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Paidéia (Ribeirão Preto)

versão impressa ISSN 0103-863X

Paidéia (Ribeirão Preto) vol.11 no.20 Ribeirão Preto  2001

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-863X2001000100011 

Resenha

 

 

O livro 'Reflexões sobre Universidade, Ciência e Pós-Graduação', editado por José Aparecido da Silva, Maria de Lourdes Pires Bianchi, Oswaldo Baffa Filho e Zélia Maria Mendes Biasoli-Alves (Editora Holos) e publicado em outubro de 2001, foi prefaciado pelo professor Jacques Marcovitch, Magnífico Reitor da Universidade de São Paulo de novembro de 1997 a novembro de 2001. Trata-se de um material importante para instigar a discussão de temas atuais, mesmo porque composto a partir de apresentações de especialistas em Seminários e Simpósios organizados pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, USP, razão porque que se transcreve aqui este prefácio, como se fora uma resenha desta obra.

"O livro focado no trinômio que consta em seu título - Universidade, Ciência e Pós-Graduação- tem a permeá-lo uma questão de fundo, sempre na ordem do dia: o futuro das instituições acadêmicas. Não por acaso, esta palavra, futuro, é a principal em duas de suas partes e figura, como termo subjacente, em outras duas.

Esse futuro resultará de muitos fatores e apontá-los em conjunto, nos limites de um prefácio, seria impossível e pretensioso. Cabe-me pouco mais do que estimular o leitor a percorrer o conteúdo da obra, que em grande medida foi transcrita de debates e, portanto, desenvolvida numa linguagem viva, como é próprio das melhores discussões na academia.

Tendo participado, juntamente com três ex-Reitores da USP, do memorável encontro aqui documentado, testemunhei a relevância do que foi dito por eles e pelos demais participantes. Reunidas, estas intervenções formam um todo homogêneo, que tem como referencial a universidade de pesquisa. Este é hoje, e será cada vez mais amanhã, o perfil da Universidade de São Paulo. Em tal contexto, a Pós-Graduação, matriz indispensável da boa ciência, adquire urna importância cada vez maior.

Nas páginas seguintes, editadas com extremo zelo pelos professores José Aparecido Da Silva, Maria de Lourdes Pires Bianchi, Oswaldo Baffa Filho e Zélia Maria Mendes Biasoli Alves, outros itens relevantes da agenda acadêmica estão comentados. Chama-me a atenção o fato de que, em quase todos, a Pós-Graduação apareça de forma explícita ou implícita, com o fator vital de excelência.

Talvez não seja excessivo usar estas linhas para dizer que a força da Pós-Graduação na universidade pública está refletida no fato de que ela mantém programas de doutorado e mestrado numa proporção de dez por um, quando comparados aos do sistema privado. Mas aqui não se trata apenas de fazer comparações e sim de apontar equívocos de uma cega e radical defesa dessa mesma pós-graduação, que se costuma fazer no âmbito da universidade pública. A verdade é que alguns colegas -felizmente a minoria-, supervalorizando os méritos dessa área, querem-na intocável, sacralizada, imune às exigências da contemporaneidade. Aí se inscreve o erro de considerá-la descolada inteiramente do mundo do trabalho.

É claro que não se justifica, em hipótese alguma, qualquer subordinação dos programas de doutorado e mestrado a interesses empresariais. A universidade e a empresa são regidas por valores absolutamente próprios e distintos. São diferentes os seus ciclos de tempo, os seus objetivos e as suas motivações. Mas é necessário que haja uma complementaridade entre elas, em proveito do todo social. Nessa perspectiva, a pós-graduação não está isenta de compromissos que vão além dos muros da universidade. Ela, sem abrir mão do seu rigor científico e dos seus ciclos próprios, deve principalmente servir ao País.

É inquestionável que a titulação do corpo docente impõe-se como um dos fatores essenciais para caracterizar a excelência de uma instituição de ensino superior. Mas reconheçamos com franqueza que isso não cria necessariamente uma relação infalível de causa e efeito. É até possível que, às vezes, absorvidos com a exigência regimental de doutorado, professores descurem de suas atividades didáticas. Digamos algo mais. Digamos claramente que boa parte das teses produzidas apenas revela o já sabido e abre portas já escancaradas. É claro que estes dois pecados não justificam a satanização dos programas em vigor. Os seus méritos superam seus desvios. Mas é inegável que tais programas não pairam acima do bem e do mal e estão imunes a críticas e aprimoramentos.

O mestrado profissionalizante, por exemplo, que atualmente prospera na USP, não se ergue sobre as ruínas do modelo existente, mas virá complementá-lo, dar-lhe urna dimensão mais ampla, fazer dele um instrumento mais eficaz. Não constitui, em absoluto, uma proposta originária do mercado. Antes de ser proposta formalmente pela CAPES, ela já circulava como idéia dentro da Universidade. Agora, cuida-se de implementá-la como linha de trabalho. Fez-se uma consulta às Unidades da USP que possuem programas de Pós-Graduação e aproximadamente 80% delas foram favoráveis a iniciativa.

Sendo um indicador que reflete o desempenho das três atividade precipuas da academia -ensino, pesquisa e extensão-, a Pós-Graduação é o fio condutor do futuro. Um futuro que se constrói com as heranças do passado e esforços inovadores do presente. Tem o leitor em suas mãos o fruto de um destes esforços, empreendido pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, durante as comemorações que marcaram, entre 1999 e 2000, o transcurso dos seus 35 anos de excelência.