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Revista Estudos Feministas

Print version ISSN 0104-026X

Rev. Estud. Fem. vol.18 no.3 Florianópolis Sept./Dec. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-026X2010000300009 

ARTIGOS

 

Swing, o adultério consentido

 

Swinging, adultery by consent

 

 

Olivia von der Weid

Universidade Federal do Rio de Janeiro

 

 


RESUMO

O trabalho tem como objetivo discutir questões referentes às relações afetivo-sexuais entre homens e mulheres na sociedade atual a partir da experiência de casais adeptos da prática do swing. Procura-se compreender as concepções nativas sobre casamento, sexualidade, infidelidade e, também, as regras de uma relação swinger. O swing cria um novo modelo de casamento? Ou reforça os modelos já existentes? Por meio da análise do discurso dos casais adeptos da troca sobre suas interações eróticas, busca-se compreender a forma como se articulam amor, sexo e prazer nesses relacionamentos.

Palavras-chave: gênero; sexualidade; corpo; casamento; troca de casais.


ABSTRACT

This research seeks to discuss issues related to the sexual-affective relationships between men and women in our society through the experience of couples who practice swinging. It considers especially the original conceptions of marriage, sexuality, infidelity, and also the rules of a swinger relationship. Does swinging create a new marriage model? Or, instead, does it reinforce pre-existing models? Through an analysis of the discourses of swinging couples about their erotic interactions, the paper examines how they articulate values such as love, sex, and pleasure in their relationships.

Key Words: Gender; Sexuality; Body; Marriage; Swinging.


 

 

Introdução

Este artigo está baseado nas reflexões realizadas na dissertação de mestrado Adultério consentido: gênero, corpo e sexualidade na prática do swing. A pesquisa tem por objetivo refletir sobre as relações afetivo-sexuais entre homens e mulheres, principalmente no que diz respeito ao casamento, à sexualidade e à identidade de gênero, a partir da experiência de casais adeptos da prática do swing, também conhecida como troca de casais.

Neste artigo pretende-se aprofundar a análise sobre a relação de um casal adepto da prática do swing e a forma como se articulam amor, sexo e prazer nesse relacionamento. Procura-se refletir sobre como a oposição entre sexo e amor mostra-se central para a construção e a preservação de seus relacionamentos e como, em seus discursos, aparece uma lógica da intimidade e da cumplicidade em contraste, ao mesmo tempo articulada a uma lógica da satisfação dos desejos sexuais.

Busca-se também analisar os diferentes aspectos que aparecem relacionados no discurso sobre prazer dos adeptos da troca de casais: fantasia, desejo, satisfação e transgressão, intensidade e controle. Finalmente, procura-se entender qual a concepção dos pesquisados sobre infidelidade e de que maneira o swing também pode ser pensado como uma tentativa de "prevenção" ou controle desse problema nos relacionamentos afetivo-sexuais.

Esta reflexão está baseada na análise de 13 entrevistas realizadas com casais adeptos da prática do swing entre os anos de 2003 e 2007, na cidade do Rio de Janeiro.1 Outra fonte de dados para essa análise são anotações resultantes de observação feita em 19 encontros realizados por casais praticantes de swing em duas casas especializadas. A participação nos encontros aconteceu durante o período de setembro de 2003 a maio de 2004, em uma casa de swing na Zona Sul do Rio de Janeiro e em outra no Centro. Material de mídia impressa e virtual (Internet) também são fontes de pesquisa.

Ao realizar um estudo sobre a prática da troca de casais, procura-se compreender as mudanças e as permanências nos ideais de conjugalidade presentes na cultura contemporânea. Busca-se entender as formas "alternativas" de conjugalidade que podem ser verificadas em nossa sociedade, procurando pensar de que maneira a prática do swing contribui para uma discussão mais ampla sobre infidelidade, casamento e sexualidade nos relacionamentos atuais.

 

Sexo, amor e casamento

Ao longo do trabalho de campo foram acompanhados alguns encontros que no início eram chamados de "encontro das mulheres liberais", organizados por um dos casais entrevistados que se tornaram os principais informantes no meio. Era uma conversa sobre temas relacionados ao swing com o propósito de descontrair o clima antes da festa e discutir alguns temas polêmicos ("o swing e a traição", "o swing e o ciúme" e "bissexualismo no swing" são alguns deles). Além de uma troca de experiências pessoais, buscavam iniciar os novatos no meio. O 6º Encontro de casais liberais foi intitulado "o amor e o sexo". Esse é um tema recorrente para os casais que praticam swing, uma vez que alegam que uma das premissas para aderirem à prática é saber separar amor e sexo.

Os casais entrevistados dizem que, ao se relacionarem com outras pessoas em casas de swing, estão praticando somente o ato sexual, enquanto o ato amoroso, o "fazer amor", reserva-se apenas ao/a parceiro/a. O swing, para uma entrevistada, "é o sexo e acabou? Acabou, não fica nada, a gente não leva nada para casa a não ser a experiência e a aventura que a gente viveu" (Carolina). Relacionar-se sexualmente com outras pessoas seria uma resposta a uma demanda exclusivamente fisiológica com o objetivo da satisfação momentânea.

O sexo é o casual, aquela forma bruta, que o teu corpo precisa, necessita, é uma coisa fisiológica, você necessita do sexo, você necessita de outras pessoas para ter prazer e para dar prazer. É completamente diferente você fazendo sexo com uma pessoa que realmente você ama e fazendo um sexo casual, é completamente diferente (Irene).

Zygmunt Bauman,2 ao refletir sobre a liquidez dos relacionamentos modernos, chama atenção para o avanço do isolamento do sexo em relação a outros domínios da vida. Espera-se que o sexo seja autossustentável e autossuficiente para que seja julgado unicamente pela satisfação que possa trazer por si mesmo. O autor argumenta que as atuais agonias do homo sexualis são as mesmas do homo consumens. O que caracterizaria o consumismo não é o acúmulo de bens, mas usá-los e descartá-los em seguida a fim de abrir espaço para novos bens e usos. O que mede o sucesso na vida do homo consumens é a rotatividade, e não o volume de compras. Bauman acredita que a "purificação" do sexo permite que a prática sexual seja adaptada aos avançados padrões de compra/locação da lógica do consumo.

O autor questiona se é possível isolar o encontro sexual dos demais propósitos da vida. Considerando a união sexual de curta duração na vida dos parceiros, argumenta que nenhum episódio estaria a salvo de suas consequências e que a incerteza nunca se dissipa de modo completo e irrevogável. Analisando a prática da troca de casais na França, Bauman3 aponta que, como uma estratégia para enfrentar o espectro da incerteza dos episódios sexuais, o échangisme, termo francês para a troca de casais, teria uma vantagem sobre o sexo casual, já que a preocupação contra consequências indesejáveis é, nesse caso, um dever e um interesse compartilhado por todos os envolvidos no encontro. Dessa forma, para o autor, as convenções do échangisme podem evitar a espera para satisfazer os desejos, encurtar a distância entre o impulso e a satisfação e evitar que um parceiro exija mais benefícios do que o encontro episódico permite. No entanto, Bauman pergunta se seria possível encontrar, em um clube de swing, intimidade, alegria, ternura, afeição e amor, questionando se o sexo em si é tão importante como parece ser para esses casais.

Para os casais entrevistados nesta pesquisa, o swing não surge apenas como uma forma de satisfação de impulsos momentâneos, uma maneira menos arriscada de se consumir o prazer e descartá-lo. Em seus discursos, dizem obter com o swing resultados em seus próprios casamentos que associam à esfera do amor e da intimidade. Ver o outro se relacionando e ser visto, participar dessa interação como observador ou ativamente, traria consequências para a relação a dois no sentido de aumentar a liberdade e a intimidade e melhorar a própria relação sexual do casal. Em uma entrevista, um casal afirma:

Ivan: a gente passou a se observar mais e ter mais possibilidades.

Irene: e a se proporcionar mais prazer. O respeito aumentou, a admiração, a gente passa a perceber mais quem está do nosso lado. Você passa a prestar mais atenção em você mesma e nele também, principalmente nele. Aí com certeza fica muito mais gostoso, muito mais prazeroso, porque você vai buscar fazer o melhor de você e dar o melhor que você tem para o seu parceiro, então isso acrescenta demais.

Respeito, admiração, cuidado com o outro, conhecimento do próprio prazer e uma melhor relação sexual do casal são ganhos que aparecem no discurso dos entrevistados como uma das consequências da prática do swing. No depoimento de outro casal, casados há 24 anos e praticantes de swing há três, surge essa ideia de aprimoramento do casamento:

Carolina: mudou tudo para muito melhor. Mudou que o sexo ficou melhor [...].

Cláudio: a gente passou a se conhecer melhor. Os nossos limites, as coisas que nós temos dentro da gente de vontades, restrições [...].

Carolina: fantasias sexuais, a gente conseguiu realizar melhor as nossas fantasias porque a gente começa a fantasiar e tem a liberdade de falar, tem a liberdade de poder concretizar, que é o que é melhor. Fantasiar e falar é um passo, agora você concretizar é um bem maior né?

Cláudio: e concretizar sendo para os dois é a grande dificuldade e quando você consegue, isso é que é legal.

O casal swinger parece compartilhar dos valores descritos por Maria Luiza Heilborn4 para a conjugalidade igualitária - simetria nas atribuições e ênfase no cuidado da relação e seus humores -, que identifica como uma aproximação do masculino da experiência feminina. Os aspectos da confissão e da cumplicidade como prova da relação de confiança no outro, apontados por Heilborn5 como aspectos que reforçam a ideia de feminização da relação, parecem essenciais entre os casais adeptos do swing. Nas palavras de um entrevistado: "o swing é muito bom pro casal que está bem, que tem uma relação estável, sexualmente muito boa, ativa, satisfatória para os dois, o swing é fantástico, é um elemento de união maior para aumentar a cumplicidade do casal" (André).

A confissão e a cumplicidade estão presentes nos desejos e nas fantasias sexuais do outro e ainda nas próprias relações sexuais que ocorrem em uma casa de swing, durante a realização da troca de casais ou até mesmo no relato de uma "cantada" que receberam na rua.

Hoje eu posso olhar uma mulher na rua e dizer "nossa, que mulher gostosa, fiquei a fim de comer ela", entendeu? E ela a mesma coisa. A intimidade, essa liberdade que a gente tem hoje de expressar nosso tesão. Eu tenho a certeza absoluta que eu não sou o único homem do mundo que ela vai sentir tesão para sempre, e ela a mesma coisa. Então a gente usa a nossa relação para elaborar isso, botar no outro plano e não ter que ficar escondido, não ter a hipocrisia. No swing não pode ter hipocrisia (André).

Na busca por diversificar suas relações sexuais para além do casal, os praticantes de swing parecem se aproximar da ordenação do mundo público gay apontada por Heilborn,6 que se funda em relações múltiplas e muitas vezes anônimas.

Se a conjugalidade igualitária celebra uma feminização da relação, a prática do swing parece também celebrar uma masculinização da relação, especialmente no que diz respeito à diversificação das relações sexuais. Pensando em termos de erotização da relação, os casais swingers estariam mais próximos dos casais gays, mas sem deixar de lado a valorização da duração do casamento. É como se valorizassem a estabilidade da relação conjugal ao mesmo tempo que enaltecem a "caça sexual". É ilustrativo lembrar um depoimento de Ana: "transei com mais homens casada do que quando era solteira".

Os casais swingers articulam, portanto, dois eixos ao mesmo tempo: o de feminização do relacionamento, através do cuidado com a relação, e o de masculinização, que se expressa na busca pela diversificação de parceiros sexuais. Seus casamentos apresentariam características que Heilborn7 identifica tanto no casal lésbico quanto no casal heterossexual ou no casal gay.

Nos depoimentos dos pesquisados pode-se observar a importância da intimidade para o estabelecimento e o fortalecimento do vínculo entre o casal. Por outro lado, a realização do prazer sexual recíproco também transforma-se em um elemento-chave na manutenção ou na dissolução do relacionamento.8

No encontro 'amor e sexo' foi ressaltado que a 'graça' da prática do swing é que ela seja realizada com a sua esposa ou com o seu marido, com a pessoa que se ama ao lado, e não com outra pessoa qualquer. Segundo eles, "fazer swing com outra pessoa não tem a menor graça". As razões dessa afirmação apontam justamente para a questão da intimidade e ainda da descoberta ou da intensificação do prazer sexual com o parceiro. Um entrevistado relata as mudanças que o swing trouxe para o seu casamento: "o fator positivo foi esse, foi para mim a cumplicidade e o aumento do tesão. As melhores trepadas que a gente tem é quando chega de uma casa de swing. As melhores transas é quando a gente chega daqui [...]" (André).

A exclusividade sexual não é a maneira pela qual os casais swingers protegem o compromisso com o outro. Essa exclusividade, entretanto, não deixa de aparecer, ainda que sob nova roupagem. É justamente na separação entre sexo e amor que se encontra a exclusividade nas relações swingers.

Para os casais swingers, é importante que o/a parceiro/a participe e seja cúmplice também da escolha da outra pessoa com quem irão se relacionar sexualmente. Para além da escolha, é importante que participe da própria relação sexual, seja por estar presente fisicamente, seja através do relato detalhado do desenrolar do encontro sexual. Compartilhar com o/a parceiro/a essa experiência é o foco principal, o que incrementaria sua relação amorosa.

Os entrevistados afirmam que o swing aumenta a cumplicidade, a intimidade e o tesão entre o casal. Segundo uma entrevistada, "o nosso sexo com amor é o nosso sexo que a gente faz na nossa casa e que é infinitamente melhor, sempre" (Ana).

De acordo com o casal,

André: a gente hoje separa o sexo do amor com a maior facilidade. Eu estou muito à vontade para sentir tesão por pessoas que eu não amo. E o tesão e o amor tá muito ligado na mídia, as pessoas dizem "ah sexo só com amor", porra nenhuma, isso é hipocrisia, não tem isso.

Ana: se o sexo fosse só com amor não tinha tanto motel, não tinha tanta gente transando [...].

Através da oposição entre sexo e amor, os casais acreditam se manter exclusivos amorosamente, ainda que sexualmente 'polígamos'. Dessa forma, resolveriam as exigências da sexualidade episódica, mantendo o vínculo do relacionamento.9 A separação entre sexo e amor permitiria sustentar a estabilidade e a permanência de uma relação conjugal, através do ideal de uma exclusividade amorosa, e, ao mesmo tempo, trazer para dentro do relacionamento a diversificação das relações sexuais.

O "fazer amor" é associado ao cuidado, ao carinho, ao sentimento, à cumplicidade, enquanto o "fazer sexo" com outra pessoa em uma casa de swing responderia aos impulsos do corpo e do desejo. Um entrevistado diz a respeito da separação entre amor e sexo:

E qual é essa diferença, que é tão complicada? Quando existe carinho, respeito, zelo, atenção, existe cumplicidade. Aí você pode dizer que vai rolar amor, que é o ato sexual com esses complementos todos. Quando não existe esses complementos, só existe o ato sexual, é só sexo. O que estou fazendo é uma questão fisiológica, eu vou satisfazer o meu corpo. Mas com o meu companheiro, com a minha parceira, a gente está satisfazendo não só o corpo, a gente está satisfazendo os nossos sentimentos, as nossas vontades, a gente está se realizando, porque a gente está fazendo aquilo com a pessoa que a gente gosta (Ivan).

Pode ser interessante pensar essa diferenciação entre sexo e amor para os praticantes de swing a partir do que Luiz Fernando Dias Duarte10 afirma a respeito dos valores românticos e de sua permanência, sob a forma de um neorromantismo, em nossa cultura. O autor aponta como uma das dimensões do romantismo o valor da totalidade, que adquire uma conotação de unidade. Relacionada a essa dimensão está a categoria "singularidade", que remete à ideia de que todo ente pode ser considerado uma individualidade, um entre muitos outros, ao mesmo tempo que é uma singularidade, uma unidade de totalidade em si. Trazendo essas ideias para pensar sobre a separação entre sexo e amor no swing, pode-se sugerir que é através de um ideal de amor que se singulariza o/a parceiro/a na prática da troca de casais. Fazer sexo igualaria a todos, cada indivíduo em uma casa de swing é um entre muitos outros possíveis parceiros sexuais, mas o amor singulariza, pois é capaz de transformar um indivíduo em especial em uma unidade de totalidade em si.

"Fazer amor" é considerado pelos entrevistados como superior e especial, enquanto "fazer sexo", ainda que desejável, responde a necessidades "fisiológicas". A justificativa para se "fazer sexo" com outras pessoas é a de que ele serve para aumentar a intimidade e melhorar a relação afetiva e sexual no casamento, ou seja, incrementaria o "fazer amor".

As razões apresentadas para a adesão à prática, as mudanças identificadas pelos casais em seus relacionamentos e as vantagens do swing para o casamento invariavelmente remetem a uma lógica do amor, do aumento da cumplicidade e da intimidade, enquanto a experimentação sexual e a vivência do desejo estariam em um segundo plano, submetidas a esse sentimento mais 'nobre'.

 

Fantasia, desejo e satisfação

"O swing é um mundo onde você pode tudo, mas não é obrigado a nada"

(Depoimento de um entrevistado)

Através das leituras de reportagens e de sites e das informações obtidas no trabalho de campo, percebe-se que outros comportamentos sexuais, além da troca de casais propriamente dita, são encontrados no meio swinger. Existem diferentes tipos de casais que frequentam esse meio, com interesses variados. Alguns são adeptos do 'voyeurismo', outros do exibicionismo. O ménage feminino (duas mulheres e um homem) e o ménage masculino (dois homens e uma mulher) também são comportamentos comuns.

Tem vários tipos de casais, tem casais que gostam só de ver, tem casais que não aceitam a troca, tem casais que só aceitam fazer no mesmo cômodo com outro casal, mas que não gostam nem que encoste, tem casais que só gostam que encoste, mas nada mais do que isso [...] (Ana).

Richard Parker11 chama atenção para a fantasia, construída com pensamentos e imagens, como expressão ideal da lógica cultural que organiza o erótico. Segundo o autor, como todo imaginário erótico, o enfoque da fantasia será a satisfação dos desejos. Sobre essa questão, é interessante o que um entrevistado disse a respeito do swing:

Na verdade é uma fantasia nossa, nós não estamos atrás de outros relacionamentos, nós estamos atrás de fantasia. Então na verdade o que a gente vem buscar aqui são personagens dessa fantasia, pode ser qualquer personagem. Dentro desses personagens você idealiza algumas coisas, já que é uma fantasia e você está liberado para fantasiar, para sonhar, então você também tem todo o direito de selecionar, não quero esse personagem com esse biotipo, eu quero um outro, com outro tipo, então é por aí (Felipe).

Nem todos os casais têm o mesmo perfil quando se trata de realizar fantasias sexuais. Em sua entrevista, André indica que existem casais que se satisfazem com o swing ou com alguma fantasia específica, mas que, para outros, a fantasia já realizada deixa de ser estimulante após algum tempo e busca-se, então, a realização de novas fantasias, em um jogo no qual vai se ampliando o limite da transgressão. De acordo com Colin Campbell,12 determinado estímulo, se não se transforma, rapidamente deixa de ser estimulante e, como consequência, perde a sua possibilidade de gerar prazer. Nesse sentido, a capacidade de se experimentar prazer repetidamente com sensações derivadas de certa atividade será ameaçada caso haja uma exposição excessivamente frequente a ela ou excessivamente longa. É interessante pensar essa ideia do autor a partir das palavras de André:

Existem dois grupos de swingueiros. Tem os swingueiros convictos e que não têm expectativa de nada fora do swing. Vão ser sempre swingueiros. Eu conheço casais que fazem swing há 20 anos e são felizes da vida. Agora, da grande maioria que eu conheci, o swing, ele é assim, é um estágio da vida do casal. Ele começa como um alimento, como um ingrediente, como um aditivo, passa a ser parte da rotina e depois desaparece, porque cai na mesmice, é aquele mais do mesmo (André).

A reflexão de Campbell13 sobre o hedonismo moderno mostra-se essencial para se compreender essa busca por prazer entre os praticantes de swing, a elaboração constante de novas fantasias e a sensação inevitável de insatisfação que aparece em seus discursos. Segundo Campbell, um dos aspectos fundamentais que caracterizam o hedonismo moderno seria a fantasia ou devaneio. Para o autor, o próprio desejo se torna uma atividade prazerosa. Querer, em vez de ter, se torna o foco principal de quem procura o prazer. O dilema aparece na constatação de que os prazeres atuais provindos de uma experiência real não são comparáveis àqueles que se encontram na imaginação. Não necessariamente por uma questão do impacto da realização, mas sim pela perfeição que a fantasia adquire na imaginação, mas que dificilmente pode adquirir quando consumada na realidade. A consumação do desejo, nesse sentido, será necessariamente uma experiência de desilusão, a fantasia perfeita em contraste com a realidade, o que tem como resultado o reconhecimento de que algo se perdeu.

A busca pelo swing é justificada pelos entrevistados como uma procura por aumentar o prazer e por satisfazer as fantasias sexuais do casal. Após três anos do início da pesquisa, um dos casais foi entrevistado novamente depois de sua separação. Na entrevista percebe-se a concretização, no que diz respeito à sexualidade, do ciclo de desejo-aquisição-uso-desilusão-renovação-desejo, descrito por Campbell.14 André descreveu da seguinte forma o seu cansaço em relação às festas de swing:

Com relação às festas, por exemplo, chegou uma hora que aquele ambiente cansou para nós. Esgotou. A gente não estava tendo mais nenhum prazer em participar daquelas festas naquele molde. Era sempre mais do mesmo. Eu sempre gostei de coisa nova, de novidade, e ela também, então a gente começou a ir, virou monotemático demais. A gente ia sempre e via as mesmas pessoas, falava as mesmas coisas, era novidade para os outros, mas para a gente não era mais. Pra mim, eu que montei a festa, montei a estrutura, que criei aquela coisa toda, começou a ficar chato, porque eu estava me repetindo (André).

Um dos resultados desse ciclo descrito por Campbell15 parece ser o de que o prazer acaba exigindo doses cada vez maiores. Neste ponto cabe lembrar Georg Simmel,16 que, ao descrever o comportamento dos habitantes das grandes cidades, destaca a indiferença como uma consequência da atitude blasé, uma defesa contra os excessos de estímulos e a velocidade dos acontecimentos na metrópole. No discurso do entrevistado, pode-se perceber esse relativo anestesiamento e a sensação de ansiedade e insatisfação permanentes.

Fizemos uma viagem para Camboriú e fomos a dois clubes de swing lá. Exatamente a mesma coisa que a gente estava vendo aqui, de você não conseguir se excitar com o ambiente mais. Falta novidade. Eu acho que o swing, para a grande maioria das pessoas, ele é uma grande novidade durante um tempo. Eu me lembro da primeira vez que eu fui a um clube, eu olhava aquelas coisas e me excitava só em ver. Eu sentava do lado do casal que estava se tocando e ficava de pau duro. E depois com o tempo ficou banal demais. Essa coisa pra nós ficou muito costume. Então, por exemplo, eu estava numa festa com um monte de gente pelada, a maioria das pessoas transando e eu não tinha o menor tesão, não conseguia me excitar. E ela também não. Então a gente falou "pô, não dá pra fazer por fazer". A gente montava a festa, organizava, todo mundo transava e a gente não (André).

Campbell17 indica que, após a sensação de frustração advinda da concretização da fantasia, o devaneio será levado adiante e será associado a um novo objeto de desejo de forma que os prazeres ilusórios possam ser, mais uma vez, reexperimentados. A alternativa adotada pelo casal entrevistado foi justamente a de recorrer à imaginação para criar novas fantasias.

Mesmo não me excitando ir nas festas, eu continuei liberal e querendo, aí nós começamos a procurar outras formas pra nos excitar. Então a gente começou a fazer uma coisa canalha, mas que era o que dava tesão [...] liga pro cara e propõe sair com ele dizendo que eu não sabia, pra ver se ele topa. E o cara topou. E ela começou a sair com ele, ele achando que eu não sabia, mas eu sabia. Quer dizer o pato na história era ele. Ele achava que estava saindo com ela e me traindo e não, a gente combinava, ela botava o celular pra eu ouvir, aquela história toda, e isso começou a dar tesão (André).

Para Campbell,18 as combinações possíveis da fantasia são ilimitadas, mas a chave para a sua elaboração se encontra na lógica da transgressão. Duarte19 também enfatiza o aspecto da transgressão na obtenção do prazer nas sociedades contemporâneas. No swing, a fantasia é construída não só com pensamentos e imagens, mas envolve a dimensão da vivência. Sair da esfera do imaginário e entrar no mundo da experiência parece resultar, para os pesquisados, em uma constante elaboração de novas fantasias e, consequentemente, novas transgressões.

 

Intensidade, transgressão e controle

Um aspecto possível de ser observado na prática do swing e que diz respeito à concepção sobre o prazer é a importância da intensidade da experiência. Essa intensidade está diretamente relacionada aos corpos no sentido de experimentação, de ir até ou além do limite. Nem todos os casais apresentam esse tipo de comportamento, mas ele está presente na prática do gang-bang, por exemplo, quando uma mulher tem relações em série com vários homens, um depois do outro. Uma analogia com o uso das drogas e seus efeitos pode ser interessante para compreender essa dimensão do prazer.

Eduardo Vargas,20 em seu estudo sobre o consumo de drogas legais e ilegais, revela um processo de "analgesia coletiva" na sociedade contemporânea. O autor enfatiza que o ideal médico do "bem-estar", ao lado da luta contra a morte e pela cura das doenças, demanda uma luta pela eliminação da dor e do sofrimento. No processo de medicalização da dor, o próprio corpo deve se calar e, paralelamente a uma incitação ao consumo medicamentoso de drogas legais, os limiares de suportabilidade do sofrimento são reduzidos drasticamente, tendendo-se à supressão da própria experiência da dor. Nesse processo de "analgesia coletiva", a saúde é reduzida à inconsciência do próprio corpo, uma espécie de anestesiamento.

Vargas aponta que em "sociedades analgésicas" há um aumento da demanda por estímulos cada vez mais poderosos para as pessoas terem a impressão de que estão vivas. O autor argumenta que a experiência do consumo não medicamentoso de drogas coloca em jogo modos intensivos de produção dos corpos, em que o vigor do instante da vida se impõe sobre a duração da vida em extensão. Pode-se pensar que algumas práticas observáveis no meio swing têm por característica esse uso intensivo dos corpos, não pelo consumo de drogas, mas através de certa 'experimentação sexual'. O relato de uma entrevistada expressa o aspecto da intensidade do uso dos corpos que se procura destacar aqui:

Já aconteceu de eu chegar num clube e dar para 8 homens. Porque naquela noite eu estava com muita vontade de fazer sexo, mas eu não queria fazer sexo com o meu marido, eu tava a fim de fazer sexo com outros homens, eu queria conhecer vários homens. Realmente eu dei para 8 homens e depois eu fiquei assim "meu Deus, como eu consegui", mas eu precisava me experimentar, eu precisava saber o meu limite, ver até aonde eu poderia ir (Irene).

É interessante compreender o depoimento da entrevistada a partir do que nos coloca Georg Bataille21 sobre o erotismo. O autor argumenta que o erotismo implica uma dissolução das formas constituídas, das formas da vida social regular. Mas a regularidade não está condenada a desaparecer, é apenas posta em questão, perturbada ou transformada. Pode-se pensar que o comentário da entrevistada a respeito da experiência de se relacionar sexualmente com oito homens em uma mesma noite, "Meu Deus, como eu consegui", manifesta os dois movimentos contraditórios a que estão submetidos os indivíduos: a proibição e a transgressão. Bataille nos revela que a proibição rejeita, mas o fascínio introduz a transgressão.

A comparação com o uso de drogas aparece na entrevista de um dos casais em torno da ideia de vício. A frequência a uma casa de swing, de acordo com eles, pode se tornar um vício. Tornar-se 'viciado', no depoimento do casal, aparece muito mais como uma característica masculina do que feminina. À mulher caberia o papel de manter o equilíbrio do casal, apontando os momentos em que se tornaria necessário um afastamento do meio (ou do vício).22

Henrique: a gente às vezes até tem que viajar um pouco, para sair desse vício, porque isso é uma cocaína.

Pergunta: você acha que se torna um vício?

Henrique: ah torna. Se ela não fosse o meu grande freio, eu era muito mais viciado nisso.

Pergunta: mas vicia em que sentido?

Henrique: porque de repente aquilo deixa de ser o tempero e você quer aquilo como o teu prato diário, e aquilo tem que ser o tempero.

Heloísa: tem que ser que nem uma pimentinha, que se botar demais vai estragar.

Henrique: aí ela é o meu ponto de equilíbrio disso, ela diz não, está demais. Muda, isso muda o nosso relacionamento. Mas o legal é quando a gente viaja, até mesmo passar o final de semana no Recreio, a gente não entra em contato com o meio, a coisa volta a fluir mais normalmente. Sem dúvida nenhuma isso muda, você cria uma certa dependência da coisa, eu sinto isso. É errado? É errado, mas é uma cocaína. Porque a cocaína ela te dá uma dependência química, e isso é quase que uma dependência química, é a tua química mesmo né, porque a gente é tudo química, tudo é hormônio, glândulas.23

Esse depoimento também chama a atenção para uma dimensão que aparece relacionada ao prazer para esses casais: a do swing como uma experiência intensa para os sentidos. Em uma casa de swing, especialmente em certos aposentos como o quarto coletivo ou o labirinto,24 diversos estímulos ocorrem concomitantemente, podendo afetar os cinco sentidos: olfato, tato, visão, audição e paladar.

Na prática do swing o olhar é a experiência que mais se destaca e a figura do voyeur é muito comum. De acordo com uma pesquisada, a maioria dos casais que vai a casas de swing não chega a realizar a troca, vai somente para olhar.

No swing o prazer voyeur aparece explicitamente no comportamento dos casais que frequentam uma casa apenas para olhar, mas também inclui o prazer de ser visto. O exibicionismo e o voyeurismo são práticas que se complementam e influenciam o comportamento dos casais. De acordo com uma entrevistada,

Você vê que as mulheres quando transam fazem muita mise-en-scène, sabe? Se eu vou dar um gemido, o meu gemido é mais alto, se eu vou transar, eu vou ter uma performance, eu vou caprichar mais. Eu mesma já fiz isso várias vezes, não vou dizer pra você que não fiz. Claro, porque você está ali em um ambiente que está todo mundo te vendo, que você está se expondo, que você está se exibindo, que você está se mostrando pra um outro homem que não é o seu marido do dia a dia que te conhece, você quer o quê? Você quer mostrar que você é gostosa, que você é poderosa [...] eu acho que isso é do humano, principalmente quando você está em evidência (Ana).

Outro ponto diretamente ligado à questão da intensidade do prazer advindo da prática do swing é a tentativa de controlar esse prazer e moldá-lo a padrões considerados adequados, não apenas socialmente, mas, especialmente, para os próprios casais. É interessante pensar esse aspecto do controle a partir do que Norbert Elias e Eric Dunning25 afirmam sobre a busca da excitação em sociedades contemporâneas. Segundo os autores, nas sociedades industriais mais avançadas tanto as situações sociais de crise da humanidade quanto as paixões foram sendo submetidas a um controle rigoroso. Explosões incontroladas de forte excitação tornaram-se menos frequentes e, mesmo nas situações de grandes crises da vida privada dos indivíduos, os fortes sentimentos que daí emergem são escondidos na intimidade do círculo mais íntimo. Nas sociedades contemporâneas a excitação e a emoção "compensadora" são limitadas por restrições "civilizadoras".

Para os autores, é nas atividades miméticas de lazer que os indivíduos podem compensar a restrição das emotividades na vida ordinária e viver a excitação de forma controlada. Elas se constituirão em um enclave para desencadear, dentro de um quadro social aprovado, um comportamento moderadamente excitado em público. Através dessas atividades, nossa sociedade satisfaz a necessidade de experimentar em público a explosão de fortes emoções, um tipo de excitação que não coloca em risco a relativa ordem da vida social.

De acordo com Elias e Dunning,26 grande parte das atividades de lazer desperta emoções que estão relacionadas com outras que as pessoas experimentam em esferas diversas - medo, compaixão, ciúme ou ódio, por exemplo -, mas de uma maneira que não é seriamente perigosa, como muitas vezes é na vida real. Na esfera mimética, segundo os autores, essas sensações perdem o seu "ferrão", tornam-se prazerosas. Um argumento que surge entre os casais que entrevistei é o de que, quando sentem ciúme, tentam transformá-lo em 'tesão'. Esse seria um complemento que tornaria a situação ainda mais excitante, principalmente para os homens. Para um entrevistado,

Eu sentia um ciúme que eu transformava em tesão. Era assim, combustível pro tesão esse ciúme, de saber que ela estava com o cara e imaginar o que eles estavam fazendo, falando, fora do meu controle e eu transformava isso em tesão. Isso era uma coisa que eu gostava muito, que me mantinha assim, excitado (André).

Elias e Dunning27 apontam que, nas atividades miméticas, as emoções - ou os sentimentos desencadeados por elas - estão relacionadas às emoções que se experimentam em situações de vida real, transpostas e combinadas por uma espécie de prazer. Na prática do swing, a emoção que se busca reviver novamente, em analogia ao que acontece na vida real, parece ser a da sedução. Um dos grandes prazeres mencionados pelos entrevistados é o jogo de conquista entre um homem e uma mulher. Em um depoimento, um entrevistado sugere que a diferença para os homens na prática do swing é

a novidade, o desconhecido. A oportunidade de causar boa impressão com uma conversa inicial envolvente, com uma abordagem física marcante e com a possibilidade de satisfazer uma mulher que não seja a sua companheira de vida de há tanto tempo. Para as esposas a diferença é a de viver novamente a gostosa sensação de ser conquistada, seduzida e a de ter perto de si um homem determinado a agradar, em satisfazer os desejos e anseios dela para só depois pensar nos dele (Lucas).

Um dos argumentos de Elias e Dunning28 é o de que, na sociedade ocidental, a grande excitação inerente ao encontro dos sexos foi limitada a uma forma muito específica, em que a paixão brutal e a excitação constituiriam um grande perigo. A maior excitação possível socialmente reconhecida - simbolizada pelo conceito de amor - ao ser ajustada à ordem social é restrita, em princípio, a uma única experiência na vida de cada pessoa. Elias e Dunning chamam a atenção para o papel que cumpre a representação do amor em boa parte dos produtos da esfera mimética em nossa sociedade (filmes, livros, comerciais de TV) com o intuito de proporcionar a renovação da excitação específica associada à ligação de um homem e de uma mulher.

Acredito que o swing pode ser interpretado como uma maneira de reafirmar esse grande 'laço' entre o casal. Os autores argumentam que uma característica comum dos tipos miméticos é a produção de tensões de um tipo específico, o desenvolvimento de uma "tensão-excitação" agradável, uma peça fundamental da satisfação. Na prática da troca de casais, a grande "tensão-excitação" que está sendo posta em jogo é o risco de ser efetivamente trocado. Esse risco, no entanto, é supostamente controlado por uma série de restrições que envolvem a prática e, principalmente, pelo acordo do casal em participar do jogo. É como se experimentassem ali a possibilidade de manterem relações sexuais com outras pessoas, mas de maneira controlada, limitando o risco da separação e também evitando a infidelidade tão temida. A tensão oriunda dessa situação gera prazer, e o ápice da satisfação acontece na reafirmação do vínculo amoroso entre o casal.

Bataille29 já demonstrou o quanto a transgressão de algo "proibido" está tão sujeita a regras quanto a própria proibição. As barreiras são levantadas para se certificar de que a licença não adquira um impulso ilimitado que se torne incontrolável. Segundo o autor, a preocupação da regra é, muitas vezes, sobretudo intensa na transgressão. Bataille ainda reforça que as festas ou orgias, para além do casamento, asseguram a possibilidade de infração, garantindo, ao mesmo tempo, a possibilidade da vida normal, consagrada à atividade ordenada. Dessa maneira, podemos pensar que a prática do swing permite que se experimente uma agradável excitação - o prazer sexual com outras pessoas - que pode ser desfrutada sem ter como consequência as suas perigosas implicações sociais e individuais: o fim do casamento monogâmico ou a separação do casal.

 

Swing = adultério consentido?

Em "A vontade de saber", Michel Foucault30 busca revelar o regime de poder-saber-prazer que sustenta o discurso sobre a sexualidade. Ao contrário do que coloca a "hipótese repressiva" sobre a existência de uma interdição e censura no que diz respeito ao sexo, o autor argumenta que a partir do século XVIII assistimos a uma verdadeira explosão discursiva em torno e a propósito do sexo.

Foucault31 destaca a centralidade que a confissão, como uma técnica de produção de verdade, alcançou no Ocidente. Difundida amplamente na justiça, na medicina, na pedagogia, nas relações familiares, nas relações amorosas, na esfera mais cotidiana e nos ritos mais solenes, a obrigação da confissão se tornou tão profundamente incorporada que não é mais percebida como efeito de um poder que coage os indivíduos. Focault enfatiza que não se trata apenas de dizer o que foi feito - o ato sexual - e como, mas sim de reconstituir nele e ao seu redor os pensamentos e as obsessões que o acompanham, as imagens, os desejos, as modulações e a qualidade do prazer que o contém. Para o autor, na sociedade ocidental, é na confissão que se ligam a verdade e o sexo pela expressão obrigatória e exaustiva de um segredo individual.

Através dessa incitação permanente ao discurso, construiu-se em torno do sexo um grande aparelho para produzir a verdade. O sexo estaria oculto, transforma-se em um segredo a ser revelado. A sexualidade precisa ser conhecida, desvendada, dominada.32 Através da confissão, encontra-se uma fala a respeito dos sentimentos, das fantasias, dos sonhos.

A partir do que Foucault33 afirma sobre a construção da sexualidade como verdade do sujeito e a centralidade da confissão nesse processo, é possível pensar a ideia de infidelidade para os praticantes de swing. Relacionar-se sexualmente com outra pessoa além de seu próprio parceiro não constituiria uma traição para os casais entrevistados. É importante, no entanto, enfatizar que existem regras e limitações sobre esse comportamento sexual. A principal delas é que a relação com outra pessoa só pode acontecer com o consentimento do parceiro. Nas palavras de um entrevistado: "no nosso casamento pode haver o adultério, mas o adultério consentido, que é o swing. O swing é o adultério consentido" (André). O que pode ou não ser feito varia de casal para casal e, segundo André, "se for negociado, não tem regra", mas "tem que falar na hora, antes de acontecer". Outro entrevistado disse: "acontece de sair sozinho? Acontece. Mas nesse caso de sair sozinho há o consentimento da outra parte de saber que a pessoa está saindo sozinha" (Ivan).

Ser infiel, para eles, é quebrar o acordo existente, é fazer algo fora do previsto, mentir ou esconder do parceiro. A infidelidade, portanto, seria a "traição da confiança, do combinado". Para uma entrevistada, "a partir do momento que você esteja fazendo uma coisa que o outro não está de acordo, é traição" (Gabriela). Outra entrevistada disse que ser infiel é "se relacionar com outra pessoa sem o seu parceiro saber" (Emília). Para eles, a traição "não precisa ser relação sexual", fazer sexo com outra pessoa não é sinônimo de infidelidade. Porém, quando essa relação envolve algo além do sexo casual, quando é "sexo com sentimento", aí sim se estabeleceria um caso de traição. Segundo uma entrevistada, "Para a gente a traição é do que foi combinado entre nós dois. Se a gente combinou que não e o outro fez, então você traiu a confiança que eu tinha em você e o combinado entre a gente, não é a traição física" (Ana).

Observa-se, novamente, no discurso dos pesquisados a separação entre sexo e amor. Para uma entrevistada,

Eu estou assistindo o meu marido com outra mulher, mas ele não está me traindo, porque eu estou assistindo e eu estou consentindo. Ele ali está fazendo sexo com ela, não está fazendo amor. Comigo ele faz amor, com ela ele faz sexo e, no caso, aí ele não vai estar me traindo. Porque é completamente diferente você fazer sexo com uma pessoa que realmente você ama e fazer um sexo casual, completamente diferente (Irene).

O acordo em torno do qual se define a relação com outras pessoas não é o mesmo para todos os casais. Para um casal, não há problema se um dos dois sair com outra pessoa sem a presença do parceiro. Essa saída é combinada previamente e vivida como parte da fantasia dos dois. Já para outro casal, não é permitido fazer nada sem a presença do parceiro. Cada casal estabelece seus princípios e demarca suas fronteiras. Mirian Goldenberg34 sugere que liberdade e reciprocidade são as categorias que representam melhor as intensas transformações que originaram os atuais arranjos afetivo-sexuais. Para a autora, homens e mulheres, em vez de reproduzirem modelos sociais, procuram nos dias de hoje "inventar" suas formas de parcerias amorosas.

Um dos pontos que parecem essenciais para se entender o que é e o que não é traição para os pesquisados é compreender que a relação com outras pessoas em uma casa de swing é considerada estritamente sexual, movida pelo desejo, mas sem envolvimento afetivo. A traição é justamente quando esse lado afetivo se apresenta: "infidelidade é quando rola sentimento" (Carolina) e no swing "não pode existir amor" (Cláudio).

Torna-se difícil, entretanto, delimitar o que é considerado amor ou sentimento e o que significa apenas satisfação de desejo nas relações com outras pessoas. Quais os gestos e as atitudes que indicariam um envolvimento afetivo? Esse limite parece variar de acordo com o casal e também se modifica ao longo do tempo. Cada um combina com seu parceiro o que aceita ou não que o outro faça. As regras do jogo mudam de jogador para jogador. Um entrevistado diz que inicialmente não se permitiam beijar na boca de outras pessoas.

São regras que a gente vai aprendendo. Quando a gente começou era proibido beijo. Aí um dia depois ela virou para mim e falou "faltou alguma coisa", eu disse "o que você acha que faltou?", "ah, sem beijo não dá não, horrível". Entendeu? Então você vai evoluindo (Henrique).

O mesmo entrevistado disse: "existem regras, com certeza existem regras. Ela não gosta de eu ficar de cochicho no ouvido de outra mulher" (Henrique).

Procurar outra pessoa para se relacionar sexualmente, desde que seja com o consentimento do parceiro, não se constituiria uma traição para os entrevistados. O importante é que tudo seja negociado. Revelar tudo ao outro - o que aconteceu durante uma 'transa' numa casa, as fantasias sexuais, a 'cantada' que se levou na rua - mostra-se essencial para o casal praticante de swing, uma forma de tornar a união ainda mais sólida. A ideia de "fidelidade confessional", desenvolvida por Tânia Salem35 em seu estudo sobre o "casal igualitário", pode ajudar a compreender esse tipo de comportamento dos pesquisados. Segundo a autora, a confissão atuaria como um mecanismo compensatório, como uma forma de inclusão do cônjuge numa experiência da qual, a princípio, havia sido excluído.

Em "A vontade de saber", Foucault36 mostra de que maneira essa incitação ao discurso sobre o sexo, aparentemente um movimento de liberalização, é, ao contrário, uma forma de controle dos comportamentos, parte de um dispositivo de poder. Essa revelação dos desejos por parte dos casais swingers e sua busca incessante de realização das fantasias são vistas como parte de uma atitude liberal, mas também podem ser percebidas como uma maneira de controlar a sexualidade do outro, procurando controlar inclusive a possibilidade de ser traído.

Goldenberg37 indica que a fidelidade é valorizada pelos casais por ela pesquisados não com base em prescrições morais, mas sim por uma disposição consciente de pessoas que se amam, exigem direitos iguais no campo da sexualidade e têm medo de acabar com um relacionamento amoroso em função de uma aventura. Já os casais praticantes de swing consideram que a possibilidade de viverem aventuras sexuais de forma negociada dentro do próprio casamento tornaria uma eventual traição de um dos parceiros ainda mais grave. Entre os entrevistados, a fidelidade, mais do que valorizada, parece ser uma condição essencial para a preservação do casamento.

Mesmo que represente uma forma alternativa de se vivenciar uma relação afetivo-sexual, aparentemente mais livre, a prática do swing também envolve controle e regras rígidas. Ao contrário do que ocorre no "casamento extraconjugal", analisado por André Béjin,38 em que os coabitantes admitem certas infidelidades, considerando-as passageiras, os casais praticantes de swing encaram a possibilidade de uma traição como uma atitude inadmissível. Segundo um entrevistado, a infidelidade é resolvida "na bala": "o swingueiro não trai, a traição entre swingueiro é pior do que entre casal que não faz swing. Porque o casal que não faz swing tem a desculpa, o álibi, de que não tem liberdade, nós não" (André). Outro entrevistado disse: "entre os swingueiros, não tem essa coisa de sair para dar um pulinho de cerca ali, sozinho, não. É pecado mortal, gravíssimo" (Emanuel).

Pode-se, assim, pensar a prática do swing também como uma alternativa adotada pelos casais para se prevenirem contra a infidelidade. Ao controlar a sexualidade do parceiro consentindo que ele mantenha relações sexuais com outras pessoas, os swingers acreditam estar se protegendo da tão indesejada situação de traição. Essa ideia está presente no depoimento de uma entrevistada:

Eu já fui muito traída em outros relacionamentos, né? A principal razão da minha separação do primeiro casamento é que eu peguei o meu marido na minha cama com outra mulher e hoje eu assisto o meu marido na minha cama com outra mulher e não me incomodo (Irene).

O marido acrescenta: "é porque antes era às escuras, hoje não" (Ivan).

Um slogan encontrado em um blog39 de um casal adepto do swing também sintetiza essa ideia: No traição, yes swing.

Em frases como "a prática do swing é uma forma de experimentar novas sensações sem apelar para a traição",40 pode-se notar que o swing representa para os seus praticantes uma espécie de proteção contra a infidelidade conjugal. Nas palavras de um entrevistado: "se eu quisesse ter relação paralela eu não fazia swing, eu fazia como na minha relação anterior, que eu não fazia swing e tinha mulheres na rua, tinha amantes e tal" (André). Bauman,41 ao abordar o échangisme na França, aponta as vantagens que essa prática possuiria sobre o simples adultério: uma vez que todos são participantes, nenhum dos envolvidos é traído e nenhum deles tem seus interesses ameaçados.

A infidelidade é desafiada e subvertida pelos praticantes de swing, desde que a prática ocorra dentro de uma série de regras e restrições que controlam o que é ou não permitido ou consentido pelo casal.

Não parece tão fácil derrubar esse grande problema que permeia as relações afetivo-sexuais: a infidelidade. Para Goldenberg,42 hoje em dia talvez seja mais comum encontrar homens e mulheres infiéis do que fiéis, mas esse tipo de comportamento, apesar de sua frequência, continua sendo percebido como um problema gravíssimo e inaceitável, inclusive para aqueles que o praticam. No caso do swing, mesmo mudando os termos que definem a infidelidade, o problema permanece.

 

Considerações finais

Apesar de estarem dispostos a viver uma maior liberdade sexual em seus relacionamentos, os pesquisados pretendem manter uma fidelidade amorosa. A proposta swinger incluiria uma "poligamia sexual", com a preservação de uma "monogamia amorosa". A separação entre sexo e amor parece ser um dos princípios fundamentais para aqueles que aderem à prática. Os limites entre o sexual e o afetivo, entretanto, nem sempre são claros e o que pode e o que não pode é, mais uma vez, parte de uma negociação de cada casal.

Os casais swingers procuram satisfazer as suas fantasias sexuais transgredindo, dentro de um limite determinado, certas convenções sociais sobre sexo e casamento. No entanto, por meio da separação entre sexo e amor e sob o domínio do consentimento, o swing pode acabar reafirmando as convenções existentes.

Um ponto interessante observado ao longo deste trabalho diz respeito à vivência de fantasias sexuais. Percebe-se que o swing, para alguns, é apenas uma das fantasias em uma série de muitas outras. Com o passar do tempo, para certos casais (não todos), o swing deixa de ser um estímulo, não é mais tão excitante, e novas fantasias são criadas e buscadas. A lógica do desejo, da fantasia, do consumo, da frustração e de novos desejos, presentes na sociedade de consumo, aparece aqui associada à esfera da sexualidade.

A realização deste estudo permitiu uma reflexão sobre temas que vão muito além do universo swinger, que não se referem exclusivamente à troca de casais: os dilemas entre sexo e amor em um relacionamento afetivo-sexual, a busca por satisfação de desejos paralela a uma preocupação com a estabilidade da relação amorosa. Um dos pontos mais interessantes foi a possibilidade de discutir o valor da fidelidade entre os praticantes de swing e a ambiguidade existente entre liberdade e controle. Acredita-se que as contradições que aparecem ao tentar entender a prática do swing - nas oposições entre tradicional x vanguarda, controle x liberdade, conservadorismo x subversão - são também expressões da forma conflituosa como se vive a sexualidade, o casamento, a infidelidade e a própria identidade de gênero nos dias atuais.

 

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[Recebido em outubro de 2008 e aceito para publicação em março de 2010]

 

 

1 Procuro preservar as identidades dos casais entrevistados, mas, para uma compreensão sociológica do grupo pesquisado, acredito ser importante mencionar alguns dados como faixa etária, renda, local de moradia, profissão, casamentos anteriores. Os entrevistados são moradores de bairros da Zona Sul, como Botafogo, Copacabana, São Conrado. Mas, também, moradores da Zona Norte - como Abolição, Tijuca, Grajaú - e ainda Zona Oeste - Barra, Recreio. Entre as profissões, encontram-se engenheiro, funcionária pública, analista de sistemas, jornalista. E ainda enfermeiras, militares, secretárias, autônomos, gerentes de loja, comerciários. Um aspecto que varia entre os casais que frequentam casas de swing é a idade. Dos 11 casais entrevistados, encontra-se desde um casal jovem, que na época tinha 19 (mulher) e 20 anos (homem) e um mês de casados, até um casal com 53 (homem) e 44 anos (mulher) e 24 anos de casados. Mas, apesar de tal variação, algumas recorrências são notáveis no que se refere à faixa etária dos entrevistados. Oito das 11 entrevistadas têm até 35 anos de idade, tendo cinco menos de 30. A idade mais avançada encontrada entre as mulheres foi de 44 anos. Nove dos 11 homens têm mais de 35 anos, tendo cinco mais de 40. A idade mais avançada entre os homens foi de 53 anos. As idades indicam que as mulheres entrevistadas são mais jovens do que seus parceiros, com uma diferença que chega a 19 anos em um dos casos. No que se refere ao casamento e ao divórcio, oito dos 11 homens tiveram casamentos anteriores ao atual relacionamento, dois estavam no primeiro casamento e um nunca se casou. Entre as mulheres, quatro foram casadas anteriormente, cinco estavam no primeiro casamento e duas nunca se casaram e estavam em uma relação de namoro com os parceiros atuais.
2 Zygmunt BAUMAN, 2004.
3 BAUMAN, 2004.
4 Maria Luiza HEILBORN, 1993.
5 HEILBORN, 2004.
6 HEILBORN, 1993.
7 HEILBORN, 1993.
8 A importância adquirida por estes dois elementos, a intimidade e a busca por prazer sexual, nas relações conjugais foi analisada por Anthony GIDDENS, 1992, ao buscar compreender as transformações sofridas pelos relacionamentos afetivos em sociedades modernas.
9 BAUMAN, 2004.
10 Luiz Fernando Dias DUARTE, 2004a.
11 Richard PARKER, 1991.
12 Colin CAMPBELL, 1995.
13 CAMPBELL, 1995.
14 CAMPBELL, 1995.
15 CAMPBELL, 1995.
16 Georg SIMMEL, 2005.
17 CAMPBELL, 1995.
18 CAMPBELL, 1995.
19 DUARTE, 2004b.
20 Eduardo Viana VARGAS, 1998.
21 Georg BATAILLE, 1980.
22 Para uma discussão sobre vício em sexo, ver GIDDENS, 1992. Segundo o autor, a experiência do vício se expressa através de um comportamento compulsivo, envolvendo características como hábito, êxtase e dependência. Giddens analisa o vício em sexo a partir do depoimento de pessoas que participam de grupos de Sexômanos Anônimos (Sex Addicts Anonymous - SAA), diferenciando a forma como o comportamento compulsivo se manifesta para homens e mulheres.
23 Seria muito interessante pesquisar o consumo (ou não) de drogas nesse meio. Mas essa questão não foi analisada no presente trabalho.
24 Labirinto é o nome que se dá a determinados ambientes em casas de swing onde há um corredor escuro com uma parede que o divide ao meio. Nessa parede existem buracos de diferentes tamanhos e as pessoas, nuas, se tocam através desses buracos, sem saber exatamente quem está do outro lado.
25 Norbert ELIAS e Eric DUNNING, 1992.
26 ELIAS e DUNNING, 1992.
27 ELIAS e DUNNING, 1992.
28 ELIAS e DUNNING, 1992.
29 BATAILLE, 1980.
30 Michel FOUCAULT, 2005.
31 FOUCAULT, 2005.
32 DUARTE (2004b) também se refere ao processo de "desentranhamento" da sexualidade como uma nova dimensão do humano que se intensifica principalmente a partir do século XVIII.
33 FOUCAULT, 2005.
34 Mirian GOLDENBERG, 2000.
35 Tânia SALEM, 1989.
36 FOUCAULT, 2005.
37 GOLDENBERG, 2000.
38 André BÉJIN, 1987.
39 CASAL BAMBAM E PEDRITA, 2008.
40 COMPRAZER, 2008.
41 BAUMAN, 2004.
42 GOLDENBERG, 2006.

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