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Ciência Rural

Print version ISSN 0103-8478

Cienc. Rural vol.44 no.11 Santa Maria Nov. 2014

http://dx.doi.org/10.1590/0103-8478cr20130604 

Clínica e Cirurgia

Biometry by ultrasonography of the epaxial and pelvic musculature in equines trained with Pessoa's rein

Biometria por ultrassonografia da musculatura epaxial e pélvica em equinos treinados com rédea Pessoa

Kátia de Oliveira*  1  

Ricardo Velludo Gomes de Soutello 1  

Ricardo da Fonseca 1  

Andréa Machado Lopes 1  

Paulo César da Silva Santos 1  

Juliana Mara Freitas Santos 1  

Ana Cristina Massarelli 1  

Juliana Silva Rodrigues 1  

João Henrique da Silva Vera 1  

1Universidade Estadual Paulista (UNESP), Campus Experimental de Dracena, 17900-000, Dracena, SP, Brasil.

ABSTRACT

This study aimed to evaluate the use of Pessoa's rein in training equine, as a support in exercise training, on biometry by ultrasonography of the epaxial (Longíssimus Dorsi, Gluteus Medius e Musculus Multifidus) and pelvic musculature (Biceps Femoris e Semitendinosus). Thereby, eight Quarter Horse mares was used, with eight years on average age, 400kg of body weight, trained with the Pessoa's rein twice a week, for two months. Variables were measured before and after training, consisting of assessment thickness (cm) of the Longíssimus Dorsi and cross-sectional area (cm2) of muscles, Gluteus Medius, Biceps Femoris, Semitendinosus and Musculus Multifidus. It observed a significant effect of training with Pessoa's rein, on the Biceps Femoris (P<0.01) and Musculus Multifidus (P<0.01), which the average cross-sectional area at the final evaluation were of 28.66cm2 and 14.29cm2, respectively. Thus it can be conclude that training with Pessoa's rein modifies muscular function, promoting hypertrophy Musculus Multifidus and Biceps Femoris of horses

Key words: aid rein; Biceps Femoris; Gluteus Medius; horse Longíssimus Dorsi; Musculus Multifidus; semitendinousus

RESUMO

Objetivou-se avaliar o emprego da rédea Pessoa no treinamento de equinos atletas, como auxiliar de condicionamento físico, sobre a biometria avaliada pela ultrassonografia das musculaturas epaxial (Longíssimus Dorsi, Gluteus Medius e Musculus Multifidus) e pélvica (Biceps Femoris e Semitendinosus). Foram utilizadas oito éguas da raça Quarto de Milha, com idade média de cinco anos, 400kg de peso vivo, treinadas com a rédea Pessoa duas vezes por semana, durante dois meses. As variáveis foram mensuradas, antes e após o treinamento, consistindo das avaliações de espessura (cm) do Longíssimus Dorsi e área transversal (cm2) dos músculos, Gluteus Medius, Biceps Femoris, Semitendinosus e Musculus Multifidus. Observou-se efeito significativo do treinamento com rédea Pessoa sobre os músculos Biceps Femoris (P<0,01) e Musculus Multifidus (P<0,01), no qual os valores médios da área transversal, na avaliação final, foram de 28,66cm2 e 14,29cm2, respectivamente. Concluiu-se que o treinamento com a rédea Pessoa modifica o funcionamento muscular, promovendo a hipertrofia do Musculus Multifidus e Biceps Femoris de equinos

Palavras-Chave: Biceps Femoris; cavalo; Gluteus Medius; Longíssimus Dorsi; Musculus Multifidus; rédea auxiliar; Semitendinosus

INTRODUÇÃO:

Na equitação mundial, há diversos equipamentos elaborados para serem associados ao treinamento de cavalos, visando melhorar suas habilidades esportivas. Dentre os vários objetivos do treinamento de cavalos, destacam-se, além do preparo físico, a presença de dorso musculoso, bem como o chamado "engajamento dos membros posteriores". Esta condição possibilita uma maior impulsão de deslocamento e também o fortalecimento da musculatura presente na região toracolombar. Este aspecto é importante aos equinos atletas, já que os músculos desta articulação possibilitam a transferência de força gerada pela impulsão nos membros pélvicos ao resto do corpo, de maneira eficiente (HIGGINS, 2009). Nesse sentido, as rédeas auxiliares, como Alemã, Thiedman, Gogue dirigida, Chambom, Lateral, Gogue, Elástica, Colbert e Pessoa/Neco são empregadas às rotinas de exercícios dos cavalos com estas finalidades (BAYLEY, 2010). Contudo, há relatos que consideram a utilização das rédeas auxiliares prejudicial ao condicionamento atlético do cavalo, por limitar o movimento de cabeça e pescoço, encurtando o comprimento da passada (BORSTEL et al., 2009).

As mensurações biométricas musculares auxiliam na avaliação funcional do músculo, por indicar sua característica como tamanho normal, atrofiado ou hipertrofiado, que são importantes, por exemplo, na verificação da efetividade de protocolo de treinamento (STUBBS et al., 2010). Estas medidas podem ser obtidas mediante uso de fita métrica (O'CONNOR et al., 2002), pela ultrassonografia e por ressonância magnética (STUBBS et al., 2011b). A ultrassonografia se destaca, dentre essas metodologias, por produzir imagem muscular de forma muito correspondente à anatomia in vivo, além de ser rápida e segura, apresentando menor custo em relação à ressonância magnética (KERSTEN &amp; EDINGER, 2004).

Em equinos, a ultrassonografia tem sido usada com boa confiança e repetibilidade na avaliação biométrica do Longíssimus Dorsi, Musculus Multifidus, Gluteus Medius e Biceps Femoris (KERSTEN &amp; EDINGER, 2004; STUBBS et al., 2010; LINDNER et al., 2010; STUBBS et al., 2011a). Nesse sentido, a utilização da rédea Pessoa em programas de treinamento, por modificar a postura do cavalo em movimento e provocar alterações biomecânicas em comparação à locomoção sem a rédea, induziria a adaptações funcionais e modificações no tamanho de determinados músculos. Dessa forma, o estudo objetivou avaliar o efeito do treinamento com rédea Pessoa sobre a biometria por ultrassonografia da musculatura epaxial (Longíssimus Dorsi, Gluteus Medius e Musculus Multifidus) e pélvica ( Biceps Femoris e Semitendinosus) de equinos atletas.

MATERIAL E MÉTODOS:

Foram utilizadas oito éguas da raça Quarto de Milha (QM), com idade média de cinco anos, 400kg de peso vivo e pertencentes ao Haras Terra de Santa Fé, situado no município de Dracena/SP. O tamanho amostral encontra-se de acordo com a metodologia empregada na experimentação com equinos nas áreas de treinamento e equitação (MIRÓ et al., 2006; WALDERN et al., 2009; LINDNER et al., 2010; CLAYTON et al., 2010; STUBBS et al., 2011a; CLAYTON et al., 2011). Para a inclusão no estudo, os animais foram avaliados clinicamente e considerados aptos caso não apresentassem sinais de alterações musculoesqueléticas. Vale ressaltar que as éguas selecionadas estavam realizando trabalho em redondel por 30 minutos, em período prévio ao experimento, sem a utilização da rédea Pessoa.

A quantidade de alimento fornecida aos equinos foi estabelecida, segundo as recomendações do National Research Council (NRC, 2007), visando a atender as exigências nutricionais da categoria. Os animais foram exercitados dois dias na semana com a rédea Pessoa, durante dois meses. As éguas foram mantidas em baias, medindo 12m2, contendo cama de maravalha, comedouro para fornecimento de concentrado e volumoso e bebedouro automático para consumo ad libitum de água, bem como, aos finais de semana, os animais foram soltos em piquete, contendo sombreamento, bebedouro e comedouro.

O programa de treinamento consistiu de duas sessões por semana, com intervalo entre elas de dois dias, à guia (não montados) com rédea Pessoa em redondel (medindo 18 m de diâmetro e contendo piso de areia) composto por 20 minutos de trote, divididos nos sentidos horário e anti-horário, e dez min a galope, realizado nos dois sentidos, totalizando trinta minutos por sessão (FIELDER, 2008). A rédea Pessoa foi ajustada nos animais por um equitador habilitado para permitir a mesma abertura de ângulo de cabeça/pescoço, bem como tensão similar sobre o componente revestido de borracha ("tensionador"), apoiado nos membros pélvicos, colocado acima do tarso. Assim, este ajuste permitiu que a altura da cabeça do animal se mantivesse ao nível da cernelha e com o chanfro não ultrapassando a linha da vertical (Figura 1).

Figura 1 : Ilustração do trabalho à guia em redondel, no andamento ao trote, sem rédea Pessoa (esquerda) e com rédea Pessoa (direita). 

As variáveis foram mensuradas, antes e após o programa de treinamento com rédea Pessoa, consistindo das avaliações biométricas sobre os músculos, Longíssimus Dorsi, Gluteus Medius, Biceps Femoris, Semitendinosus e Musculus Multifidus (Figura 2). As avaliações biométricas da musculatura dos cavalos foram realizadas por meio de imagem ultrassonográfica, utilizando-se do equipamento PIEMEDICAL Scanner 200 VET em tempo real, com transdutor de 3,5MHz e com 13cm de comprimento.

Figura 2 : Imagem ultrassonográfica à esquerda do animal, da área transversal (AT) do Musculus Multifidus em nível da quinta vértebra lombar na avaliação inicial (esquerda, CSA: 8,44cm2) e final (direita, CSA: 11,14cm2)

As mensurações sobre os músculos foram de espessura do corte (cm) e da área de corte transversal (cm2). As mensurações foram feitas após limpeza da pele dos animais e preparação da área com óleo de soja (O'CONNOR et al., 2002). As imagens foram realizadas com a probe orientada transversalmente à linha média dorsal, em ângulo de 45°, aproximadamente (STUBBS et al., 2011a). Todas as aferições de desenvolvimento muscular foram obtidas com as éguas sobre piso plano e pavimentado. Quando obtida visão nítida e aceitável do músculo na tela, a imagem foi congelada e, então, delimitou-se a área desejada, usando ferramenta própria do programa do ultrassom. As imagens ultrassongráficas foram realizadas pelo mesmo profissional habilitado e do lado esquerdo do animal.

O Longíssimus Dorsi (LD) foi avaliado nas duas últimas costelas, conforme D'ANGELIS et al. (2005), com o animal em posição bem aprumada e músculo relaxado. As imagens referentes ao Gluteus Medius (GM) foram obtidas na linha perpendicular (dorso-ventral) a terceira vértebra sacral (STUBBS et al., 2010); para o Biceps Femoris (BF), utilizou-se da linha média entre a tuberosidade coxal e primeira vértebra coccígena (LINDNER et al., 2010), Semitendinosus (ST) foi mensurado a 20cm abaixo da linha tracejada, a partir da tuberosidade isquiática (LINDNER et al., 2010); e o Musculus Multifidus (MM), na quinta vértebra lombar (L5) (STUBBS et al., 2011a).

As variáveis foram avaliadas quanto à normalidade de distribuição, usando o teste Kolmogorov-Smirnov e as variáveis não distribuídas normalmente foram transformadas em log. O coeficiente de variação foi usado para expressar a quantidade de variabilidade nas variáveis. As diferenças entre as observações foram testadas pelo teste t pareado. Os testes estatísticos usaram probabilidade de P<0,05.

RESULTADOS E DISCUSSÃO:

No presente estudo, as éguas foram trabalhadas a guia com a rédea Pessoa, a uma velocidade confortável para execução do treino e durante as avaliações desenvolveram os andamentos em ritmo de passo médio e trote de trabalho. Ainda, no momento das avaliações, inicial e final, os animais não estavam utilizando a rédea Pessoa e foram conduzidos pelo cabresto (Tabela 1).

Tabela 1 : Médias da espessura do Longíssimus Dorsi e área transversal do Gluteus Medius, Biceps Femoris, Semitendinosus e Musculus Multifidus obtidas por ultrassonografia de 8 éguas da raça Quarto-de-Milha, antes (avaliação inicial) e após (avaliação final) programa de treinamento com rédea Pessoa. 

*Teste t pareado.

Os grandes músculos epaxiais avaliados, Longíssimus Dorsi e Gluteus Medius, não sofreram efeito significativo do treinamento com a rédea Pessoa (Tabela 1). O LD é o músculo epaxial mais superficial, sendo a atrofia muito visível, enquanto que o GM, por ter também função postural, encontra-se em áreas mais profundas (DINGBOOM et al., 2002). Ainda, STUBBS et al. (2010) relacionaram atrofia destas musculaturas, com a ocorrência de cavalos com lombalgia. Contudo, na atual pesquisa, não foi observada atrofia da musculatura epaxial (P>0,05), bem como não se verificou sensibilidade dolorosa à palpação da região, denotando que o treinamento imposto, com a rédea Pessoa, permitiu a manutenção do tônus muscular. LINDNER et al. (2010) avaliaram a espessura do LD em garanhões com seis anos de idade, da raça Puro Sangue Inglês e em treinamento para corrida e verificaram valor de 10,37cm. Esta observação foi superior à média final encontrada na atual pesquisa de 7,06cm, devido, possivelmente, às diferenças de raça, categoria animal e intensidade de treinamento.

Os efeitos das diferentes posições da cabeça e pescoço na equitação não têm objetivado o desenvolvimento muscular de cavalos, mas há pesquisas que avaliaram a cinemática, durante a locomoção de cavalos não montados (RHODIN et al., 2005; GÓMEZ ALVAREZ et al., 2006). Estes estudos avaliaram a posição baixa da cabeça, que se assemelha ao ocorrido nas éguas com rédea Pessoa, observando aumento na flexão da região torácica em cavalos ao trote. Como os músculos epaxiais são responsáveis por realizar a extensão da coluna vertebral dos equinos (McGOWAN et al., 2007), isso implica que esta musculatura foi pouco exigida durante o treinamento com rédea Pessoa e, assim, não promovendo aumento muscular do LD e GM (P>0,05). Similarmente, O'CONNOR et al. (2002) também não observaram hipertrofia do LD em cavalos treinados com sobrecarga, de 45kg de peso aplicado sobre o dorso, em comparação ao treinamento sem carga.

Músculos do membro pélvico, como o Biceps Femoris e Semitendinosus, foram escolhidos por sua importante função na locomoção, sendo considerados músculos propulsivos (DINGBOOM et al., 2002). Estes músculos são caracterizados por terem grandes volumes e especializados em produzir muita força para realização do movimento (PAYNE et al., 2005). Conforme os resultados apresentados na tabela 1, constata-se que o BF e ST apresentaram os maiores valores de área transversal, de 28,66 e 28,19cm2, respectivamente, dentre os músculos avaliados, bem como similaridade de tamanho entre ambos. Contudo, foi observada hipertrofia (P<0,01) apenas do músculo BF em resposta ao treinamento com rédea Pessoa (Tabela 1). Esta observação sugere que o treinamento com rédea Pessoa pode ter melhorado a propulsão dos membros posteriores em cavalos, por fortalecer a musculatura pélvica, aferida através da avaliação biométrica por ultrassonografia, segundo ROEPSTORFF et al. (2002). Tal constatação é provavelmente devido à postura de cabeça/pescoço baixa, resultante do uso da rédea Pessoa, e à ação do tensionador (componente desta rédea) que facilitam o engajamento dos membros pélvicos e, consequentemente, promovendo maior ação da musculatura envolvida neste movimento. Diferentemente, BIAU et al. (2002) trabalharam os cavalos com a rédea Chambom e ao trote durante o treinamento e não encontraram incremento na propulsão pélvica, apesar de ter sido observado maior atividade dorso-ventral. Salienta-se, porém, que a rédea Chambom promove posição de cabeça-pescoço diferente do ocorrido na rédea Pessoa, motivo este que fundamenta os distintos comportamentos de resposta sobre a propulsão do membro posterior.

O Musculus Multifidus apresentou valor médio da área transversal de 14,29cm2 e foi similar ao encontrado de 15,07cm2 por STUBBS et al. (2010), em cavalos da raça Puro Sangue Inglês. O MM é um músculo profundo que se situa medialmente ao LD, não estando acessível por meio de uma avaliação externa visual e se origina a partir dos processos transversos das vértebras torácica, lombar e sacral (STUBBS et al., 2006). Funcionalmente, este músculo é importante para proteção contra a produção de rotação anormal e para a distribuição de força pela coluna vertebral, gerada pelos músculos pélvicos (McGOWAN et al., 2007). Ainda, sugeriu-se que o MM produz estabilização segmental e controle da coluna vertebral em cavalos, permitindo movimentação intervertebral próximo da posição neutra, durante o deslocamento do animal (HAUSSLER et al., 2007; STUBBS et al., 2006).

De maneira inédita, foi identificada hipertrofia do Musculus Multifidus em resposta ao treinamento das éguas com rédea Pessoa. A hipótese inicial de que a rédea Pessoa possui a capacidade de estimular a hipertrofia dos músculos da região dorsal do cavalo foi suportado pelo aumento significativo (P<0,01) na área transversal do MM (Tabela 1). Tal resultado provavelmente foi devido à posição baixa de cabeça/pescoço, assumida pelas éguas com rédea Pessoa, que promove maior flexão da região dorso-lombar e, assim, favorecendo a hipertrofia do MM. Similarmente, STUBBS et al. (2011) verificaram hipertrofia na área transversal do MM na L5 em cavalos da raça Árabe, submetidos a exercício terapêutico por meio de mobilização dinâmica, durante três meses e realizados cinco vezes por semana, no qual se observou valor médio final de 11cm2. Na atual pesquisa, observou-se valor médio de 14,29cm2, assim, a comparação entre os resultados das pesquisas deve ser feita com cuidado, pois se deve considerar as diferenças na atividade física realizada, bem como no menor tamanho corporal dos cavalos Árabes, utilizados na pesquisa de STUBBS et al. (2011a).

A resposta muscular ao exercício varia com o tipo de contração muscular e período do treinamento (STUBBS et al., 2011a). Nesse sentido, pesquisas verificaram incremento significativo na área transversal de fibras musculares do tipo I e/ou IIA em cavalos treinados por período inferior a três meses (ETO et al., 2004). Similarmente às éguas treinadas com a rédea Pessoa por dois meses, período que poderia ser considerado curto para respostas musculares adaptativas, foi adequado para manifestar aumento da área transversal do MM, mensurado por ultrassonografia na L5. Considerando o segmento tóraco-lombar de equinos, a região com maior movimento dorsoventral ocorre na L5, sendo esta localização de particular interesse para monitoramento do desenvolvimento muscular do MM (STUBBS et al., 2006). Portanto, na atual pesquisa, adotou-se a mensuração da área transversal do MM na L5, por ser uma região de grande importância para cavalos atletas.

Vale ressaltar que o delineamento do atual ensaio poderia ter sido melhorado se o grupo controle estivesse presente sob condição similar, com o mesmo protocolo de treinamento e sem o uso de rédea Pessoa, mas não foi possível pela dificuldade de disponibilidade de éguas da mesma raça, idade e em atividade física similar. Portanto, monitoraram-se as alterações musculares, em todo período experimental, utilizando cada animal como controle. Ainda, as éguas utilizadas na pesquisa encontravam-se anteriormente em treinamento convencional, sem uso da rédea Pessoa. Dessa forma, atribuiu-se hipertrofia do Biceps Femoris e Musculus Multifidus ao treinamento com a rédea Pessoa. Esta consideração permite inferir que a rédea Pessoa utilizada em programas de treinamento induz à adaptação dos músculos avaliados.

CONCLUSÃO:

O treinamento de equinos com a rédea Pessoa pode promover hipertrofia do Musculus Multifidus e Biceps Femoris. A mensuração ultrassonográfica de determinados músculos pode ser considerada um método não invasivo para o monitoramento muscular de cavalos em programas de treinamento.

AGRADECIMENTOS

À Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) processo no 2013/13472-8.

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COMITÊ DE ÉTICA A presente pesquisa foi certificada pela "Comissão de Ética em Uso de Animais", sob no 16/2011, estando de acordo com os princípios éticos de experimentação animal.

Received: May 02, 2013; Accepted: March 13, 2014

Autor para correspondência: Kátia de Oliveira, email: katia@dracena.unesp.br

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