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Texto & Contexto - Enfermagem

Print version ISSN 0104-0707

Texto contexto - enferm. vol.21 no.3 Florianópolis July/Sept. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-07072012000300027 

REVISÃO DE LITERATURA

 

Pesquisa convergente-assistencial: estudo bibliométrico de dissertações e teses

 

 

Kenya Schmidt ReibnitzI; Marta Lenise do PradoII; Margarete Maria de LimaIII; Daiana KlohIV

IDoutora em Enfermagem. Professora Titular do Departamento de Enfermagem e do Programa de Pós-graduação em enfermagem (PEN) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Santa Catarina, Brasil. E-mail: kenyasrei@gmail.com
IIDoutora em Enfermagem. Professora Associado do Departamento de Enfermagem e do PEN/UFSC. Santa Catarina, Brasil. E-mail: mpradop@ccs.ufsc.br
IIIDoutoranda do PEN/UFSC. Bolsista CNPq. Santa Catarina, Brasil. E-mail: margaretelima2@gmail.com
IVMestranda do PEN/UFSC. Bolsista CNPq. Santa Catarina, Brasil. E-mail: daianakloh@gmail.com

Correspondência

 

 


RESUMO

Estudo bibliométrico realizado no banco de teses do portal da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, com objetivo de identificar a contribuição da Pesquisa Convergente-Assistencial na construção do conhecimento de enfermagem e saúde, produzido em cursos de mestrado e doutorado no Brasil. A amostra foi composta por 67 dissertações e seis teses que utilizaram a Pesquisa Convergente-Assistencial como modalidade de pesquisa, entre os anos de 2000 a 2008. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva. Conclui-se que o desenvolvimento desta modalidade de pesquisa prevalece nos hospitais, na região Sul do Brasil, com destaque para a Universidade Federal de Santa Catarina. O aumento no uso da modalidade e a expansão para outras áreas de conhecimento demonstram o avanço e reconhecimento da enfermagem enquanto ciência, ao desenvolver uma metodologia de investigação de cunho próprio, que possibilita a intervenção nos diversos cenários de atuação em saúde.

Descritores: Enfermagem. Bibliometria. Métodos. Teses. Dissertações.


 

 

INTRODUÇÃO

A criação dos programas de pós-graduação strictu sensu (mestrado e doutorado) somado ao avanço das tecnologias de comunicação, impulsionaram a produção científica da enfermagem brasileira, favorecendo a avaliação crítica da prática profissional e a incorporação de resultados de pesquisa no campo de atuação.1 Desta forma, a pesquisa passa a ser reconhecida como essencial pelo corpo da enfermagem, no entanto, possui limitações para seu desenvolvimento e aplicação no campo da prática. Destacam-se, entre elas, a necessidade de desenvolvimento da pesquisa, com intuito de expansão do conhecimento em enfermagem, bem como o alerta ao pouco impacto se esta ficar restrita a academia, devendo estar atrelada diretamente ao campo da prática assistencial.2

Neste contexto, surgem modalidades de pesquisa que visam aproximação direta com a situação a ser pesquisada, na busca de promover transformações na realidade. No Brasil, uma modalidade de pesquisa proposta por enfermeiras, em 1999, vem sendo utilizada de modo crescente na enfermagem. Denominada Pesquisa Convergente-Assistencial (PCA), esta modalidade de pesquisa surgiu da necessidade sentida por enfermeiras-pesquisadoras brasileiras de articular o conhecimento produzido nos espaços acadêmicos, com o campo de prática assistencial. Nasceu de uma preocupação das autoras em promover a incorporação de resultados de pesquisa, já que o fenômeno a ser pesquisado é identificado no cotidiano da prática profissional do enfermeiro-pesquisador. A estreita articulação do pesquisador com a prática profissional é a sua principal característica, tendo sido inspirada na pesquisa-ação de Kurt e Levin e no processo de enfermagem.3

A PCA fundamenta-se na identificação de que os problemas de pesquisa surgem da prática profissional e visa identificar pontos vulneráveis ou perceber potencialidades que contribuam para a proposição de soluções adequadas e dirigidas a um contexto específico, seja na assistência, na educação ou na gerência. Por esta razão, esta modalidade de pesquisa sempre requer o envolvimento do pesquisador com as questões-problemas advindos da prática. O compromisso da PCA está em indicar inovações para o cuidado de enfermagem e de saúde, articulando os envolvidos do contexto a ser pesquisado numa relação de cooperação mútua, de forma a promover a integração teoria e prática, o pensar e o fazer, com a finalidade de renovar esta mesma prática.3

Este tipo de pesquisa não se aplica somente a fenômenos/objetos de pesquisa em enfermagem. Ele pode ser utilizado em diversas áreas de conhecimentos, em especial na área da saúde. Caracteriza-se como uma abordagem qualitativa, pois incluem, necessariamente, variáveis subjetivas na interação entre pesquisador e participantes da pesquisa.3

A PCA, em seu processo operacional, destaca os espaços de interseção entre o processo de cuidar/educar ou gerenciar, com o de pesquisa, os quais precisam ocorrer simultaneamente, favorecendo a imersão gradativa do pesquisador no contexto pesquisado, e permitindo interpretações e descoberta de vazios ao longo do processo. O pesquisador intervém, a pesquisa por si intervém, o que implica que essa modalidade sempre envolve ações de assistência, de educação ou de gerência, mesmo que o enfoque seja entender ou descrever algum aspecto do problema.3

A PCA se constitui em uma modalidade nova de pesquisa, na qual sua relevância está diretamente ligada à constituição do saber da profissão de enfermagem e ao fortalecimento da identidade profissional. Nessa perspectiva, este estudo objetivou identificar a produção científica publicada em dissertações e teses na área da saúde, que utilizaram a Pesquisa Convergente-Assistencial, como proposta metodológica.

A partir desses resultados, ter-se-á uma aproximação sobre a utilização desta modalidade de pesquisa no meio acadêmico, contribuindo, assim, para divulgação desta possibilidade metodológica.

 

METODOLOGIA

Este estudo consiste em uma pesquisa de natureza quantitativa, a qual utiliza como método a bibliometria. Este tipo de método permite uma avaliação objetiva da produção científica, e é empregado em diversas áreas de conhecimento científico.4 Os indicadores bibliométricos são utilizados para avaliar os resultados dos investimentos em pesquisas, produção de artigos científicos, patentes e para responder aos questionamentos sobre o impacto das pesquisas na comunidade científica.2 Na enfermagem, estudos dessa natureza vêm sendo utilizados para indicar as características da produção científica da área. Configura-se como uma tecnologia importante, por evidenciar os padrões e tendências das pesquisas realizadas 5 em diferentes áreas e temas.

Para coleta de dados, realizou-se consulta ao banco de teses do portal da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), via acesso portal de periódicos CAPES/UFSC, utilizando-se o termo "Pesquisa Convergente-Assistencial". O período de coleta ocorreu de março a dezembro de 2009.

Selecionaram-se apenas trabalhos de conclusão dos cursos de mestrado e doutorado da área da saúde no Brasil, que utilizaram a metodologia da PCA, a partir de 2000, ano seguinte da criação da proposta metodológica, a 2008. Num primeiro momento foram localizados 92 trabalhos que utilizaram essa modalidade de pesquisa.

Os dados foram organizados em formulário específico, contendo os seguintes indicadores definidos pelas autoras: ano de publicação, região geográfica e instituição de ensino vinculado à pesquisa, ano de defesa, local onde foi realizada, áreas temáticas de cuidado, cenários envolvidos, referencial teórico adotado e método de análise de dados.

As informações foram obtidas por meio da leitura dos resumos e, quando estes os mesmos não apresentavam as informações necessárias, recorreu-se ao texto integral disponível on-line ou impresso. Quando da impossibilidade de obter todas as informações, a tese e/ou dissertação foi excluída do estudo, havendo, nessa fase, a exclusão de 19 trabalhos. Assim, o presente estudo contém 73 trabalhos, nele compreendidos 67 dissertações e seis teses.

Os dados foram transferidos para planilhas do Excel® e organizados em ordem alfabética, pelo nome do autor. Após, as informações foram catalogadas através dos indicadores, codificadas e analisadas. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva - frequência absoluta e relativa.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados revelam que a PCA foi utilizada em dissertações e teses defendidas em doze universidades do Brasil. O uso da modalidade apareceu com maior ênfase em trabalhos com titulação de mestrado em enfermagem, com 65 (89,04%), seguida pelo curso de doutorado em enfermagem, cinco (6,85%), mestrado em fonoaudiologia, um (1,37%), mestrado em saúde pública, um (1,37%), e doutorado em gerontologia biomédica, um (1,37%) (Tabela 1).

 

 

A PCA foi utilizada como modalidade de pesquisa, com maior destaque no ano de 2006 (21,91%), seguido pelo ano de 2007 (17,80%). A adesão à PCA, como referencial metodológico da área da enfermagem, vem sendo aceita como legítima abordagem de pesquisa, ao longo dos anos, nos cursos de pós-graduação, especialmente na área de enfermagem, tendo reflexo na produção científica da enfermagem brasileira.6 Nos últimos anos, a pós-graduação brasileira vem crescendo significativamente e adquirindo uma posição de destaque na área de ensino superior do país, constituindo-se num espaço de práticas para a formação de novos pesquisadores, produzindo pesquisas, novos conhecimentos e novas tecnologias.7 A disponibilização dos trabalhos terminais de mestrado e doutorado (teses e dissertações), em banco de dados eletrônicos, vem tornando evidente o grande salto das produções acadêmicas no Brasil.5

A enfermagem tem se apropriado da PCA, por ter nascido nesta área de conhecimento, e ser uma profissão que tem enfoque no campo da prática, seja ela assistencial, gerencial ou educacional. No entanto, não se restringe somente à pesquisa na enfermagem, sendo possível que outras profissões a utilizem em seu cotidiano de prática, quando envolvem pessoas e/ou comunidades.

A PCA tem sido legitimada como um processo de articulação pesquisa e prática socialmente aceito na comunidade de saúde, e mais, destacadamente, no meio científico-profissional da enfermagem.

A originalidade desta pesquisa consiste em manter esta articulação efetiva entre a pesquisa e a prática assistencial em saúde, favorecendo a construção de nexos entre o processo de pesquisa e o de assistência, e também, por projetar intervenções provocadoras de mudanças e/ou inovações.6

Quanto à distribuição regional dos programas de pós-graduação que utilizaram a PCA na elaboração de dissertações e teses, destaca-se a região sul (87,67%), provavelmente pelo fato dessa modalidade de pesquisa ter sido proposta por enfermeiras docentes de um programa de pós-graduação desta região, o que também se configura com relação às instituições de ensino, pois 72,60% foram produzidos no âmbito de programa de pós-graduação de enfermagem da UFSC (mestrado e doutorado), local onde a PCA foi idealizada, implementada e testada.6

No tocante aos referenciais teóricos associados à PCA, encontram-se uma grande diversidade, oriundos de diferentes áreas de conhecimento. O referencial teórico está para o pesquisador assim como o mapa está para um viajante em lugar desconhecido. Ele sustenta o problema de pesquisa, a interpretação, a análise e a discussão dos dados. Assim, serve como base para o desenvolvimento da pesquisa e deve estar em harmonia com o tema proposto, bem como conceder suporte a todas as etapas da investigação.6 Os estudos que utilizaram teorias de enfermagem corresponderam a 60,23%; as demais 39,77% representaram outros referenciais teóricos, de diversas áreas do conhecimento.

Isso demonstra a flexibilidade da utilização da PCA, na medida em que propicia a associação com diferentes referenciais teóricos no campo da prática, característica importante numa modalidade de pesquisa qualitativa.8

Referente à análise de dados dos estudos analisados, observou-se que 73,97% utilizam a modalidade proposta pela PCA, o que significa que este encaminhamento para análise das informações atribui suporte ao tipo de pesquisa proposto. Todavia, foram encontradas outras formas de análise de dados incorporadas, como a proposta de análise de conteúdo de Bardin (8,22%), e o Discurso do Sujeito Coletivo, de Lefevre e Lefevre (5,55%). Outras técnicas de análise representaram 12,26%. Tendo em vista as múltiplas possibilidades de utilizar a PCA, e considerando também sua complexidade, percebeu-se a viabilidade da utilização de outras técnicas de análise.3

Os estudos analisados foram catalogados de acordo com as áreas temáticas. Destaca-se a área de saúde do idoso (17,80%) e da saúde da mulher (16,43%), as quais apresentaram estudos que abordavam o processo de viver do idoso e da mulher nas diversas linhas de cuidado, contemplando duas áreas prioritárias da saúde em nosso País, com políticas públicas direcionadas a esta clientela. A predominância dessas áreas prioritárias atendem à finalidade da produção do conhecimento da enfermagem, que consiste em compreender as necessidades das pessoas e aprender a melhor maneira de cuidar. Isto porque a enfermagem necessita de conhecimentos que permitam abordar, de maneira eficiente e ética, a variedade e a complexidade de situações de cuidado apresentadas no cotidiano desta profissão.9

Ressalta-se que a enfermagem vem trabalhando e conquistando visibilidade e projeção como ciência, por meio de estudos e pesquisas nas diversas áreas de conhecimento. Observa-se um crescimento substancial de pesquisas e campos de atuação da profissão, nos últimos anos, ampliando o leque de conhecimento em diversas direções e espaços.10 As inúmeras áreas de cuidado encontradas refletem a vasta extensão onde a PCA pode ser utilizada, possibilitando mudanças na realidade da prática de enfermagem e nas demais áreas da saúde. A delimitação de espaços significativos nos cenários de formação, com profissionais cada vez mais qualificados, sejam eles especialistas, mestres ou doutores em enfermagem, tem contribuído para o exercício de uma prática alicerçada no processo investigativo e no domínio do saber para fazer melhor.11

No que concerne aos espaços, a utilização da PCA ocorre com predomínio na área assistencial (82,20%), seguida pela área gerencial, com 15,06%, e ensino, com 2,74%. Quanto aos locais onde os estudos foram realizados, encontra-se o ambiente hospitalar com maior frequência, totalizando 43,84%. Em seguida aparece a atenção básica, com 19,20%. O espaço da pesquisa é o local "onde ocorrem às relações sociais inerentes ao propósito da pesquisa".3:74 É neste cenário que se dá a articulação pesquisa/assistência (educação ou gerência), no qual é identificado o problema, e ocorre o engajamento das pessoas em diversas atividades, como profissionais de saúde, clientes, familiares. A PCA, como uma modalidade de pesquisa qualitativa, valoriza a subjetividade, pois está continuamente num processo de comunicação e interação com os atores sociais, no campo da prática profissional. O contexto da prática assistencial é, potencialmente, um campo fértil para a pesquisa, pois suscita inovações, soluções, renovando a prática para superação ou maximização de situações favoráveis.6

Com relação aos sujeito que participaram das pesquisas selecionadas, identificamos que a grande maioria dos estudos foi realizada com clientes (65,75%); seguidos pelos membros da equipe de enfermagem (12,32%);alguns dos estudos foram realizados somente com enfermeiros (5,49%); outros (13,70%) envolveram vários segmentos como sujeitos da mesma pesquisa, tais como: enfermeiros e os acadêmicos; clientes e equipe multiprofissional; enfermeiros e clientes; equipe multiprofissional, acadêmicos e clientes; uma pequena minoria dos estudos (2,74%) foi realizada somente com os acadêmicos de graduação ou com técnicos de enfermagem. Essa diversidade de sujeitos de pesquisa, reforça que o espaço das relações desenvolvidas durante o processo de pesquisar e assistir "vitaliza simultaneamente o trabalho vivo no campo da prática assistencial e no da investigação científica".6:382 Na PCA, a escolha da amostra valoriza a representatividade no que se refere à profundidade e diversidade das informações. Esta deve ser constituída por sujeitos envolvidos no problema de pesquisa, os quais devem possuir condições para contribuir com informações que possibilitem que todas as dimensões do problema sejam abrangidas.3

Observa-se ainda nestas dissertações e teses uma grande diversidade de assuntos pesquisados, envolvendo os mais variados temas relacionados a cuidados de enfermagem, educação em saúde, doenças crônicas e educação em enfermagem, indicando a possibilidade de uma abrangência temática na utilização desta modalidade de pesquisa.

A aderência ao contexto e a clientela a que se dirige faz da PCA uma modalidade de pesquisa que pode contribuir para a construção de tecnologias específicas de enfermagem e de saúde, contribuindo para a melhoria das práticas em enfermagem, uma vez que permite ao profissional um olhar sistematizado para o cotidiano de seu trabalho. Por favorecer um processo de reflexão e experimentação e conduzidas em inserção direta com a realidade, a PCA contribui para a proposição de tecnologias convergente-assistenciais em enfermagem, ofertando soluções adequadas ao contexto em que as práticas em enfermagem e saúde se concretizam.12

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A utilização da PCA teve um significativo aumento ao longo de seus dez anos de criação. Nasceu no contexto de uma disciplina - Enfermagem, como uma alternativa às necessidades de contribuição à reconstrução das práticas de enfermagem, à proposição de novos modelos e de soluções adequadas aos problemas concretos. Sendo assim, pelo presente estudo, foi possível verificar que a PCA permite sua aplicação em outras disciplinas da área da saúde, sendo um método potencial para o desenvolvimento de estudos, tanto na área da assistência, da educação ou da gerencia.

Nas teses e dissertações analisadas a implementação da PCA, ocorreu em diferentes áreas, contextos e temáticas. Constatou-se que a partir desta modalidade de pesquisa foi buscado dar respostas aos problemas da prática, contribuindo com novas possibilidades de intervenção nos diversos cenários, não somente da enfermagem, mas de outras profissões da área da saúde.

O estudo aqui apresentado demonstra a utilização da PCA nas pesquisas desenvolvidas no programas de pós-graduação do País. Ao utilizar esta metodologia, propiciaram a contribuição e a intervenção em fenômenos na área da saúde, por meio das quais fosse possível propor soluções adequadas para os problemas concretos dessas práticas. Evidenciou-se que esta modalidade de pesquisa vem sendo muito utilizada pela enfermagem e está emergindo em outras áreas da saúde, em diferentes cenários de prática, com diversos sujeitos. Isso, associado com a utilização de distintos referenciais teórico-metodológicos, aponta para a flexibilidade desta modalidade de pesquisa, o que contribui expressivamente na expansão da sua utilização.

Por fim, a realização desse estudo bibliométrico permitiu caracterizar a utilização da PCA nas produções acadêmicas na pós-graduação. Os achados deste estudo auxiliaram na obtenção de um panorama sobre o uso da PCA como método de pesquisa, apontando sua contribuição para a consolidação do conhecimento disciplinar. A bibliometria mostrou-se um importante instrumento para atualizar/identificar a produção de conhecimento relativos à profissão e de novos saberes que fundamentam o cotidiano da prática da enfermagem, como também para outras disciplinas.

 

REFERÊNCIAS

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Correspondência:
Kenya Schmidt Reibnitz
Centro de Ciências da Saúde Campus Universitário - Trindade
88040-970, Florianópolis, SC, Brasil
E-mail: kenyasrei@gmail.com

Recebido: 14 de outubro de 2010
Aprovação: 23 de novembro de 2011