 

AGRADECIMENTOS

Ao Conselho Nacional de desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pelo suporte financeiro a este trabalho.

 

REFERÊNCIAS

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Recebido para publicação 01.04.08
Aprovado em 07.07.08

 

 

1 Autor para correspondência.

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