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Scientia Agricola

Print version ISSN 0103-9016

Sci. agric. vol. 55 n. 2 Piracicaba May/Aug. 1998

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-90161998000200020 

EFEITO DA APLICAÇÃO PRÉVIA DE ETHEPHON EM AMEIXEIRA (Prunus salicina Lindl) E DO IBA NO ENRAIZAMENTO DE SUAS ESTACAS

 

L.F. DUTRA1; A.TONIETTO2; E. KERSTEN3
1Bolsista recém-mestre/FAPERGS, FAEM/UFPEL.
2Aluno do Curso de Pós-graduação em Agronomia-FAEM/UFPEL.
3Depto. de Fitotecnia-FAEM/UFPEL, C.P. 354, CEP: 96010-900 - Pelotas, RS.

 

 

RESUMO: O experimento foi realizado em casa de vegetação com nebulização intermitente com o objetivo de verificar o efeito do ethephon, aplicado às plantas, e do ácido indolbutírico no enraizamento de estacas de ramos das cultivares Frontier, Reubennel, Ace, Songold, Beauty e Roxa de Itaquera. As plantas foram pulverizadas com ethephon (ácido 2-cloroetil fosfônico) nas concentrações de 0 (zero), 50 e 100 mg.l-1. Foram coletados ramos do ano e destes, retirou-se estacas medianas, com comprimento de 15cm e um par de folhas, as quais foram tratadas com ácido indolbutírico (IBA) de formulação líquida nas concentrações de 0 (zero) e 3000 mg.l-1, com tempo de imersão de 5 segundos. As estacas foram acondicionadas em sacos de polietileno contendo vermiculita como substrato. Observou-se que o ethephon aumentou o percentual de enraizamento da cultivar Beauty e o IBA aumentou o percentual de enraizamento das cultivares Roxa de Itaquera, Songold e Beauty. Concluiu-se ainda que existe diferença de potencial de enraizamento entre as cultivares de ameixeira, sendo que apresentaram maior enraizamento as cultivares Frontier e a Ace.
Descritores:
ameixeira, propagação vegetativa, cultivar, ácido indolbutírico, ethephon, enraizamento

 

EFFECT OF ETHEPHON ON PLUM (Prunus salicina Lindl)
AND OF IBA ON THE ROOTING OF CUTTINGS

ABSTRACT: The work was carried out in a greenhouse with intermitent mist to verify the effect of ethephon (2-chloroetyl phosphonic acid) in plants, applied one week before of branch collection, and later treatment with indolebutyric acid (IBA) on rooting of cuttings of Frontier, Reubennel, Ace, Songold, Beauty and Roxa de Itaquera cultivars. The plants were sprayed with ethephon at 0 (zero); 50 and 100 mg.l-1 concentrations. Branches of the year from eight years old plants were collected and from them median cuttings departed with 15cm lenght and two leaves. Later, they were treated with IBA at 0 (zero) and 3000 mg.l-1 concentrations for 5 seconds immersion. The cuttings were packed in polietylene bags containing vermiculite with substrate. Ethephon increased the rooting percentage of Beauty cultivar and the IBA increased the rooting percentage of Roxa de Itaquera, Songold and Beauty cultivars. Different rooting potential among of plum cultivars was verified and the best ones were Frontier and Ace.
Key Words:
plum, vegetative propagation, cultivar, indolebutyric acid, ethephon, rooting

 

 

INTRODUÇÃO

A ameixeira é uma frutífera pertencente à família Rosaceae, originária do extremo oriente e compreende várias espécies. As duas espécies mais importantes são a Prunus domestica L., conhecida como européia, e a Prunus salicina Lindl, denominada japonesa (Nakasu & Castro, 1990).

A exploração da ameixeira está em função da ocorrência de baixas temperaturas durante o inverno, as quais limitam a expansão das principais cultivares que podem ser exploradas comercialmente (Raseira, 1980). As ameixeiras pertencentes ao grupo das japonesas necessitam de um menor acúmulo de horas de frio do que as européias (Carvalho & Raseira, 1989), sendo por isso, mais cultivadas no Brasil.

Segundo Ducroquet & Schuck (1994), a cultura da ameixeira, no Brasil, está em expansão com uma área de 5000 ha de plantio até o ano de 1994.

A propagação desta espécie é realizada por enxertia utilizando-se o pessegueiro (Prunus persica (L.) Batsh) como porta-enxerto. Ao utilizar-se sementes para obtenção dos porta-enxertos, estes podem não transmitir com fidelidade as características genéticas da planta-mãe, além de condicionarem a vida útil da cultivar copa à sua longevidade. A utilização de sementes de ameixeira para obtenção de porta-enxertos é inviável, devido a seu baixo índice de germinação.

Face ao exposto, o processo de estaquia, como método de propagação da ameixeira para produção de porta-enxertos com características definidas ou de mudas, dispensando-se a enxertia, é uma alternativa que está sendo pesquisada no Brasil e em outras partes do mundo.

Dentre os vários fatores que afetam o enraizamento de estacas, as auxinas desempenham papel importante. Estas foram os primeiros reguladores químicos a encontrar uma aplicação agronômica bastante difundida, praticamente empregando-se só as sintéticas por serem mais facilmente absorvidas e por resistirem melhor ao catabolismo auxínico, o que as torna mais potentes e de ação mais duradoura (Galston & Davies, 1972; Couto, 1979; Ferri, 1979).

O ácido indolbutírico (IBA) é um dos reguladores químicos mais aplicados, sendo efetivo para um grande número de plantas (Bose & Mandal, 1972).

Trabalhando com diferentes espécies de ameixeira, tratadas com IBA nas concentrações de 1000, 4000 e 8000 mg.l-1 na forma líquida e 3000 mg.l-1 em pó, Hartmann & Hansen (1955) concluíram que a ameixeira cultivar Santa Rosa foi a que melhor enraizou, sendo a concentração de 4000 mg.l-1, na forma líquida, a mais efetiva.

Conforme Grzyb (1975), estacas herbáceas de clones de ameixeira tratadas com diversos reguladores vegetais (IBA, NAA, Seradix e Rooting Powder), sob nebulização e em duas épocas, enraizam melhor com IBA a 2,5 g.l-1 no outono.

Rathore (1983), utilizando estacas semilenhosas da cultivar Santa Rosa tratadas com IBA a 1500, 3000 e 6000 mg.l-1, observou que as concentrações deste regulador aumentaram significativamente a percentagem de enraizamento, chegando a obter 100% de estacas enraizadas com aplicação de 6000 mg.l-1.

Howard (1985) verificou que a aplicação de IBA na formulação de pó estimulou o enraizamento de estacas lenhosas de ramos de ameixeira. O ácido indolbutírico, aplicado na base, foi mais efetivo a 5000 mg.l-1 e, aplicado na epiderme, a 10000 mg.l-1, enquanto que, para o tratamento conjunto entre base e epiderme da casca, o melhor resultado foi obtido nas concentrações de 1250 e 2500 mg.l-1.

Em trabalho realizado com duas cultivares de ameixeira tratadas com quatro concentrações de IBA, em quatro épocas, Kersten (1990) verificou que o efeito do ácido indolbutírico é mais acentuado em novembro e em dezembro nas concentrações de 3000 e 4000 mg.l-1, respectivamente.

Realizando outro trabalho, com estacas de ramos de ameixeira das cultivares Reubennel e Frontier, tratadas com IBA nas concentrações de 2000, 3000, 4000 e 5000 mg.l-1, coletadas em três épocas e mantidas em condições de nebulização intermitente, Kersten et al. (1994) concluíram que o IBA exerceu influência somente no enraizamento das estacas da cultivar Reubennel na concentração de 2000 mg.l-1.

Seganfredo et al. (1994), testando estacas de ramos de seis cultivares de ameixeira, com um par de folhas, tratadas com IBA a 3000 mg.l-1 e sob nebulização intermitente, verificaram que apenas a cultivar Frontier apresenta resultados satisfatórios em qualquer das épocas estudadas e dispensa a aplicação do regulador vegetal, enquanto que as cultivares Reubennel e Ace apresentam percentuais de enraizamento satisfatórios somente em fevereiro e com aplicação de IBA. O regulador e a época de coleta dos ramos não influíram no enraizamento das cultivares Beauty, All Producer e Roxa de Itaquera.

Outro regulador de crescimento, o etileno, em baixas concentrações (próximas a 10 mg.l-1), estimula a formação e o desenvolvimento de raízes (Fachinello et al., 1994). Para estes autores, possivelmente o etileno sintetizado quando da aplicação de auxina explica o efeito desta no enraizamento de estacas.

Samananda et al. (1972), estudando o uso conjunto do IBA e do etileno (ácido 2-cloroetilfosfônico), observaram que enquanto o IBA favoreceu a indução de raízes em estacas de crisântemo, o etileno teve ação favorável ao crescimento dessas raízes.

Dhua et al. (1982), estudaram o efeito do ethephon e do ácido indolbutírico no enraizamento de estacas de goiabeira pulverizando seus ramos com ethephon a 50, 100, 150 e 200 mg.l-1. Sete dias após, estacas herbáceas com 15 cm de comprimento, retiradas das extremidades dos ramos, foram tratadas ou não com IBA a 3000 mg.l-1. O enraizamento foi melhor, em torno de 100%, nas estacas que foram tratadas com o IBA após o tratamento de ethephon.

O presente trabalho foi executado com o objetivo de avaliar o efeito do ethephon, aplicado às plantas, e do ácido indolbutírico no enraizamento de estacas de ramos de seis cultivares de ameixeira (Prunus salicina Lindl).

 

MATERIAL E MÉTODOS

O trabalho foi desenvolvido em casa de vegetação equipada com sistema de nebulização intermitente, pertencente ao Departamento de Fitotecnia da Faculdade de Agronomia "Eliseu Maciel", Universidade Federal de Pelotas.

Foram utilizadas plantas com 8 anos de idade do Pomar Didático "Professor Antônio Rodrigues Duarte da Silva", FAEM, RS. O trabalho foi desenvolvido com seis cultivares de ameixeira pertencentes ao grupo das japonesas (Prunus salicina Lindl): Frontier, Reubennel, Ace, Songold, Beauty e Roxa de Itaquera.

Os tratamentos consistiram de aplicação de ethephon (ácido 2-cloroetil fosfônico) nas plantas e ácido indolbutírico nas estacas provenientes destas. As plantas de ameixeira foram pulverizadas com ethephon nas concentrações 0 (zero), 50 e 100 mg.l-1, aplicação esta feita com pulverizador costal de capacidade para 4 litros realizada no dia 04/12/95. Uma semana após, dia 11/12/95, foram coletados ramos do ano e destes, retirou-se estacas da porção mediana com aproximadamente 15 cm, um par de folhas cortadas ao meio e sem meristema apical. Foram efetuadas 2 lesões laterais na base das estacas.

Posteriormente as estacas foram tratadas com ácido indolbutírico (IBA), de formulação líquida e nas concentrações de 0 (zero) e 3000 mg.l-1. O tempo de imersão no IBA foi de 5 segundos. Imediatamente após a imersão, as estacas foram colocadas em sacos de polietileno, com dimensões de 20 x 14 cm contendo vermiculita de granulometria média como substrato.

O tempo de permanência na casa de vegetação, sob nebulização intermitente, foi por um período de 60 dias. Realizaram-se ainda, aplicações semanais de fungicida alternando o tratamento com Captan e Benlate.

Decorrido o período de 60 dias, foram avaliados a percentagem de estacas enraizadas; persistência de folhas; número de raízes por estaca e; peso da matéria seca de raízes por estaca.

O delineamento experimental adotado foi inteiramente ao acaso, com 3 repetições e 12 estacas por repetição. Os tratamentos seguiram um esquema fatorial 3x5, envolvendo três dosagens de ethephon e cinco dosagens de ácido indolbutírico.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Na TABELA 1 são mostrados os resultados das cultivares para os níveis de ethephon.

 

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Conforme indicado na TABELA 1, as cultivares se comportaram de maneira diferenciada para cada nível de ethephon.

No tratamento testemunha (0 mg.l-1 de ethephon) as maiores percentagens de enraizamento foram obtidas com as cultivares Frontier, Ace e Roxa de Itaquera que não diferenciaram-se entre si, porém foram superiores às cultivares Songold, Beauty e Reubennel. Este comportamento pode ser atribuído a uma maior facilidade natural em emitir raízes das três primeiras cultivares em relação às últimas. O potencial natural para enraizar da cultivar Frontier foi demonstrado por Seganfredo et al. (1994).

Quando da aplicação de 50 mg.l-1 de ethephon, o maior percentual de enraizamento foi obtido com a cultivar Ace (56,51%), seguida pela cultivar Frontier. As cultivares Roxa de Itaquera, Songold e Beauty não mostraram diferença entre si, sendo superiores à cultivar Reubennel. Cabe salientar o aumento no percentual de estacas enraizadas nas cultivares Ace, Songold e Beauty provocado provavelmente pelo efeito benéfico da aplicação do ethephon.

Por outro lado, as cultivares Frontier e Roxa de Itaquera tiveram redução na percentagem de estacas enraizadas. A diminuição na cultivar Frontier foi muito pequena, ao contrário da Roxa de Itaquera que teve uma redução de quase 20%. A cultivar Reubennel não respondeu ao aumento de 50 mg.l-1 de ethephon.

Já para o tratamento com 100 mg.l-1 de ethephon novamente as cultivares Frontier e Ace apresentaram os maiores percentuais de enraizamento e foram superiores às cultivares Roxa de Itaquera, Songold e Beauty, as quais não diferenciaram-se. A cultivar Reubennel, embora demonstrando ser a pior cultivar, sofreu um aumento na percentagem de estacas enraizadas (6,81%) quando da aplicação de 100 mg.l-1 de ethephon. Com exceção das cultivares Ace e Roxa de Itaquera, as demais apresentaram os maiores percentuais de enraizamento com aplicação de 100 mg.l-1 de ethephon possivelmente pelo efeito benéfico deste regulador. Sugere-se que a cultivar Ace atingiu o máximo de resposta até 50 mg.l-1 de ethephon e que a cultivar Roxa de Itaquera responde de maneira decrescente à aplicação de ethephon.

As cultivares Songold, Reubennel e Ace não mostraram efeito significativo à aplicação de ethephon (TABELA 1), porém nota-se que houve aumento no percentual de enraizamento à medida que se aumentava as concentrações de ethephon, sugerindo que maiores concentrações poderão proporcionar maiores percentuais de estacas enraizadas. Também faz-se necessário salientar a diferença de potencial de enraizamento da cultivar Ace em relação às cultivares Songold e Reubennel, e a possibilidade de enraizá-la sem a aplicação de reguladores.

As cultivares Frontier e Beauty apresentaram efeito crescente com o aumento dos níveis de ethephon, indicando um efeito benéfico deste regulador na formação de raízes destas cultivares. O efeito benéfico do ethephon no enraizamento de estacas foi citado por Dhua et al. (1982).

Já a cultivar Roxa de Itaquera mostrou um decréscimo bastante acentuado com o aumento de 0 (zero) mg.l-1 para 50 mg.l-1 de ethephon e um pequeno acréscimo deste para 100 mg.l-1, podendo indicar que este regulador exerça um efeito negativo na formação de raízes desta cultivar. Esse comportamento pode ser devido a um efeito supra ótimo no nível de auxina endógena, causado pelo fornecimento de ethephon, o qual passou a ser inibitório (Alvarenga & Carvalho, 1983).

Também foi verificada a diferença entre cultivares para os tratamentos com ácido indolbutírico (TABELA 2).

 

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Conforme indicado na TABELA 2, pode-se verificar a diferença de estacas enraizadas entre cultivares dentro de um mesmo nível de IBA. A diferença de enraizamento entre cultivares também foi citada por Bartolini et al. (1982), Sharma & Aier (1989), Kersten et al. (1993 e 1994) e Seganfredo et al. (1994).

As cultivares Frontier e Ace foram superiores às demais, tanto com aplicação de 0 (zero) mg.l-1 quanto de 3000 mg.l-1. Isso demonstra uma maior facilidade de formar raízes por parte da cultivar Frontier (Kersten et al., 1994) e da cultivar Ace. As cultivares Roxa de Itaquera, Beauty e Songold com 18,28%, 12,84% e 7,06% para 0 (zero) mg.l-1 de IBA e 34,45%, 22,67% e 19,96% para 3000 mg.l-1, demonstraram potencial para a propagação através de estacas, enquanto que a cultivar Reubennel, em vista de suas baixas percentagens de enraizamento, necessita de maiores investigações.

Já com relação às concentrações de IBA, nota-se que as cultivares, Frontier e Ace, não responderam à aplicação deste regulador. Isso pode ser devido a uma quantidade de auxinas endógenas suficientes para promover a formação de raízes e indica a possibilidade de multiplicar sem o uso de reguladores vegetais, tanto a cultivar Frontier (Kersten et al., 1994; Seganfredo et al., 1995) quanto a cultivar Ace. A cultivar Reubennel também não respondeu significativamente à aplicação do ácido indolbutírico, apesar do pequeno aumento no número de estacas enraizadas, sugerindo que em outras concentrações, possa haver um aumento significativo no percentual de enraizamento (Seganfredo et al., 1995).

Em contrapartida, para as cultivares Roxa de Itaquera, Beauty e Songold houve resposta à aplicação do IBA, o que indica um possível aumento no número de estacas enraizadas com maiores concentrações de IBA.

A variável persistência de folhas comportou-se de maneira diferente de acordo com as cultivares e níveis de IBA (TABELA 3).

 

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Observando-se a TABELA 3, pode-se constatar que, com exceção da cultivar Reubennel, todas as outras cultivares tiveram aumento no percentual de persistência de folhas, embora o efeito do IBA só tenha sido significativo para as cultivares Frontier e Ace. A maior percentagem de persistência de folhas obtida na concentração de 3000 mg.l-1, talvez pode ser devida ao efeito combinado destas no enraizamento das estacas, visto que as folhas são fontes de auxina, carboidratos e cofatores de enraizamento, além de favorecerem a emissão de raízes, que, pela absorção de água, evitam que haja desidratação da estaca (Nachtigal, 1994).

No que se refere ao número de raízes por estaca, verificou-se o efeito significativo das interações cultivar x ethephon e cultivar x IBA. Na TABELA 4 é apresentado o número de raízes por estaca das cultivares para os níveis de ethephon.

 

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No nível de 0 (zero) mg.l-1 de ethephon, o maior número de raízes foi obtido com a cultivar Frontier, que diferiu estatisticamente das cultivares Roxa de Itaquera e Ace. Os menores resultados foram obtidos com as cultivares Songold, Beauty e Reubennel. Como na variável enraizamento, neste nível, os maiores números de raízes foram obtidos com as cultivares Frontier, Roxa de Itaquera e Ace, que possivelmente possuem maior facilidade para emitir raízes do que as cultivares Songold, Beauty e Reubennel.

Quando da aplicação de 50 e 100 mg.l-1, de maneira geral, o comportamento das cultivares foi semelhante ao observado para o nível de 0 (zero) mg.l-1, corroborando aquela discussão.

É importante salientar que a cultivar Reubennel, mesmo apresentando os menores resultados, sofreu um aumento no número de raízes quando aplicou-se 100 mg.l-1 de ethephon, sugerindo maiores observações.

Já as cultivares Ace e Beauty mostraram um aumento até a concentração de 50 mg.l-1 de ethephon, indicando que esse seja o nível máximo de resposta a esse regulador para a variável número de raízes. Com relação à cultivar Roxa de Itaquera, a aplicação de ethephon parece ter um efeito inibitório, pois o maior número de raízes por estaca foi observado no nível 0 (zero) mg.l-1 de ethephon. As cultivares Songold e Frontier mostraram tendência de aumento no número de raízes com o aumento dos níveis de ethephon.

As cultivares Songold, Reubennel e Frontier não mostraram efeito significativo à aplicação de ethephon, no entanto verifica-se que houve aumento no número de raízes por estaca com o aumento das concentrações de ethephon, sugerindo uma relação direta.

As cultivares Ace e Beauty tiveram aumento no número de raízes com o aumento dos níveis de ethephon até 50 mg.l-1, tendendo após à estabilidade. Isso pode indicar que este seja o nível adequado de ethephon para este parâmetro nestas cultivares. Igualmente como para o enraizamento, na cultivar Roxa de Itaquera verificou-se um decréscimo no número de raízes com o aumento dos níveis de ethephon, indicando que possivelmente este regulador exerça um efeito negativo na emissão de raízes nesta cultivar.

Conforme indicado na TABELA 5, houve diferença entre cultivares e concentrações de IBA.

 

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O comportamento das cultivares em cada nível de IBA foi semelhante. A cultivar Frontier foi superior às demais demonstrando que além de um alto potencial para formar raízes, esta cultivar também apresenta facilidade para emitir raízes. As cultivares Ace e Roxa de Itaquera mostraram resultados satisfatórios em relação à melhor cultivar, evidenciando que possuem potencial para emitir raízes e serem propagadas por estaquia.

É importante observar que, do mesmo modo que para o percentual de estacas enraizadas, o número de raízes aumentou significativamente com o aumento dos níveis de IBA, exceção feita a cultivar Reubennel. Este comportamento confirma o efeito benéfico da aplicação de IBA sobre este parâmetro.

Para a variável peso da matéria seca das raízes, o efeito do IBA foi significativo (TABELA 6).

 

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Conforme citado na TABELA 6, os maiores valores de peso da matéria seca das raízes foram obtidos com as cultivares Frontier e Ace, resultado que vem corroborar a superioridade destas cultivares em todos as variáveis, com relação às demais.

No que refere-se a aplicação de IBA, embora sem efeito significativo, pode-se verificar que houve aumento no peso da matéria seca das raízes de todas as cultivares, indicando um efeito benéfico deste regulador sobre este parâmetro (Tavares, 1994). Pereira et al. (1991), em trabalho com goiabeira (Psidium guajava L.) e aplicação de IBA, constataram que estacas tratadas com este regulador mostraram precocidade de iniciação radicular e maior número e peso de raízes.

Esta variável também foi afetada pela interação cultivar x ethephon (TABELA 7).

 

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Observando-se a TABELA 7, pode-se constatar que as cultivares mostraram um comportamento semelhante para os níveis de ethephon, ou seja, os maiores valores de peso da matéria seca das raízes foram obtidos com as cultivares Frontier e Ace, embora diferindo entre si nos níveis de 50 e 100 mg.l-1. As cultivares Roxa de Itaquera e Songold somente diferenciaram-se das cultivares Beauty e Reubennel no nível de 0 (zero) mg.l-1 de ethephon.

É importante salientar o aumento de peso da matéria seca das raízes na cultivar Frontier. A cultivar Reubennel apresentou um aumento neste parâmetro quando da aplicação de 100 mg.l-1.

Já as cultivares Ace e Beauty mostraram um aumento neste parâmetro até 50 mg.l-1 de ethephon. A aplicação de ethephon parece ter um efeito inibitório sobre a cultivar Roxa de Itaquera, visto que o maior peso da matéria seca das raízes foi obtido com o nível de 0 (zero) mg.l-1 de ethephon, semelhantemente ao que ocorreu com o número de estacas enraizadas e número de raízes por estaca. A cultivar Songold mostrou ausência de resposta à aplicação de ethephon sobre este parâmetro.

O peso da matéria seca das raízes das cultivares Songold, Beauty, Reubennel e Roxa de Itaquera não foi afetado pela aplicação do ethephon. Este comportamento indica que possivelmente estas cultivares possuem baixo potencial para o desenvolvimento de raízes formadas e esta condição não é afetada pela aplicação de ethephon.

Entretanto, este parâmetro nas cultivares Frontier e Ace foi afetado pela aplicação do ethephon. Enquanto a cultivar Ace indica ter chegado a um ponto ótimo (50 mg.l-1), a cultivar Frontier mostrou um comportamento crescente. Samananda et al. (1972), estudando o uso do IBA e do etileno (ácido 2-cloroetilfosfônico), observaram que o etileno teve ação favorável ao crescimento das raízes formadas. Esse resultado confirma a superioridade destas duas cultivares, em todas as variáveis analisadas, sobre as demais.

 

CONCLUSÕES

- o ethephon aumenta significativamente o percentual de enraizamento da cultivar Beauty;

- o IBA exerce influência aumentando significativamente o enraizamento das cultivares Roxa de Itaquera, Songold e Beauty;

- existe diferença de enraizamento entre as cultivares de ameixeira, sendo que as cultivares Frontier e Ace apresentam maior facilidade de emitir raízes do que as cultivares Roxa de Itaquera, Songold, Beauty e Reubennel;

- o IBA aumentou a persistência de folhas nas cultivares Frontier e Ace, o número de raízes da cultivar Reubennel e o peso de matéria seca de raízes da cultivar Ace;

- o ethephon aumenta o número de raízes das cultivares Ace e Beauty e o peso da matéria seca das raízes das cultivares Ace e Frontier, na concentração de 50 mg.l-1.

 

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Recebido para publicação em 21.08.96
Aceito para publicação em 16.12.97