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Scientia Agricola

Print version ISSN 0103-9016

Sci. agric. vol.56 n.2 Piracicaba  1999

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-90161999000200018 

DESEMPENHO VEGETATIVO DE CULTIVARES DE SOJA [Glycine max (L.) Merrill] EM ÉPOCAS NORMAL E SAFRINHA1

 

Luis Fernando Sanglade Marchiori2; Gil Miguel de Sousa Câmara3*; Clóvis Pereira Peixoto2; Mônica Cagnin Martins2
2 Pós-Graduando do Depto. de Produção Vegetal - ESALQ/USP.
3 Depto. de Produção Vegetal - ESALQ/USP, C.P. 09 - CEP: 13418-900 - Piracicaba, SP.
*e-mail: gmscamar@carpa.ciagri.usp.br
 

 

 

RESUMO: Este trabalho foi conduzido em Piracicaba - SP e constou da avaliação do desenvolvimento de três cultivares de soja manejados sob cinco densidades, em duas épocas de semeadura. Foram utilizados os cultivares de soja IAC-17, IAC-12 e IAC-19 com ciclos de maturação precoce, semi-precoce e médio, respectivamente, conduzidos no espaçamento de 0,50 m, com 10, 15, 20, 25 e 30 plantas por metro linear. Adotou-se o delineamento em blocos ao acaso com 15 tratamentos (3 cultivares x 5 densidades), repetidos três vezes. Cada parcela foi composta por 5 linhas com 5 metros, onde foram avaliados os seguintes parâmetros: altura final de planta, altura de inserção da primeira vagem, diâmetro da haste principal, número final de nós vegetativos, número de ramificações por planta e grau de acamamento. Os resultados obtidos revelaram que, na semeadura de safrinha, o cultivar IAC-19, apresentou melhor desempenho vegetativo; da época normal para a época safrinha as plantas de soja encurtaram a duração de seu ciclo, sendo o período de maturação o mais sensível; independente da época de semeadura, quanto maior a densidade de plantas de soja na linha, maior a altura final das plantas, menor o diâmetro da haste principal e menor o número de ramificações por planta.
Palavras-chave: soja, cultivar, época de semeadura safrinha, população

 

PERFORMANCE OF SOYBEAN (Glycine max (L.) Merrill) CULTIVARS SOWN DURING NORMAL AND 'SAFRINHA' SEASONS

ABSTRACT: The present work was carried out to evaluate comparatively three soybean cultivars managed under five plant population densities, cultivated in the normal and in the safrinha growing seasons. Soybean cultivars, "IAC-17" (early), "IAC-12" (semi-early) and "IAC-19"(intermediate) were cultivated in a constant spacing of 0.50 m and with 10, 15, 20, 25 and 30 plants.m-1. A randomized block design with 15 treatments (3 cultivars x 5 plant densities) was used in, each season, with three replications, three times. Each plot had 5 lines, 5 m long . The following parameters were estimated: final plant height, first pod insertion height, diameter of the main stem, number of branches per plant and bending. In the safrinha growing season, the intermediate cycle soybean cultivar, (IAC-19), presented the best performance. The delay in sowing in the normal growing season, as compared to the safrinha season reduced the ripening cycles of the plants with the highest soybean plant density in the line, the highest plant final height, the smallest main stem diameter, the smallest number of branches per plant, independent of the sowing season.
Key words: soybean, cultivar, safrinha growing season, population

 

 

INTRODUÇÃO

Entre os fatores ambientais que exercem efeitos sobre o desenvolvimento da cultura da soja, os mais importantes são a umidade, a temperatura e o fotoperíodo, que variam com as diferentes épocas do ano, apresentando variações mais acentuadas em regiõesC de maior latitude (Câmara, 1992 e 1998).

A diversidade climática de cada região, aliada ao lançamento anual de um grande número de cultivares com diferentes graus de sensibilidade aos fatores de clima, têm impossibilitado o estabelecimento de uma época ideal para todos os cultivares e regiões (Urben Filho & Souza, 1993).

Segundo Vernetti (1983), o zoneamento climático da cultura da soja tem a finalidade de indicar as regiões onde as condições de clima são mais favoráveis. Estas regiões são classificadas em aptas, marginais e inaptas. Entretanto, sabe-se que, mesmo nas melhores regiões agrícolas do mundo, o zoneamento climático não elimina problemas como a ocorrência de secas, uma vez que as suas condições climáticas estão sujeitas a fenômenos meteorológicos adversos. A freqüência e a intensidade desses fenômenos é menor nas regiões preferenciais e maior nas marginais, podendo chegar a níveis intoleráveis nas regiões inaptas.

De acordo com Marcos Filho (1986) as regiões aptas à cultura da soja são as que apresentam boa distribuição de precipitações pluviais (500-700mm) durante o ciclo das plantas. O desenvolvimento da soja está condicionado pelos fatores ambientais, sendo que a água é o principal fator que altera sua produtividade no tempo e no espaço (FAO, 1995).

Bergamaschi et al. (1977) afirmaram que semeaduras mais tardias realizadas em regiões mais quentes permitem que a planta de soja atinja porte razoável, com menor redução no seu potencial de produção. Assim, visando o rendimento da cultura, os cultivares de ciclo longo são mais vantajosos para semeaduras tardias em locais quentes pois, nessas condições, os precoces, mesmo contando com boa disponibilidade térmica e hídrica, têm seu porte e altura de inserção das primeiras vagens consideravelmente reduzidos, aumentando as perdas de colheita.

Pesquisas realizadas no Brasil, demonstram que a variável que produz maior impacto sobre a produção da cultura da soja é a época de semeadura (Rocha et al., 1984). O período mais recomendável para semeadura dessa cultura se estende de outubro a dezembro (Nakagawa et al., 1983; Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, 1996).

A melhor época de semeadura varia em função do cultivar, da região de cultivo e das condições ambientais do ano agrícola, afetando de modo acentuado, a arquitetura e o comportamento da planta, podendo causar variação drástica no rendimento, bem como no porte das plantas. As perdas na colheita mecânica, podem chegar a níveis muito elevados quando semeada em época inadequada, devido ao porte baixo das plantas (Embrapa, 1996). Além da época, outros fatores como a população de plantas afetam as características agronômicas da soja.

A época de semeadura, a população de plantas e as condições climáticas e do solo exercem influência sobre a altura da planta, apesar desta ser uma característica influenciada pelo genótipo. Cultivares de ciclo longo e de hábito de crescimento indeterminado geralmente são mais altos (Marcos Filho, 1986).

Vários autores verificaram redução na altura das plantas de soja, devido à menor duração do período vegetativo, relacionada a atrasos na semeadura (Sediyama et al., 1972; Tragnago & Bonetti, 1984; Marcos Filho, 1986; Bhering, 1989; Câmara, 1991).

Sanches & Yuyama (1979) estudando o comportamento de dois cultivares de soja em oito épocas de semeadura verificaram que o atraso no plantio causou diminuição no ciclo da planta (vegetativo ou reprodutivo), sendo isto, uma conseqüência do fotoperíodo. Com a redução do ciclo houve diminuição na altura da planta, número de vagens por planta, número de grãos por vagem e, consequentemente, redução na produção. Por outro lado, a altura da inserção da primeira vagem aumentou.

No Estado de São Paulo, a época normal de semeadura para a cultura de soja, tem seu período preferencial entre a segunda quinzena de outubro e a primeira do mês de novembro (Miranda & Mascarenhas, 1986). Segundo esses autores, semeaduras fora desse intervalo, poderão acarretar redução na altura das plantas e no rendimento, o que pode comprometer a economicidade da lavoura. Segundo Nakagawa et al. (1983), o maior desenvolvimento das plantas e as maiores produções tem sido conseguidas, no Estado de São Paulo, em semeadura no mês de novembro. As semeaduras mais tardias, apesar de oferecer melhores resultados quanto à qualidade de sementes, ocasionam menor crescimento das plantas e uma diminuição na duração dos estádios de desenvolvimento. Uma das formas de aumentar a altura de planta é elevar a população de plantas por meio da redução do espaçamento entre linhas e/ou aumento do número de plantas na linha (Rosolem et al., 1983).

A distribuição das plantas no campo é feita pela variação do espaçamento e da densidade na linha. Vários estudos tem demonstrado que a melhor população de plantas é de aproximadamente 400.000 plantas.ha-1, havendo tolerância da cultura para variações da ordem de 20% a 25% desse número para mais ou para menos. Entretanto, a melhor população depende da região, época de semeadura e cultivar (Costa Val et al., 1971; Embrapa, 1996).

Segundo Gaudêncio et al. (1990), a população é fator determinante para o arranjo das plantas de soja, uma vez que esta influencia o crescimento das plantas. O excesso de plantas, mesmo nos casos em que não se observa redução no rendimento, modifica a arquitetura e o aproveitamento de luz, deixando-as mais sujeitas ao acamamento, podendo ocasionar perdas na colheita.

Bueno et al. (1975) estudando o comportamento de dois cultivares tardios de soja, em três épocas de semeadura, dois espaçamentos e três densidades de plantio, observaram que o espaçamento de 60 cm e densidade de 10 plantas. m-1 (aproximadamente 165.000 plantas. ha-1) apresentaram melhores resultados, sem prejuízos à produção e com menor gasto de sementes.

Em determinados anos, os produtores, principalmente aqueles da região Norte do Paraná até a região Centro-Sul de São Paulo, devido ao bom preço do produto, tem experimentado a semeadura da soja em uma época alternativa chamada safrinha, que é realizada após a colheita do milho semeado antecipadamente, ou mesmo em sucessão à própria cultura da soja. Essa alternativa de produção é conduzida utilizando-se a mesma população de plantas recomendada para a época de semeadura normal, porém, em função dessa época não contemplar as exigências bioclimáticas ideais, resulta em plantas pouco desenvolvidas e com menor rendimento.

Sustentado na hipótese de que para cada cultivar de soja existe uma indicação de época ideal para semeadura, assim como existem dentre os cultivares aqueles que se sobressaem em condições de semeadura em épocas diferentes da recomendada, objetivou-se avaliar e comparar com a época de semeadura normal, o desempenho vegetativo de três cultivares de soja, recomendados para o Estado de São Paulo, manejados sob cinco populações de plantas, na época de semeadura considerada safrinha.

 

MATERIAL E MÉTODOS

A pesquisa foi realizada na Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz", no município de Piracicaba-SP, no ano agrícola 1996/97. Os dados climáticos do local são apresentados na TABELA 1.

 

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O solo, Podzólico Vermelho Escuro, foi preparado de maneira convencional, a saturação de bases elevada a 70% e o controle de plantas daninhas realizado com uso dos herbicidas trifluralina e imazaquim, nas doses de 2,0 L.ha-1 e 1,0 L.ha-1, respectivamente. Para a adubação, utilizou-se 400 kg.ha-1 da fórmula 00-20-15. Na semeadura, procedeu-se o tratamento químico das sementes com fungicida (Carboxim-20% + Thiram-20%, 280 mL.100kg-1 sementes) e a inoculação das sementes com Bradyrhizobium japonicum.

Foram utilizados os cultivares IAC-17 (ciclo precoce), IAC-12 (ciclo semi-precoce) e IAC-19 (ciclo médio). Foi adotado o espaçamento fixo de 0,50 m entre linhas de soja e o acréscimo de 30 % nas sementes para cada densidade, de maneira que as populações estudadas foram obtidas pelo desbaste do excesso de plântulas emergidas na linha de semeadura, como se observa na TABELA 2.

 

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Estes arranjos de populações de plantas e os três cultivares foram estudados em duas épocas de semeadura: 12 de novembro e 18 de março, esta última caracterizando a época denominada safrinha. Cada época constituiu um experimento independente, conduzido em blocos ao acaso, esquema fatorial, com três níveis de cultivares e cinco níveis de densidades, distribuídos em três blocos.

As parcelas foram constituídas por cinco linhas de 5,0m de comprimento, sendo as duas linhas externas consideradas como bordaduras. Como área útil foram utilizadas as três linhas centrais, sendo eliminadas, a título de bordadura, 0,50m de cada extremidade.

O ciclo da cultura foi acompanhado com base na "Escala Fenológica" proposta por Fehr & Caviness (1977), sendo que após a emergência das plantas, adotaram-se os tratos culturais necessários.

Foram avaliados os seguintes parâmetros: a) Altura final de planta - distância compreendida entre a superfície do solo e o ápice da haste principal da planta; b) Altura de inserção da primeira vagem - relativa à distância compreendida entre a superfície do solo e o ponto de inserção da primeira vagem na haste principal da planta; c) Diâmetro da haste principal - medindo-se a região compreendida entre o colo da planta e a cicatriz do nó cotiledonar; d) Número final de nós vegetativos - obtido por contagem direta; e) Número de ramificações por planta - número de ramos inseridos na haste principal da planta e nas ramificações primárias desta; f) Grau de acamamento - determinado por notas atribuídas em escala variável de 1 a 5, onde 1 e 5 representaram respectivamente, o maior e o menor grau de resistência ao acamamento. Com exceção do grau de acamamento avaliado em área total de cada parcela, os demais parâmetros foram determinados em amostras de dez plantas por parcela coletadas no estádio R8 pela escala de Fehr & Caviness (1977).

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

As análises foram realizadas através do aplicativo SAS, considerando os dois experimentos individualmente, com o intuito de verificar a homogeneidade de variâncias entre eles. Verificando-se que as exigências do modelo matemático proposto foram satisfeitas, procedeu-se à análise conjunta envolvendo as duas épocas de semeadura.

Para os efeitos estatisticamente significativos pelo teste F, na análise de variância, foi aplicado o teste t (DMS) para testar a diferença entre médias, duas a duas.

Com relação à altura final de planta, observou-se efeito de densidade de plantas, no conjunto das épocas estudadas, constatando-se diferença significativa entre a densidade de 10 plantas.m-1 e as demais, além de uma redução nos valores, no sentido da maior densidade (30 plantas.m-1) para a menor (10 plantas.m-1) (TABELA 3).

 

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Os efeitos de épocas e de cultivares para altura final de planta e altura de inserção da primeira vagem são apresentados na TABELA 4. Verificou-se que houve efeito de interação de cultivares com épocas, mostrando diferenças significativas dos cultivares em cada época, sendo a época 1 sempre superior à época 2, para os três cultivares. Esses resultados concordam com as observações de Miranda & Mascarenhas (1986) quando afirmam que semeaduras de soja fora da época recomendada, podem determinar redução na altura das plantas.

 

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Analisando o comportamento dos cultivares, observou-se que houve superioridade significativa do IAC-19 para altura final de planta, em ambas as épocas.

Quanto à variável altura de inserção da primeira vagem, observou-se que houve efeito de interação de cultivares com épocas, com diferenças significativas entre cultivares dentro de épocas e entre as épocas dentro de cultivares. Na época normal, o cultivar IAC-19, apresentou a menor altura de inserção da primeira vagem, diferindo significativamente dos cultivares IAC-12 e IAC-17, porém estes não diferiram entre si. O mesmo não ocorreu para a época safrinha onde o IAC-19 apresentou a maior altura e o IAC-17 a menor (TABELA 4).

O fato do cultivar IAC-19 ter apresentado a menor altura de inserção da primeira vagem na época normal, contraria resultados de Garcia (1979), onde maiores valores de altura de planta foram obtidos para os cultivares mais tardios. Na época safrinha, esses resultados mostraram que a altura de inserção da primeira vagem e a altura final de plantas variaram de acordo com o ciclo de maturação dos cultivares, ou seja, com o aumento do ciclo de maturação ocorreu maior altura final de planta e maior altura de inserção da primeira vagem, concordando com esse mesmo autor.

Quanto à duração dos períodos de desenvolvimento, na época de semeadura safrinha, houve encurtamento no período relativo ao início da floração (R1) até a maturidade fisiológica (R7), sendo que o IAC-17 (ciclo de maturação precoce), apresentou a maior redução (TABELA 5).

 

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No conjunto das épocas estudadas, observou-se que, para a variável altura da inserção da primeira vagem, houve efeito de interação de cultivares com densidades, com diferenças significativas entre as densidades para cada cultivar e entre os cultivares para cada densidade (TABELA 6).

 

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Para os cultivares IAC-12 e IAC-17 os maiores valores para altura de inserção da primeira vagem ocorreram na maior densidade (30 plantas. m-1) enquanto que para o cultivar IAC-19 esta foi observada na densidade de 15 plantas. m-1. Por outro lado, a menor altura, entre os três cultivares estudados, foi constatada na densidade de 10 plantas.m-1 para IAC-12, estando todos no entanto dentro da altura recomendada pela Embrapa (1996), que prescreve a altura mínima de 12 cm, visando evitar maiores perdas na colheita.

A variável diâmetro da haste principal apresentou, isoladamente, efeitos de cultivar, densidades e épocas (TABELAS 7, 8 e 9, respectivamente), no conjunto das épocas estudadas.

 

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Houve diferença significativa entre cultivares (TABELA 7). O cultivar IAC-19 diferiu do IAC-17, e não diferiu do IAC-12 e este não diferiu do IAC-17. Portanto, os maiores diâmetros foram apresentados pelos cultivares de ciclo mais longo, que, tendo mais tempo de desenvolvimento vegetativo, produziram mais massa na haste.

Os dados apresentados na TABELA 8, mostram que ocorreu redução nos valores de diâmetro da haste, no sentido das menores para as maiores densidades de plantas, provavelmente, devido a uma maior competição intraespecífica que se estabelece nas maiores populações. Esse efeito é inversamente proporcional ao que ocorre com a altura final de planta (TABELA 3).

Os valores médios de diâmetro da haste principal foram significativamente maiores na primeira época de semeadura, conforme apresentado na TABELA 9.

O comprimento médio de entrenó (TABELA 10) foi obtido pela relação entre a altura final e número final de nós vegetativos. Observou-se que da primeira para a segunda época, todos os cultivares encurtaram a distância média entre os nós da haste principal.

 

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Os resultados referentes ao número final de nós vegetativos, para as épocas de semeadura normal e safrinha, encontram-se na TABELA 11. Observou-se que todos os cultivares apresentaram redução no número final de nós vegetativos da primeira para a segunda época de cultivo, especialmente o cultivar IAC-12. Para todos os cultivares houve redução na altura final de planta da época normal para a época safrinha (TABELA 4).

 

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Dessa forma, pode-se inferir que a redução na altura final de planta observada na época safrinha, foi conseqüência do menor número de nós vegetativos formados e do encurtamento dos entrenós. Nessa condição, os cultivares IAC-12 e IAC-17 foram os que tiveram mais redução no porte das plantas.

O número de ramificações por planta variou, entre épocas, para todos os cultivares, em especial para o cultivar IAC-17 (TABELA 11), onde da época normal para a safrinha houve redução no número de ramificações, da mesma forma que as plantas apresentaram menor altura.

Em ambas as épocas e para os três cultivares, houve redução no número de ramificações por planta com o aumento da densidade de plantas, associado com a maior altura final destas (TABELAS 3 e 11). Tal comportamento já era esperado, conforme descrito por Nakagawa et al. (1988), que obtiveram resultados semelhantes.

A variável grau de acamamento (TABELA 11) é apresentada sob a forma de notas, mostrando que não ocorreram variações acentuadas por efeito das épocas de semeadura e das populações de plantas. Os valores observados nas duas épocas estudadas, estão dentro da faixa recomendável, situação considerada favorável para uma colheita mecânica com baixa perda.

 

CONCLUSÕES

• Em época de semeadura safrinha, o cultivar de soja IAC-19, de ciclo de maturação médio, apresentou melhor desempenho vegetativo.

• A associação de precocidade com período juvenil longo no cultivar de soja IAC-17, não garantiu a manutenção de boa altura de planta para a colheita em épocas de semeadura muito tardias, como no caso da época de safrinha.

• Da época normal para a época de safrinha, as plantas de soja encurtaram a duração de seu ciclo, tendo sido o período de maturação, o mais sensível às condições de menores temperatura, umidade e fotoperíodo.

• Independente da época de semeadura, quanto maior a densidade de plantas de soja na linha, maior a altura final das plantas, menor o diâmetro da haste principal, menor o número de ramificações por planta.

• o grau de acamamento não foi influenciado pelas épocas de semeadura e pela população.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Recebido para publicação em 27.01.98
Aceito para publicação em 08.09.98

 

 

1Parte da Dissertação de Mestrado do primeiro autor apresentado à ESALQ/USP - Piracicaba, SP.