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Scientia Agricola

versão impressa ISSN 0103-9016

Sci. agric. v.56 n.4 Piracicaba out./dez. 1999

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-90161999000400012 

Épocas de semeadura, densidades de plantas e desempenho vegetativo de cultivares de soja

 

Mônica Cagnin Martins1,4*; Gil Miguel Sousa Câmara2; Clovis Pereira Peixoto1,5; Luís Fernando Sanglade Marchiori1; Vanessa Leonardo3; Patricia Mattiazzi3,4
1Pós-Graduandos do Depto. de Produção Vegetal - ESALQ/USP.
2Depto. de Produção Vegetal - ESALQ/USP, C.P. 9 - CEP: 13418-900 - Piracicaba, SP.
3Graduandos em Engenharia Agronômica - ESALQ/USP.
4Bolsista da FAPESP.
5Bolsista da CAPES/PICDT.
*e-mail: mcmartin@carpa.ciagri.usp.br

 

 

RESUMO: O trabalho foi conduzido em Piracicaba, SP, com o objetivo de avaliar o desenvolvimento de três cultivares de soja cultivados em épocas de semeadura normal e tardia, em cinco densidades de plantio. Foram utilizados os cultivares de soja IAC-17, IAC-12 e IAC-19 com ciclos de maturação precoce, semi precoce e médio, respectivamente, conduzidos no espaçamento de 0,50 m e nas densidades de 10, 15, 20, 25 e 30 plantas.m-1. Adotou-se o delineamento em blocos ao acaso com 15 tratamentos (3 cultivares x 5 densidades), repetidos três vezes. Cada parcela foi composta por 5 linhas com 5 metros, onde foram avaliadas as seguintes características: altura final de planta, diâmetro da haste principal, número de nós e número de ramificações por planta. As conclusões foram: a) a redução no ciclo dos cultivares com o atraso da época de semeadura, ocorreu principalmente na fase reprodutiva; b) independente da época de semeadura, quanto maior a densidade de plantas na linha, maior a altura final de planta, menor o diâmetro da haste principal e menor o número de ramificações por planta e c) com o atraso da época de semeadura ocorreu diminuição no número de nós.
Palavras-chave: soja, cultivar, época de semeadura, densidade de planta

 

Sowing date, planting density and vegetative performance of soybean cultivars

ABSTRACT: The present research was carried out in Piracicaba, SP, Brazil, to evaluate vegetative performance of three soybean cultivars at two sowing dates, at five plant densities. The cultivars used were: IAC-17, IAC-12 and IAC-19, with early, semi-early and medium maturation, respectively, sown at the typical planting date and late date. Each cultivar was sown at densities of 10, 15, 20, 25, and 30 plants.m-1. Experimental plots with five rows spaced 0.50 m and 5.0 m long were randomized in blocks, using a factorial design (3 cultivars x 5 plant densities), with three replications. Plant final height, main stem diameter, number of nodes, and number of branches per plant were evaluated. Reduction of cultivars cycle for the late sowing date occurred mainly during the reproductive phase. Independently of the planting date, the increase in plant density, implyed in an increased final plant height and in decreasing main stem diameter and number of branches per plant. Number of nodes in the main stem was reduced with the delay of the planting date.
Key words: soybean, cultivar, planting date, plant density

 

 

INTRODUÇÃO

A produtividade de uma cultura é definida pela interação entre a planta, o ambiente de produção e o manejo. Altos rendimentos só são obtidos quando as condições ambientais são favoráveis em todos os estádios de crescimento da soja. Porém, para se obter altos rendimentos é necessário conhecer práticas culturais compatíveis com produção econômica, aplicadas para maximizar a taxa de acúmulo de matéria seca no grão. As principais práticas de manejo que devem ser consideradas são: semeadura na época recomendada para a região de produção; escolha dos cultivares mais adaptados a essa região; uso de espaçamentos e densidades adequados a esses cultivares; monitoramento e controle das plantas daninhas, pragas e doenças e redução ao mínimo das possíveis perdas de colheita (Ritchie et al., 1994).

Nenhuma prática cultural isolada é mais importante para a soja do que a época de semeadura, sendo a variável que produz maior impacto sobre a produção da cultura. A melhor época de semeadura para a soja depende, principalmente, da temperatura do solo para a germinação, da temperatura do ar durante todo o ciclo da planta, do fotoperíodo após a emergência e da umidade do solo na semeadura, na floração, na maturação e na colheita (Barni & Bergamaschi, 1981).

Para as condições brasileiras, a época de semeadura da cultura da soja varia em função do cultivar, região de cultivo e condições climáticas do ano agrícola, geralmente apresentando como faixa de recomendação o período de outubro à dezembro (Nakagawa et al., 1983). De acordo com estes autores, o mês de novembro tem proporcionado os melhores resultados nos estados que cultivam mais tradicionalmente esta cultura.

A época de semeadura provoca alterações nos componentes da produção e nas características agronômicas da soja, como altura de planta, altura de inserção da primeira vagem, número de ramificações, diâmetro do caule e acamamento (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - EMBRAPA, 1996).

Além da época de semeadura, a população de plantas da cultura, definida pela combinação da densidade de plantas na linha de semeadura com o espaçamento entre linhas, influencia algumas características agronômicas da planta de soja (Urben Filho & Souza, 1993), bem como pode modificar a produção de grãos (Lam-Sanchez & Veloso, 1974). A população é fator determinante para o arranjo das plantas no ambiente de produção e influencia o crescimento da soja. Dessa forma, a melhor população de plantas deve possibilitar além do alto rendimento, altura de planta e de inserção da primeira vagem adequada a colheita mecanizada e plantas que não acamem (Gaudêncio et al., 1990).

A melhor população de plantas, de acordo com Gaudêncio et al. (1990) e EMBRAPA (1996), depende da região, da época de semeadura e do cultivar. Vários estudos têm demonstrado que a melhor população de plantas de soja para o sistema convencional de plantio é de aproximadamente 400.000 plantas.ha-1, havendo tolerância da cultura para variações da ordem de 20% a 25% desse número para mais ou para menos.

A época de semeadura adequada e a correspondente população de plantas, associadas com a escolha de cultivares adaptados à região de produção, têm-se constituído em estratégias de manejo para a obtenção de elevadas produtividades.

Com o objetivo de avaliar o desempenho vegetativo de três cultivares de soja semeados em duas épocas de semeadura sob cinco densidades de plantas, realizou-se esta pesquisa.

 

MATERIAL E MÉTODOS

A pesquisa foi realizada em área experimental da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz", no município de Piracicaba-SP, durante o ano agrícola 1996/97.

Foram utilizados os cultivares IAC-17, IAC-12 e IAC-19, recomendados para as regiões produtoras de soja do Estado de São Paulo, os quais foram semeados em duas épocas: a primeira, correspondente à época normal de semeadura da soja nesse Estado, foi realizada no dia 12/11; a segunda, considerada como época tardia, foi instalada no dia 19/12.

O solo, Podzólico Vermelho Escuro, foi preparado de maneira convencional, sendo a saturação de bases elevada a 70% através de calagem com calcário dolomítico na dose equivalente a 2,0 toneladas por hectare. A adubação de base foi fundamentada na análise química do solo e na expectativa para rendimento esperado da ordem de 2.500 kg a 3.000 kg de grãos.ha-1. Aplicou-se o equivalente a 400 kg.ha-1 da fórmula fertilizante 00-20-15, correspondendo à recomendação por hectare de 80 kg de P2O5 e 60 kg de k2O.

O controle de plantas daninhas foi realizado com o uso dos herbicidas trifluralina e imazaquin nas doses dos produtos comerciais equivalentes a 2,0 L.ha-1 e 1,0 L.ha-1, respectivamente. As sementes foram tratadas com o fungicida Carboxin + Thiram na dose do produto comercial equivalente a 280 ml. 100kg-1 de sementes.

Antes da semeadura realizou-se a inoculação das sementes dos cultivares de soja com inoculante turfoso, na dose de 0,6 kg.40 kg-1 de sementes. Após esta operação, as sementes foram distribuídas manualmente nas parcelas. A fim de se obter estandes iniciais acima dos valores desejados, o número de sementes distribuído por parcela foi acrescido em 50%. Aos 14 dias após a emergência realizou-se o desbaste do excesso de plantas de soja na linha de semeadura, para atingir as densidades propostas de 10, 15, 20, 25 e 30 plantas.m-1.

O delineamento experimental foi em blocos casualizados em esquema fatorial 3 x 5 (três cultivares: IAC-17, IAC-12 e IAC-19 e cinco densidades de plantas: 10 , 15 , 20 , 25 e 30 plantas.m-1) com três repetições. Cada unidade experimental foi constituída por cinco linhas de 5,0 m de comprimento e espaçadas de 0,50 m, sendo as duas linhas externas consideradas como bordaduras. Como área útil foram utilizadas as três linhas centrais, sendo eliminados, a título de bordadura, 0,50 m de cada extremidade.

Todos os dados coletados na área útil de cada repetição para as diferentes variáveis foram analisados estatisticamente, por meio da análise da variância. Os efeitos estatisticamente significativos pelo teste F foram analisados pelo teste de Tukey, visando a comparação entre cultivares. Quando o objetivo foi estudar as diferentes densidades, utilizou-se a análise de regressão polinomial.

Acompanhou-se o desenvolvimento fenológico dos cultivares de soja em cada época de semeadura, seguindo-se a Escala Fenológica de Fehr & Caviness (1977), observando-se os estádios fenológicos em amostras constituídas de 10 plantas ao acaso por parcela, anotando-se a data de ocorrência de cada estádio.

Para verificar os prováveis efeitos dos fatores épocas de semeadura, cultivares e densidades sobre as características agronômicas das plantas, providenciou-se a coleta de 10 plantas de soja aleatórias por parcela, que se encontravam no estádio R8, nas quais foram avaliadas as seguintes características: a) altura final de planta: correspondente à distância compreendida entre a superfície do solo e a extremidade apical da haste principal da planta; b) número de nós:obtido pela contagem do número de nós formados na haste principal da planta, iniciando-se no nó de inserção das folhas unifolioladas até o último nó na extremidade apical da haste; c) número de ramificações:obtido pela contagem direta do número de ramos inseridos na haste principal de cada planta; d) diâmetro da haste principal: determinado através de leitura com paquímetro, medindo-se a região compreendida entre o colo da planta e a cicatriz do nó cotiledonar.

Por meio de estação meteorológica automática instalada próxima à área experimental, coletaram-se dados diários de temperatura média do ar e precipitação pluvial, cujos valores médios mensais ao longo do período de experimentação são apresentados na TABELA 1.

 

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RESULTADOS E DISCUSSÃO

Nota-se que o ambiente climático foi plenamente favorável ao crescimento e desenvolvimento das plantas de soja semeadas nas épocas normal e tardia. Nota-se também, que a relativa queda de temperatura associada à redução da precipitação a partir de março de 1997 favoreceram a maturação final das plantas.

Acompanhamento fenológico

A duração dos diversos estádios fenológicos dos cultivares de soja IAC-17, IAC-12 e IAC-19 podem ser observados na TABELA 2. Nota-se, que os três cultivares quando semeados em época normal, tiveram desempenho semelhante até o estádio R5, a partir do qual, começaram a ocorrer diferenças como as observadas para o cultivar IAC-19. As diferenças na duração do ciclo de maturação ocorreram efetivamente no subperíodo R7-R8. Neste caso, os cultivares IAC-17 e IAC-12 apresentaram praticamente o mesmo ciclo de maturação, apesar de serem considerados precoce e semi precoce, respectivamente. Na época tardia, diferenças entre a duração dos ciclos de maturação dos cultivares foram observadas a partir do subperíodo R1-R3.

 

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Ao se comparar as duas épocas de semeadura, observou-se que os cultivares reduziram o ciclo de maturação quando foram semeados em época tardia, confirmando o efeito do fotoperíodo na redução do ciclo de maturação dos cultivares quando semeados fora da época de semeadura recomendada. O encurtamento no período relativo ao início da floração (R1) até a maturidade fisiológica (R7) foi maior no cultivar IAC-17, o qual apresenta ciclo de maturação precoce. Como também observado por Marchiori (1998), em cada época, a fase do ciclo que sofreu alteração, em função da época de semeadura, foi a compreendida entre o início da floração e a maturidade fisiológica, com as plantas mantendo suas características de juvenilidade próprias a cada cultivar.

Os valores dos quadrados médios residuais e respectivas significâncias estatísticas relativos às variáveis analisadas são apresentados na TABELA 3.

 

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Altura final de planta

Na época de semeadura normal, as plantas do cultivar IAC-19 atingiram maior altura final diferindo significativamente dos cultivares IAC-17 e IAC-12, os quais não diferiram entre si. Porém, na época de semeadura tardia, os cultivares IAC-17 e IAC-19 foram estatisticamente iguais, atingindo maior altura de planta que o cultivar IAC-12 (TABELA 4).

 

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Alterando-se a densidade de semeadura, altera-se a densidade de plantas na linha, de maneira que, por meio do manejo populacional modifica-se a altura da planta. Neste trabalho, o teste F da análise de regressão polinomial, revelou valores altamente significativos para regressão quadrática na primeira época de semeadura e linear na segunda época, de acordo com as respectivas equações: y = -0,046x2 + 2,4023x + 54,369 e y = 0,5931x + 51,898. Desse modo, verificou-se que na época de semeadura normal, quando se aumentou a densidade de plantas de 10 até aproximadamente 26 plantas.m-1, ocorreu aumento na altura final de planta, sendo que após esse valor, ocorreram decréscimos. Entretanto, na época de semeadura tardia, a altura de planta aumentou linearmente com o aumento da densidade de 10 para 30 plantas.m-1, sendo que cada planta de soja semeada a mais na linha, provocou um acréscimo de 0,59 cm na altura final.

O cultivar IAC-12 quando semeado em época tardia nas densidades de 10, 15 e 20 plantas.m-1 não atingiu a altura mínima de planta de soja preconizada como ideal para a colheita mecanizada da cultura, ou seja, 60 cm, segundo Sediyama et al. (1985). Nesta situação, pode-se manejar a população de plantas do cultivar IAC-12 para que se obtenha plantas com altura superior a esse valor, o que pode ser conseguido com o aumento da densidade de plantas, trabalhando-se com 25 ou 30 plantas.m-1.

A redução na altura das plantas observadas quando se atrasou a semeadura, provavelmente se deve a menor duração no período vegetativo (TABELAS 2 e 4), como também observado por Yuyama (1979) e Câmara (1991).

Número de nós

Os valores médios do número de nós formados na haste principal das plantas de soja dos cultivares IAC-17, IAC-12 e IAC-19, em cinco densidades de plantas, observados nas épocas de semeadura normal e tardia, são apresentados na TABELA 5.

 

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Na época de semeadura normal, o cultivar IAC-19 apresentou estatisticamente maior quantidade de nós na haste principal das plantas quando comparado com os demais cultivares e entre estes, o cultivar IAC-12 superou o IAC-17. Este fato pode ser relacionado com a altura final de planta, pois o cultivar IAC-19 cresceu mais em altura que os demais pelo fato de possuir maior ciclo de maturação, e consequentemente, formar maior quantidade de nós vegetativos na haste principal (TABELAS 2, 4 e 5).

Na segunda época de semeadura, os cultivares IAC-17 e IAC-19 apresentaram altura de planta e número de nós formados na haste principal estatisticamente não diferentes (TABELAS 4 e 5), sendo o comprimento médio do entrenó igual a 5,8 cm. Porém, para o cultivar IAC-12, a menor altura de planta observada nessa época (TABELA 4) deveu-se, possivelmente, ao menor comprimento médio de cada entrenó (5,0 cm).

Estes resultados sugerem que a altura de planta não foi condicionada exclusivamente pelo número de nós formados na haste principal, mas também, pelo comprimento dos entrenós, fato também observado por Câmara (1991) e Marchiori (1998).

Número de ramificações

O coeficiente de variação para essa variável na época normal foi alto, quando comparado com o encontrado por Rosolem et al. (1983), devido ao cultivar IAC-17 apresentar número de ramificações variável dentro das repetições. Entretanto, o cultivar IAC-17 apresentou maior número de ramificações formadas por planta que os cultivares IAC-12 e IAC-19, estatisticamente iguais entre si. Porém, essa diferença não foi observada na época tardia, onde os três cultivares não foram estatisticamente diferentes (TABELA 6).

 

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Em ambas as épocas, aumentando-se a densidade de plantas de 10 até 30 plantas.m-1, diminuiu-se o número de ramos formados na haste principal, conforme mostram as equações de regressão y = -0,0285x + 2,0533 (época normal) e y = -0,0297x + 2,242 (época tardia), sendo estes resultados semelhantes aos verificados por Queiroz (1975) e Rosolem et al. (1983). Este fato pode ser explicado, provavelmente, pela competição que ocorre entre as plantas de soja pelos fatores de crescimento do ambiente, especialmente pela luz, ou seja, em maiores densidades de plantas, devido ao número excessivo de plantas na linha, ocorre menor disponibilidade de produtos da fotossíntese para o crescimento vegetativo das plantas na forma de ramificações, sendo estes preferencialmente, destinados ao crescimento em altura da haste principal.

Diâmetro da haste principal

Na primeira época de semeadura foram detectadas diferenças significativas apenas na densidade de 10 plantas.m-1, onde as plantas do cultivar IAC-12 apresentaram maior diâmetro da haste principal e o cultivar IAC-19 o menor, enquanto que o cultivar IAC-17 não diferiu destes (TABELA 7).

 

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Ao se examinar os dados referentes a segunda época de semeadura, nota-se que em relação ao diâmetro da haste principal, os três cultivares de soja estudados apresentaram desempenho semelhante, não diferindo estatisticamente entre si. Estes resultados demonstram que a duração do ciclo de maturação do cultivar não interferiu no diâmetro da haste das plantas de soja, discordando dos resultados encontrados por Yuyama (1979), que verificou associação desta característica com o ciclo vegetativo da cultura, ou seja, quanto menor o período de desenvolvimento, menor o diâmetro da haste principal.

Na época de semeadura normal, os cultivares IAC-17 e IAC-19 apresentaram respostas lineares para as variações nas densidades (y = -0,0098x + 0,8101 e y = -0,0055x + 0,7493), porém, para o cultivar IAC-12, a resposta foi quadrática (y = 0,0017x2 – 0,0779x + 1,4633). No caso do cultivar IAC-17, constatou-se que 77,3% da variação observada no diâmetro da haste principal foi devido às diferenças nas densidades, sendo expressa pela equação apresentada anteriormente. Em relação ao cultivar IAC-12, as densidades foram responsáveis por 91,7% das variações ocorridas no diâmetro da haste principal das plantas. Além disso, quando se aumenta a densidade de plantas desse cultivar de 10 até aproximadamente 23 plantas.m-1, ocorre decréscimo no diâmetro da haste principal, enquanto que aumentos acima desse valor até 30 plantas.m-1 causam aumento no diâmetro da haste principal.

Na época de semeadura tardia, a análise de regressão polinomial constatou que 90,8% das variações observadas no diâmetro da haste principal dos três cultivares foram decorrentes das diferentes densidades, sendo explicadas pela equação y = -0,0055x + 0,7493. Resultados semelhantes foram verificados por Lam-Sanchez & Veloso (1974) ao semearem o cultivar Viçoja em época tardia.

 

CONCLUSÕES

• A redução no ciclo dos cultivares com o atraso da semeadura, ocorre principalmente na fase reprodutiva.

• Independente da época de semeadura, quanto maior a densidade de plantas, maior a altura final de planta, menor o diâmetro da haste principal e menor o número de ramificações por planta.

• Com o atraso na época de semeadura ocorre diminuição no número de nós da haste principal.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Recebido para publicação em 01.12.98
Aceito para publicação em 31.05.99