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Revista Estudos Feministas

Print version ISSN 0104-026XOn-line version ISSN 1806-9584

Rev. Estud. Fem. vol.26 no.1 Florianópolis  2018  Epub Jan 15, 2018

http://dx.doi.org/10.1590/1806-9584.2018v26n144074 

Artigos temáticos

Gênero e cultura corporal de movimento: práticas e percepções de meninas e meninos

Gender and Corporal Movement Culture: Practices and Perceptions of Boys and Girls

Helena Altmann1 

Eliana Ayoub1 

Emília Fernández Garcia2 

Elena Ramírez Rico2 

Soely Aparecida Jorge Polydoro1 

1Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP, Brasil

2Universidad Complutense de Madrid, Madrid, Espanha

Resumo:

Este artigo apresenta os resultados e as análises de uma pesquisa com meninas e meninos dos 8os e 9os anos do ensino fundamental da região metropolitana de uma cidade brasileira. Identificaram-se suas percepções sobre as experiências com as atividades físicas e esportivas, a frequência com que as praticam dentro e fora da escola, seus interesses em relação a elas e suas percepções a respeito do prazer pela prática, da competência corporal e do apoio social. A investigação aplicou questionários fechados aos estudantes, e a amostra final contou com 1742 sujeitos, provenientes de 39 escolas. O gênero mostrou-se um marcador de diferença estatisticamente significativo nos resultados: as desigualdades de gênero foram favoráveis aos meninos em quase todos os aspectos avaliados, exceto no apoio docente, que foi percebido de forma equânime.

Palavras-chave: gênero; educação física; escola; esporte; atividade física

Abstract:

This article presents the results and analyses of a study conducted with boys and girls in the 8th and 9th grades in one of the metropolitan regions around São Paulo state, Brazil. We identified their perceptions about their experiences doing physical activities and sports, the frequency that they practice those activities in/outside of school, their interest in relation to those activities, and finally their perspectives practicing those activities for pleasure, their physical competency, and social support. The investigation involved providing a survey with closed-ended questions to the students, and the final sample included 1,742 subjects from 39 schools. Gender proved to be a statistically significant marker in the results: inequalities in gender were favorable to boys in almost all the aspects evaluated, except regarding educator support, which was perceived to be equal.

Keywords: Gender; Physical education; School; Sport; Physical activity

1 Introdução

A educação física, componente curricular obrigatório da educação básica, trabalha com um conhecimento específico dentro da escola: a cultura corporal de movimento1, a qual engloba esportes, ginásticas, lutas, jogos e brincadeiras, atividades rítmicas e expressivas2. Aulas de educação física são, portanto, um espaço de aprendizado desses conhecimentos, os quais também podem ser vivenciados em outros espaços educativos, dentro da própria escola ou em clubes, praças, escolas de esporte, academias de ginástica, entre outros. Uma dimensão importante, embora não exclusiva, do aprendizado desses conhecimentos diz respeito ao corpo, à expressão corporal, ao gesto, às habilidades, às técnicas, à tática, à execução de movimentos etc. A apropriação de tais conhecimentos exige um envolvimento corporal com os conteúdos, uma experiência vivenciada com o corpo.

Pesquisas em aulas de educação física têm identificado diferenças e desigualdades de gênero no acesso de crianças e jovens à cultura corporal de movimento (Helena ALTMANN, 2015; Júlia BLÁNDEZ-ANGEL; Emília FERNÁNDEZ-GARCIA; Miguel A. SIERRA-ZAMORANO, 2008; Pedro GIL-MADRONA et al., 2014; Juliana F. JACÓ, 2012; Marina MARIANO; ALTMANN, 2016; Eustaquia S. SOUSA, 1994; Ileana WENETZ; Marco Paulo STIGGER; 2006). Igualmente, desigualdades expressas em aulas de educação física têm motivado o desenvolvimento de um conjunto significativo de pesquisas sobre as relações de gênero presentes em turmas mistas - aquelas em que meninas e meninos fazem aulas de educação física juntos. No Brasil, essa organização com aulas mistas se difundiu nas redes públicas de ensino na década de 1990 (SOUSA, 1994), gerando um intenso debate entre docentes, dirigentes de ensino e pesquisadores (as). Uma das primeiras pesquisas sobre esse tema é a dissertação de mestrado intitulada Meninos prá cá, meninas prá lá (Neíse Gaudêncio ABREU, 1990). Por sua vez, outros autores encontraram dez dissertações de mestrado e teses de doutorado, produzidas no Brasil entre 1990 e 2005, que abordavam o tema das aulas mistas de educação física (Mauro LOUZADA, Sebastião VOTRE e Fabiano DEVIDE, 2007). Esses autores destacam que tais pesquisas foram produzidas num contexto de debate acadêmico extremamente favorável às aulas mistas, e, com exceção de um trabalho que considera a possibilidade de variação nas formas de organização de alunas e alunos, todos os outros defendem explícita e invariavelmente as aulas mistas.

Assim, inserido nesse debate acadêmico, este artigo toma como base uma pesquisa que analisou as relações de gênero em aulas de educação física, problematizando situações de igualdade e desigualdade ali presentes, bem como as relações de jovens com diferentes temas da cultura corporal de movimento. Tal pesquisa foi realizada nas regiões metropolitanas de uma cidade brasileira e de uma cidade europeia, de 2008 a 2011, numa parceria interinstitucional, com apoio do CNPq. Neste artigo apresentaremos os resultados obtidos no Brasil3.

Por meio de questionários fechados aplicados a estudantes dos dois últimos anos do ensino fundamental (8o e 9o anos), identificamos as experiências esportivas e outras atividades físicas de meninos e meninas, a frequência com que as praticam dentro e fora da escola, seus interesses em relação a elas e, igualmente, o modo como as percebem, de forma a compreender como isso interfere nas aulas de educação física.

A opção por utilizar “atividade física e esportiva” neste artigo justifica-se pelo fato de o questionário utilizado na Espanha e aplicado aqui no Brasil utilizar essa terminologia. Além disso, trata-se de um termo conhecido pela população em geral e pelos jovens em particular (sujeitos desta investigação), o que não ocorre com a expressão “práticas corporais”, mais circunscrita ao campo acadêmico. Optamos pela primeira expressão, "atividade física e esportiva, embora estejamos cientes de que a expressão “práticas corporais” está mais próxima da perspectiva relacionada à cultura corporal de movimento, uma vez que evidencia o sentido de construção cultural e de linguagem presente nas diferentes formas de expressão corporal, porém ausente na expressão “atividade física” (Ana Márcia SILVA; Iara Regina DAMIANI, 2005).

O gênero mostrou-se um marcador de diferença estatisticamente significativo nos resultados obtidos. Desse modo, este artigo tem como objetivo apresentar os resultados e as análises dessa investigação no Brasil, no que se refere aos seguintes aspectos: regularidade e frequência com que realizam atividades físicas e esportivas na escola e fora dela; prática no ano anterior e expectativas de prática futura; atividades físicas e esportivas praticadas; percepção sobre competência corporal e sobre apoio social recebido (de familiares, de amigos (as) e de professores (as) de educação física).

2 MÉTODO

2.1 Sujeitos

Para a construção da amostra estatística, foram obtidos dados sobre todas as escolas públicas dos municípios que compõem a região metropolitana4 investigada e sua respectiva secretaria estadual de educação, incluindo nomes das escolas, endereços, contatos, diretoria à qual pertencem, número de turmas de 8º e 9º ano do ensino fundamental, número de estudantes matriculados nessas turmas. Na ocasião, eram 334 escolas: 259 da rede estadual e 75 da rede municipal.

Utilizamos a metodologia de amostragem estratificada de conglomerados em dois estágios. No primeiro, foram selecionadas as escolas e, no segundo estágio, as classes, sem subseleção de alunos dentro das classes. A estratificação utilizada ajustou-se ao tamanho populacional das cidades e ao tamanho das escolas. Foram excluídas da amostra as classes noturnas. Dentro de cada estrato, as escolas foram selecionadas com probabilidades proporcionais ao número e às classes da escola; e, dentro de cada escola, as diferentes classes foram sorteadas com probabilidades uniformes, ou seja, dentro de uma mesma escola, todas as classes tiveram a mesma probabilidade de pertencer à amostra, não importando o número de alunos de cada uma.

Na etapa de seleção das escolas, houve o controle das variáveis “rede de ensino (estadual ou municipal)”, “município” e “tamanho médio das classes”, garantindo, dessa forma, que essas variáveis tivessem, aproximadamente, a mesma distribuição na amostra que têm no universo. Na seleção, também houve o controle da variável “8º ano e 9º ano”.

A amostra final ficou composta por um total de 1742 estudantes, provenientes de 39 escolas - 31 da rede estadual e 8 da rede municipal -, distribuídos em 30 classes do 8º ano e 31 classes do 9º ano do ensino fundamental.

A distribuição dos estudantes por gênero foi bastante equilibrada: 883 meninas (50,8%) e 856 meninos (49,2%). A idade variou de 11 a 17 anos, sendo a média etária de 13,6 anos (DP=0,95): a dos meninos foi de 13,7 anos e das meninas, de 13,5 anos. Considerando a variável “ano de ensino”, 54,4% da amostra frequentavam o 8º ano do ensino fundamental e 45,6%, o 9º ano. Entre as meninas, 53,7% frequentavam o 8º ano e 46,3%, o 9º ano, enquanto 55% dos meninos frequentavam o 8º ano e 45%, o 9º ano. Quanto ao gênero de seus professores de educação física, 50,6% dos estudantes tinham aulas com professores e 49,4%, com professoras.

2.2 Materiais

Para a coleta de dados foi aplicado o “Questionário sobre educação física e atividade física e esportiva”, com 15 questões fechadas. Na primeira página, foram coletados os dados de identificação e de caracterização dos participantes. A seguir, eles responderam sobre: 1. prática de atividade físicas e esportivas, com base no instrumento “PACES - Adolescent Physical Activity Measure” (Judith J. PROCHASKA; James F. SALLIS; Bárbara LONG, 2001); 2. prazer com a atividade física (α = 0,90), baseado na Escala PACES (Deborah Kendzierski; Kenneth J. DeCarlo, 1991), adaptado a uma escala de 6 itens (FERNÁNDEZ-GARCÍA; Fernando SÁNCHEZ-BAÑUELOS; Juan SALINERO-MARTÍN, 2008); 3. apoio social para atividades físicas e esportivas, por meio de versão adaptada do “Questionário de Suporte Social” (Prochaska; Rodgers; Sallis, 2002), que consiste em 5 itens, os quais indagam sobre o apoio familiar (α = 0,82), o apoio dos amigos (α = 0,84) e o apoio do(a) professor(a) de educação física (α = 0,77); e 4. competências e crenças sobre a educação física (α = 0,92), com o uso do “Questionário Competência e valorização de crenças no esporte” (Jennifer A. Fredricks e Jacquelynne S. Eccles, 2002), composto por 12 itens em uma escala Likert de resposta de 7 pontos, distribuídos nas subescalas: interesse pela educação física; percepção de competência em educação física; importância (percepção de valor - utilidade percebida) da educação física.

2.3 Procedimentos

Para a realização da pesquisa, foram contatadas as Secretarias de Educação dos municípios e as Diretorias Estaduais de Ensino responsáveis pelas escolas da amostragem. Após a autorização, os pesquisadores entraram em contato com cada uma das escolas elencadas na amostragem, para falar da pesquisa e solicitar o consentimento para sua realização. Em cinco escolas, não foi obtida a autorização para a realização da pesquisa, e elas foram substituídas por outras, com características semelhantes, selecionadas a partir da lista de substituição.

Os questionários foram aplicados entre maio e julho de 2009. Cada escola foi visitada duas vezes: em uma primeira visita, foi apresentada a pesquisa e foram entregues os Termos de Consentimento Livre e Esclarecido para serem assinados pelas mães, pelos pais ou responsáveis; na segunda visita, esse documento foi recolhido, e o questionário foi aplicado coletivamente na sala de aula.

3 RESULTADOS

3.1 Prática de atividades físicas e esportivas

3.1.1 Regularidade e frequência, por gênero, na semana anterior

Foi solicitada aos alunos a informação sobre o número de dias, na semana anterior, em que praticaram atividades físicas e esportivas durante um mínimo de 60 minutos ao dia. A média do total da amostra é de 2,9 dias por semana. As meninas revelaram realizar atividades físicas e esportivas com menos frequência que os meninos. Em média, elas realizaram atividades físicas e esportivas 2,57 dias por semana, enquanto eles, 3,43 dias. Existe uma diferença estatisticamente significativa entre número de dias em que meninos e meninas praticaram atividades físicas e esportivas na semana anterior à realização da pesquisa (t= -8,451; df= 1726; p= 0,000).

3.1.2 Regularidade e frequência habitual, por gênero

Ao responder sobre o número de dias em que, habitualmente, os estudantes praticaram uma atividade física e esportiva (durante ao menos 60 minutos ao dia) em uma semana típica, a média de dias total da amostra é de 3,14, ou seja, maior do que quando se referem à semana anterior. Novamente, durante uma semana típica as meninas revelaram fazer menos atividades físicas e esportivas - em média, 2,67 dias por semana -, e os meninos referiram 3,62 dias. Também entre o número de dias em que meninos e meninas praticaram atividades físicas e esportivas durante uma semana normal existe diferença estatisticamente significativa (t= -9,563; df=1726; p= 0,000).

3.1.3 Prática no ano anterior, por gênero

Foi questionado aos estudantes se, excluindo suas aulas de educação física, realizaram alguma atividade física e esportiva de forma regular (três ou mais dias da semana) no ano anterior: 72,5% do total da amostra responderam que sim - resposta menor entre as meninas (63%) que entre os meninos (82,3%) (x²= 81,746; p= 0,000).

3.1.4 Expectativa de prática futura, por gênero

Na análise das expectativas futuras de prática regular de atividades físicas e esportivas para o ano seguinte, a maioria (81,8%) dos (as) estudantes respondeu afirmativamente à pergunta, com respostas que variaram entre “provavelmente sim” (45,3%) e “com certeza sim” (36,5%). Observando esses resultados organizados por gênero, constatamos que as meninas se situaram com maior frequência na resposta “provavelmente sim” (49,8%), enquanto os meninos responderam mais frequentemente “com certeza sim” (47,4%) (x²= 107,390; p= 0,000).

Outro ponto de análise refere-se à diferença entre a expectativa de prática futura e o que havia sido realizado no ano anterior. É possível observar, na Figura 1, que a diferença entre quem havia praticado alguma atividade física e esportiva no último ano e aqueles que acreditavam que iriam praticar é maior entre as meninas. Podemos afirmar que 12,7% das que acreditaram que iriam praticar atividades físicas e esportivas não o fizeram, enquanto entre os meninos esse número é de 5,8%.

Figura 1 Análise comparativa entre a prática de atividades físicas e esportivas de meninas e meninos no ano anterior e a percepção da possibilidade de prática regular futura no ano vigente. 

3.1.5 Tipo de atividade, por gênero

Os estudantes também responderam uma questão aberta sobre a prática de atividades físicas e esportivas extracurriculares. As meninas (36,7%) que declararam não realizar nenhuma atividade são em maior número que os meninos (13,4%). Entre os que realizavam atividades físicas e esportivas depois das aulas, notamos que as meninas se dedicavam principalmente a caminhada (17,5%), vôlei (12%), futebol (9,1%), dança (5,3%) e bicicleta (4,0%). Já os meninos praticavam predominantemente futebol (55,3%), bicicleta (8,8%), caminhada (6,2%), natação (2,3%), basquete (2,1%) e vôlei (2,1%). A Tabela 1 apresenta a distribuição comparativa das respostas dos estudantes por gênero.

Tabela 1 Principais atividades físicas e esportivas extracurriculares por gênero. 

Atividades Gênero
Menina Menino Total (100%)
Futebol 80 14,4% 474 85,6% 554
Caminhada 154 74,4% 53 25,6% 207
Vôlei 106 85,5% 18 14,5% 124
Bicicleta 35 31,8% 75 68,2% 110
Dança 47 94,0% 3 6,0% 50
Corrida 15 48,4% 16 51,6% 31
Natação 8 28,6% 20 71,4% 28
Academia 14 51,9% 13 48,1% 27
Basquete 7 28,0% 18 72,0% 25
Lutas 9 39,1% 14 60,9% 23
Handebol 15 78,9% 4 21,1% 19
Ginástica 15 93,8% 1 6,2% 16
Skate 2 20,0% 8 80,0% 10

Para comparar as atividades realizadas entre os meninos e as meninas, foi utilizado o teste qui-quadrado ou o teste exato de Fisher (para valores esperados menores que 5). Pelos resultados, verificamos diferença significativa entre sexos em 9 das 13 atividades identificadas. A maior frequência pelos meninos foi observada em futebol (x²=429.46; GL=1; P<0.001), bicicleta (x²=16.89; GL=1; P<0.001), natação (x²=5.61; GL=1; P=0.018) e basquete (x²=5.26; GL=1; P=0.022). E a maior frequência favorável às meninas ocorreu em caminhada (x²=52.45; GL=1; P<0.001), vôlei (x²=64.35; GL=1; P<0.001), dança (x²=386.48; GL=1; P<0.001), handebol (x²=6.10; GL=1; P=0.014) e ginástica (x²=11.93; GL=1; P<0.001). Corrida, skate, lutas e academia foram atividades que tanto para as meninas como para os meninos se mostraram com frequência reduzida.

3.2 Percepções dos estudantes

3.2.1 Prazer pela prática, por gênero

Os resultados mostraram, em geral, alta percepção de prazer com as atividades físicas e esportivas, já que, em uma escala de 1 a 7 pontos, a média do total da amostra foi de 5,52 pontos. No entanto, houve diferença significativa no que se refere à percepção de prazer com a prática de atividades físicas e esportivas entre os meninos e as meninas - mais alta entre os meninos, cuja média foi de 5,69, enquanto, entre elas, foi de 5,37 (t=-5,786, p 0,000).

3.2.2 Apoio social percebido - familiar, de amigos(as) e de professores(as) de educação física

Os resultados obtidos na escala de apoio familiar para a prática de atividades físicas e esportivas mostraram que, dentre as três formas de apoio social aqui avaliadas, o apoio familiar foi percebido em menor intensidade, tanto para os meninos quanto para as meninas. Em uma escala de 0 a 4, a média total foi de 1,63, o que os situa entre as respostas “bem poucas vezes”. A percepção de apoio familiar é ainda menor para as meninas (1,45) do que para os meninos (1,82) (t= -7,727 e p 0,000).

A percepção de apoio por parte dos pares foi mais alta do que da família, tanto no total da amostra (1,96) quanto na distribuição por gênero: a média das meninas foi de 1,66 e a dos meninos, de 2,28. Assim, como nas demais formas de apoio, as meninas perceberam receber menos apoio de pares do que os meninos (t -11,667, p 0,000). Entre os meninos, o apoio de amigos(as) foi o que atingiu a pontuação mais alta entre as três formas de apoio social.

A pontuação média da percepção de apoio social por parte de professores(as) de educação física foi de 1,91, e não houve diferença estatística significativa entre meninas e meninos (t -0,700 e p 0,484). O que é importante destacar aqui é que essa forma de apoio social era a percebida com maior intensidade pelas meninas, quando comparado às outras formas de apoio, enquanto entre os meninos a forma de apoio que atinge a maior pontuação é que parte dos pares, como pode ser visto na Figura 2.

Figura 2 Apoio social percebido por meninas e meninos para a prática de atividades físicas e esportivas, obtido junto a família, amigos(as) e professores(as) de educação física. 

3.2.3 Competência corporal

Dentro de uma escala de 1 a 7 pontos, a percepção de competência corporal para o conjunto da amostra foi de 5,36. Essa percepção diferiu significativamente segundo o gênero, sendo maior para os meninos. Entre eles, o resultado médio foi de 5,62 pontos, enquanto, entre elas, foi de 5,11 pontos. Podemos afirmar que as meninas se perceberam com menos competência corporal que os meninos (t -8,349, p 0,000).

3.2.4 Valor-utilidade

Quanto à percepção de valor e utilidade da educação física entre os estudantes, o resultado médio obtido foi de 5,57 para o total da amostra. Quando agrupados por gênero, houve diferenças significativas entre meninos e meninas. A pontuação média para elas foi de 5,11 pontos, enquanto, para eles, foi de 5,62 pontos (t -8,349, p 0,004).

3.2.5 Interesse pela educação física

Para o total da amostra, o interesse pela educação física obteve média de 5,75 pontos. A média de pontos das meninas foi significativamente inferior à dos meninos: 5, 38 e 6,13 pontos, respectivamente (t -10,245, p 0,000).

4 Análise e discussão

Esta pesquisa constatou desigualdades de gênero nas relações que os jovens estabeleceram com as atividades físicas e esportivas. Com exceção da percepção de apoio docente, a qual tem forma equânime, em todos os outros itens, os meninos apresentaram resultados mais positivos do que as meninas.

Meninos informam realizar alguma atividade física e esportiva com maior regularidade e frequência que meninas. Tal diferença mostrou-se estatisticamente significativa, ao se referirem à semana anterior e a uma semana normal. Enquanto na semana anterior meninas informaram terem feito algum tipo de prática 2,57 dias por semana, os meninos informaram 3,43 dias. Em uma semana normal, a diferença expressa é ainda maior: meninas, 2,67 e meninos, 3,62. As meninas também são em menor número entre quem declarou não realizar nenhuma prática extracurricular de forma regular: 36,7% das meninas e 13,4% dos meninos. No seu dia a dia, meninos referiram vivenciar de forma mais frequente as atividades físicas e esportivas afeitas à educação física, favorecendo o desenvolvimento de habilidades corporais.

Para ambos, a frequência de prática foi inferior àquela recomendada pela Organização Mundial de Saúde - OMS (2010), segundo a qual, para essa faixa etária, são indicados 60 minutos diários de atividade física de intensidade moderada ou vigorosa. Para a mesma entidade, a atividade física para as crianças de jovens entre os 05 e 17 anos de idade, “[...] consiste em jogos, esportes, deslocamentos, atividades recreativas, educação física ou exercícios programados, no contexto da família, da escola ou das atividades comunitárias” (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE, 2010, p.7; tradução nossa).5

Na nossa pesquisa, consideramos regular a prática de atividades físicas e esportivas, quando realizada três ou mais dias na semana. No questionário, foi informado que “a atividade física pode ser realizada através de esportes, de ginástica, jogando com os amigos, correndo, nadando, caminhando para ir à escola, entre outros”. Alguns exemplos de atividade física são corrida, caminhada, andar de patins ou skate, dança, ginástica, natação, basquete e futebol.6

Outros estudos constataram níveis elevados de inatividade física entre crianças e jovens (Elena RAMIREZ-RICO et al., 2013; Kelly S. SILVA et al., 2009), com tendência à sua elevação com o aumento da idade (Fábio L. CESCHINI et al., 2009; Rômulo F. FERNANDES et al., 2011; Mariana S. SANTOS et al., 2010a). Nesses, sobretudo, as meninas estão ainda mais abaixo do nível indicado. A menor proporção de jovens do sexo feminino com prática regular, quando comparada ao sexo masculino, corrobora outros resultados já descritos na literatura (CESCHINI et al., 2009; Diego Henrique COLEDAM et al., 2014; Dartagnan Pinto GUEDES et al., 2001; SANTOS et al., 2010b). Em pesquisa na qual foi investigada a prevalência de inatividade física entre adolescentes, por meio de uma metanálise de artigos publicados em bases de dados, os resultados estratificados por sexo foram bastante heterogêneos (Laura Augusta BARUFALDI et al., 2012). As taxas de prevalência de inatividade variaram de 2% a 80% entre os homens e de 14% a 91% entre as mulheres. Em todas as pesquisas consultadas, a inatividade foi constatada de forma indireta, baseada na informação fornecida pelos indivíduos, como na presente pesquisa. Embora os estudos definissem de modo diversificado aquilo que era considerado como atividade física, o ponto de corte mais comum foi de um mínimo de 300 minutos semanais de atividade moderada ou vigorosa.

Na nossa investigação, diferenças significativas também foram encontradas quando os(as) alunos(as) foram questionados(as) sobre a prática realizada no ano anterior e a expectativa de prática futura. 82,3% dos meninos e 63% das meninas informaram terem praticado alguma atividade física ou esportiva de forma regular no ano anterior (três ou mais dias da semana, sem incluir as aulas de educação física). De modo semelhante, ao se projetarem no tempo, os meninos expressaram maior confiança na perspectiva de prática futura, situando-se com maior frequência na resposta “com certeza sim”, enquanto as meninas situaram-se em “provavelmente sim”. Conforme apresentado nos resultados, foi maior entre as meninas (12,7%) do que entre os meninos (5,8%) a diferença entre a atividade física e esportiva regular que efetivamente praticaram no ano anterior e o que acreditavam, anteriormente, iriam praticar no ano seguinte. Os meninos expressaram uma confiança maior do que as meninas de que iriam praticar alguma atividade física e esportiva no ano seguinte, e, pelo fato de essa diferença ser significativamente maior, podemos inferir que a hipótese das meninas não se confirmaria tanto quanto a dos meninos. Tais resultados suscitam o questionamento sobre quais são os entraves para a não concretização dessa expectativa. Considerando os dados obtidos neste estudo, tais dificuldades podem estar associadas ao menor apoio social percebido pelas meninas por parte de familiares7 e amigos, à menor percepção de prazer por elas na realização de uma prática, à menor percepção de competência corporal e também à menor valorização e ao menor interesse, por parte delas, pela educação física.

Uma hipótese para compreender a diferença entre expectativas futuras e regularidade da prática no ano anterior poderia ser a ausência de locais adequados à prática. Essa é uma suposição que os dados desta pesquisa não permitem confirmar. No entanto, outras pesquisas não encontraram uma relação entre a disponibilidade de locais e a desigualdade de gênero na regularidade da prática (Roseanne G. AUTRAN et al., 2012; COLEDAM et al., 2014). Numa dessas pesquisas, diz-se que a prática esportiva de jovens da cidade de Londrina (Paraná) está menos associada à existência de locais adequados e mais vinculada às vezes que frequentam esses locais (COLEDAM et al., 2014). Concordamos com esses autores que programas de incentivo à prática esportiva devem buscar estratégias para atrair jovens (sejam meninos ou meninas) a locais como praças, parques, quadras poliesportivas e clubes, garantindo uma prática orientada e sistematizada. Porém, diante dos resultados de nossa investigação, nos quais as meninas praticam com menor frequência e regularidade atividades físicas e esportivas, enfatizamos a necessidade de que programas de incentivo promovam uma ação mais efetiva para atrair as jovens meninas para sua prática contínua. Esses programas deveriam considerar as diferenças de interesse entre os tipos de atividades corporais e esportivas observadas.

Por outro lado, essa diferença entre expectativa e concretização de uma prática regular pode estar relacionada às atividades realizadas fora da aula de educação física. As meninas informaram dedicar-se, nesta ordem: à caminhada (17,5%), ao vôlei (12%), ao futebol (9,1%), à dança (5,3%) e à bicicleta (4%). Já para os meninos, o futebol é majoritário (55,3%), seguido de caminhada (6,2%), natação (2.3%), basquete (2,1%) e vôlei (2,1%). A prevalência da prática do futebol entre os meninos potencializa as possíveis parcerias para jogar, o que parece estar ligado ao fato de os amigos serem percebidos por eles como os principais apoiadores à prática esportiva, diferentemente das meninas, para quem os principais apoiadores são os(as) professores(as).

A percepção dos meninos, de apoio recebido por parte de amigos(as) e da família à prática de atividades físicas e esportivas é maior do que aquela percebida pelas meninas. Esse é um dos fatores importantes no conjunto de dificuldades percebidas pelas meninas adolescentes para a prática de atividade física (Oscar MARTINEZ de QUEL; Emília FERNÁNDEZ-GARCÍA; Maria José CAMACHO-MIÑANO, 2010). Em outra pesquisa, os(as) amigos(as) e a família são considerados como um fator social e cultural relevante para a prática, pois a falta de companhia e de suporte social de amigos(as) e da família diminui as chances de envolvimento na atividade (SANTOS et al., 2010a).

No que se refere às atividades realizadas, a caminhada - atividade mais mencionada pelas meninas -, se comparada a outras atividades físicas e esportivas, é uma prática pouco sistematizada, com pouca complexidade, geralmente realizada sem acompanhamento pedagógico, o que pouco contribui para a aquisição de habilidades corporais diversificadas, assim como para o domínio e o aprimoramento de gestos etc.

Já o futebol foi a principal prática extracurricular citada, e 85,6% daqueles que mencionaram jogar futebol em contextos extracurriculares são meninos e 14,4%, meninas. Embora o futebol seja a segunda atividade mais mencionada por elas, ainda predominam os meninos entre aqueles que o praticam. Conforme constatado ainda em outras investigações (Helena ALTMANN, 2015; Liane R. UCHOGA, 2012; Aline Edeviges VIANA, 2012), o fato de o futebol - em que as diferenças de habilidade corporal são uma variável importante - ser um dos conteúdos que mais mobilizam conflitos de gênero em aulas de educação física, está relacionado a essa desigualdade de escolha e de regularidade na prática. O futebol não apenas é mais praticado por meninos do que por meninas como o é com maior regularidade. Tais diferenças os constituem como mais habilidosos, o que se expressa nas aulas de educação física e também em outros espaços de prática.

Outros resultados de nossa pesquisa, obtidos por meio de questionários com perguntas abertas, aplicados aos(às) professores(as) de educação física das turmas de escolas participantes, revelaram que diferenças de desempenho de meninos e meninas em aulas de educação física aparecem como a principal fonte de conflitos para esses(as) docentes e são um dos aspectos mais contemplados em seu planejamento (Referência omitida para efeitos de sigilo).

Considerando que o gosto pela prática é um componente importante na adesão a ela, cabe destacar a alta percepção de prazer com as atividades físicas e esportivas para ambos os gêneros, embora seja mais alta entre meninos do que entre as meninas. Outros pontos de desigualdade de gênero referem-se à percepção de competência corporal, ao interesse e ao valor-utilidade atribuídos à educação física, os quais são maiores para os meninos. Nesse sentido, os resultados desta pesquisa denotam que tais aspectos podem ser pedagogicamente trabalhados por docentes, de modo a ampliar o envolvimento de meninas com as atividades físicas e esportivas, como também sinalizam Juan Luis HERNÁNDEZ-ÁLVAREZ et al., (2010), aplicando recursos e ferramentas desenhadas a partir da investigação, com o propósito de proporcionar a atividade física das meninas nas aulas de educação física e em seu entorno escolar (Emília FERNÁNDEZ-GARCÍA, 2013).

5 Considerações finais

Pesquisas desenvolvidas na educação física escolar têm constatado ser esse um campo com desigualdades de gênero. Os resultados da pesquisa apresentados neste artigo permitem estabelecer uma relação entre a expressão dessas desigualdades e as experiências de meninos e meninas com a cultura corporal de movimento. A prática de atividades físicas e esportivas é mais frequente e regular entre os meninos do que entre as meninas aqui investigados, possibilitando a eles uma experiência corporal mais intensa e significativa. Meninas se percebem menos competentes para as atividades físicas e esportivas, bem como expressam uma menor percepção de prazer na prática. Elas revelam menor interesse e valor-utilidade pela aula de educação física. Além disso, sua percepção a respeito do apoio social recebido para a prática é inferior à dos meninos, bem como é inferior sua expectativa de prática futura.

A percepção equânime de apoio docente merece destaque. No entanto, tal apoio não se revela suficiente para garantir maior adesão à prática. Considerando que todos os outros itens avaliados são favoráveis aos meninos, a busca por maior equidade de gênero no envolvimento de jovens com atividades físicas e esportivas deve incidir em outros campos para além da ação docente. Os resultados desta pesquisa permitem afirmar, ainda, que sistematizar práticas orientadas e regulares dentro e fora da escola e favorecer a consolidação de espaços que propiciem o encontro entre pares são aspectos que podem contribuir com a ampliação da prática de atividades físicas e esportivas entre jovens.

Os resultados apresentados neste artigo estão circunscritos aos limites metodológicos desta pesquisa. Um aspecto a ser considerado é que eles foram obtidos a partir de uma amostragem estatística cuidadosamente construída, que compreende a região metropolitana de uma cidade brasileira. Pesquisas semelhantes com recortes geográficos distintos são necessárias no Brasil. Além disso, os dados baseiam-se na percepção e no relato dos estudantes sobre suas vivências a partir de uma grade alternativa de respostas; outras ferramentas de coleta de dados são bem-vindas em outras investigações, para que outras comparações possam ser feitas. Além disso, em pesquisas futuras, a percepção e a experiência com as práticas corporais podem ser analisadas, tomando como referência outros marcadores sociais de diferença, como aqueles ligados à diversidade sexual, à renda, à etnia e à escolaridade, por exemplo.

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1O conhecimento específico da educação física tem sido nomeado de diferentes formas, dentre as quais “cultura corporal de movimento” (Valter BRACHT, 1992, 1999, 2006) e “cultura corporal” (COLETIVO DE AUTORES, 1992). Neste artigo optamos por “cultura corporal de movimento”.

2Essa delimitação de conteúdos sofre variações de acordo com as diferentes propostas curriculares. Nos Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental - Educação Física (BRASIL, 1998), os conteúdos da educação física são definidos como: conhecimentos sobre o corpo, esportes, jogos, lutas, ginásticas e atividades rítmicas e expressivas. A recente, e ainda em elaboração, Base Nacional Comum Curricular delimita os seguintes conteúdos para este componente curricular no ensino fundamental: brincadeiras e jogos, esportes, exercícios físicos, ginásticas, lutas, práticas corporais de aventura e práticas corporais rítmicas. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/#/site/conhecaDisciplina?disciplina=AC_LIN&tipoEnsino=TE_EF. Acesso em 16/11/2015.

3Essa pesquisa foi desenvolvida por uma parceria entre a Universidade Estadual de Campinas e a Universidad Complutense de Madrid, envolvendo os seguintes grupos de pesquisa: Corpo e Educação da Faculdade de Educação Física da Unicamp, Laboratório de Estudos sobre Arte, Corpo e Educação (Laborarte) da Faculdade de Educação da Unicamp, e Grupo de Investigación Estudios de género en la Actividad Física y el Deporte da Facultad de Educación da Universidad Complutense de Madrid.

4A região investigada envolve aproximadamente 20 municípios.

5No original em espanhol: “[…] consiste en juegos, deportes, desplazamientos, actividades recreativas, educación física o ejercicios programados, en el contexto de la familia, la escuela o las actividades comunitarias”.

6Trecho retirado do questionário aplicado aos(às) alunos(as).

7FERNANDES et al. (2011) também constataram que meninas recebem menor apoio familiar para a prática esportiva, e que tal aspecto tem efeito no engajamento na prática em questão.

Recebido: 07 de Abril de 2016; Aceito: 10 de Maio de 2017

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Helena Altmann (altmann@fef.unicamp.br) possui graduação em Educação Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1995), mestrado em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais (1998) e doutorado em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (2005). É professora Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), na Faculdade de Educação Física e no Programa de Pós-graduação em Educação. Coordenadora do Serviço de Apoio ao Estudante (SAE) da Unicamp desde maio de 2017. Foi coordenadora do GTT Gênero do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte (2015-2017). Tem experiência na área de Educação e Educação Física, com ênfase em Gênero e Sexualidade. Integra o Grupo de Pesquisa Corpo e Educação, vinculado à Faculdade de Educação Física, e o Grupo de Pesquisa Focus, da Faculdade de Educação

Eliana Ayoub (ayoubeliana@gmail.com) é docente da Faculdade de Educação da Unicamp desde 1998 e Vice-Líder do Laboratório de Estudos sobre Arte, Corpo e Educação (Laborarte) da mesma Faculdade. Atua na linha de pesquisa formação de professores e trabalho docente, desenvolvendo investigações sobre: formação de professores; iniciação à docência; estágio supervisionado; educação física escolar; corpo, linguagem e educação. Atuou na presidência da Comissão Permanente de Formação de Professores da Pró-Reitoria de Graduação da Unicamp, de 2008 a 2016. É coordenadora de gestão do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID/Capes) na Unicamp. Dentre suas produções, destacam-se a organização da Coleção Formação Docente em Diálogo, do PIBID-Unicamp, e o livro Ginástica Geral e Educação Física Escolar (publicado pela Editora da Unicamp).

Emília Fernández Garcia (efgarcia@edu.ucm.es) é licenciada en Educación Física y Doctora en Ciencias de la Educación desde el año 1995. Desempeña su trabajo en la Facultad de Educación - Centro de Formación del Profesorado de la Universidad Complutense de Madrid (UCM). Es Directora del Grupo de Investigación UCM 940096 “Estudios de género en la Actividad Física y el Deporte”, impulsando desde dicho grupo el desarrollo de variados proyectos de investigación sobre esta temática, así como la realización de Tesis Doctorales en esta línea de investigación. En este sentido, resaltar los estudios y trabajos llevados a cabo en colaboración con la UNICAMP y el grupo de investigación que dirige la Dra. Altmann en la Facultad de Educación Física. Ha sido también Directora del Departamento de Expresión Musical y Corporal de dicha Universidad y Coordinadora del Máster en Formación del Profesorado de Educación Secundaria y Bachillerato, enseñanza de idiomas y Formación Profesional.

Elena Ramírez Rico (e.ramirez@edu.ucm.es) é professora da Faculdade de Educação da Universidade Complutense de Madrid (UCM). Licenciada em Ciências da Atividade Física e do Esporte, Diploma em Educação Primária (Especialidade em Educação Física) e Doutora em Educação. Sua pesquisa centra-se, principalmente, nos temas gênero, atividade física e sua promoção na infância e na adolescência, trabalho desenvolvido principalmente através do grupo de pesquisa “Estudos de gênero em atividade física e esporte”, da UCM. Este tema representa os pilares nos quais se articulam os diferentes projetos de pesquisa competitiva em que participou em nível nacional e internacional, a produção científica dos artigos e apresentações feitas. Atualmente é Secretária Acadêmica do Departamento de Música e Expressão Corporal e Coordenadora do Grau de Educação Infantil da UCM.

Soely Aparecida Jorge Polydoro (soelypolydoro@gmail.com) possui graduação em Licenciatura e Bacharelado em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1989), mestrado em Psicologia Escolar pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1995) e doutorado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (2000). Atualmente é professora da Universidade Estadual de Campinas, departamento de Psicologia Educacional, e vice-líder do Grupo de Pesquisa Psicologia e Educação Superior - Faculdade de Educação, Unicamp. Membro do GT Pesquisa em Avaliação Psicológica, da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia. Linha de investigação orientada para a formação do estudante do ensino superior, especialmente quanto aos processos de integração acadêmica, autorregulação da aprendizagem e dimensões educativas associadas

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