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Ciência Rural

versão impressa ISSN 0103-8478

Cienc. Rural vol.40 no.5 Santa Maria maio 2010 Epub 21-Maio-2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-84782010005000072 

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
MICROBIOLOGIA

 

Principais aspectos da infecção por Leptospira sp em ovinos

 

Main aspects of Leptospira sp infection in sheep

 

 

Luiza de Souza Seixas MeloI, III Márcio Botelho de CastroI; Rômulo Cerqueira LeiteII, III; Élvio Carlos MoreiraII; Cristiano Barros de MeloI, III, 1

IPrograma de Pós-graduação em Ciências Animais, FAV, Universidade de Brasília, ICC Sul, Asa Norte, 79910-900, Brasília, DF, Brasil. E-mail: cristianomelo@unb.br
IIDepartamento de Medicina Veterinária Preventiva, Escola de Veterinária, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte, MG, Brasil
IIIInstituto Nacional de Ciência e Tecnologia/Informação Genético-Sanitária da Pecuária Brasileira (INCT/IGSPB/CNPq), Belo Horizonte, MG, Brasil

 

 


RESUMO

Este trabalho tem como objetivo revisar as infecções por Leptospira sp em ovinos. São abordados os aspectos epidemiológicos, incluindo a ocorrência no Brasil e as formas de transmissão, os sinais clínicos e as lesões, o diagnóstico e as medidas de prevenção e controle.

Palavras-chave: leptospirose, ovelha, zoonose.


ABSTRACT

An updated review of Leptopspira sp infection in sheep is presented emphasizing some epidemiological aspects including the occurrence of the disease in Brazil and mechanisms of transmission, clinical signs and lesions, diagnosis, prevention and control measures.

Key words: leptospirosis, sheep, zoonosis.


 

 

INTRODUÇÃO

A leptospirose é uma zoonose de distribuição mundial causada por bactérias do gênero Leptospira. Esse agente possui um grande número de variantes sorológicas, as quais não apresentam especificidade de hospedeiro, podendo afetar animais domésticos, selvagens e humanos, representando, portanto, um importante problema de saúde pública (FAINE et al., 1999). Durante muito tempo, esse gênero foi divido em duas espécies: L. biflexa e L. interrogans, ambas subdivididas em várias sorovariedades. As sorovariedades da L. biflexa são as de vida livre, consideradas saprófitas, enquanto as da L. interrogans são responsáveis pela infecção nos animais domésticos e no homem. Recentemente, na reunião do Subcomitê de Taxonomia da Leptospiraceae realizada no Equador, em 2007, L. interrogans foi reclassificada em 13 espécies patogênicas de Leptospiras: L. alexanderi, L. alstonii, L. borgpetersenii, L. inadai, L. interrogans, L. fainei, L. kirschneri, L. licerasiae, L. noguchi, L. santarosai, L. terpstrae, L. weilii e L. wolffii, distribuídas em mais de 260 sorovariedades agrupadas em 23 sorogrupos (ADLER & DE LA PEÑA MOCTEZUMA, 2010).

As infecções por Leptospira causam uma doença sistêmica caracterizada por febre, insuficiência hepática/renal ou problemas reprodutivos. Os sinais clínicos são variados e na maioria dos casos são inaparentes (ADLER & DE LA PEÑA MOCTEZUMA, 2010). São responsáveis por elevados prejuízos para a pecuária, estando relacionados direta ou indiretamente às perdas em decorrência dos problemas reprodutivos, como abortamentos, natimortalidade, nascimento de animais fracos, debilitados e infertilidade (ELLIS, 1984).

Uma quantidade considerável de informação tem sido publicada a respeito da doença em bovinos; por outro lado, pouco se sabe sobre a leptospirose nos pequenos ruminantes (ELLIS, 1984). Essa menor quantidade de informação sobre a doença em ovinos pode ser explicada por alguns fatores, como: uma menor quantidade de pesquisas realizadas em razão do menor valor econômico atribuído a esses animais. Assim, este trabalho tem como objetivo revisar os principais aspectos da infecção por Leptospira sp em ovinos.

Epidemiologia

Inquéritos sorológicos realizados em diversos países evidenciaram que a infecção de ovinos por Leptospira sp parece ser comum e está associada na maioria dos casos à presença da sorovariedade Hardjo, a maior responsável pelas perdas reprodutivas em bovinos e também causadora de um grande número de abortamentos nas ovelhas (CICERONI et al., 2000; HERRMANN et al., 2004). A transmissão dessa sorovariedade parece ser independente da ocorrência de chuvas e de criações consorciadas ovino/bovinos. Fatores ambientais e sazonais exercem pouca influência na transmissão venérea dessa sorovariedade, o que pode levar a uma leptospirose endêmica, tornando seu controle mais difícil (ELLIS, 1994; LILENBAUM et al., 2008).

Alguns autores consideraram que os ovinos atuam como hospedeiros acidentais, infectando-se por sorovariedades comumente encontradas em outros animais domésticos e silvestres encontrados na região (ELLIS, 1994, FAINE et al., 1999). Por outro lado, diversos estudos foram realizados e demonstraram que as infecções nessa espécie são comuns, podendo servir como hospedeiro de manutenção, principalmente da Hardjo (COUSINS & ROBERTSON, 1986; COUSINS et al., 1989). Um estudo, em particular, com ovelhas que nunca tiveram contato com bovinos, encontrou alta prevalência de anticorpos contra Hardjo, sugerindo que pode ocorrer transmissão ativa entre ovelhas (COUSINS et al., 1989).

Recentemente, um isolamento de L. noguchii em ovelhas apontou que os ovinos podem atuar como hospedeiro de manutenção do sorogrupo Autumnalis, infectando bovinos, eqüinos e até mesmo humanos (SILVA et al., 2007).

Ocorrências no Brasil

A infecção por Leptospira sp. em ovinos foi relatada pela primeira vez no Brasil por SANTA ROSA & PESTANA DE CASTRO (1963) no Estado de São Paulo. Foi encontrada uma prevalência de 34%, com diluição variando de 1:200 até 1:1600 e tendo como sorovaridades reagentes: Canicola, Icterohaemorrhagie, Pomona, Sejroe, Grippotyphosa, Batavie, Hyos e Australis. As duas primeiras foram as mais prevalentes e, segundo os autores, o cão e o rato serviram como fonte de infecção. Posteriormente, diversos inquéritos sorológicos foram realizados em diferentes estados brasileiros (Tabela 1).

Transmissão

A ocorrência das Leptospiras patogênicas nos ovinos parece ser comum na maioria dos países do mundo, sendo mais freqüente naqueles rebanhos que utilizam sistemas de manejo intensivo ou extensivo com criação das ovelhas juntamente com os bovinos, em que os ovinos adquirem a infecção preferencialmente pelo contato direto com urina ou pela água contaminada nos bebedouros coletivos. A transmissão também pode ocorrer diretamente entre os ovinos dentro do plantel por contato direto ou indireto com urina infectada, fluidos vaginais, placenta infectada, contato sexual ou infecção intra-uterina (ELLIS, 1994; FAINE et al., 1999; LILENBAUM et al., 2008).

A alimentação de cordeiros com leite ou colostro de vacas pode atuar como via de transmissão da bactéria, tendo quadro clínico caracterizado por anemia aguda, febre, depressão e dificuldade respiratória seguida de morte (SIMPSON & DONE, 1989). Outra forma de transmissão pode ser por meio do sêmen. O DNA Leptospiral foi detectado no sêmen de seis carneiros com infecção subclínica e isso sugeriu fortemente que os machos podem transmitir a bactéria por meio do sêmen. No entanto, os autores não descartaram a possibilidade de o DNA encontrado no sêmen ser devido a uma contaminação com urina presente na uretra (LILENBAUM et al., 2008).

Zoonose

Os ovinos são portadores e eliminadores da bactéria na urina por um longo período (HATHAWAY, 1981). Essa eliminação prolongada pode constituir um problema zoonótico para todos que tiverem contato com o animal, como tratadores, produtores e trabalhadores de frigoríficos (COUSINS & ROBERTSON, 1986). Em um estudo realizado na Nova Zelândia com funcionários de matadouros, verificou-se a contaminação por leptospirose em matadouros que só abatem ovinos e foi encontrada a presença de Leptospiras viáveis nos rins e na urina dos animais abatidos (DORJEE et al., 2008). No Brasil, o isolamento de Leptospira sp. a partir de rins de ovinos abatidos no matadouro público do Município de Patos, na Paraíba, indicou que os ovinos podem servir de fonte de infecção para os trabalhadores do matadouro (AZEVEDO et al., 2004b)

Os produtos abortados podem estar altamente contaminados com Leptospira, sendo um perigo para os tratadores dos rebanhos (FAINE et al., 1999). Pesquisas de isolamentos conduzidas em diversos países demonstraram a importância dos ovinos na epidemiologia da leptospirose, principalmente em relação à saúde pública, e apontaram que este é um problema ocupacional (FAINE et al., 1999; AZEVEDO et al., 2004b).

Sinais clínicos e lesões

A maioria das infecções são subclínicas. Formas clínicas da doença são observadas em dois grupos de animais: (1) animais jovens podem apresentar uma sintomatologia aguda grave caracterizada por icterícia, hematúria, hemoglobinúria, dano renal, meningite e, em alguns casos, morte; e (2) fêmeas lactantes ou prenhas podem apresentar agalactia e perdas reprodutivas (ELLIS, 1994). Os animais que estão se recuperando da infecção podem se tornar portadores assintomáticos, abrigando as Leptospiras nos túbulos renais por extensos períodos e disseminando-as no meio ambiente (LEVETT, 2001).

Apesar de alguns pesquisadores apontarem uma possível resistência dos ovinos à doença (HATHAWAY, 1981; CICERONI et al., 2000), outros relataram surtos de leptospirose aguda com perdas significativas, principalmente em animais jovens, caracterizados por febre alta, anemia hemolítica, hemoglobinúria, hematúria, icterícia e, em alguns casos, morte (HARTLEY, 1952; DAVIDSON & HIRSH, 1980; VERMUNT et al., 1994). Na maioria dos casos de infecções agudas, podem ser observados os seguintes sinais: perda de apetite, febre, irritabilidade, eriçamento de pelos, olhos vermelhos e diarréia, ocorrendo de três a sete dias após a infecção. A evolução do quadro é acompanhada por arqueamento das costas ao andar, e o animal pode se recuperar ou evoluir para o óbito. A recuperação é acompanhada por perda de peso, inanição em animais jovens, deficiência renal crônica e seus sinais. Em rebanhos leiteiros, pode haver distúrbio no fluxo e na qualidade do leite (FAINE et al., 1999). Casos de leptospirose clinicamente aparentes em ovinos têm sido principalmente associados às sorovariedades Pomona (HARTLEY, 1952, DAVIDSON & HIRSH, 1980), Ballum, Grippotyphosa, Icterohaemoragie, Sejroe (LEON-VIZCAINO et al., 1987) e Hardjo (ELLIS, 1994).

As infecções em fêmeas lactantes e prenhas são caracterizadas por perdas reprodutivas ou agalactia, que resulta em perda de borregos por falta de leite (ELLIS, 1994, LANGONI et al., 1995; FAINE et al., 1999, CICERONI et al., 2000). Ovelhas soropositivas podem apresentar problemas como infertilidade, abortamentos no final da gestação, principalmente nas duas últimas semanas, natimortalidade, nascimento de borregos prematuros ou morte na primeira semana de vida. Na maioria dos casos, os abortamentos foram associados às infecções pela sorovariedade Hardjo e em pequeno número, pelas sorovariedades Pomona, Ballum e Bratislava. Os problemas reprodutivos e agalactia foram observados somente na primeira estação de nascimento após a introdução dos animais no rebanho (ELLIS, 1994). A síndrome da queda do leite semelhante a que ocorre em bovinos também pode ser observada em ovelhas lactantes (FABIJANSKI, 2008).

Em abortos decorrentes de leptospirose, as principais observações patológicas em ovinos correspondem a uma variável extensão de icterícia e ampla hemorragia e anemia, com exsudato e urina sanguinolentos. Como em outros animais, os rins aumentam e apresentam petéquias hemorrágicas na superfície. Pontos brancos na superfície, representando escarificações na subsuperfície cortical e infiltração celular inflamatória, podem ser encontrados nas infecções subaguda e crônica, com evidência de atrofia glomerular e aglomerados protéicos tubulares. Podem ser observados manguitos perivasculares e hemorragias no cérebro e vacuolização das superfícies das células endometriais no útero de ovelhas. Os produtos abortados e os fetos natimortos podem se apresentar hemorrágicos, ictéricos ou ambos, podendo estar altamente contaminados com Leptospira (FAINE et al. 1999).

Diagnóstico

Em razão da inespecificidade da sintomatologia clínica e inexistência de lesões patognomônicas, para se realizar um diagnóstico preciso, são essenciais os exames laboratoriais. Os testes de diagnóstico podem ser indiretos ou diretos, ou seja, destinados a detectar anticorpos ou microrganismo ou DNA em tecidos e fluidos corporais dos animais, respectivamente (GROOMS & BOLIN, 2005). Entre os diversos testes já padronizados para diagnóstico laboratorial da leptospirose, o teste de aglutinação microscópica com antígenos vivos (MAT) é, sem dúvida, o mais utilizado por pesquisadores de todo o mundo para diagnóstico da leptospirose, sendo recomendado como a melhor alternativa de diagnóstico das leptospiroses (ADLER & DE LA PEÑA MOCTEZUMA, 2010).

O Ensaio Imunoenzinático (ELISA) Indireto tem como vantagens a existência de kits comerciais, sendo de fácil execução em comparação com a MAT, pois não necessita de habilidades especiais, os reagentes podem ser estocados por longos períodos sem perderem a reatividade e a capacidade de distinção entre uma infecção ocorrida no passado e uma recente por meio da detecção de imunoglobulinas específicas da classe IgM, e IgG. Porém, o teste, por ser gênero-específico, detecta somente a presença da bactéria, não sendo apropriado para a identificação do sorogrupo e da sorovariedade (WHO, 2003). Porém, a utilização do ELISA como método exclusivo de diagnóstico, substituindo o MAT, não é recomendado (ADLER & DE LA PEÑA MOCTEZUM, 2010).

O diagnóstico por métodos diretos pode ser realizado por imunofluorescência, cultura bacteriana, histopatologia e reação de cadeia em polimerase (PCR). A imunofluorescência pode ser utilizada para identificar Leptospiras em tecidos (fetal, fígado, pulmões, rins ou placenta) ou sedimentos urinários. É um teste rápido, podendo ser utilizado em amostras congeladas. Sua interpretação requer um técnico treinado, e o conjugado disponível comercialmente não é sorovariedade-específico e torna necessária a realização do exame sorológico para identificar a sorovariedade infectante. A cultura bacteriana é um método definitivo de diagnóstico. A urina deve ser coletada após aplicação de furosemida para aumentar a filtração glomerular, liberando mais Leptospiras e diluindo a urina, o que aumenta a sobrevivência das leptopsiras. Esse método tem como desvantagem ser mais difícil e dispendioso. O exame histopatológico com pigmentos especiais é o único que pode utilizar tecidos formolizados (renais, placentários, pulmonares, hepáticos em casos de aborto), tendo como desvantagem uma baixa sensibilidade e incapacidade de detectar a sorovariedade infectante (GROOMS & BOLIN, 2005).

Prevenção e controle

O controle da leptospirose nos animais domésticos envolve a aplicação de medidas que incluem a identificação das fontes de infecção, o controle no momento da aquisição de animais e a imunização sistemática dos susceptíveis com vacinas inativadas que contenham as sorovariedades de Leptospiras presentes na região (FAINE et al., 1999). A utilização combinada do MAT como teste de triagem e posterior exame da urina por PCR foi considerada adequada para a identificação dos portadores renais que servem como fonte de infecção (LILENBAUM et al., 2009). No momento da aquisição de animais, é importante verificar a procedência destes, adquirindo ovinos de propriedades com comprovada eficiência reprodutiva. Além disso, deve-se levar em consideração que o exame sorológico negativo não garante que o animal não está infectado, tendo em vista que pode estar no período de incubação ou, como a produção a de anticorpos é intermitente, a coleta pode ser feita num período em que não seja possível sua detecção (MELO, 2009). A vacinação desempenha um importante papel no controle da leptospirose na propriedade, podendo reduzir sensivelmente a prevalência de animais reagentes no rebanho (GERRITSEN et al., 1994a).

A identificação da variante sorológica da Leptospira é muito importante, uma vez que imunidade adquirida é sorovariedade específica, então a imunização protege somente contra as sorovariedades homólogas ou semelhantes antigenicamente (LEVETT, 2001), não havendo imunidade cruzada. Portanto, quando um ou mais sorovares infectam os animais, é necessária a utilização de vacinas polivalentes (FAINE et al., 1999). O uso sistemático de bacterinas específicas contra as sorovariedades mais prevalentes na região e na espécie testada tem se revelado, na prática, como uma medida eficiente no controle de focos. A vacinação produz uma boa imunidade nos animais, previne os sintomas como o aborto e a morte embrionária com absorção, bem como o aparecimento de outros sinais clínicos característicos da doença, possibilitando o controle do plantel. Outra vantagem da vacinação é que o custo de cada dose de vacina é significativamente menor do que a dose do antibiótico utilizado no tratamento (HERRMANN, 2002).

Porém, a Leptospira sp., em especial a sorovariedade Hardjo, é um antígeno de baixa imunogenicidade, induzindo respostas imunológicas baixas e por um curto período de tempo (BOLIN et al., 1991). Dessa forma, o fato de a resposta imunológica ser baixa e específica para cada sorovar faz das vacinas comerciais uma medida profilática muitas vezes ineficiente (FAINE et al., 1999).

Pesquisadores sugeriram que, além da vacinação, deve ser realizado o tratamento dos animais, pois, quando se tenta fazer o controle de animais positivos para leptospirose apenas com vacinação, corre-se o risco de haver o aumento do número de animais atingidos, uma vez que a vacinação não elimina o estado de portador (GIRIO et al., 2005).

A estreptomicina foi um dos primeiros antibióticos a ser utilizado para a terapia da leptospirose e é considerada, até hoje, uma das melhores opções de tratamento (GIRIO et al., 2005), pois apresenta fácil penetração renal, destruindo as Leptospiras presentes nos túbulos renais (GERRITSEN et al., 1994b). Foi observada a eficácia do sulfato de estreptomicina no controle de leptospirose, com retorno à vida reprodutiva normal de 92% dos animais (SALDANHA et al., 2007). No Reino Unido, a vacinação anual por um período de cinco anos, associada ao tratamento dos animais infectados com diidroestreptomicina, foi suficiente para controlar e erradicar a doença (LITTLE et al., 1992).

A vacinação é capaz de reduzir os portadores renais e o risco de infecção para os tratadores, especialmente quando acompanhada de programas educacionais e de higiene nas comunidades com o apoio das autoridades responsáveis pela saúde pública (ADLER & DE LA PEÑA MOCTEZUMA, 2010). Destaca-se que o sucesso dos programas de vacinação depende de estudos epidemiológicos contínuos para monitorar a ocorrência de diferentes sorovariedades de Leptospiras em uma população (WANG et al., 2007)

No Brasil, existem vacinas disponíveis no mercado, porém são poucos os estudos com vacina anti-Leptospira sp em ovinos, sendo a maioria em bovinos, suínos e caninos. O controle da doença em ovinos com o uso de bacterinas comerciais é comum no país, porém geralmente são utilizadas bacterinas disponíveis no mercado para a utilização em bovinos, sem haver, contudo, uma avaliação da eficiência destas para ovinos (HERRMANN, 2002).

 

CONCLUSÕES

As infecções por Leptospira estão presentes nos rebanhos ovinos brasileiros, e a sorovariedade Hardjo é umas das mais prevalentes. É importante salientar que a melhor maneira de controlar a doença é a vacinação com as sorovariedades prevalentes na região; caso contrário, a imunização não será eficaz e para tanto é necessária a correta sorotipificação das cepas infectantes.

 

AGRADECIMENTOS

Ao INCT/IGSPB/CNPq (Instituto Nacional de C&T - Informação Genético-Sanitária da Pecuária Brasileira), ao CNPq e a CAPES (PROCAD Novas Fronteiras 2007), pelo auxílio financeiro e pelas bolsas concedidas.

 

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Recebido para publicação 03.12.09
Aprovado em 14.03.10

 

 

1 Autor para correspondência.