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Paidéia (Ribeirão Preto)

Print version ISSN 0103-863X

Paidéia (Ribeirão Preto) vol.22 no.51 Ribeirão Preto Jan./Apr. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-863X2012000100005 

ARTIGO

 

Metas de socialização em diferentes contextos1

 

 

Eulina da Rocha LordeloI; Monika RoethleII; Akemy Brandão MochizukiIII

IUniversidade Federal da Bahia, Salvador-BA, Brasil
IIUniversity of Stavanger, Stavanger, Noruega
IIIUniversidade Federal da Bahia, Salvador-BA, Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Segundo a Psicologia Evolucionista, metas de socialização integram as etnoteorias parentais, prescrições que permitem a rápida adoção de estratégias de cuidado e socialização funcionais em um passado recente. Visando a explorar essa perspectiva, este estudo objetivou comparar metas de duas amostras de diferentes contextos. Setenta e seis mães brasileiras e 52 norueguesas foram entrevistas sobre metas de socialização. Descritores de metas foram selecionados por ordem de apresentação e submetidos ao programa Analyse d´évocations. Aproximadamente metade dos descritores que atingiram a frequência mínima foi compartilhada entre as duas amostras, indicando ideais compartilhados em sociedades urbanas, embora ocupando posições de prioridade diferentes. As maiores diferenças estiveram relacionadas aos valores individualismo/coletivismo, e são congruentes com as diferenças ecológicas entre os dois contextos. Esses resultados podem ser relacionados aos contrastes culturais entre sociedades com trajetórias diferentes, mas também às condições socioeconômicas vigentes, sendo compatíveis com a perspectiva evolucionista.

Palavras-chave: Psicologia Evolucionista, Objetivos, Socialização.


 

 

Metas de socialização têm se constituído um tradicional tópico de investigação na Antropologia e vêm se tornando importante também na Psicologia, provavelmente devido ao suposto impacto no desenvolvimento da criança e nos resultados desenvolvimentais, tanto para o indivíduo quanto para o grupo, a cultura e a sociedade. O interesse no tema decorre também do crescente reconhecimento do papel da cultura em estruturar o desenvolvimento dos indivíduos e na busca de unificar as perspectivas micro – as trajetórias dos indivíduos para a vida adulta, e macro – o contexto cultural em que se vive (Super & Harkness, 1996).

Enquanto o tema cultura é parte significativa das agendas de pesquisa na Psicologia do Desenvolvimento, sua definição e a forma como o conceito é usado são muito variáveis. De acordo com Kagitçibasi (2007), geralmente, tem sido aceitas em Psicologia definições que incluem características como ideias tradicionais e valores associados, conjunto de comportamentos aprendidos e transmitidos entre gerações, símbolos e significados compartilhados etc., sem que se chegue a um consenso quanto a uma definição abrangente. Questões como a natureza do fenômeno, a pertinência de tomá-lo como variável independente, a possibilidade mesma de separação entre cultura e comportamento permanecem em debate.

O presente trabalho assume o conceito de cultura de Keller (2007), como o conjunto de práticas e significados compartilhados por um grupo, refletindo as demandas de um ambiente ecológico particular, incluindo condições físicas, estrutura social, parâmetros populacionais e tipos de comunidades.

Nessa perspectiva, metas de socialização são um componente das chamadas etnoteorias parentais, o conjunto de crenças implícitas que organizam as ideias e práticas de cuidado aos filhos e que dão sentido às ações do dia a dia (Harkness & Super, 1996, 2005), em congruência às condições ecológicas locais.

A avaliação de etnoteorias parentais tem crescido sob o quadro de referência do construto individualismo-coletivismo, utilizado como ferramenta para explicar a maior parte da variação entre as culturas do mundo, no que diz respeito ao comportamento social (Kagitçibasi, 2007; Triandis, 1994, 2002). O conceito de individualismo enfatiza o indivíduo como entidade autônoma relevante para a sobrevivência. Os grupos não são tão importantes, então a família, os ancestrais e os parentes atuais podem ser menos considerados. Uma orientação para o individualismo significa uma forte motivação para o sucesso pessoal e valorização da própria intimidade, sendo comum nos Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia, Austrália e partes da Europa ocidental, como Alemanha e Inglaterra. Por outro lado, o conceito de coletivismo descreve a cultura em que o grupo é a unidade de sobrevivência relevante; nessa situação, a existência dos indivíduos é limitada pelo grupo ao qual ele pertence e a identidade pessoal é definida em estreita conexão com a identidade do grupo; o coletivismo está mais presente em culturas tradicionais, na maioria asiáticas e da América Latina. As relações entre os membros dos grupos são intensas e eles compartilham interesses, recursos e atividades (Triandis, 1994, 2002).

Estudos em Psicologia do Desenvolvimento levam em conta não só as dimensões culturais de coletivismo e individualismo, mas, principalmente, os modelos de orientação do self, que abrangem a dimensão (Kagitçibasi, 2007; Keller, 2007; Keller et al., 2006). Três modelos são propostos, o interdependente, o independente e o autônomo-relacional. O primeiro deles estaria presente em culturas coletivistas, em ambientes rurais e com economia de subsistência; nesse modelo a concepção de self está diretamente ligada ao grupo no qual o indivíduo se insere, as metas de socialização são voltadas para conformidade com as normas sociais, obediência e aceitação de papéis sociais e de hierarquias. Algumas sociedades podem ser citadas como prototípicas do modelo interdependente, como os Nso de Camarões e os Gujarati da Índia, duas sociedades rurais e de pouca escolarização, grupos estudados por Keller et al. (2006).

Esses mesmos autores apontam alemães, gregos e euro-americanos como grupos representativos de sociedades prototípicas do modelo independente, sendo urbanizadas, industrializadas e com alto nível de escolarização. Esses grupos seriam caracterizados pela valorização do self autônomo, com metas de socialização voltadas para a auto-maximização, realização pessoal e independência. Um terceiro modelo, denominado autônomo-relacional, combinaria características dos dois anteriores e estaria mais presente em sociedades em transição entre o coletivismo e o individualismo. Esse modelo seria visto em países em desenvolvimento, com crescente escolarização e industrialização mais recente, tendo metas de socialização autônomas e ao mesmo tempo com ênfase em relacionamentos interpessoais próximos; sociedades prototípicas desse modelo seriam países em desenvolvimento como o Brasil, e outros da América Latina, China e Índia (Kagitçibasi, 2007; Keller et al., 2006). Essa condição transicional pode ser ilustrada pelo estudo de Weber, Selig, Bernardi e Salvador (2006), que encontraram uma mudança nos estilos paternais entre a primeira e a terceira gerações de famílias brasileiras no que tange ao exercício da autoridade.

Estudos sobre as etnoteorias parentais com amostras brasileiras chamam a atenção para a diversidade cultural em um país tão grande e com tantas diferenças históricas entre suas regiões (Seidl-de-Moura et al., 2008), o que dificulta generalizações para uma dita “cultura brasileira”. Seidl-de-Moura et al., em um estudo com mães de sete capitais brasileiras, encontraram metas de socialização voltadas para auto-maximização e comportamentos apropriados como as maiores nas médias de toda a amostra, porém houve diferenças intra-cultural entre as cidades estudadas. Esse fato chama a atenção para peculiaridades que podem coexistir em contextos diferentes em um mesmo país. As diferenças intraculturais foram marcadas principalmente pelo nível socioeconômico, a escolaridade das mães e o tamanho, em termos populacionais, da cidade de moradia, sendo que mães, com maiores níveis socioeconômicos e escolaridade, residentes em cidades mais populosas, priorizavam metas relacionadas à autonomia, enquanto mães de menor nível socioeconômico e menor escolarização priorizavam metas mais ligadas à interdependência.

Efeitos de gênero da criança também foram encontrados em estudos brasileiros: Diniz e Salomão (2010) documentaram diferenças nas expectativas parentais, conforme a criança em questão fosse menino ou menina. Os pais, mas não as mães, mostraram expectativas sociais mais elevadas para os meninos.

Kagitçibasi (2007) revisou diversos estudos que utilizaram essas categorias para descrever e explicar diferentes padrões de socialização de crianças, práticas e resultados desenvolvimentais e que produziram resultados significativos. Entretanto, problemas em variabilidade intracultural e descontinuidade entre diferentes dimensões da cultura, dificultando uma classificação em uma única dimensão, têm sido alguns dos obstáculos encontrados no campo de estudo, levando os pesquisadores à busca de maior refinamento nas formulações e estudos empíricos.

Outro problema importante é a falta de um modelo conceitual capaz de conciliar variabilidade cultural com alguma universalidade em padrões comportamentais funcionalmente importantes para a sobrevivência da espécie, como são os sistemas reprodutivos – gerar e criar filhos. Em parte, essa falta de teorias abrangentes pode ser resultado da inconsistência entre os níveis de análise dos fenômenos humanos (Barkow, 2006; Cosmides, Tooby, & Barkow, 1995).

Uma teoria capaz de explicar um fenômeno como as etnoteorias parentais deve ser capaz de integrar os níveis de análise da Antropologia, Psicologia e Biologia. Uma abordagem promissora foi proposta pela Psicologia Evolucionista, que busca relacionar variáveis biológicas, culturais e de desenvolvimento. Nessa perspectiva, a criação de filhos, em termos de crenças e práticas, tem sido abordada sob a ótica do investimento parental, que prediz uma relação entre comportamento reprodutivo do indivíduo relacionado com seus padrões e desenvolvimento. A espécie humana, embora se caracterize pelo alto investimento parental alocado à prole, mostra grande variabilidade nesse aspecto, provavelmente relacionado a fatores ecológicos. Em circunstâncias ambientais desfavoráveis, com poucos e imprevisíveis recursos, os indivíduos tenderiam a uma carreira reprodutiva mais quantitativa, implicando isso em puberdade e primeiro filho mais cedo, maior número de parceiros sexuais, maior número de filhos e menor intervalo entre os nascimentos. Uma tendência oposta provável em circunstâncias de recursos abundantes e previsíveis (Keller, 1997).

O modelo de Belsky et al. (Belsky, 2007; Belsky, Steinberg, & Draper, 1991; Belsky et al., 2007) especifica uma dimensão desenvolvimental à teoria do investimento parental no caso humano e sugere, como recursos relevantes na carreira reprodutiva a disponibilidade de suporte parental, com destaque para o clima familiar predominante durante a infância. Assim, a continuidade entre as circunstâncias ambientais durante a infância e a carreira reprodutiva se faria por meio dos modelos internos de funcionamento desenvolvidos a partir da relação de apego entre a criança e seu principal cuidador nos primeiros anos de vida.

Decisões relacionadas à carreira reprodutiva são obviamente inconscientes e acompanhadas de etnoteorias parentais associadas a um contexto cultural particular. As decisões de investimento – quantos filhos ter e quanto cuidado alocar a eles – não são tomadas com base em cálculos; decisões de investimento parental são construídas ao longo da ontogênese, a partir das informações disponíveis no ambiente, incluindo a cultura da qual se faz parte (Keller, 1997).

Na perspectiva da Psicologia Evolucionista, as etnoteorias parentais podem ser vistas como conhecimento tácito e implícito relacionado com crianças e seu desenvolvimento. Elas são utilizadas para otimizar o conhecimento contextual apropriado para a criação dos filhos, ou seja, os conhecimentos compartilhados em um grupo cultural, que prescrevem estratégias funcionais e bem sucedidas em passado recente, são atualizados a cada geração em conformidade com a ecologia circundante. Assim, embora se deva considerar que as etnoteorias parentais sejam um fenômeno com existência independente, é imprescindível levar em conta também as condições materiais. Etnoteorias parentais não são estáticas, elas podem sofrer alterações substanciais, acompanhando mudanças que ocorrem nas condições de vida do grupo, embora em ritmo mais lento (Keller, 1997). Esse processo pode ser exemplificado com o descompasso existente entre grupos culturais deslocados (como imigrantes de países estrangeiros ou de ambientes rurais). Muitas vezes observam-se tensões entre as etnoteorias herdadas pelo grupo e as novas condições que prevalecem nos novos ambientes.

Nessa perspectiva, o presente estudo teve como objetivo comparar metas de socialização de duas amostras com condições de vida distintas. Contou-se com dois grupos com alguma semelhança (sociedades urbanas, predominância de religiões cristãs, acesso a meios de comunicação de massa contemporâneos) e várias diferenças importantes em termos de tradições culturais, mas, principalmente, de condições materiais de vida. A lista do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) tem em seu topo a Noruega, melhor índice do mundo, com expectativa de vida de 81 anos de idade, média de 12,6 anos estudados, além do segundo mais alto PIB per capita do mundo (International Monetary Fund, 2010). Já o Brasil mostra situação mediana, na 73ª posição, com expectativa de vida 72,9 anos e uma média de 7,2 anos estudados, PIB per capita também intermediário, na 60ª posição, porém, com grandes problemas de distribuição de renda, sendo assim um lugar com diversidade de ambientes e estabilidade de recursos (United Nations Development Programme, 2010). Em termos culturais, a Noruega tem sido descrita como mais individualista (Hofstede, 2006), enquanto o Brasil é apontado como intermediário entre o coletivismo e o individualismo (Gouveia & Clemente, 2000).

Assim, esperava-se que pessoas vivendo em diferentes condições ecoculturais, manifestassem diferentes metas de socialização para seus filhos. Além disso, esperava-se que essas diferenças ocorressem numa direção específica: pessoas vivendo em ambientes seguros, com abundância de recursos, seriam menos estritas em suas metas de socialização, conferindo aos indivíduos mais liberdade para a escolha de metas pessoais. Pessoas vivendo em ambientes inseguros, com menos recursos, seriam mais preocupadas com realizações que garantam a sobrevivência e menos com realizações pessoais.

 

Método

Participantes

As participantes da pesquisa foram 76 mulheres baianas e 52 norueguesas selecionadas acidentalmente como voluntárias, com pelo menos um filho na idade de zero a seis anos. No Brasil, na cidade de Salvador-BA, as mulheres foram contatadas em suas casas, sendo o primeiro contato feito previamente com uma moradora local e posteriormente por indicação de vizinhos (grupo pertencente ao nível socioeconômico baixo) ou de amigos e conhecidos (grupo pertencente ao nível socioeconômico médio). Na Noruega, na cidade de Stavanger, as participantes foram contatadas por meio de instituições de educação infantil.

As participantes norueguesas da pesquisa eram significativamente (p < 0,0001) mais velhas do que as brasileiras (M = 33,7 anos, DP = 4,28 contra a média de 27,7 anos, DP = 6,39). Elas também tinham nível de escolaridade mais alto, média de 15,3 anos estudados, (DP = 2,39) contra uma média de 2,3 anos estudados, (DP = 4,43, p = 0,001). Quase dois terços (63,5%) das norueguesas trabalhavam à época da pesquisa, enquanto entre as brasileiras esse percentual foi de 43,4%, incluindo-se apenas trabalhos regulares fora de casa.

Grande número das participantes de Salvador eram donas de casa, 23,7% (n = 18), e 15,8% eram estudantes (n = 12), além de 7,9% que estavam desempregadas (n = 6). As ocupações mais frequentes entre as brasileiras estavam vinculadas a trabalhos com baixo prestígio ocupacional, de acordo com a Escala de Avaliação de Status Socioeconômico de Hollingshead (1975), como empregadas domésticas (n = 6, correspondendo a 7,9% da amostra baiana); 6,5% das entrevistadas eram vendedoras ou comerciantes (n = 5) e duas eram manicures. Outras ocupações apareceram de forma menos frequentes, como alguns tipos de profissionais liberais, consideradas de mais prestígio, como advogadas, psicólogas, analistas de sistemas (um caso cada), dentre outras. Em Stavanger, assim como em Salvador, muitas das mães entrevistadas eram donas de casa (21,6%, n = 11); 5,6% eram estudantes (n = 3); ocupações de mais prestígio apareceram com mais frequência do que na amostra de Salvador, vinculadas à área de saúde como médicas, fisioterapeutas e enfermeiras (13,3% n = 7).

Instrumentos

Foi utilizada a entrevista de metas de socialização de Harwood (Miller & Harwood, 2001), que consiste em um roteiro semiestruturado com base na pergunta “Que qualidades você desejaria para seu filho como adulto?”, a partir da qual o entrevistador adiciona questões de encorajamento para que o entrevistado fale mais sobre o assunto e explique melhor suas ideias. Foi utilizado também um questionário com dados sociodemográficos, visando a caracterizar a amostra.

Procedimento

Coleta de Dados

Em todas as entrevistas, nos primeiros contatos, um resumo do estudo foi apresentado e as mulheres foram convidadas a participar, o que foi aceito por cerca de 85% delas, seguido da apresentação do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Todas as entrevistas na Noruega foram realizadas em inglês, idioma em que os noruegueses são, em geral, fluentes; essas entrevistas foram gravadas e transcritas posteriormente in verbatim. No presente estudo uma simplificação será feita referindo-se às mães de Salvador como mães brasileiras e às mães de Stavanger como norueguesas, porém deve-se chamar atenção para a noção de que as amostras estudadas não são representativas do nível de nacionalidade.

Análise dos Dados

A análise conduzida buscou capturar as metas de socialização nos termos utilizados pelos participantes. Dada a natureza do tema, era esperado que um núcleo central de metas fosse compartilhado por todas as mães, independentemente da cultura ou das condições de vida. Aspectos como sobrevivência, saúde e desenvolvimento normal são, obviamente, triviais como metas de socialização. Mesmo objetivos como ser bem sucedido, ter uma boa educação, ser um membro aceito da sociedade, são, provavelmente, metas desejadas por todos os pais. O maior interesse do estudo, portanto, consistiu em identificar diferenças de ênfases na escolha das metas e, principalmente, sua conexão com a ecologia circundante, inclusive a cultura. Por isso, buscou-se um procedimento de análise de dados que preservasse, tanto quanto possível, os detalhes dos conceitos, sua ênfase e modo de articulação, em vez do usual método de organização por categorias de conteúdo. Essa decisão foi baseada na adoção, tanto quanto possível, de uma perspectiva menos centrada na cultura do pesquisador, buscando-se evitar a imposição de vieses etnocêntricos (Keller, 2007).

Assim, a partir do texto transcrito, foram selecionados, na ordem de aparecimento, todos os descritores de qualidades desejadas, ignorando-se as repetições. Descritores foram concebidos como palavras isoladas (ético, honesto, carinhoso) ou frases descritivas (que ela não procure filho cedo, que tenha um trabalho, que seja uma pessoa que todo mundo goste). Os descritores foram registrados segundo um princípio de mínima redução, ou seja, virtuais sinônimos foram registrados como descritores diferentes (delicado, gentil, atencioso). No entanto, quando as qualidades apareciam no meio de sentenças completas, foi necessário adotar algum procedimento para resumir a frase. Nesse caso foi selecionado um descritor, o que envolveu alguma redução. Por exemplo, frases com o mesmo conteúdo, mas enunciadas de forma ligeiramente diferente (que tenha um bom emprego, um trabalho, que tenha sua profissão, uma carreira, que tenha uma boa profissão, como médico ou engenheiro) foram convertidas em um único descritor (boa profissão). Buscou-se ainda preservar diferentes significados associados ao descritor. Por exemplo, algumas entrevistadas, quando falavam sobre trabalho, enfatizavam a natureza do trabalho, como visto nos exemplos acima, mas outras enfatizavam o trabalho como oposto a não fazer nada, ser vagabundo, ou seja, ter um trabalho, qualquer trabalho, ganhar seu próprio dinheiro. Nesses casos, o descritor atribuído foi trabalhar. O mesmo procedimento foi empregado para a amostra norueguesa, sem tradução para a língua portuguesa.

Em seguida, os descritores foram organizados em bancos de dados apropriados para análise no programa Analyse d´évocations (EVOC), que organiza os descritores segundo sua frequência e ordem de aparecimento, em quatro posições. As duas primeiras posições reúnem os descritores com frequência mais alta e as duas últimas com frequência mais baixa. A primeira e a terceira posições incluem os descritores cuja ordem de evocação é mais baixa e a segunda e quarta reúnem aqueles conceitos cuja ordem de evocação é mais alta. A inclusão de descritores nas duas primeiras posições é definida pelo pesquisador através do parâmetro frequência intermediária. Uma visão geral do significado desses ordenamentos pode ser vista na Tabela 1 .

A análise das duas amostras foi feita em dois bancos de dados diferentes. Os descritores que aparecem no presente artigo foram traduzidos para o português somente depois de realizadas todas as análises, apenas para facilitar a leitura. A interpretação dos dados é limitada pela comparação de descritores em duas línguas diferentes, uma vez que um mesmo descritor pode ter diferentes significados, conforme o contexto. Por exemplo, as palavras independent e independente são verdadeiros cognatos, mas as interpretações das participantes brasileiras e norueguesas acerca do significado do conceito diferem significativamente. Entre as mulheres norueguesas, independência é associada frequentemente com autonomia pessoal, em ideias e ações, a capacidade de fazer suas próprias escolhas, com base em critérios pessoais. Entre as mães baianas, independência é associada, geralmente, a uma dimensão material, a capacidade de prover seu próprio sustento e não ser dependente de outrem, podendo, portanto, tomar decisões livres. Desse modo, a interpretação das semelhanças e diferenças deve ser parcimoniosa, no sentido de considerar que a correspondência entre os descritores é apenas aproximada.

Considerações éticas

O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Ciências Humanas da Universidade Federal da Bahia. Todos os procedimentos de recrutamento dos participantes, coleta e análise de dados foram conduzidos de acordo com a regulamentação vigente no Brasil e na Noruega. Todas as mães receberam informação sobre o projeto e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

 

Resultados

Descritores de metas de socialização

Embora o número absoluto de descritores diferentes encontrados tenha sido aproximadamente o mesmo (85 para as mães brasileiras e 90 para as norueguesas), em termos relativos, as mulheres norueguesas mostraram maior variedade de qualidades desejadas, dada sua menor representação na amostra, devido, provavelmente, a maior escolaridade que essa população apresenta. Também o número de descritores citados foi maior entre as norueguesas, como pode ser visto a partir da análise de variância, com uma média de 7,8 contra 6,2 para as brasileiras [F(1, 125) = 14,87, p < 0,001]. A maioria absoluta das respostas foi dada na forma de atributos positivos, de acordo com as instruções dadas (qualidades desejadas), mas certo número de atributos enunciados pela sua negação (não ter filhos cedo, não mentir, não se prostituir, não usar drogas, dentre outros) apareceu nas falas das entrevistadas.

Dentre os descritores que atingiram a frequência mínima estipulada de cinco (24 qualidades na amostra norueguesa e 31 na brasileira), 13 qualificativos foram comuns às duas amostras, como pode ser visto na Tabela 2, indicando possivelmente ideais universalmente compartilhados em sociedades urbanas: boa instrução, boa pessoa, honesto, atencioso, uma pessoa legal, independente, respeitar pessoas, uma boa profissão, uma boa vida, gentil, responsável, boa interação com outras pessoas e compreensivo.

 

 

Nem todos os qualificativos foram compartilhados pelas duas amostras, pelo menos em sentido estrito. Aqui se deve considerar o caráter parcimonioso do tratamento dos dados quanto à redução do material transcrito, como um fator que pode aumentar, artificialmente, a quantidade de metas divergentes. Por exemplo, o descritor solidário, que ocorreu apenas na amostra baiana, tem conteúdo semântico próximo da palavra caring, como usada na amostra norueguesa, do mesmo modo que compreensivo é semelhante a emphatic. Pode ser o caso também do qualificativo saudável, que aparece nessa forma apenas na amostra norueguesa e que pode interpretado como equivalente genérico a condutas como não fumar, beber ou usar drogas. Assim, a possibilidade de supervalorização das diferenças deve ser levada em conta na interpretação desses resultados, pode-se observar que 17 atributos foram exclusivos da amostra baiana e 11 apareceram apenas entre as mães norueguesas.

Entre as mães baianas, chama atenção a presença de atributos característicos de culturas coletivistas, como bom filho, obediente e religioso, ausentes na amostra norueguesa. Além disso, aparecem preocupações com as condições de vida mais difíceis características de muitos ambientes urbanos de países pobres, com altas taxas de mortalidade juvenil e poucas perspectivas de inserção econômica, como é o caso do Brasil. Essas preocupações foram traduzidas em metas como evitar más companhias, não ter filhos cedo, não usar drogas, trabalhador, trabalhar. Nesse último, foi necessário particularizar os casos em que a meta de ter uma boa profissão era substituída pelo desejo de que o filho apenas trabalhasse, qualquer que fosse o trabalho, numa clara rejeição do que era às vezes chamado de preguiça ou vagabundagem.

Os resultados mostraram também fortes diferenças na posição e na frequência dos descritores. A análise realizada pelo programa EVOC conjuga ordem de aparecimento e frequência como parâmetros para inclusão nos grupos. Analisando o primeiro grupo de descritores pode-se verificar na Tabela 3 que, para as mulheres baianas, foram mais importantes: boa instrução, estudioso, caráter, honesto, responsável, boa profissão, bom filho, boa pessoa e trabalhador. Para as mulheres norueguesas, os descritores mais citados foram: autoconfiante, independente, gentil, boa pessoa, atencioso, respeitar pessoas, feliz e boa instrução. Note-se que a tradução oferecida no texto visa apenas a facilitar a leitura e não afetou a análise do material coligido, que foi feita com os descritores nas línguas em que os dados foram coletados.

Os qualificativos citados remetem facilmente às fortes diferenças em metas de socialização nessas duas amostras. Um único descritor (boa instrução) é compartilhado pelos dois grupos, os demais remetendo para áreas bem distintas: no caso brasileiro, emerge uma combinação de preocupação com a sobrevivência e a adequação aos padrões sociais, enquanto entre as norueguesas a realização pessoal em sentido amplo, de um lado, e a ênfase na convivência interpessoal, por outro, constituem as dimensões mais salientes de metas de socialização.

Os descritores menos empregados e citados por último, aqueles situados na quarta posição, são razoavelmente díspares. Nesse grupo, aparecem em maior frequência alguns dos qualificativos divergentes entre as duas amostras. Enquanto uma parte das mães brasileiras revela preocupação em coibir rotas de desenvolvimento vistas como perigosas e destinadas ao fracasso, como evitar más companhias, não ter filhos cedo, não usar drogas, algumas mães norueguesas enfatizam atributos de personalidade como tolerância, coragem e abertura.

Uma possível associação com escolaridade materna e gênero da criança foi explorada. No caso da escolaridade, as duas amostras diferem significativamente quanto ao número de anos completos na escola, sendo as norueguesas bem mais instruídas, com média de 15,3 anos (DP = 2,5), enquanto as mães baianas da amostra têm em média 10,9 anos (DP = 4,4). Assim, a análise realizada agregou as mães com escolaridade mais alta e mais baixa na base de critérios diferenciados: na Noruega, as mulheres com escolaridade mais baixa tinham até 15 anos de estudo (seis anos além da escolaridade obrigatória), enquanto em Salvador essa faixa foi formada por mulheres com até 11 anos de estudo (três anos além da escolaridade obrigatória).

Os qualificativos preferidos nas duas primeiras posições diferem conforme o nível de escolaridade, como se pode verificar na Tabela 4 . As mães com menos instrução apontam em primeiro lugar os descritores boa instrução, boa pessoa e boa profissão, enquanto as mães com nível de instrução mais alto mencionam com maior frequência Caráter e estudioso. Entre as mães norueguesas também ocorrem diferenças associadas à escolaridade. As mães com maior escolaridade concentram suas escolhas em poucos qualificativos, autoconfiante na primeira posição e boa educação e feliz na segunda posição. As mães com escolaridade mais baixa, entretanto, distribuem suas respostas em várias qualidades: atencioso, independente, gentil etc.

A pergunta formulada na entrevista focalizava uma criança em particular e as respostas das mães especificavam “ele” ou “ela”, embora em alguns casos as mães desprezassem esse aspecto, referindo-se aos filhos com um genérico “eles”, “meus filhos”. Para os casos em que o sexo da criança foi especificado, foi realizada uma análise comparativa dos qualificativos, conforme o gênero da criança. A considerável redução de casos passíveis de comparação limita a possibilidade de análises, mas há alguma indicação de que, pelo menos na amostra norueguesa, houve alguma mudança de ênfase associada ao gênero da criança, especialmente no qualificativo Independente, que assumiu a primeira posição quando o foco da entrevista era uma menina.

 

Discussão

Os resultados encontrados sugerem uma base comum de metas de socialização nas duas amostras, ao mesmo tempo em que aponta para divergências importantes quanto aos aspectos mais enfatizados. Metas compartilhadas pelas duas amostras, em termos de qualidades desejadas para os filhos sugerem certa universalidade de objetivos, como seria esperado: ser bem sucedido como adulto, econômica e socialmente. O destaque da meta boa instrução, em posição de prioridade nas duas amostras, sugere claramente o caráter vital desse atributo em sociedades urbanas e industriais ou pós-industriais.

As diferenças observadas são compatíveis com o quadro de referência do individualismo-coletivismo. Na medida em que a cultura norueguesa tem sido descrita como alcançando uma posição alta em medidas de individualismo enquanto o Brasil tem se situado em posição mais intermediária (Hofstede, 2006), embora com poucos estudos empíricos que validem essa conclusão e ainda que o construto venha sendo reexaminado para melhorar seu poder explanatório (Gouveia & Clemente, 2000).

Qualificativos frequentemente mencionados apenas pelas mulheres norueguesas sugerem preocupação especial com a realização pessoal e independência como um indivíduo autônomo, manifestada em qualidades como autoconfiança, felicidade, força e escolha independente de um trabalho qualquer. Essas preocupações alinham-se com valores predominantes em sociedades individualistas (Triandis, 1994). Mesmo com maior foco em questões ligadas a independência, mais mães norueguesas demonstraram outros desejos em relação a futuras qualidades dos seus filhos. A inclusão de metas como ter amigos, tolerância, empatia e abertura sugere preocupação com uma vida social harmoniosa e modelada pelo respeito ao outro, compatível com a suposta horizontalidade (Triandis, 1994) da sociedade norueguesa que se destaca pela ênfase no igualitarismo.

O conjunto dos resultados sugere também boa congruência com a visão da Psicologia Evolucionista sobre etnoteorias parentais. As diferenças que caracterizam as duas amostras são congruentes com estratégias de investimento parental orientadas pela ecologia circundante. Recursos abundantes e estáveis permitem o uso de estratégias qualitativas de investimento parental, com foco no desenvolvimento do potencial individual de cada criança. Assim, descritores como autoconfiança, independência e realização podem assumir prioridade, uma vez que a simples sobrevivência não está ameaçada, como é o caso da Noruega. Ao contrário, em ambientes onde os recursos são menos abundantes e não confiáveis, as estratégias de investimento parental costumam ser mais quantitativas, com ênfase na sobrevivência imediata e na obtenção de sucesso reprodutivo mais cedo, o que pode ser o caso do Brasil.

 

Conclusões

O presente estudo contou com algumas limitações, dentre elas, a língua. Ao se comparar discursos ou descritores entre dois idiomas, sinônimos podem não ter o mesmo significado para os indivíduos, como é o caso dos descritores independente e independent, que carregam valores e significados diferentes para as mães dos dois países, sendo no Brasil vinculado à independência financeira, enquanto na Noruega ocupa significado mais amplo relacionado à autonomia pessoal. Outra questão relacionada à língua pode ser levantada, qual seja a decisão de não redução das unidades de análise em relação a descritores com significados próximos, como gentil e atencioso, os quais se fossem contabilizados com um único descritor, poderiam aparecer com maior frequência ou prioridade. No entanto, a decisão de não redução dos descritores a categorias mais gerais tem a vantagem de preservar o discurso dos participantes nos seus próprios termos, evitando o viés do pesquisador, em uma perspectiva mais ideográfica culturalmente (Kagitçibasi, 2007).

O conjunto de dados é congruente com a hipótese de que a dimensão coletivista ou individualista das práticas parentais está articulada com condições materiais particulares. Entre ecologia circundante e cultura, entretanto, interpõe-se a psicologia dos cuidadores, ou seja, os indivíduos criam e recriam a cultura que orienta suas ações, de acordo com seus interesses biológicos e com os recursos disponíveis para atingi-los (Tooby & Cosmides, 1995). Os resultados do presente estudo são compatíveis com essa perspectiva, que prevê consistência entre os diversos níveis de análise: o biológico (ao enfatizar os interesses reprodutivos dos indivíduos), o ecológico, ao especificar as condições circundantes que potencializam e limitam a realização de metas reprodutivas, e o psicológico, que descreve as crenças e ideias parentais apropriadas a um contexto particular.

 

Referências

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Endereço para correspondência:
Eulina da Rocha Lordelo

Estrada de São Lázaro, s/nº
CEP 40.000-000. Salvador-BA, Brasil
E-mail:eulina@ufba.br

Recebido: 21/12/2010
1ª revisão: 05/04/2011
Aceite final: 14/05/2011

 

Eulina da Rocha Lordelo é Professora Associada (aposentada), participante do Programa de Pós-graduação em Psicologia da Universidade Federal da Bahia.
Monika Roethle é Professora Leitora do Departamento de Educação Infantil da Universidade de Stavanger, Noruega.
Akemy Brandão Mochizuki é mestranda do Programa de Pós-graduação em Psicologia da Universidade Federal da Bahia.

 

 

1 Apoio: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).