SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.19 issue43Multidimensional scaling applied to studies of musical appreciationPsychology in primary health care: reflexions and practical issues author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Article

Indicators

Related links

Share


Paidéia (Ribeirão Preto)

Print version ISSN 0103-863X

Paidéia (Ribeirão Preto) vol.19 no.43 Ribeirão Preto May./Aug. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-863X2009000200004 

ARTIGOS

 

Construção e validação de tarefa de Stroop Emocional para avaliação de viés de atenção em mulheres com Transtorno de Ansiedade Generalizada1

 

Construction and validation of an Emotional Stroop Task to assess attention bias in women with Generalized Anxiety Disorder

 

Construcción y validación de tarea de Stroop Emocional para evaluación de sesgo atencional en mujeres con Trastorno de Ansiedad Generalizada

 

 

Débora Cristina FavaI; Christian Haag KristensenI; Wilson Vieira MeloII; Lisiane Bizarro AraujoII

IPontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre-RS, Brasil
IIUniversidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre-RS, Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O viés de atenção para estímulos percebidos como ameaçadores pode estar envolvido na causa ou manutenção de transtornos de ansiedade. O objetivo deste estudo foi construir e testar uma tarefa de Stroop Emocional para avaliar a existência de um viés para palavras ameaçadoras em mulheres com Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). Participaram 22 mulheres, sendo 12 diagnosticadas com TAG e 10 controles emparelhados. Palavras ansiogênicas e palavras-controle foram selecionadas do banco de palavras ANEW, a lista final foi selecionada por 6 psicoterapeutas experientes. Os participantes demonstraram viés de atenção para palavras ansiogênicas, sem haver diferença entre os dois grupos. A tarefa de Stroop desenvolvida foi suficientemente sensível para detectar o viés de atenção para estímulos percebidos como ameaçadores e pode ser útil para avaliar intervenções clínicas no futuro.

Palavras-chave: atenção, atenção seletiva, ansiedade, distúrbios da ansiedade.


ABSTRACT

Attention bias for stimuli perceived as threatening can be involved on the cause or maintenance of anxiety disorders. This study aimed to construct and test an Emotional Stroop task to evaluate the existence of bias for threatening words in women with Generalized Anxiety Disorders (GAD). Participants were 22 women, 12 diagnosed with GAD and 10 matched control. Anxiogenic words and control words were selected from the bank of words ANEW and 6 experienced psychotherapists selected the final list. All participants showed attention bias for threatening words with no differences between the groups. The task was sufficiently sensitive to detect attention bias and can be useful to detect attention bias concerning stimuli perceived as threatening and to evaluate future clinical interventions.

Keywords: attention, selective attention, anxiety, anxiety disorders.


RESUMEN

El sesgo atencional para estímulos percibidos como amenazadores puede contribuir como causa o factor mantenedor de los trastornos de ansiedad. El objetivo de este estudio fue construir y aplicar la tarea de Stroop Emocional, para evaluar la existencia de un sesgo atencional para palabras amenazadoras, en mujeres con Trastorno de Ansiedad Generalizada (TAG). Participaron 22 mujeres, 12 de ellas pacientes diagnosticadas con TAG y 10 sin este diagnóstico. Palabras ansiogénicas y palabras controles fueron seleccionadas del banco de palabras ANEW, por 6 psicoterapeutas experimentados. Los resultados demostraron un aumento del tiempo promedio de ejecución de la lista de palabras ansiogénicas (sesgo atencional), pero no arrojaron diferencias entre los grupos. La tarea de Stroop desarrollada fue lo suficientemente sensible como para detectar el sesgo atencional para estímulos percibidos como amenazantes en este muestreo, y se discute la importancia de utilizar estos datos, y de otros estudios, para fundamentar intervenciones clínicas más específicas.

Palabras clave: atención, atención selectiva, ansiedad, transtornos de la ansiedad.


 

 

Atenção e ansiedade são dois importantes temas que vêm sendo estudados no campo da Psicologia, tanto em nível experimental, na área dos processos cognitivos básicos, quanto em um contexto clínico (Puliafico & Kendall, 2006). A presente pesquisa insere-se no campo da Psicologia Cognitiva Experimental, sob a abordagem do Processamento de Informação, utilizando os modelos teóricos de atenção.

A atenção é o fenômeno pelo qual processamos ativamente, por meio de nossos sentidos, de nossas memórias armazenadas e de outros processos cognitivos, uma quantidade limitada de informações do enorme montante de informações disponíveis (Eysenck & Keane, 2007; Puliafico & Kendall, 2006). Embora não haja consenso entre os autores a respeito da definição de "atenção", sabe-se que este sistema desempenha diversas funções no processamento cognitivo, tais como: a atenção seletiva, na qual o indivíduo escolhe prestar atenção a alguns estímulos e ignorar outros; a vigilância, em que se espera atentamente detectar o aparecimento de um estímulo específico; e a sondagem, na qual se procura ativamente estímulos particulares e a atenção dividida. Nesta, distribuem-se os recursos de atenção disponíveis para coordenar o desempenho de mais de uma tarefa ao mesmo tempo (Puliafico & Kendall, 2006; Sternberg, 2007).

No presente estudo busca-se abordar, especificamente, a atenção visual seletiva, posto que o viés de atenção para estímulos percebidos como ameaçadores, e consequentemente ansiogênicos, parece estar envolvido nos quadros de ansiedade (Mohlman & Gorman, 2005). Alguns importantes estudos foram realizados para avaliar os efeitos da ansiedade na atenção em humanos (Clark, 1999; Mogg & Bradley, 2005).

A experiência ansiosa é um resultado advindo da percepção/interpretação de um evento como ameaçador, tanto física como psicologicamente, que dispara uma reação do organismo, além de respostas comportamentais de fuga ou enfrentamento. O sentimento de apreensão, tensão, nervosismo e/ou medo, juntamente com uma resposta fisiológica de excitação cardiovascular, digestiva, sensorial, endócrina, além do sistema musculoesquelético, dão à ansiedade uma característica bastante peculiar (Harrigan, Wilson, & Rosenthal, 2004).

Os transtornos de ansiedade constituem campo importante de investigação, tanto na área de estudos psicopatológicos e de psicoterapias como na pesquisa social, devido ao fato de a ansiedade atingir grande porcentagem da população, causando incapacidade temporária ou permanente nas pessoas (Brown, O'Leary, & Barlow, 1999; Barlow, Rapee, & Brown, 1992; Hazlett-Stevens & Craske, 2003). O Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) é caracterizado pelo excesso de preocupações relacionadas a uma variedade imensa de estímulos, somada à presença de sintomas físicos, tais como, dores pelo corpo, sudorese, palpitações, alterações dos padrões de sono, dentre outros. A prevalência do TAG é duas vezes maior em mulheres do que em homens (American Psychiatry Association, 2002), o que motivou optar-se, neste estudo, por estudar uma amostra composta exclusivamente por mulheres.

No TAG, o comportamento ansioso é eliciado por estímulos internos e/ou externos e é resultante de gerenciamentos feitos pelos processos cognitivos superiores e também primitivos (Ladouceur, Léger, Dugas, & Freeston, 2004). Estes processos, por sua vez, estão condicionados aos conhecimentos básicos do sujeito a respeito de si mesmo e do ambiente (conhecimento explicativo), a partir dos quais formula as produções (estrutura de conhecimento procedural). Os conhecimentos explicativos são oriundos das representações mentais que o sujeito constrói a partir de seu contato com o meio ambiente e pelas elaborações realizadas no processo de armazenagem de conhecimentos na memória de longa duração. Quando se trata das representações que o sujeito constrói a partir de sua interação com o ambiente, refere-se tanto ao ambiente no sentido físico quanto psicossocial (Barlow e cols., 1992; Wetherell e cols., 2005; Ladouceur e cols., 2004).

Indivíduos clinicamente ansiosos demonstram um padrão de processo seletivo que opera de modo a favorecer a codificação de informação ameaçadora (Williams, Mathews, & MacLeod, 1996). Este viés de atenção foi verificado em uma gama extensa de transtornos ansiosos como, por exemplo, nas pessoas com Transtorno de Ansiedade Generalizada (Mogg, Mathews, & Weinman, 1989). O viés de atenção é um fenômeno que consiste em uma busca automática da atenção por estímulos específicos no ambiente (MacLeod, Mathew, & Tata, 1986). Aparentemente, qualquer canal sensorial pode apresentar algum viés de atenção em seu funcionamento.

Alguns estudos têm demonstrado a existência de um viés de atenção nos quadros de ansiedade (Mohlman & Gorman, 2005; Moog & Bradley, 2005; Puliafico & Kendall, 2006; Salemink, Van Der Hout, & Kindt, 2007). Por exemplo, antes de receberem tratamento cognitivo-comportamental, pacientes com Transtorno de Ansiedade Generalizada apresentaram interferência na atenção quando precisavam nomear as cores nas quais tinham sido impressas as palavras de conteúdo negativos em uma tarefa de Stroop (Moog, Bradley, Millar, & White, 1995). Em outro estudo, demonstrou-se que pessoas altamente ansiosas apresentaram tendência a aumentar a quantidade de recursos de atenção dirigidos para o ambiente em contextos ameaçadores, ou seja, apresentaram um viés de atenção para informações negativas neste contexto (Mercado, Carretié, Tapia, & Gómez-Jarabo, 2006). Também foi observado que ansiedade e evitação de atenção estiveram associadas a uma polarização do canal de atenção para palavras ameaçadoras (Dewitte, Koster, Houwer, & Buysse, 2007). Pesquisas realizadas em bases de dados e em periódicos on line no período de março a agosto de 2007 encontraram apenas um trabalho sobre este tema no Brasil (Montagnero, 2004), o que evidencia a necessidade de publicações acerca desta importante temática. Neste estudo, com 60 participantes universitários, comparou-se o desempenho de sujeitos com diversos graus de ansiedade frente às tarefas de Stroop emocional e clássica (Montagnero, 2004). Os resultados mostraram que os participantes mais ansiosos levaram significativamente mais tempo para nomear as cores das palavras ameaçadoras que o grupo dos menos ansiosos, não havendo diferença significativa entre os grupos quando realizaram a tarefa clássica. Tais resultados sugerem que existe um aumento dos recursos de atenção para estímulos ameaçadores à proporção que o grau de ansiedade aumenta.

Pesquisadores que utilizaram o Stroop Emocional para investigar o viés de atenção nos transtornos de ansiedade têm explicado sua existência por meio do modelo de esquemas de Beck (Beck, Emery, & Greemberg, 1985) e da teoria das redes de Bower (Bower, 1981). Para estes autores, os estímulos atraem uma quantidade desproporcional de recursos de atenção, causando maior desgaste no processamento da informação, uma vez que ativa as redes de conhecimento de ameaças pessoais dos indivíduos ansiosos (Williams e cols., 1996).

O objetivo geral deste estudo é desenvolver uma lista de palavras para construção de uma Tarefa de Stroop Emocional e avaliar se existe um viés de atenção para estímulos percebidos como ameaçadores e consequentemente envolvidos nos processos de geração e manutenção de ansiedade em pacientes diagnosticados com TAG.

 

Método

Estudo 1: construção da tarefa

Participantes

Para a construção dessa tarefa, participaram ao todo seis juízes especialistas no diagnóstico de Transtorno de Ansiedade Generalizada, que foram divididos em dois grupos de três componentes. Uma lista de palavras foi dividida em dois conjuntos de 30 palavras de alto nível de ansiedade segundo ANEW. Cada juiz recebeu uma lista, três juízes avaliaram uma das listas, individualmente, e os outros três avaliaram as demais 30 palavras cada um. O grupo de juízes foi composto por psicoterapeutas de uma clínica de Psicoterapia Cognitivo-Comportamental localizada em Porto Alegre-RS. A opção de dividir os juízes em dois grupos distintos deu-se para que as palavras que perfaziam as listas fossem embaralhadas a fim de que sua ordem não fosse alterada em função do possível cansaço dos juízes ao final da tarefa. O primeiro grupo de juízes foi constituído por duas mulheres e um homem, com idade entre 27 e 35 anos, já o segundo grupo foi formado por dois homens e uma mulher, com idade entre 28 e 37 anos.

Instrumentos

As palavras utilizadas para este estudo são oriundas do Affective Norms for English Words (ANEW). Este banco de palavras foi inicialmente desenvolvido por Bradley e Lang (1999) e fornece um conjunto normativo de avaliações emocionais para um grande número de palavras na língua inglesa, sendo distribuído pelo National Institute of Mental Health por meio da Universidade da Flórida.

Procedimentos

Este trabalho foi submetido à avaliação da Comissão Científica da Faculdade de Psicologia e do Comitê de Ética em Pesquisa da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. A adaptação do ANEW para a língua portuguesa foi realizada por meio dos seguintes procedimentos: (a) tradução do inglês para o português; (b) retradução (back translation) de cada palavra por, ao menos, dois pesquisadores de forma independente; (c) análise comparativa das listas de palavras realizada ao longo de seis sessões por juízes, em número ímpar, variando entre três e cinco pessoas; (d) obtenção de consenso - atingido em 94,4% das palavras (n=976). Não se obteve consenso em 4,15% das palavras (n=43), que foram enviadas a dois juízes independentes do estudo. Palavras, para as quais não se encontraram traduções satisfatórias, ou que foram traduzidas por palavras compostas, foram descartadas, totalizando 1,45% (n=15) da lista inicial. Outras palavras com conteúdo emocional foram adicionadas à lista inicial, totalizando 1046 palavras (Saatkamp e cols., 2003). Foram então coletadas normas afetivas para as dimensões de valência e ativação para a lista de 1046 palavras em uma amostra de 755 participantes, matriculados em diferentes cursos em uma universidade privada e em uma universidade pública na região metropolitana de Porto Alegre. Tais procedimentos permitiram obter parâmetros normativos de valência e ativação para a posterior utilização deste banco de palavras para o estudo experimental das emoções (Kristensen, Vieira, Kochhann, Silveira, & Parente, 2007).

A partir das normas para o conjunto de palavras em língua portuguesa, foram empregados os critérios de elevado nível de ativação e valência negativa para a seleção de 60 palavras consideradas ativadoras de ansiedade, separadas aleatoriamente em dois conjuntos de 30 palavras a serem avaliadas pelos juízes. Após essa primeira etapa, seis juízes especialistas no diagnóstico de Transtorno de Ansiedade Generalizada foram divididos em dois grupos de três. Cada um dos juízes fez uma avaliação cega das palavras, isto é, sem conhecimento da análise dos demais. Os juízes avaliaram-nas individualmente e categorizaram-nas em uma escala Likert entre muito característico ou pouco característico do funcionamento cognitivo de pacientes com TAG. A partir da categorização das palavras, construiu-se uma lista de vinte palavras com maior nível de ativação de ansiedade de acordo com a escala Likert.

A terceira etapa constituiu-se em escolher palavras neutras para a segunda lista de palavras da tarefa de Stroop Emocional. A lista de palavras-controle foi obtida também do ANEW. Essas palavras foram selecionadas por seu baixo nível de ativação e valência neutra. Retiraram-se as sessenta palavras de menor nível de ativação e buscou-se escolher aquelas mais próximas em termos de número de sílabas e fonética para criar a lista de palavras-controle. Após as palavras ansiogênicas e neutras terem sido selecionadas, escolheram-se o marrom, o preto, o rosa, o azul e o verde para nomeação das cores em que a palavra seria escrita. Na impressão de cada lista da tarefa, arrolaram-se vinte palavras, ansiogênicas ou neutras, repetidas em cinco colunas, totalizando cem palavras.

Estudo 2: validação da tarefa por pacientes com Transtorno de Ansiedade Generalizada

Participantes

Vinte e duas mulheres participaram deste estudo, sendo doze com Transtorno de Ansiedade Generalizada e dez controles. As participantes com TAG foram selecionadas por conveniência em uma clínica de atendimento ambulatorial em saúde mental, onde se encontravam em tratamento para esse transtorno. O grupo controle, também uma amostra de conveniência, foi recrutado na comunidade, respeitando-se o pareamento quanto à idade, à escolaridade, ao nível de atividade funcional e ao nível socioeconômico. Com relação ao grupo com TAG, não se estipulou um tempo mínimo ou máximo em psicoterapia, tampouco foram definidos critérios com relação ao uso de medicamento psiquiátrico. Os critérios de inclusão foram ter idade superior a 18 anos, ser do sexo feminino, ter nível de escolaridade igual ou superior ao ensino médio completo e residir na cidade ou região metropolitana de Porto Alegre-RS. Esses sujeitos compuseram a amostra que se submeteu à avaliação do Stroop Emocional desenvolvido neste estudo, a fim de verificar a existência de um viésde atenção.

Os participantes do grupo experimental e controle têm idade variável entre 20 a 60 anos (Med=29,50; AT=40). Quanto à escolaridade, os participantes variaram entre 11 a 18 anos de estudo (Med=16; AT=7). Procurou-se verificar, através do teste de Mann-Whitney para amostras independentes, possíveis diferenças entre os grupos nos critérios de pareamento de idade e escolaridade. Não foram observadas diferenças significativas entre os grupos quanto à idade, z(22)=-0,29; p=0,766. Da mesma forma, não foram observadas diferenças significativas quanto à escolaridade (mensurada em anos de estudo) entre os grupos, z(21)=-0,45; p=0,65.

Instrumentos

O Stroop Emocional (Modified Stroop Color Naming Procedure) é uma versão modificada do teste de atenção visual seletiva desenvolvido por John Ridley Stroop em 1935 (Sternberg, 2007). Na versão modificada, pergunta-se aos participantes o nome das cores nas quais foram impressas palavras especificamente relevantes para sua psicopatologia, bem como o nome da cor de palavras neutras ou positivas (Williams, Mathews, & MacLeod, 1996; Williams, Watts, MacLeod, & Mathews, 1988). Trata-se de um teste que vem sendo utilizado em um grande número de estudos e tem mostrado aumento do tempo de latência nas respostas para a lista de palavras específicas (Cassiday, McNally, & Zeitlin, 1992; Foa, Feske, Murdock, Kozak, & McCarthy, 1991; Freeman & Beck, 2000; Kaspi, McNally, & Amir, 1995; Kindt, Bogels, & Morren, 2003; Kristensen, 2005; Taghavi, Dalgleish, Moradi, Neshat-Doost, & Yule, 2003). Para marcar os tempos de respostas em cada lista utilizou-se um cronômetro digital.

O Beck Anxiety Inventory (BAI) é uma escala desenvolvida para avaliação dos sintomas de ansiedade, tanto em pacientes psiquiátricos quanto na população em geral (Beck & Steer, 1993). A escala foi validada para a população brasileira por Cunha (2001).

Procedimentos

O projeto foi submetido à avaliação da Comissão Científica da Faculdade de Psicologia e do Comitê de Ética em Pesquisa da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido além de uma carta de autorização, na qual consentiam seus psicoterapeutas a fornecerem dados para os autores deste estudo.

Para a avaliação de viés de atenção, a tarefa de Stroop Emocional foi aplicada nos pacientes com TAG e posteriormente no grupo controle, a fim de avaliar a influência de um viés de atenção para estímulos percebidos como ameaçadores no Transtorno de Ansiedade Generalizada. A aplicação dos instrumentos nos grupos foi realizada nas dependências de uma clínica. As tarefas que compõem o protocolo de pesquisa foram aplicadas pela primeira autora deste estudo, que não era cega para o diagnóstico ou resultado do BAI do participante. Foi realizada a aplicação do BAI com a finalidade de avaliar se existiam sintomas de ansiedade que pudessem interferir no resultado da tarefa de Stroop Emocional. Nos participantes de ambos os grupos em que o BAI tivesse resultado acima do ponto de corte mínimo, o participante seria excluído da amostra. Entretanto, nenhum participante do grupo controle teve pontuação significativa. Em ambos os grupos, pacientes e controle, a aplicação dos instrumentos ocorreu em um único encontro individual. As informações de dados descritivos dos participantes do grupo experimental, tais como escolaridade, idade, nível socioeconômico e diagnóstico de TAG, foram obtidas diretamente com os profissionais que estavam conduzindo o tratamento, mediante autorização por escrito dos participantes.

Análise de dados

Para cada participante, foram levantados os tempos de resposta para a lista de palavras neutras e para a lista de palavras consideradas ansiogênicas, ou seja, foi considerado o tempo em segundos para completar a nomeação das cores das palavras em cada uma das listas. Os escores (em segundos) foram tabulados em planilha eletrônica, a análise descritiva envolveu o cálculo de média, o desvio-padrão e as propriedades de distribuição das variáveis. A estatística inferencial envolveu a análise de variância para delineamento misto. O cálculo estatístico foi realizado através do procedimento de Modelo Linear Geral para Medidas Repetidas no programa estatístico SPSS for Windows (versão 11.0), no qual Grupo (pacientes com TAG versus controles) foi empregado como fator entre grupos (between-subjects) e Palavras (neutras versus ansiogênicas) foi empregado como fator intrassujeitos (within-subjects). O tamanho do efeito (effect size) descrito nos resultados foi o eta parcial ao quadrado (partial eta squared, ηp2).

 

Resultados

Os resultados da análise descritiva estão apresentados na Tabela 1. Conforme pode ser visualizado nesta tabela, a nomeação de cores na lista de palavras ansiogênicas foi mais lenta para os dois grupos do que a nomeação de cores na lista de palavras neutras. Por sua vez, a utilização do procedimento de Modelo Linear Geral permitiu verificar diferença significativa no fator intrassujeitos (Palavras), F(1, 20)=5,147; p=0,035; ηp2=0,205. Este resultado, conforme será discutido posteriormente, é de grande relevância para o estudo, pois sugere um efeito geral do tipo de palavra (neutra versus ansiogênica) no processamento de atenção dos participantes, ainda que o tamanho do efeito seja pequeno.

Nesta mesma tabela, é possível visualizar escores médios mais elevados no tempo de nomeação de cores para os pacientes com TAG em comparação aos participantes do grupo controle. No entanto, esta diferença observada não se mostrou estatisticamente significativa (F(1, 20)=2,562; p=0,125; ηp2=0,114). Finalmente, não foi detectado um efeito de interação significativo nas variáveis Palavras versus Grupo (F(3, 20)=3,271; p=0,086; ηp2=0,141). Isso significa que, apesar da diferença na nomeação de cores em termos de processamento quanto ao tipo de palavra, não foi identificado o resultado esperado. Ou seja, não parece haver uma especificidade no processamento das palavras ansiogênicas em função do diagnóstico de TAG.

 

Discussão

Os resultados evidenciaram maior tempo de proces-samento cognitivo na lista de palavras ansiogênicas quando comparadas à lista de palavras-controle, veja os valores médios apresentados na Tabela 1. Este dado é o mais importante achado do presente estudo, pois o objetivo foi construir uma Tarefa de Stroop Emocional e avaliar se existe um viés de atenção para estímulos percebidos como ameaçadores. Este resultado sugere que os estímulos escolhidos como ansiogênicos na construção desta tarefa dificultaram a nomeação de cores na tarefa de Stroop, corroborando outros estudos que sugerem que o processamento da informação pode sofrer uma influência por meio de uma sobrecarga do sistema cognitivo, lentificando o desempenho na execução da tarefa (Dewitte, Koster, Houwer, & Buysse, 2007; MacLeod, 1991; Mogg e cols., 1995).

Dados encontrados na literatura (Dewitte e cols., 2007; Hazlett-Stevens & Craske, 2003; Kindt e cols., 2003; Mercado e cols., 2006; Mogg & Bradley, 2005; Moog e cols., 1995; Moog e cols., 1989; Puliafico & Kendall, 2006; Williams e cols., 1996) evidenciam que pacientes com TAG apresentam aumento do tempo médio de execução da tarefa. Isso pode indicar um processamento de atenção mais lento em razão da ativação dos esquemas relacionados ao funcionamento ansioso dos pacientes. Entretanto, também pode sugerir que a própria realização de uma tarefa para esses pacientes já possa ser ansiogênica. No presente estudo, apesar de se observar um tempo médio de execução da tarefa um pouco maior entre as mulheres com TAG, as participantes do grupo controle também apresentaram este viés de atenção.

A ausência de diferença entre os grupos pode estar relacionada ao tamanho reduzido da amostra, entretanto ela foi suficiente para indicar o efeito das palavras ansiogênicas. Uma outra razão seria que o desempenho da amostra tende a ser mais lento em pessoas mais escolarizadas, uma vez que, ao ativar duas rotas corticais para a identificação da cor, é preciso inibir a leitura (Sternberg, 2007). Contudo, como as amostras foram pareadas neste estudo, não se atribui a este fator a diferença encontrada no tempo de execução da tarefa entre os diferentes grupos.

A explicação mais provável para a ausência de diferença entre os grupos seriam os tratamentos psicoterápicos e psicofarmacológicos em andamento no grupo das mulheres com TAG. Em outras palavras, é possível dizer que os pacientes atendidos há mais tempo já apresentam alguma alteração no seu funcionamento cognitivo, o que explicaria tal amplitude nos tempos encontrados (Clark, 1999). Seria necessário avaliar pacientes antes e depois de tratamentos para TAG, para confirmar a eficácia do tratamento em modificar o viés da atenção.

Outra possibilidade explicativa para tal discrepância é o fato de que o perfil do funcionamento da atenção dos indivíduos com TAG pode ser pouco específico. Alguns indivíduos apresentam maior preocupação ao processarem estímulos visuais, como é o caso da tarefa de Stroop Emocional, e outros podem ter uma maior ativação do funcionamento ansioso ao processarem estímulos auditivos. Portanto, dentre os participantes da amostra, alguns poderiam ter obtido resultados diferentes se o estudo avaliasse o viés de atenção por outras vias que não somente por estímulos visuais, diminuindo a discrepância entre -os resultados. A atenção é um ponto de partida para o processamento dos estímulos do ambiente (Eysenck & Keane, 2007).

Dados qualitativos podem ser ricos para entender os fenômenos encontrados no funcionamento da atenção. No que concerne à ocupação, por exemplo, uma participante do grupo com TAG, que, curiosamente, obteve seu menor tempo de execução na lista de palavras consideradas ansiogênicas, relatou maior preocupação durante a lista das palavras neutras, que continham, além de outras palavras, nomes de móveis e utensílios domésticos. Após o término da tarefa, ao ser questionada, a participante afirmou que, em sua atividade profissional, trabalha com diversos produtos que estavam escritos na lista de palavras neutras. Ao realizar a tarefa, a atenção da participante era mais direcionada para as palavras neutras do que para as palavras ansiogênicas, pois sua preocupação estava diretamente ligada com possíveis problemas ou tarefas que deveria realizar em seu trabalho. No TAG, encontra-se, como base do transtorno, uma apreensão ansiosa que é orientada para o futuro, entretanto, apesar de a ansiedade ser generalizada, ela pode estar mais focada para um ou outro contexto da vida do indivíduo. Sendo assim, em pacientes com TAG, a lista de palavras neutras pode conter palavras com uma valência emocional que deve ser investigada quando da aplicação do instrumento.

A tarefa de Stroop Emocional construída para este estudo mostrou-se sensível para detectar o viés de atenção para palavras ansiogênicas em mulheres. Contudo, algumas limitações podem ser consideradas, tais como o tamanho reduzido da amostra, o fato de que os pacientes foram diagnosticados pelos próprios terapeutas, assim como, o fato de que nenhuma escala para a confirmação de tal diagnóstico ter sido utilizada. Além disso, o tempo em que os participantes se encontravam em psicoterapia ou em uso de medicação prescrita não foi controlado, e a aplicadora do protocolo de pesquisa não era cega para o diagnóstico e resultado do BAI.

Apesar de tais limitações, acredita-se que os resultados encontrados são relevantes, não só para a pesquisa básica, mas também para auxiliar a prática clínica de quem trabalha com pacientes com o TAG. O Stroop Emocional pode ser útil na avaliação de intervenções e de mudança nos padrões de atenção encontrados em tais indivíduos. Espera-se que, em um futuro próximo, mais estudos possam utilizar este instrumento e assim contribuir para a resolução de questões que surgem a partir de pesquisas como esta apresentada. Sugere-se que os próximos trabalhos nesta área possam enfocar aspectos ainda não completamente esclarecidos sobre o funcionamento do TAG, como a presença de diferentes vieses em diferentes canais de atenção Também aponta-se a necessidade de trabalhar com amostras maiores, apesar da dificuldade inerente a amostras clínicas. Uma vez que este transtorno pode ser mais bem conhecido e menos negligenciado nas práticas diagnósticas, é importante que novos estudos ajudem a construir um conhecimento mais sólido e bem fundamentado sobre ele.

 

Referências

American Psychiatry Association. (2002). Manual diagnóstico e estatístico dos transtornos mentais - DSM-TR (4a ed.). Porto Alegre: Artmed.         [ Links ]

Beck, A. T., Emery, G., & Greenberg, R. L. (1985). Anxiety disorders and phobias: A cognitive perspective. New York: Basic Books.         [ Links ]

Beck, A. T., Steer, R. A. (1993). Beck Anxiety Inventory manual. San Antonio, TX: Psychological Corporation.         [ Links ]

Barlow, D. H., Rapee, R. M., Brown, T. A. (1992). Behavioral treatment of generalized anxiety disorder. Behavior Therapy, 23, 551-570.         [ Links ]

Bower, G. H. (1981). Mood and memory. American Psychologist, 36, 129-148.         [ Links ]

Bradley, M. M., & Lang, P. J. (1999). Affective Norms for English Words (ANEW): Stimuli, instruction manual and affective ratings (Rel. No. C1 - Center for Research in Psychophysiology). Gainesville, FL: University of Florida.         [ Links ]

Brown, T. A., O'leary, T. A., & Barlow, D. H. (1999). Transtorno de ansiedade generalizada. In D. H. Barlow (Org.), Manual clínico dos transtornos psicológicos (pp. 161-216). Porto Alegre: Artmed.         [ Links ]

Cassiday, K. L., McNally, R. J., Richard, J., & Zeitlin, S. B. (1992). Cognitive processing of trauma cues in rape victims with post-traumatic stress disorders. Cognitive Therapy and Research, 16, 283-295.         [ Links ]

Clark, D. M. (1999). Anxiety disorders: Why they persist and how to treat them. Behaviour Research and Therapy, 37, S5-27.         [ Links ]

Cunha, J. A. (2001). Manual da versão em português das Escalas Beck. São Paulo: Casa do Psicólogo.         [ Links ]

Dewitte, M., Koster, E. H. W., Houwer, J., D., & Buysse, A. (2007). Attentive processing of threat and adult attachment: A dot probe study. Behaviour Research and Therapy, 1010-1016.         [ Links ]

Eysenck, M. W., & Keane, M. T. (2007). Psicologia cognitiva: Um manual introdutório. Porto Alegre: Artmed.         [ Links ]

Freeman, J. B., & Beck, J. G. (2000). Cognitive interference for trauma cues in sexually abused adolescent girl with posttraumatic stress disorder. Journal of Clinical Child & Adolecent Psychology, 29, 245-256.         [ Links ]

Foa, E. B., Feske, U., Murdock, T. B., Kozak, M. J., & McCarthy, P. R. (1991). Processing of threat-related information in rape victims. Journal of Abnormal Psychology, 100, 156-162.         [ Links ]

Harrigan, J. A., Wilson, K., & Rosenthal, R. (2004). Detecting state and trait anxiety from auditory and visual cues: A meta-analysis. Personality and Social Psychology Bulletin, 30, 56-66.         [ Links ]

Hazlett-Stevens, H., & Craske, M. G. (2003). The catastrophizing worry process in generalized anxiety disorder: A preliminary investigation of an analog population. Behavioral and Cognitive Psychotherapy, 31, 387-401.         [ Links ]

Kaspi, S. P., McNally, E. J., & Amir, N. (1995). Cognitive processing of emotional information in posttraumatic stress disorder. Cognitive Therapy and Research, 19, 433-444.         [ Links ]

Kindt, M., Bogels, S., & Morren, M. (2003). Processing bias in children with separation anxiety disorder, social phobia, and generalized anxiety disorder. Behaviour Change, 20, 143-150.         [ Links ]

Kristensen, C. H. (2005). Estresse pós-traumático: Sintomatologia e funcionamento cognitivo. Tese de doutorado não-publicada, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.         [ Links ]

Kristensen, C. H., Vieira, K., Kochhann, R., Silveira, M., & Parente, M. A. M. P. (2007). Normas brasileiras para o Affective Norms for English Words (ANEW). Revista Argentina de Neuropsicología, 10, 95-96.         [ Links ]

Ladouceur, R., Léger, É., Dugas, M., Freeston, M. H. (2004). Cognitive behavioral treatment of Generalized Anxiety Disorder (GAD) for older adults. International Psychogeriatrics, 16, 195-207.         [ Links ]

MacLeod, C. (1991). Half a century of research on the Stroop effect: An integrative review. Psychological Bulletin, 109, 163-203.         [ Links ]

MacLeod, C., Mathew, A., & Tata, P. (1986). Attentional bias in emotional disorders. Journal of Abnormal Psychology, 95, 15-20.         [ Links ]

Mercado, F., Carretié, M. T., Tapia, M., & Gómez-Jarabo, G. (2006). The influence of emotional context on attention in anxious subjects: Neurophysiological correlates. Journal of Anxiety Disorders, 20, 72-84.         [ Links ]

Mogg, K., & Bradley, B. P. (2005). Attentional bias in generalized anxiety disorder versus depressive disorder. Cognitive Therapy and Research, 29, 29-45.         [ Links ]

Mogg, K., Bradley, B. P., Millar, N., & White, J. (1995). A follow-up study of cognitive bias in generalized anxiety disorder. Behavior Research and Therapy, 33, 927-935.         [ Links ]

Mogg, K., Mathews, A. M., & Weinman, J. (1989). Selective processing of threat cues in anxiety states: A replication. Behaviour Research and Therapy, 27, 317-323.         [ Links ]

Mohlman, J., & Gorman, J. M. (2005). The role of executive function in CBT: A pilot study with anxious older adults. Behavior Research and Therapy, 43, 447-465.         [ Links ]

Montagnero, A. V. (2004). Um estudo cognitivo sobre a relação entre traços de ansiedade e atenção seletiva através de tarefas de Stroop. Dissertação de mestrado não-publicada, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, SP.         [ Links ]

Puliafico, A. C., & Kendall, P. C. (2006). Threat-related attentional bias in anxious youth: A review. Clinical Child and Family Psychology Review, 9, 162-180.         [ Links ]

Salemink, E., Van Den Hout, M., & Kindt, M. (2007). Selective attention and threat: Quick orienting versus slow disengagement and two versions of the dot probe task. Behaviour Research and Therapy, 45, 607-615.         [ Links ]

Saatkamp, E., Weber, L., Kochhann, R., Silveira, M., Da Rosa, D., Farias, D., Almeida, R., Kristensen, C. H., & Parente, M. Adaptação de uma lista de palavras emocionais para a língua portuguesa. Salão de Iniciação Científica, 15, 859-859.         [ Links ]

Sternberg, R. (2007). Psicologia cognitiva. Porto Alegre: Artmed        [ Links ]

Taghavi, M. R., Dalgleish, T., Moradi, A. R., Neshat-Doost, H. T., & Yule, W. (2003). Seletive processing of negative emotional information in children and adolescents with generalized anxiety disorder. British Journal of Clinical Psychology, 42, 221-230.         [ Links ]

Wetherell, J. L., Hopko, D. R., Diefenbach, G. J., Averill, P. M., Craske, Beck, J. G., M. G., Gatz, M., Novy, D. M., & Stanley, M. A. (2005). Cognitive-behavioral therapy for late-life generalized anxiety disorder: Who gets better? Behavior Therapy, 36, 147-156.         [ Links ]

Williams, J. M. G., Mathews, A., & Macleod, C. (1996). The emotional stroop task and psychopathology. Psychological Bulletin, 120, 3-24.         [ Links ]

Williams, J. M. G., Watts, F. N., MacLeod, C., & Mathews, A. (1988). Cognitive psychology and emotional disorders. New York: Wiley.         [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência:
Débora Cristina Fava
Rua Santa Cecília, 1556
CEP 90.420-040. Porto Alegre-RS, Brasil
E-mail: fava@terapiascognitivas.com.br

Recebido: 13/05/2008
1ª revisão: 05/11/2008
2ª revisão: 27/01/2009
3ª revisão: 19/03/2009
Aceite final: 08/05/2009

 

 

Débora Cristina Fava é pós-graduanda em Psicoterapia Cognitivo-Comportamental pelo Curso de Especialização da WP-Centro de Psicoterapia Cognitivo-Comportamental, Porto Alegre.
Christian Haag Kristensen é Professor Adjunto da Faculdade de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.
Wilson Vieira Melo é doutorando em Psicologia pelo Programa de Pós-graduação em Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Lisiane Bizarro Araújo é Professora Adjunta do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
1 Trabalho derivado da Monografia de Conclusão de Curso da primeira autora.