SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.22 issue53Preschool children's emotional and behavioral descriptions of eventsSocial representations of teachers and police officers about youth and violence author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Paidéia (Ribeirão Preto)

Print version ISSN 0103-863X

Paidéia (Ribeirão Preto) vol.22 no.53 Ribeirão Preto Sept./Dec. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-863X2012000300007 

ARTIGO

 

Crenças de pais e mães sobre investimento parental1

 

Mothers and fathers' beliefs about parental investment

 

Las creencias de las madres y los padres sobre inversión parental

 

 

Tatiana Targino Alves Bandeira; Maria Lucia Seidl-de-Moura

Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro-RJ, Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O investimento parental aumenta a chance de sobrevivência dos bebês e garante a aptidão dos pais. Embora seja adaptativo, não ocorre automaticamente, assumindo formas diversas de acordo com o contexto. Considerando que as crenças parentais são parte desse contexto, este artigo teve como objetivo analisar crenças de pais e mães sobre investimento parental e o que relatam fazer para investir na criação de seu filho. Cinquenta homens e cinquenta mulheres com filho de até seis anos responderam a duas perguntas abertas sobre concepção de investimento e práticas realizadas. As respostas foram classificadas em: investimento financeiro, emocional, cuidados básicos, intelectual, social-espiritual e familiar-individual. Homens e mulheres indicaram valorizar e realizar mais o investimento emocional. Em geral, mães relatam investir mais que pais, principalmente em relação aos cuidados. Houve algumas incongruências entre crenças e práticas relatadas. Esses resultados podem contribuir para o estudo das crenças e do investimento parental, principalmente dos pais, que nem sempre são incluídos em pesquisas.

Palavras-chave: práticas de criação infantil, relações pais-criança, maternidade, paternidade


ABSTRACT

Parental investment increases the chance of babies' survival and ensures parents' fitness. While adaptive, it does not occur automatically and takes various forms, according to the context. Parental beliefs are part of those contexts and this study aims to investigate how parents consider parental investment and their investment practices in their children. Fifty men and 50 women with children up to six years of age answered two open questions about their conception of investment and their practices. The answers were classified as financial investment, emotional, basic care, intellectual, social-spiritual and family-individual. Men and women indicated that they most value and practice emotional investment. In general, mothers reported more investment than fathers, especially with regard to basic care. There were some inconsistencies between reported beliefs and practices. These results may contribute to the study of beliefs and parental investment, especially in relation to fathers who are not always included in these studies.

Keywords: childrearing practices, parent child relations, motherhood, fatherhood


RESUMEN

Inversión parental aumenta las posibilidades de supervivencia de bebés y garantiza el éxito reproductivo. Aunque sea adaptativa, no ocurre automáticamente, asumiendo distintas formas según el contexto. Considerando que las creencias parentales hacen parte de ese contexto, la finalidad de este estudio fue analizar las creencias de padres y madres sobre inversión parental y lo que relatan hacer para invertir en la creación de sus hijos. Cincuenta hombres y cincuenta mujeres con niños de hasta seis años respondieron a dos preguntas abiertas acerca de sus concepciones de inversión y prácticas realizadas. Las respuestas fueron clasificadas como inversión financiera, emocional, atención básica, intelectual, social-espiritual y familiar-individual. Hombres y mujeres indicaron valorar y realizar más la inversión emocional. En general, las madres reportaron invertir más que los padres, especialmente con relación a los cuidados básicos. Hubo algunas incongruencias entre creencias y prácticas informadas. Estos resultados pueden contribuir al estudio de las creencias y de la inversión parental, principalmente de los padres, que no siempre están incluidos en estos estudios.

Palabras clave: prácticas de crianza infantil, relaciones padres-niños, maternidad, paternidad


 

 

Investir em um filho, cuidar para que ele se desenvolva bem e saudável é uma tarefa realizada pela maioria das mães nos mais diversos contextos. Essa atitude é necessária para a sobrevivência dos bebês humanos, que nascem frágeis e dependentes de cuidado. Para os genitores também é vantajoso investir na prole para que ela alcance a idade adulta, reproduza-se e transmita os seus genes (Trivers, 1972), garantindo sua aptidão.

Ainda que o investimento parental possa ser diverso em homens e mulheres, em parte por diferenças biológicas (Geary & Flinn, 2001), ambos o realizam, seja de forma direta ou indireta. O investimento direto inclui atividades como alimentar, pegar no colo, transmitir conhecimento, manter limpo. O indireto envolve a garantia de recursos necessários à sobrevivência, proteção da prole e apoio ao parceiro mais envolvido nos cuidados (Quilan, 2007, Yeung, Linker & Brooks-Gunn, 2002). Ambos podem ser caracterizados como investimento parental, definido por Trivers (1972) como qualquer investimento que os pais realizam em um filhote específico e que aumenta as chances de sobrevivência deste e o seu sucesso reprodutivo, mas diminui a capacidade dos pais para investirem em outro filhote.

Apesar de mudanças históricas, em muitas culturas os cuidados parentais diretos ainda ficam, geralmente, sob a responsabilidade das mães, enquanto o pai continua sendo responsável por obter recursos para manter a família (Brasileiro, Féres-Carneiro & Jablonski, 2002). No entanto, transformações parecem estar ocorrendo nos papéis parentais, fazendo com que o pai participe diretamente dos cuidados de seus filhos e fique mais próximo dos mesmos.

Seabra (2007) estudou pais e mães de crianças de zero a cinco anos da cidade do Rio de Janeiro e buscou investigar diversos aspectos do envolvimento paterno. Seus resultados indicaram que, em geral, os pais estavam satisfeitos com seu exercício da paternidade, mas acreditavam que as mães esperavam maior engajamento deles. A autora observou maior participação escolar dos pais quando os filhos são menores, em especial em atividades festivas. Não foi observada a presença dos pais nos eventos ou reuniões sem a mãe. Os dados de Seabra indicaram que os pais estavam envolvidos em algumas tarefas diárias e de cuidados, mas a maior parte delas ainda cabia às mulheres.

Diversamente do que foi encontrado no estudo de Seabra em cultura urbana brasileira, a pesquisa realizada por Fouts (2008) com dois grupos de forrageadores da África Central demonstrou que o contato físico entre pai e filho e a proximidade entre eles eram maiores quando as crianças eram mais velhas. Os grupos estudados foram os Aka e os Bofi e foram observadas 23 crianças do primeiro grupo e 35 do segundo, todas com idade entre 18 e 59 meses.

Além das diferenças entre a participação materna e paterna, Keller e Chasiotis (2007) discutem fatores que interferem na intensidade do investimento materno, tais como a saúde da criança e idade da mãe. Indicam, por exemplo, que mães mais velhas teriam um maior investimento na prole que as mais novas. Possivelmente isso deve ocorrer pelo fato de as primeiras terem menos chances de produzir novos descendentes e precisarem garantir o seu sucesso reprodutivo investindo intensamente nos filhos que já têm.

Outra questão importante no estudo sobre investimento parental é o significado dele para a população que está sendo pesquisada. Muitas vezes o que é valorizado em um contexto pode não ser em outro. As crenças parentais que incluem essa valorização são construídas ao longo da vida e são influenciadas pela expectativa que se tem em assumir o papel de pai, pelas experiências com outras crianças e pelo relato de outras pessoas que tiveram tais experiências. Essas crenças também não são fixas e nem universais variando de acordo com diferentes aspectos, como o contexto, o tempo histórico, o nível educacional (Lightfoot & Valsiner, 1992).

É importante ressaltar que embora crenças e comportamento parentais estejam ligados, não se deve estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre eles. As crenças são organizadores mentais para as ações e não se traduzem obrigatoriamente em determinada forma de agir porque elas são construídas nas relações sociais, recebendo influência de vários contextos, e contam com a participação de um sujeito ativo nessa construção, o que, em alguns momentos, poderia gerar algumas inconsistências entre aquilo em que ele acredita e o que ele faz (Lightfoot & Valsiner, 1992).

De acordo com Keller e Chasiotis (2007), o tipo de investimento realizado pelos pais estaria relacionado com as trajetórias de socialização que eles valorizam. Essas trajetórias poderiam ser voltadas para interdependência, que se caracteriza por perceber o indivíduo sempre como membro de um sistema social, tendo deveres e obrigações com o grupo ao qual pertence, ou voltadas para independência, a qual valoriza o individualismo, a autonomia e a autossuficiência. A primeira é comum em sociedades rurais tradicionais de subsistência e a segunda predomina entre indivíduos urbanos de sociedades industriais. Além dessas duas orientações, Kagitçibasi (1996) propôs uma terceira, que se orienta para o desenvolvimento de um self autônomo-relacional que envolve características dos dois modelos.

Leyendecker, Lamb, Harwood e Sholmerich (2002) estudaram diferentes contextos, analisando as metas de socialização de mães latinas que migraram para os Estados Unidos e mães euro-americanas. O primeiro grupo de mães enfatizou qualidades de bom comportamento, enquanto o outro valorizou mais as metas voltadas para independência. Além disso, verificou-se que mães da América Central davam mais importância para a qualidade de autocontrole quando a criança era do sexo masculino. Com relação às mães euro-americanas de meninos, eram mais enfatizadas as qualidades referentes a expectativas sociais, como decência e honestidade, ao passo que as mães de meninas valorizavam autoconfiança e independência.

Suizzo (2002) também investigou crenças sobre práticas de cuidados parentais, com o objetivo de identificar um modelo cultural de parentagem na França. Esse modelo é constituído por crenças e práticas de cuidado que são compartilhadas. Ela estudou 278 mães e 177 pais parisienses aplicando um inventário de sua autoria sobre a importância atribuída a práticas diversas. Os resultados mostraram que dentre as práticas mais valorizadas pelos pais estão conversar com a criança, dar banho nela todos os dias e dar brinquedos que estimulem os sentidos. A autora considera que encontrou três modelos culturais: estimulação, que como o nome indica está relacionada à valorização do estímulo ao desenvolvimento da criança; apresentação em público, que seria a preocupação relacionada ao atendimento, por parte da criança, às expectativas sociais; e responsividade, referente à importância das respostas imediatas dos pais às necessidades da criança e ao vínculo entre pais e filhos. O primeiro modelo foi associado ao número de filhos, demonstrando que quanto mais filhos, maior a valorização da estimulação. O modelo de responsividade e vínculo foi mais valorizado pelas mães do que pelos pais e por pais mais velhos. Os mais novos, juntamente com aqueles com nível educacional mais baixo, deram mais importância à apresentação em público.

Esses resultados podem indicar que o fato de ter muitos filhos leva os pais a valorizar a prática da estimulação, talvez por perceberem que o estímulo que advém também dos irmãos seja benéfico para as crianças. Parece ainda que as mães em geral e os pais mais velhos, possivelmente por terem mais experiência, dão maior importância a proximidade e pronto atendimento ao filho. Diversamente, os pais mais jovens e de nível educacional mais baixo dão prioridade à forma como o filho se apresenta para os outros. Talvez isso possa estar refletindo alguma insegurança de ser criticado pela sociedade em relação à educação que está dando para o filho.

No Brasil a literatura sobre crenças parentais, práticas de cuidado e trajetórias de socialização vem crescendo (Diniz & Salomão, 2010; Seidl-de-Moura et al., 2008; Seidl-de-Moura et al., 2009; Bandeira, Seidl-de-Moura & Vieira, 2009; Vieira et al., 2010). Seidl-de-Moura et al. (2009), em um estudo com 200 mães primíparas do Rio de Janeiro, solicitaram que elas respondessem a uma pergunta do Questionário de Metas de Socialização onde deveriam relatar as qualidades que desejariam que seu filho tivesse quando fosse adulto. As respostas foram analisadas de acordo com cinco categorias: autoaperfeiçoamento, autocontrole, emotividade, expectativas sociais e bom comportamento. A categoria autoaperfeiçoamento apresentava três subcategorias: (a) bem-estar físico e emocional, (b) desenvolvimento do potencial pessoal e econômico, e (c) desenvolvimento (ou independência) psicológico. Emotividade tinha duas: (a) calor emocional, e (b) relações próximas com a família. A categoria expectativas sociais era organizada em: (a) evitar comportamento ilícito, e (b) integridade pessoal e valores religiosos. Por fim, a categoria bom comportamento englobava duas subcategorias: (a) respeito, e (b) obrigações relacionadas à família. As mães também responderam ao inventário de crenças sobre práticas de cuidado desenvolvido por Suizzo (2002) onde eram identificadas três dimensões: estimulação, apresentação apropriada em público e responsividade e vínculo. No questionário de metas as mães valorizaram mais a categoria autoaperfeiçoamento, que está voltada para independência. Em segundo lugar foi valorizada a de expectativas sociais, que estão relacionadas à relação com o outro. Os autores também encontraram diferença em relação ao sexo do bebê na subcategoria integridade pessoal e valores religiosos: as mães de meninos valorizaram mais esse aspecto do que as mães de meninas. No inventário de crenças sobre práticas, as práticas mais valorizadas foram a apresentação apropriada em público e a estimulação. Esses resultados indicaram uma valorização de ambos os aspectos, independência e interdependência, sugerindo que essas mães teriam uma orientação autônomo-relacional (Kagitçibasi, 1996).

Na pesquisa realizada por Bandeira et al. (2009) com 30 casais do Rio de Janeiro, utilizando o mesmo inventário de metas, também foi encontrada uma valorização, por parte de ambos os pais, tanto do autoaperfeiçoamento quanto da expectativa social, demonstrando que eles desejam um bom relacionamento de seus filhos em sociedade, mas sem deixar de desejar que eles sejam autônomos.

Diniz e Salomão (2010) também estudaram metas de socialização de mães e pais para seus filhos, buscando analisar a influência do gênero da criança nessas metas. As autoras estudaram casais residentes na cidade de João Pessoa-PB. Seus resultados corroboram os de Seidl-de-Moura et al. (2009) e Bandeira et al. (2009). As metas mais mencionadas tanto por pais como por mães foram as de autoaperfeiçoamento e de expectativas sociais. Houve diferença de gênero nas metas paternas, os pais indicaram mais metas de expectativas sociais para os filhos do que para as filhas.

A literatura sobre crenças é extensa, mas não foram encontrados estudos de crenças sobre investimento. Considerando a importância do investimento parental, a importância de crenças dos pais no nicho de desenvolvimento e a falta de estudos sobre a relação entre os dois aspectos, o objetivo deste estudo é analisar crenças de pais e mães sobre investimento parental e o que relatam fazer para investir na criação de seu filho.

 

Método

Participantes

Participaram da pesquisa 50 homens e 50 mulheres que tinham pelo menos um filho de até seis anos de idade, eram maiores de 18 anos e residiam no Estado do Rio de Janeiro. Os participantes foram contatados por meio de indicações e após a coleta de dados eram solicitadas sugestões de outros pais que pudessem participar. Foi utilizada a técnica da bola de neve (snowball). Qualquer pessoa que tivesse pelo menos um filho de até seis anos de idade era um participante possível. Se ela tivesse mais de um filho nessa faixa etária, a pesquisa era realizada focando o filho mais novo.

A idade média dos pais participantes era 35,3 anos (DP = 6,56) e a das mães 33,2 anos (DP = 6,37). O número médio de filhos era 1,7 (1,05) e 1,58 (0,83) para pais e mães, respectivamente. As mães passavam em média 5,22 horas por dia com os filhos (DP = 2,60) e os pais, 3,75 horas (DP = 2,81). As mães trabalhavam fora menos dias por semana (Pai: M = 5,32 e DP = 1,33; Mãe: M = 4,32 e DP = 1,88) e menos horas por dia (Pai: M = 8,52 e DP = 2,62; Mãe: M = 6,94 e DP = 3). Todos os pais participantes trabalhavam fora de casa e, entre as mães, cinco não trabalhavam fora ou estavam de licença. Quanto à escolaridade, 66% das mães e 46% dos pais tinham pelo menos concluído o ensino superior e somente oito homens e quatro mulheres não tinham o ensino médio completo.

A maioria dos participantes era casada (68% das mulheres e 72% dos homens) e vivia com o pai/mãe do seu filho mais novo (82% das mães e 92% dos pais). Todos os participantes, exceto três pais, moravam com o filho ou filha que era alvo do estudo. Quanto aos filhos, 42% e 48% eram do sexo feminino entre mães e pais, respectivamente.

Instrumentos

Os instrumentos utilizados foram os seguintes.

Ficha de dados sociodemográficos e de características dos participantes. Inclui dados sociodemográficos sobre os participantes, tais como idade, estado civil, escolaridade. Abrange também as seguintes informações que foram consideradas importantes para caracterizar a amostra: número de filhos, sexo da criança mais nova, se o participante morava com esta criança, se vivia com o pai (mãe) deste filho, quantos dias trabalhava por semana, quantas horas trabalhava por dia e quantas horas ficava com o filho mais novo.

Crenças sobre investimento parental: Entrevista com duas perguntas abertas: (a) "Um casal acaba de ter um bebê. O que você acha que eles devem fazer para investir na criação dele desde a infância?"; e (b) "E você, o que fez ou faz para investir na criação do seu filho até agora?".

Procedimento

Coleta de dados. Após parecer favorável da comissão de ética, os potenciais participantes, previamente indicados, eram contatados e convidados a participar. Nesse primeiro contato, geralmente telefônico, a pesquisa era relatada de uma forma geral e havendo interesse em participar era marcado um encontro presencial no melhor dia, horário e local para o participante. Nessa ocasião, eram explicados mais detalhadamente os objetivos e métodos da pesquisa e, havendo concordância, o participante assinava um Termo de Consentimento e depois era iniciada a entrevista. Os entrevistados responderam livremente, suas respostas foram registradas por meio de gravador de áudio e transcritas pela pesquisadora.

Análise dos dados. Foi realizada uma análise de conteúdo em que as categorias foram criadas a partir do exame das repostas às perguntas abertas feitas aos participantes. Foi feito um levantamento de todas as respostas dos 100 participantes às duas perguntas; a partir delas, foram definidas seis categorias que poderiam indicar diferentes tipos de investimento parental. São elas:

Investimento financeiro: relacionado à economia de dinheiro, ao planejamento das finanças quando se tem um filho e a todos os gastos que envolvem a sua criação.

Investimento emocional: a entrega emocional que está presente na criação de um filho. Engloba todo o envolvimento afetivo.

Investimento em cuidados básicos: preocupação com os cuidados primários, tais como: levar ao médico, deixar limpo, alimentar, amamentar, proteger, fazer dormir.

Investimento intelectual: relacionado à preocupação com o desenvolvimento cognitivo da criança, envolve respostas como procurar uma boa escola, investir para ela progredir na vida, colocar em cursos, dar brinquedos educativos, estimular, incentivar a leitura.

Investimento social-espiritual: envolve aspectos ligados à convivência com outras pessoas, a como viver em sociedade, à importância de saber se comportar, de ter valores morais e de ter uma crença religiosa.

Investimento familiar-pessoal: voltado para um investimento nos pais, na família, no ambiente familiar que se proporciona ao filho. Envolve respostas relacionadas à importância da participação familiar, do bem-estar dos pais.

Os relatos das entrevistas foram analisados pela primeira autora. Para avaliar a fidedignidade, 20% das respostas foram analisadas por um segundo avaliador de forma independente. Este avaliador era um participante do grupo de pesquisa do qual as autoras fazem parte. A concordância foi de 92%. A partir da codificação das categorias, foram calculados escores em cada uma delas, consistindo da razão entre o número de respostas de uma categoria e o total de respostas dadas pelo participante à pergunta. Vide o exemplo a seguir.

Mãe 3 - Eu acho que o casal deve investir primeiramente em ter um ambiente calmo, tranquilo (familiar), é... pra formação da personalidade da criança (social), dar muito amor (emocional), muito carinho (emocional), é... investir em educação (intelectual), é... nos estudos dele (intelectual), na orientação (social), ser participativo (emocional), amigo (emocional), né, da criança, investir em saúde (cuidados).

Total de respostas = -10; N respostas sobre investimento familiar (IF) = 1, Escore na categoria IV = 0,10; N respostas sobre investimento social (IS) = 2, Escore em IS = 0,20; N respostas sobre investimento emocional (IE) = 4; Escore em IE = 0,40; N respostas sobre investimento intelectual (II) = 2, Escore em II = 0,20; N respostas investimento em cuidados (IC) = 1, Escore em IC = 0,10.

Os dados foram tratados inicialmente por estatística descritiva (média e desvio padrão). Para investigar associações entre o investimento ideal (crenças), o investimento real (relato do que faz) e as variáveis sociodemográficas e características dos participantes, foram realizados testes de correlação de Pearson. Para verificar diferenças entre as respostas de pais e mães foram realizadas análises univariadas (GLM). Para verificar diferenças entre as respostas às perguntas 1 e 2 para pais e mães separadamente foi aplicado o teste t para amostras dependentes. Utilizou-se um nível alfa de 0,05 nas análises estatísticas.

Considerações Éticas

A pesquisa foi realizada buscando observar e atender as normas da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP, Conselho Nacional de Saúde, Ministério da Saúde, Brasil) e o Código de Ética Profissional dos Psicólogos. Por se tratar de uma pesquisa envolvendo seres humanos, esta investigação foi cuidadosamente elaborada visando atender às exigências estabelecidas pela Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde e seus desdobramentos. Foi submetida ao Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), tendo o número de protocolo 035.2008.

 

Resultados e Discussão

As tabelas apresentadas nesta seção reúnem resultados a respeito das crenças sobre práticas de investimento e das práticas de investimento relatadas. No texto, comentam-se e discutem-se primeiramente os resultados relativos a crenças, identificadas como investimento ideal, valorizado ou importante. Em sequência são apresentados e discutidos os resultados de práticas relatadas, também designadas como investimento real ou realizado.

Concepção de Investimento

Com relação à pergunta "Um casal acaba de ter um bebê. O que você acha que eles devem fazer para investir na criação dele desde a infância?" as mães deram um total de 361 respostas, com média de 7,2 respostas por participante, enquanto os pais deram 242 respostas, obtendo média de 4,84. As médias e desvios dos escores em cada uma das categorias são apresentados na Tabela 1, nas duas colunas com a palavra ideal no cabeçalho.

No que se refere ao investimento ideal, valorizado, pais e mães obtiveram maior média no investimento emocional, que está relacionado a todo envolvimento afetivo no processo de criação de um filho. Em segundo lugar, para as mulheres destacou-se o investimento intelectual, seguido do social-espiritual, familiar-pessoal, financeiro e por fim o investimento nos cuidados básicos. Já entre os homens a ordem foi intelectual, social-espiritual, familiar-pessoal, cuidados e financeiro. Esse é um resultado interessante, pois tradicionalmente as mães ficavam responsáveis pelos cuidados primários e os pais se encarregavam do suporte financeiro, trabalhando para sustentar a família (Brasileiro, Féres-Carneiro, & Jablonski, 2002). Em contraste, no presente estudo, os pais indicaram valorizar menos o aspecto financeiro, e as mães atribuíram menor importância à realização dos cuidados básicos.

Foram realizadas análises univariadas (GLM) para verificar se havia diferença entre pais e mães, assim como diferenças relacionadas às variáveis sociodemográficas e características dos participantes, em relação aos tipos de investimento valorizados. Observou-se variação significativa na importância que os pais davam ao investimento social e espiritual, relacionada ao sexo do bebê, F (1,48) = 5,02, p < 0,05. Os pais de meninas, com média igual a 0,22 (DP = 0,30), deram mais importância a esse tipo de investimento do que os pais de meninos, cuja média foi 0,07 (DP = 0,16). Parece que os homens dessa amostra se preocupam mais com a educação moral, o caráter, o bom comportamento, a formação religiosa para as filhas do que para os filhos, o que é diverso do encontrado em mães euro-americanas do estudo de Leyendecker et al. (2002) e também em mães do Rio de Janeiro (Seidl-de-Moura et al., 2009), que valorizavam mais as expectativas sociais e os valores religiosos para os meninos que para as meninas.

Nas demais comparações os resultados não foram significativos, indicando que, em geral, a importância atribuída aos diferentes tipos de investimento não foi influenciada pelo sexo e pela escolaridade do participante. Em relação à escolaridade, talvez possa não ter sido encontrada diferença significativa devido à homogeneidade da amostra nessa variável. Em média, a escolaridade dos participantes era alta, com mais da metade dos participantes tendo concluído o ensino superior.

Foram realizadas correlações de Pearson entre os tipos de investimento e as seguintes variáveis: idade dos participantes, idade do filho, horas que trabalha por dia, dias que trabalha por semana, horas que passa com o filho por dia e número de filhos. A Tabela 2 mostra os resultados significativos encontrados para mães e pais. Os resultados obtidos consistem em correlações moderadas e isso deve ser levado em conta na discussão a seguir.

Atentando para os resultados relativos ao investimento ideal, valorizado, percebe-se que quanto mais horas a mãe tem disponíveis para ficar com seu filho, mais ela valoriza o investimento em cuidados. Talvez isso seja reflexo da própria experiência, pois tendo mais tempo livre é provável que ela exerça mais esses cuidados no cotidiano com seu próprio filho. O número de filhos correlacionou-se positivamente com o investimento social-espiritual, o que demonstra uma maior valorização desse investimento pelas mães que têm mais filhos, indicando talvez uma orientação religiosa subjacente. Em relação às correlações negativas, parece que quanto menor o filho, mais as mães valorizaram o investimento em cuidados. Isso é esperado, pois filhos menores necessitam de mais cuidados. Nesta fase, como as mães estão amamentando, preocupando-se com várias vacinas, entre outros aspectos relacionados às necessidades de crianças pequenas, é compreensível que deem bastante importância a esse tipo de investimento.

Há uma relação inversa entre o tempo que as mães passam com seus filhos e o escore de valorização do investimento intelectual. Esse resultado pode estar relacionado ao fato de que a mãe com menos disponibilidade de tempo precisa confiar a criança a cuidados alternativos; portanto, a preocupação em procurar boas instituições de ensino seria mais forte para essas mulheres. O investimento intelectual também correlacionou negativamente com investimento emocional. Ou seja, quanto mais as mães valorizam o desenvolvimento cognitivo do filho, menos elas dão importância aos aspectos emocionais e ao vínculo com a criança como forma de investimento.

Observa-se que entre os pais o número de correlações significativas foi menor que entre as mães. Foi encontrada uma correlação positiva entre a idade e o investimento social-espiritual, assinalando que os pais mais velhos, em relação aos mais jovens, valorizam mais o investimento nos aspectos relacionados à boa convivência da criança em sociedade, um bom comportamento em público. O contrário foi encontrado nos pais franceses da pesquisa de Suizzo (2002), onde os pais mais jovens enfatizavam mais uma apresentação apropriada em público. Por fim, percebe-se que da mesma forma que as mães, pais que enfatizam o investimento emocional valorizam menos o intelectual.

Práticas de Investimento

Com relação à questão "O que você fez ou faz para investir na criação do seu filho até agora?" foram registradas 353 respostas para as mães e novamente um menor número para os pais, 252. A média foi de 7,06 e 5,04 respostas por participantes para mães e pais, respectivamente. Isso parece relacionado ao fato de que, em geral, os homens passavam menos tempo com seus filhos, pois trabalhavam fora mais tempo que as mulheres, tendo talvez menos oportunidades de exercerem determinados tipos de investimento. As médias e desvios-padrão por tipo de investimento são apresentados na Tabela 1, nas duas colunas com a palavra real no cabeçalho.

Quanto ao tipo de investimento realizado, homens e mulheres apresentaram algumas diferenças. As mães apresentaram maior média em práticas de investimento emocional, seguidas dos aspectos sociais e religiosos, cuidados básicos, intelectuais, financeiro e por último familiar-pessoal. Os pais parecem investir um pouco mais nos aspectos emocionais, juntamente com os sociais e espirituais, e depois nos intelectuais, nos cuidados, na parte financeira e muito pouco no investimento próprio e familiar. Parece que os participantes dessa amostra buscam estar com seu filho, serem amigos dele, dar afeto e também procuram dar orientação, conversar, ensinar bons hábitos, dar exemplos, etc. No entanto, não relataram investir em si mesmos e na relação familiar com tanta intensidade.

Foram realizadas análises univariadas (GLM) para verificar se havia diferença entre pais e mães, assim como diferenças relacionadas às variáveis sociodemográficas e características dos participantes, em relação aos tipos de investimento que eles diziam realizar. O tipo de participante (pai ou mãe) mostrou-se um fator significativo nos escores de investimento intelectual, F (1,98) = 4,42, p < 0,05. As médias foram 0,21 (0,26) e 0,12 (0,19) para pais e mães, respectivamente. Os homens relatam investir mais intelectualmente nos filhos do que as mulheres, ou seja, a busca por boas escolas, cursos, ênfase na estimulação é mais executada por eles.

Na amostra de mães, o fator sexo do bebê foi associado ao investimento em cuidados, F (1,48) = 4,82, p < 0,05, e o fator convivência com o pai de seu filho foi associado ao investimento intelectual, F (1,48) = 4,86, p < 0,05. As mães de meninos (M = 0,20; DP = 0,19) indicam investir mais em cuidados básicos do que as mães de meninas (M = 0,09; DP = 0,14). Percebe-se também que as mães que não vivem com o pai de seu filho (M = 0,24; DP = 0,30) relatam executar mais o investimento intelectual do que aquelas que vivem com o pai da criança (M = 0,09; DP = 0,14). Esse resultado, de certa forma, corrobora o anterior sobre os pais investirem mais intelectualmente nos filhos. Talvez a mãe que não vive com o pai da criança busque investir mais em aspectos cognitivos, de estimulação, para compensar essa ausência, ou até mesmo por falta de opção. Não tendo quem se preocupe em procurar boas escolas, por exemplo, a única alternativa é a mãe fazer essa tarefa.

As correlações de Pearson apresentadas na Tabela 2, entre os tipos de investimento realizado e as mesmas variáveis sociodemográficas e de características dos participantes, complementam esses resultados. Para o grupo de mães, observa-se que quanto mais velhos os filhos, mais as mães relatam investir neles intelectualmente. Esse resultado é compreensível, pois essa categoria inclui atividades que se aplicam melhor a crianças um pouco mais velhas, como colocar em cursos, incentivar a leitura, acompanhar os trabalhos de casa, entre outras.

Quanto mais as mães investem emocionalmente, menos elas exercem os cuidados básicos. Parece que a preocupação em ter que levar ao médico, alimentar, vestir e proteger pode levar a menor ênfase em aspectos afetivos. Também foi observado que quanto mais filhos, menor é o investimento na orientação, na exposição à convivência com outras pessoas e na formação religiosa, o que se contrapõe a outro resultado encontrado neste estudo, de uma correlação positiva significativa entre o número de filhos e a valorização do investimento social-espiritual. É possível que exista a intenção de exercê-lo, mas talvez um número maior de crianças torne essa tarefa mais difícil.

Quanto aos resultados encontrados para os pais, percebe-se que da mesma forma que as mães, quanto mais velhos os filhos, mais os pais relatam investir intelectualmente neles. Seabra (2007) em sua pesquisa constatou o inverso, ou seja, que os pais eram mais engajados nas questões escolares quando os filhos eram menores. Por outro lado, quanto mais velhos os filhos, menor é o investimento no aspecto emocional, como dar carinho, estar presente, ser participativo na vida da criança. Esse resultado talvez seja contrário ao que foi encontrado por Fouts (2008) com povos forrageadores da África, esse autor identificou maior proximidade e contato físico entre pais e filhos quando a criança era mais velha.

Na amostra do presente estudo, é possível que os participantes acreditem que a demonstração de afeto faz-se mais necessária nos períodos iniciais do desenvolvimento, não sendo tão essencial à medida que as crianças vão crescendo. Além disso, quanto maior o investimento nos aspectos afetivos, menor nos aspectos cognitivos, confirmando o resultado da parte de crenças. Do mesmo modo, em relação ao número de filhos, constatou-se que quanto mais filhos os pais tinham, menos eles relatavam aspectos relacionados à dedicação, à presença e afeto. É possível que isto esteja relacionado com a falta de tempo dos homens visto que, conforme observado nessa amostra, eles já passam menos tempo com os filhos e quanto maior o número de crianças, mais essa atenção precisa ser dividida. Foi encontrada uma correlação negativa entre o investimento em cuidados básicos e os aspectos sociais e a questão espiritual, indicando que quanto maior o investimento na saúde, proteção, alimentação, por exemplo, menos os pais investem em conversar, orientar e ensinar bons hábitos aos filhos.

Em geral, é possível perceber que foram encontradas diferenças entre as crenças e práticas parentais em relação a outros estudos (Fouts, 2008; Leyendecker et al., 2002; Suizzo, 2002) realizados em outros contextos. Esses resultados comprovam o caráter não universal e não estático das crenças. Comparando homens e mulheres, foram encontrados curiosos resultados que indicam maior preocupação com os cuidados básicos por parte dos homens, embora eles ainda sejam realizados mais intensamente pelas mulheres. Parece que as mães ainda investem um pouco mais nos filhos, principalmente em relação a esses cuidados básicos, talvez até pelo tempo que elas tenham a mais para ficar com os filhos, já que trabalham fora menos horas, em geral.

Ainda assim, parece que existe uma tendência de maior participação paterna. É possível que esses pais estejam exercendo a paternidade com manifestações de mudança, da mesma forma que Seabra (2007) observou nos pais de seu estudo. O fato de haver uma grande realização do investimento afetivo também por parte dos homens é bastante intrigante já que esta não é a imagem usual dos mesmos, e agora parecem estar emocionalmente mais ligados aos filhos.

De acordo com os resultados apresentados e pensando nas trajetórias de socialização relatadas por Keller e Chasiotis (2007), é possível que exista uma tendência dos participantes desta pesquisa a apresentarem uma orientação relacional, pois houve valorização e realização dos aspectos afetivos que envolvem dar carinho, estar perto. Do mesmo modo, o investimento social foi bastante relatado como um tipo de investimento praticado, demonstrando uma preocupação com as relações interpessoais e a vida em sociedade, o que também é peculiar das trajetórias relacionais. Entretanto, a ênfase nas questões cognitivas, de preocupação com escola, incentivos e estimulação, talvez indique uma dupla orientação, caracterizando o modelo autônomo-relacional para pais e mães desse estudo, corroborando os resultados dos outros estudos brasileiros (Seidl-de-Moura et al., 2009; Bandeira et al., 2009).

Relação entre Práticas Valorizadas e Práticas Relatadas

Foram realizados testes t para amostras dependentes, em cada categoria, para verificar possíveis diferenças entre o que os participantes diziam ser importante e aquilo que eles relatavam fazer de fato. Os resultados se encontram na Tabela 3.

É possível observar que as mães parecem realizar mais as tarefas de cuidado como limpar, alimentar etc., do que relataram como sendo atividades importantes. Talvez isso possa ser tão natural para elas que, sendo questionadas sobre o que se deve fazer para investir em um filho, esse tipo de investimento não seja facilmente cogitado, pois o consideram básico e necessário. No entanto, quando lhes é perguntado sobre o seu investimento com o filho e começam a pensar na sua rotina com ele, esses cuidados básicos de limpar, alimentar, proteger parecem surgir com mais frequência. Percebe-se também que essas mães acreditam que colocar em boas escolas e incentivar os estudos são aspectos importantes, no entanto, elas valorizam mais do que realizam esse investimento intelectual. O contrário acontece com o investimento social-espiritual; neste caso, elas dizem executar mais as tarefas de orientar, ensinar bons modos e como viver em sociedade do que relatam como sendo importante. Em relação aos pais, observa-se que eles, assim como as mães, dizem realizar mais atividades voltadas para orientação, ensino e formação religiosa do que relataram como sendo ações importantes a serem realizadas pelos genitores.

Esses resultados podem confirmar a não linearidade que existe na relação entre crenças e práticas, mostrando que o que se pensa nem sempre condiz com o que se faz (Lightfoot & Valsiner, 1992). Isso está relacionado também com as expectativas que cada um tem. Muitas vezes as pessoas desejam fazer algo que consideram ser importante, mas nem sempre é possível que elas consigam.

 

Considerações Finais

Esta pesquisa dá continuidade a investigações sobre crenças parentais em grupos brasileiros e traz uma contribuição específica para o estudo de crenças relativas a investimento parental, principalmente em relação aos pais, que muitas vezes são preteridos nessas pesquisas. Entretanto, apresenta algumas limitações, pois outros aspectos que poderiam afetar o tema em questão, como nível socioeconômico, situação familiar e conjugal, entre outros, não foram abordados, além de ter um pequeno número de participantes, sendo a maioria de nível de escolaridade alto. Sendo assim, acredita-se que outros estudos ainda necessitam ser realizados comparando pessoas de diferentes níveis socioeconômicos ou de contextos diversos, como por exemplo, urbano e rural. Da mesma forma seria interessante a realização de pesquisas observacionais no intuito de verificar não apenas a diferença entre o que os pais consideram importantes e dizem realizar, mas sim entre o que eles valorizam e o que efetivamente fazem. Esse foi um primeiro passo para tentar investigar as crenças sobre investimento parental, sendo este relevante na área acadêmica por ampliar a perspectiva de estudo sobre crenças e práticas e sobre as diferenças entre pais e mães na criação de filhos.

 

Referências

Bandeira, T. T. A., Seidl-de-Moura, M. L., & Vieira, M. L. (2009). Metas de socialização de pais e mães para seus filhos. Revista Brasileira de Crescimento e Desenvolvimento Humano, 19(3), 445-456.         [ Links ]

Brasileiro, R. F., Jablonski, B., & Féres-Carneiro,T. (2002). Papéis de gênero, transição para a paternalidade e a questão da tradicionalização. Psico (Porto Alegre), 33(2), 289-310.         [ Links ]

Diniz, P. K. C., & Salomão, N. M. R. (2010). Metas de socialização e estratégias de ação paternas e maternas. Paidéia (Ribeirão Preto), 20(46), 145-154. doi:10.1590/S0103-863X2010000200002        [ Links ]

Fouts, H. N. (2008). Father involvement with young children among the Aka and Bofi foragers. Cross-Cultural Research, 42(3), 290-312. doi:10.1177/1069397108317484        [ Links ]

Geary, D. C., & Flinn, M. V. (2001). Evolution of human parental behavior and the human family. Parenting: Science and Practice, 1(1), 5-61.         [ Links ]

Kagitçibasi, Ç. (1996). The autonomous-relational self: A new synthesis. European Psychologist, 1(3), 180-186. doi:10.1027/1016-9040.1.3.180        [ Links ]

Keller, H., & Chasiotis, A. (2007). Maternal investment. In C. A. Salmon & T. K. Shackelford (Eds.), Family relations: An evolutionary perspective (pp. 96-111). Oxford, United Kingdom: Oxford University Press.         [ Links ]

Lightfoot, C., & Valsiner, J. (1992). Parental belief systems under the influence: Social guidance of the construction of personal cultures. In I. S. Sigel, A. V. McGillicuddy-DeLisi, & J. J. Goodnow (Eds.), Parental belief systems: The psychological consequences for children (2nd ed., pp. 393-414). Hillsdale, NJ: Lawrence Erlbaum.         [ Links ]

Leyendecker, B., Harwood, R. L., Lamb, M. E., & Scholmerich, A. (2002). Mothers' socialisation goals and evaluations of desirable and undesirable everyday situations in two diverse cultural groups. International Journal of Behavioral Development, 26(3), 248-258. doi:10.1080/01650250143000030        [ Links ]

Quilan, R. J. (2007). Human parental effort and environmental risk. Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences, 274(1606), 121-125. doi:10.1098/rspb.2006.3690        [ Links ]

Seabra, K. C. (2007). A paternidade em família urbana: Análise da participação do pai na creche-escola e nos cuidados com os filhos. Tese de doutorado, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.         [ Links ]

Seidl-de-Moura, M. L., Bandeira, T. T. A., Campos, K. N., da Cruz, E. M., Amaral, G. S., & de Marca, R. G. C. (2009). Parenting cultural models of a group of mothers from Rio de Janeiro. The Spanish Journal of Psychology, 12(2), 506-517.         [ Links ]

Seidl-de-Moura, M. L., Lordelo, E., Vieira, M. L., Piccinnini, C. A., Siqueira, J. O., Magalhães, C. M. C., Pontes, F. A. R., Salomão, N. M., & Rimoli, A. (2008). Brazilian mothers' socialization goals: Intracultural differences in seven Brazilian cities. International Journal of Behavioral Development, 32(6), 465-472. doi:10.1177/0165025408093666        [ Links ]

Suizzo, M.-A. (2002). French parents' cultural models and childrearing beliefs. International Journal of Behavioral Development, 26(4), 297-307. doi:10.1080/01650250143000175        [ Links ]

Trivers, R. L. (1972). Parental investment and sexual selection. In B. Campbell (Ed.), Sexual selection and the descent of man: 1871-1971 (pp. 136-179). London: Heinemann.         [ Links ]

Vieira, M. L., Seidl-de-Moura, M. L., Lordelo, E., Piccinnini, C. A., Martins, G. D. F., Macarini, S. M., Moncorvo, M. C. R., Pontes, F. A. R., Magalhães, C. M. C., Salomão, N. M. R., & Rimoli, A. O. (2010). Brazilian mother's beliefs about child-rearing practices. Journal of Cross-Cultural Psychology, 41(2), 195-211. doi:10.1177/0022022109354642        [ Links ]

Yeung, W. J., Linver, M. R., & Brooks-Gunn, J. (2002). How money matters for young children's development: Parental investment and family processes. Child Development, 73(6), 1861-1879. doi:10.1111/1467-8624.t01-1-00511        [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência:
Tatiana Targino Alves Bandeira.
Rua Piranga, 42, apto. 301.
CEP 20.720-030. Rio de Janeiro-RJ, Brasil.
E-mail: tatitargino.targino@gmail.com

Recebido: 15/07/ 2011
1ª revisão: 07/05/2012
2ª revisão: 17/09/2012
Aceite final: 20/09/2012

 

 

Tatiana Targino Alves Bandeira é Mestre em Psicologia Social pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Maria Lucia Seidl-de-Moura é Professora Titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
1 Artigo derivado da Dissertação de Mestrado da primeira autora sob orientação da segunda autora, defendida em 2009, no Programa de Pós-graduação em Psicologia Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Apoio: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ).

Creative Commons License All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License