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Scientia Agricola

Print version ISSN 0103-9016

Sci. agric. (Piracicaba, Braz.) vol.51 no.1 Piracicaba Jan./Apr. 1994

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-90161994000100008 

FITOTECNIA

 

Avaliação de genótipos de Leucaena spp. nas condições edafoclimáticas de São Carlos, SP: I. caracterização fenotípica e avaliação agronômica

 

Evaluation of Leucaena spp. genotypes in the edaphic and climatic conditions of São Carlos, SP: I. phenotypical characterization and agronomical evaluation

 

 

A.C.P. de A. PrimavesiI; A.R.A. NogueiraI; O. PrimavesiI; R. GodoyI; L.A.R. BatistaI; N.J. NovaesI; M.S. França-DantasII

ICentro de Pesquisa de Pecuária do Sudeste/EMBRAPA, C.P. 339, CEP: 13560-970 - São Carlos,SP
IICentro de Pesquisa Agropecuária dos Cerrados -CPAC/EMBRAPA, C.P. 08-223, CEP: 73301-970 - Brasília,DF

 

 


RESUMO

Para avaliar genótipos promissores de Leucaena spp., foi instalado experimento em Latossolo Vermelho-Amarelo distrófico, na área da EMBRAPA-CPPSE em São Carlos, situada a 22°01'S e 47°53'W, com altitude de 856 m e média de precipitação anual de 1502 mm. Foram testados os seguintes genótipos: Leucaena leucocephala cv. Texas 1074 (T1), L.leucocephala 29 A9 (T2), L.leucocephala 11 x L.diversifolia 25 (T3), L.leucocephala 11 x L.leucocephala 26 (T4), L.leucocephala 24-19/2-39 X L.diversifolia 26 (T5) e L.leucocephala cv. Cunningham (testemunha). Através das avaliações efetuadas durante o período de estabelecimento (15 meses), verificou-se que: a) as plantas de L.leucocephala 24-19/2-39 x L.diversifolia 26 se mostraram mais ramificadas e com maior produção de sementes; b) as plantas de L.leucocephala 11 x L.diversifolia 26 apresentaram a maior produção de matéria seca consumível; c) os materiais apresentaram brotação após o corte, semelhante ou inferior à testemunha.

Descritores: Leucaena spp., avaliação de genótipos, caracterização biológica


ABSTRACT

To test promising genotypes of Leucaena spp., selected in a breeding program, an experiment was conducted in a distrofic Red-Yellow Latossol, at the experimental station of EMBRAPA/CPPSE, São Carlos,SP, located at 22°01' and 47°53'W, altitude of 856 m and with a mean annual precipitation of 1502 mm. The following genotypes were tested: L.leucocephala cv. Texas 1074 (T1), L.leucocephala 29 A9 (T2), L.leucocephala 11 x L.diversifolia 25 (T3), L.leucocephala 11 x L.diversifolia 26 (T4), L.leucocephala 24-19/2-39 x L.diversifolia 26 (T5) and L.leucocephala cv. Cunningham (control). Evaluations were performed during the establishment period (fifteen months) and it was concluded that: a) the plants of L.leucocephala 24-19/2-39 x L.diversifolia 26, with early flowering, were the most branched and presented the greatest seed yield; b) the plants of L.leucocephala 11 x L.diversifolia 26, showed the greatest edible dry matter yield; c) the genotypes presented similar or worse growth, than the control, after each harvest.

Key Words: Leucaena spp., evaluation of genotypes, biological characterization.


 

 

INTRODUÇÃO

Nas regiões tropicais, durante a época seca do ano, ocorrem deficiências acentuadas em ferragens para a alimentação animal. A leucena, por possuir um sistema radicular profundo e por produzir ferragem de excelente qualidade nutritiva (alto teor de proteína nas folhas) e boa palatibilidade aos animais, vem se constituindo em uma das alternativas mais importantes para a agropecuária (VILELA & PEDREIRA, 1976).

Trabalhos de SEIFFERT (1982), mostraram que a leucena não cresce bem em solos ácidos, com alto teor de alumínio e deficientes em cálcio, molibdênio e zinco e que o melhor desenvolvimento das plantas se consegue com pH próximo ao neutro.

Objetivando selecionar genótipos de Leucaena spp., tolerantes às condições adversas de solo de cerrados, iniciou-se em 1982 no Centro de Pesquisa Agropecuária dos Cerrados (CPAC-EMBRAPA), um programa de melhoramento desta espécie. Os genótipos que se destacaram neste trabalho foram avaliados em outras condições ecológicas dentro das regiões dos cerrados, sendo o CPPSE de São Carlos um desses locais.

O presente trabalho visa apresentar resultados de avaliações efetuadas durante o período de estabelecimento (15 meses), as quais, foram: ramificação de parte aérea, desenvolvimento, início de florescimento, produção de sementes e produção de matéria seca após o corte.

 

MATERIAIS E MÉTODOS

O experimento foi instalado em Latossolo Vermelho-Amarelo distrófico, na EMBRAPA/ CPPSE de São Carlos, situada a 22°01'S e 47° 53W, com altitude de 856 m, e média de precipitação anual de 1502 mm.

As características químicas do solo onde foi instalado o experimento encontram-se na TABELA 1.

 

 

Antes da instalação, a área foi adubada com 450 kg/ha de superfosfato simples, 100 kg/ha de KC1 e 25 kg/ha de FTE Br-12. Não foi aplicado calcário, pois pretendia-se uma saturação por bases de 25%.

Os genótipos usados foram: Leucaena leucocephala cv. Texas 1074 (TI); L.leucocephala 29 A9 (T2); L.leucocephala 11 x L.diversifolia 25 (T3); L.leucocephala 11 x L.diversifolia 26 (T4); L. leucocephala 24-19/2-39 x L.diversifolia 26 (T5); L.leucocephala cv. Cunningham (C)-testemunha.

O delineamento experimental foi o de blocos ao acaso com três repetições. As parcelas apresentaram 4 Unhas de 7 m de comprimento, espaçadas de 2 m entre as linhas. A área útil abrangia os 5 m medianos das duas linhas centrais.

A semeadura foi realizada em 08/02/89, com 20 sementes viáveis por metro linear, a uma profundidade de 3 cm. As sementes foram previamente escarificadas com água a 80° C (2 minutos) e inoculadas com inoculante específico. A emergência ocorreu 12 dias após o plantio. Aos 100 dias após a instalação foi feito desbaste, deixando-se aproximadamente 5 plantas por metro linear.

Para a avaliação do desenvolvimento, foi determinada a altura média de 10 plantas a cada três meses. O início do florescimento foi registrado quando 25% das plantas de uma parcela apresentavam flores. A produção de sementes foi avaUada pelo total de sementes produzidas no período de estabelecimento na área útil dos 3 blocos (60 m2). Determinou-se o número de plantas ramificadas dentro da área útil da parcela e avaliou-se a percentagem de ramificação.

Após 15 meses (período de estabelecimento) foi efetuado um corte a 30-40 cm do solo. Após o corte, foram avaliados: a produção de matéria seca, o percentual de hastes, folhas e vagens em relação à parte consumível (hastes + folhas + vagens) e a capacidade de rebrota.

A capacidade de rebrota foi avaUada visualmente após o primeiro corte, dentro dos seguintes critérios: 1. Péssima: menos que 50% da testemunha; 2. má: 50 a 90% da testemunha; 3. regular: semelhante a testemunha; 4. boa: 10 a 50% a mais que a testemunha; 5. excelente: mais que 50% da testemunha.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os dados de altura das plantas são apresentados na TABELA 2.

 

 

As plantas dos tratamentos T2, T3 e T4, na época 3, mostraram o maior desenvolvimento (40, 31 e 36% superiores, respectivamente, à testemunha C) e as do tratamento T5, o menor (18% inferior à testemunha C).

As plantas do tratamento T5 foram precoces, pois iniciaram o florescimento em setembro 1989, as do tratamento T1, T4 e C apresentaram florescimento intermediário (novembro 1989) e as dos tratamentos T2 e T3, registraram florescimento tardio (abril 1990). Considerando-se haver queda na produção de ferragem após o florescimento, o florescimento tardio é uma característica extremamente desejável.

Sendo a leucena utilizada para corte ou pastejo, genótipos com porte arbustivo são mais convenientes. Entretanto, verificou-se que as plantas de porte arbustivo (T1, T5 e C) apresentaram florescimento precoce, e as de porte ereto (T2, T3 e T4), florescimento tardio, o que também foi constatado por Gray (apud Brewbaker et al., 1972) mas, no entanto, essas épocas de florescimento são herdadas independentemente do hábito de crescimento.

A produção de sementes foi avaliada para se verificar a possibilidade da multiplicação local dos genótipos. Assim, a TABELA 3 mostra a produção de sementes no período de estabelecimento (15 meses) dos diversos genótipos de leucena.

 

 

As plantas do tratamento T5, precoces, apresentaram a maior produção de sementes seguidas das plantas do tratamento T1. Verifica-se que apenas T2 e T3 não apresentaram boa capacidade de produção de sementes.

A capacidadede ramificação normalmente está associada à produção de ferragem. A TABELA 4 apresenta a percentagem média de ramificação dos diversos materiais de leucena. Constatou-se que as plantas do tratamento T5 apresentaram a ramificação mais intensa (7% a mais que a testemunha) e as do tratamento T3 a menos intensa (44% a menos que a testemunha). As plantas dos tratamentos T2 e T4 apresentaram porte ereto.

 

 

Considerando a variação da população nas parcelas como sendo uma covariável na análise de variância, obteve-se as seguintes médias estimadas para produção de matéria seca total, de folhas, de vagens, de talos grossos e da parte consumível (TABELA 5).

 

 

Verifica-se que durante o período de estabelecimento, as plantas dos tratamentos T2 e T4 apresentaram a maior produção de matéria seca total (83 e 88%, respectivamente, superior à testemunha) e as do tratamento T4 a maior produção de matéria seca consumível (90% superior à testemunha). As plantas do tratamento T4 registraram a maior produção de matéria seca de folhas e de talos finos (176% e 80%, respectivamente, superiora testemunha). As plantas dos tratamentos T2, T3 e T4 apresentaram a maior produção de matéria seca de talo grosso, devido ao fato desses genótipos apresentarem porte ereto. Os rendimentos obtidos variaram de 5,5 t/ha a 11 t/ha, respectivamente para os tratamentos T5 e T4.

Estudos sobre produtividade em leucena têm sido conduzidos por vários pesquisadores, os quais têm encontrado grandes variações nos rendimentos de matéria seca. A produção de matéria seca depende da fertilidade, da disponibilidade de água do solo, das variedades cultivadas e do manejo adotado. Rendimentos variam de 1,5 t/ha a 20 t/ha, segundo KLUTHCOUSKI (1982), HUTTON & BONNER (1960), BODGAN (1977).

SEIFFERT & THIAGO (1983), conseguiram, em regime de corte anual no início da estação seca, rendimentos de matéria seca de 5,6 a 9,0 t/ha.

Na TABELA 6 encontram-se as médias da participação percentual da parte consumível.

 

 

A percentagem da parte consumível variou de 40 a 58% de matéria seca produzida, o que também foi verificado por SEIFFERT & THIAGO (1983).

As plantas do tratamento T5 apresentaram a maior participação percentual da parte consumível e as do tratamento T3, a menor.

Os genótipos não variaram quanto à participação porcentual das folhas e talos finos. Já para vagens, o genótipo T5 apresentou a maior participação percentual.

As plantas dos tratamentos TI, T2, T3 e T4, apresentaram a maior produção de matéria seca de folhas em relação a de vagens e talos finos e as do tratamento T5, a maior produção de vagens.

Na TABELA 7 encontra-se a avaliação da capacidade de rebrota após o primeiro corte.

 

 

CONCLUSÕES

1) As plantas de L. leucocephala 24-19/2-39 x L. diversifolia 26, com florescimento precoce, mostraram-se mais ramificadas e com maior produção de sementes.

2) As plantas que registraram maior desenvolvimento foram as de: L.leucocephala 29 A9, L. leucocephala 11 xL.diversifolia 25, L. leucocephala 11 x L.diversifolia 26.

3) As plantas de Leucaena leucocephala 11 x Leucaena diversifolia 26, apresentaram a maior produção de matéria seca consumível (90% a mais em relação à testemunha).

4) Dentre os materiais avaliados, nenhum deles apresentou brotação superior à espécie utilizada como testemunha (Cunningham).

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BODGAN, A.V. Tropical pasture and fodder plants. New York Longman. 465p., 1977. Apud Garcia, R. Banco de proteína. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE PASTAGENS E SIMPÓSIO SOBRE MANEJO DE PASTAGEM, 8. Piracicaba, 1986. Anais. Piracicaba, FEALQ, 1986.        [ Links ]

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HUTTON, E.M.; BONNER, I. Dry matter and protein yields in four strains of Leucaena glauca Benth. Journal of the Australian Institute Agricultural Science, v.26, p.276,1960.         [ Links ]apud Garcia, R. Banco de proteína. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE PASTAGENS E SIMPÓSIO SOBRE MANEJO DE PASTAGEM, 8., Piracicaba, 1986. Anais. Piracicaba, FEALQ, 1986.

KLUTHCOUSKI, J. Leucena: alternativa para a pequena e média agricultura. 2.ed. Goiânia, EMBRAPA-CNPAF, 1982. 12p. (EMBRAPA-CNPAF. Circular Técnica, 6).        [ Links ]

SEIFFERT, N.F. Low performance of Leucaena Peru type on Central Brasil Oxisols. Hawaii. Leucaena Research Reports, v.3, p.7-8, 1982.        [ Links ]

SEIFFERT, N.F.; THIAGO, K.R.L. Legumineira: Cultura forrageira para produção de proteína. Campo Grande, EMBRAPA-CNPGC, 1983. 52p. (EMBRAPA-CNPGC. Circular Técnica, 13).        [ Links ]

VILELA, E.; PEDREIRA, J.V.S. Efeitos de densidades de semeadura e níveis de adubação nitrogenada no estabelecimento de Leucaena leucocephala (Lam.) de Wit. Boletim da Industria Animal, v.33, n.2, p.251-280, 1976.        [ Links ]

 

 

Enviado para publicação em 25.01.93
Aceito para publicação em 20.09.93