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Scientia Agricola

On-line version ISSN 1678-992X

Sci. agric. vol.56 n.3 Piracicaba July 1999

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-90161999000300018 

Matéria seca, digestibilidade in vitro e composição químico-bromatológica do capim (Paspalum notatum ) cv. 'tifton 9' com diferentes idades1

 

João Maurício Bueno Vendramini2,5*; Cláudio Maluf Haddad3; Flávio Geraldo Ferreira Castro2; Andrea Campmany Vieira2,6; Osvaldo Ruben Peralta Heisecke2,5; Luis Fernando Monteiro Tamassia2,5
2Pós-Graduando do Depto. Produção Animal - ESALQ/USP.
3Depto. de Produção Animal - ESALQ/USP, C.P. 09 - CEP: 13418-900 - Piracicaba, SP.
5Bolsista da Capes.
6Bolsista do CNPq.
*e-mail: jmbvendr@carpa.ciagri.usp.br

 

 

RESUMO: Esse trabalho teve como objetivo avaliar a produção de matéria seca, digestibilidade in vitro, teores de proteína bruta e de fibras, bem como a composição mineral do capim espécie 'Tifton 9', em diferentes idades de crescimento. As avaliações foram realizadas aos 20, 27, 34, 41, 48 e 55 dias após o corte de uniformização. O delineamento estatístico adotado foi o de blocos completos casualizados com seis tratamentos e quatro repetições. A produção de matéria seca variou de 188 a 593 g m-2, sendo o modelo cúbico de regressão o que melhor se ajustou (P<0,05). Os teores de fibra em detergente ácido, lignina e proteína bruta, tiveram seus valores entre 387,73 a 370,04 g kg-1, 37,56 a 26,67 e 121,33 g kg-1 a 68,88 g kg-1 respectivamente, apresentando diminuição linear (P<0,01), (P<0,10), (P<0,05) durante o período, assim como as concentrações de fósforo, que aos 55 dias atingiram 1,92 g kg-1. A digestibilidade in vitro da matéria seca e os teores de fibra em detergente neutro, potássio, cálcio, magnésio e enxofre não diferiram (P>0,05) em função das idades de crescimento da planta. As concentrações de fósforo, decresceram de forma linear, enquanto o potássio, cálcio, magnésio e enxofre não sofreram alterações em função da idade de corte (P>0,05). Dentre os micronutrientes, o ferro e o manganês não variaram (P>0,05) durante o período, enquanto os teores de cobre apresentaram diminuição linear (P<0,01) e o zinco um decréscimo quadrático (P<0,01). A produção de matéria seca, a digestibilidade e os teores de fibras e minerais apresentaram valores próximos das médias encontradas em gramíneas tropicais, enquanto o teor de proteína bruta permaneceu acima de 70 g kg-1, somente até os 48 dias, segundo o modelo de regressão.
Palavras-chave: Tifton 9, Paspalum, forrageira, bromatológica

 

Dry matter yield, in vitro digestibility, and chemical composition of 'tifton 9' bahiagrass (Paspalum notatum) at six ages

ABSTRACT: The objective of this research was to evaluate dry matter yield, in vitro digestibility, fiber protein and mineral composition of bahiagrass (paspalum notatum) 'Tifton 9' clipped at six regrowth stages (20, 27, 34, 41, 48 and 55 days after staging). The experimental design consisted of randomized complete blocks with six trataments (ages) and four replications. Dry matter yield ranged from 188 to 593 g m-2, with the cubic regression having the best fit (P< 0.05). Concentration of acid detergent fiber, lignin, and crude protein decreased linearly (P<0.01), (P<0.10), (P<0.05) respectively from 387.73 to 370.04, 37.56 to 26.67, 121.33 to 68.88 g kg-1, as well as phosphorus concentration that attained, 1.92 g kg-1 55 days. Neutral detergent fiber concentration, in vitro digestibility at potassium, calcium, magnesium and sulphur were not affected (P>0.05) by regrowth age. Among the micronutrients, concentration of iron and manganese remained unchanged (P>0.05) during the period, whereas copper levels declined linearly and zinc levels decreased quadratically (P<0.01). Dry matter yield, digestibility and concentration of fiber components and minerals presented values similar to other tropical forages, wereas crude protein remained above 70 g kg-1, only up to the 48th day, according to the regression model.
Key words: Tifton 9, Paspalum notatum, forages, chemical composition

 

 

INTRODUÇÃO

Atualmente, o capim Pensacola (Paspalum notatum) é dos mais difundidos dentre as espécies de interesse econômico nos Estados Unidos, ocupando cerca de um milhão de hectares no sudeste americano, onde é utilizado em criações de gado de corte e eqüinos. No Brasil, ainda é pouco difundida, sendo mais avaliado e utilizado na região sul.

As variedades descritas por Mislevy (1985) como sendo de importância econômica para os Estados Unidos são: Wilmington, Pensacola, Argentino, Pensacola e Batatais. No entanto, trabalhos mais recentes como o de Pedreira & Brown (1996) e Mislevy et al. (1996), incluem em seus relatos a variedade Tifton 9 como das mais importantes dentre as variedades de Paspalum Notatum.

O capim 'Tifton 9' foi selecionado através de um método conhecido como seleção fenotípica recorrente restrita. Burton (1982) descreveu os fatores e as restrições que fazem com que o método de seleção fenotípica recorrente restrita seja quatro vezes maior que a seleção massal para o aumento de produção de matéria seca do capim Pensacola. Como resultados dos trabalhos de seleção, Burton (1989) apresentou o registro do "Tifton 9 Pensacola Bahiagrass" , produto do nono ciclo de seleção fenotípica recorrente restrita, que apresenta melhores características morfológicas e de seleção.

Mislevy (1985) descreveu-o como gramínea de hábito rasteiro e rizomas curtos e firmemente preso à superfície do solo formando uma cobertura densa. Esses rizomas apresentam internódios curtos, numerosos e desenvolvendo raízes em diversos nós, os quais eventualmente produzem brotações e folhas. Seu estabelecimento é feito principalmente por sementes, mas também por coroas e pedaços de rizomas.

Mislevy (1983) descreveu-o como sendo de boa persistência, mesmo em condições de pastejo intenso. A tolerância de algumas gramíneas ao pastejo intenso vem sendo estudada desde 1950, quando foi estabelecido que a taxa de rebrota e sobrevivência de gramíneas após o corte é grandemente influenciado pela posição dos novos perfilhos. Beaty et. al (1970), impuseram ao capim Pensacola, a campo, tratamentos com desfolhação ao nível do solo e freqüências de corte variando de uma a seis semanas, por um período de dois anos e não obtiveram diferenças significativas na produção de matéria seca entre os tratamentos.

Segundo Monteiro (1986) existe a presença de rizomas horizontais lenhosos e um sistema radicular fibroso e vigoroso, capaz de desenvolver-se até dois metros de profundidade.

Sua tolerância ao frio é descrita por vários autores, sendo moderadamente resistente às geadas Monteiro (1986). Mislevy (1985) cita que o Pensacola apresenta tolerância à umidade, embora não tolere períodos longos de encharcamento e apresenta também boa resistência à seca. Pedreira & Mattos (1981), constataram que o capim Pensacola tem maior tolerância a geadas que outras variedades como a grama-batatais.

Burton (1989), concluiu que a variedade Tifton 9 foi 47% mais produtiva que a variedade tradicional de Pensacola. As largas folhas, caules e colmos no Tifton 9 contribuem para uma alta produção desta variedade, mas as bases fisiológicas ainda são desconhecidas Werner & Burton (1991).

Avaliando 96 clones de capim Pensacola quanto à produção de matéria seca e sua digestibilidade in vitro, Burton (1982) descobriu que existiam diferenças significativas entre esses clones e não existia correlação negativa entre aqueles parâmetros, indicando ser possível o melhoramento genético.

Mislevy (1983) informou que existiu pequena vantagem do 'Tifton 9' sobre a produção de matéria seca, quando o intervalo entre cortes foi prolongado além de três semanas. Stanley (1994) obteve as maiores produções dessa forrageira quando utilizou o intervalo entre cortes de oito semanas comparados a intervalos de uma, duas, três, quatro e dezesseis semanas.

Monteiro (1988) destacou a escassez de dados experimentais com micronutrientes, e a conclusão apresentada dos trabalhos disponíveis foi que o efeito de sua aplicação sobre o aumento de produção de matéria seca foi muito pequeno ou inexistente, com exceção ao cultivo em solos de cerrado.

O presente trabalho visa avaliar a produção de matéria seca, os teores de proteína bruta, fibras, lignina, minerais e a digestibilidade in vitro da matéria seca do 'Tifton 9' sob o efeito de diferentes idades de crescimento dessa forrageira.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O trabalho foi conduzido em uma área de pastagem já estabelecida, na Fazenda Progresso, no município de Araçatuba, Estado de São Paulo.

O clima da região é caracterizado por uma precipitação média anual de 1800 mm, com média de 100 dias de chuva por ano, sendo os meses de dezembro, janeiro e fevereiro os mais chuvosos. A temperatura média anual é de 24°C, sendo as médias das máximas e das mínimas absolutas de 36,5°C e 11,2°C.

O solo da área é classificado como um Latossolo Vermelho Amarelo, e foi amostrado para análise química à profundidade de 0-20 cm, sendo os resultados da análise os seguintes: pH = 4,7; matéria orgânica = 1,5%; P = 26 mg kg-1; K = 0,40 meq. 100cm-3; Ca = 1,9 meq. 100cm-3; Mg = 0,7 meq. 100cm-3 ; CTC = 5,20 meq. 100cm-3; V % = 57,69%.

A área experimental utilizada foi uma pastagem formada de Tifton 9 de 1500 m2, isento de outras espécies vegetais.

A fase experimental foi estabelecida no período do verão entre os dias 13 de janeiro de 1997 e 9 de março de 1997 quando foi efetuado um corte de uniformização em área total, a uma altura aproximada de 1 cm do solo, com remoção do material cortado. Imediatamente após o corte procedeu-se a uma adubação a lanço em área total de uma quantidade de 60 Kg de nitrogênio por hectare.

Os seis tratamentos avaliados consistiram de cortes realizados aos 20, 27, 34, 41, 48 e 55 dias após a uniformização. Os dados obtidos referem-se a somente um corte por tratamento.

Em cada tratamento foi coletada a parte aérea do capim cortado em quatro amostragens (quatro repetições). Após o corte, a área cortada foi demarcada para não ser cortada novamente. A alocação da área de amostragem foi feita com um quadrado de armação de metal com área interna de 1m2 lançado aleatoriamente na pastagem, quatro vezes por tratamento. O material vegetal delimitado foi cortado manualmente a uma altura de 1cm de altura do solo, sendo acondicionado em sacos plásticos e mantidos sob refrigeração de 8 - 10°C até o transporte para o laboratório.

A forragem colhida foi pesada logo após o corte, determinando-se assim, o peso verde. No laboratório, as amostras foram lavadas com água destilada e deionizadas, secadas, e colocadas na estufa com ventilação forçada a 65°C por 72 horas. Após esse período foi resfriado à temperatura ambiente e pesado novamente para determinação do peso seco.

Todo material foi moído em um moinho do tipo Wiley até passar na peneira 20 "mesh" e foi dividido em duas porções para serem enviadas para análise.

As amostras foram analisadas para digestibilidade in vitro de matéria seca, fibra insolúvel em detergente ácido, fibra insolúvel em detergente neutro, e minerais.

As determinações da porcentagem de matéria seca à 100 - 105°C e proteína bruta (multiplicando-se o teor de N por 6,25), foram feitas segundo Association Official Analytical Chemists (1970). Para a análise de digestibilidade verdadeira in vitro da matéria seca foi utilizado o método proposto por Tyllei & Terry (1963), modificado por Tinnimit (1974). As análises de fibra em detergente ácido e em detergente neutro foram realizadas segundo o método de Goering & Soest (1970).

Para as determinações das concentrações de macro e micronutrientes no tecido vegetal, foram utilizadas as metodologias descritas por Malavolta et al. (1989), com exceção do enxofre, que foi determinado segundo o método de análise indicado por Bataglia (1976)

O delineamento experimental utilizado foi o de blocos inteiramente casualizados, constando de seis tratamentos e quatro repetições, totalizando 24 parcelas.

A análise de variância adotada será a de Modelos Lineares Gerais do programa estatístico SAS. As regressões foram feitas em todos os resultados de análises, relacionando-os com os tratamentos, a partir do modelos descritos no manual do Sas Institute (1988).

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os gráfico que ilustra o comportamento da produção de matéria seca do 'Tifton 9', em relação à idade de crescimento da planta, encontram-se na Figura 1.

 

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Figura 1 - Produção de matéria seca (PMS) em função da idade de crescimento (média de quatro repetições), no capim 'Tifton 9'.

 

A produção de matéria seca foi se elevando (P<0,05) à medida que a idade de crescimento da planta foi aumentando, atingindo valores das médias ajustadas pelo modelo de 593,86 g m-2 aos 55 dias. O modelo de regressão que melhor se ajustou aos resultados foi o cúbico.

Domingues (1993) verificou uma resposta quadrática de aumento na produção de matéria seca, atingindo acréscimos significativos com o aumento da idade até 65 dias, chegando a uma produção de aproximadamente 6500 Kg de matéria seca por hectare, Monteiro (1986), na Flórida, observou produções entre 2200 e 14500 Kg de matéria seca em vários níveis de adubação.

Os teores de proteína bruta, fibra em detergente neutro, fibra em detergente ácido, lignina e a digestibilidade in vitro da matéria seca em função da idade de crescimento, encontram-se na Figura 2.

 

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Figura 2 - Teores de proteína bruta (PB), fibra em detergente neutro (FDN), fibra em detergente ácido (FDA), lignina (LIG) e digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) em função da idade de crescimento(média de quatro repetições) do capim 'Tifton 9'.

 

A digestibilidade in vitro da matéria seca não apresentou diferenças estatísticas (P>0,05) entre as seis idades de crescimento avaliadas, iniciando com 597,37 g kg-1 aos 20 dias e atingindo 600,42 g kg-1 aos 55 dias.

Segundo Van Soest (1982) com o avanço da maturidade existe diminuição na digestibilidade da matéria seca devido a um aumento na lignificação e na relação haste/folha. Mas essa diminuição poderá ser alterada, conforme a cultivar, manejo dentre outros fatores influentes. Assim, baseado no manejo utilizado neste trabalho, a digestibilidade in vitro da matéria seca do 'Tifton 9' não se modificou até a idade da planta de 55 dias.

Em estudos em capim 'Pensacola', Domingues (1993) obteve decréscimos quadráticos da digestibilidade, estabilizando em patamares de 37,3% aos 65 dias. Embora o comportamento da digestibilidade, em função da idade de crescimento, tenha sido diferente, os valores de digestibilidade encontrados neste trabalho aos 34 dias são semelhantes aos de Utley et al. (1978) em capim 'Pensacola'.

Palhano & Haddad (1992) observaram uma resposta quadrática de digestibilidade para o capim 'Coastcross-1'. Os trabalhos citados mostram que inversamente à diminuição da digestibilidade existe um aumento nas proporções de fibras das forragens. Denium & Soest (1969), relacionaram negativamente a digestibilidade com os componentes da fibra associados ao FDA, como a lignina.

Duble et al. (1971) destacam que a lignina é um dos principais componentes para a diminuição da digestibilidade do capim 'Pensacola', principalmente após os 35 dias, quando aparecem as primeiras hastes reprodutivas.

Em estudos realizados no Brasil com seis gramíneas forrageiras avaliando o efeito da idade de corte sobre alguns parâmetros de produção e qualidade, Gomide et al. (1969) observaram que os teores de fibra bruta e celulose aumentaram com a idade, estabilizando-se após doze semanas.

No presente trabalho, paralelamente à semelhança da digestibilidade do 'Tifton 9', não houve efeito (P>0,05) da idade de crescimento da planta sobre o comportamento do FDN. No entanto, foi notada diminuição linear (P<0,01) nas concentrações de FDA e lignina (P<0,10). As sensíveis diminuições nas quantidades de FDA e Lignina, e a manutenção nos teores de FDN, justificam, portanto, a manutenção dos valores de digestibilidade. Segundo Hodgson et al. (1981), o decréscimo nos valores de FDN e FDA nos últimos dias de crescimento, pode estar relacionado a perdas por senescência, em "stands" submetidos a crescimento ininterrupto.

Prates (1974) observou teores médios dos parâmetros FDA e FDN na idade de 28 dias muito semelhantes aos observados no presente trabalho, 705,30 g kg-1 e 376,10 g kg-1 respectivamente.

Observou-se uma resposta linear decrescente (P<0,05) no conteúdo de proteína bruta, atingindo médias reais aos 55 dias de 71,2 g kg-1. Pelas médias ajustadas pela equação de regressão, o valor aos 55 dias é de 68,8 g kg-1 que compromete o bom desempenho animal, pois para manutenção animal a forrageira deve possuir acima de 70,0 g kg-1, que garante um consumo de forragem adequado para o suprimento de nitrogênio na dieta.

A queda nos valores de proteína bruta no presente trabalho , pode ter como explicações, além das causas como exportação de nutrientes para locais de maior atividade (Sampaio, 1973), a possível fixação do nitrogênio em estruturas da parede celular (Van Soest, 1982), ou uma presença maior de folhas velhas ou mortas no material coletado nas idades mais avançadas (Gomide et al., 1969).

Os valores apresentados aos 34 dias pela equação de regressão, 100,3 g kg-1 ficam abaixo dos obtidos por Domingues (1993), 132,3 g kg-1 e Prates (1974) 127,6 g kg-1.

Em estudos comparando 'Tifton 9', dentre outras gramíneas do gênero Paspalum com várias espécies de Braquiárias, Mislevy et al. (1996) notaram que geralmente, os Paspalum possuíam maiores teores de proteína bruta.

Segundo Pedreira (1995), a composição química e a digestibilidade da forragem estão diretamente relacionadas, constatando diminuição nos teores de proteína bruta relacionados com decréscimos de digestibilidade e aumento no FDN. No entanto, estes dados não se confirmaram no presente trabalho.

Os resultados das análises de regressão referentes às concentrações de, fósforo(P), potássio(K), cálcio(Ca), magnésio (Mg) e enxofre (S) estão apresentados na Figura 3.

 

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Figura 3 - Teores de fósforo (P), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg) e enxofre (S) em função da idade de crescimento (média de quatro repetições) do capim 'Tifton 9'.

 

Entre os fatores que afetam o conteúdo em minerais das plantas estão, além da idade fisiológica, a parte da planta considerada e também o adequado suprimento de minerais ao sistema. Cohen (1973) encontrou variações significativas nos teores de minerais em gramíneas coletadas durante o ano todo e aponta que as maiores mudanças que ocorrem na composição mineral das forragens são aquelas que acompanham a maturação. Mcdowell (1985) relatou a existência de um grande intervalo de variação na concentração de minerais nas forragens tropicais, sendo essas concentrações dependentes da interação de vários fatores, incluindo solo, espécie, estágio de maturidade, produção de matéria seca, manejo da pastagem e clima.

Gomide et al. (1976) destacou que minerais como fósforo e potássio apresentam diminuição nos seus teores com o aumento da idade da planta, devido à diluição causada pelo aumento de matéria seca.

O fósforo apresentou resposta linear decrescente (P<0,05), atingindo 1,71 g kg-1 aos 55 dias de idade. Em estudo realizado com capim 'Pensacola', Domingues (1993) obteve 2,62 g kg-1 fósforo aos 35 dias, com diminuição quadrática dos valores.

Mcdowell (1985) mostrou a importância do fósforo e constatou que 43% das análises para minerais em forrageiras da América Latina o incluem, e destas, cerca de 73% apresentaram níveis considerados baixos, com teores abaixo de 3,0 g kg-1.

O potássio, cálcio, magnésio e enxofre não tiveram variação (P>0,05) dos seus valores em função da idade de corte. Palhano & Haddad (1992) estudando a composição mineral do capim 'Coastcross -1', também verificaram redução de todos macronutrientes na forragem dessa gramínea, devido ao maior período de crescimento da planta . Haag (1984), observou que os valores médios de K em gramíneas forrageiras no Brasil são de 13 a 40 g kg-1, sendo que os valores obtidos no presente trabalho são de aproximadamente 15,5 g kg-1, estando dentro deste intervalo. Pedreira & Mattos (1981), em estudos com 25 espécies forrageiras chegaram a valores médios de cálcio para o capim 'Pensacola' de 2,5 g kg-1, semelhantes aos obtidos neste trabalho. Mcdowell (1985), em avaliação feita em forragens tropicais, chegou a níveis médios de magnésio de 2 g kg-1 para 65% das forrageiras analisadas, também valores muito próximos dos obtidos neste estudo.

Segundo Mcdowell (1985), existe uma grande deficiência de informações quanto aos teores de enxofre em gramíneas tropicais, quando comparado a outros minerais, devido às dificuldades encontradas nas análises desse mineral. Domingues (1993) demonstrou uma curva de resposta quadrática em níveis de enxofre na 'Pensacola', sendo diminuido devido o aumento da idade de rebrota da planta, atingindo valores de 2,10 g kg-1 aos 95 dias, o intervalo apresentado pelos trabalhos com forrageiras realizados por Metson (1973) apontam valores entre 1,0 e 1,5 g kg-1. Haag (1984) determinou que os níveis de enxofre em gramíneas devem estar entre 2,4 e 1,0 g kg-1. O 'Tifton 9' apresentou níveis de 1,57 g kg-1 aos 55 dias, situando-se dentro dos intervalos citados pelos autores.

Verificou-se, portanto, uma resposta negativa esperada nos teores de P. Para os demais macronutrientes se mantiveram estabilizados estatisticamente em função das diferentes idades de corte, divergindo de um grande número de trabalhos citados com forrageiras tropicais.

O comportamento dos micronutrientes, cobre(Cu), ferro (Fe), manganês (Mn) e zinco (Zn) em função da idade de crescimento encontram-se na Figura 4.

 

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Figura 4 - Teores de zinco (Zn), cobre (Cu), ferro (Fe), manganês (Mn) em função da idade de crescimento (média de quatro repetições) do capim 'Tifton 9'.

 

Os teores de Fe e Mn não variaram dos 20 aos 55 dias (P>0,05), à semelhança dos registros de Palhano & Haddad (1992), que para o 'Coastcross-1' também não verificaram diferenças desses mesmos micronutrientes, quando o período de crescimento da planta variou de 20 aos 70 dias de idade . Os valores médios obtidos por Haag (1984) em forrageiras tropicais variou de 60 mg kg-1 a 1400 mg kg-1, para Fe, e 60 mg kg-1 a 325 mg kg-1, para Mn. Considerando uma média dos seis cortes, os teores obtidos no presente estudo foram 273,03 mg kg-1 e 323,36 mg kg-1 para os elementos Fe e Mn respectivamente. Gomide et al. (1969) e Domingues (1993) observaram diminuição nos teores de Fe com a idade de corte, o que não foi constatado no presente trabalho.

Os teores de Cu tiveram diminuição linear (P<0,01), atingindo valores médios ajustados pelo modelo de regressão de 11,30 a 7,47 mg kg-1 de 20 aos 55 dias. Gomide et al. (1969) não obtiveram um padrão definido de variação nos teores de cobre. Entretanto, Domingues (1993) e Mcdowell(1985), verificaram decréscimos nos teores de Cu em função da data de corte. As médias obtidas no trabalho estão dentro do intervalo de variação do nível marginal de Cu em plantas forrageiras tropicais de 5,0 a 10,0 mg kg-1 determinado por Van Soest (1994).

O Zn apresentou uma queda quadrática (P<0,01) em função da idade de crescimento do 'Tifton 9', sendo que os valores obtidos estão de acordo com os observados por Haag (1984), que variam de 20 a 70 mg kg-1. Segundo Wilkinson & Langdale (1974), existe uma tendência na diminuição nos teores de Zn com aumento na idade da forragem, constatado por Domingues (1993), que também obteve uma diminuição quadrática nos teores de Zn no capim 'Pensacola'.

 

CONCLUSÕES

  • Os resultados de produção do capim 'Tifton 9' atingiram os níveis médios de produção de forrageiras tropicais, com um bom acúmulo de matéria seca em contrapartida com a manutenção de boa digestibilidade da matéria seca no decorrer do período de crescimento da planta.

  • Os teores de proteína bruta permaneceram viáveis até 48 dias, quando declinaram abaixo do adequado para produção animal, 70,0 g kg-1 segundo o modelo estatístico de regressão.

  • A composição mineral do 'Tifton 9' apresentou valores situados dentro dos níveis médios encontrados em gramíneas forrageiras tropicais.

 

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Recebido para publicação em 14.08.98
Aceito para publicação em 18.11.98

 

 

1Parte da Dissertação de Mestrado do primeiro autor apresentada à ESALQ/USP - Piracicaba, SP.

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