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Scientia Agricola

On-line version ISSN 1678-992X

Sci. agric. (Piracicaba, Braz.) vol.51 no.3 Piracicaba Sept./Dec. 1994

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-90161994000300016 

FITOTECNIA

 

Contole da cochonilha (Orthezia praelonga Douglas, 1891) em laranjeira, coom inseticidas granulados

 

Chemical control of coccid (Orthezia praelonga Douglas, 1891) for orange-trees, with insecticide granulated

 

 

F.A.M. MariconiI; L.L. NassII; H.R. PassosIII; F. Ciniglio NetoIII; F.M. Vieira JrIII.; H.M. Campos NetoIII

IDepartamento de Zoologia-ESALQ/USP, C.P. 9 - CEP: 13418-900 - Piracicaba, SP
IICENARGEN/EMBRAPA-SAIN Parque Rural - CEP:70770-900 - Brasília, .DF
IIIDepartamento de Zoologia-ESALQ/USP, C.P. 9 - CEP: 13418-900 - Piracicaba, SP

 

 


RESUMO

Com o objetivo de se avaliar a eficiência de inseticidas granulados no controle da Orthezia praelonga em laranjeiras, foram empregados o aldicarbe 15% e o imidaclopride 5%, aplicados ao solo. Os tratamentos foram seis, com quatro repetições: A) testemunha; B) aldicarbe, 100g/pl; C) aldicarbe, 65g/pl; D) imidaclopride, 100g/pl; E) aldicarbe, 130g/pl; F) imidaclopride, 75g/pl. Foram feitas seis avaliações: uma prévia e outras cinco após 07, 20, 34, 49 e 70 dias da aplicação. Os melhores tratamentos foram: aldicarbe 100g/pl e aldicarbe, 130g/pl, aos 49 e 70 dias, respectivamente.

Descritores: cochonilha, Orthezia praelonga, laranjeira, controle químico, inseticidas granulados


ABSTRACT

The experiment was carried out on adult orange-trees in the county of Limeira, SP, Brazil. The objective was to evaluate the efficiency of insecticide granules with 15% aldicarb and 5% imidadoprid, applied to the soil, to control the citrus coccid Orthezia praelonga Douglas, 1891. Treatments were six: A) check; B) aldicarb, 100g/pl; C) aldicarb, 65g/pl; D) imidacloprid 100g/pl; E) aldicarb, 130g/pl; F) imidacloprid, 75g/pl of commercial insecticide granules. Six evaluations were made, one previous and other five 07, 20, 34, 49 and 70 days after application. The most efficient treatments were E and B at 49 and 70 days, respectively.

Key words: citrus coccid, Orthezia praelonga, orange-tree, chemical control, granulated insecticides


 

 

INTRODUÇÃO

A citricultura, no Brasil, ocupa lugar de destaque pelo valor da exportação de suco concentrado, pelo comércio interno, e ainda, pela importância social, empregando grande número de pessoas. As pesquisas visam, portanto, amenizar os problemas da cultura, incluídos os relacionados ao ataque de pragas.

A cochonilha Orthezia praelonga é muito importante, pois diminui a produção. É cochonilha sem carapaça. Apresenta ovissaco onde são depositados os ovos. Vejamos alguns autores que trataram do assunto. COCKERELL (1900) foi o primeiro autor, no Brasil, a estudar a cochonilha; como "habitat" é citado o Pará, em Citrus limetta. HEMPEL (1900) descreveu o adulto feminino com numerosos detalhes; acrescentou a cidade de São Paulo, em ramos de Hypts sp. ROBBS (1947) afirmou que a cultura citrícola no ex-Distrito Federal (hoje, Rio de Janeiro) e no município fluminense de Nova Iguaçu vem sendo, nos últimos quatro anos, bastante prejudicada pelo inseto. O ataque é evidenciado pela presença da fumagina. As medidas de combate preconizadas são eliminação de laranjeiras velhas, de baixa produtividade, poda de galhos, limpeza de troncos e galhos com escova de piassava, capinação em volta da planta atacada, caiação do tronco e pulverização de inseticidas (óleos miscíveis). ROBBS (1951) observou rápida proliferação do inseto em pomares submetidos à adubação com estéreo animal e devido à condições climáticas favoráveis; que a formiga lavapé Solenopsis saevissima vive em simbiose com a ortézia e um fungo e dois insetos são inimigos. Pela primeira vez, um inseticida moderno (fosforado) é recomendado. GONÇALVES (1962) verificou que vários fungos reduzem a população da cochonilha. Diversos insetos predadores, a maior parte sem valor aparente, foram encontrados. PUZZI & CAMARGO (1963) teceram comentários sobre a O. praelonga, principal praga dos citros na Baixada Fluminense, e sua possível introdução nos pomares de São Paulo. Apresentaram figura (climograma) da Universidade Rural do Rio de Janeiro (Baixada Fluminense) e as de Limeira, Ribeirão Preto, Pindamonhangaba e Ubatuba. Por comparação, verifica-se que a temperatura e a umidade relativa principalmente das três primeiras cidades, embora com médias de temperatura menores que as da Baixada Fluminense, sugerem a possibilidade do Vale do Paraíba (onde está Pindamonhangaba) e da região de Limeira, não dificultarem a multiplicação do inseto, até nos meses mais frios. Sugerem, ainda, que a cochonilha da Baixada Fluminense talvez pertença a uma raça que está se tornando progressivamente mais agressiva aos citros. CASSINO et al. (1975) aplicaram inseticidas fosforados sistêmicos sem diluição, segundo o método de aspersão tópica do tronco a uma altura de cerca de 15 cm do solo. A porcentagem de fêmeas mortas foi superior a 70% em todos. Os inimigos naturais não foram atingidos. PAZINI et al. (1989) usaram produtos em pincelamento do tronco, no solo e em pulverização. Somente o dissulfotom granulado 5%, à razão de 200 g/planta, controlou a cochonilha em níveis desejados. PINTO & GRAVENA (1992) aplicaram inseticidas líquidos em pulverização e granulados no solo. A princípio, os pulverizados, principalmente o fosalone, conduziram a melhores resultados contra as fêmeas adultas e ninfas; posteriormente, os granulados (aldicarbe e imidaclopride) foram os mais eficientes.

 

MATERIAIS E MÉTODOS

Local: Campo experimental instalado na "Fazenda Panorama", pertencente ao Sr. Frederico C. Ivers, em Limeira, Estado de São Paulo.

Campo experimental: Plantas de laranja Lima (cavalo de laranja Caipira), com aproximadamente 23 anos de idade e plantadas no espaçamento de 7,0 x 6,0 m (238 plantas por hectare). A altura média das árvores variava de 4,5 a 5,0 m. As plantas não tinham frutos, pois a colheita já fora realizada. As plantas estavam intensamente atacadas pelo inseto e cobertas por fumagina.

Tratamentos: Em número de seis, com quatro repetições (24 parcelas). Cada parcela experimental era constituída de uma planta, cercada por outras não tratadas. Foi adotado o método de blocos ao acaso. Os tratamentos, produtos comerciais, formulações e consumo de material podem ser vistos na TABELA 1.

 

 

Aplicação: Foi efetuada em 12/09/1992, sendo os granulados colocados em dois sulcos laterais à planta, na projeção da copa, a uma profundidade de 5 a 8 cm. A aplicação foi realizada sob chuva fina, mas o solo estava bem seco. Os granulados foram usados em dosagens mais altas que o normal, devido à altura das plantas.

Avaliações: Foram realizadas seis avaliações, sendo uma prévia (02 dias antes da aplicação) e 07, 20, 34, 49 e 70 dias após a aplicação dos inseticidas. Em cada uma das avaliações eram coletados, por parcela, em diferentes posições da planta, quatro pequenos galhos bem atacados pela cochonilha; entretanto, na última avaliação, foram coletados também quatro pequenos galhos ao acaso, estivessem ou não atacados. Em laboratório, as contagens das cochonilhas foram feitas somente nas três folhas apicais de cada galho, o que dava um total de doze folhas por parcela. Na última avaliação, foram feitas duas contagens: as das folhas colhidas de galhos atacados e a das folhas oriundas de galhos colhidos ao acaso. Os resultados das contagens encontram-se nas TABELAS 2 e 3.

 

 

 

 

Chuvas: Após um período de estiagem começaram as chuvas em setembro. Neste mês, até o dia da aplicação, caíram apenas 10 mm. Depois da aplicação dos granulados caíram 91 mm, ainda em setembro, 154 mm em outubro e 96 mm em novembro (até o dia 21, data do encerramento dos trabalhos).

Galhos internos: Os galhos situados fora do perímetro da copa, no interior da planta (ladrões), mantiveram vivas as colônias da cochonilha por período mais longo que as localizadas na copa. Acredita-se, por isso, que tais galhos devam ser eliminados antes do controle com granulados.

Redução real ou eficiência: Calculada pela fórmula transformada de Abbott, que usa as porcentagens de sobrevivência da cochonilha (TABELAS 4 e 5).

 

 

 

 

Análise estatística: O número de cochonilhas das 4 parcelas, em todos os tratamentos e em cada avaliação, foi transformado em raiz quadrada de x + 0,5, sendo x a quantidade de cochonilha em cada parcela. A soma dos 4 valores assim transformados foi dividida por 4, para se ter a população média do tratamento numa determinada avaliação.

Os resultados foram analisados pelo teste "F" e, a seguir, fez-se a análise das médias pelo teste de Tukey em nível de 5% de probabilidade (TABELAS 6 e 7).

 

 

 

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Pelo exame das TABELAS 4 e 5 (mortalidades reais) e das TABELAS 6 e 7 (teste de Tukey em nível de 5% de probabilidade), pode-se observar:

Contagem prévia: tanto no caso das ninfas, como no dos adultos, as populações de todos os tratamentos se assemelham à testemunha.

1ª Contagem (após 07 dias da aplicação): todos os tratamentos continuam semelhantes à testemunha nos dois casos.

2ª Contagem (20 dias): no caso das ninfas, os melhores são E, B e C, que se assemelham entre si e diferem da testemunha. Para os adultos, todos os tratamentos são semelhantes entre si.

3ª Contagem (34 dias): em relação às ninfas e adultos, todos os tratamentos não diferem da testemunha. E, B e C continuam os melhores em ambas as avaliações.

4ª Contagem (49 dias): contra as ninfas, E, B e C são os melhores, embora sejam semelhantes entre si. Para os adultos, E difere da testemunha, sendo o melhor tratamento. B e C, embora semelhantes à testemunha, têm destaque no controle.

5ª Contagem (70 dias, coleta de galhos atacados): E e B diferem da testemunha e são os melhores no caso das ninfas. Para os adultos, todos os tratamentos são semelhantes à testemunha, porém E, B e C são os melhores.

6ª Contagem (70 dias, coleta de galhos ao acaso): tanto para as ninfas, como para os adultos, todos os tratamentos são semelhantes à testemunha. No caso das ninfas, E e B são os melhores. Para os adultos, não houve diferença alguma.

 

CONCLUSÕES

No controle da cochonilha, os melhores tratamentos foram E e B, (respectivamente, 130 g e 100 g do granulado de aldicarbe por laranjeira). D e F (respectivamente, 100 g e 75 g de granulado de imidaclopride por planta) não se salientaram.

 

AGRADECIMENTOS

Ao Sr. Frederico G. Ivers, proprietário da Fazenda Panorama e Eng° Agr° Mauro Sagotti, da citada Fazenda, pelas facilidades concedidas.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CASSINO, P.C.R.; COSTA, F.A.; DALCOMO, E.L.; RACCA FILHO, F. Contribuição para o controle integrado da Orthezia praelonga Douglas, 1891 (Homoptera-Ortheziidae) em citros spp. A Lavoura, Rio de Janeiro, v. 78, p.5-8, 1975.         [ Links ]

COCKERELL, T.D.A. Notas sobre coccidas brasileiras. I. Uma lista de algumas coccidas coligidas pelo Dr. Emilio A. Goeldi, no Pará, Brasil. Revista do Museu Paulista, São Paulo, v.4, p.363-364, 1900.         [ Links ]

GONÇALVES, C.R. Perspectivas de combate biológico às principais pragas das plantas cultivadas na Baixada Fluminense. Boletim do Instituto de Ecologia e Experimentação Agrícolas, Rio de Janeiro, n.21, p.65-78, 1962.         [ Links ]

HEMPEL, A. As coccidas brasileiras. Revista do Museu Paulista, São Paulo, v.4, p.365-537, 1900.         [ Links ]

PAZINI, W.C.; DIBELLI, W.; BUSOLI, A.C. Controle de Orthezia praelonga Douglas, 1891 (Homoptera, Ortheziidae) em citros, através de inseticidas aplicados no solo, no tronco e na copa. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ENTOMOLOGIA, 12., 1989. Belo Horizonte. Resumos... Belo Horizonte: SEB, 1989. p.371.         [ Links ]

PINTO, R.A.; GRAVENA, S. Eficiência de inseticidas granulados e líquidos no controle de Orthezia praelonga Douglas, 1891 e Toxoptera citrícidus Kirk. em laranjeira Citrus sinensis Osbeck. Jaboticabal: FCAV/UNESP, 1992. 26p. (Laudo Técnico).         [ Links ]

PUZZI, D.; CAMARGO, A.P. Estudo sobre a possibilidade da adaptação climática da Orthezia praelonga Douglas nos pomares de citros do Estado de São Paulo. O Biológico, São Paulo, v.29, n.5, p.81-85, 1963.         [ Links ]

ROBBS, C.F. O "piolho branco" da laranjeira uma ameaça à citricultura do Distrito Federal. Boletim do Campo, Rio de Janeiro, v.3, n.19, p.1-4, 1947.         [ Links ]

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Recebido para publicação em 13.12.93
Aceito para publicação em 25.01.94

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