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Ciência Rural

On-line version ISSN 1678-4596

Cienc. Rural vol.44 no.6 Santa Maria June 2014

https://doi.org/10.1590/S0103-84782014000600025 

ARTIGOS CIENTÍFICOS
REPRODUÇÃO ANIMAL

 

Aplicação materna de glicocorticoide nos parâmetros vitais de cordeiros nascidos a termo e prematuros

 

Maternal glucocorticoid in vital parameters of full-term and preterm lambs

 

 

Larissa Gabriela AvilaI, II, 1; Fernanda BovinoI; Diogo Gaubeur de CamargoI; Natália Cristina de SouzaI; Guilherme Gonçalves Fabretti SantosI; Maurício DeschkI; Luiz Cláudio Nogueira MendesIII; Francisco Leydson Formiga FeitosaIII

IPrograma de Pós-graduação em Ciência Animal, Faculdade de Medicina Veterinária (FMVA), Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), Rua Clóvis Pestana, 793, 16050-680, Araçatuba, SP, Brasil. E-mail: lgavila_10@hotmail.com
IIFaculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FAMEZ), Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Campo Grande, MS, Brasil
IIIFaculdade de Medicina Veterinária (FMVA), Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), Araçatuba, SP, Brasil

 

 


RESUMO

O objetivo deste trabalho foi avaliar a influência do glicocorticoide sobre parâmetros vitais de cordeiros nascidos a termo e prematuros, do nascimento às 48 horas de vida. Foram constituídos quatros grupos: PN (cordeiros nascidos de parto normal, n=15, média de 146 dias); PNDEX (cordeiros nascidos de parto normal, cujas mães receberam 16mg de dexametasona aos 141 dias de gestação, n=8, média de 143 dias); PRE (cordeiros prematuros nascidos de cesarianas aos 138 dias de gestação, n=10); e PREDEX (cordeiros prematuros nascidos de cesarianas aos 138 dias de gestação, cujas mães receberam 16mg de dexametasona dois dias antes, n=9). As frequências cardíaca e respiratória variaram ao longo do período, com os maiores valores nos grupos de partos normais. A temperatura retal diminuiu em todos os grupos nos primeiros 60 minutos de vida, sendo os menores valores observados nos cordeiros prematuros, e o escore Apgar foi mais alto nos animais nascidos em tempo gestacional normal. Os cordeiros prematuros apresentaram menor vitalidade e menor taxa de sobrevivência, entretanto, menor taxa de mortalidade foi observada nos prematuros sob influência da dexametasona.

Palavras-chave: apgar, cordeiros, dexametasona, prematuros, vitalidade.


ABSTRACT

The aim of the study was to evaluate the influence of glucocorticoids on vital parameters of full-term and preterm lambs from birth to 48 hours of life. Four experimental groups were formed: NDG (normal delivery group - lambs vaginally delivered, n=15, average of 146-day gestation); NDEXG (normal delivery with dexamethasone group - lambs vaginally delivered whose mothers received 16mg of dexamethasone at 141 days of gestation, n=8, average of 143-day gestation); PRE (premature lambs born by cesarean section at 138 days of gestation, n=10) and PREDEX (premature lambs born by cesarean section at 138 days gestation, whose mothers received 16mg of dexamethasone two days before, n=9). Heart and respiratory rates had variations during the observation period, with the highest mean values in the groups of normal deliveries (NDG and NDEXG). Rectal temperature decreased in all groups in the first 60 minutes of life, with the lowest mean values in premature lambs (PRE and PREDEX) and the Apgar score was higher in animals delivered at normal gestational time. Preterm lambs had lower vitality and chance of survival, however, lower mortality rate was observed in offspring of ewes that received dexamethasone two days before surgery.

Key words: apgar, lambs, dexamethasone, premature, vitality.


 

 

INTRODUÇÃO

No período neonatal, fase crítica ao desenvolvimento dos animais recém-nascidos, os mecanismos termorreguladores, cardiovasculares, respiratórios e metabólicos completam sua maturação (PICCIONE et al., 2007; PLADYS et al., 2008). Entre 50 e 70% da mortalidade neonatal ocorre nos primeiros dois ou três dias de vida (SAWALHA et al., 2007; DWYER, 2008), o que implica significativa perda econômica e preocupação com o bem-estar animal (NOWAK et al., 2000).

Os cordeiros nascem em condições úmidas, com baixa reserva de gordura corporal e alta proporção da superfície em relação ao peso vivo, o que exacerba a perda de calor (STEPHENSON et al., 2001). Para manter a homeostase antes da ingestão do colostro, o recém-nascido deve metabolizar as reservas energéticas do tecido adiposo marrom e estimular a atividade muscular, por meio de tremores corporais (BRUMBAUGH, 2003). O tratamento materno com glicocorticoide é utilizado para mimetizar a secreção fetal de cortisol, o que induz à disponibilidade de glicogênio e glicose (FRANKO et al., 2007) e à capacidade de realizar termogênese sem tremores musculares (BISPHAM et al., 1999).

A avaliação física após o nascimento permite a observação de sinais clínicos de infecções sistêmicas e existência de dispneia (VAALA & HOUSE, 2006). Em animais com hipóxia, a atividade física normalmente encontra-se diminuída e os animais apresentam-se letárgicos, vagarosos ou incapazes de amamentar-se (BENESI, 1993). A vitalidade também pode ser verificada pelo escore Apgar modificado por BORN (1981), que se utiliza das avaliações de respostas reflexas, padrão respiratório e coloração das mucosas, logo após o nascimento e nos primeiros minutos de vida em diferentes espécies (CAMARGO et al. 2010; BOVINO, 2011).

Este estudo objetivou verificar a viabilidade de cordeiros nascidos uma semana antes (aos 138 dias) da provável data de parição (média de 145 dias) e avaliar a influência do glicocorticoide sobre a vitalidade de cordeiros nascidos a termo e prematuros, do nascimento às 48 horas de vida.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Foram constituídos quatros grupos experimentais de ovinos da raça Suffolk, a saber:

Grupo PN: 15 cordeiros nascidos de partos normais (média de 146 dias de gestação).

Grupo PNDEX: oito cordeiros nascidos de partos normais, cujas mães receberam 16mg de dexametasonaa, por via intramuscular, aos 141 dias de gestação (média de 143 dias).

Grupo PRE: dez cordeiros prematuros, nascidos por cesarianas realizadas aos 138 dias de gestação.

Grupo PREDEX: nove cordeiros prematuros, nascidos por cesarianas realizadas aos 138 dias de gestação, cujas mães receberam 16mg de dexametasona, por via intramuscular, dois dias antes da cirurgia (aos 136 dias).

As ovelhas foram mantidas em piquetes com Brachiaria spp. e suplementadas com ração para ovinos fornecida uma vez ao dia, sendo colocadas em baias no período próximo ao parto (aos 141 dias de gestação para os grupos PN e PNDEX e aos 136 dias para os grupos PRE e PREDEX), com o fornecimento de silagem de milho e ração, além de água à vontade. Para facilitar o manejo dos animais, adotou-se um protocolo de sincronização de estro com esponjas vaginais de progesteronab, seguidas da administração de gonadotrofina coriônica equina (eCG)c e prostaglandinad por via intramuscular. O carneiro utilizado como reprodutor foi marcado na região peitoral com tinta a base de pó colorido xadrez e óleo, com tons mais claros para tons mais escuros, aplicada a cada dois dias e trocada a intervalos de 15 dias. As ovelhas foram avaliadas por exame ultrassonográficoe abdominal para confirmação da gestação entre 45 e 60 dias após a última data de cobertura. Nas cesarianas, realizou-se bloqueio paravertebral proximal com cloridrato de lidocaínaf e anestesia peridural lombossacra com sulfato de morfinag. O procedimento cirúrgico foi realizado com as ovelhas em decúbito lateral direito, para incisão em região do flanco esquerdo, conforme técnica descrita por TIBARY & VAN METRE (2004).

Os cordeiros nascidos de partos normais permaneceram com as mães, ingerindo colostro à vontade. Os animais nascidos de cesarianas foram acompanhados e alimentados com colostro proveniente de banco de colostro bovino, fornecido por mamadeiras nas primeiras horas de vida. Quando não apresentavam reflexo de sucção, a administração era realizada com auxílio de sonda nasoesofágica. Os cuidados referentes à manutenção de temperatura e suporte ventilatório foram realizados mantendo-se os prematuros em incubadorah e sob ventilação manual. Realizou-se a sondagem orotraqueal para aspiração do máximo possível de líquido traqueal. Esses procedimentos emergenciais foram realizados na tentativa de mantê-los vivos e saudáveis ao longo das avaliações.

Os cordeiros foram submetidos à mensuração da temperatura retal com uso de termômetro clínico digital e aferição das frequências cardíaca e respiratória por meio de auscultação, nos seguintes momentos: ao nascimento (M0), aos 15 minutos (M15), aos 60 minutos (M60), e às 24 (M24) e 48 horas de vida (M48). Para avaliação da vitalidade, utilizou-se o escore Apgar modificado por BORN (1981), sendo realizado o teste logo após o nascimento (M0), aos 15 minutos (M15) e aos 60 minutos de vida (M60). Os quatro itens de avaliação, pontuados de zero a dois, foram: a) movimentação da cabeça com água fria (zero - ausente; um - diminuída; dois - espontânea e ativa); b) resposta reflexa óculo-palpebral e interdigital (zero - ausente; um - um reflexo presente; dois - dois reflexos presentes); c) tipo de respiração (zero - imperceptível; um - lenta e irregular; dois - rítmica e com profundidade normal); e d) coloração das mucosas (zero - branca azulada; um - azulada, e dois - rósea avermelhada). Pontuação de 7 a 8 representava boa vitalidade, de 4 a 6 caracterizava vitalidade moderada e de 0 a 3 era indicativa de baixa vitalidade (animal deprimido).

A análise estatística foi realizada pelo delineamento experimental fatorial 2x2, considerando o uso da dexametasona (grupos COM ou SEM, conforme a administração ou não do corticosteroide previamente nas ovelhas) e o tipo de parto (NORMAL ou PRE, para cordeiros nascidos naturalmente ou prematuros por cirurgia cesariana) nos cinco momentos ao longo do tempo. Os dados foram submetidos à análise de variância com medidas repetidas, sendo que o delineamento fatorial e as médias foram comparados pelo teste de Tukey no nível de significância de 5%. O escore Apgar foi analisado pelo teste exato de Fisher em cada momento. Utilizou-se o programa SAS (Statistical Analysis System; SAS Institute Inc., Cary, NC, USA), sendo a significância considerada quando P<0,05 (ZAR, 1998).

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

No grupo PN, as ovelhas pariram, em média, com 146 dias, enquanto, no grupo PNDEX, a média foi de 143 dias para a ocorrência dos partos. A dexametasona teve ação no grupo PNDEX, em valores médios, 51 horas após a administração por via intramuscular nas ovelhas, confirmando a possibilidade de utilização de medicamentos para indução do parto em ruminantes (SIMPLÍCIO et al., 2007). O resultado obtido coincide com o que foi observado por KASTELIC et al. (1996), havendo necessidade de monitoração contínua dos animais devido à variação individual. Não houve interação significativa (P>0,05) entre o tipo de parto e o uso da dexametasona.

Os resultados mostraram mortalidade elevada (70% no grupo PRE) e vitalidade mais baixa nos sobreviventes, em cordeiros nascidos uma semana antes (aos 138 dias) do período gestacional médio para a referida espécie (145 dias de gestação, MOBINI et al., 2004), durante as primeiras 48 horas de vida. Embora RADOSTITS et al. (2002) tenham citado que a idade gestacional mínima para ovinos seja de 138 dias, o presente trabalho contesta tal informação, em virtude da elevada taxa de mortalidade logo após o nascimento ou durante os primeiros 15 minutos de vida. A interrupção da gestação aos 138 dias provavelmente comprometeu a produção de surfactante, uma vez que foram observadas áreas de atelectasia pulmonar à necropsia, o que indica que não houve expansão dos alvéolos ou ela não ocorreu de maneira eficiente (CUNNINGHAM, 2004).

O desenvolvimento pulmonar pré-natal, incluindo a síntese de surfactante, recebe influência dos níveis de glicocorticoides envolvidos nos processos metabólicos (PICCIONE et al., 2007). Assim, o sistema respiratório, ainda imaturo, não respondeu, ou respondeu com pouca eficiência, às exigências imediatas de ventilação nos animais prematuros, fato justificado pela menor frequência respiratória verificada nos animais do grupo PRE. Outros autores também apontaram o comprometimento orgânico em recém-nascidos prematuros (GNANALINGHAM et al., 2008; BLEUL et al., 2009), dificultando a sua sobrevida.

Verificou-se diferença nos valores de frequência cardíaca (FC) entre os grupos NORMAL e PRE logo após o nascimento (M0) e, entre os grupos SEM e COM efeito da administração materna de dexametasona, houve diferença aos 60 minutos de vida (M60) (Tabela 1). Os maiores valores de FC foram observados nos animais nascidos de parto normal e cujas mães receberam corticosteroide. Com relação à frequência respiratória (FR), houve diferença entre os grupos NORMAL e PRE logo após o nascimento e aos 15 minutos de vida (M0 e M15), enquanto, às 48 horas, verificou-se diferença entre os grupos SEM e COM o efeito da dexametasona (Tabela 1).

Imediatamente após o nascimento, cordeiros apresentam volume sistólico reduzido, o que requer que o coração bombeie maior taxa de sangue para dentro do sistema vascular, que possui resistências elástica e periférica elevadas (PICCIONE et al., 2007). Além disso, o esforço para sucção da glândula mamária também eleva a FC (BUSCHMANN et al., 1993), o que justifica que cordeiros dos grupos PN e PREDEX tenham apresentado média mais alta de FC entre M15 e M60, uma vez que os animais mostravam-se mais ativos nesta fase e iniciavam a ingestão de colostro (Figura 1a).

A atividade respiratória caracteriza-se pela irregularidade no período neonatal (PICCIONE et al., 2007), podendo a FR apresentar variabilidade fisiológica nas primeiras quatro semanas após o parto (DAVEY et al., 1998), fato verificado no presente estudo (Figura 1b). A diferença entre os grupos NORMAL e PRE deveu-se à dificuldade que os prematuros tiveram para iniciar os movimentos respiratórios, responsáveis pelo início da ventilação e estabelecimento da capacidade residual funcional. A ausência de expansão pulmonar, representada pelos menores valores de FR dos cordeiros do grupo PRE (Tabela 1), favoreceu a ocorrência de áreas de atelectasia pulmonar.

A temperatura retal (TR) diminuiu nos grupos NORMAL e PRE entre o nascimento e 60 minutos de vida (M0 a M60) (Tabela 1), e os valores médios foram menores nos animais nascidos prematuramente, com destaque para o M60 (Figura 1c). A termogênese, limitada nos cordeiros ao nascimento e dependente das reservas de glicogênio e da espessura do tecido adiposo marrom (PICCIONE et al., 2007), encontra-se comprometida em cordeiros prematuros e/ou nascidos por cesariana (CLARKE et al., 1997); porém, há melhora da capacidade termorreguladora com o tratamento materno por dexametasona (CLARKE et al., 1998; GNANALINGHAM et al., 2008). Os resultados apresentados corroboram esses dados, visto que os cordeiros prematuros apresentaram TR mais baixa que os nascidos naturalmente (Tabela 1). Constatou-se diferença entre os grupos SEM e COM no M15, com o menor valor médio apresentado pelos animais sob efeito da dexametasona. A perda de calor ocorre rapidamente após o nascimento, devido à umidade do ambiente, à evaporação do fluido amniótico e à maior superfície corpórea dos recém-nascidos (ALEXANDER & WILLIAMS, 1968), fato justificado pela diminuição da TR em todos os cordeiros, ao longo da primeira hora de vida.

A vitalidade dos recém-nascidos, verificada pelo escore Apgar, variou entre normal (pontuação 7 a 8) e moderada (pontuação 4 a 6) nos grupos PN e PNDEX nos três momentos avaliados. Verificou-se a presença de vitalidade baixa (pontuação 0 a 3) no grupo PRE no M0 e M15, e no grupo PREDEX no M0. Denotou-se diminuição da porcentagem do escore Apgar no M15 e M60 em relação ao M0 nos quatro grupos avaliados. Estes resultados contrastam com os obtidos por RODRIGUES et al. (2007), que encontraram valores menores de escore Apgar ao nascimento, atingindo pontuação máxima aos 60 minutos de vida, porém assemelham-se aos obtidos por CAMARGO (2010) e BOVINO (2011), em que se verificou vitalidade normal nos primeiros minutos de vida. A diminuição da porcentagem do escore Apgar no M15 e M60, encontrada nos quatro grupos, não indica, todavia, queda real da vitalidade, mas a diminuição da resposta a alguns testes, como, por exemplo, a menor resposta ao estímulo da água fria em recém-nascidos desta espécie ao longo do tempo de avaliação, coincidindo com os resultados de BOVINO (2011).

Quando realizada a administração de dexametasona, os recém-nascidos apresentaram melhor condição clínica, iniciando os movimentos respiratórios logo após o clampeamento do cordão umbilical. As condições gerais e a vitalidade dos cordeiros corroboram as maiores taxas de sobrevivência observadas no presente estudo (80% no grupo PREDEX, contrastando com 30% de sobrevivência no grupo PRE). Os tratamentos com corticosteroides aceleram a maturação pulmonar (STEIN et al., 1994) e melhoram a adaptação de prematuros após o nascimento por cesarianas (CLARKE et al., 1998), fato comprovado pela menor taxa de mortalidade dos cordeiros submetidos aos efeitos da administração materna de dexametasona (20% de mortalidade no grupo PREDEX, enquanto 70% dos recém-nascidos do grupo PRE vieram a óbito antes das 48 horas de vida).

 

CONCLUSÃO

A dexametasona mostra-se eficiente na diminuição da taxa de mortalidade em cordeiros prematuros nascidos aos 138 dias de vida, por melhorar a condição clínica e a sobrevida destes animais. As limitações fisiológicas dos cordeiros nascidos prematuramente sem a influência do corticosteroide são confirmadas pelo comprometimento da capacidade pulmonar (dificuldade na expansão pulmonar), resultando em elevada ocorrência de mortalidade neste grupo.

 

COMISSÃO DE ÉTICA

O presente estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética Animal da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Estadual Paulista (UNESP), em Araçatuba, sob protocolo número 02493-2011.

 

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem o aporte financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) para o desenvolvimento do projeto (Processo 2010/19497-4) e à concessão de bolsas de doutorado (Processo 2011/01123-3) e de iniciação científica (Processo 2011/10098-2).

 

FONTES DE AQUISIÇÃO

a - Azium®, Schering-Plough

b - Progespon®, Syntex

c - Novormon®, Schering-Plough

d - Lutalyse®, Pfizer

e - DP 2200 Vet, Mindray

f - Xylestesin® 2%, Cristália

g - Dimorf®, Cristália

h - Olidef - 50064

 

REFERÊNCIAS

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Recebido 31.01.13
Aprovado 01.11.13
Devolvido pelo autor 28.03.014
CR-2013-0131.R2

 

 

1 Autor para correspondência.

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