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Revista Estudos Feministas

Print version ISSN 0104-026XOn-line version ISSN 1806-9584

Rev. Estud. Fem. vol.16 no.3 Florianópolis Sept./Dec. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-026X2008000300006 

ARTIGOS

 

Mídia e a figura do anormal na mira do sinóptico: a constituição discursiva de subjetividades femininas

 

The media and the abnormal figure in the look of synoptic: the discursive constitution of feminine subjectivity

 

 

Marluce Pereira da SilvaI; Carmen Brunelli de MouraII

IUniversidade Federal do Rio Grande do Norte
IIUniversidade Federal do Rio Grande do Norte

 

 


RESUMO

Neste artigo, a partir de estudos foucaultianos, discutem-se as noções de masturbação, anomalia e práticas de confissão, associadas a investigações voltadas para as subjetividades femininas veiculadas pela mídia, cujas imagens apresentam modelos para a construção de novos sujeitos. Utilizam-se também como dispositivos analíticos os estudos de Zygmunt Bauman, apoiados em Thomas Mathiesen, acerca do sinóptico como novo mecanismo de poder em funcionamento na mídia, e alguns assinalados por Rosa Maria Bueno Fischer. O que se pretende é discutir a materialidade lingüístico-discursiva do depoimento-confissão de uma mulher negra, pobre e idosa, selecionado da novela Páginas da vida, exibida pela TV Globo, em 2006, a fim de se apreenderem os efeitos de sentido que poderiam construir um dos primeiros sinais de sua "anormalidade". Tal discussão aponta para a reinvenção de uma outra figura do "anormal", com implicações éticas, uma vez que a mulher subverte práticas discursivas advindas de certos saberes e poderes.

Palavras-chave: mídia; cultura da confissão; subjetividade; discurso.


ABSTRACT

Based on Foucault studies, this article discusses notions such as masturbation, anomaly and confession technique, associated to investigation related to the female subjectivities exposed by media, whose images present models for the construction of new subjects. It also uses as analytic dispositives the studies from Bauman, based on Thomas Mathiesen, about sinoptic as a new mechanism of power operated in the media, and some others pointed out by Rosa Maria Bueno Fischer. This study intends to discuss the linguistic-discursive materiality of the testimony-confession of a black, poor and aged woman, selected from the soap opera Páginas da vida, exhibited by TV Globo in 2006, with the purpose of apprehending the sense effects that might construct one of the first signs of her "abnormality". Such discussion points to the reinvention of another picture of "abnormal", what implies in an ethic attitude, once the woman breaks with some discursive practices that come from some knowledge and power instances.

Key Words: Media; Culture of Confession; Subjectivity; Discourse.


 

 

Introdução

[...] a sexualidade, no Ocidente, não é o que se cala, não é o que se é obrigado a calar, mas é o que se é obrigado a revelar.1

Nos dias de hoje, temos percebido o quanto programas veiculados pela TV se utilizam de entrevistas e tentam publicizar intimidades sexuais e amorosas de pessoas. Isso se dá não apenas com celebridades, mas também com pessoas comuns. No entanto, na sociedade de controle e, principalmente, na mídia, que produz seu discurso de verdade, há certa definição pelos vigilantes sobre quem será vigiado e quais os discursos que irão proliferar ou não. É nessa seleção que muitas vezes pessoas comuns escapam à conformação de padrões habituais de sexualidade e acabam 'sujando' a harmonia da sociedade. A mídia, na atualidade, produz discursos e exibe indivíduos que confessam suas sexualidades, antes dissimuladas pelas instituições.

A novela Páginas da vida, exibida pela TV Globo, em 2006, mostrou esses indivíduos que, a partir da utilização da "técnica da confissão", produzem em seus discursos modos de constituição de subjetividades, práticas divulgadas ao final de cada capítulo exibido. Nesses procedimentos de confissão, em geral, as pessoas procuravam expor, em face de processos de vitimização de algum mal, saídas encontradas no seu enfrentamento. Elas discorriam sobre tudo: cura de câncer, filhos com síndrome de Down, alcoolismo, morte de pessoas queridas, infidelidade conjugal, questão étnico-racial, entre outros assuntos. Os discursos instaurados nos procedimentos confessionais estavam, nomeadamente, vinculados a temáticas exploradas ao longo do texto da novela. Nesse contexto de autonarração ou autodecifração pública, o autor da novela inseriu uma mulher de 68 anos, negra, pobre, sozinha, que, instigada a falar de sua vida, revelou momentos de auto-erotismo. Fragmentos dessa autonarração, atrelados a relatos de uma prática sexual não relacional, foram explorados integralmente no momento reservado à exibição dos depoimentos, pois, como diz o seu escritor Manoel Carlos, "os depoimentos atendem a um desejo nosso (meu e do Jayme Monjardim) de aproximar da novela a voz das ruas".2

Esse episódio nos inquietou e nos motivou a pensar como a constituição de subjetividades na contemporaneidade está cada vez mais sendo difundida pela mídia, cujas imagens apresentam modelos e padrões para a construção de novos sujeitos. Perfilhando estudos foucaultianos acerca da masturbação, um dos elementos constituintes da genealogia da anomalia do século XIX, e da prática da confissão, associadas a estudos voltados para sexualidade, erotismo e mídia, tencionamos neste artigo3 trazer, em especial, algumas questões que nos conduzam a refletir sobre como a cultura da confissão, tão fortemente acionada pela mídia, constitui tipos de subjetividades e sobre quais interditos discursivos recebem os confessandos quando não se posicionam em face dos mecanismos de poder exercidos pelos confessores,4 por quem edita e por quem traduz os discursos que permeiam tais confissões. Utilizaremos alguns comentários acerca do que foi dito pela confessanda, citada no parágrafo anterior, para analisarmos alguns dos efeitos de sentidos que perpassaram expressões lingüísticas, partindo do pressuposto de que a linguagem desempenha um papel social e constitutivo ao construir e refletir realidades sociais.

 

Um caso de "anomalia"

A franca e desconcertante confissão de Nelly, uma senhora negra de 68 anos, ao final do capítulo da novela Páginas da vida do dia 5 de julho de 2006, leva-nos a pensar acerca dos limites entre a vida pública e a privada que pareciam estar imperceptíveis na mídia, mas agora estão visíveis e normalizados. Em relação ao depoimento da senhora, colocamos como questões: o que poderia legitimar como 'lição de vida' o relato de uma pessoa comum, cujo padrão geracional, estético e racial 'foge' aos modelos que poderiam aproximá-la do exigido para exibição pela mídia ou por aquilo que a sociedade considera "normal"? Que efeitos de sentidos poderiam ser atribuídos a relatos de atos íntimos a partir da utilização de recursos estilísticos considerados desprestigiados no âmbito de uma modalidade lingüística padrão?

Eis, na íntegra, o polêmico relato da senhora em Páginas da vida:

Esse negócio das pessoas dizerem que tem de gozar junto, no mais popular, que tem de gozar junto e que é isso que faz neném... Quer dizer... Isso é tudo mentira. Porque eu fiquei dos meus 14 aos 45 anos sem saber o que era isso. Para mim era tudo normal: o homem terminava, eu terminava também. Só com os 45 anos eu ganhei... Eu fazia coleção de discos de Roberto Carlos, eu ganhei um LP que tinha a música "Côncavo e Convexo", não sei se saiu direito, "Côncavo e Convexo". Então eu botei a vitrola, que era daquelas antigas, e fui dormir. E simplesmente, gente, quando eu acordei, eu estava com a perna suspensa e a calcinha na mão, e toda babada. Aí foi que eu comecei a comentar com as amigas. Falaram assim: "Poxa, você gozou". Aí que eu vim saber o que era o gozo. Moral da história: eu sou uma pessoa com 68 anos que o homem para mim não faz falta. "Eu mesma dou o meu jeito".5

Atualmente é quase impossível o corpo e a sexualidade deixarem de ser discutidos e se tornarem foco do "confessionário moderno"6 representado pela mídia. Rosa Maria Bueno Fischer, estudiosa de artefatos midiáticos, reafirma a idéia de que a privacidade e a intimidade das pessoas invadem o espaço público não com a intenção de interação com os telespectadores nem para a apreensão de novas discussões acerca do público e do privado, mas com o interesse de fortalecer o privado em sua privacidade.7

 

Confissão, mídia e sexualidade: quando o privado se torna público

As subjetividades contemporâneas se constituem na mídia entre os limites do público e do privado à medida que leitores e telespectadores, a todo momento, estão sendo informados do que está acontecendo com os seus ídolos ou celebridades cujas confissões públicas dão àqueles a impressão de serem membros de uma mesma "comunidade".8 Ao ouvirem os relatos que aparecem nas confissões públicas de que mais um casamento de famosos foi desfeito, das dificuldades que enfrentaram em fases de sua vida, das síndromes que contraíram, dos problemas sexuais, os telespectadores sentem-se confortados. Eles percebem que os infortúnios que os afetam na sua vida diária não são estáveis nem duradouros, uma vez que na mensagem de seus ídolos há a sugestão de que a "não-permanência" e a "instabilidade" não se constituem em algo decisivo e, por isso, ainda é possível, como diz Bauman, "construir uma vida sensível e agradável em meio a areias movediças".9

Em vista disso, a 'mesa foi virada', pois o público não se constitui mais o colonizador do privado, mas, exatamente o contrário. Atualmente, o privado coloniza o público e vemos, principalmente na mídia, disseminarem-se as mais variadas declarações a respeito da sexualidade que passa a ser fundamental aos regimes de verdade que constituem as subjetividades na contemporaneidade e o público torna-se um espaço onde as pessoas passam a confessar seus segredos. É nesse sentido que a mídia assume um ar democrático e instiga as pessoas a apresentarem seus problemas agenciando "um rearranjo de fronteiras entre o que é público e privado"10 e, conseqüentemente, alteram-se as fronteiras entre o dispositivo de aliança e o dispositivo da sexualidade.

Como nos ensina Michel Foucault, enquanto o dispositivo de aliança se estrutura em uma relação que define o proibido e o permitido, o lícito e o ilícito e há uma tendência à homeostase social; o dispositivo da sexualidade se inscreve como histórico-cultural e se estrutura em técnicas móveis, domínios diversificados, estímulo dos corpos, intensificação dos prazeres, incitação ao discurso e formação de outros conhecimentos acerca da sexualidade. Enfim, o que se torna pertinente no dispositivo da sexualidade são as impressões corporais, os atributos dos prazeres e o caráter das impressões que passam a ser materializadas na confissão de Nelly e devem ser reveladas por mais tênues que sejam.

Nessas "matrizes de transformações" de um dispositivo para o outro, a busca da autonomia individual, sugerida pela mídia, é proposta a cada exposição pública pelos ídolos que ensinam aos telespectadores soluções para vencer as dificuldades. Essa busca se dá, como no caso de Nelly, por meio de uma auto-reflexão propiciada pelo outro, a mídia e mais especificamente o autor da novela, que sem nenhum constrangimento ou repressão incita-a a construir um discurso de verdade acerca de sua sexualidade. A sexualidade, portanto, é uma produção social que opera a partir de campos de saber e poder e cujo eixo principal é a prática da confissão que produz transformações em quem confessa. Conforme Foucault, a confissão deixa espaços reguladores tradicionais como o familiar, o escolar, o médico, o político, o religioso e se dispersa em uma profusão de instâncias e de aparelhos diversos como a mídia, que incita os indivíduos a confessarem seus desejos, prazeres, sonhos, fantasias, gestos, pensamentos voluptuosos.11

Porém, Nelly não se tornou confidente ao acaso e a confissão não é um ato contemporâneo. Ao contrário, desde a Idade Média a confissão esteve atrelada, inicialmente, ao reconhecimento e vínculo do indivíduo com os outros; depois, à autenticação de um discurso de verdade que o sujeito era capaz de produzir acerca de si mesmo ou obrigado a ter sobre si. Ao tomarmos a Reforma Protestante como marco para o desenvolvimento das técnicas confessionais, passando pelo Concílio de Trento, percebemos uma cristianização em profundidade e a confissão se abre para novos domínios, pois tudo precisa ser verbalizado por todos. Dessa época para a atual, há um deslocamento dos objetivos da confissão: de um discurso que fala de pecado e de salvação para um discurso que fala do corpo e da vida, ou, como diz Foucault, uma "ciência-confissão",12 que trata de colocar em funcionamento regimes de verdade entrelaçados com saberes, prazeres e poderes.

Em outras palavras, na sociedade atual, a confissão não se apóia mais na obrigação, na imposição moral, no sacrifício, mas na responsabilidade e, assim, nessa explosão discursiva surgem as "sexualidades periféricas"13 que, na verdade, já existiam no cotidiano, mas eram veladas. O aparecimento dessas sexualidades é proveniente de um saber científico que opera uma nova classificação dos indivíduos. Antes, tínhamos apenas um repertório lingüístico que conformava as pessoas como normais e como casais heterossexuais legítimos; depois, surge um outro no qual se enquadram os desviantes, estigmatizados, anormais, não conformados a "padrões habituais" de sexualidade. É o pluralismo sexual; são as possibilidades que se apresentam na contemporaneidade.

Entre aqueles que se conformam ao primeiro repertório, podemos encontrar, entre as celebridades, Lady Francisco, um dos maiores símbolos sexuais do Brasil, e Eliana, apresentadora de televisão, jovem, bonita. Eliana confessou, em dezembro de 2006, sua vida sexual com o marido, também apresentador, Eduardo Guedes, a um jornal impresso. A apresentadora, na época, declarou: "A gente está muito bem porque eu sei o que quero, principalmente, na cama. Mando ver nas fantasias, invento personagem, vario nas lingeries. Gosto das fantasias de enfermeira e colegial".14 Outro fato que ficou marcado na mídia foi a confissão de Lady Francisco acerca de sua sexualidade. Em depoimento a uma revista de circulação nacional, a atriz confessa:

Nunca gozei. Quando me separei, transava com meus namorados, mas não sentia nada. Até fingia que gozava para acabar logo. Detesto transar. Minha última relação sexual foi em 1987. Masturbação também é muito difícil para minha cabeça. O máximo que consigo sentir é uma afliçãozinha. Nunca descobri por que não gosto de transar.15

O discurso de "sexualidade normal" construído a partir das confissões das duas celebridades aponta que esse estilo de vida é mais um entre tantos outros possíveis. Como diz Giddens, há uma transformação da intimidade na contemporaneidade e, conseqüentemente, uma emancipação sexual.16 A heterossexualidade deixa de ser um pressuposto natural e as perversões, antes estigmatizadas, passam a ser legitimadas e reveladoras da constituição das subjetividades.

A confissão de Nelly, na mídia, a respeito de sua sexualidade confirma que Lady Francisco, Eliana e a senhora se constituem em verdadeiras parresiastas, ou seja, falam 'livremente' acerca de sua sexualidade e de seus estilos de vida sexual. Ao afirmar: "fiquei dos meus 14 aos 45 anos sem saber o que era isso. Para mim era tudo normal: o homem terminava, eu terminava também", Nelly demonstra seu desconhecimento acerca do prazer durante quase toda a sua vida. Ela retoma um discurso religioso de que o prazer é algo a ser abolido da vida sexual das pessoas, pois se constitui em uma 'mancha' e que somente a procriação se torna algo aceitável. Mas, ao confessar: "eu sou uma pessoa com 68 anos que o homem para mim não faz falta. 'Eu mesma dou o meu jeito'", a senhora consegue se desvencilhar das amarras do poder ao ultrapassar certos limites e revelar seu segredo.

Esses limites são corolários da compreensão de uma condição de subalternidade atribuída à mulher. Contudo, com a emergência dos movimentos feministas, rompe-se a construção social da mulher criada com papéis definidos em relação à maternidade, e a outros circunscritos a espaços privados e familiares em oposição à figura do homem, cujos papéis assumiam centralidade na esfera econômica e pública.17 Esse é o caso de Nelly que, imbuída de novas relações tecidas entre gênero e sexualidade, transgride, diante do processo social de normalização, e traça novas configurações de subjetividades ao não se deixar dobrar ante os imperativos das práticas sinópticas instauradas pelo artefato midiático.

 

Os "anormais" em Foucault

Michel Foucault volta-se para a genealogia do conceito de "anormalidade", arquitetado durante o século XIX, inicialmente em meio aos saberes jurídico e penal e, depois, aos saberes psiquiátricos do desejo e do sexo. O conceito de "anormalidade", no Ocidente, esteve atrelado a três categorias, definidas a partir do século XVII e que constituem o discurso sobre o anormal: o monstro humano, o indivíduo incorrigível e o masturbador, que vão se articular naquilo que será o discurso sobre o anormal no século XX.

É a partir desse discurso que se constitui no século XVII, de acordo com os estudos foucaultianos, o monstro humano "[...] em sua existência mesma e em sua forma, não apenas uma violação das leis da sociedade, mas uma violação das leis da natureza".18 O indivíduo incorrigível aparece entre os séculos XVII e XVIII e precisa ser corrigido, por meio de técnicas disciplinadoras, para voltar ao convívio da sociedade. Por fim, o masturbador, figura surgida em meados do século XIX, envolve a família burguesa que deveria estar atenta aos prazeres secretos de seus filhos e, em vista disso, a masturbação passa a ser um segredo compartilhado por todos.

Essas categorias têm histórias e trajetórias distintas e vão se entrelaçar para constituir a "genealogia dos anormais [que] se formará quando houver sido estabelecida uma rede regular de saber-poder que reunirá estas três figuras".19 Essa afirmação de Foucault faz ver uma outra questão crucial para a compreensão dessa 'gentalha diferente': a da articulação de diferentes interdições a partir das classes sociais. Assim, à burguesia eram garantidos e reconhecidos para si um corpo e uma sexualidade que poderiam ser comparados ao sangue azul da nobreza; enquanto à classe proletária, nada, ou seja, nem corpo nem sexo; nada importava, ou melhor, importava se corpo e sexualidade estivessem atrelados a questões sanitaristas, econômicas, de vigilância e controle de epidemias e endemias.

Portanto, o dispositivo da sexualidade não funciona simetricamente e não produz os mesmos efeitos. Fica evidente que existe uma "sexualidade burguesa" em detrimento de uma "sexualidade proletária ou anormal", mas que, na modernidade, é inventada, multiplicada, transformada e abarca os "sindrômicos, deficientes, monstros e psicopatas (em todas as suas variadas tipologias), os surdos, os cegos, os aleijados, os rebeldes, os pouco inteligentes, os estranhos, os GLS, os 'outros', os miseráveis, o refugo".20 Esses "anormais" de Veiga-Neto podem ser comparados aos "estranhos" de Bauman21 que vêm 'sujar' a harmonia das utopias modernas e, desse modo, devemos evitar o contato com eles assim como tampar os ouvidos para suas palavras. Isso se presentifica na confissão de Nelly, uma mulher proletária, anormal e estranha à mídia que escapa por entre os dedos do poder, fato que não acontece nas confissões de Eliana e Lady Francisco, burguesas, "normais" e notórias da mídia.

Todo esse discurso é reiterado pelo antropólogo Richard Guy Parker, que se volta para o tema da "sexualidade e gênero" e alerta para o fato de que as sociedades, via de regra, não são uniformes quanto à concepção de práticas sexualmente possíveis e aceitáveis, pois se trata de uma construção cultural.22 A masturbação, a homossexualidade, a bissexualidade, entre outras práticas sexuais, são definidas com conotações negativas. Contudo, pesquisas mais recentes, voltadas para o universo de práticas eróticas, apontam que a abertura aos estilos de vida em relação à sexualidade também atingiram a masturbação da mesma forma que a homossexualidade. Alguns relatórios de pesquisa assinalam que a prática da masturbação teve suas proporções elevadas em torno de 100% no caso dos homens e em torno de 70% das mulheres.

 

O caso de Nelly: a reinvenção do "anormal"

Retomemos a confissão de Nelly, divulgada na novela Páginas da vida, em que os efeitos de sentidos de alguns enunciados lingüísticos presentes na pequena autobiografia da senhora masturbadora ocasionaram uma reinvenção da figura do anormal - o masturbador -, tema de referência na instituição familiar no final do século XVIII. A repercussão do auto-erotismo confessado por uma mulher do povo parecia uma caça às bruxas no estilo medieval. Uma série de perseguições não apenas à senhora, "desviante sexual", como também aos autores da novela, responsáveis pela edição dos seus relatos, foi empreendida por parte dos telespectadores e autoridades23 que não conseguiam entender aquela confissão repleta de detalhes tão íntimos que agrediam fortemente a sociedade de controle.

É nessa sociedade que, há algum tempo, temos acompanhado uma mudança ou expansão dos modelos de vigilância e de suas instituições. Na modernidade, tínhamos uma sociedade disciplinar que, para Foucault, garantia um controle arquitetural, descontínuo e infinito, sociedade essa idealizada em um projeto do panóptico,24 cujo objetivo era disciplinar as subjetividades de forma ameaçadora e punitiva, e que se baseava no princípio de que poucos observam muitos. Agora, temos um deslocamento nessa vigilância e no modelo de controle, pois estamos em uma sociedade na qual o próprio "controle é de curto prazo e de rotação rápida, mas também contínuo e ilimitado".25 A vigilância não é mais coercitiva, mas aliciadora e, como sugere Thomas Mathiesen, poucos observam muitos. O estudioso dá a entender que houve certo 'descuido' por parte de Foucault ao não perceber que havia, em razão da difusão dos meios de comunicação, principalmente a televisão, um outro processo que ele denominou de sinóptico.26

No novo poder que prefere ficar à sombra, os vigilantes selecionam quem eles querem vigiar, o que, de certa forma, define o modo de reverberação de mensagens exibidas e o que talvez tenha provocado a demasiada intolerância por parte de espectadores da telenovela Páginas da vida diante do relato da confessanda ao final da novela. Perguntado se o relato poderia ter sido mais sutil, o próprio autor da novela, Manoel Carlos, mencionou: "Acho que sim, se sou eu que escrevo, mas o que aquela mulher do povo falou foi texto dela, que ela improvisou ali".27 A marca lexical "mas" nesse fragmento indica certo distanciamento do autor da novela em relação à fala da masturbadora. Ele não se envolve e aponta toda a responsabilidade do depoimento para aquela "mulher do povo", que se desvia e não se conforma aos padrões de normalidade da sociedade.

Embora Nelly surja com o discurso de uma sexualidade periférica na mídia sobre o qual os olhares vigilantes se voltam, as reflexões de Manoel Carlos, ao dizer "acho que sim", parecem atenuar o impacto procedente da atitude de parresiasta da senhora. Ao confessar sua verdade, fazendo uso de expressões como "gozar" e "perna suspensa", que poderiam refletir detalhadamente momentos que constituem seu imaginário erótico, Nelly estaria realizando não apenas a sua própria salvação, ao esperar a benevolência ou a não-recusa em relação às suas revelações, como também a de outros "anormais", instigando-os a também confessarem suas sexualidades. Ainda que suas interdições fossem diferentes das de outros indivíduos, mas também consideradas formas sexuais desviantes, todos estariam buscando a si mesmos ao encontrarem, no exercício do poder, estratégias inerentes aos dispositivos da sexualidade.

No fragmento "Esse negócio das pessoas dizerem que tem de gozar junto, no mais popular, que tem de gozar junto e que é isso que faz neném... quer dizer... Isso é tudo mentira", podemos aludir que os recursos expressivos produzem um discurso de verdade imanente à técnica da confissão que, na TV, exerce um lugar relevante. Chama-nos atenção o seguinte excerto: "no mais popular, que tem de gozar junto e que é isso que faz neném", pois aponta para formas lingüisticamente desprestigiadas que podem subverter a ordem em torno de práticas culturais ao delimitar e tentar fazer uma distinção entre a permissividade e a proibição, entre o que pertence ao público e o que pertence ao privado. No tocante às práticas sexuais, a expressão "entre quatro paredes tudo pode acontecer" parece traduzir discursivamente as interdições ou permissões nas esferas pública e privada.

Nos dias de hoje, a sexualidade ocupa um papel central nas discussões e debates em diferentes setores da sociedade brasileira. Temas como aborto, sexualidade na terceira idade, grupos GLBTs28 - as chamadas minorias sexuais - são tratados como pontos efervescentes aos quais novas descobertas se acumulam. Entretanto, declarações como a de Nelly ainda são consideradas excêntricas, a ponto de suscitar o seguinte julgamento de Manoel Carlos: "[...] Todo o valor (se ele existe) dos depoimentos está exatamente no espontâneo".29

Talvez necessitemos, neste momento, levantar algumas questões em torno da controvérsia instalada pelo depoimento da referida senhora que passou a ser denominada de "senhora do orgasmo".30 Teria sido o falar francamente que produziu discursos considerados tão agressivos às famílias? Que práticas sexuais poderiam não ser consideradas como transgressoras no discurso dessa "desviante sexual" que preferiu exercer sua sexualidade "sob uma forma não relacional"? A transgressão das regras, expressa no relato da senhora, aponta para um sinal de anormalidade, mesmo em face de um incitamento do discurso científico que recomenda a exploração do corpo? As marcas lingüísticas poderiam construir um dos primeiros sinais de anormalidade da senhora que infringiu as regras de uma comunidade em que ela imaginava estar inserida?

Em suas pesquisas, Fischer31 ressalta o papel que a TV, como meio de comunicação social, exerce na produção histórico-cultural de modos de subjetivação, por meio de uma linguagem audiovisual que veicula significados relacionados a modos de ser e habitar na contemporaneidade. Fundamentada na noção de dispositivo da sexualidade de Foucault, a pesquisadora reconhece também a mídia, enquanto aparato discursivo, como um dispositivo pedagógico quando produz saberes que, de certo modo, se voltam para a formação e interpelação de sujeitos pertencentes a diferentes segmentos sociais.

Recorrendo ao estatuto de dispositivo pedagógico, atribuído por Fischer à mídia, podemos dizer que a senhora, em sua confissão, utilizou-se de enunciados cujos efeitos de sentidos parecem desconstruir alguns saberes vinculados a práticas sexuais. Ao revelar um aprendizado, embora tardio - "eu fiquei dos meus 14 aos 45 anos sem saber o que era isso. Só com os 45 anos eu ganhei [...]" -, Nelly constitui a si mesma como sujeito dessa verdade. Essa aprendizagem se dá em uma relação intersubjetiva a partir de sua representação no grupo social, na comunidade a que ela se refere, visto que a confissão, como ritual discursivo, desenvolve-se numa relação de poder a partir de enunciados que podem inocentá-la, resgatá-la, livrá-la de suas faltas, liberá-la, prometendo-lhe a salvação.32 Suas amigas, quando dizem: "Poxa, você gozou", em face da sua confissão, não a julgam de forma negativa, uma vez que a interjeição poxa, cuja carga semântica traduz admiração, surpresa, também no enunciado, parece traduzir aceitação do relato. Em uma atitude ética, em uma relação consigo mesma, Nelly consegue escapar de algo que lhe aprisionava ou era negado e que, a partir de agora, sem nenhuma culpabilização, sai do espaço excluso de sua casa para o exercício do poder/saber diante dos processos de publicização da vida privada oferecida pela mídia que, ante as configurações culturais dos telespectadores, pode in/exluir.

O momento do orgasmo, ou gozo, como aparece no seu enunciado, é fundamental nas referências eróticas apresentadas pela senhora ao circunscrever a semântica do verbo "gozar", voltada para práticas sexuais, ao momento em que se dá a liberação dos líquidos sexuais: "E simplesmente, gente, quando eu acordei, eu estava com a perna suspensa e a calcinha na mão, e toda babada". Contudo, o verbo "gozar", em suas múltiplas realizações de uso, pode traduzir outros prazeres vinculados a outras práticas eróticas que podem se manifestar não necessariamente seguidas de orgasmo, como masturbação e outras fantasias que o próprio interdito sexual provoca.33

Tomando a noção de parrhesia foucaultiana, associada à concepção de mídia como dispositivo pedagógico, ou como recurso tecnológico social,34 iremos perceber que, em excertos da confissão de Nelly - "Moral da história: eu sou uma pessoa com 68 anos que o homem para mim não faz falta" e "Eu mesma dou o meu jeito" -, a reiteração do pronome de primeira pessoa "eu", seguido do pronome "mesma", e ainda o modo verbal empregado (presente do indicativo) em "sou" e "dou" parecem reforçar o que havíamos entendido como atitude de parresiasta, ou seja, fazendo uso de procedimentos da técnica da confissão, ela procura valer-se da franqueza, da liberdade e da abertura que permitem "que se diga o que se tem a dizer, da maneira como se tem vontade de dizer, quando se tem vontade de dizer e segundo a forma que se crê ser necessário dizer".35

 

Para finalizar

Ao tentarmos pensar a constituição discursiva de subjetividades na mídia, nossa intenção foi articular a cultura da confissão e o dispositivo da sexualidade às materialidades discursivas, em Foucault, procurando demonstrar que a mídia produz diferentes subjetividades femininas, pois estas estão atreladas ao status, idade, cor, gênero. Na atitude parresiasta de Nelly, a mídia torna público seu discurso de inclusão, mas, ao mesmo tempo, disfarça, de forma sutil, sua exclusão, pois outra anomalia, agora social, imobilizada por estratégias do poder sinóptico, define fronteiras, não mais instalando a disciplina, mas definindo o que pode ou o que deve ser vigiado.

Os relatos de Eliana e de Lady Francisco, citados anteriormente, ou ainda o de Marcelo, então noivo de Susana Vieira, ao revelar na revista Quem36 que "A Susana é uma gatinha mimosa, uma garotinha. Ela não parece ter 64 anos porque está sarada. A gente transa quase todos os dias", nos levam a pensar que nesse novo poder instituído - sinóptico, em que muitos são os vigilantes e poucos os vigiados - há uma criteriosa seleção, pois as opiniões não podem ser de qualquer um, mas daqueles que são autorizados pelos meios de comunicação.

Na construção da pequena autobiografia de Nelly, portanto, os discursos dela subvertem toda a lógica do que é esperado no comportamento de uma senhora negra, humilde. Ela se volta para si, se decifra, se transforma e se confessa como sujeito do desejo à busca de uma arte de existência, talvez reinventando uma nova figura do anormal, no âmbito da emergência da sexualidade plástica que, para Giddens, tem um papel crucial na descentralização e emancipação da mulher que reinvidica o prazer sexual sem estar fundamentalmente atrelado às necessidades de reprodução.37

Assim, nossa intenção, a partir do lugar que ocupamos e observamos a produção de sentidos no caso de Nelly, não foi a de denunciar algo que estava escondido e camuflado por entre sua história, mas discorrer acerca de aspectos ainda não questionados e relevantes para pensar a constituição de subjetividades femininas na contemporaneidade. Salientamos, ainda, que esta reflexão não está fechada em si mesma, mas exposta a outros sentidos, a outros questionamentos que possam ampliar a forma de pensar diferentes questões aliadas a gênero, sexualidade e geração que, por muito tempo, foram naturalizadas em práticas sociais instituídas.

 

Referências bibliográficas

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[Recebido em setembro de 2007
e aceito para publicação em junho de 2008]

 

 

1 Michel FOUCAULT, 2001, p. 213.
2 O DIA, 2006a.
3 Trechos deste artigo fazem parte do trabalho intitulado "Cultura da confissão e a reinvenção do anormal: discursos e subjetividades na mídia", apresentado no VIII CBLA - Congresso Brasileiro de Lingüística Aplicada, realizado em Brasília, DF, no período de 9 a 11 de julho de 2007.
4 Nomeamos como confessores os editores, a autoria da novela e os/as telespectadores/as.
5 JORNAL DA MÍDIA, 2006.
6 Anthony GIDDENS, 1993, p. 29.
7 FISCHER, 2004.
8 Expressão que significa entendimento compartilhado do tipo "natural" e "tácito". Conforme Zygmunt BAUMAN, 2003, p. 17.
9 BAUMAN, 2003, p. 65.
10 Beatriz SARLO apud FISCHER, 2002, p. 89 (grifos da autora).
11 FOUCAULT, 2003a, p. 64.
12 FOUCAULT, 2003a, p. 63.
13 FOUCAULT, 2003a, p. 41.
14 O DIA, 2006b.
15 Lia BOCK, 2003.
16 GIDDENS, 1993.
17 Joel BIRMAN, 2006.
18 FOUCAULT, 2001, p. 69.
19 FOUCAULT, 2001, p. 76.
20 Alfredo VEIGA-NETO, 2001, p. 105.
21 BAUMAN, 1998 e 2001.
22 PARKER, 1991.
23 A juíza Adriana Costa dos Santos, da 19.ª Vara Cível do Rio, e a Central Globo de Qualidade se pronunciaram a respeito do depoimento da senhora e disseram que tomariam as devidas providências.
24 O panóptico de Geremy Bentham despertou o interesse de Foucault por se tratar de um dispositivo polivalente em relação às suas funções de correção, cuidado, instrução, fiscalização. Ver FOUCAULT, 2003b.
25 Gilles DELEUZE, 1992, p. 224.
26 O sinóptico e o panóptico não se excluem, pois juntos passam a desempenhar um controle mais acentuado na sociedade. Ver MATHIESEN, 1998.
27 O DIA, 2006a.
28 GLBTTT referem-se a grupos de gays, lésbicas, bissexuais, transgêneros, travestis e transexuais.
29 O DIA, 2006a (grifo nosso).
30 FOLHA , 2006.
31 FISCHER, 2000.
32 FOUCAULT, 2003a.
33 PARKER, 1991.
34 Nara WIDHOLZER, 2005, p. 23.
35 FOUCAULT, 2004, p. 450.
36 GLOBO.COM, 2006.
37 GIDDENS, 1993.

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