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Scientia Agricola

On-line version ISSN 1678-992X

Sci. agric. (Piracicaba, Braz.) vol.51 no.3 Piracicaba Sept./Dec. 1994

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-90161994000300013 

FITOTECNIA

 

Solarização do solo para o controle de Pythium e plantas daninhas em cultura de crisântemo

 

Soil solarization for Pithium and weed control in chrysanthemum crop

 

 

W. BettiolI, 1; R. GhiniI, 1; J.A.H. GalvãoI, 1; S.S. ZocchiII

ICNPMA/EMBRAPA, C.P. 69, CEP: 13820-000, Jaguariúna,SP
II
Departamento de Matemática e Estatística-ESALQ/USP - C.P. 9, CEP: 13418-900 - Piracicaba,SP

 

 


RESUMO

A solarização, durante dois meses, de um solo naturalmente infestado com Pythium, promoveu o controle do patógeno, de modo semelhante à aplicação de metalaxyl + mancozeb, na cultura de crisântemo. A incidência média de plantas mortas foi de 2,3% nas parcelas solarizadas; 1,0% no solo solarizado que recebeu metade da dose dos fungicidas; 9,0% com a aplicação da dose completa dos fungicidas (1 g de metalaxyl + 4,8 g de mancozeb/m2) e 38,9%, na testemunha não tratada. A solarização também promoveu o controle de plantas daninhas, avaliado através do peso da matéria seca das plantas emergentes aos 21 dias após o transplante das mudas, semelhantemente ao herbicida oxidiazon.

Descritores: energia solar, tombamento, Chrysanthemum, plástico, controle biológico


ABSTRACT

Two months solarization of a soil naturally infested with Pythium sp. promoted a level of control similar to what was obtained with the application of methalaxyl + mancozeb for the chrysanthemum crop. The average rate of dead plants was 9.0% with the application of fungicides (1 g of methalaxyl + 4.8 g of mancozeb/ m2); 2.3% in solarized plots; 1.0% in solarized plots which received half the dosages of the fungicides and 38.9% in control plots. Similar control of weeds was obtained in solarized plots and plots treated with the herbicide oxidiazon.

Key-words: solar energy, dampping-off, Chrysanthemum, plastic, biological control


 

 

INTRODUÇÃO

Os patógenos habitantes do solo constituem um dos principais problemas fitossanitários para diversas culturas. A desinfestação do solo, através de métodos físicos, como o vapor, ou químicos, como o uso de fumigantes, afeta tanto a população de patógenos quanto o equilíbrio biológico, podendo resultar em um ambiente favorável à reinfestação. Além disso, outros fatores limitantes têm contribuído para a inviabilização desses métodos, tais como: o alto custo, perigo para o aplicador, contaminação ambiente e possibilidade de fitotoxidez.

A solarização do solo tem sido testada em diversos países para o controle de fítopatógenos, obtendo resultados promissores (KATAN & DEVAY, 1991). Outros efeitos são observadoscom o uso da técnica, como o controle de plantas daninhas, maior crescimento das plantas cultivadas, liberação de nutrientes do solo, controle de patógenos secundários e indução à supressividade a patógenos do solo (STAPLETON et al., 1985; STAPLETON & DEVAY, 1986, GREENBERGER et al., 1987).

A solarização é recomendada principalmente para regiões quentes, visto que consiste na cobertura do solo com um filme plástico transparente, permitindo a elevação da temperatura do solo, através da energia solar (KATAN, 1987). No Brasil, GHINI et al. (1992) observaram o controle de Verticillium dahliae em berinjela, além de maior crescimento de plantas e produção, após a solarização do solo por 30 e 50 dias. A inativação de escleródios de Sclerotium cepivorum pela solarização foi verificada por NUNES (1992) e CUNHA et al., (1993 a,b).

A cultura do crisântemo tem se destacado nos últimos anos como uma das principais ornamentais. Entre os problemas fitossanitários, destacam-se os patógenos de solo que, devido à monocultura, têm sua importância aumentada. O presente trabalho teve como objetivo testar a solarização do solo para o controle de Pythium e de plantas daninhas na cultura do crisântemo.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido numa área de produção de crisântemo, naturalmente infestada, de uma propriedade comercial do Município de Holambra/SP.

A solarização durante dois meses, seguida ou não da aplicação de metade da dose de metalaxyl + mancozeb, foi comparada com a dose completa dos fungicidas (1,0 g de metalaxyl + 4,8 g de mancozeb/m2).

O experimento seguiu o delineamento experimental de blocos ao acaso, com 6 repetições, sendo que cada parcela ocupou uma área de 36 m2 (6 m x 6 m). As parcelas solarizadas foram cobertas com um filme plástico transparente (35 um de espessura), com as bordas enterradas. As temperaturas do solo solarizado ou não, nas profundidades de 10 e 20 cm, foram avaliadas através de termômetros, às 15:30 h, visto que tal horário correspondeu à temperatura máxima diária do solo nas duas profundidades.

Após a solarização, foram preparados 4 canteiros/parcela, com a largura de 1 m. No solo das parcelas tratadas com os fungicidas (dose completa) foi aplicado o herbicida oxidiazon (0,1 ml/m2), antes do transplante das mudas, na densidade de 80 plantas/m2. As parcelas solarizadas e a testemunha não receberam a aplicação do herbicida. As cultivares de crisântemo utilizadas foram: polaris branca, polaris amarela, dark flamengo, champagne repin e margarida amarela.

Durante o cultivo, foram aplicados os fungicidas: mancozeb, tiofanato metílico, triforine e tebuconazole.

A avaliação da ocorrência de plantas daninhas foi realizada 21 dias após o transplante das mudas, através do peso da matéria seca das plantas. A área amostrada por parcela foi de 0,5 m2.

Devido à maior suscetibilidade da cultivar polaris, a avaliação da doença foi realizada somente com esta cultivar. A incidência de plantas mortas foi avaliada aos 21 e 36 dias após o transplante das mudas, na área correspondente a 2m de canteiro/parcela, sendo avaliado um canteiro no centro da parcela; e aos 60 dias, na área total do canteiro. As plantas com sintomas da doença foram levadas ao laboratório, onde procedeu-se o isolamento e a identificação do patógeno.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A solarização promoveu um aumento da temperatura do solo, a 10 cm de profundidade, em torno de 10°C, enquanto que a 20 cm, o aumento foi de aproximadamente 5°C (Figura 1). De acordo com PULLMAN et al. (1981a), as temperaturas atingidas nas parcelas solarizadas são suficientes para a inativação de Pythium ultimum. Além do efeito direto da temperatura, a exposição a temperaturas sub-letais causa danos nas estruturas dos patógenos, tornando-as mais sensíveis aos ataques dos antagonistas (KATAN et al, 1992).

 

 

A incidência média final de plantas mortas por Pythium foi de 2,3% nas parcelas solarizadas; 1 ,0% no solo solarizado que recebeu metade da dose dos fungicidas (0,5 g metalaxyl + 2,4 g de mancozeb/m2); 9,0% com a aplicação de 1,0 g de metalaxyl + 4,8 g de mancozeb/m2 e 38,9% na testemunha não tratada (TABELA 1). Apesar de superior, os tratamentos solarizados foram estatisticamente semelhantes ao tratamento padrão utilizado (TABELA 1). Esses resultados evidenciaram a eficiência da solarização no controle de Pythium. Além do efeito sobre a incidência da doença, a solarização controlou efetivamente, as plantas daninhas, quando avaliado o peso de matéria seca dessas plantas aos 21 dias do transplante das mudas (TABELA 1), dispensando o uso de herbicidas. Como a solarização pode aumentar o efeito dos herbicidas, devido à sua menor degradação no solo, não é recomendado o seu uso após o tratamento. Os resultados de controle de Pythium e de plantas daninhas estão de acordo com PULLMAN et al., (1981a,b) e STAPLETON & DEVAY (1984).

 

 

Além da eficiência da solarização no controle de Pythium do crisântemo e de plantas daninhas ter sido semelhante ao uso de fungicidas e herbicidas, há necessidade de considerar que o custo dos fungicidas na dosagem utilizada pelo produtor é de, aproximadamente, duas vezes o custo do plástico utilizado na solarização. Além disso, segundo KATAN & DEVAY (1991), o efeito da solarização se prolonga por mais de um ciclo de plantio, enquanto o uso de fungicidas se faz necessário antes de todo plantio.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CUNHA, M.G. da; ZAMBOLIM, L.; VALE, F.X.R. do; CHAVES, G.M.; ALVES, H. Efeito da solarização sobre a sobrevivência de escleródios de Sclerotium cepivorum no solo. Fitopatologia Brasileira, Brasília, v. 18, p.55-61, 1993a.         [ Links ]

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GHINI, R.; BETTIOL, W.; SOUZA, N.L. de. Solarização do solo para o controle de Verticillium dahliae em berinjela. Fitopatologia Brasileira, Brasília, v.17, p.384-388, 1992.         [ Links ]

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Enviado para publicação em 02.09.93
Aceito para publicação em 07.02.94

 

 

1 Bolsista do CNPq.

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