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Scientia Agricola

Print version ISSN 0103-9016

Sci. agric. (Piracicaba, Braz.) vol.52 no.2 Piracicaba May/Aug. 1995

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-90161995000200005 

ARTIGOS

 

Recuperação do fósforo residual do solo, derivado de um termofosfato magnesiano com diferentes granulometrias e do superfosfato simples granulado1

 

Recuperation of residual phosphorus from magnesium thermophosphate of different granule sizes and from granulated ordinary superphosphate

 

 

R. Stefanutti; E. Malavolta; T. Muraoka

Centro de Energia Nuclear na Agricultura - CENA/USP, C.P. 96, CEP: 13400-970 - Piracicaba, SP

 

 


RESUMO

O trabalho compara a recuperação do P2O5 residual através de cultivos sucessivos em um solo que recebeu doses crescentes de um termofosfato magnesiano com diferentes granulometrias e superfosfato simples granulado. Os resultados obtidos pela determinação do P extraído pelas plantas em 7 cultivos em vaso permitem concluir que o termofosfato na forma pó, apresenta efeito residual semelhante ao do superfosfato simples granulado; a granulometria mais grosseira do produto termofosfato resultou em menor recuperação do fósforo residual.

Descritores: termofosfato magnesiano, fósforo, fósforo residual, granulometria, fontes de fósforo


ABSTRACT

This paper compares the recovery of the residual P2O5 from magnesium thermophosphate (MPT) with different granule size, and from granular ordinary superphosphate(OSP). Seven successive crops were grown in pots in a greenhouse and their phosphorus content was analysed. Results demonstrated that powder MTP has the same residual effect as OSP. Coarse MTP, however, caused lower recovery of residual phosphorus.

Key Words: Magnesium thermophosphate, phosphorus, residual phosphorus, particles size, ordinary superphosphate


 

 

INTRODUÇÃO

Os teores de fósforo na solução do solo, além de muito baixos, são insuficientes para suprir as necessidades de uma cultura. Particularmente, este nutriente está envolvido em processos de fixação, que podem ser permanentes para a maioria dos solos tropicais ácidos.

Aplicam-se quantidades muito maiores de P no solo do que as plantas retiram (MALAVOLTA, 1981; RALF et al., 1982). Outro fator que interfere é o aproveitamento inicial do fósforo aplicado no primeiro ano, que é muito baixo, da ordem de 5 a 20% para a maioria das culturas (MALAVOLTA & KLIEMANN,1985). Entretanto, o fósforo residual pode ser aproveitado pelas culturas nos anos seguintes, embora parte passe para formas menos disponíveis.

Os adubos fosfatados solúveis, como o superfosfato simples, são aplicados aos solos na forma de grânulos e, ao entrarem em contacto com o solo, ocorre uma rápida absorção de umidade, ocasionando a dissolução do P (VOLKWEISS & RAIJ, 1977). No caso dos termofosfatos, o processo de dissolução do fósforo é mais lento, pois depende de reações químicas com o solo. Entretanto, com o tempo, o fósforo residual poderá se equiparar ou mesmo até superar os resultados da fonte solúvel em água.

Algumas propriedades físicas dos adubos, como o tamanho das partículas, determinam maior ou menor aproveitamento do nutriente pelas plantas. No caso do fósforo solúvel, a granulação adequada do fertilizante e a correção da acidez do solo reduzem a fixação do elemento.

TERMAN et al. (1970) comentaram que a eficiência inicial de um fertilizante fosfatado é altamente afetada pela solubilidade e pelo tamanho do granulo.

NOVOA & NUNEZ (1974) analisaram os fertilizantes fosfatados solúveis e constataram que se comportam de maneira mais eficiente na forma de grânulos do que em pó.

O trabalho visa avaliar a recuperação do P residual de um termofosfato magnesiano com diferentes granulometrias, comparando-o com o superfosfato simples granulado.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O ensaio foi conduzido em vasos de polietileno com 2 kg de terra, em casa de vegetação do Centro de Energia Nuclear na Agricultura/CENA, Piracicaba. Foram empregadas amostras de um Latossolo Vermelho-Amarelo fase cerrado, textura média argilosa, apresentado o seguinte resultado da análise química: pH (água) = 4,6; % C = 1,1; P (Mehlich) = 1 ppm; K = 0,08 meq/100 ml; Ca = 0,4 meq/l00ml; H + Al = 3,4 meq/100 ml; Mg = 0,3 meq/100 ml; S - SO4 = 10 ppm; SB = 1,0 meq/100 ml; T = 4,5 meq/100 ml; V = 22 %, (RAIJ et al., 1987).

O solo foi corrigido elevando-se a saturação de bases para 60%. Foram aplicadas doses crescentes (O, 50, 100 e 200 ppm de P) de superfosfato simples granulado e termofosfato magnesiano nas formas pó, grosso e granulado.

As características químicas e físicas das fontes de fósforo utilizadas são apresentadas na TABELA 1.

 

 

Foram cultivados em sucessão feijão, milho e trigo até o "esgotamento" do fósforo. Foi determinada a produção de matéria seca e o fósforo absorvido de cada cultivo, segundo MALAVOLTA et al. (1989).

O fósforo recuperado nos sete cultivos foi determinado algebricamente a partir do fósforo adicionado ao solo em cada tratamento, subtraindo-se o P extraído pelas plantas em cada cultivo.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

As comparações com o P absorvido são fundamentadas no fato de que a absorção do elemento pela planta e seu crescimento, determinado pela produção de matéria seca, estão relacionadas com as quantidades disponíveis do elemento no solo. Esta inferência está de acordo com VOLKWEISS & RAIJ (1977), que consideram que as raízes absorvem o P da solução do solo em quantidades proporcionais à sua concentração.

O fósforo total absorvido nos sete cultivos e o fósforo total recuperado são apresentados na TABELA 2.

 

 

Os resultados evidenciam que o fósforo residual apresentou-se insuficiente para suprir adequadamente as plantas no VII cultivo, em todos os níveis e fontes, não havendo diferença significativa entre as fontes estudadas, neste cultivo. A partir do VI cultivo, o fósforo residual da fonte solúvel demonstrou sinais de esgotamento e ou de baixa disponibilidade para o suprimento das plantas em todos os níveis (TABELA 3).

 

 

Estes resultados indicam que o fósforo remanescente da adição inicial não estava mais disponível para as plantas. Uma das causas que contribui para explicar este fato é o processo de fixação do fósforo desenvolvido pelo solo e certamente intensificado com a acidificação que as terras dos vasos sofreram durante os cultivos (MALAVOLTA, 1981).

O Yoorin pó não apresentou diferenças no fornecimento de fósforo ao longo dos cultivos de milho. Foi a fonte mais regular no fornecimento do nutriente para as plantas de milho, indicando que houve uma reposição constante do fósforo na solução do solo, até o VI cultivo.

A fonte Yoorin granulado foi inferior às demais fontes e comportou-se de modo oposto à fonte solúvel no processo de liberação de P ao longo dos cultivos, como pode ser observado na TABELA 3.

Na Figura 1 é destacado o fósforo recuperado em todos os cultivos. O maior destaque na recuperação de fósforo ocorre para a fonte superfosfato simples que, a partir do VI cultivo, no nível 50 ppm, ultrapassou a quantidade de fósforo adicionada. Esta é a situação desejável, porque indica que não ocorreu fixação do fosfato aplicado.

 

 

O TABELA 4 apresenta o fósforo residual calculado, existente no solo, à partir da dose inicial aplicada.

 

 

Embora alguns tratamentos ainda apresentassem fósforo remanescente, "contábil", em quantidade elevada (TABELA 4), a análise de solo pelo método da resina (TABELA 5) mostra o baixo teor de P disponível. STEFANUTTI et al. (1992) compararam métodos de extração de P e concluíram que a resina apresentou resultados mais representativos da extração de P e produção de matéria seca ao longo dos cultivos.

 

 

Os resultados das análises de solo após o VII cultivo, confirmam a acidificação do solo e o baixo teor de P disponível pelo método da resina (TABELA 5). Pelo teste de Tukey aplicado às médias do fósforo extraído e acumulado para as diferentes fontes, verificam-se diferenças significativas entre essas fontes, destacando o efeito da granulometria (TABELA 6).

 

 

O fósforo extraído e acumulado nos sete cultivos apresentou resultados estatisticamente agrupados, com um grupo intermediário cujas médias não diferiram entre si. Ficou clara a maior disponibilidade do fósforo para as fontes SPS e Yoorin pó, que não diferiram entre si a 1% de probabilidade. A inferioridade do termofosfato granulado é confirmada através da TABELA 6, diferindo a 1% do primeiro grupo. O termofosfato de granulometria grosseira teve um comportamento intermediário aos de granulometrias pó e granulada, somente diferindo da fonte solúvel. Os resultados mostraram que a variação da granulometria nos termofosfatos interferiu na liberação de fósforo no solo e no efeito residual.

Os resultados superaram os valores obtidos por TANAKA (1990) e SANDER & EGHBALL (1988) na recuperação de fósforo do solo pelas plantas. VASCONCELLOS et al. (1986); GOEDERT & LOBATO (1984); MURAOKA & NEPTUNE (1978) encontraram maiores efeitos residuais para o termofosfato que para fertilizantes solúveis, o que difere em parte dos resultados obtidos.

 

CONCLUSÕES

Nas condições em que foram conduzidos os ensaios, os resultados permitem tirar as seguintes conclusões:

- O uso do termofosfato na forma pó, apresenta efeito residual semelhante ao do superfosfato simples.

- A granulometria mais grosseira do produto termofosfato resultou menor aproveitamento do fósforo residual.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Recebido para publicação em 26.08.94
Aceito para publicação em 04.05.95

 

 

1 Parte da dissertação de mestrado do primeiro autor apresentada ao CENA/USP, Piracicaba, SP.