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Scientia Agricola

On-line version ISSN 1678-992X

Sci. agric. vol. 53 n. 2-3 Piracicaba May/Dec. 1996

https://doi.org/10.1590/S0103-90161996000200013 

ESTUDO DA GERMINAÇÃO DE SEMENTES DE LAVANDA (Lavandula angustifolia Miller)

 

E.M. AOYAMA1; E.O. ONO1; M.R. FURLAN2
1Depto. de Biologia-UT, CEP: 12020-270 - Taubaté, SP.
2Depto. de Ciências Agrárias-UT, CEP: 12020-270 - Taubaté, SP.

 

 

RESUMO: Com o objetivo de estudar os efeitos do ácido giberélico, do efeito luz/escuro e do pré-resfriamento sobre a germinação de sementes de lavanda (Lavandula angustifolia Miller), empregou-se o delineamento experimental inteiramente casualizado, com cinco repetições de 30 sementes cada, e os seguintes tratamentos: testemunha; GA3 100 ppm; GA3 200 ppm; escuro; GA3 100 e 200 ppm + 48 h de pré-resfriamento e GA3 100 e 200 ppm + 7 dias de pré-resfriamento. As sementes de lavanda foram pré-embebidas por 18 horas nas soluções de GA3 e em água destilada e depois colocadas em gerbox, com papel de filtro umedecido com água destilada. Nos tratamentos com pré-resfriamento as sementes foram mantidas em câmara fria por 48 horas e 7 dias à temperatura de 5° C; posteriormente, foram transferidas para o germinador, sob luz branca contínua à temperatura constante de 25°C. A contagem das sementes foi realizada de 2 em 2 dias até completar 30 dias de teste. Para a avaliação dos efeitos dos tratamentos sobre a germinação das sementes foram realizadas as seguintes observações: a) porcentagem de sementes germinadas e b) tempo médio de germinação (expresso em dias). A partir dos resultados obtidos pode-se verificar que os tratamentos com GA3, em conjunto ou não com pré-resfriamento, aumentaram significativamente a porcentagem de germinação, além de acelerar tal processo.
Descritores:
germinação, ácido giberélico, sementes, Lavandula angustifolia

 

GERMINATION STUDY OF LAVENDER SEEDS (Lavandula angustifolia Miller)

ABSTRACT: To study the effects of gibbellic acid, of the light/darkness and of pre-freezing on the germination of lavender seeds, a randomized experiment was used, with five replications of 30 seeds, with the following treatments: control, GA3 100 ppm, GA3 200 ppm, darkness, GA3 100 and 200 ppm + 48 h pre-freezing and GA3 100 and 200 ppm + 7 days of pre-freezing. The lavender seeds were pre-soaked during 18 hours in GA3 and destilated water solutions, and thereafter placed in gerbox, using moistened filter paper. In the pre-freezing treatments the seeds were kept in a refrigerator for 48 hours and thereafter 7 days in 5° C. After this they were transfered to a germinator with continuous white light and constant temperature of 25° C . Seed counting was performed each 2 days until 30 days. To evaluate the treatment effects, seeds were submitted to the following observations: a) percentage of germinated seeds, and b) the average period of germination, expressed in days. From the results it could be observed that the GA3 treatments, with or without pre-freezing, increased significatively the germination percentage, reducing the reaction time.
Key Words:
germination, gibberellic acid, seeds, Lavandula angustifolia

 

 

INTRODUÇÃO

A lavanda (Lavandula angustifolia Miller) pertencente a família Lamiaceae (Labiatae) é originária do Mediterrâneo, sendo um subarbusto com base lenhosa, folhas estreito-lanceoladas e inflorescência terminal, composta de flores pequenas azuis. É considerada uma planta aromática, usada em perfumaria e medicina doméstica (Gemtchújnicov, 1976).

No que se refere à germinação de sementes Metivier (1986) ressalta o papel das giberelinas na germinação, estando envolvidas tanto na quebra da dormência como no controle da hidrólise de reservas, da qual depende o embrião em crescimento. Além da quebra de dormência, as giberelinas aceleram a germinação em sementes não dormentes e aumentam a hidrólise de reservas.

Bewley (1978), citado por Leonel (1994), relata que muitos estudos têm tentado elucidar a ação, a nível molecular, dos hormônios e outros produtos químicos, na quebra da dormência. O mesmo autor propõe uma possível atuação das giberelinas e citocininas no processo germinativo, sendo que as giberelinas atuariam favorecendo a síntese de proteínas e a síntese de RNA específicos para a germinação, enquanto o ácido abscísico (ABA) inibiria esse efeito. Também Roberts & Smith (1977) relatam sobre a atuação do GA (ácido giberélico) na síntese de RNA e proteínas específicas para a germinação.

Muitas sementes precisam de exposição a uma temperatura crítica, às vezes por um período considerável, antes de serem capazes de germinar. Essa temperatura, usualmente baixa, não está relacionada com a temperatura ótima para a germinação, mas é requerida para a quebra da dormência. Para o tratamento ser efetivo, as sementes precisam estar totalmente embebidas durante a exposição. Este tratamento com baixa temperatura, conhecido como estratificação, leva a mudanças fisiológicas e metabólicas. Este tipo de dormência é comum em muitas plantas das zonas temperadas (Metivier, 1986).

Bryant (1989) relata que sementes de muitas espécies de plantas, que crescem em climas temperados e frios, necessitam de um novo período de temperatura baixa, enquanto estiverem no estado de embebição para a quebra da dormência.

As sementes de muitas plantas selvagens são pequenas e se enterram facilmente. Em muitas dessas sementes há necessidade de luz para a quebra da dormência e sua capacidade para responder à luz depende da embebição (Bryant, 1989).

Segundo Popinigis (1985), a intensidade da luz deve estar entre 750 a 1250 lux, e as sementes devem ser iluminadas pelo menos 8 horas em cada 24. Neste caso, as sementes são colocadas sobre o substrato úmido e não são cobertas.

Dessa forma, o presente trabalho teve como objetivo estudar o efeito do ácido giberélico, da luz/escuro e pré-resfriamento sobre a germinação de sementes de lavanda (Lavandula angustifolia Miller).

 

MATERIAL E MÉTODOS

O presente trabalho foi conduzido no Laboratório de Sementes do Depto. de Ciências Agrárias, da Universidade de Taubaté - UNITAU.

Foram utilizadas sementes de lavanda (Lavandula angustifolia Miller) da TOP SEED Sementes Ltda, Itaipava - RJ. Utilizaram -se 30 sementes por gerbox, com 5 repetições cada tratamento, os quais foram os seguintes: T1 - água destilada (testemunha); T2 - GA3 100 ppm; T3 - GA3 200 ppm; T4 - escuro contínuo; T5 - pré-resfriamento por 48 h + água destilada; T6 - pré-resfriamento por 48 h + GA3 100 ppm; T7 - pré-resfriamento por 48 h + GA3 200 ppm; T8 - pré-resfriamento por 7 dias + água destilada; T9 - pré-resfriamento por 7 dias + GA3 100 ppm e T10 - pré-resfriamento por 7 dias + GA3 200 ppm.

As sementes de lavanda foram pré-embebidas durante 18 horas nas soluções de GA3 e em água destilada. Posteriormente, foram colocadas em gerbox com papel de filtro umedecido com água destilada. As sementes foram mantidas no germinador à temperatura constante de 25° C, sob luz branca contínua, com exceção do tratamento escuro contínuo (T4), onde os gerbox foram envolvidos por camada de papel alumínio, para impedir a incidência de luz.

Nos tratamentos T5 à T10, além da embebição, as sementes foram mantidas em câmara fria por 48 h e 7 dias à temperatura de 5° C. Posteriormente, foram transferidos para o germinador nas mesmas condições acima citadas.

A contagem das sementes germinadas foi realizada de 2 em 2 dias, até completar 30 dias de teste.

Para avaliação do efeito dos tratamentos sobre a germinação das sementes de lavanda, foram realizadas as seguintes observações: a) porcentagem de sementes germinadas e b) tempo médio de germinação (expresso em dias).

O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado, sendo os resultados submetidos à análise de variância (teste F), e as médias comparadas pelo teste Tukey, ao nível de 1% de probabilidade.

O tempo médio de germinação foi calculado de acordo com a fórmula apresentada por Labouriau (1983):

Image770.gif (1078 bytes)       dias /semente,

onde:
t = tempo médio de germinação;
ni = número de sementes germinadas num intervalo de tempo;
n = número total de sementes germinadas;
ti = dias de germinação.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Através dos resultados obtidos (TABELA 1 e Figura 1), pode-se observar que as sementes de lavanda tratadas com GA3 à 100 ou 200 ppm, apresentaram aumento significativo na porcentagem de germinação em relação aos demais tratamentos.

 

53n23a13t1.GIF (19339 bytes)

 

 

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Figura 1 - Resultados médios obtidos para % de germinação de sementes de lavanda (Lavandula angustifolia Miller).

 

Entre os tratamentos com pré-resfriamento por 48h e 7 dias não houve diferença significativa, porém quando em conjunto com GA3 a 100 ou 200 ppm, há um aumento significativo na porcentagem de germinação, principalmente quando o pré-resfriamento foi por um período de 48 horas.

O tratamento com escuro contínuo foi aquele que apresentou a menor média de porcentagem de germinação.

Nas TABELA 2 e Figura 2, pode-se constatar que o tempo médio de germinação foi menor nas sementes tratadas com pré-resfriamento em conjunto com GA3 a 100 e 200 ppm.

 

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53n23a13f2.GIF (8822 bytes)

T.M. = Tempo Médio
D.P. = Desvio Padrão

Figura 2 - Resultados médios para tempo (em dias) de germinação de sementes de lavanda (Lavandula angustifolia Miller).

 

Segundo Chavagnat (1978), o gênero Lavandula agrupa espécies cuja germinação em laboratório são longas e difíceis. O mesmo autor, portanto, tratou as sementes de lavanda com GA3 e obteve resultados satisfatórios, quando estas foram tratadas com GA3 à 200 ppm, sob temperatura de 20 a 30° C e luz branca contínua. Também tratou as sementes de lavanda com pré-refrigeração úmida a baixas temperaturas, e não obteve resultados significativos com tal tratamento. Dessa forma, esses resultados coincidem com os obtidos no presente trabalho.

Bewley & Black (1986) reportaram sobre a presença de hormônios na semente, sendo sua ação relacionada com o crescimento do embrião. Dentre os hormônios presentes, o de mais largo espectro de atuação são as giberelinas.

Como forma de acelerar e melhorar a germinação das sementes e, também, promover o crescimento das plantas jovens, vários pesquisadores (Randhawa, Mun e Kin, Sharna e Singh, citados por Kahlon & Chandler, (1987) preconizaram o uso de reguladores vegetais.

Já Bryant (1989) informou que a quebra da dormência é ocasionada por mudança no balanço entre substâncias inibidoras de crescimento da planta, como o ABA, e substâncias promotoras de crescimento como o GA. Isto poderia ocorrer, devido ao decréscimo na quantidade de ABA, ou acréscimo na quantidade de GA ou, ainda, devido a ambos. Entretanto, o autor enfatiza que o mecanismo pelo qual as substâncias de crescimento induzem ou quebram a dormência não é na realidade conhecido.

Brasil (1992) recomenda, para uma maior porcentagem de germinação de sementes de lavanda, tratamento com GA3 à 200 ppm a uma temperatura de 20 - 30 ° C.

Persson (1993) obteve melhores resultados para germinação de sementes de lavanda quando essas foram tratadas com GA3 via acetona, seguido de GA3 combinado com ethrel e GA3 + cinetina. A combinação entre cinetina e ethrel, acrescentando GA3, induz a um efeito de promoção em algumas espécies.

Segundo Renard & Clerc (1978), o uso de luz contínua e GA3 200 mg/l são significativos para superar a dormência de sementes de lavanda (Lavandula angustifolia Miller).

 

CONCLUSÃO

Através dos resultados obtidos na germinação de sementes de lavanda, pode-se concluir que sementes tratadas com GA3, tanto à 100 como 200 ppm, aumentam a porcentagem de germinação, bem como diminuem o tempo médio de germinação.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Recebido para publicação em 21.11.95
Aceito para publicação em 20.10.96

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