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Revista Estudos Feministas

versão impressa ISSN 0104-026Xversão On-line ISSN 1806-9584

Rev. Estud. Fem. vol.26 no.2 Florianópolis  2018  Epub 11-Jun-2018

http://dx.doi.org/10.1590/1806-9584-2018v26n256412 

Verbete

Tradução do Verbete Hausfrauisierung (H)

Frigga Haug1 

Mylene N. Teixeira2 

Victor Strazzeri3 

1Instituto de Pesquisa da Teoria Crítica de Berlim, Berlim, Alemanha

2Universidade Estadual do Norte Fluminense, Campos dos Goytacazes, RJ, Brasil

3Instituto de História da Universidade de Berna, Berna, Suíça

Historisch-Kritisches Wörterbuch des Marxismus - HKWM. v. 5, Berlin: 2001. 1209-1215, Copyright ((c) InkriT 2001,

Inglês - housewifization (of labour)

Francês - devenir-ménager (du travail)

Espanhol - domestificación (del trabajo)

Português - domestificação (do trabalho)

Domestificação do Trabalho

1. Com o conceito de domestificação do trabalho1, Maria Mies (1978) buscou, primeiramente, exprimir uma forma peculiar de as empresas capitalistas explorarem as mulheres do Terceiro Mundo. Em sua investigação sobre as tecelãs do sul da Índia, Mies mostra que o trabalho doméstico das mulheres não se tornou um trabalho assalariado “livre”, mas sim, que o status de “donas de casa” dessas trabalhadoras era o pressuposto necessário para reduzir seu trabalho a uma espécie de ocupação nas horas vagas e, consequentemente, para pagar pouco por ele. Mies (1978) generaliza o conceito de domestificação do trabalho para assim conceitualizar – tanto do ponto de vista ideológico como estrutural – o menosprezo e a não remuneração do trabalho doméstico, enquanto uma política em benefício do lucro do capital. O conceito de domestificação do trabalho foi rapidamente tido como adequado para a caracterização de outros processos. De acordo com Veronika Bennholdt-Thomsen (1979), o conceito deveria referir-se a relações capitalistas em geral: o processo de “domestificação do trabalho” enquanto “uma das formas centrais de sujeição dos produtores sob o capital” (p. 76) e, enquanto tal, um resultado da expansão do capitalismo e não um fenômeno transitório. “Em conjunção ao processo de domestificação do trabalho, desenvolve-se uma imagem da mulher que associa à natureza feminina as atividades domésticas – e as qualificações manuais e psíquicas necessárias para executá-las” (1983, p.196). O termo foi em seguida estendido para caracterizar o “processo de domestificação [...] das mulheres da burguesia europeia em situação de dependência da remuneração de um homem”, assim como a gênese subsequente da dona de casa no proletariado (MIES 1983, p. 118). A domestificação do trabalho “foi não apenas a pré-condição para a reprodução da força de trabalho da forma mais barata possível, mas também um meio de desprovê-la de poder político” (idem). “Domestificação do trabalho significa, ao mesmo tempo, uma total atomização e desorganização dessas forças de trabalho ocultas” (1986/1996, p. 138). “A lógica econômica da domestificação do trabalho corresponde a uma enorme economia nos custos da força de trabalho” (p. 149). Claudia Von Werlhof parte das pesquisas iniciais de Maria Mies, que apontara como as donas de casa se mostram particularmente propícias à extração de lucros excedentes, para igualmente elevar estas relações para o patamar de uma tendência geral do capitalismo. A difusão do capital não teria como finalidade a proletarização, senão “a redução do trabalho assalariado de um modo geral, e a substituição deste por relações de trabalho ‘domestificadas’ (1982, p. 92). Isso incluiria, segundo o entendimento da autora, o que o jargão neoliberal posteriormente denominaria como “flexibilização” e “desregulamentação”. Isto é, “disponibilidade em tempo integral, ausência de contrato, baixo salário, pouca ou nenhuma segurança da relação de trabalho, isolamento, ausência de sindicalização, e confluência entre trabalho doméstico e profissional” (idem). A autora prognosticou o desaparecimento do “par clássico formado por proletário (provedor) e ‘dona de casa’” e, consequentemente, o surgimento de “relações de trabalho ‘domestificadas’” também para os homens (idem).

A partir da observação de que órgãos de desenvolvimento nacional e internacional – sobretudo o Banco Mundial – difundiam programas voltados a pequenos agricultores e mulheres baseados no modelo da dona de casa, Mies apontou que o “que chama a atenção nesses projetos é que as mulheres [...] nunca são vistas enquanto ‘trabalhadoras’, isto é, enquanto proletárias; pelo contrário, são designadas como ‘donas de casa’ ou como ‘self-employed’ [autônomas] que, com base no microcrédito, produzem para exportação” (1983, p. 119). Como estas mulheres nunca foram nem serão donas de casa no sentido convencional do termo, Maria Mies designa esse processo como a “domestificação internacional do trabalho” (idem). Esta forma de categorização das mulheres do Terceiro Mundo tem como base os interesses de órgãos para o desenvolvimento – incluindo as Nações Unidas – e também abrange mulheres na China e no Vietnã.

A partir destas premissas e investigações, as três autoras (o “grupo de Bielefeld”) desenvolveram uma teoria sobre a inter-relação entre a opressão das mulheres e a exploração do Terceiro Mundo sob o capitalismo, que denominaram historicamente como o “processo bifacetado da colonização e da domestificação do trabalho”. Mies afirma que a colonização da Ásia, África e América Latina foi pré-condição para a emergência do proletariado masculino e para a domestificação de suas mulheres. Ainda que vincule a possibilidade da existência de donas de casa no proletariado ao desenvolvimento das forças produtivas e à transição para a produção em massa, a autora pressupõe, no entanto, que, para além desses fatores, tanto o desenvolvimento das forças produtivas quanto a emergência do Estado de Bem-estar Social tiveram como fundamento a exploração das colônias. Como consequência, a autora estabelece um paralelo entre os conceitos e caracteriza também a transformação das mulheres trabalhadoras em donas de casa, respectivamente, como uma colonização e uma domestificação (p.120). A instância de mediação desse processo seria o mercado mundial e tanto a divisão do trabalho internacional como a baseada no gênero. “Os processos de colonização e domestificação do trabalho só foram introduzidos e mantidos através da violência” (Ibid.). Para Veronika Bennholdt-Thomsen a domestificação do trabalho significa a manutenção violenta do posicionamento inferior e dependente da mulher, isto é, equivale a “trabalho forçado” (cf. 1983, p. 207 e ss.). A profunda diferença nas formas de violência que caracterizam as situações de vida das mulheres nas condições de colonização, de um lado, e das donas de casa em países industrializados, de outro, foi nivelada por meio da adoção, sem mais, da noção de “violência estrutural”, à qual estariam sujeitas as donas de casa do mundo ocidental. Da mesma forma, o complexo entrelaçamento entre desenvolvimento e expropriação foi simplificado através da adoção de um modelo explicativo segundo o qual umas ganham o que outras perdem, e assim por diante. As pressuposições se condensam na tese de que todo o progresso nas metrópoles está fundamentado na exploração, sobretudo das mulheres, e na exploração da natureza; a relação dos homens com as mulheres seria comparável, portanto, à relação entre a metrópole e suas colônias. Nas palavras de Maria Mies: “As ‘colônias’ são, nesse sentido, a ‘dona de casa’ global externa e as donas de casa aqui [na Alemanha, no ‘Primeiro Mundo’ – N.T.] são a colônia interna do capital e dos homens (1983, p. 117).”

2. O conceito de domestificação do trabalho serve como uma chave universal para toda uma gama de relações, tornando apreensíveis tanto o concreto-cotidiano quanto processos globais de larga escala. É utilizado enquanto simples metáfora – pode referir-se explicitamente a não donas de casa, assim como a homens -, para novamente assumir um contorno concreto como no caso do “ esposo que administra uma casa”.

O conceito é nada menos que um esforço para compreender o desenvolvimento do capitalismo em escala planetária, e, ao mesmo tempo, localizar global e coerentemente a opressão da mulher como seu fundamento geral. A teoria da domestificação do trabalho é uma teoria universal que, apesar da desconfiança pós-moderna diante das “grandes narrativas”, é conhecida e respeitada internacionalmente, ao menos no mundo de língua inglesa. Claro que isso se deve também ao fato das autoras publicarem seus trabalhos em inglês e terem suas atividades em projetos de pesquisas no Terceiro Mundo. A reivindicação é iminentemente política: deve se tornar claro “que a domestificação do trabalho se dá à custa da colonização e, além de não significar qualquer progresso para os colonizados, destrói a humanidade daquelas domestificadas” (p. 122). Reconquistar essa humanidade significa retornar à produção de subsistência.

Esta clareza na perspectiva e na finalidade estratégica se deve, no entanto, a uma série de construções problemáticas. É precisamente a negatividade geral que torna o conceito compreensível e abre as portas para sua recepção positiva. Com base na pressuposição de um desejo de emancipação feminino que vê na “dona de casa” um sinônimo para a opressão contra a mulher, o processo histórico pode ser apreendido – de acordo com a interpretação de Gunna Heinsohn e Rolf Knieper da obra de Mies (1976, cf. MIES 1983, 118) – como um processo unitário de decadência, de escravidão, confinamento e domesticação2. Analogamente a Mies, acentua também Von Werlhof que “trata-se sempre de uma ‘domesticação’, a domestificação do trabalho das mulheres, de todas as mulheres do planeta, onde quer que vivam e trabalhem” (1985, p.23). O argumento só se sustenta na medida em que apenas exemplos de subjugação e destruição da mulher (MIES 1986, p. 95ss.) são apresentados como evidência (por exemplo, torturas e a queima de bruxas na fogueira, p.110ss.). Ao mesmo tempo, tanto as atitudes das mulheres perante sua domestificação quanto às ações das próprias mulheres são omitidas. O processo histórico, no período em questão, assume a forma de uma única conspiração, que deve ser revelada, ao invés de um movimento contraditório, no qual se deve intervir. Se, por um lado, condições escandalosas do terceiro mundo são elucidadas, o caráter enfático com que são apresentadas se dá, todavia, à custa da insuficiência na análise da situação anterior à domestificação do trabalho. É questionável se a gigantesca acusação contida no conceito de domestificação do trabalho e os respectivos esforços para comprová-la de alguma maneira, ampliam a capacidade de ação das atoras locais.

Gabrielle Dietrich descreve essa “forma particular de trabalho assalariado que Mies chamou de domestificação do trabalho como uma conexão direta entre a divisão do trabalho baseada no gênero, presente no trabalho de subsistência doméstico, e o trabalho assalariado” (1984, p. 33). Dietrich compreende o conceito como uma divisão no interior da classe trabalhadora, cuja superação deve ser conquistada: “A resistência que deve ser superada é o interesse material dos trabalhadores homens em manter intocada a divisão do trabalho segundo o gênero, tanto na esfera doméstica quanto no local de trabalho” (idem), preservando a habitual divisão entre trabalho físico e intelectual, cuja função é assegurar sua posição de poder, e fazendo-o de tal maneira que seja concedida às mulheres pouca ou nenhuma formação.

Em sua apreciação em grande medida simpática às formuladoras da teoria da domestificação do trabalho, Steffi Engert (1986) problematiza a negligência das autoras para com a análise de estruturas de trabalho assalariado em favor de uma estratégia contra exploração que desconsidera particularidades históricas – como o fato de que os trabalhadores assalariados, de forma alguma denominavam as donas de casa primeiramente como sua propriedade ou o fato de que também as mulheres são trabalhadoras assalariadas -, em troca da projeção de uma generosa unidade entre mulheres e pequenos agricultores, considerados o cerne da sociedade do futuro. Ademais, determinantes essenciais – como as relações desiguais no comércio entre países industrializados e o “Terceiro Mundo” – foram desconsiderados, assim como as diversas formas de luta das mulheres, que não se reduzem à recusa do consumo e à rejeição da tecnologia. Engert (1986) considera a frente contra os trabalhadores assalariados uma tentativa “teórica e prática de saída da sociedade capitalista, mas cuja consequência é o abandono da luta por uma sociedade livre” (p. 28).

3. As formuladoras do conceito de domestificação do trabalho retornam constantemente a Karl Marx. Curiosamente, todavia, distanciam-se dele de maneira mais explícita precisamente nos aspectos onde mais plenamente poderiam concordar. Por exemplo, quando afirmam que o capitalismo significa a pilhagem da natureza (MEW 23, 528 e ss.),3 ou que a riqueza na sociedade capitalista aparenta, somente à primeira vista, consistir numa aglomeração de mercadorias (MEW 23, 49)4, ou ainda quando Mies, convencida de que está indo contra Marx, pergunta de maneira polêmica: “Por que deve a ‘produção da vida’ consistir apenas na reprodução da força de trabalho?” (1983, p.116). O mesmo se verifica quando assevera, supostamente contra Marx, que o trabalho das donas de casa também é produtivo. É desnecessário acentuar aqui que também Marx e Frederich Engels falam ‘da produção da vida’ (entre outros, cf. MEW 3, p. 295 e ss..; MEW 21, p. 276 e ss.; MEW 37, p. 4637), ou o fato de que Marx argumenta que, somente a partir do ponto de vista do capital, fala-se apenas da reprodução da força de trabalho ou de que o trabalho das donas de casa não seria produtivo (MEW 23, p.5328). Ainda que as autoras estejam com Marx em alguns dos alicerces centrais de sua crítica ao capitalismo, isso não se verifica no método da análise, pois renunciam a toda contradição, isto é, a análise das formas no interior das quais os atores agem contraditoriamente, o que vale, em última instância, para as próprias atoras, reduzidas a meras vítimas. Uma consideração dos estudos no âmbito da “antropologia econômica” (MEILLASSOUX, Claude, 1983) desde os anos 1960, nos quais se determina teórica e conceitualmente a relação entre formas de “produção doméstica” (MEILLASSOUX, 1983) e estruturas capitalistas e imperialistas, poderia contribuir para alargar o diagnóstico unidimensional de uma manipulação capitalista-patriarcal da história em prejuízo da mulher e, em última instância, de grande parte dos trabalhadores homens.

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1No original a tradução do verbete em português não estava listada. O verbete em português está baseado numa aproximação com o espanhol. A tradução desse texto para o português foi feita por Mylene N. Teixeira. A primeira leitura do texto em português foi por Maria da Graça Jacintho Setton, professora titular da Faculdade de Educação da USP. A segunda fase de aperfeiçoamento da tradução e revisão teve a contribuição de Victor Strasseri, que contou com a supervisão da própria autora, Frigga Haug.

2Nota da tradutora sobre a palavra no original – substantivo Verhaustierung, que significa literalmente domesticação de um animal selvagem, aqui aproximado ao conceito de domestificação do trabalho. Daí o peso dessa expressão já que sugere uma analogia entre a domestificação da dona de casa e o processo de domestificação dos animais.

3MEW- Marx-Engels Werke – é a sigla das obras completas de Marx e Engels em alemão. Referência à obra “O Capital” Livro I, cap. 13, seção 10.

4Referência às palavras de abertura do Livro I da obra “O Capital”.

5Referência à Ideologia Alemã, I. Feuerbach, [1.] História.

6Prefácio de Engels (1884) à Origem da Família, da propriedade privada e do Estado.

7Carta de Engels a Joseph Bloch (21 e 22 de Setembro de 1890).

8O Capital, Livro I, cap. 14.

Recebido: 19 de Outubro de 2017; Aceito: 02 de Janeiro de 2018

Frigga Haug é doutora em sociologia e psicologia social. Professora aposentada da Universidade de Hamburg, onde atuou de 1978 a 2001. Foi professora visitante no Canadá, Austrália e Áustria. Fundadora do Instituto de Pesquisa da Teoria Crítica de Berlim, que também edita o Dicionário Histórico-crítico do Marxismo, de onde foi extraído o referido verbete

Professora associada do Laboratório de Estudos de Educação e Linguagem (LEEL) da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF). Doutora em Sociologia Política pela Westfälische Willhelms Universität Münster - Alemanha. Atualmente pós-doutoranda da FE-USP em Sociologia da Educação

Doutor em ciência política pela Freie Universität Berlin, atualmente pós-doutorando no Instituto de História da Universidade de Berna, Suíça. Colaborador do Dicionário Histórico-crítico do Marxismo desde 2014

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