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Scientia Agricola

On-line version ISSN 1678-992X

Sci. agric. (Piracicaba, Braz.) vol.50 no.2 Piracicaba Sept. 1993

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-90161993000200015 

FITOTECNIA

 

Combate experimental ao ácaro da leprose Brevipalpus phoenicis (Geijskes, 1939) em citros

 

Chemical control of the leprosis mite Brevipalpus phoenicis (Geuskes, 1939) in citrus

 

 

H.M. Campos NetoI; E. MouraI; H.R. PassosI; F. Ciniglio NetoI; F.A.M. MariconiI;
J.A. Scarpari FilhoII

IDepartamento de Zoologia - ESALQ/USP - C.P. 9, CEP: 13418-900-Piracicaba,SP
IIEstação Experimental para Produção de Mudas e Sementes - SA/CATI - CEP: 18530-000-Tietê,SP

 

 


RESUMO

Com o objetivo de combater o ácaro Brevipalpus phoenicis (Geijskes), transmissor do vírus da leprose, foi estudada a eficiência de diferentes defensivos químicos. Os tratamentos foram seis, cada um com quatro repetições. A) propargite (0,05 CE 72%) + enxofre (1,0 SC 75%); B) peropal (0,1 kg PM 25%); C) quinometionato (0,05 kg PM 70%) (padrão); D) dicofol + tetradifom (0,2 CE 16% + 6%); E) propargite (0,075 CE 72%); F) testemunha. Cada laranjeira recebeu dez litros de calda numa única aplicação; usou-se o espalhante-adesivo "Extravon", à razão de 20 cm3/l00 litros de calda. Foram feitas cinco avaliações de infestações de ácaro: uma 4 dias antes da aplicação e outras após 16, 31, 45 e 60 dias da pulverização. Com exceção dos tratamentos propargite + enxofre (aos 16 dias) e quinometionato (aos 60 dias), todos os produtos apresentaram porcentagem de redução real da praga acima de 80% nas diferentes épocas de avaliação.

Descritores: Brevipalpus phoenicis, ácaro da leprose, citros, juvenóide, acaricida.


ABSTRACT

A field test was carried out to evaluate the performance of several pesticides for the control of the citrus leprosis mite Brevipalpus phoenicis. The treatments were as follows: A) propargite (0.05 72% EC) + sulphur (1,0 75% CS); B) peropal (0.1 kg 25% MP); C) quinomethionate (0.05 kg 70% MP) (standard treatment); D) dicofol + tetradifon (0.2 (16% + 6%) EC; E) propargite (0.075 72% EC); F) check. The quantities of the products employed in the experiment were based on the commercial formulations for 100 liters of water. Each orange-tree received a single application of ten liters of spray. Five mite evaluations were made: 4 days before spray and 16, 31, 45 and 60 days after the application. All treatments resulted in real pest reduction, higher than 80%, except for A (16 days after the spray) and for treatment C (60 days after the application).

Key Words: Brevipalpus phoenicis, citrus leprosis mite, citrus, juvenoid, acaricide.


 

 

INTRODUÇÃO

A leprose, hoje um dos principais problemas da citricultura paulista, é uma doença cujo vetor é o ácaro da leprose Brevipalpus phoenicis (Geijskes, 1939). No fruto provoca lesões que chegam a causar sua queda. Ocorrem freqüentemente perdas consideráveis nos pomares atacados. A doença ataca também os ramos e folhas, quando em maior nível de infestação. Visando diminuir esses danos, vários pesquisadores têm realizado trabalhos para controlar quimicamente o vetor. BERTOLOTTI et al. (1976) conseguiram excelentes resultados com o binapacril; vários outros produtos não conduziram a bons resultados. MARICONI et al. (1979) experimentaram seis defensivos, diluídos em baixo volume de água, mas nenhum deles conduziu a bons resultados. CHIAVEGATO et al. (1983) constataram a eficiência do dicofol e a influência do aldicarbe no comportamento do aracnídeo. CHIAVEGATO & YAMASHITA (1984) verificaram que os tratamentos com avermectina (abamectina) conduziram a excelentes resultados; a adição de óleo mineral a esse produto não alterou seu comportamento. OLIVEIRA (1986a) constatou que a avermectina MK 936 (abamectina), aplicada isoladamente ou com óleo mineral, e o dicofol mantiveram baixa a população do ácaro. OLIVEIRA (1986b) verificou a boa atuação do binapacril, bromopropilato, binapacril + teflurom, hexitiazox, óxido de fembutatina e ciexatina; verificou também que o dicofol não mostrou eficiência após 30 dias de aplicação. SILVA et al. (1986) observaram ótimos resultados até 34 dias com a ciexatina, quinometionato, flubenzimina e bromopropilato (aos 58 dias, o bromopropilato apresentou 100% de controle). MOTTA et al. (1987) obtiveram excelentes resultados com hexitiazox + ciexatina, bromopropilato e hexitiazox isoladamente, este até na dosagem de apenas 6g de IA em 100 litros de água. RAIZER et al. (1988) pulverizaram diversos produtos. Aos 36 e 50 dias somente se destacou o binapacril; aos 64 dias, foram muito bons o binapacril e as duas dosagens de triflumurom (juvenóide). MARICONI et al. (1989) usaram vários produtos; aos 35 dias da pulverização destacaram-se a clofentezina e o dIcofol, ambos com 100% de redução real; o piretróide RU-1000 foi também excelente.

PAPA et al. (1989) obtiveram excelente resultado com três formulações de bifentrina, por mais de 100 dias após a aplicação. CLARI et al. (1993) não obtiveram bons resultados com quatro dosagens do juvenóide flucicloxurom; o propargite e o bromopropilato conduziram a ótimos resultados.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Local: Estação Experimental para Produção de Mudas e Sementes em Tietê, SP, de propriedade da CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral).

Pomar: formado de variedade "Natal", de 16 a 17 anos de idade, plantadas em espaçamentos de 7,0m (entre linhas) e 6,0m (entre plantas), havendo, portanto, 238 plantas por hectare.

Tratamentos: em número de seis, com quatro repetições (Figura 1). Foi adotado o método de blocos casualizados. Cada parcela englobava três laranjeiras, sendo pulverizada apenas a planta central. Os produtos foram misturados na água pouco antes de ser iniciada a pulverização. Nos pulverizadores foram colocados 10 litros de calda, quantidade aplicada em toda a copa de uma planta. Como espalhante-adesivo utilizou-se o "Extravon", na dosagem de 20 cm3/100 litros de calda.

 

 

Pulverizadores: utilizaram-se dois aparelhos costais motorizados, com capacidade de 12 litros.

Contagens: realizou-se a aplicação a 16 de julho de 1991. As contagens do acaro foram feitas nos frutos; estes, para as devidas contagens, foram coletados em cinco ocasiões: a primeira a 12 de julho (04 dias antes da pulverização) e as outras, em 01, 16 e 30 de agosto e 14 de setembro (após 16, 31, 45 e 60 dias da aplicação). Para cada avaliação, foram apanhados 5 frutos em cada parcela. As laranjas foram apanhadas em toda a volta das plantas, desde que apresentassem áreas com verrugose. Os frutos foram marcados em quatro locais com um vazador, delimitando uma área circular de 2,3 cm2. Assim, cada laranja apresentava quatro áreas semelhantes para as avaliações do número de ácaros da leprose. Ácaros predadores Phytoseiidae apareciam em número diminuto na última avaliação (TABELA 1).

 

 

Redução real (eficiência); as contagens de cada tratamento foram submetidas à formula transformada de Abbott que se baseia nas porcentagens de sobrevivência, que considera todos os fatores essenciais para determinar exatamente o grau de eficiência e, principalmente, a mortalidade natural na testemunha (UNTERSTENHOEFER, 1963) (TABELA 2).

 

 

Análise estatística: as populações de ácaro, de cada parcela, em cada contagem, foram transformadas em x + 0,5; a seguir, os resultados foram analisados pelo teste "F" e feita a análise das médias pelo teste de "Tukey", ao nível de 5% de probabilidade (TABELA 3).

 

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Pela análise estatística, ao nível de 5% de probabilidade, e as reduções reais da população do ácaro, constataram-se os seguintes resultados: Contagem prévia (04 dias antes da pulverização): todos os tratamentos foram estatisticamente semelhantes entre si. 1ª Contagem (após 16 dias da aplicação): todos os seis tratamentos continuaram com resultados estatisticamente semelhantes entre si; a redução real foi baixa somente no tratamento A (propargite + enxofre). 2ª e 3ª Contagens (após 31 e 45 dias): todos os tratamentos diferiram estatisticamente da testemunha; os cinco defensivos deram resultados semelhantes, com redução real aos 31 dias, de 83,0 a 95,9% e aos 45 dias, de 87,9 a 99,0%. 4ª Contagem (após 60 dias): com exceção do tratamento C (quinometionato), que foi semelhante à testemunha, os demais dela diferiram estatisticamente.

A redução real dos 4 acaricidas que se salientaram foi muito boa a ótima, considerando-se os valores de mortalidade.

 

CONCLUSÕES

De maneira geral, verifica-se que todos os defensivos conduziram o controle do ácaro da leprose de bons a ótimos resultados; entretanto, A (propargite + enxofre) após 16 dias e C (quinometionato) aos 60 dias, atingiram resultados não considerados satisfatórios.

Aos 16 dias, o melhor foi C (quinometionato), seguindo-se de B (azociclotina), E (propargite) e D (dicofol + tetradifom). Aos 31 dias, os melhores foram E, D, B, C, A, com 83,0% ou mais de redução real. Aos 45 dias, os melhores foram B, A, D, E, C com 87,9% a 99,0% de redução real. Aos 60 dias, com a exceção de C, os quatro se salientaram: A, D, B, E, com eficiência de 99,1 a 86,4%.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Trabalho enviado para publicação em 03.11.92
Trabalho aceito para publicação em 22.03.93

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