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Scientia Agricola

Print version ISSN 0103-9016

Sci. agric. vol. 55 n. 2 Piracicaba May/Aug. 1998

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-90161998000200015 

ENRAIZAMENTO DE ESTACAS LENHOSAS DE CULTIVARES DE AMEIXEIRA (Prunus spp.), EM CONDIÇÕES DE CAMPO

 

V. PASINATO1; J.C. NACHTIGAL1; E. KERSTEN1,2
1Depto. de Fitotecnia-UFPEL/FAEM, C.P. 354, CEP: 96010-900 - Pelotas, RS.
2Bolsista do CNPq.

 

 

RESUMO: O presente trabalho foi conduzido com o objetivo de avaliar o efeito de duas concentrações (0 e 3.000ppm) do ácido indolbutírico (AIB) no enraizamento de estacas de ramos de sete cultivares de ameixeira (All Producer, Ace, Sangal, Roxa de Itaquera, Frontier, Reubennel e Beauty), coletadas de plantas com 8 anos de idade. O experimento foi conduzido em Pelotas, RS, com estacas lenhosas obtidas dos ramos do último período de crescimento e instalado em condições de campo, em junho de 1994. Os resultados obtidos foram bastante variáveis entre as cultivares. Todavia, não observou-se influência estatisticamente significativa do AIB no enraizamento das estacas. Utilizando-se AIB nas cultivares Ace, Sangal e Roxa de Itaquera, obteve-se percentuais de enraizamento superiores a 60%. Para as cultivares All Producer e Frontier obteve-se o máximo de enraizamento de 25,7 e 20,2%, respectivamente. Para a cultivar Beauty os percentuais de enraizamento obtidos na ausência de AIB e com 3000ppm foram de 37,3 e 21,2%, respectivamente. Para a cv. Reubennel, embora não tenha sido verificada influência significativa do AIB, o percentual de enraizamento obtido com a concentração de 3.000ppm foi bastante superior ao obtido na ausência do mesmo, 30,1 e 6,2% de enraizamento.
Descritores:
ameixeira, ácido indolbutírico, AIB, estacas, enraizamento, Prunus

 

ROOTING OF HARDWOOD CUTTINGS FROM PLUM
CULTIVARS (Prunus spp.) UNDER FIELD CONDITIONS

ABSTRACT: The present work was conducted to evaluate the effect of two concentrations (0 and 3,000ppm) of indolbutyric acid (IBA) on the rooting of cuttings of seven plum cultivars (All Producer, Ace, Sangal, Roxa de Itaquera, Frontier, Reubennel and Beauty), excised from 8-year plants. The experiments were performed in Pelotas, RS, Brazil, and cuttings were taken from the stems of the last growth period and taken to field begining July 1994. The results varied strongly among cultivars. There was no significant influence of IBA on the emission of roots. In the cultivars Ace, Sangal and Roxa de Itaquera, the rate of rooting was above 60% with 3,000ppm of IBA. For the cultivars All Producer and Frontier the maximum were 25.7 and 20.2% of rooting, respectively. In the cultivar Beauty the percentage of rooting without and with 3,000ppm of IBA were 37.3 and 21.2%, respectively. For the cultivar Reubennel, although not showing significant influence of IBA, the percentual of rooting in the concentration for 3,000ppm (30,1%) was much higher than that obtained with no IBA, (6,2%).
Key Words:
plum, IBA, cutting, rooting, Prunus

 

 

INTRODUÇÃO

A ameixeira (Prunus spp.) é uma espécie frutífera cultivada economicamente em diversas partes do mundo. No Brasil, pode ser cultivada em diversos estados, principalmente no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo, devido às condições climáticas favoráveis.

A ameixeira pode ser propagada através de sementes, estacas e enxertia. A propagação por sementes apresenta alguns inconvenientes, principalmente a variabilidade genética dos descendentes e o baixo índice de germinação, o que, em algumas cultivares, não ultrapassa aos 2%. A enxertia tem sido o principal método de propagação utilizada comercialmente, porém também apresenta alguns inconvenientes, como, por exemplo, maior tempo para formação da muda, mão-de-obra mais especializada e, principalmente, condiciona a vida útil da copa à vida útil do porta-enxerto (Kersten, 1990). A estaquia é um método de propagação de plantas que está sendo pesquisado em diversos países, porém a principal limitação deste método reside no fato de que os resultados obtidos são muito variáveis em função das cultivares, reguladores de crescimento, épocas de realização, ambientes, tipos de substratos, entre outros (Fachinello et al., 1995)

Seganfredo et al. (1995), trabalhando com diversas cultivares de ameixeira em condições de nebulização intermitente, verificaram que existe grandes diferenças de enraizamento entre as cultivares, bem como entre as concentrações de AIB e as épocas de coleta das estacas.

Kersten et al. (1993, 1994a e 1994b) também observaram variabilidade de respostas entre as cultivares, épocas de coleta das estacas e concentrações de AIB.

O objetivo do presente trabalho foi avaliar o efeito de duas concentrações (0 e 3000ppm) do ácido indolbutírico no enraizamento de estacas de sete cultivares de ameixeira, em condições de campo, durante a fase de repouso vegetativo.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O trabalho foi realizado em condições de campo, no Pomar Didático "Professor Antônio Rodrigues Duarte da Silva", do Centro Agropecuário da Palma - UFPEL, situado no município de Capão do Leão, RS.

O clima da região é do tipo Cfa, segundo classificação de Koppen, caracterizado pela ocorrência de períodos de seca no verão e excesso hídrico no inverno.

Foram utilizadas plantas com 8 anos de idade das seguintes cultivares: All Producer, Ace, Sangal, Roxa de Itaquera, Frontier, Reubennel e Beauty. As estacas foram retiradas da porção mediana de ramos do último período de crescimento, preparadas com um corte horizontal na base, próximo a uma gema, e, na outra extremidade, um corte em bisel. As estacas apresentavam, aproximadamente, 15cm de comprimento e sem folhas.

Após seccionadas, as estacas foram mergulhadas em solução com fungicida (Benomyl a 0,06%). Antes da colocação no solo, foi aplicado o AIB, na forma de pó, mediante imersão da base das estacas, cerca de 1,5 a 2,0cm, na formulação contendo 3.000ppm do AIB. O controle foi efetuado mediante a imersão da base das estacas em talco industrial, conforme metodologia descrita por Kersten et al. (1993).

O solo da área experimental foi mantido com cobertura morta, de 15cm de espessura, utilizando capim ceifado de campo nativo e acículas de pinus.

O experimento foi instalado durante o mês de junho de 1994, sendo que a avaliação foi realizada em dezembro do mesmo ano, o que corresponde, aproximadamente, 170 dias após. A avaliação foi realizada levando-se em consideração o número de estacas enraizadas.

O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao acaso, obedecendo-se a um esquema fatorial, com 3 repetições e 16 estacas por repetição, para cada cultivar. Para análise estatística utilizou-se o teste de Duncan, ao nível de 5% de probabilidade, sendo que os dados foram transformados segundo o arcoseno da raiz quadrada de X/100.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Pelos resultados obtidos, verifica-se que houve um comportamento diferenciado no potencial de enraizamento entre as diferentes cultivares de ameixeira e a adição de AIB não aumentou significativamente o enraizamento de nenhuma das cultivares estudadas (TABELA 1).

 

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A cultivar Roxa de Itaquera foi a que apresentou o maior percentual de enraizamento (76,1%), porém não diferindo significativamente das cultivares Ace e Sangal, com 50,7 e 48,1% de enraizamento, respectivamente, as quais não diferiram significativamente das cultivares Beauty e All Producer. As cultivares Reubennel e a Frontier apresentaram os menores percentuais de enraizamento, porém não diferiram significativamente das cultivares Beauty e All Producer.

O AIB não estimulou o enraizamento das estacas em todas as cultivares utilizadas, porém para algumas delas, principalmente para a cultivar Reubennel, o percentual de enraizamento aumentou de 6,3%, na ausência de AIB, para 30,1%, na concentração de 3.000ppm (TABELA 1). Essa diferença, embora grande, não foi significativa devido a variabilidade de resposta entre as repetições, o que é um dos principais problemas da propagação por estacas nesta espécie.

A ausência de resposta ao AIB, no enraizamento de estacas de ameixeira, também é citado por Souza et al. (1994). Tal resposta talvez esteja relacionada com o tipo de estaca utilizada, já que, neste trabalho, utilizou-se estacas em fase de repouso vegetativo e com alto grau de lignificação, o que pode ter dificultado a ação do regulador de crescimento. Kersten et al. (1994b), trabalhando com enraizamento de estacas de ameixeira das cultivares Reubennel e Frontier, observaram efeito significativo do AIB na cultivar Reubennel até a concentração de 2.000ppm, sendo que os melhores resultados foram obtidos com estacas no início do período vegetativo, ou seja, durante o mês de novembro.

Para efeito ilustrativo do desenvolvimento das estacas enraizadas, durante o mês de março de 1995 foi realizada uma avaliação levando-se em consideração o diâmetro médio, medido a 5cm do nível do solo, em milímetros, e a altura média, em centímetros, cujos valores são apresentados na TABELA 2.

 

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Embora não tenha sido possível realizar análise estatística do diâmetro e da altura de plantas, que foram avaliados 270 dias após a instalação do experimento, observa-se que a concentração de 3.000ppm de AIB proporcionou maiores valores de diâmetro e altura, para a maioria das cultivares.

Os percentuais de enraizamento de estacas obtidos neste trabalho são completamente contrários aos resultados obtidos por Seganfredo et al. (1995), que trabalhou com as mesmas cultivares, exceto a cultivar Sangal, porém em condições de nebulização intermitente e com estacas coletadas durante a fase de crescimento vegetativo, ou seja, nos meses de dezembro e fevereiro. Os resultados foram tão discrepantes que, por exemplo, no caso das cultivares Roxa de Itaquera, All Producer e Beuty, quando o enraizamento foi realizado durante a fase de crescimento vegetativo, praticamente não se obteve formação de raízes, ao passo que, neste trabalho, estas cultivares apresentaram percentual de enraizamento de 76,1; 24,2 e 28,9%, respectivamente. Já as cultivares Frontier e Reubennel, que tinham enraizado 58,0 e 43,6% de suas estacas, neste caso, obteve-se apenas 19,3 e 16,4%, respectivamente. Tal fato parece estar relacionado, principalmente, com o teor de carboidratos e com o estado de lignificação dos tecido, os quais apresentam um grau de importância diferenciado em cada cultivar.

Os resultados obtidos com o enraizamento de estacas de ameixeira das cultivares Frontier e Reubennel vêm confirmar os resultados obtidos por Kersten et al. (1994a), que afirmam que o mês de novembro é a melhor época para realização da propagação por estacas destas cultivares, com percentuais de enraizamento de 87,8 e 59,1%, respectivamente. Porém Seganfredo et al. (1995) observaram que a época de coleta das estacas não foi importante para o enraizamento da cv. Frontier.

 

CONCLUSÕES

- A capacidade de enraizamento de estacas de ameixeira é bastante variável com a cultivar; sendo que as cultivares Roxa de Itaquera, Ace e Sangal foram as que apresentaram os maiores percentuais de enraizamento;

- O ácido indolbutírico não aumentou o percentual de enraizamento das estacas.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FACHINELLO, J.C.; HOFFMANN, A.; NACHTIGAL, J.C. et al. Propagação de plantas frutíferas de clima temperado. Pelotas: UFPEL, 1995. 178p.         [ Links ]

KERSTEN, E. Efeito do boro, zinco e ácido indolbutírico no enraizamento de estacas de dois cultivares de ameixeira (Prunus salicina, Lindl.). Piracicaba, 1990. 111p. Tese (Doutorado) - Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz", Universidade de São Paulo.         [ Links ]

KERSTEN, E.; LUCCHESI, A.A.; GUTIERREZ, L.E. Efeito do ácido indolbutírico no enraizamento de estacas de ramos de plantas de ameixeira (Prunus salicina, Lindl.). Scientia Agricola, v.50, n.1, p.19-26, 1993.         [ Links ]

KERSTEN, E.; NACHTIGAL, J.C.; CALLOVY FILHO, C. Enraizamento de ameixeira (Prunus salicina, Lindl.) em diferentes épocas de coleta das estacas. Ciência Rural, v.25, n.1, p.169-170, 1994a.         [ Links ]

KERSTEN, E.; TAVARES, M.S.W.; NACHTIGAL, J.C. Influência do ácido indolbutírico no enraizamento de estacas de ameixeira (Prunus salicina, Lindl.). Revista Brasileira de Fruticultura, v.16, n.1, p.215-222, 1994b.         [ Links ]

SEGANFREDO, R.; NACHTIGAL, J.C.; KERSTEN, E. Propagação de algumas cultivares de ameixeira (Prunus salicina, Lindl.) através de estacas em condição de nebulização. Revista Brasileira de Agrociência, v.1, n.1, p.40-42, 1995.         [ Links ]

SOUZA, C.; NACHTIGAL, J.C.; KERSTEN, E. Efeito do ácido indolbutírico (AIB) no enraizamento de estacas de ameixeira (Prunus salicina, Lindl.). In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA, 13., Salvador, 1994. Anais. Salvador:SBF, 1994. v.1, p.129-130.         [ Links ]

 

 

Recebido para publicação em 21.11.95
Aceito para publicação em 13.02.98