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Paidéia (Ribeirão Preto)

versión impresa ISSN 0103-863X

Paidéia (Ribeirão Preto) vol.9 no.16 Ribeirão Preto jun. 1999

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-863X1999000100010 

RESENHA

 

Diálogos Metodológicos sobre prática de pesquisa

 

 

Manoel Antônio dos Santos

Doutor em Psicologia Clínica, docente do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, campus de Ribeirão Preto, coordenador do NEPP - Núcleo de Ensino e Pesquisa em Psicologia Clínica

 

 

Romanelli, Geraldo e Biasoli-Alves, Z. M. M. (Orgs.) Diálogos metodológicos sobre prática de pesquisa. Ribeirão Preto-SP: Legis Summa, 1998,178 p.

A produção de conhecimento científico na área da Psicologia no Brasil tem experimentado um aumento vertiginoso nas últimas décadas, com a consolidação e ampliação dos programas de pós-graduação. Essa expansão do ensino universitário cria uma demanda por trabalhos que focalizem questões teóricas e metodológicas ligadas ao processo de produção de saberes a fazeres no campo da investigação psicológica. Para que possamos nos engajar no processo de fazer saber é necessário que estruturemos, de maneira consistente e conceitualmente articulada, nosso saber fazer.

A preocupação com o oferecimento de uma sólida formação teórico-metodológica tem sido uma constante dos programas de pós-graduação. Um aspecto crítico nesse campo da formação do pesquisador é a carência de trabalhos que objetivem claramente quais os paradigmas que norteiam nossas práticas de pesquisa, para fazer frente aos desafios que se colocam ao desenvolvimento da Psicologia como ciência.

No intuito de suprir essa deficiência, alguns trabalhos têm emergido nos últimos anos. Os professores Geraldo Romanelli e Zélia Maria Mendes Biasoli-Alves, contando com a apresentação do Prof. José Aparecido da Silva, publicaram o livro Diálogos metodológicos sobre a prática de pesquisa reunindo contribuições de docentes vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia da USP de Ribeirão Preto, e nele o leitor encontrará a siste-matização de um conjunto de estratégias de pesquisa empregadas em diferentes áreas da Psicologia.

Os trabalhos reunidos sustentam uma pluralidade de enfoques teóricos e uma diversidade de perspectivas metodológicas que refletem a heterogeneidade de abordagens e linhas de investigação desenvolvidas pelos professores e pesquisadores que compõem o Programa de Pós-Graduação em Psicologia. Cada capítulo apresenta um exercício de reflexão crítica e de raciocínio científico acurado, aplicado a questões metodológicas atuais expostas com criatividade e, sobretudo, vitalidade. Através desses estudos, o leitor é levado a descobrir como nossas posições teóricas se interligam com nossas opções metodológicas.

O pesquisador em Psicologia deve conhecer as características de cada abordagem metodológica para saber qual das estratégias melhor atende aos objetivos de sua investigação e se acercar de que a estratégia de sua escolha é realmente útil para responder às perguntas levantadas em seu estudo.

O estudante de graduação e pós-graduação encontrará nessa obra uma referência instrumental para seus trabalhos de pesquisa. O pesquisador em formação nos mais diferentes campos de investigação encontrará insumos para novas reflexões sobre os recursos metodológicos que têm pautado as estratégias de investigação utilizadas nos anos recentes. O diálogo proposto, tendo como eixo norteador a prática de pesquisa, serve como fomento para uma discussão interdisciplinar.

Tendo como propósito articular os trabalhos apresentados, tentaremos sintetizar as principais questões colocadas pelos autores dos oito capítulos que compõem a obra organizada por Romanelli e Biasoli-Alves.

Abrindo a coletânea, a Profa. Marina Massimi apresenta um trabalho extremamente original, versando sobre a História das Idéias Psicológicas no Brasil, desde o período colonial, que abrange, em suas próprias palavras, "a reconstrução dos conhecimentos e das práticas psicológicas próprios de específicos contextos sócio-culturais do passado" (Ibid.,p. 11).

Pelas mãos da Profa. Marina somos conduzidos aos primórdios da formação da nação brasileira, guiados pelo fio condutor de uma metodologia criativa e rigorosa, proposta para investigar a História da Psicologia. Quando o pesquisador elege um tema ele se depara, em primeiro lugar, com uma pluralidade de percursos possíveis. A propósito, a palavra "método" - nos ensina a Dra. Marina Massimi - tem origem etimológica na expressão grega meta odon, que significa "caminho para ". O que a autora propõe-se a apresentar é um desses caminhos possíveis, que consiste no método de investigação utilizado pelo historiador da Psicologia, numa contribuição importante para a historiografia das idéias psicológicas.

A autora compara a investigação psicológica a uma viagem imaginária que empreendemos a um país estranho ao nosso, em que o historiador se debruça sobre as nervuras desse horizonte de idéias sedimentadas pela experiência alojada no cerne da dimensão histórica. O objetivo do trabalho histórico, segundo Michel de Certeau, um dos mais célebres historiadores contemporâneos, é buscar "aquilo que somos". Portanto, a meta do conhecimento histórico, o ponto de chegada do historiador, tem a ver com sua própria origem. "O que determina esta viagem é uma busca de identidade" (Massimi, 1998, p. 13), que se materializa na escrita de diversos povos e culturas, através do tempo e do espaço, das descontinuidades e das aporias da história.

Esse trabalho contribui para a formação do pesquisador psicólogo, independentemente de sua área de atuação, à medida que leva em consideração que a dimensão histórica não é uma preocupação restrita ao historiador da Psicologia, mas permeia o próprio objeto da Psicologia e, nesse sentido, é inerente à natureza da investigação psicológica,

As professoras Maria Auxiliadora Campos Dessen e Lilian Maria Borges discorrem sobre a aplicação, em termos de vantagens e desvantagens, de diversas estratégias de observação do comportamento que têm sido utilizadas, principalmente, na área da Psicologia do Desenvolvimento. São descritos os principais métodos de observação, a saber: o Narrativo, o de Amostragem e o de Classificação, bem como seu alcance e suas limitações. São colocadas em evidência as contribuições dessa abordagem metodológica tanto para o campo do comportamento humano como animal, em diferentes contextos de atuação profissional: clínico, escolar, organizacional, hospitalar, etc. Além disso, a metodologia observacional tem sido um valioso instrumento ao pesquisador interessado em obter uma maior objetividade na coleta de dados.

Inúmeras estratégias observacionais foram elaboradas a partir das primeiras décadas do século XX: o "Registro Cursivo", a "Amostragem de Evento" e a "Amostragem de Tempo". No Brasil, o uso de estratégias de observação foi incrementado, um tanto quanto tardiamente, na década de 70, junto com a implementação dos primeiros cursos de Pós-Graduação em Psicologia, enfocando predominantemente áreas como a Análise Experimental do Comportamento e a Etologia. Somente a partir dos anos 80 esse interesse se expandiu.

O capítulo seguinte, escrito pelo Prof. Marco Antônio de Castro Figueiredo, apresenta os elementos-chave para a construção de escalas afetivo-cognitivas de atitude. O autor inicia destacando o valor instrumental da categoria atitude para estudos na área da organização do trabalho, na intervenção em saúde, educação, grupos e pesquisa mercadológica. E pontua que "especificamente para formação profissional em saúde e atuação junto à comunidade, a construção de escalas de atitude vem se afirmando como uma importante fonte de recursos para o levantamento de informações relevantes sobre crenças e representações associadas a doenças, contágio, prevenção, tratamento e formas de enfrentamento" (Figueiredo, p. 51). O capítulo se propõe a identificar e discutir algumas questões teórico-metodológicas da avaliação de atitudes, fornecendo um modelo matemático, com base na concepção de Ajzen e Fishbein (1973), de mensuração desse que é um dos conceitos mais importantes da Psicologia Social.

Os procedimentos técnicos preconizados para a construção de escalas de atitude são descritos de maneira pormenorizada, cobrindo uma série de etapas que antecedem a elaboração definitiva das escalas, com cada etapa fartamente ilustrada com exemplos, colocando o alcance e aplicabilidade do modelo teórico em discussão, bem como os limites do instrumento.

Um outra contribuição inestimável, pela originalidade de sua concepção teórico-metodológica, é oferecida pela Profa. Sônia Santa Vitaliano Graminha, que apresenta um estudo no qual são enfocados os recursos metodológicos utilizados em pesquisas sobre riscos e problemas emocionais e comportamentais na infância, enfatizando a importância de disponibilizá-los para os pesquisadores e professores da área. Com esse intuito, a autora descreve um Sistema de Categorias de Fatores Potenciais de Risco para a Saúde Mental Infantil, seguido de um Sistema de Categorias de Problemas Psicológicos Infantis e de um instrumento para avaliação de distúrbios emocionais e comportamentais na infância (Escala Comportamental Infantil A2 de Rutter, traduzida e adaptada pela autora).

O primeiro e o segundo instrumento foram elaborados com base em um trabalho exaustivo de sistematização de "dados levantados através de entrevistas com mães de crianças encaminhadas para atendimento psicológico, na tentativa de identificar os eventos e circunstâncias adversas a que a amostra foi exposta no decorrer de sua vida, bem como a problemática que motivou os pais a procurarem ajuda psicológica para o filho" (Graminha, 1998, pp. 71-72). A autora descreve, em seguida, as propriedades psicométricas da Escala A2 Adaptada, e discorre sobre os procedimentos para sua avaliação.

Dando prosseguimento à coletânea de trabalhos, Sílvia Regina Ricco Lucato Sigolo e Zélia Maria Mendes Biasoli-Alves apresentam uma proposta de sistematização da análise de dados colhidos sobre a interação mãe-criança. Parte-se da premissa de que "todas as opções que o pesquisadorfaz estão condicionadas pelo enfoque que assume, pelo tema que investiga, mas sobretudo pelos objetivos contidos em seu projeto" (Sigolo e Biasoli-Alves, 1998, p. 87). Discute-se a necessidade de definição do tipo de registro a ser utilizado (minucioso e exaustivo, a fim de permitir o levantamento de todo o repertório comportamental do sujeito nas situações observadas) e da técnica a ser empregada (uso de vídeo), a circunscrição do contexto e da situação em que a observação ocorreria (situações de rotina diária em ambiente natural) e, finalmente, a preocupação voltada para a aferição da validade dos dados colhidos, e não tanto para a sua fidedignidade, explorando-se os problemas colocados pela construção de sistemas de categorias: elaboração, testagem e definição dos sistemas de categorias.

Uma das questões mais interessantes abordadas pelo trabalho é a possibilidade de estabelecer, a partir dos dados fornecidos pela pesquisa empírica, uma progressão, dirigida por perguntas gerais que o pesquisador extrai a partir dos sistemas de categorias comportamentais descritivas já previamente elaborados e testados, que dêem respostas sobre o processo e os direcionamentos que ele assume.

Em seguida, o Prof. Geraldo Romanelli oferece uma exposição ao mesmo tempo didática e contextualizada sobre a aplicabilidade da entrevista no domínio da Antropologia, salientando as categorias de troca e alteridade. O emprego do método etnográfico tem recebido uma atenção crescente da literatura nas últimas décadas, gerando um instrumental que vêm sendo cada vez mais apropriado por pesquisadores de diferentes domínios das Ciências Humanas e Biológicas, entre os quais se incluem a Psicologia, a Educação, a Saúde e a Comunicação.

Em seu trabalho, o autor se detém na descrição das características do método etnográfico, em suas linhas gerais, e discute mais especificamente as condições de realização de entrevistas, enfocando particularmente o campo dialógico que se estabelece entre o antropólogo e os participantes da pesquisa. A situação de entrevista e a produção do discurso são temas colocados em pauta, ancorados no conhecimento de técnicas de coleta de dados prescritas pelo método etnográfico e na contínuo exercício da reflexão teórica sobre o material produzido. Cabe aí também a observaçãp participante.

O método etnográfico, originalmente aplicado no contexto das sociedades ditas primitivas, passa para o estudo de populações urbanas. "Antes de mais nada, o trabalho de campo deve ser orientado e guiado pelo olhar antropológico, que se funda no estranhamento e no conhecimento teórico" (Romanelli, 1998, p. 123). Para levar a cabo essa tarefa, um pressuposto metodológico fundamental, segundo DaMatta (1981), consiste em estudarmos a nós mesmos como se fôssemos o outro, isto é, realizar o processo de estranhar aquilo que é familiar.

O Prof. Romanelli termina seu artigo salientando que, embora a entrevista forneça dados limitados a um recorte empírico previamente estabelecido, que constitui o campo da observação, a análise deve levar em consideração a realidade social no qual o sujeito vive, isto é, o contexto macroestrutural onde são produzidas as representações que organizam a vida social e conferem sentido às ações humanas. Para tanto, é indispensável o recurso tanto ao conhecimento metodológico quanto à reflexão teórica.

A análise de métodos e estratégias utilizadas no processo de construção de "um conhecimento que se pretende científico" constitui o próximo capítulo do livro, da autoria da Profa. Zélia Maria Mendes Biasoli-Alves.

A autora inicia sua exposição com considerações acerca do significado que a ciência assume na sociedade contemporânea, como uma maneira sistemática de produzir indagações à natureza e obter respostas. A partir de uma reflexão articulada em torno de uma perspectiva histórica, pontua os diferentes períodos evolutivos da construção do conhecimento científico em Psicologia, campo no qual as questões de método emergem freqüentemente como uma variável crítica nos estudos.

A busca de identidade frente às outras áreas do saber fez com que a Psicologia procurasse se equiparar às Ciências Físicas e Naturais, adotando seus paradigmas, isto é, assumindo todo um conjunto de métodos e técnicas já consagrados pela comunidade científica. Isso levou à valorização dos pressupostos do pensamento positivista, que reconhece como válidos apenas os modelos de investigação que satisfazem os critérios de objetividade, definição operacional de variáveis, proposição de leis gerais e explicações causais, poder preditivo e resultados referendados por análises estatísticas. A autora mostra que, com o advento de novos olhares, a produção de conhecimento em Psicologia enfrentou uma crise de paradigmas, a partir da década de 70, disparada pela valorização de posições epistemológicas colocadas como antagônicas, que contrapõem os métodos quantitativos e qualitativos.

Desse modo, não existiria uma estratégia de pesquisa "boa" ou "ruim" em si mesma. Seu valor depende da adequação entre o problema a ser investigado e a maneira de abordá-lo. É preciso, portanto, mudar a ótica com que se analisa habitualmente as estratégias de pesquisa, estudando o "acerto do método escolhido frente ao objeto e aos objetivos do projeto" (Biasoli-Alves, 1998, p. 136).

Finalmente, concluindo o tomo, temos o trabalho magistral da Profa. Rosalina Carvalho da Silva, que parte da premissa de que há uma falsa dicotomia entre as abordagens de pesquisa qualitativa e quantitativa. De forma consistente e vigorosa, a Profa. Rosalina realiza uma incursão pelos paradigmas que informam e dão sentido às nossas práticas de pesquisa em Psicologia, oferecendo uma painel sucinto das questões emergentes no atual estágio do conhecimento científico. A autora parte do pressuposto de que o pesquisador que não sabe situar exatamente em que campo se insere seu trabalho de investigação, de onde se originam seus pressupostos e a que tipo de construção de conhecimento ele serve, incorre no risco de exercer uma "prática alienada de pesquisa".

Diz a autora: "É necessário que o pesquisador, muito mais do que saber defender sua posição metodológica em oposição a outras, saiba que existem diferentes lógicas de ação em pesquisa e que o importante é manter-se coerentemente dentro de cada uma delas. Além disso, é necessário que o pesquisador saiba explicitar em seu relato de pesquisa a sua opção metodológica e todo procedimento desenvolvido na construção de sua investigação e os quadros de referência que o informam " (Silva, 1998, p. 159).

A adoção de uma determinada concepção epistemológica repercute diretamente na postura que o pesquisador vai assumir frente ao objeto de conhecimento. Os positivistas e pós-positivistas almejam obter explicação para o comportamento, o que condiciona ideais de predição e controle. Já os investigadores críticos buscam a interpretação, que instigue ou facilite mudanças sociais, enquanto os construtivistas enfatizam a reconstrução dos pontos de vista dos sujeitos implicados no fenômeno que está sendo investigado.

A Profa. Rosalina conclui seu estudo postulando que as abordagens qualitativas e quantitativas mantêm entre si uma relação de complementaridade e não de incompatibilidade mútua, podendo inclusive ser integradas em um mesmo projeto de pesquisa, embora devamos reconhecer as especificidades de cada abordagem.

Em suma, o livro de Romanelli e Biasoli-Alves contribui decisivamente para ampliar a competência do investigador, trazendo à baila uma variedade de questões metodológicas que abrangem diferentes instrumentos de avaliação do comportamento humano, tais como a observação, a entrevista e as escalas, com o intuito de alertar o pesquisador e o professor sobre a necessidade de se adotar uma postura crítica frente à utilização das diferentes estratégias metodológicas e de avaliar sua adequação aos objetivos da pesquisa. A opção metodológica implica em uma postura do investigador frente à realidade que se deseja investigar. Essa postura pode ser de predição e controle, de compreensão e interpretação, ou de reconstrução e transformação.

A escolha do referencial metodológico implica também em diferentes visões sobre o processo de produção e acumulação do conhecimento científico, assim como diferentes critérios de avaliação da qualidade do conhecimento gerado. Assim, os viéses ideológicos que o pesquisador pode introduzir na condução de uma investigação não podem ser descartados, e considerá-los no processo de construção do projeto de pesquisa implica necessariamente em explicitar claramente em que bases filosóficas e em que visão de homem e de mundo esse projeto se assenta. Como assevera Silva (1998, p. 173): "Existem critérios de qualidade e rigor metodológico em todos os paradigmas, é necessário que se saiba segui-los e explicitá-los na apresentação do trabalho".

Tendemos a desconfiar da relevância social de estudos que não apontem soluções para uma sociedade em transformação como a nossa. Ao concluirmos a leitura desse instigante volume, notamos com certo alívio o quanto os autores se esforçaram para oferecerem não apenas uma descrição das complexas tramas subjacentes às abordagens metodológicas, mas também certas alternativas, o que sem dúvida agrega valor aos trabalhos publicados. Por outro lado, é preciso salientar que, por mais aperfeiçoado que seja nosso método-caminho para conhecer a realidade, o conhecimento que produzimos conserva sempre algo de insuficiente e incompleto, já que nunca se ajusta perfeitamente à realidade que se pretendia dar conta. Esse é o limite com o qual temos que trabalhar.