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Paidéia (Ribeirão Preto)

Print version ISSN 0103-863X

Paidéia (Ribeirão Preto) vol.19 no.43 Ribeirão Preto May./Aug. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-863X2009000200016 

RESENHA

 

Leitura, escrita e compreensão

 

 

Geraldina Porto Witter

Universidade Camilo Castelo Branco, São Paulo-SP, Brasil

Endereço para correspondência

 

 

Hampton, S., & Resnick, L. B. (2009). Reading and writing with understanding. Newark, NJ: IRA & New Standards.

 

As duas autoras do livro são conhecidas pesquisadoras na área da aprendizagem, da leitura e da escrita. Sally Hampton está atualmente vinculada à importante instituição America's Choice, Inc., no Texas e Lauren B. Resnick é professora e diretora do Learning and Development Center da University of Pittsburgh, na Pennsylvania. Ambas atuaram na elaboração dos novos padrões de ensino de leitura e escrita para o U. S. Department of Education, trabalho em que contaram com vários colaboradores.

O livro tem por suporte os diversos padrões já estabelecidos, o primeiro em 1997, e quatro outros definidos em 2008. Compreende oito capítulos e uma breve introdução em que enfatizam a 4ª e 5ª séries, nos quais procuram dar respostas às muitas dúvidas dos professores tendo por base mais de vinte anos de pesquisas e atuação na área, realizadas pelas próprias autoras e outros pesquisadores.

Todos os capítulos com epígrafes pertinentes, incluem quadros em que textos breves, específicos e enriquecedores foram inseridos em pontos estratégicos. Alguns incluem listas de textos recomendados para alunos como suporte do processo ensino-aprendizagem. Fotos de leitores em ação ilustram o início de cada capítulo.

O Capítulo 1 trata da prática e dos hábitos de leitura e escrita. Para a criança é muito importante evidenciar as razões pelas quais as pessoas escrevem, tanto por prazer como para aprender, sendo importante ler textos científicos e de ficção desde cedo. É importante ler textos de vários tipos (literários e informativos) e fazer a relação com a experiência pessoal do aluno e o ensino na sala de aula. Atenção especial deve ser dada aos que no lar vivenciam outra língua. Recomendam o uso de estratégias e técnicas de ensino diversas, especiais para a aprendizagem de segunda língua.

O tema do capítulo seguinte é a compreensão que resulta da interação entre o texto e o modelo mental do leitor. No primeiro, é preciso considerar os aspectos intrínsecos (vocabulário, sintaxe, estrutura) e os conhecimentos que requerem do leitor, de seu modelo mental, destacam o conhecimento do mundo, do tópico de leitura e o domínio do conhecimento. Também são considerados essenciais seus conhecimentos de Matemática, História, Literatura e Ciências. Enfocam padrões de enganos/erros na leitura e estratégias para superá-los com sugestões de atividades para a sala de aula.

Destacam, no Capítulo 3, questões relacionadas à estrutura, lembrando que o gênero do texto também modela seu significado. Entre o 4º e 5º ano de escolaridade o aluno deve se familiarizar com os gêneros informativos, argumentativos, narrativos, poéticos e híbridos. Trata-se de conhecimento que também desenvolve competências como coerência, coesão, organização e representação visual do texto.

A aprendizagem da sintaxe, do vocabulário e da estrutura textual são imprescindíveis para a compreensão e o êxito acadêmico. Seguindo a atual tendência decorrente de evidências científicas, dão destaque às estratégias e procedimentos para desenvolvimento do vocabulário. Não se pode ignorar a relação entre o que o aluno já sabe com o conteúdo e forma do texto, conforme as autoras explicitam no Capítulo 4.

No Capítulo 5, a leitura e a escrita são apresentadas como competências intrinsicamente relacionadas, mas para desenvolver a segunda é necessário recorrer a processos e a estratégias específicas. Para a escrita é preciso estabelecer um contexto e propósito, bem como, para qual ou quais audiências se está escrevendo. Hábitos e práticas usadas pelo aluno influem na aprendizagem e o professor não pode ignorar este fato. O processo de escrever implica em planejamento, esquematizar ideias e informações, escrever e rever tantas vezes quantas forem necessárias, e finalmente, fazer a editoração. O processo de relatar pesquisa requer ainda outros adendos que já no ensino fundamental precisam ser ensinadas aos alunos, além de outras maneiras para capacitá-los como escritores. Exemplos de textos produzidos por discentes ilustram as diversas possibilidades.

No Capítulo 6, destacam a responsabilidade da escola em assegurar que o aluno leia e escreva com compreensão, o que implica em mais do que alfabetizar e ler a língua pátria. É preciso aprender as estratégias específicas que garantam a aprendizagem em todas as disciplinas, por exemplo, traduzir palavras para objetos e fatos reais em símbolos matemáticos, focar as contingências históricas em que o texto foi escrito, manter a objetividade no discurso científico, estudar a relação entre forma e conteúdo na literatura. Isto incentiva o professor a conhecer e a compreender como o aluno aprende as diversas disciplinas, além dos princípios gerais da aprendizagem. Enfocam com mais detalhes como ajudar o aluno a ler e a escrever textos literários narrativos, poéticos e argumentativos. A leitura e redação de história implicam em estabelecer claramente a razão de ler História, o que se encontra em textos sobre o passado, compreender o contexto histórico, como os historiadores trabalham, argumentam e explicam, além das próprias características do texto desta disciplina. Dão atenção também à leitura e à escrita em Ciências com sequências de ação e níveis de compreensão. Com o mesmo cuidado os texto de Matemática são trabalhados.

No Capítulo 7, o leitor encontra exemplos das estratégias e procedimentos extraídos da prática de sala de aula, mais especificamente de trabalhos realizados com alunos de 4º e 5º ano, que também foram entrevistados enfocando os aspectos tratados nos capítulos anteriores. As respostas dos alunos são relacionadas com a matéria já apresentada anteriormente. É uma ilustração comentada dos efeitos das proposições enunciadas nos capítulos precedentes.

O último capítulo é brevíssimo, nele é retomada a importância da aprendizagem concomitante, tema de grande atualidade. Tratam do fato de que não se pode dissociar leitura e escrita. São similares, mas requerem processos cognitivos distintos, já que uma atividade dá suporte a outra e concluem:

Escrevendo sobre o que estão lendo e aprendendo em Literatura, História, Ciências e Matemática, os estudantes começam a pensar eles próprios como leitores ativos, engajados, o que estabelece e fortalece a motivação e base de interesse em aprendizagem para toda a vida (p.132).

As referências bibliográficas são recentes com equilíbrio entre livros e artigos. Trata-se de um livro de interesse para professores de Línguas, Literatura, História, Ciências e Matemática que estejam preocupados com a qualidade do ensino e em assegurar que o aluno estabeleça bases para uma aprendizagem motivadora e continuada ao longo da vida.

 

 

Endereço para correspondência:
Profa. Dra. Geraldina Porto Witter
Av. Pedroso de Morais, 144/302. São Paulo-SP, Brasil
CEP:05.420-000
E-mail: gwitter@uol.com.br

Recebido: 05/05/2009
1ª revisão: 15/05/2009
Aceite final: 22/05/2009

 

 

Geraldina Porto Witter é Coordenadora Geral da Pós-graduação Stricto Sensu da Universidade Camilo Castelo Branco, campus Itaquera.