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Texto & Contexto - Enfermagem

versão impressa ISSN 0104-0707

Texto contexto - enferm. vol.21 no.1 Florianópolis jan./mar. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-07072012000100023 

REVISÃO DE LITERATURA

 

Implicações do sofrimento moral para os(as) enfermeiros(as) e aproximações com o Burnout1

 

Implicaciones del sufrimiento moral para las enfermeras y aproximaciones con el burnout

 

 

Graziele de Lima DalmolinI; Valéria Lerch LunardiII; Edison Luiz Devos BarlemIII; Rosemary Silva da SilveiraIV

IDoutoranda em Enfermagem do PPGEnf/FURG. Professora Assistente I da Universidade Federal do Pampa. Rio Grande do Sul, Brasil. E-mail: grazieledalmolin@yahoo.com.br
IIDoutora em Enfermagem. Professora Associado III da Escola de Enfermagem (EENF) da FURG, Bolsista de CNPq. Rio Grande do Sul, Brasil. E-mail: vlunardi@terra.com.br
IIIDoutorando em Enfermagem do PPGEnf/FURG. Professor Assistente I da EENF/FURG. Rio Grande do Sul, Brasil. E-mail: ebarlem@gmail.com
IVDoutora em Enfermagem. Professora Adjunto II da EENF/FURG. Rio Grande do Sul, Brasil. E-mail: anacarol@mikrus.com.br

Correspondência

 

 


RESUMO

Realizou-se uma revisão integrativa, com o objetivo de identificar as implicações do sofrimento moral para os(as) enfermeiros(as), aproximações entre sofrimento moral e burnout, e estratégias de enfrentamento do sofrimento moral, na literatura científica nacional e internacional publicada nos últimos 10 anos. As bases de dados foram CINAHL, MEDLINE e SAGE, e as palavras-chave, sofrimento moral, burnout e enfermagem. Obtiveram-se 21 artigos para análise, realizada em quatro etapas: redução, visualização e comparação dos dados, e verificação e esboço da conclusão. Identificou-se que o sofrimento moral vivenciado pelos(as) enfermeiros(as) manifesta-se na dimensão pessoal, com alterações emocionais e físicas, e na dimensão profissional, com insatisfação no trabalho, burnout e abandono da profissão. Constataram-se estratégias de enfrentamento em três dimensões: educativa, comunicativa e organizacional. Considera-se necessário maior exploração dessa temática, contribuindo para a prevenção do sofrimento moral.

Descritores: Moral. Ética. Burnout. Enfermagem.


RESUMEN

Fue realizada una revisión integradora, con objetivo de identificar las consecuencias del sufrimiento moral para enfermeros, similitudes entre sufrimiento moral y burnout, y estrategias de enfrentamiento del sufrimiento moral, en la literatura científica nacional e internacional publicada en los últimos 10 años. Las bases de datos fueron CINAHL, MEDLINE y SAGE, con las palabras clave sufrimiento moral, burnout y enfermería. Se obtuvieron 21 artículos para análisis, realizada en cuatro etapas: reducción, visualización y comparación de los datos, verificación y esbozo de la conclusión. El sufrimiento moral sufrido por enfermeros se manifiesta en dimensión personal, con cambios emocionales y físicos, en dimensión profesional, con insatisfacción en el trabajo, burnout y abandono de la profesión. Fue constatado estrategias de enfrentamiento en tres dimensiones: educativa, comunicativa y organizacional. Se considera necesaria mayor exploración de este tema, contribuyendo a prevención del sufrimiento moral.

Descriptores: Moral. Ética. Burnout. Enfermería.


 

 

INTRODUÇÃO

Nos ambientes de atuação da enfermagem, em que, muitas vezes, predomina a enfermidade, os(as) trabalhadores(as) de enfermagem sofrem várias influências, pois se encontram expostos(as) a uma elevada gama de estressores, o que pode levá-los(as) a vivenciar problemas e dilemas morais em seus cotidianos e, consequentemente, sofrimento moral.1

Os problemas morais podem ocorrer quando existem diferenças de percepção sobre uma mesma situação, as quais não são comunicadas, compreendidas e nem resolvidas adequadamente, o que pode ocasionar dilemas e sofrimento moral.2 Por dilema moral entendem-se as situações em que valores morais importantes estão em conflito e a decisão por uma opção torna inválida a outra.3 Já o sofrimento moral refere-se àqueles sentimentos dolorosos e desequilíbrio psicológico, que ocorrem quando as enfermeiras estão conscientes da conduta moralmente correta a ser tomada, porém são impedidas de seguir com este curso de ação, seja por obstáculos como falta de tempo, relutância da supervisão, inibidora estrutura do poder médico, políticas institucionais ou considerações legais.3

Ao buscar compreender como os problemas morais, dilemas morais e sofrimento moral são vivenciados pelos(as) enfermeiros(as) em seus cotidianos, em instituições hospitalares públicas e privadas, foi constatado que o cuidado de enfermagem torna-se fragilizado e fonte de sofrimento moral tanto por problemas relacionados à (des)organização do trabalho quanto à humanização do trabalho, envolvendo a insuficiência de recursos materiais e humanos, relações interpessoais,4-5 respaldo institucional para o exercício da sua autonomia, desrespeito aos direitos dos pacientes e morte por negligência.5

Neste sentido, o sofrimento moral, ao ser vivenciado pelos(as) enfermeiros(as), parece apresentar implicações para estes profissionais, tanto individuais quanto profissionais, com o desenvolvimento de sintomas de ordem emocional, como, frustração, ansiedade, raiva e culpa; e de ordem física, como, tremores, sudorese, dores de cabeça, diarréias e choro,6-7 com possíveis riscos para baixa autoestima, perda da integridade e, inabilidade em proporcionar bons cuidados aos pacientes.7 Pode ocasionar, ainda, a perda de satisfação no trabalho, menor qualidade no relacionamento com o paciente e até abandono do trabalho e da profissão,8 o que tem preocupado amplamente a categoria, pela crescente insuficiência de profissionais de enfermagem, além de possíveis problemas relacionados ao cuidado e à segurança dos pacientes e dos próprios trabalhadores.9

Assim, o sofrimento moral relaciona-se, principalmente, com as condições e conflitos no ambiente de trabalho, fatores que estão, similarmente, ligados ao burnout, pois este está associado à sobrecarga e insatisfação no trabalho e ao abandono da profissão por enfermeiros(as).10 A síndrome de burnout é um processo que leva à exaustão física, mental e emocional, em decorrência de um período prolongado de exposição a altos níveis de estresse.11 As fontes crônicas de estresse emocional e interpessoal no trabalho relacionam-se com experiências de esgotamento, decepção e perda do interesse pela atividade de trabalho, que surge principalmente em profissionais voltados para atividades de cuidado com outros, envolvendo características pessoais e do ambiente de trabalho, compreendendo três dimensões, exaustão emocional, despersonalização e diminuição da realização pessoal.12

Assim, diante da relevância da temática sofrimento moral, para o(a) trabalhador(a) de enfermagem, seja para sua vida pessoal, seja para a sua relação com o trabalho, teve-se como questão de pesquisa: "quais as implicações do sofrimento moral para os(as) enfermeiros(as)?"; e, como objetivo, identificar as implicações do sofrimento moral para os(as) enfermeiros(as), as aproximações entre sofrimento moral e burnout, e estratégias de enfrentamento do sofrimento moral, na literatura científica nacional e internacional publicada nos últimos 10 anos.

 

METODOLOGIA

Trata-se de uma revisão integrativa, um amplo método de revisão que resume dados empíricos e teóricos da literatura, de maneira sistematizada e organizada, proporcionando um entendimento mais abrangente do fenômeno de estudo,13 ao interconectar achados de estudos já existentes,14 neste caso, o sofrimento moral e suas implicações para os(as) enfermeiros(as).

Este estudo seguiu as cinco fases de revisão integrativa, sendo elas: formulação e identificação do problema, coleta de dados, avaliação dos dados, análise e interpretação dos dados coletados, e apresentação dos dados.13,15

Na primeira fase, foi realizado um aprofundamento teórico sobre o sofrimento moral, chegando-se à questão de pesquisa. Na segunda fase, realizou-se o levantamento bibliográfico, através de buscas nas bases de dados da CINAHL (Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature), MEDLINE (Medical Literature Analysis and Retrieval Sistem on-line) e SAGE Journals Online, utilizando-se as palavras-chave sofrimento moral (moral distress), burnout e enfermagem (nursing). Ainda nesta fase, foram definidos critérios de seleção para inclusão dos artigos, entre eles: estar indexado nas bases de dados já citadas, com as referidas palavras-chave; estar redigido nos idiomas português, inglês ou espanhol; ter sido publicado no período de 1999 a 2009; apresentar resumo para primeira análise e ter acesso ao texto completo, pelas próprias bases de dados ou pelo Portal de Periódicos CAPES. Na busca às bases de dados, de acordo com os critérios estabelecidos, chegou-se a um total de 32 artigos, porém oito não estavam disponíveis na íntegra e três deles repetiram-se em duas bases de dados.

Na terceira fase, os textos encontrados foram avaliados quanto à qualidade dos dados e relação ao problema de pesquisa. Obteve-se, ao final desta fase, um total de 21 artigos para análise, entre as três bases de dados utilizadas para coleta.

A fase de análise dos dados contemplou as etapas de redução, visualização e comparação dos dados, e verificação e esboço da conclusão.13 Na redução dos dados, estes foram subdivididos em subgrupos, relacionando-os conforme nome dos autores, nome do periódico, título, objetivos e abordagem, tipo de estudo, método de coleta de dados, população alvo; característica da amostra; tipo de análise; idioma, procedência, evidências e ano de publicação. Na visualização dos dados, esses foram agrupados em quadros de exibição, contendo os selecionados como importantes, de acordo com o problema de pesquisa. Na comparação dos dados, os quadros de visualização foram analisados, identificando temas e relações. E, por fim, na verificação e esboço da conclusão, foram elaboradas graduais generalizações para cada subgrupo analisado, ou seja, os dados foram categorizados e resumidos de maneira integrada.

Por fim, na fase de apresentação dos dados, foram apresentadas as conclusões da revisão integrativa desenvolvida, demonstrando sua elaboração juntamente com impressões e reflexões das autoras.

 

RESULTADOS

Nesta revisão integrativa, foram encontrados 32 estudos, após o cruzamento das palavras-chave utilizadas, porém, destes, selecionaram-se 21 artigos para análise, pois três foram repetidos, e a oito artigos não se teve acesso ao texto na íntegra. Os artigos selecionados para análise estão descritos no quadro 1.

A partir da análise dos artigos descritos na quadro 1 foi possível constatar que o sofrimento moral vivenciado no ambiente de trabalho pelos(as) enfermeiros(as) apresenta implicações para estes profissionais, como manifestações na dimensão pessoal e na dimensão profissional, bem como identificar estratégias de enfrentamento do sofrimento moral, elucidados nas categorias de análise "Implicações do sofrimento moral para as enfermeiras e aproximações com o burnout" e "Estratégias de prevenção e enfrentamento do sofrimento moral", as quais serão apresentadas a seguir.

Implicações do sofrimento moral para as enfermeiras e aproximações com o burnout

O sofrimento moral vivenciado pelos(as) enfermeiros(as) provoca sucessivas mudanças nas suas vidas, tanto na dimensão pessoal, manifestado por alterações emocionais e físicas, quanto na dimensão profissional, com repercussões no desempenho do próprio trabalho. A partir da análise dos textos é possível considerar que as implicações do sofrimento moral nestas duas dimensões apresentam aproximações com o burnout.

No que se refere às manifestações emocionais, estas aparecem conjuntamente com o sofrimento moral inicial, o qual é visto como um desequilíbrio psicológico experenciado pelos(as) enfermeiros(as) quando se deparam com barreiras para desempenhar as ações e comportamentos que consideram adequados, sendo impedidos(as) de realizá-los (I). Dentre as manifestações citadas, as mais recorrentes foram frustração e sentimento de impotência, pela percepção da falta de poder nas tomadas de decisão.16-23 O sentimento de impotência parece ser aumentado com o desenvolvimento do sentimento de culpa do(a) enfermeiro(a), pois este parece estar associado ao afastamento de seus ideais profissionais, limitando sua autoeficácia.20,24-25

O sentimento de frustração pode estar associado ao sofrimento moral vivenciado pelos(as) enfermeiros(as) em diferentes situações e por particularidades de cada ambiente de trabalho. No caso de uma unidade de urgência e emergência, o sofrimento moral parece manifestar-se pelas condições de superlotação, falta de espaço e privacidade para os pacientes, podendo contribuir para o desenvolvimento do burnout entre os(as) enfermeiros(as), pois percebem que estão falhando em prover um cuidado de qualidade (IV). Já na atuação dos(as) enfermeiros(as) em serviços de telesaúde, a frustração é causada por conflitos decorrentes de políticas organizacionais e conflitos com pacientes, frente à prescrição de cuidados do(a) enfermeiro(a), o que também pode provocar o desenvolvimento do burnout nestes(as) profissionais, pela dificuldade de resolver os desafios morais como os dilemas, sofrimento e incertezas (VI).21 O burnout, para os(as) enfermeiros(as), parece, também, estar associado aos sentimentos de frustração e impotência, podendo comprometer o cuidado ao paciente, com manifestações nas suas três dimensões, a exaustão emocional, a diminuição da realização pessoal e a despersonalização.17,26

Outras manifestações emocionais decorrentes do sofrimento moral são destacadas nos textos analisados, incluindo sentimentos de culpa, ressentimentos, raiva, humilhações, vergonha, tristeza, angústia, ansiedade, medo, insegurança, não valorização do trabalho, depressão, diferenças de opiniões e descontentamento com o trabalho.16-21,23,27-28

Já as manifestações físicas parecem ocorrer num segundo estágio do sofrimento moral, ou seja, no sofrimento moral reativo, decorrente do contínuo sofrimento moral experenciado pelos(as) enfermeiros(as) quando não conseguem ultrapassar as barreiras para uma ação e um comportamento moral identificados como necessários já no sofrimento moral inicial, podendo ocorrer, também, o desenvolvimento de sintomas semelhantes ao do burnout.16 Entre os sintomas físicos mais frequentes, encontram-se: crises de choro, perda do sono, perda do apetite, pesadelos, sentimentos de inutilidade, taquicardia, dores de cabeça, dores musculares, suores, tremores, distúrbios gastrointestinais e estresse.16,18,20,23

Embora esta problemática necessite maior investigação e aprofundamento, pode-se dizer que parece existir similaridades entre os fenômenos de sofrimento moral e burnout, ainda que o sofrimento moral possa ser distinguido por suas características únicas e pelo seu processo de desenvolvimento, ou seja, quando o(a) enfermeiro(a) se sente responsável por uma ação moral, experencia obstáculos para implementar a ação desejada, desenvolvendo sentimentos negativos quando tal ação não é implementada.16 As manifestações físicas e emocionais do sofrimento moral, experenciadas por muitos anos, podem resultar no abandono da profissão ou em burnout.16,20,23,25 A frequência de situações que podem levar ao sofrimento moral tem sido, significativamente, associada à experiência de exaustão emocional e burnout.18

O sofrimento moral, associado a um clima organizacional eticamente pobre, parece exercer um impacto negativo sobre a satisfação dos(as) enfermeiros(as) no trabalho.29 A insatisfação no trabalho está associada ao abandono da profissão, com o sentimento de não querer retornar ao trabalho após cada plantão, pois os(as) enfermeiros(as) questionam-se quanto ao propósito do cuidado fornecido aos pacientes e da ética hospitalar.29 Associado à percepção do sofrimento moral, parece também haver uma diminuição das interações com os pacientes e familiares, provendo um cuidado menos personalizado, numa tentativa de distanciarem-se da dor e de um maior sofrimento.18

O desejo de mudar de emprego ou abandonar a profissão pode estar relacionado à incapacidade dos(as) enfermeiros(as) em evitar e enfrentar o sofrimento moral, decisões que são acompanhadas de sentimentos de baixa autoestima e impotência diante da situação desencadeadora29. O abandono da profissão tem se constituído em fonte de preocupação, pelos custos elevados para as instituições, frente às atividades de recrutamento, treinamento e aos ônus de rescisão contratual, além da preocupação da perda dos profissionais, fazendo-se necessária a criação de uma cultura de retenção para os profissionais de enfermagem.30

Assim, mostra-se relevante, também, a identificação de estratégias de enfrentamento e prevenção para as experiências de sofrimento moral na enfermagem, de modo a aumentar a satisfação no trabalho, diminuindo, consequentemente, o abandono da profissão.30

Estratégias de prevenção e enfrentamento do sofrimento moral

De acordo com os textos analisados pode-se dizer que a busca do conhecimento da produção acerca de estratégias de prevenção e enfrentamento do sofrimento moral deve ocupar um lugar de destaque para evitar a naturalização deste fenômeno na enfermagem. Tais estratégias referem-se, principalmente, à dimensão educativa, incluindo o processo de formação e a educação permanente; à dimensão comunicativa, o que inclui a comunicação multiprofissional, comunicação estruturada, "rounds" éticos, fóruns, simulações e palestras; e à dimensão organizacional.

Em relação à dimensão educativa, sugere-se que os educadores da enfermagem devem fortalecer as discussões e reflexões acerca das questões éticas no processo de educação profissional mediante o ensino de estratégias para estimular o exercício de poder dos(as) enfermeiros(as), com modelos de comportamento adequados para o enfrentamento de situações de dilemas e sofrimento moral, assim como para o estabelecimento de relações interpessoais efetivas no trabalho, ou seja, que os preparem para diálogos éticos com outros profissionais.25,31 Ainda na dimensão educativa, há uma ênfase nos programas de educação permanente, com ações informativas sobre sofrimento moral, como o oferecimento de "workshops" éticos e atualizações sobre a literatura ética ou cursos sobre ética, juntamente com a atuação dos comitês de ética, proporcionando oportunidades de discussão, enfrentamento e busca de respostas aos conflitos éticos presentes nas práticas cotidianas do cuidado à saúde nas instituições.20, 22, 25,30-33 A educação interdisciplinar dos profissionais de saúde, também, é vista como estratégia fundamental, pelo fortalecimento do espaço colaborativo entre os membros da equipe de saúde, possibilitando a socialização e discussão a respeito dos cuidados prestados aos pacientes; para auxiliar nesse processo, também é sugerida a aproximação de filósofos e psicólogos.18,34-35

Estratégias de prevenção e enfrentamento do sofrimento moral, na dimensão comunicativa, incluem a comunicação multiprofissional, a comunicação estruturada, os "rounds" éticos, os fóruns de discussão em grupos, a simulação de situações conflituosas e palestras sobre cuidados aos pacientes. Com exceção das palestras sobre cuidados aos pacientes, todas as demais são direcionadas à melhoria da comunicação entre os membros da equipe de saúde.18,20,22,31,33,35 A comunicação multiprofissional é vista como essencial especialmente pelo conhecimento do(a) enfermeiro(a) das manifestações e alterações apresentadas pelos pacientes, já que atuam mais proximamente desses. Já a comunicação estruturada contribui para a comunicação multiprofissional, mediante o estabelecimento de uma ordem de discussão, ou seja, primeiramente há a descrição da situação, seguida da apresentação do seu "background", ou seja, do que se encontra relacionado à situação apresentada, depois, é feita uma a avaliação e, por fim, as recomendações.35

Os "rounds" éticos, fóruns de discussão em grupos e simulação de situações conflituosas são importantes para discutir, numa perspectiva moral e ética, questões relacionadas às metas dos tratamentos dos pacientes, assim como estudos de caso, incentivando estratégias para ação.18, 22,31-32,35 E, por fim, a realização de palestras é utilizada, principalmente, para favorecer o desenvolvimento da comunicação entre profissionais da equipe de saúde e familiares, proporcionando, também, oportunidades para os(as) enfermeiros(as) dialogarem com outros profissionais da equipe, expondo suas crenças e direcionando dilemas éticos relacionados ao cuidado.20,31,33,35

Dessa forma, percebe-se que a comunicação é um elemento essencial na prática de enfermagem, seja na própria equipe, entre os(as) enfermeiros(as), seja destes(as) com a equipe médica, para evitar conflitos e manter a sua satisfação no trabalho.20,22,25,33,35

O enfrentamento do sofrimento moral, em uma dimensão organizacional, inclui estratégias como a inserção de enfermeiros(as) e chefes de enfermagem no planejamento de políticas organizacionais, participando das tomadas de decisão e incorporando medidas para segurança,18,21,32 como a contratação de mais enfermeiros(as) para diminuir sua sobrecarga de trabalho, aumentando o tempo disponível para investir em ações de educação à saúde e medidas de prevenção de agravos.33 A melhoria das condições de trabalho, como a distribuição de recursos materiais, e a promoção de ambientes sustentáveis, com uma maior proximidade dos(as) enfermeiros(as) junto aos pacientes, de maneira a evitar o sofrimento moral, também se faz importante.20,36 Assim, pode-se dizer que quando existe o necessário apoio da administração, a liderança na enfermagem pode ser aumentada, pois, algumas vezes, as chefias de enfermagem são descritas como invisíveis, uma vez que não advogam pelos funcionários nem sequer pelos clientes.20,22

Assim, o sofrimento moral e os desafios do ambiente de trabalho dos(as) enfermeiros(as) devem ser valorizados, para que estratégias de enfrentamento e prevenção sejam desenvolvidas e socializadas, evitando o abandono da profissão, a insatisfação no trabalho, o possível desenvolvimento do burnout e, consequentemente, a escassez de enfermeiros(as) para atuação nas instituições de saúde.26,35

 

DISCUSSÃO

A partir da revisão integrativa implementada, foi possível perceber as implicações do sofrimento moral para os(as) enfermeiros(as) em diversos aspectos, tanto numa dimensão pessoal quanto profissional. Na dimensão pessoal, os(as) enfermeiros(as) podem apresentar manifestações emocionais e físicas, enquanto na dimensão profissional, as manifestações para os(as) enfermeiros(as) são decorrentes do próprio desempenho no trabalho, com interferências na satisfação, podendo levar ao abandono da profissão.

As implicações emocionais decorrentes do sofrimento moral parecem estar fortemente relacionadas à falta de poder dos(as) enfermeiros(as) nas tomadas de decisão, o que os(as) faz agir, muitas vezes, contrariamente, às suas crenças e valores, negando seus conhecimentos, com o desenvolvimento de sentimentos de frustração, impotência e culpa, relacionados aos conflitos organizacionais e éticos. Já no que se refere às implicações físicas, estas aparecem no estágio de sofrimento moral reativo, o qual é mais avançado, podendo, também, levar ao burnout.

Neste sentido, algumas consequências do sofrimento moral para os(as) enfermeiros(as) podem ser distinguidas em nível individual ou em nível institucional. No primeiro, aparece o sofrimento pela submissão em situações de conflitos, com o desenvolvimento do burnout e o abandono da profissão; já no segundo, aparecem os altos índices de rotatividade dos(as) enfermeiros(as), com dificuldades no seu recrutamento, diminuição da qualidade do cuidado, perda da satisfação dos pacientes, o que compromete a reputação da instituição,37 o que parece estar associado à usual falta de proteção e atenção necessárias aos(às) enfermeiros(as) no desempenho de suas atividades, evitando acidentes e doenças decorrentes do trabalho.38

A exaustão emocional, uma das dimensões do burnout, também parece estar fortemente associada ao sofrimento moral. Entre as causas da exaustão emocional, encontram-se a sobrecarga no trabalho e o conflito pessoal nas relações, ou seja, um desgaste a partir de vínculo afetivo criado nas relações do indivíduo com o trabalho.38-39

Considera-se também que as más condições de trabalho, relações interpessoais frágeis e modelos de gestão pouco participativos contribuem para o desgaste dos trabalhadores de enfermagem.40 O trabalho, assim, muitas vezes, pode ser fonte de sofrimento moral e burnout para os(as) enfermeiros(as), pelas condições em que é realizado, podendo interferir tanto na dimensão pessoal quanto na profissional, com possíveis influências negativas para o resultado do trabalho e para a vida destes trabalhadores. Daí a relevância da busca pelos(as) enfermeiros(as) de um significado para seu trabalho, no sentido de valorizá-lo, de modo a evitar ou enfrentar melhor o esgotamento profissional e o sofrimento moral no ambiente de trabalho. Os(as) enfermeiros(as) envolvem-se emocionalmente no trabalho para o melhor desempenho do cuidado, porém muitas vezes precisam negar suas emoções e crenças para agirem de acordo com o que recomenda a instituição.41-42 Neste sentido, a busca de estratégias se faz importante para a promoção da autonomia e o reconhecimento dos(as) enfermeiros(as), evitando consequentemente a insatisfação com o trabalho, o burnout e o abandono da profissão.42

Estratégias de prevenção e enfrentamento do sofrimento moral são fundamentais tanto para a satisfação no trabalho, quanto para a retenção dos(as) enfermeiros(as) no ambiente de trabalho, temática que deve ser abordada no seu processo de formação e nas instituições de saúde, de modo a contribuir também para o reconhecimento e enfrentamento dessa problemática. Assim, faz-se importante, a criação, nas instituições de saúde, de ambientes éticos, em que os(as) enfermeiros(as) possam se expressar, reconhecendo sua liberdade para discutir a respeito do que consideram o melhor no cuidado aos pacientes, valorizando seus conhecimentos e seu papel na equipe de saúde, incentivando práticas de respeito e colaboração na equipe multiprofissional, em vista de maiores benefícios no desenvolvimento do trabalho, refletindo-se em uma melhor assistência aos pacientes.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Frente à constatação das implicações do sofrimento moral para a vida dos(as) enfermeiros(as) numa dimensão pessoal, com manifestações emocionais e físicas e, numa dimensão profissional, com a insatisfação no trabalho, burnout e abandono da profissão, assim como para as instituições de saúde e para o cuidado oferecido aos pacientes, faz-se fundamental a realização de estudos que focalizem o desenvolvimento do sofrimento moral. Além disso, é necessária a implementação de estratégias que fortaleçam o ambiente ético organizacional, a valorização e reconhecimento do trabalho do(a) enfermeiro(a) na instituição, contribuindo, então, para o seu bem-estar e o adequado provimento de cuidados aos usuários dos serviços de saúde, assim como a ampliação do diálogo colaborativo com outros profissionais da equipe de saúde.

Neste sentido, ainda, mostra-se fundamental a abordagem e exploração da temática sofrimento moral tanto no processo de formação dos(as) enfermeiros(as), quanto nas próprias instituições de saúde, de modo a contribuir para a prevenção e o enfrentamento desse sentimento e das implicações decorrentes, dentre as quais, encontra-se, também, o abandono dos ideais da profissão pelos(as) enfermeiros(as). A insatisfação no trabalho e o abandono da profissão são problemas graves que devem ser enfocados. No entanto, o abandono dos ideais da profissão pelos(as) enfermeiros(as) no próprio exercício da profissão é um problema que urge e exige seu imediato enfrentamento, de modo a assegurar-se a continuidade da identidade da enfermagem como uma profissão cuja essência é o cuidado.

Salienta-se, por fim, que todos os artigos analisados nesse estudo foram publicados fora do Brasil e redigidos no idioma inglês, o que pode refletir mais a realidade de outros países do que a nacional. Porém, o estudo do sofrimento moral, assim como de suas implicações para os(as) enfermeiros(as), decorrentes de problemas e dilemas morais, presentes no cotidiano do trabalho da enfermagem, embora vivenciados, aparentemente todos os dias, é pouco investigado e pouco conhecido pelos(as) enfermeiros(as), que muitas vezes, são afetados(as) por suas manifestações, mas não sabem como reagir à elas, o que reforça a necessidade de valorização da dimensão ética em seus ambientes de atuação.

 

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Correspondência:
Graziele de Lima Dalmolin
Rua Domingos de Almeida, 1541, ap. 302
97500-002 - Centro, Uruguaiana, RS, Brasil.
E-mail: grazieledalmolin@yahoo.com.br

Recebido: 4 de outubro de 2010
Aprovado: 8 de julho de 2011

 

 

1 Artigo originado a partir da dissertação - Sofrimento moral na enfermagem e suas implicações para as enfermeiras: uma revisão integrativa, apresentada Programa de Pós-Graduação em Enfermagem (PPGEnf) da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), em 2009.