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Texto & Contexto - Enfermagem

Print version ISSN 0104-0707

Texto contexto - enferm. vol.21 no.3 Florianópolis July/Sept. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-07072012000300002 

ARTIGO ORIGINAL

 

Significado atribuído pelos idosos à vivência em uma instituição de longa permanência: contribuições para o cuidado de enfermagem1

 

 

Tatiane MichelI; Maria Helena LenardtII; Susanne Elero BetiolliIII; Dâmarys Kohlbeck de Melo NeuIV

IDoutoranda do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da UFPR. Bolsista REUNI/UFPR. Paraná, Brasil. E-mail: gmpiufpr@yahoo.com.br
IIDoutora em Filosofia da Enfermagem. Professora Sênior do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da UFPR. Paraná, Brasil. E-mail: curitiba.helena@gmail.com
IIIMestranda do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da UFPR. Bolsista CAPES/UFPR. Paraná, Brasil. E-mail: susanne.elero@yahoo.com.br
IVMestranda do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da UFPR. Bolsista CAPES/UFPR. Paraná, Brasil. E-mail: damy_neu@yahoo.com.br

Correspondência

 

 


RESUMO

Trata-se de estudo etnográfico com o objetivo de interpretar o significado atribuído pelos idosos à vivência em uma Instituição de Longa Permanência para Idosos, do município de Curitiba, Paraná. As informações foram coletadas por meio de observação participante e entrevista etnográfica, em uma instituição de caráter privado com fins lucrativos, no período de janeiro a agosto de 2010, e analisadas em domínios, taxonomias e tema cultural. Os informantes-chave foram idosos residentes, selecionados mediante critérios de inclusão. Emergiram os domínios culturais: motivos que levaram a viver na instituição; maneiras de viver: atividades do cotidiano; atividades promovidas pela instituição; sentimentos atribuídos à vivência; atributos da instituição; e atributos das pessoas residentes; e o tema cultural: em busca do néctar da vida. Essa vivência significou para os idosos a possibilidade de ser cuidado, compreendido de forma abrangente, como manutenção da vida e otimização do bem-estar, implicando em ações de cuidado de enfermagem.

Descritores: Idoso. Instituição de longa permanência para idosos. Pesquisa. Enfermagem. Antropologia cultural.


 

 

INTRODUÇÃO

Quando surgiram, os asilos tinham características de lugar para a degeneração da velhice e alienação do mundo. Nesses locais eram salientes as situações de abandono e a condição de dependência dos idosos. Hoje, ainda se constata que as disfunções físicas, cognitivas e sociais, muitas vezes presentes entre as pessoas idosas, culminam na necessidade de institucionalização. A legislação vigente que estabelece os critérios mínimos para o funcionamento dessas instituições consta na Resolução da Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária nº 283, de 26 de setembro de 2005, na qual receberam a denominação de Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI).1

A literatura a respeito da temática das ILPIs aponta para situações como o isolamento e o abandono, além da perda da identidade e autonomia dos residentes; porém, alguns estudos recentes mostram que a admissão nessas instituições aparece como condição de acesso a cuidados de saúde, apoio social e segurança. "Culturalmente uma ILPI é rejeitada socialmente pelo simbolismo que carrega, por outro lado, está cada vez mais sendo a alternativa de quem ficou sem condições de tocar a vida autonomamente".2:259

Um estudo etnográfico foi realizado em uma ILPI, com base nas narrativas e memórias dos idosos.3 Apesar dos relatos das más condições de habitação no passado, atualmente o controle social da instituição sofreu mudanças e possibilitou aos idosos fazerem escolhas, como de suas roupas e compras, além da reinvenção de papéis e trajetórias sociais. No entanto, são escassos na literatura científica os estudos etnográficos enfocando os eventos do cotidiano e o significado da vivência em uma ILPI na perspectiva dos residentes.

Este estudo apresenta os resultados obtidos pela pesquisa desenvolvida na dissertação do curso de Mestrado em Enfermagem, na qual o referencial metodológico da etnografia proposto por antropólogos foi utilizado, buscando interpretar o significado atribuído pelos residentes à vivência em uma ILPI. A proposta metodológica desses autores tem sido aplicada em pesquisas etnográficas na área da enfermagem para revelar os significados, sob a visão dos atores,4 contribuindo no estudo da influência cultural para os cuidados de enfermagem.

Os significados são comunicados, transmitidos e perpetuados culturalmente, expressos mediante a utilização de símbolos e tornam possível aos indivíduos de um grupo interpretar as experiências e compreender os acontecimentos e situações da vida.5 A interpretação da perspectiva dos idosos residentes em ILPI reflete os significados próprios, suas crenças e modos de viver; possibilita valorizar o ponto de vista deles na assistência de Enfermagem. Este estudo teve como objetivo interpretar o significado atribuído pelos idosos à vivência em uma instituição de longa permanência para idosos, no município de Curitiba, Paraná.

 

METODOLOGIA

A abordagem qualitativa foi escolhida como ferramenta para o desenvolvimento deste estudo, norteado pelo referencial metodológico da pesquisa etnográfica, proposto por Spradley e McCurdy.6-7 O trabalho etnográfico consiste em descrever uma cultura sob o ponto de vista dos nativos. Para isso, o etnógrafo participa de atividades, faz perguntas, assiste a cerimônias, aprende novas linguagens, faz anotações em diário de campo, observa as cenas culturais e entrevista os informantes-chave.7

Cenário do estudo e atores da pesquisa

O estudo foi realizado em uma ILPI de caráter privado com fins lucrativos, em funcionamento regular no município de Curitiba, Paraná, que no mês de março de 2010 contava com 81 residentes: 61 mulheres e 20 homens. Há três alas na instituição, destinadas aos residentes, de acordo com o grau de dependência para as atividades de vida diária. Na ala residencial estão aqueles considerados independentes, na ala II os semidependentes e na ala III, os dependentes.

Foram considerados atores desta pesquisa todas as pessoas que fizeram parte do cenário e estiveram presentes nas cenas culturais vivenciadas ao longo do trabalho de campo. Entre esses atores estiveram os profissionais de saúde, funcionários e os idosos residentes na instituição, os quais participaram da pesquisa por meio da observação participante. Foram mantidos registros etnográficos de todas as informações que contribuíram para documentar a situação social em estudo. Os ricos significados simbólicos encontram-se nas relações e na utilização dos símbolos, como a linguagem, artefatos e movimentos corporais.7

Os informantes-chave foram selecionados entre os idosos de ambos os sexos, mediante os critérios de inclusão: possuir idade igual ou maior do que 65 anos; residir na instituição há três meses ou mais; apresentar capacidade física e cognitiva para manter diálogo efetivo, avaliada segundo os escores no Miniexame do Estado Mental (MEEM)9 e pontos de corte;10 disponibilidade e fluência na língua portuguesa para o diálogo. Apesar de o indivíduo ser definido como idoso a partir dos 60 anos, no Brasil,11 o critério etário de 65 anos ou mais tem sido utilizado nos projetos realizados pelo grupo de pesquisa com o intuito de propiciar comparações dos resultados com as pesquisas geradas em países considerados desenvolvidos. Os critérios para exclusão da pesquisa foram: expectativa de vida inferior a seis meses, devido a doenças terminais documentadas; ser transferido para outra ILPI ou hospital.

Foram selecionados 22 idosos a partir da aplicação do MEEM e pontos de corte, segundo a escolaridade, sendo 14 mulheres e oito homens. Do total, 11 participaram como informantes-chaves e foram entrevistados individualmente, sendo seis mulheres e cinco homens, dois da ala semidependente e nove da residencial, residentes na ILPI por um período que variou de seis meses a cinco anos (média = 2,68 ± 1,55 anos). Os participantes entrevistados formalmente caracterizaram-se pela idade média de 80,82 ± 7,56 anos, variando de 66 até 88 anos e em média 5,36 ± 2,91 anos de ensino formal (entre três a 11 anos). Esses idosos obtiveram desempenho no MEEM acima dos pontos de corte estabelecidos para este estudo, com escores entre 22 a 29 pontos (média = 25,27 ± 2,69 pontos).

Trabalho de campo, análise das informações e aspectos éticos

As informações foram coletadas por meio da observação participante e da entrevista etnográfica, no período de janeiro a agosto de 2010, perfazendo oito meses de trabalho de campo. Os dados sóciodemográficos dos idosos (idade, estado civil, escolaridade, grau de dependência, profissão/ocupação, tempo de institucionalização) foram obtidos por meio da leitura dos prontuários.

A observação participante iniciou com observações descritivas, a fim de obter um panorama geral da situação, seguindo-se as focadas, conforme foram delimitados os domínios culturais. Essa técnica foi útil na descrição do cenário cultural, além da verificação de hipóteses ou afirmações, complementação dos dados e para a interpretação do que foi dito pelos idosos nas entrevistas. Foram aspectos relevantes para as observações e registros a experiência humana, envolvendo o que as pessoas fazem, o que elas falam, o que sabem, o que usam ou constroem (como os artefatos) e onde estão.

A entrevista etnográfica iniciou com questões descritivas de acordo com o roteiro semiestruturado elaborado, seguidas das questões estruturais. As entrevistas foram realizadas nos quartos dos idosos e também em locais de convivência coletiva da instituição, como a capela e a biblioteca. As entrevistas formais foram aquelas realizadas individualmente e gravadas, enquanto nas entrevistas informais não foi utilizado o gravador e ambas foram utilizadas para a compreensão do contexto sóciocultural e do ponto de vista dos idosos.

As informações foram analisadas concomitantes à coleta, no período de janeiro a agosto de 2010. Os domínios culturais foram buscados nos registros etnográficos a partir da identificação das relações semânticas e dos termos cobertos e incluídos. Após a elaboração dos domínios hipotéticos, os mesmos foram testados por meio de observações e entrevistas, utilizando questões estruturais.

As taxonomias foram estruturadas a partir dos domínios mais significativos, com maior quantidade de informações e que permitiram a interpretação do significado atribuído pelos idosos à vivência na ILPI. A análise taxonômica iniciou a partir da seleção de um domínio significativo com maior quantidade de termos incluídos, buscando identificar novos termos, as relações e as subdivisões dos mesmos nos registros etnográficos. Então foi construída uma tentativa de taxonomia em forma esquemática e a mesma foi elucidada e checada com os informantes, a partir de observações focadas e entrevistas com questões estruturais e seletivas.

Na etapa da análise temática foi identificada a grande unidade de pensamento presente nos domínios e que oferece uma visão holística das cenas culturais. O tema cultural constituiu o padrão maior em torno do qual se incorporaram as relações entre os domínios identificados.6 O processo cíclico de coleta e análise de dados foi interrompido quando obteve-se a circularidade das informações e os domínios mais significativos do estudo contiveram informações suficientes para emergir o tema cultural.

O projeto de pesquisa foi encaminhado ao Comitê de Ética do Setor de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Paraná e aprovado em 23 de novembro de 2009 sob parecer nº 3657.0.000.091-09. Foram respeitados os preceitos éticos de participação voluntária e consentida, segundo a Resolução 196/96 do Ministério da Saúde.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Da análise dos dados etnográficos emergiram seis domínios e taxonomias culturais e um tema cultural, os quais são apresentados a seguir.

Domínio cultural 1 - Motivos que levaram a viver na ILPI

A dinâmica familiar foi interpretada como razão para os idosos não terem companhia familiar para morar com eles. Com relação à família, o falecimento do cônjuge e de outros familiares, os desentendimentos e as decisões que excluíram o idoso do convívio na mesma casa, contribuíram para a atitude de ir morar na ILPI: [...] faleceram todos. Aí foi uma desilusão morar sozinho, tinha que depender de uma pessoa para fazer almoço, jantar, essas coisas para mim. Ficou mais fácil eu vir para cá (Sr. 3). Todos os informantes-chave referiram que a ida para a instituição foi uma decisão pessoal, embora influenciada por essas situações, com exceção de uma idosa que disse ter sido obrigada pela família: o motivo foi a minha família não me querer mais, porque eu era velha, incomodava e eles não queriam incômodo em casa (Sra. 1).

Os idosos relataram que não queriam ficar sozinhos em casa e diferentes razões foram apontadas para isso, como o medo de assaltante, falta de companhias e porque não teria alguém para socorrer se acontecesse alguma coisa. A última justificativa está relacionada à consciência dos problemas de saúde e à insegurança que sentem devido a isso. Eu não queria morar sozinha, por medo de assaltante (Sra. 2). Eu não queria ficar sozinho, porque eu fiquei sozinho um ano e meio e não gostei. Sentia falta de uma companhia para conversar (Sr. 2) . Tenho o coração dilatado e o pulmão crônico. A princípio não poderia operar as vistas e os joelhos estão muito ruins também. Tomo bastante remédio, treze comprimidos por dia, quatro vezes por dia faço inalação. Em casa eu não poderia mais ficar (Sra. 6).

Os problemas de saúde conduzem à necessidade de um acompanhamento profissional, devido à presença de múltiplas doenças crônicas, limitações para realizar atividades básicas e/ou instrumentais de vida diária e a polifarmácia. Na ILPI os idosos possuem o atendimento da equipe de enfermagem nas vinte e quatro horas do dia, o controle dos medicamentos e o serviço de emergência. Uma idosa referiu que não tem mais forças para subir escadas e isso impossibilitou que fosse morar com o filho, enquanto na ILPI a acessibilidade está prevista na legislação.1 Mas lá sempre tinha que subir escada, então era muito perigoso. Era um apartamento, a gente não tem mais a força que tinha, não pode subir escada (Sra. 3).

As razões expressas pelos idosos e que os levaram a viver na ILPI são, também, encontradas em outros estudos na literatura. Em uma ILPI filantrópica na cidade de Fortaleza, Ceará, as residentes atribuíram o ingresso na instituição a fatores como a solidão, as necessidades de cuidados, os conflitos familiares e as perdas dos entes queridos, a necessidade de segurança e o medo de ficar sozinha devido à violência urbana.2

Domínio cultural 2 - As maneiras de viver na ILPI: atividades do cotidiano

As mulheres residentes confeccionam artefatos como crochê, bordado, tricô e pinturas em panos de prato. Elas fazem o artesanato para dar aos familiares e uma delas vende o produto, embora o objetivo não seja o lucro ou a subsistência, mas a distração. A produção dos artefatos pelas idosas na ILPI possui algumas das características presentes em espaços artesanais urbanos,12 como a utilização da criatividade, elementos da natureza e a experimentação de formas e desenhos. Esse [desenho] aqui tirei da bolsinha de uma senhora moradora aqui. Na bolsinha era de papel, pequeninha, ela sempre vinha com ela na mesa. Então eu pus no pano de prato, fiz uma sombra verde e também um pouquinho a cerquinha marrom igual como esta quebrada. Fica bem bonitinho. E eu me distraio, vai tempo, tem habilidade para a cabeça (Sra. 5). A construção do artefato utiliza de habilidades e destrezas, concentra um capital simbólico consistente em capacidade e conhecimento, expressa nessa tarefa os saberes adquiridos por distintas vias durante sua trajetória de vida.12

A música foi referida por um dos idosos que toca gaita. Quando tem culto na capela do lar, ele muitas vezes integra-se aos outros músicos que vêm de fora para tocar as músicas religiosas que são cantadas pelos participantes. À arte é atribuída uma maneira de expressar a sensibilidade, o sentimento pela vida e é considerada tão ampla e profunda como a própria vida social.13

As atividades que os idosos gostam de realizar e servem de passatempo, além da diversão, incluíram as palavras-cruzadas, brincadeiras e assistir televisão. Desenvolvendo a observação participante no trabalho de campo, várias dessas brincadeiras foram aprendidas, como os dois pregos entortados que um idoso me deu para desmembrá-los. Não consegui facilmente e ele demonstrou que poderia separá-los com apenas uma das mãos: [...] você sabe que eu estou fazendo as minhas brincadeiras. A minha diversão é essa. Eu sempre estou fazendo novas e estudando. Por exemplo, eu te dei aquele prego para desemendar uma vez? (Sr. 1). Trata-se das "maneiras de fazer" que constituem as mil práticas pelas quais os residentes se reapropriam do espaço organizado pelas técnicas de produção sóciocultural. As práticas que revelam maneiras de pensar investidas em maneiras de agir e empenham-se em instituir a sua legitimidade cultural ao cotidiano.14

O hábito da leitura é uma distração puramente cultural e os informantes reportaram essa atividade: [...] eu estou lendo um livro aqui, minha filha me trouxe. Conta quando os imigrantes vieram para o Paraguai, como foi isso (Sra. 3). Também observei na biblioteca os residentes lendo livros, revistas, jornais, além da Bíblia. A leitura é entendida como uma das atividades cotidianas que apresenta traços de uma produção silenciosa, da televisão ao jornal (da imagem ou do texto); trata-se de uma arte que não é passividade. "[...] os leitores são viajantes; circulam nas terras alheias, nômades caçando por conta própria através dos campos que não escreveram, arrebatando os bens do Egito para usufruí-los".14:270

As caminhadas dentro da instituição ou na região foram referidas pelos informantes e observadas cotidianamente no trabalho de campo: eu ando muito, sabe. De manhã eu faço umas vinte voltas naquele jardim (Sra. 2); [...] dou a minha caminhada, ela [a esposa] já não caminha assim. Ela caminha aqui dentro e eu caminho na rua. Não é mais aquele que era antes, mas ainda dá (Sr. 5). O caráter total de uma instituição é simbolizado, principalmente, pelas barreiras ao meio social externo, como portas fechadas, muros altos, além de fossos, florestas ou pântanos.15 Algumas dessas características do esquema físico estão presentes na ILPI, justificadas pela segurança e também servem para evitar as saídas não comunicadas dos residentes.

Outros passeios mencionados pelos informantes foram à casa dos familiares, em especial para almoços nos domingos, além da igreja e do mercado. Os passeios que envolvem os familiares propiciam o contato com o seu núcleo cultural de origem. São uma oportunidade para experienciar hábitos que desenvolveram durante muito tempo, ao longo da vida, conforme se observou no seguinte discurso, referindo-se ao elemento cultural da alimentação: no domingo as filhas me mandam o que a gente tem em casa, é a comida que a gente está acostumada (Sra. 6). Destacaram-se neste domínio, as diferentes maneiras que os idosos desenvolvem para viver na ILPI. Essas atividades refletem as individualidades e semelhanças entre eles, dão sentido à vida e expressam suas preferências pessoais.

Domínio cultural 3 - As atividades promovidas pela ILPI

As refeições são servidas em cada uma das alas da instituição em horários pré-estabelecidos. Eu levanto de manhã, tomo banho, me visto e venho tomar café no restaurante (Sr. 2). Um dos informantes-chave prefere tomar o café da manhã no próprio quarto. Vem o café e o jornal aqui para mim de manhã. Tinha uma época aí que não traziam mais, eu fiquei um mês sem tomar café. O café é 7h:45min., eu não consigo dormir antes da meia-noite. Trazem o café para mim às 8h:30min., tomo em seguida, quando chega aqui eu já estou levantado (Sr. 4). Essa foi uma maneira de melhor adequar os hábitos de vida do idoso à rotina da ILPI. Mesmo tratando-se de uma instituição que desenvolve atividades coletivas, existem modos que as pessoas encontram para expressar as individualidades.

Na ala residencial há banheiros individuais e de um modo geral, os idosos tomam banho sozinhos, bem como vestem-se e arrumam-se. Nas outras alas o banho ocorre no período da manhã em banheiros coletivos e uma das informantes relatou a sua percepção a respeito: é um lava-car, faz uma fila, vão tirando as pessoas da cama, põem na cadeirinha, levam, vão lavando, secando, é tudo junto. Eu nunca tomei banho com ninguém. Ali é tudo: o doente, o melhorzinho, todos tomam banho no mesmo banheiro, é um nojo (Sra. 1). Uma das formas de mortificação do eu nas instituições totais é a exposição contaminadora. No mundo externo o indivíduo normalmente consegue manter objetos que se ligam aos seus sentimentos do eu, como o seu corpo ou seus bens, fora de contato com coisas estranhas e contaminadoras. Nas instituições totais esses territórios do eu são violados; a fronteira que os indivíduos estabelecem entre seu ser e o ambiente é invadida.15

A terapia ocupacional é realizada na ILPI diariamente e no trabalho de campo observou-se que os idosos participam de forma heterogênea: enquanto alguns participam da maior parte das atividades promovidas, outros selecionam aquelas que estão de acordo com suas preferências e possibilidades. Nesses encontros coletivos, os idosos jogam, assistem a vídeos, dançam e fazem atividades manuais, como os desenhos, artesanatos, entre outros. Atividades, tenho bastante. Para todos os dias. Hoje, por exemplo, já fizemos correntinhas para a festa junina. Para o dia das mães, fizemos essas margaridas [mostrou o vaso de flores sobre a cômoda] , lá tem as coisinhas de coração, de Páscoa, tudo isso nós fazemos, para cada estação (Sra. 6). As atividades ocupacionais possibilitam a participação dos idosos e a conservação de suas habilidades. Os programas de animação sociocultural para idosos institucionalizados envolvem a educação e cultura, acesso à formação e/ou informação, participação sociocomunitária, como os grupos e voluntariado, assim como o ócio produtivo, com o desenvolvimento de interesses dos idosos.16

Os cultos na ILPI ocorrem várias vezes durante a semana e caracterizam-se basicamente pela oração, pregação de um pastor, leituras bíblicas e hinos religiosos. A profissão da fé, como o culto e a oração, proporciona bem-estar, conforme o discurso: para mim, quando eu posso ir [na igreja], parece que é uma graça de Deus. Quando eu estou dentro da igreja, para mim é tudo. Sinto-me bem (Sra. 2). Os rituais religiosos têm a marca comum da repetição, evidenciam o sagrado e o transcendente e estruturam as visões de mundo. Esses rituais constituem um sistema cultural de comunicação simbólica que demonstra a ordem e a promessa de continuidade de grupos sociais.17 Há variação entre diferentes culturas na formulação e expressão de símbolos considerados sagrados, os quais dramatizam os valores de um grupo e apontam a existência do bem e do mal, bem como do conflito que existe entre eles.5

A ILPI tem o papel de incentivar e manter os vínculos familiares do idoso, pois do contrário caracteriza-se o abandono do mesmo. As festas promovidas pela ILPI possibilitam a participação dos familiares no contexto institucional. Elas são realizadas com uma frequência mensal, nos finais de semana, para facilitar a presença de parentes e amigos que, principalmente quando o idoso é o aniversariante, tendem a comparecer. As atividades promovidas pela instituição mostraram aspectos da cultura institucional, embora esse não tenha sido o foco deste estudo. Observou-se, por exemplo, a preocupação com as obrigações da ILPI previstas na legislação e em atender a demanda de serviços em uma instituição de saúde.

Domínio cultural 4 - Sentimentos atribuídos à vivência na ILPI

De um modo geral, os sentimentos de satisfação predominaram nos discursos dos idosos e eles especificaram como fatores que os geram: ter comida à vontade, sentir-se bem cuidado e a tranquilidade por ter as necessidades humanas básicas atendidas. Na instituição, eles recebem a atenção dos profissionais e dos funcionários, de forma que se sentem amparados. Eu não posso me queixar, está tudo bem. Eu estou morando aqui nesse lar, sempre tem comida à vontade (Sra. 2); Muito bem cuidada, bastante saúde, não tenho dor nas pernas, dor em nada (Sra. 4); Temos tudo que precisamos, diminuiu a preocupação com ela cuidar do serviço caseiro e conseguir fazer o que é necessário diariamente (Sr. 5).

O significado atribuído à vivência na ILPI apareceu como um fator que influencia os sentimentos dos idosos e está relacionado à autonomia na decisão de ir viver em uma ILPI. Embora algumas situações abordadas em domínio anterior conduziram a essa decisão, os idosos referiram a ida por vontade própria. Nós queríamos vir aqui, porque se você é obrigado a viver num lar, de repente você se acha controlado ou obrigado a fazer coisas que você não gostaria (Sr. 5).Uma informante-chave disse que foi obrigada pela família e atribuiu sentimentos de insatisfação a essa vivência: só me sentiria realizada vivendo na minha casa. Aqui não tem nada que é alegre, só tem doente e isso me causa muita tristeza (Sra. 1).

A alimentação foi apontada por alguns como causa de satisfação, enquanto outros referiram que sentem falta de determinados tipos de alimentos ou a forma do preparo não condiz com sua expectativa. Eu estava acostumada com outra comida, às vezes quase não tem tempero. Pode ser que eles fazem assim porque tem gente que não pode comer sal. A comida que a gente faz já coloca quanto sal precisa e eu acho que fica mais gostosa (Sra. 3) . Sinto falta de frutas, alimentação bem cozida, bem feita. Eu fazia a minha comida não muito gordurosa, nem muito magra, fazia do meu jeito na minha casa e usava só alho, cebola, salsa, cebolinha e salsão e a comida ficava gostosa (Sra. 1). Essas preferências alimentares estão permeadas por aspectos culturais que as definem. A presença de elementos étnicos e as refeições típicas possuem uma marca sentimental e os alimentos adquirem um valor simbólico.18

Observou-se neste domínio cultural que o sentimento de insatisfação muitas vezes está ligado a diferenças na cultura da instituição e da trazida pela residente. Deste modo, surge o etnocentrismo como uma atitude emocional que classifica os valores considerados estranhos, de acordo com o grau de diferença com os valores próprios.18 O sentimento que um povo tem pela vida é transmitido a partir de vários segmentos culturais, como a arte, a religião, a moralidade, nas formas de lazer e até na forma como organizam sua vida prática e cotidiana.13 Esses sentimentos que foram descritos neste domínio podem ser observados nas expressões simbólicas do cotidiano dos idosos.

Domínio cultural 5 - Atributos da ILPI segundo os idosos

Os informantes-chave destacaram que o lar de idosos onde residem é diferente dos outros, pois possuem hora certa para tomar café, espaço para andar, comida à vontade e variada, além de quartos e banheiros individuais. Aqui é diferente dos outros lares. A gente tem bastante espaço para andar, hora certa para tomar café. Na hora do almoço tem à vontade a comida, depois tem o jantar, tem bastante frutas (Sra. 2); É um lugar que não tem outro igual em Curitiba. Todo o mundo tem seu quarto, seu banheiro, aqui é bom, não tenho nada a reclamar. A comida é boa, bem variada. (Sr. 4). Essas características reportam aos atributos negativos dos conhecidos asilos de mendicidade, onde havia escassez de alimentos, superlotação e pouco espaço para o abrigo dos idosos.

Nos quartos dos idosos podem-se encontrar objetos que representam o universo singular deles, servem como âncora da memória e previnem a perda da identidade ao ingressarem na instituição.3 Formas diferentes desses objetos foram observadas na ILPI, em especial nos quartos, onde os idosos têm maior privacidade e guardam seus objetos pessoais, conforme mostram os registros do diário de campo, descrevendo as características do quarto de um informante-chave: ele chamou a atenção para que eu observasse os quadros pendurados na parede de seu quarto. Apontou para o maior deles e explicou que a pintura foi feita a partir de uma foto dele com o irmão, sentados em uma carroça indo para o Campo Comprido, em Curitiba. A estrada ainda era de terra e há árvores como a araucária ao redor (Diário de campo, junho/2010). A utilização de bens individuais não está presente em instituições totais, onde o despojamento dos bens e confiscos periódicos garantem a ausência deles. As substituições, quando ocorrem, são padronizadas e uniformemente distribuídas.15

Esteve presente no discurso dos idosos a caracterização da ILPI como um local onde eles possam repousar. Esse repouso não se apresentou como ociosidade, mas a ausência da agitação e stress do cotidiano. Eu trabalhava demais. A rotina da cidade é outro sistema de vida. Então aquilo cria uma espécie de marasmo. Cria um pesadelo, uma responsabilidade que tem que ser de minuto a minuto, de segundo a segundo. Então eu procurei esse lar aqui (Sr. 3).O bom tratamento oferecido foi aludido pelos idosos, destacando que os funcionários são bons e que recebem os medicamentos no horário. A limpeza do local também foi reportada e observada no trabalho de campo. Não sabia que a enfermagem era serviço tão bom, as enfermeiras aqui, como cuidam, não param. Para mim dar um passo, não dou. Me põem na cama, me tiram da cama, dão banho (Sra. 4). O tratamento é muito bom, a comida é boa, o remédio na hora e estamos sendo atendidos com completa higiene (Sr. 5).

A liberdade vigiada foi interpretada nos discursos dos idosos e em algumas características observadas na ILPI, como a presença de câmeras de segurança externa e interna. Sobre isso, disse uma das informantes: agora temos que cuidar bastante, pois encheram de filmagem, diz que é mais por causa dos idosos que às vezes caem. E às vezes também fogem, sai de casa e eles saem junto antes de fechar o portão. Isso já aconteceu várias vezes (Sra. 5). As normas institucionais se refletem no cotidiano de uma ILPI e por essas questões, os idosos podem sentir-se vigiados. Os residentes em ILPI são frequentemente vigiados, para evitar que infrinjam alguma norma, rotina ou os limites estabelecidos pela instituição.3 Essas mortificações são oficialmente racionalizadas com outros fundamentos, tais como a higiene, responsabilidade pela vida ou a segurança.15

Domínio cultural 6 - Atributos das pessoas que residem na ILPI, segundo os idosos

Uma característica comum entre os residentes é que são pessoas que pagam funcionários para a realização dos serviços domésticos. Aqui a gente tem tudo, temos que pagar aqui, mas tem quarto, tem uma empregada que todo dia vem e limpa o banheiro, limpa o quarto, passa pano. A roupa também, hoje eu mandei a minha roupa para lavar e amanhã já vem limpa, passada. Eu não preciso fazer nada (Sra. 3).

Os residentes possuem origens étnicas diversas. Além do português, muitos falam alemão e o dialeto, enquanto há idosos que falam russo, inglês e ucraniano. Sabe que eu nunca aprendi português, só na rua. Por isso, para mim é meio difícil eu falar português, eu falo alemão, russo, ucraniano, inglês (Sr. 1).Há idosos que falam e entendem pouco o português ou que esqueceram essa língua, com o avanço da idade, e possuem maior fluência na língua de origem. As diferentes sociedades, quando entram em contato, tendem a se transformar, perdendo elementos culturais e adquirindo novos. A tendência em aprender o idioma dos nativos e a utilização da nova linguagem vem acompanhada da incorporação dos costumes.18

O atributo de pessoas religiosas esteve presente e foi entendido como uma forma particular de olhar a vida e construir o mundo a partir de concepções simbólicas transmitidas de geração a geração. A religião serve tanto para a formulação das concepções gerais do mundo, de si e das relações entre elas, como também influencia os comportamentos e as experiências humanas.5

A presença de doenças entre os residentes na ILPI, especialmente a de Alzheimer, foi apontada pelos informantes. As que moram do meu lado que são da residência, elas estão todas bem. Do lado de lá são pessoas doentes com Alzheimer, é muito triste (Sra. 2). Um dos critérios utilizados para a seleção dos informantes foi a pontuação no MEEM acima dos pontos de corte para declínio cognitivo e, deste modo, a maior parte deles estava na ala residencial. A existência de graus variados de dependência entre os residentes na ILPI foi descrita pelos informantes e refletiu as diferentes necessidades de assistência requeridas.

Tema cultural - ILPI: em busca pelo néctar da vida

O tema cultural que emergiu a partir das análises dos domínios e taxonomias, e que está contido na vivência dos idosos em uma ILPI, foi a busca por um local onde eles possam sentir-se cuidados, entendido como a condição para a sobrevivência. O cuidado é entendido como condição para a existência humana e sem ele a pessoa perde sua estrutura, seu sentido e morre. A ação de cuidar da vida é uma reação instintiva de proteger-se diante de agentes externos potencialmente ameaçadores, de forma individual ou em grupo e realizada de forma consciente e premeditada.19

O significado da vivência dos idosos na ILPI foi interpretado como a busca pelo néctar da vida. O néctar remete ao alimento, indispensável à vida e é, por isso, o cuidado, o néctar da vida. Entendido dessa forma presume-se a importância atribuída por eles a este local, já que não possuíam outra opção melhor. Nesta situação, eles buscam adaptar-se às normas e rotinas da instituição e desenvolvem estratégias próprias contra a mortificação do eu. Embora essa ILPI não possa ser caracterizada como uma instituição total, alguns traços foram identificados no cotidiano e discutidos nos domínios culturais.

Diante das situações diversas que acometeram os idosos em sua velhice, eles optaram pela vivência em uma ILPI. Essa opção foi interpretada como necessária para a manutenção da saúde e bem-estar deles, que estava ameaçada caso permanecessem no domicílio. Deste modo, a ida para a ILPI significou a busca pela proteção, amparo, segurança e convivência social como razões motivadoras. Essa escolha, entretanto, está permeada por aspectos sociais, culturais, familiares, de saúde, entre outros.

Neste sentido, há uma convergência entre o cuidado que os idosos buscaram na instituição e o objetivo primordial dela. Seja entre aqueles residentes considerados independentes ou os dependentes, como entre todos os seres humanos, há necessidade do cuidado para a existência. Observou-se, no entanto, as peculiaridades desse cuidado que variaram desde a necessidade de auxílio para a higiene diária, perpassando, por exemplo, a de convivência social, de expressões artísticas e de manifestação da individualidade.

Considera-se que os seres humanos necessitam de cuidado ao longo das suas fases de desenvolvimento, porém em maior grau na infância e nas idades avançadas. Todos os seres humanos são vulneráveis em todas as suas dimensões, são dependentes e limitados pela sua finitude. Sob essa perspectiva, o cuidado torna-se condição para a sobrevivência.20

As formas de cuidado aos seres humanos são estudadas na ótica da enfermagem em contextos sócioculturais e populações diversas. Também em uma ILPI, tem-se a presença de muitos universos culturais e concepções próprias de vida e de cuidado. As atitudes de objetificação dos profissionais de enfermagem que, no contexto desse estudo, podem ser chamadas de "mortificação do eu", desconsideram os valores culturais dos idosos e se caracterizam como ações de não-cuidado. Por outro lado, o cuidar incentiva a autonomia das pessoas, o desenvolvimento de suas capacidades e a realização pessoal.20

O contexto institucional, para os residentes, significou a possibilidade do cuidado, como forma de manutenção da vida e otimização de seu bem-estar. Configura-se um desafio para os profissionais de enfermagem que atuam no cuidado às pessoas idosas possibilitar aos seres humanos viverem o cotidiano plenamente, promovendo a liberdade e a autonomia com responsabilidade, melhorando a autoestima e, em especial, a alegria de viver.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A perspectiva antropológica amplia o modo de ver e compreender os diversos comportamentos humanos. Ao colocar-se na posição de aprendiz de uma nova cultura, foi necessário desenvolver o chamado "olhar atento" aos aspectos culturais, suas relações e a compreensão dos mesmos. Deste modo, foi explorada a vivência dos idosos em uma ILPI.

A descrição da vivência dos idosos residentes em ILPI revelou uma diversidade de expressões e símbolos culturais. Nesses conhecimentos encontram-se as possibilidades de desenvolver o cuidado de enfermagem culturalmente congruente. Salienta-se que, em uma instituição de residência coletiva, isso algumas vezes implica em flexibilizar as normas e rotinas, abrindo espaço para as manifestações individuais e grupais. O reconhecimento das diferenças culturais e individuais alerta para as especificidades do cuidado.

Também é uma questão relevante destacar o que foi descrito no contexto cultural do estudo. Trata-se de uma ILPI peculiar, quando comparada à realidade de grande parte dessas instituições, servindo até mesmo de referência em alguns aspectos. Além disso, a população entrevistada não reflete o perfil da maioria dos residentes nessas instituições, uma vez que a aplicação do MEEM excluiu grande parte deles da participação no estudo.

Na descrição etnográfica foi possível retratar aspectos dos modos de viver em uma ILPI, bem como expectativas do cuidado institucional em uma realidade local. Embora muitos desses aspectos podem não se reproduzir em contextos distintos, em última análise, eles mostram a influência da cultura para os cuidados de enfermagem em uma ILPI.

 

REFERÊNCIAS

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Correspondência:
Tatiane Michel
Rua Quinze de Novembro, 1500 - Centro
80060-000, Curitiba, Paraná, Brasil
E-mail: gmpiufpr@yahoo.com.br

Recebido: 05 de abril de 2011
Aprovação: 07 de março de 2012

 

 

1 Artigo extraído da dissertação - A vivência em uma instituição de longa permanência: significados atribuídos pelos idosos, apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Paraná (UFPR), 2011.