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Scientia Agricola

Print version ISSN 0103-9016

Sci. agric. vol. 54 n. 1-2 Piracicaba Jan./Aug. 1997

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-90161997000100005 

MANEJO DA IRRIGAÇÃO DA CULTURA DA ALFACE (Lactuca sativa L.) ATRAVÉS DO TANQUE CLASSE A1

 

A.S. de ANDRADE JÚNIOR2; A.E. KLAR3
2EMBRAPA/CPAMN, C.P. 01, CEP: 64.006-220 - Teresina, PI.
3Depto. de Engenharia Rural-FCA/UNESP, Botucatu, SP.

 

 

RESUMO: Com o objetivo de avaliar o efeito de diferentes níveis de irrigação, baseados em frações da evaporação do Tanque Classe A (ECA) (0,25; 0,50; 0,75 e 1,00) sobre o comportamento produtivo da cultura da alface, variedade "Mesa 659" (tipo americana), cultivada em uma estufa plástica e irrigada por gotejamento, foi conduzido um experimento durante o período de julho a setembro de 1993. O comportamento produtivo foi avaliado através da determinação da matéria fresca (MFP), produtividade (PROD) e eficiência do uso de água (EUA). Os resultados de MFP e PROD mostraram resposta quadrática, indicando acréscimo em ambos à medida que aumentaram as lâminas de irrigação aplicadas até o nível 0,75 da ECA, apresentando valores máximos de 818,72 g e 90,97 t.ha-1, respectivamente. Os dados relativos à EUA revelaram resposta linear decrescente, significando que à medida que os níveis de irrigação aumentam ocorre uma diminuição na EUA.
Descritores:
alface, irrigação, manejo, tanque classe A

 

IRRIGATION MANAGEMENT OF LETTUCE (Lactuca sativa L.).  USING THE CLASS A PAN EVAPORATION

ABSTRACT: An experiment was carried out to evaluate the effects of four irrigation levels, based on fractions of the Class A pan evaporation (0.25; 0.50; 0.75 e 1.00) on the yield and the water use efficiency of a lettuce crop, grown under plastic house conditions and drip irrigation, from July to September, 1993. The results of yield and fresh matter showed a quadratic response of the applied irrigation levels, with maximum values of 818.72 g and 90.97 t.ha-1 for the 0.75 Class A Pan evaporation level, respectively. The water use efficiency showed, however, a decreasing linear response with respect to the irrigation levels.
Key Words:
lettuce, irrigation, management, class A pan

 

 

INTRODUÇÃO

A alface (Lactuca sativa L.) é uma planta herbácea, pertencente à família das Cichoriaceae (Sonnenberg, 1985 e Lisbão et al., 1990). Hortaliça típica de saladas, considerada como uma planta de propriedades tranqüilizantes e que, devido ao fato de ser consumida crua, conserva todas as suas propriedades nutritivas. Segundo Maroto-Borrego (1986) e Camargo (1992) é uma excelente fonte de vitamina A, possuindo ainda as vitaminas B1, B2, B5 e C, além dos minerais Ca, Fe, Mg, P, K e Na, cujos teores variam de acordo com a cultivar.

Tradicionalmente, o cultivo da alface é realizado em canteiros, em condições de campo e utilizando, principalmente, o método de irrigação por aspersão convencional. Atualmente, com o desenvolvimento da plasticultura nacional, o cultivo de hortaliças em estufas e túneis plásticos tem sido muito difundido.

O uso dessa tecnologia apresenta algumas limitações, tais como o método apropriado para a irrigação da cultura sob condições de ambiente protegido. Umas das alternativas é utilizar métodos de irrigação localizada, dentre eles o gotejamento. No entanto, para a obtenção de resultados satisfatórios é importante que se conheça o manejo adequado da água de irrigação utilizando esse método no interior dessas estruturas, principalmente, porque uma parte dos produtores de alface não têm muita experiência e nem tradição com o emprego da irrigação por gotejamento.

Existem vários métodos para efetuar-se o manejo da água de irrigação. Dentre eles, destaca-se o do Tanque Classe A, devido à sua facilidade de operação, custo relativamente baixo e, principalmente, a possibilidade de instalação próximo à cultura a ser irrigada (Volpe & Churata-Masca, 1988), além dos resultados satisfatórios para a estimativa da demanda hídrica das culturas (Klar, 1974; Sediyama, 1987; Saad & Scaloppi, 1988; Lima, 1989 e Bastos, 1994). Apesar de fornecer uma medida superestimada da demanda hídrica da cultura, essa medida associa os efeitos integrados dos diferentes fatores que influem na evapotranspiração da cultura.

O aspecto relativo à obtenção de medidas superestimadas da demanda evapotranspirativa da cultura pode ser contornado mediante a utilização de coeficientes empíricos denominados fator de evaporação do Tanque Classe A, que correlaciona os efeitos desses elementos climáticos com as reais necessidades hídricas da cultura, em cada situação específica.

Diaz (1977) desenvolveu estudos, no México, com o objetivo de determinar a porcentagem de evaporação do Tanque Classe A (K) adequada para aplicar-se como lâmina de irrigação em uma cultura de alface. Constatou que a melhor produtividade (89,6 t.ha-1) foi obtida com um turno de irrigação de dois dias e uma lâmina total de irrigação de 533 mm, correspondente a uma porcentagem de 70% (K = 0,70) da evaporação do Tanque Classe A.

Forero et al. (1979) , estudando o efeito de diferentes lâminas de irrigação aplicadas por gotejamento na cultura da alface, nas condições edafoclimáticas da Colômbia, utilizando como tratamentos frações da evaporação do Tanque Classe A (0,6; 0,8 e 1,0), verificaram que a maior produtividade (52,05 t.ha-1) foi obtida com a aplicação do fator de evaporação igual a 1,0, o que resultou na aplicação de uma lâmina total de irrigação de 170,5 mm em um período de 55 dias de ciclo.

Trabalho desenvolvido por Bar-Yosef, citado por Cohen (1984), onde o autor aplicou as lâminas de irrigação em uma cultura de alface com base na evaporação medida em um Tanque Classe A, verificou que a produtividade máxima obtida correspondeu ao nível de 80% (K = 0,80) da evaporação observada no período.

Russo (1987) estudou o efeito da quantidade de água aplicada por gotejamento na alface, utilizando como manejo da irrigação a evaporação do Tanque Classe A. Os tratamentos consistiram na aplicação de três faixas de coeficientes (0,37 a 1,30; 0,60 a 1,60 e 0,70 a 2,40) sobre a evaporação do Tanque Classe A (ECA). Os valores máximos de produtividade (52,19 e 48,71 t.ha-1), obtidos com a aplicação dos níveis de irrigação 1,30 e 1,60 da ECA, não variaram significativamente, mostrando que a cultura responde à aplicação de elevadas lâminas de irrigação.

Pelúzio (1992) conduziu experimento nas condições edafoclimáticas de Viçosa (MG) visando avaliar seis níveis de água aplicados com base na evaporação do Tanque Classe A (0,4; 0,6; 0,8; 1,0; 1,2 e 1,4) sobre a produção da alface, variedade "Vitória", utilizando irrigação por gotejamento. Verificou que os níveis de água influenciaram de maneira crescente a matéria fresca e seca da parte aérea das plantas. A eficiência do uso de água (medida como a relação entre a produção de matéria seca total e a quantidade total de água aplicada) aumentou à medida que cresceu o nível de água aplicado, sendo que a eficiência máxima foi obtida com a aplicação do nível 1,4 da evaporação do Tanque Classe A.

Andrade Júnior et al. (1992), analisando os efeitos de quatro níveis de irrigação baseados na evaporação do Tanque Classe A (ECA) (0,5; 0,75; 1,0 e 1,25) aplicados por microaspersão em alface, constataram que a matéria fresca da "cabeça" e a produtividade apresentaram resposta quadrática, tendo alcançado os valores máximos de 184 g e 23,67 t.ha-1, respectivamente, com o nível de irrigação correspondente a 75% da ECA. Os resultados relativos à eficiência do uso de água revelaram resposta linear decrescente com o aumento dos níveis de irrigação, significando que a cultura responde melhor à aplicação de pequenas lâminas de irrigação, porém com alta freqüência.

Hamada (1993), objetivando analisar a resposta da alface à aplicação de diferentes lâminas de irrigação baseadas na evaporação de um Tanque Classe A (ECA) (0,6; 0,8; 1,0 e 1,2) utilizando irrigação por gotejamento, verificou que os melhores resultados de produtividade e produção de plantas de melhor qualidade comercial foram obtidos com a aplicação do nível de irrigação equivalente a 1,2 vezes a evaporação do Tanque Classe A. Entretanto, a maior eficiência do uso de água foi obtida no tratamento com a menor lâmina de irrigação aplicada (0,6 da ECA).

Verifica-se, portanto, que os trabalhos já executados com níveis de irrigação em alface apresentam respostas as mais variadas possíveis, dependendo das condições edafoclimáticas da região considerada, de tal forma que os mesmos não podem ser extrapolados indistintamente para outras regiões. Dessa forma, este trabalho objetivou avaliar o comportamento produtivo da alface, variedade "Mesa 659" (tipo americana), cultivada em uma estufa plástica e irrigada por gotejamento, em resposta à aplicação de diferentes níveis de irrigação baseados em frações (0,25; 0,50; 0,75 e 1,00) da evaporação do Tanque Classe A (ECA), nas condições edafoclimáticas de Botucatu, SP.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi realizado, durante o período de julho a setembro de 1993, em uma estufa situada na área experimental do Departamento de Engenharia Rural, da Faculdade de Ciências Agronômicas/Universidade Estadual Paulista (FCA/UNESP), em Botucatu (SP), cujas coordenadas geográficas são: latitude 22º 51' S, longitude 48º 26' W e altitude de 786 m.

O solo da área onde a estufa está situada foi classificado por Carvalho et al. (1983) como Terra Roxa Estruturada "intergrade" para Latossolo Vermelho Escuro, textura média/argilosa. As características físicas e químicas obtidas de amostras de solo da área, coletadas às profundidades de 0-20, 20-40 e 40-60 cm, determinadas pelo Laboratório de Solos da FCA/UNESP estão nas TABELAS 1 e 2.

 

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Os dados relativos à evaporação, que serviram de base para a aplicação dos níveis de irrigação, foram obtidos de um Tanque Classe A, instalado sobre um estrado de madeira com 15 cm de altura, pintado de branco, colocado no interior da estufa. A instalação, leitura e manejo do Tanque Classe A foi realizado conforme recomendam Marouelli et al. (1986); Volpe & Churata-Masca (1988) e Bernardo (1989).

Utilizou-se a variedade "Mesa 659", pertencente ao grupo de "Cabeça Crespa" (Crisp Head). É uma cultivar do tipo americana, que apresenta um ciclo vegetativo de 70-80 dias, coloração das folhas verde-escura, compacidade da "cabeça" média e alta resistência ao pendoamento4.

A semeadura foi efetuada em bandejas de isopor, com quatro sementes por "célula", com futuro desbaste para uma muda por "célula". O transplantio das mudas para os canteiros definitivos, situados no interior da estufa, no espaçamento de 30 cm x 30 cm, foi realizado quando as mudas estavam apresentando de cinco a seis folhas definitivas.

A calagem, adubação de fundação e cobertura foram feitas, de acordo com a análise química do solo e segundo a recomendação do Instituto Agronômico de Campinas (Raij et al., 1985) e Bull & Nakagawa5. A colheita ocorreu aos 63 dias após o transplantio, quando mais de 50% das "cabeças" atingiram seu máximo desenvolvimento, ocasião em que as plantas foram cortadas logo abaixo das folhas basais, bem rente ao solo.

O experimento foi instalado em canteiros medindo 1,20 m de largura por 18,75 m de comprimento, em um delineamento experimental de blocos ao acaso, com quatro tratamentos e cinco repetições, em um total de vinte parcelas. Cada parcela foi representada por um canteiro medindo 1,20 m de largura por 3,00 m de comprimento, com uma área de 3,6 m2. A parcela continha quatro fileiras de plantas, sendo que a área útil era constituída pelas duas fileiras centrais, retirando-se as duas plantas das extremidades, em um total de 16 plantas úteis, das quais as oito plantas, localizadas na metade final da área útil da parcela, foram destinadas à coleta dos dados de produção. Os tratamentos analisados foram os seguintes: T25 - nível de irrigação correspondente a 25% da evaporação do Tanque Classe A; T50 - nível de irrigação correspondente a 50% da evaporação do Tanque Classe A; T75 - nível de irrigação correspondente a 75% da evaporação do Tanque Classe A e T100 - nível de irrigação correspondente a 100% da evaporação do Tanque Classe A.

Foram avaliadas a matéria fresca por planta (MFP), a produtividade (PROD) e a eficiência do uso de água (EUA). A EUA foi determinada em função da relação entre os valores de produtividade e as respectivas lâminas de irrigação aplicadas, conforme citado por Sammis (1980).

Para a aplicação dos tratamentos foi utilizado um sistema de irrigação por gotejamento (tubogotejador), com duas linhas de irrigação por parcela, distanciadas entre si de 0,60 m, controladas por um registro de gaveta de 1/2" em cada parcela. O tubogotejador utilizado apresenta as seguintes características6: diâmetro interno - 16,5 mm; espessura da parede - 0,2 mm; pressão de serviço - 30 a 100 kPa; pressão recomendada - 50 a 70 kPa; pressão de ruptura - acima de 4000 kPa; espaçamento entre gotejadores - 30 cm e vazão nominal a 50 kPa - 4,0 L.h-1.m-1. O sistema operou a uma pressão de serviço de 60 kPa, com os gotejadores fornecendo uma vazão média de 1,25 L.h-1 e apresentou um coeficiente de uniformidade de distribuição (CUD) de 96,8 %, indicando que a água foi uniformemente distribuída nas parcelas. O CUD e a vazão média dos gotejadores foram determinados segundo a metodologia descrita em Pinto et al. (1991).

O manejo da água de irrigação foi baseado na evaporação diária do Tanque Classe A. A lâmina de água a ser aplicada, com uma freqüência de dois dias, foi calculada considerando-se a porcentagem da evaporação medida no período previsto entre duas irrigações, de acordo com cada tratamento, a eficiência de aplicação de água do sistema de irrigação, a vazão média dos gotejadores e o espaçamento entre eles (ao longo e entre as linhas de irrigação).

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os dados de evaporação do Tanque Classe A, coletados durante o período de aplicação dos tratamentos, são apresentados na Figura 1. A evaporação máxima foi de 6,48 mm.dia-1, a mínima de 0,50 mm.dia-1 e a média de todas as medidas efetuadas foi de 2,94 mm.dia-1. Comparando-se os valores médios de evaporação medidos dentro da estufa com os valores médios obtidos no posto meteorológico localizado no Departamento de Ciências Ambientais da FCA/UNESP (4,27 mm.dia-1), durante o mesmo período, observou-se uma diferença entre eles de 1,33 mm (correspondente a 30 %), a qual é justificada, principalmente, em função da menor exposição aos ventos e à radiação solar a que foi submetido o evaporímetro situado dentro da estufa, concordando com os resultados obtidos por Alves & Klar (1996).

 

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Figura 1 - Valores diários de evaporação do Tanque Classe A.

 

Os valores acumulados das lâminas de irrigação aplicadas nos tratamentos são encontrados na Figura 2. Observou-se uma pequena diferenciação entre as lâminas de irrigação no início da aplicação dos tratamentos. Essa diferença foi se acentuando com o decorrer do experimento, atingindo valores na colheita (63 dias após o transplantio) de aproximadamente 40, 80, 120 e 160 mm nos tratamentos T25, T50, T75 e T100, respectivamente. A lâmina aplicada no tratamento T100 foi quatro vezes superior à lâmina aplicada no tratamento T25, evidenciando ter ocorrido uma ampla variação no teor de água no solo para o desenvolvimento da alface.

 

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Figura 2 - Lâmina de irrigação acumulada aplicada nos tratamentos.

 

Salienta-se que, nessas lâminas de irrigação por tratamento não estão computados os 21 mm que foram aplicados durante a fase de estabelecimento da cultura. No entanto, essa lâmina adicional (21 mm) foi considerada para o cálculo da EUA, que será discutida posteriormente.

Na TABELA 3, são apresentados os dados médios relativos a matéria fresca por planta, produtividade, irrigação acumulada e eficiência do uso de água obtidos na colheita para os diferentes níveis de irrigação. Os níveis de irrigação baseados na evaporação do Tanque Classe A afetaram significativamente (P<0,05) os componentes de produção (matéria fresca e produtividade), expressando, de uma maneira geral, a mesma tendência observada em outros trabalhos (Diaz, 1977; Forero et al., 1979; Cohen, 1984; Russo, 1987; Pelúzio, 1992; Andrade Júnior et al., 1992 e Hamada, 1993).

 

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Os resultados de matéria fresca por planta (MFP) mostraram uma resposta quadrática (MFP = 127,21 + 18,07X - 0,1209X2, r2=0,99), indicando acréscimo na matéria fresca da "cabeça" à medida que aumentaram as lâminas de irrigação aplicadas até o nível 0,75 da evaporação do Tanque Classe A (Figura 3).

 

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Figura 3 - Variação da matéria fresca por planta da alface em função dos níveis de irrigação.

 

Seguindo a mesma tendência da matéria fresca por planta, a produtividade (PROD) também apresentou uma resposta quadrática em relação aos níveis de irrigação testados (PROD = 14,134 + 2,0083X - 0,0134X2 , r2=0,99) (Figura 4), sendo que o seu valor máximo foi atingido com o mesmo nível de irrigação que propiciou a matéria fresca máxima, uma vez que existe uma correlação direta entre esses dois componentes de produção.

 

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Figura 4 - Variação da produtividade da alface em função dos níveis de irrigação.

 

Esses resultados apresentam uma certa aproximação com os obtidos por Diaz (1977) (89,6 t.ha-1) e Bar-Yosef citado por Cohen (1984) que conseguiram atingir o pico máximo da matéria fresca e consequentemente da produtividade de uma cultura de alface com a aplicação dos níveis 0,7 e 0,8 da ECA, respectivamente.

Da mesma forma, esse comportamento concorda plenamente com o observado por Andrade Júnior et al. (1992), que também obteve resposta quadrática para estes componentes de produção com a aplicação de uma lâmina de irrigação equivalente a 0,75 da ECA.

Observou-se uma redução na MFP e na PROD com a aplicação no nível 1,0 da evaporação do Tanque Classe A. Esse fato deve ter ocorrido em função dos elevados teores de água no solo terem reduzido o arejamento adequado na região de maior concentração das raízes (Klar, 1991), provocando alterações fisiológicas que levaram à redução da produtividade da alface, bem como devido à lixiviação de nutrientes, comprovando que o excesso de água no solo é prejudicial à cultura (Knott & Tavernetti, 1944).

Pelúzio (1992) comenta que a aplicação do nível máximo testado de 1,4 da ECA não proporcionou a ocorrência do efeito negativo por excesso de água devido, provavelmente, às características físicas do solo, que por ser de textura arenosa, permitiu a perda de água por percolação profunda, além de reter pouca água disponível.

A eficiência do uso de água relaciona a produção de matéria fresca (kg.ha-1) com a quantidade de água aplicada (mm). Os dados relativos a eficiência do uso de água (EUA) revelaram uma resposta linear decrescente (EUA = 1.090 - 6,3X , r2 = 0,99), significando que à medida que os níveis de irrigação aumentaram ocorreu uma diminuição na eficiência do uso de água (Figura 5). Comportamento semelhante foi observado por Sammis (1980), Andrade Júnior et al. (1992) e Hamada (1993). Os valores de eficiência do uso de água (EUA) variaram de 920 kg.ha-1.mm-1 a 438 kg.ha-1.mm-1 com a aplicação dos níveis 0,25 e 1,0 da evaporação do Tanque Classe A, respectivamente. Bastos (1994) encontrou uma EUA de 481 kg.ha-1.mm-1 para a alface cultivada em evapotranspirômetros, atribuindo esse valor às condições ótimas de disponibilidade de água para a cultura nos evapotranspirômetros.

 

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Figura 5 - Variação da eficiência do uso de água da alface em função dos níveis de irrigação.

 

CONCLUSÕES

- A aplicação de uma lâmina de irrigação equivalente a 75% da ECA (0,75 ECA) proporcionou a obtenção dos melhores resultados de matéria fresca por planta e produtividade da cultura.

- A eficiência do uso de água (EUA) diminuiu linearmente com o acréscimo da lâmina de irrigação aplicada.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Recebido para publicação em 01.04.96
Aceito para publicação em 25.04.97

 

 

1Parte da Dissertação de Mestrado apresentada pelo primeiro autor à FCA/UNESP, Botucatu, SP.