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Scientia Agricola

Print version ISSN 0103-9016

Sci. agric. vol. 55 n. 2 Piracicaba May/Aug. 1998

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-90161998000200006 

RESÍDUOS DE FENITROTION EM FRUTOS E FOLHAS DE TOMATEIRO (Lycopersicon esculentum Mill) ESTAQUEADO

 

M.A. PIZANO1; G.C. DE BAPTISTA2
1Depto. de Ecologia-IB/UNESP, C.P. 199, CEP: 13506-900 - Rio Claro, SP.
2Depto. de Entomologia-ESALQ/USP, C.P. 9, CEP: 13418-900 - Piracicaba, SP.

 

 

RESUMO: Estudou-se o comportamento dos resíduos de fenitrotion em frutos e folhas de tomateiro estaqueado, através de cromatografia gasosa. O experimento de campo foi instalado quando as plantas tinham 90 dias após o transplante das mudas, e constou de quatro tratamentos: (1) uma aplicação de fenitrotion em dosagem simples, de 100 g i.a./100 litros de água, (2) uma aplicação em dosagem dobrada, de 200 g i.a./100 litros de água, (3) quatro aplicações espaçadas de sete dias, na dosagem simples e (4) testemunha. As amostras de fruto e folha foram colhidas um dia antes da aplicação (-1) e aos zero , 1, 2, 3, 5, 7 e 14 dias após. Basicamente, a metododogia para análises dos resíduos dos frutos e das folhas constou da extração com acetona e partição em clorofórmio; limpeza dos extratos em coluna de florisil (no caso de folhas) e eluição procedida com benzeno. As determinações quantitativas foram feitas por cromatografia gasosa, usando-se detector fotométrico de chama com filtro específico para fósforo. Os resíduos nas folhas foram sempre maiores do que os dos frutos (cerca de 80 vezes, em média) durante todo o período de colheita das amostras. Os valores de meia-vida de degradação de fenitrotion em frutos e folhas foram: 1,6 a 1,9 e 0,7 a 0,8 dia, respectivamente, mostrando uma diminuição mais rápida dos resíduos em folhas. As meias-vidas de persistência foram semelhantes para os dois substratos: 4,2 a 7,3 e 5,6 a 6,2 dias, respectivamente. Os resíduos encontrados nos frutos logo após a aplicação, foram menores que a tolerância oficial (0,5 ppm) para os tratamentos que utilizaram 100 g i.a./100 litros em uma ou quatro pulverizações espaçadas de sete dias. Uma única aplicação de 200 g i.a./100 litros resultou em resíduos menores que 0,5 ppm, desde um dia após a aplicação.
Descritores:
resíduos, tomate, fenitrotion, fruto, folha

 

FENITROTHION RESIDUES IN FRUITS AND LEAVES OF STAKED TOMATO (Lycopersicon esculentum Mill)

ABSTRACT: The behavior of fenitrothion in fruits and leaves of staked tomato plants was studied with gas chromatography. The field experiment begun when plants had 90 days post-transplant and consisted of four treatments: (1) a single application of fenitrothion at 100 g a.i./100 liters of water; (2) a double dose application of 200 g a.i./100 liters of water; (3) four applications at 7 day intervals at the lower dosage; and (4) control. Fruit and leaf samples were collected one day before application (-1) and at zero, 1, 2, 3, 5, 7 and 14 days post-application. Residual analysis of fruit and leave consisted of acetone extraction and partition with chloroform; extract cleaning in a florisil column and benzene elution (for leaves). Quantitative estimates were obtained in a gas chromatograph, using flame photometric detector, with a special phosphorus filter. Leaf residues were always higher than those in fruits (approximately 80 times), during all sampling intervals. Half-live degradation values of fenitrothion in fruits and leaves were: 1.6 to 1.9 and 0.7 to 0.8 days, respectively. Half-lives of persistence were similiar for both substrates: 4.2 to 7.3 and 5.6 to 6.2 days, respectively. Fruit residues immediately after application were below the official tolerance level (0.5 ppm) for treatments of 100 g a.i./100 liters in one or four weekly applications. A single application of 200 g a.i./100 liters resulted in residual levels lower than 0.5 ppm after one or more days post-application.
Key Words:
Residues, tomato, fenitrothion, fruit, leaf

 

 

INTRODUÇÃO

A cultura do tomateiro (Lycopersicon esculentum Mill) é largamente difundida em todo o mundo, sendo no Brasil a hortaliça de maior interesse econômico e social pelas grandes áreas cultivadas, tanto para o consumo "in natura" como para o processamento industrial. Segundo Makishima (1991), em 1989 o Brasil foi o oitavo maior produtor mundial com 2,3 milhões de toneladas. Em geral, o produto para mercado é obtido de culturas estaqueadas com elevado rendimento por área (Leite et al., 1990).

Uma dos sustentáculos da agricultura moderna é a busca do maior retorno econômico e para tanto, todos os fatores de produção devem ser empregados racionalmente. Entre estes, encontra-se o manejo integrado de pragas, sendo o método de controle químico um componente importante em muitos programas desse manejo. Apesar dos benefícios trazidos pela utilização de inseticidas, sua aplicação resulta na contaminação dos substratos e/ou dos recursos naturais tratados.

Para obtenção de produtividades econômicas, a cultura do tomateiro é muito exigente em tratamentos fitossanitários, visando o controle de diversas pragas que ocorrem desde a sementeira até a colheita dos frutos (Barbosa & França, 1980), além do controle de doenças.

Após aplicação de agrotóxicos em plantas, os resíduos resultantes serão distribuídos nas suas diversas partes, incluindo aquelas utilizadas pelo homem. A importância primária dos estudos dos níveis residuais refere-se à saúde do consumidor, enquanto que o material remanescente pode servir de fonte para contaminação ambiental.

Fenitrotion é um inseticida de largo espectro, com toxicidade aguda muito baixa para mamíferos, quando comparado com outros inseticidas organofosforados. Seu uso ocorre em quase todo o mundo em culturas de arroz, frutas, hortaliças, algodão, cereais, soja, café e chá (Miyamoto, 1974; Vettorazzi, 1979).

No Brasil, Sumithion 500CE, com 500 i.a. é indicado para o controle de algumas pragas do tomateiro na dosagem de 200 ml/100 litros de água (Andrei, 1993). Segundo Gelmini (1991), para tomate a tolerância e o intervalo de segurança deste inseticida são: 0,5 ppm e 7 dias, respectivamente.

Em tomate, Camara et al. (1990) quantificaram os resíduos do inseticida provenientes de uma aplicação de 750 g i.a./ha, quando as plantas apresentavam grande massa vegetal, molhando as plantas até o início de escorrimento e, gastando-se 4 litros de calda por 25 metros de linha da cultura. Os resíduos foram determinados após lavagem dos frutos e seus valores aos zero; 3; 6 e 12 dias após aplicação foram: 0,13; 0,04; 0,03 e 0,01 ppm, respectivamente. Baseados nestes dados, estabeleceram a meia-vida, que foi de 4,3 dias. Os autores mencionam que os níveis de resíduos encontrados ficaram abaixo da tolerância estabelecida por vários países europeus e pelo Codex Alimentarius (0,5 ppm) mesmo logo após a aplicação.

Sarode & Adsule (1989) avaliaram os resíduos de fenitrotion em tomate e o efeito do processamento na sua redução. Após aplicação de 50 ou 100 g i.a./100 litros (0,5 ou 1,0 kg i.a./ha) os frutos foram colhidos aos zero, 3, 7 e 10 dias. Para a dosagem de 50 g i.a./100 litros os resíduos foram: 3,20; 1,28; 0,28 ppm e não detectável aos zero, 3, 7 e 10 dias, respectivamente. Para a dosagem maior, eles foram, respectivamente: 5,32; 2,12; 0,45 e 0,05 ppm. As reduções dos resíduos iniciais, em porcentagem, devido aos tratamentos lavagem, cozimento, preparação de suco a frio e a quente, preparação de purê a frio e a quente, foram: 62,5; 70,3; 74,4; 81,9; 79,7 e 84,4, respectivamente, para a menor dosagem e 61,1; 66,2; 70,9; 75,9; 74,1 e 80,2 para a maior. Os autores citam, ainda, que a tolerância estabelecida pela FAO/WHO (0,5 ppm) é atingida em 4,25 dias para a dosagem de 50 g i. a./100 litros e em 4,95 dias para 100 g i. a./100 litros; e também observaram que a eficiência dos diferentes processamentos diminui à medida que o tempo passa.

A falta de informações a respeito do comportamento de agrotóxicos utilizados na cultura do tomateiro motivou o desenvolvimento da presente pesquisa, a qual teve por objetivos: avaliar os níveis de resíduos de fenitrotion em frutos e folhas de tomateiro estaqueado; determinar os valores de meia-vida de degradação e persistência desse inseticida nos referidos substratos; correlacionar os níveis de resíduos no fruto com a tolerância e período de carência, estabelecidos pela legislação vigente no Brasil.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Instalou-se experimento em cultura estaqueada de tomateiro, com 90 dias de idade do transplante de mudas, em propriedade localizada no município de Capivarí-SP, em 28 de abril de 1995. O espaçamento da cultura foi de 1 m entre linhas duplas tutoradas; 1 m entre linhas não tutoradas destinadas ao trânsito e 0,70 m entre covas, com duas plantas por cova. A variedade cultivada foi a Santa Clara, sendo que os tratos culturais seguiram aqueles utilizados rotineiramente pelo produtor. As temperaturas, máxima e mínima durante a condução do experimento foram: 24 e 5º C, respectivamente; a precipitação foi de 3 mm durante o período e a umidade relativa variou de 30 a 100%.

O delineamento experimental foi de blocos ao acaso com 4 tratamentos e 3 repetições. Cada parcela constou de 3 linhas duplas de 30 m de comprimento, separadas entre si por uma linha dupla considerada bordadura. A linha central da parcela foi considerada como útil para efeito das amostragens.

O produto aplicado foi o Sumithion 500 CE, com 500 gramas de fenitrotion por litro e os tratamentos foram os seguintes:

- A: uma aplicação na dosagem de 100 g i.a./100 litros de água;

- B: uma aplicação na dosagem de 200 g i.a./100 litros de água;

- C: quatro aplicações na dosagem de 100 g i.a./100 litros de água, com intervalos de sete dias entre elas;

- testemunha.

Os tratamentos com uma aplicação (A e B) foram pulverizados por ocasião da última pulverização do tratamento C (quatro aplicações).

As aplicações foram realizadas com um pulverizador tratorizado com tanque de 2000 litros e bomba estacionária, equipado com mangueiras em cujas extremidades foram acopladas hastes de pulverização contendo 2 bicos HV-3R YAMAHO. Na preparação da calda foi utilizado o espalhante adesivo Extravon, na quantidade de 10 ml/100 litros de água, pulverizando-se cerca de 900 litros de calda/ha.

As amostragens de frutos e folhas foram iniciadas no dia imediatamente anterior à quarta aplicação no tratamento C e também aos zero, 1, 2, 3, 5, 7 e 14 dias após a última aplicação. As amostras constaram de 10 a 15 frutos maduros ou em início de maturação e de aproximadamente 1 kg de folhas, colhidas em ambos os lados da linha útil da parcela. As amostras foram acondicionadas em sacos plásticos e enviadas ao laboratório, no mesmo dia da coleta. As folhas foram picadas em pedaços de cerca de 1 cm2 e dos frutos foram retiradas fatias transversais, as quais foram também cortadas em pequenos pedaços (± 1 cm2). Após homogeneização em separado de cada substrato, foram retiradas sub-amostras de 100 gramas para os frutos e 50 gramas para as folhas, as quais foram embaladas em papel alumínio e mantidas em "freezer" a -20º C até o momento da preparação para as análises.

O método de análise de resíduos, tanto em frutos como em folhas, foi adaptado daquele desenvolvido por Möllhoff (1967). As amostras de frutos foram submetidas à extração dos resíduos com 150 ml de acetona em homogeneizador tipo "omni mixer". Após filtragem a vácuo em funil de Büchner, lavou-se seu conteúdo com mais 20 ml de acetona e tomou-se alíquota correspondente à metade do extrato. Os resíduos nele presentes foram submetidos à partição em 180 ml de clorofórmio (uma vez com 100 ml e duas vezes com 40 ml). Após passagem por filtro com cerca de 50 g de Na2SO4 anidro, o solvente foi removido em evaporador rotativo a vácuo e, a seguir, os resíduos foram ressuspendidos em 10 ml de acetona.

Em folhas, o método foi semelhante ao de frutos, exceto a extração, que foi realizada com uma mistura de 150 ml de acetona com água (4:1), e procedida uma limpeza do extrato em coluna de florisil (desativado com 10% de água destilada), com a eluição sendo procedida usando-se 100 ml de benzeno.

As amostras foram analisadas por cromatografia em fase gasosa, usando-se cromatógrafo de gás, marca CG-modelo 3700, equipado com detector fotométrico de chama, portando filtro específico para fósforo (526 nm) e coluna cromatográfica de vidro de 120 cm de comprimento, 1/8" de diâmetro interno e empacotada com 5% DC 200 em chromosorb WHP 80/100 mesh. As condições de operação do cromatógrafo foram: temperatura de coluna = 192ºC, temp. detector = 240ºC e temp. vaporizador = 240ºC; fluxos de gases (ml/min.):N2=52, ar sintético=92 e H2=91. Nestas condições, o tempo de retenção de fenitrotion foi de 2 minutos e 40 segundos, aproximadamente. A quantificação foi feita por comparação das áreas dos picos cromatográficos das amostras e dos padrões, sendo estas, obtidas por um registrador e integrador processador, marca VARIAN-modelo 4400, conectado ao cromatógrafo.

Através de estudos de fortificação dos substratos, os métodos analíticos mostraram limites de quantificação de 0,005 ppm em frutos, com recuperação média de 100±3% e de 0,01 ppm em folhas, com recuperação média de 86±1%. No total, foram analisadas cerca de 100 amostras de frutos e 100 amostras de folhas provenientes do experimento de campo.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Resíduos de fenitrotion em frutos: Os resultados das análises de resíduos em frutos são mostrados na TABELA 1. As equações de regressão obtidas desses dados de resíduos (Y), em função dos períodos de colheita em dias (x), são apresentadas na TABELA 2. Para o cálculo do ponto de intersecção das retas (PIR), igualou-se as duas equações e obteve-se o valor de x em que os valores de Y são iguais. Assim, este valor representa o ponto teórico em que termina a curva de degradação e inicia-se a de persistência, conforme conceituadas por Gunther (1969).

 

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No dia zero os resíduos presentes nas amostras dos tratamentos A, B e C representaram uma situação esperada, pois que o B apresentou média próxima ao dobro do tratamento A e este, valor menor que o tratamento C (TABELA 1). Os resíduos presentes nos frutos após três aplicações de 100 g i.a./100 litros, espaçadas de sete dias entre si, foram maiores do que aqueles provenientes de apenas uma aplicação, após 7 dias (tratamento C, -1 dia e tratamento A, 7 dias, respectivamente). Logo após a aplicação, houve uma queda acentuada nos níveis residuais nos três tratamentos. Os valores determinados do ponto de intersecção das retas (PIR) da TABELA 2 mostram que nos tratamentos A e C as curvas de degradação e de persistência se interceptaram aos três dias após aplicação enquanto que no tratamento B, este fato ocorreu aos 2,6 dias.

A ocorrência de duas fases distintas no desaparecimento dos resíduos de fenitrotion em fruto de tomate está de acordo com Rigitano (1982) e Raetano & Batista (1995), que observaram o mesmo comportamento quando aplicaram outros inseticidas organofosforados na cultlura dessa hortaliça.

De acordo com as equações de regressão (TABELA 2), os valores calculados de meia-vida de degradação dos resíduos de fenitrotion em fruto de tomate dos tratamentos A, B e C foram: 1,9; 1,6 e 1,9 dias, respectivamente, e àqueles referentes à persistência foram: 4,2; 6,6 e 7,4, respectivamente. Os valores de meia-vida de degradação dos resíduos do inseticida em frutos de tomate, obtidos neste estudo, são menores do que aquele relatado por Camara et al. (1990), também em frutos de tomate, o qual foi de 4,85 dias.

Os resíduos encontrados no tratamento A, logo após a aplicação (0,215 ppm) diferem daqueles obtidos por Camara et al. (1990), também logo após a aplicação (0,13 ppm). Entretanto, estes autores lavaram os frutos antes da extração dos resíduos e provavelmente esta operação contribuiu para esta diferença, pois de acordo com Gallo et al. (1978), os depósitos iniciais são facilmente removíveis por lavagem. Os resíduos detectados aos 3 e 7 dias após a aplicação (DAA) (0,03 e 0,01 ppm, respectiva-mente) aproximam-se daqueles encontrados por esses autores aos 3 e 6 DAA (0,04 e 0,03 ppm, respectivamente), demonstrando assim que a lavagem perde a eficiência na remoção dos resíduos após estes eventualmente terem se ligado mais firmemente à película ou mesmo penetrá-la. Sarode & Adsule (1989) também observaram que os processamentos de frutos de tomate contaminados com fenitrotion apresentam eficiência menor na remoção dos resíduos com o transcorrer do tempo, após a aplicação do inseticida. Os resultados obtidos por estes autores, logo após a aplicação de fenitrotion na dosagem de 100 g i. a./100 litros, indicaram resíduos de 5,32 ppm, valor este muito superior ao encontrado na presente pesquisa. Esta discrepância ocorreu provavelmente devido às diferenças nos produtos comerciais empregados e principalmente nos estágios de desenvolvimento da cultura por ocasião das pulverizações, além da possibilidade de interferência varietal.

Quanto à tolerância e período de carência de fenitrotion em frutos de tomate no Brasil (0,5 ppm e 7 dias, respectivamente), os dados demonstram que a aplicação de 100 g i.a./100 litros em uma ou quatro aplicações, resultou em resíduos menores que 0,5 ppm, mesmo logo após a aplicação (TABELA 1). Para a dosagem de 200 g i.a./100 litros em uma única aplicação, os resíduos também foram menores do que a tolerância oficial 1 dia após a aplicação. Portanto, os resíduos encontrados em todos os tratamentos alcançaram o valor da tolerância oficial, em tempo menor que o período de carência estabelecido.

Resíduos de fenitrotion em folhas: Na TABELA 3 são mostrados os dados de resíduos em folhas e na TABELA 4 são apresentadas as equações de regressão obtidas para as fases de degradação e persistência.

 

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A quantidade de resíduos nas folhas (TABELA 3) foi muito maior que nos frutos (TABELA 1). Este fato está de acordo com Dupuis (1975), que menciona a influência da morfologia e fisiologia da planta nos resíduos encontrados nas diversas partes da mesma. A maior exposição das folhas às pulverizações, bem como sua forma em relação aos frutos e sua maior relação superfície/volume, foram determinantes para que as quantidades depositadas e, consequentemente, os resíduos presentes nas diversas épocas de amostragem, fossem diferentes nestes dois substratos. A capacidade de retenção da pulverização teve efeito significativo, pois de acordo com Linskens et al. (1965), existe uma variabilidade na composição química e na estrutura da camada superficial da cutícula das folhas de diferentes espécies de plantas. No caso do tomateiro, a película lisa do fruto é contrastante com a forma corrugada da folha. Também, Evaristo (1994) lembra que a superfície lisa e cerosa dos frutos favorece o escorrimento da calda de pulverização.

A folhagem de uma cultura tratada é relatada por Iwata et al. (1977) como fonte primária de resíduos tóxicos para trabalhadores, sendo que na presente pesquisa, a grande quantidade deles presentes nas folhas, principalmente logo após a aplicação, pode ser encarada como tendo potencial de intoxicação, especialmente de trabalhadores rurais que devem, eventualmente, retornar à área tratada. Também, os resíduos presentes nas folhas podem ser transferidos para o solo através do escorrimento por chuvas, ou mesmo como resultado de pulverizações.

Os resíduos de fenitrotion nas folhas diminuiram rapidamente após a aplicação (TABELA 3) e os pontos de intersecção das equações (TABELA 4) indicam que entre 1,3 e 1,5 dias após a pulverização termina a fase de degradação e inicia-se a fase de persistência.

Através das equações de regressão (TABELA 4), os valores calculados de meia-vida de degradação em folhas de tomateiro para os tratamentos A, B e C foram: 0,7; 0,8 e 0,7 dias, respectivamente e os valores de meia-vida de persistência para os respectivos tratamentos foram: 5,6; 6,2 e 6,2 dias, com valores muito próximos entre si, consideradas as fases separadamente. Comparando estes resultados com àqueles obtidos em frutos, conclui-se que a dissipação inicial de fenitrotion em folha é mais rápida que naqueles, enquanto que na fase de persistência elas se assemelham.

As meias-vida obtidas neste trabalho são semelhantes às encontradas por Evaristo (1994) ao estudar os resíduos deslocáveis de metamidofós em folha de tomateiro, neste caso, variando de 0,7 a 2,4 dias.

 

CONCLUSÕES

- Os resíduos de fenitrotion em frutos de tomateiro decrescem rapidamente após a aplicação e apresentam valores de meia-vida de degradação e de persistência, de 1,6 a 1,9 dias e de 4,2 a 7,3 dias, respectivamente;

- Os resíduos de fenitrotion em frutos são inferiores à tolerância oficial (0,5 ppm), mesmo logo após a pulverização de 100 g i.a./100 litros em uma ou quatro aplicações, espaçadas de sete dias e desde um dia após a aplicação para a dosagem de 200 g i.a./100 litros em uma única aplicação;

- Os valores de meia-vida de degradação e de persistência de fenitrotion em folhas de tomateiro são de 0,7 a 0,8 dias, respectivamente, sendo portanto de dissipação mais rápida do que nos frutos.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Recebido para publicação em 26.08.97
Aceito para publicação em 16.03.98