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Scientia Agricola

versão On-line ISSN 1678-992X

Sci. agric. v.57 n.1 Piracicaba jan./mar. 2000

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-90162000000100019 

Qualidades física e fisiológica de sementes de amendoim submetidas a gesso agrícola: I. Área com calagem1 

 

Maria Cristina Mingues Spinola2,4; Silvio Moure Cícero3,5*
2Pós-Graduanda do Depto. de Produção Vegetal - USP/ESALQ.
3Depto. de Produção Vegetal - USP/ESALQ, C.P. 9 - CEP: 13418-900 - Piracicaba, SP.
4Bolsista FAPESP.
5Bolsista CNPq.
*Autor correspondente <smcicero@carpa.ciagri.usp.br>

 

 

RESUMO: O presente trabalho foi conduzido com sementes de amendoim (Arachis hypogaea L.), cv. "Tatu", em blocos casualizados, com três repetições. Os tratamentos consistiram de doses de gesso agrícola (0, 400, 800, 1200 kg/ha), épocas de aplicação (semeadura e florescimento) e localização do gesso agrícola (área total e sulcos de semeadura) em área previamente submetida à calagem (70% de saturação de bases). Foi realizada adubação de semeadura à base de fósforo (80kg/ha de P2O5) e potássio (30kg/ha de K2O5). As avaliações da qualidade das sementes foram realizadas por meio da massa de 100 sementes, teste de germinação, testes de vigor (primeira contagem de germinação, envelhecimento acelerado, condutividade elétrica, emergência de plântulas em campo) e determinação dos macronutrientes contidos nas sementes. O gesso agrícola em área calcareada, independentemente das doses, épocas e locais de aplicação, não interferiu na qualidade das sementes. A aplicação de gesso agrícola na semeadura, proporcionou um teor de nitrogênio nas sementes superior ao encontrado quando aplicado no florescimento. O enxofre elementar presente no gesso agrícola influenciou o teor de potássio nas sementes.
Palavras-chave: calagem, gesso agrícola, cálcio, qualidade fisiológica, vigor

 

Physical and physiological qualities of peanut seed from plants cultivated with phosphogypsum source: I. Limed area

ABSTRACT: This work was carried out with peanut seeds, cv.’Tatu‘(Arachis hypogaea L.), in a randomized block design with three replications. The treatments were of phosphogypsum rates (0, 400, 800, 1200 kg/ha), application times at (sowing or flowering) and application methods (total area or in bands) in a limed area (base saturation up to 70%). Fertilization at sowing consisted of Phosphorus (80 kg/ha of P2O5) and Potassium (30 kg/ha of K2O5). Seed quality was evaluatted by weigth of 100 seeds, germination test, vigor tests (first germination counting, accelerated aging, eletric conductivity, and field seedling emergence) and evaluation of macronutrient levels in seeds. Phosphogypsum in a limed area, independently of rate, application time and application method, did not affect seed quality. The phosphogypsum application at sowing presented a higher nitrogen seed level in as compared to application at flowering. The sulphur presence in phosphogypsum influenced the potassium level in seeds.
Key words: phosphogypsum, limed, calcium, physiologic quality, vigor

 

 

INTRODUÇÃO

Na cultura do amendoim, o cálcio se caracteriza por ser um importante nutriente para frutificação, formação e desenvolvimento das sementes, sendo que os requerimentos nutricionais dessa cultura em cálcio são altos. Este elemento é absorvido pelas raízes, ginóforos e cascas do fruto em formação. Deficiências deste elemento no solo diminuem o índice de fertilidade das flores, reduz o número de ginóforos formados e provoca a formação de vagens chochas, com cascas frágeis; as sementes são mal formadas e a plúmula pode se apresentar parda escura (Cox & Reid, 1964; Harris & Brolmann, 1966, Cox et al., 1976; Godoy et al., 1982).

Embora o objetivo principal da calagem seja a neutralização do alumínio e do manganês trocáveis, ela também se constitui em fonte de fornecimento de cálcio, principalmente para aumentar a disponibilidade do nutriente na zona de frutificação da planta no solo (Adams & Pearson, 1970; Fornasieri et al., 1987; Sichmann et al., 1982; Quaggio et al., 1982).

O gesso agrícola se constitui em excelente fonte de cálcio por ser uma das formas mais solúveis (Walker et al., 1979). Segundo Vitti et al. (1986), o gesso agrícola tem dupla função, pois, além de servir como fonte de cálcio e de enxofre para as culturas, neutraliza o excesso de alumínio tóxico de sub superfície e enriquece em cálcio as camadas mais profundas do solo, permitindo assim o maior desenvolvimento do sistema radicular, resultando em maior resistência à seca e maior aproveitamento dos nutrientes do solo e dos adubos aplicados.

Com relação às fontes de cálcio (calcário e gesso agrícola), alguns pesquisadores, como Reed & Brandy (1948), citado por Sichmann (1982), preferem utilizar o gesso agrícola no lugar do calcário. Por outro lado Quaggio et al. (1982), verificaram que o uso do gesso agrícola pode provocar a lixiviação de bases trocáveis, especialmente o K+ e o Mg2+; verificaram também que a mistura de gesso agrícola+cálcario reduziu essa lixiviação.

Entretanto, o momento de aplicação dessas fontes é bastante importante, uma vez que a mobilidade do cálcio segundo Hanger (1979) e Wiersum (1979) é unidirecional, indo da raiz aos tecidos meristemáticos e quando depositados nestes permanece imóvel. Como o cálcio não é transportado do xilema ao fruto em desenvolvimento e, o floema é incapaz de conduzir cálcio suficiente aos ginóforos, conclui-se que o fruto absorve cálcio diretamente do solo, fato este confirmado por Sichmann et al (1972), que constataram a absorção mais acentuada de cálcio após o florescimento.

Baseados nestas peculiaridades da nutrição da cultura do amendoim, relativas à absorção e translocação do cálcio na planta, assim como a sua influência no rendimento agrícola e na qualidade do produto, muitos pesquisadores vêm realizando trabalhos visando estabelecer fontes, doses e épocas de aplicação de cálcio, que forneçam melhores resultados.

Quanto a influência do cálcio na qualidade das sementes, Cox & Reid (1964), Harris & Brolmann (1966) e Sullivan et al. (1974), em experimentos conduzidos em vasos, constataram que sementes de amendoim produzidas sob deficiência de cálcio podem apresentar um escurecimento na base da plúmula, que se reflete em baixo poder germinativo das sementes.

Efeitos significativos e positivos do cálcio sobre a germinação de sementes de amendoim foram verificados por Hallock & Allison (1980), Maeda et al. (1986), Coffelt & Hallock (1986) e Nakagawa et al. (1990).

Quanto aos efeitos do cálcio na massa média das sementes, os resultados são contraditórios. Efeitos positivos foram observados por Ferreira et al. (1979) e Coffelt & Hallock (1986), e negativos por Quaggio (1982), Maeda et al. (1986), e Nakagawa et al. (1990). Por outro lado, Sichmann et al. (1982), Fornasieri (1987), Maeda et al. (1986), Caires (1990) e Rosseto (1993) constataram que a aplicação de cálcio no amendoim não causou alteração na massa média das sementes.

Em estudos realizados por Maeda et al. (1986) sobre o efeito da calagem e adubação com NPK na qualidade de sementes de amendoim, cv. Tatu, produzidas na estação "das águas", verificou-se que a aplicação de cálcario (com ou sem NPK) apresentam efeito positivo no vigor das sementes, detectado durante os 15 meses de armazenamento; mesmo efeito foi verificado por Nakagawa et al. (1990). Por outro lado, Vieira et al. (1986) concluiram que a aplicação de calcário não influenciou o vigor das sementes de amendoim, cv. Tatu, avaliado por meio da massa de matéria seca de plântulas e índice de velocidade de emergência de plântulas.

Diante da controvérsia dos resultados obtidos pelos vários autores, aliado a escassez de trabalhos sobre o assunto, a presente pesquisa teve o objetivo de avaliar a qualidade física e fisiológica de sementes de amendoim produzidas sob diferentes fontes de cálcio combinadas a épocas e modos de aplicação.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O presente trabalho foi desenvolvido em área experimental e no Laboratório de Análise de Sementes, pertencentes ao Departamento de Produção Vegetal da Escola Superior de Agricultura " Luiz de Queiroz", Universidade de São Paulo, em Piracicaba, SP.

A pesquisa, em campo, foi conduzida no período compreendido entre a segunda quinzena de setembro de 1992 a março de 1993 ("cultivo das águas"). O resultado da análise química do solo, classificado como latossolo vermelho-amarelo álico , textura média (EMBRAPA/SNLCS, 1989), está apresentado na TABELA 1.

 

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O cultivar de amendoim utilizado foi o Tatu, por possuir um ciclo de maturação curto e ser utilizado em aproximadamente 95% da área cultivada no Brasil. A densidade de semeadura foi de 20 sementes por metro linear e o espaçamento entre linhas de 0,50m.

Na área experimental que recebeu calagem prévia, como fonte de cálcio, suficiente para elevar a saturação de bases a 70%, foram estudados os efeitos dos seguintes tratamentos:

Tratamentos com gesso agrícola

Todos estes tratamentos receberam adubação fosfatada de plantio à base de superfosfato triplo (80 kg/ha de P2O5) e potássica (30 kg/ha de K2O).

T01=400 kg/ha de gesso agrícola, aplicado na semeadura de forma localizada nos sulcos.

T02=400 kg/ha de gesso agrícola, aplicado no início do florescimento de forma localizada lateralmente às linhas.

T03=400 kg/ha de gesso agrícola, aplicado na semeadura em área total (em cobertura).

T04=400 kg/ha de gesso agrícola, aplicado no início do florescimento em área total (em cobertura).

T05=800 kg/ha de gesso agrícola, aplicado na semeadura de forma localizada nos sulcos.

T06=800 kg/ha de gesso agrícola, aplicado no início do florescimento de forma localizada lateralmente às linhas.

T07=800 kg/ha de gesso agrícola, aplicado na semeadura em área total (em cobertura).

T08=800 kg/ha de gesso agrícola, aplicado no início do florescimento em área total (em cobertura).

T09=1.200 kg/ha de gesso agrícola, aplicado na semeadura de forma localizada (nos sulcos).

T10=1.200 kg/ha de gesso agrícola, aplicado no início do florescimento de forma localizada lateralmente às linhas.

T11=1.200 kg/ha de gesso agrícola, aplicado na semeadura em área total (em cobertura).

T12=1.200 kg/ha de gesso agrícola, aplicado no início do florescimento em área total (em cobertura).

Tratamentos sem aplicação de gesso agrícola (testemunhas)

T13= adubação fosfatada de plantio à base de superfosfato triplo (80 kg/ha de P2O5) e potássica (30 kg/ha de K2O) e aplicação localizada de enxofre ao nível de 40 kg/ha na semeadura

T14= adubação fosfatada de plantio à base de superfosfato triplo (80kg/ha de P2O5) e potássica (30 kg/ha de K2O).

T15= adubação fosfatada de plantio à base de superfosfato simples (80kg/ha de P2O5) e potássica (30 kg/ha de K2O).

T16= sem aplicação de fósforo, potássio e enxofre.

A aplicação de enxofre conforme explicitado no tratamento T13, teve por objetivo compensar o efeito do enxofre contido no gesso agrícola, para melhor visualização do provável efeito isolado do cálcio. O enxofre foi aplicado apenas na semeadura, pois segundo Raij*  se aplicado no florescimento não estaria disponível na época de maior necessidade pela planta.

Houve dois tratamentos controle com apenas P e K. Um deles (T14), recebeu a mesma fonte de fósforo que os tratamentos com aplicação de gesso agrícola (superfosfato Triplo). O outro (T15), recebeu fósforo via superfosfato simples, visando a comparação de desempenho da cultura, sob este controle, com o controle anterior e com os tratamentos com gesso agrícola.

O controle de plantas daninhas, pragas e doenças foi feito sistematicamente, de acordo com os procedimentos normais exigidos pela cultura do amendoim.

Após a colheita, procedeu-se a classificação das sementes com peneiras, seguindo a metodologia do teste de uniformidade, descrito nas Regras para Análise de Sementes (Brasil, 1992). Apenas as sementes retidas nas peneiras 18 a 22 foram utilizadas nas determinações da qualidade física e fisiológica das mesmas.

Antes da avaliação da qualidade física e fisiológica das sementes, por meio dos métodos e procedimentos descritos a seguir, foi realizado o tratamento fungicida com Thiram (70% de dissulfeto de tetrametiltiuram), na dose de 250g de i.a./100kg de sementes.

A determinação do grau de umidade foi efetuada em estufa, à 105 +ou - 3oC, durante 24 horas, conforme as Regras para Análise de Sementes (Brasil, 1992).

Para a determinação da massa de 100 sementes, foram separadas, manualmente, oito sub-amostras de 100 sementes de cada parcela, as quais foram pesadas em balança com sensibilidade de centésimos de gramas, conforme as Regras para Análise de Sementes (Brasil, 1992).

Para o teste de Germinação foram utilizadas duas sub-amostras de 50 sementes por parcela para cada tratamento. A semeadura foi realizada em rolo de papel-toalha da marca Germitest e utilizou-se germinador regulado à temperatura constante de 25oC. As avaliações foram efetuadas aos cinco e décimo dias após a instalação do teste, de acordo com os critérios estabelecidos nas Regras para Análise de Sementes (Brasil, 1992) e o resultado expresso em porcentagem média de plântulas normais.

O teste de primeira contagem de germinação foi conduzido conjuntamente com o teste padrão de germinação, computando-se a porcentagem de plântulas normais observadas no quinto dia após a instalação do teste.

O teste de envelhecimento acelerado foi realizado com duas subamostras de 50 sementes por parcela. As sementes foram distribuídas sobre uma bandeja de tela de alumínio fixada no interior de uma caixa plástica tipo "gerbox", funcionando como compartimento individual (mini-câmara). No interior dessas mini-câmaras foram adicionados 40ml de água e, em seguida, os "gerbox" adaptados foram levados a uma incubadora, conforme metodologia proposta pelo Comitê de Vigor da Association of Official Seed Analysts (1983). Na incubadora, regulada a 42°C, as sementes permaneceram durante 48 horas. Após esse período, as sementes foram colocadas para germinar da mesma maneira descrita no teste de germinação; após cinco dias, foram avaliadas as plântulas, computando-se a porcentagem de plântulas normais por tratamento.

O teste de condutividade elétrica foi realizado conforme a recomendação do Comitê de Vigor da Association of Official Seed Analysts (1983). Foram utilizadas 4 subamostras de 25 sementes fisicamente puras por parcela previamente escolhidas para remoção daquelas com tegumento danificado. Terminada a pesagem de cada subamostra (precisão de 0,01g), as sementes foram imersas em 75 ml de água destilada, no interior de copos plásticos, sob temperatura de 20°C, durante 24 horas. Decorrido esse período, a condutividade elétrica da solução foi determinada através de condutivímetro e os valores médios para cada tratamento foram expressos em mmhos/cm/g de sementes.

Para o teste de emergência das plântulas em campo foram utilizadas 4 subamostras de 50 sementes por parcela. As sementes foram distribuídas em sulco com 2m de comprimento e com 3cm de profundidade; a distância entre sulcos foi de 30cm. Contagem única foi efetuada aos 21 dias após a semeadura, computando-se as porcentagens médias de emergência das plântulas por tratamento.

A determinação de teores dos macronutrientes das sementes foi efetuada no Laboratório do Setor de Nutrição Mineral de Plantas do Departamento de Solos e Nutrição de Plantas da ESALQ/USP. Para tanto, aproximadamente, 40g de sementes de cada parcela foram enviadas para análise, de acordo com a metodologia proposta por Bataglia et al. (1983). Os resultados médios por parcela de cada nutriente nas sementes foram fornecidos em porcentagens.

A análise estatística foi realizada segundo o esquema fatorial 3x2x2 (doses, épocas, local de aplicação de gesso), com 4 tratamentos adicionais (testemunhas), em blocos casualizados com 3 repetições. A partir dos 4 tratamentos adicionais (testemunhas), foram realizados os seguintes contrastes:

contraste 1: confronto entre tratamentos com e sem aplicação de gesso agrícola.

contraste 2: confronto entre tratamentos com e sem aplicação de PK.

contraste 3: confronto entre tratamento com aplicação de superfosfato simples e tratamentos com aplicação de superfosfato triplo.

contraste 4: confronto entre tratamentos com e sem aplicação de enxofre.

Toda a metodologia de análise estatística utilizada na presente pesquisa foi descrita por Gomes (1990). Os dados referentes ao grau de umidade não foram submetidos à análise estatística; os demais, com exceção da condutividade elétrica e massa de 100 sementes foram transformados em arc sen a18fo.gif (176 bytes)

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

O grau de umidade das sementes, determinado por ocasião do início das avaliações (TABELAS 4 e 5), permaneceu entre 6,6 a 7,1% que, embora não analisado estatisticamente, foi semelhante para todos os tratamentos estudados; isso é importante para a execução dos testes para avaliação da qualidade de sementes, considerando-se que a uniformização da umidade das sementes é imprescindível para a padronização das avaliações e obtenção de resultados consistentes (Matthews, 1981; Loeffler et al., 1988).

Dentre os parâmetros que avaliaram a qualidade física e fisiológica das sementes, constatou-se pelos quadrados médios das análises de variância (TABELAS 2), diferenças para os parâmetros massa de 100 sementes, germinação e emergência de plântulas em campo.

Para a massa média de 100 sementes diferença foi observada, quando se avaliou a época de aplicação das doses de gesso agrícola, verificando-se massa superior das sementes quando se aplicou o gesso agrícola na semeadura em relação a aplicação no florescimento (TABELA 5), fato este também observado por Spinola (1994) em área que não recebeu calcário. Entretanto, tal resultado não corroborou com os obtidos por Geus (1973), Ferreira et al.(1979), Cox et al. (1982) e Sichmann et al. (1982), que observaram que o cálcio aplicado no início do florescimento resultou em melhor desempenho da cultura.

Na germinação, embora tenha havido efeito das doses de gesso agrícola (TABELA 5), na qual se ajustou a curva de regressão linear Y = 1,160018842 + 0,042609493X, não se observou pelo contraste 1 (TABELA 4), diferença de germinação entre as sementes provenientes dos tratamentos que receberam gesso agrícola com as sementes dos tratamentos que não o receberam. Este resultado se assemelha ao encontrado por Vieira et al. (1986), onde foi verificado que aplicação corretiva dos diferentes produtos (calcário e gesso agrícola), associados ou não à aplicação dos mesmos em cobertura, não influenciaram essa característica. O mesmo não foi verificado por Hallock & Allison (1980) e Bell et al.(1989), que apesar de trabalharem com outros cultivares observaram relação positiva entre o conteúdo de cálcio no solo e a porcentagem de germinação.

Para a emergência de plântulas em campo houve diferença na interação "local de aplicação x época de aplicação", cujo desdobramento (TABELA 3), indicou que a aplicação de gesso agrícola, aplicado em área total, no florescimento, proporcionou uma porcentagem de emergência superior à da aplicação na semeadura. Esses resultados concordam com os obtidos por Cox et al. (1982), Geus (1973), Ferreira et al. (1979) e Sichmann et al. (1982), que verificaram que o cálcio aplicado no início do florescimento resultou em melhor desempenho da cultura. Assim, pode-se observar que entre os parâmetros que avaliaram a qualidade das sementes, poucos foram os que receberam influência da aplicação do gesso agrícola.

A análise dos macronutrinentes analisados nas sementes, revelou pelos quadrados médios das análises de variância (TABELA 2), que apenas o nitrogênio e o potássio apresentaram diferenças para os fatores analisados. Não sendo constatado relação direta entre as diferentes fontes, doses, modos e locais de aplicação de gesso agrícola com o teor de cálcio encontrado nas sementes.

Para o nitrogênio tal diferença foi encontrada para o fator época de aplicação de gesso, onde se constatou que a aplicação do insumo na semeadura, proporcionou um teor de nitrogênio na semente superior ao encontrado no florescimento (TABELA 5). Tal fato pode ser justificado pelas observações efetuadas por Rodrigues Filho et al. (1986), em que relatou que o pico de transferência de nitrogênio da planta para o fruto, no qual este se apresentou em maior concentração, procedeu-se aos 40 dias após a semeadura; desta maneira, a aplicação de cálcio com o intuito de aumentar a taxa de absorção de nitrogênio (Bell et al. 1989), seria mais adequada na semeadura.

Quanto ao potássio, este apresentou diferença no contraste 4 (TABELA 4), no qual se constatou que as sementes do tratamento que não recebeu enxofre elementar, revelou teor de potássio na semente superior ao das sementes que receberam.

 

CONCLUSÕES

A aplicação de gesso agrícola em área calcareada, independentemente das doses, épocas e locais de aplicação, não interfere na qualidade das sementes.

A aplicação de gesso agrícola na semeadura, proporciona um teor de nitrogênio nas sementes superior ao encontrado quando aplicado no florescimento.

O enxofre elementar presente no gesso agrícola influencia o teor de potássio nas sementes.

 

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) pelo suporte financeiro

 

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Recebido em 18.11.98

 

 

1Parte da Dissertação de Mestrado do primeiro autor apresentada à USP/ESALQ - Piracicaba, SP.

* Raij, B.V. (Instituto Agronômico de Campinas, São Paulo). Comunicação pessoal, 1992.

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