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Texto & Contexto - Enfermagem

Print version ISSN 0104-0707

Texto contexto - enferm. vol.22 no.3 Florianópolis July./Sept. 2013

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-07072013000300002 

ARTIGO ORIGINAL

 

O alcoolismo na história de vida de adolescentes: uma análise à luz das representações sociais1

 

El alcoholismo en las historias de vida de los adolescentes: una analise a la luz de las representaciones sociales

 

 

Sílvio Éder Dias da SilvaI; Maria Itayra PadilhaII

IDoutor em Enfermagem. Professor Adjunto II da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal do Pará. Belém, Pará, Brasil. E-mail: silvioeder2003@yahoo.com.br
IIDoutora em Enfermagem. Professora Associado do Departamento de Enfermagem e do PEN/UFSC. Pesquisadora do CNPq. Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. E-mail: padilha@ccs.ufsc.br

Correspondência

 

 


RESUMO

O estudo tem como objetivos descrever as representações sociais de adolescentes sobre alcoolismo e analisar as implicações do alcoolismo na história de vida dos adolescentes. Trata-se de uma pesquisa qualitativo-descritiva, que utilizou o método de história de vida para coleta de dados com 40 adolescentes, concomitantemente à técnica de observação livre. A análise de conteúdo temática levou a duas categorias: 'O bom e o ruim das bebidas alcoólicas' e 'Alcoolismo e suas consequências'. As representações sociais dos adolescentes sobre o álcool o atrelaram a dois significados simbólicos: a associação da bebida alcoólica com o prazer e a diversão, e a negatividade do seu uso, relacionada à violência e perda dos sentidos. Conclui-se que o convívio com o alcoolismo na família influencia o modo como os adolescentes percebem o álcool no decorrer de sua vida.

Descritores: Alcoolismo. Enfermagem. Adolescente. História de vida. Psicologia social.


RESUMEN

El estudio tiene como objetivo describir las representaciones sociales de los adolescentes acerca del alcoholismo y analizar las consecuencias del alcoholismo en la historia de vida de los adolescentes. Se trata de una investigación descriptiva-cualitativa que empleó el método de la historia de la vida para recolectar los datos con 40 adolescentes concomitantemente con la observación libre. El análisis de contenido dirigido a dos categorías: Lo bueno y lo malo del alcohol y el alcoholismo y sus consecuencias. Las representaciones sociales de los adolescentes sobre el alcohol lo entrelazaron a dos significados simbólicos: la asociación de alcohol con el placer y la diversión, y la negatividad de su uso, relacionados con la violencia y pérdida del conocimiento. Se llegó a la conclusión de que vivir con el alcoholismo en la familia influye en la manera en que los adolescentes perciben el alcohol durante su vida.

Descriptores: Alcoholismo. Enfermería. Adolescentes. Historia de vida. Psicología social.


 

 

INTRODUÇÃO

A problemática do álcool é uma questão de saúde pública que atinge a população mundial em todas as faixas etárias.1 A adolescência é um período crítico na vida das pessoas, no qual ocorrem novas descobertas significativas que são fundamentais para a construção da personalidade e da individualidade, sob o ponto de vista biopsicossocial. Nesse período, o conceito de interação grupal é perceptível e o adolescente busca pertencer a um grupo com o qual se identifica, que terá a capacidade de influenciar suas ações e fará com que ele adote atitudes que serão a prova de sua aceitação na "tribo".2 Cabe mencionar que tribo, etimologicamente, diz respeito à comunidade étnica, porém, o termo como está sendo empregado, diz respeito à formação de adolescentes que têm em comum os mesmos ideais, compondo assim um grupo de pertença consensual.2

É flagrante que as questões relevantes à saúde dos adolescentes são primordiais para compreender as razões que os levam ao uso e abuso de drogas. Além dos problemas de saúde ocasionados por seu uso nos indivíduos de qualquer faixa etária, é na adolescência que esta questão toma vulto diferenciado, em virtude do momento/fase da vida em que se encontram.3

O contato precoce dos adolescentes com as bebidas alcoólicas é relevante para o surgimento do alcoolismo. A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera a doença um problema de saúde pública, uma vez que impõe à sociedade uma carga considerável de agravos indesejáveis. Atualmente, estima-se que a consequência do álcool corresponda a 1,5% das mortes entre adultos que são alcoolistas.4 A OMS enfatiza, também, que é uma ação impactante à população, devido a alta mortalidade e incapacidade que ocasiona. Essa realidade se faz presente tanto em países desenvolvidos quanto naqueles em desenvolvimento. Por tal motivo, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas é considerado importante fator de risco nas projeções da próxima década - 2010 a 2020.4

O fato do adolescente conviver na família com um ou mais alcoolistas pode influenciar positiva ou negativamente na formação deste indivíduo. Filhos de dependentes químicos do álcool apresentam risco elevado para o consumo de bebidas alcoólicas, quando comparados com filhos de não-dependentes, numa proporção de risco aumentado em quatro vezes para o desenvolvimento do alcoolismo.5 Evidencia-se que a imagem da família atual é de grupos humanos lidando com fortes pressões socioeconômicas, com padrões educacionais ríspidos e punitivos no relacionamento com os filhos, aturdidas com o embate de valores culturais, tendo muitas vezes como única possibilidade de lazer a ingestão de bebidas alcoólicas. Esses fatores, quando aliados aos hábitos de seu uso abusivo, têm sido associados, frequentemente, à violência intrafamiliar.6

O alcoolismo, ao ser inserido no cotidiano do adolescente, passa a fazer parte do seu cognitivo e de sua comunicação com o seu grupo de pertença, passando a doença para uma dimensão psicossocial, que será fundamental para adoção de um comportamento diante de uma droga tão presente na sua rotina familiar. Por tal motivo, compreender a relação entre a história de vida dos jovens ao conviverem com um membro da família que é alcoolista irá propiciar um melhor entendimento de sua representação sobre a doença e, a partir dela, a sua atitude frente às bebidas alcoólicas.

 

OBJETIVOS

Descrever as representações sociais de adolescentes sobre alcoolismo e o hábito de consumir bebidas alcoólicas e analisar as implicações do alcoolismo nas histórias de vida dos adolescentes.

 

METODOLOGIA

Este estudo é do tipo descritivo-exploratório, com o emprego de abordagem qualitativa, utilizando o método de história de vida para captar as Representações Sociais (RSs) dos sujeitos do estudo acerca do tema em questão. Tal método é tido como uma vertente da história oral, que se compõe como um autêntico e eficiente instrumento de investigação quando o pesquisador atribui um aspecto científico a seu estudo.7

A história de vida consiste na narrativa contada pelo sujeito, servindo como ponte de interação entre o indivíduo e o meio social, tendo como principal característica a rememoração sobre algum aspecto da vida desse indivíduo que influencia no seu viver. A abordagem qualitativa foi selecionada, pois permite investigar o objeto de estudo por meio da apreensão do universo subjetivo de um determinado grupo de indivíduos. Ressalta-se que essa modalidade de estudo tem como fundamento uma relação dinâmica, uma interdependência viva entre o indivíduo e o objeto, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito.8 A história de vida possibilita a compreensão do universo do adolescente a partir de seu passado com a construção de suas representações sociais sobre o alcoolismo, que serão primordiais para sua tomada de atitude frente à prática social de consumo de bebidas alcoólicas.

O campo de pesquisa foi o Projeto Tribos Urbanas, que é um programa da Prefeitura de Belém-PA, criado em 2006, com o objetivo de atender jovens e adolescentes que se envolvem com gangues*. A iniciativa visa retirá-los das ruas e envolvê-los em atividades socioeducativas.9

Os sujeitos do estudo foram 40 adolescentes de ambos os sexos, sendo 30 do sexo masculino e 10 do feminino, que participam do Projeto Tribos Urbanas. Os critérios de inclusão foram: estar na faixa etária entre 12 e 20 anos; fazer parte do programa da instituição mencionada; ter a permissão dos adolescentes e de seus responsáveis legais para participação no estudo; conviver com um familiar alcoolista; e fazer uso de bebidas alcoólicas. O número de sujeitos da pesquisa deve ser representativo de um grupo, e neste sentido empregamos a técnica da saturação de dados, que diz respeito à repetição dos discursos, como forma de delimitar a amostragem deste estudo.10 Destaca-se que a saturação dos dados obteve-se na trigésima entrevista, visto já se repetirem as respostas. Mesmo assim, foram feitas mais 10 entrevistas para reforçar o critério de saturação. Outro aspecto relevante é que a pesquisa do tipo levantamento de dados preconiza trabalhar com mais de 30 depoentes, o que justifica o total de 40 depoentes. Ressalta-se, também, estes terem familiares alcoolistas que é um critério para se captar RSs, pois elas somente existem a partir do fenômeno vivenciado. Por conta disso era necessário que os jovens entrevistados convivessem com o fenômeno alcoolismo, por meio da interação cotidiana com o familiar alcoolista.

A pesquisa foi orientada pela Portaria 196/96 do Conselho Nacional de Saúde e foi aprovada pelo Comitê de Ética da Universidade Federal do Pará, recebendo o número de protocolo 004/08 CEP-ICS/UFPA. O período da coleta dos dados foi de março a julho de 2009. A técnica de coleta das narrativas dos adolescentes para produção de fontes orais foi a entrevista semiestruturada, orientada por roteiro composto de 15 perguntas, contextualizando da infância até a adolescência dos jovens, o que possibilitou compreender a influência dos seus familiares alcoolistas na adesão do adolescente ao uso de álcool. Cabe esclarecer que a entrevista semiestruturada é uma técnica fundamental para captação de dados de uma pesquisa, pois a fala que emerge a partir de sua realização é reveladora de categorias estruturais, de princípios de valores, normas e símbolos e, ao mesmo tempo, tem a magia de transmitir, por meio de um porta-voz, as representações de grupos determinados, em condições históricas, socioeconômicas e culturais específicas.11 Como forma de respeitar o anonimato dos adolescentes foi empregado o sistema alfanumérico, utilizando-se E de entrevista, seguida pelo número de ordem do depoimento.

Outra técnica empregada para validar os dados foi a observação. Esta técnica foi utilizada pelo fato de permitir a captura, por parte do entrevistador, do comportamento global do entrevistado, durante todo o percurso da entrevista, que serviram como dados importantes para a conclusão do estudo. Na observação devem ser valorizados, além dos componentes físicos da palavra, também os múltiplos elementos da apresentação pessoal, aspectos do comportamento global e em particular a comunicação (linguagem) não-verbal do informante.12 Esta técnica possibilita um contato pessoal e estreito do pesquisador com o fenômeno pesquisado. A observação permitiu captar o gestual e a emergência de sentimentos que surgiam a cada aplicação das técnicas de coletas já mencionadas. Estes dados foram fundamentais para uma melhor compreensão do enfoque afetivo que circundava as representações sociais do grupo em questão.12

A observação, semelhante à entrevista, possui várias modalidades, dentre as quais optou-se pela observação livre. Nesta modalidade, o investigador fica fora da comunidade que deseja observar, anotando espontaneamente tudo que lhe parecer conveniente. Para realização desta etapa utilizou-se um diário de campo, no qual foram anotadas todas as impressões percebidas no transcorrer do trabalho de campo, evidencia-se que todas foram realizadas logo após o término das entrevistas.12

Para trabalhar as informações, optou-se pela análise temática, a qual consiste na significação que se depreende do texto, permitindo sua interpretação sob o enfoque da teoria que guia o estudo. Esta técnica de análise propicia conhecer uma realidade por meio das comunicações de indivíduos que tenham vínculos com ela.13 Buscou-se desdobrar a análise temática em três etapas: 1ª) a pré-análise, que consistiu na seleção e organização do material, quando realizou-se a leitura flutuante e a constituição do corpus; 2ª) a exploração do material; e 3ª) o tratamento dos dados.13 Ao final da análise, chegou-se às seguintes categorias temáticas: O bom e o ruim das bebidas alcoólicas e Alcoolismo e suas consequências.

Caracterização dos sujeitos

O caminho teórico que se optou ao produzir este estudo considera relevante a relação entre sujeito e objeto, favorecendo a compreensão da construção simbólica dos adolescentes sobre o alcoolismo. É necessário, ainda, conhecer o contexto sociocultural do indivíduo, por propiciar o vínculo entre o seu universo e suas representações sociais. Outro ponto a considerar são as experiências anteriores e pontos comuns, que favorecem tanto a adequação dessas construções simbólicas quanto sua aceitação pelo grupo do qual faz parte.

Cabe enunciar que os sujeitos não são somente receptores pessoais de ideologias dominantes produzidas e veiculadas por classes sociais, por meio das instituições sociais, tais como igreja, estado, escola, entre outras. Existe a opção autônoma, de modo que eles constantemente estão produzindo e comunicando representações que compartilham com seus grupos, que têm influência decisiva sobre suas relações, suas escolhas e suas vidas. Assim, os indivíduos sempre estão trocando conhecimentos que encontram em seu cotidiano, por meio de discussões que se realizam no trabalho e em outros locais.

Nessa perspectiva, buscou-se caracterizar o universo dos sujeitos do estudo com dados referentes à identificação (nome, endereço, idade, sexo, estado civil, número de filhos, procedência, naturalidade, escolaridade, profissão e religião).

Os sujeitos do estudo foram 40 adolescentes, sendo 30 do sexo masculino e 10 do feminino. A faixa etária entre os homens foi de 15 a 20 anos, com predominância da faixa etária de 17 a 20 anos. Já entre as mulheres, a idade variou entre 15 e 19 anos, sendo predominante a faixa etária de 16 e 19 anos.

No que se refere à renda mensal da família dos sujeitos da pesquisa, notou-se, que entre os homens, 11 têm como renda familiar um salário mínimo, sete têm um salário mínimo e meio, seis têm dois salários mínimos, quatro têm meio salário mínimo e dois têm três salários mínimos. Entre as mulheres, observou-se que cinco têm renda familiar de um salário mínimo, duas têm um salário mínimo e meio, uma tem dois salários mínimos e duas têm três salários mínimos.

Percebe-se nesses dados que a maioria dos adolescentes pertence a famílias que têm renda de, no máximo, um salário mínimo e meio, o que significa fazerem parte da classe econômica e social considerada baixa. Este fato dificulta o acesso à alimentação adequada, escolas adequadas e cuidado à saúde orientado.

No que se refere ao estado civil, destacou-se que entre os homens 29 são solteiros e um mantém união estável. Já entre as mulheres, são oito solteiras, uma mantém união estável e uma é casada. Considerando-se a idade dos sujeitos do estudo, este dado vai ao encontro da realidade brasileira, na qual os adolescentes, na sua maioria, são solteiros. Entre os casados, 100% são mulheres que, muitas vezes, assumem o casamento como forma de sair de casa ou por terem engravidado neste período.

Quanto ao grau de escolaridade, entre os homens observou-se que 16 têm o nível fundamental incompleto, 13 têm o segundo grau incompleto e um tem o ensino médio completo. Já entre as mulheres, oito apresentam o ensino fundamental incompleto e duas apresentam o ensino médio incompleto.

No Projeto Tribos Urbanas, os adolescentes fazem cursos profissionalizantes para capacitá-los ao primeiro emprego. As profissões nas quais os homens se formaram foram: três como operadores de caixa, dois como torneiros mecânicos, quatro em informática básica, três em segurança eletrônica, um pintor, um em mecânica automotiva, três como eletricista predial e industrial, sendo que 13 adolescentes ainda estavam fazendo os cursos. Entre as mulheres, três ainda estavam fazendo cursos profissionalizantes, três se formaram garçonetes, uma cabeleireira, duas operadoras de caixa e uma em informática básica.

Quanto à atividade de lazer no Programa Tribus Urbanas, ocorreu a seguinte distribuição entre os depoentes do sexo masculino: três não possuem atividade de lazer, 14 jogam futebol, nove têm como forma de lazer as festas, um realiza passeios e três frequentam igrejas. Entre os depoentes do sexo feminino duas não possuem atividade de lazer, duas jogam futebol, quatro possuem as festas como lazer, uma realiza passeios e uma joga capoeira.

No que se refere à religião, observou-se que entre os homens dois referiram não ter religião, 12 são católicos e 16 são evangélicos. Entre as mulheres, uma referiu não ter religião, quatro são católicas e cinco são evangélicas.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Na primeira unidade temática, O bom e o ruim das bebidas alcoólicas, evidenciam-se os pontos positivos e negativos do consumo de álcool pelos adolescentes. Na segunda unidade, Alcoolismo e suas consequências, estão presentes os fenômenos representacionais dos adolescentes as consequências geradas pelo alcoolismo, presente em um familiar alcoolista que, na maioria das vezes, era o pai ou a mãe, no seu cotidiano.

O bom e o ruim das bebidas alcoólicas

Nesta unidade temática, fica notório como os adolescentes vislumbram em suas RSs da bebida alcoólica algo benéfico, visto esta propiciar espontaneidade e descontração. Porém, eles também destacam que o consumo em excesso, que leva à embriaguez, é um fato danoso para sua saúde física e mental.

Por ser consumida por vários povos e culturas diferentes, a bebida alcoólica adquiriu alguns significados positivos na população mundial, pois, por meio de sensações como as de relaxar e de se divertir, o indivíduo abstrai a ideia de "bom" no consumo do álcool.

O álcool é bom porque faz a gente viajar. Quando a gente bebe, ficamos mais empolgados, se acha o tal. Eu bebia muito, porque achava que o meu problema era em casa, porque a vovó me criticava muito, porque eu fumava cigarro e bebia, aí eu achava que fazendo aquilo eu ia esquecer os problemas de casa. Outra questão para gente beber é a influência dos amigos, pois para ficar perto dos moleques lá tinha que beber, porque senão era careta, era mocinha, essas frescuras de macho (E2 ).

A bebida alcoólica deixa a gente mais solto, alegre para aproveitarmos as festas, ela acaba com a minha inibidez, mas também ela não pode ser bebida em excesso, porque a gente só faz besteira, e no outro dia o mal-estar é muito grande (E7).

Durante a fala dos adolescentes, identificou-se a relação da bebida alcoólica com a sensação de calmaria, com os sentimentos de empolgação e diversão, com fortalecimento de vínculos afetivos, como a amizade, e também a correlação do uso do álcool com o esquecimento dos problemas.

Vários subgrupos sociais veem as bebidas alcoólicas como forma de proporcionar alegria. A avaliação positiva para o consumo do álcool pelos sujeitos deste estudo está relacionada ao consumo ocasional, ao entretenimento, embora muitas vezes o consumo não se restrinja a estas variáveis. O consumo de qualquer bebida alcoólica representa para as pessoas algo "normal". Este é considerado excessivo quando culmina com pessoas bêbadas e origina condutas agressivas que ultrapassam as regras do convívio social.14

Uma das características dos adolescentes é a percepção de que nada acontecerá e de que podem controlar todas as situações. Esse aspecto leva-os a ter uma menor percepção do risco, e pode aumentar o uso de drogas. Dessa forma, as sensações obtidas durante o efeito do álcool no organismo tornam-se prazerosas, porém a busca de novas e intensas sensações pode tornar o jovem um dependente químico.15

Outro ponto identificado foi de que, apesar de o consumo do álcool fazer parte das atividades festivas de determinados grupos sociais e de ser considerado normal se ingerido sem provocar embriaguez, os adolescentes conseguem identificar os seus efeitos negativos quando ele é consumido de forma excessiva, o que pode ser identificado nas seguintes falas:

[...] o álcool é ruim porque deixa a gente de ressaca no outro dia. A gente gasta dinheiro para beber e tudo. A pessoa acorda no outro dia liso com dor de cabeça, bafo escroto na boca, não sabe o que fez, se brincou ou arrumou confusão. A gente não sabe o que faz (E10).

[...] o álcool, quando é bebido de forma excessiva, ocasiona um grande malestar físico e psicológico. Além do que, a pessoa faz às vezes um monte de besteira sobre o efeito do álcool, que, depois, se arrepende (E1).

Diante das falas expostas, apreendeu-se que o significado "ruim" em relação ao consumo do álcool foi relacionado ao não-controle da quantidade ingerida. Em outro momento, o sentido mudou seu enfoque para a perda financeira resultante do uso excessivo de bebidas alcoólicas.

O meu pai bebia muito, ele gastava tudo que ganhava. O álcool fez ele perder o emprego e ele passou a ser autônomo, mas mesmo assim todo dinheiro que ele ganhava com os trabalhos, ele gastava com bebidas alcoólicas. Ele bebia até cair (E13).

Também foram percebidas RSs que retratam a bebida alcoólica como algo "ruim", acarretado pelo exagerado e também pela "ressaca", a qual representa um conjunto de sintomas, tais como náuseas, vômitos, cefaléia, desidratação e amnésia alcoólica. Ressalta-se que, apesar de amplamente aceito e até estimulado socialmente, o consumo de álcool, quando excessivo, torna-se um problema importante e acarreta altos custos para a sociedade. As intercorrências causadas pelo álcool extrapolam as amplamente divulgadas na literatura, caracterizando-o como um problema que ocasiona graves consequências sociais e colocando-o entre os principais problemas de saúde pública da atualidade.15

Cabe considerar que as pessoas dependentes de álcool apresentam uma série de episódios relacionados ao abuso antes de serem diagnosticadas como alcoolistas e encaminhadas para tratamento específico. Considerando que a porta de entrada para os serviços de saúde são as unidades de atenção primária é possível inferir que muitos indivíduos com padrão de consumo abusivo são atendidos nesses serviços, em decorrência das complicações precoces do alcoolismo, tais como traumas, mal-estar, dentre outras.

O meu pai, quando bebia, ele enchia a cara. Uma vez ele bebeu tanto que ficou desmaiado, aí nos tivemos medo dele morrer e o levamos para a Unidade Básica da Pedreira. Chegando lá, o doutor passou um soro e disse que o remédio era não beber mais (E12).

A minha irmã bebia que caía. Uma vez levamos no Pronto Socorro Municipal, mas o médico disse que o remédio dela era café e água fria (E25).

A relação direta e mais comum entre o álcool e a agressão é por meio da intoxicação, que ocorre pela falta de inibição do medo, em função da ação ansiolítica, podendo também aumentar a percepção da dor, que pode ser uma das causas de maior agressão defensiva. No entanto, pode servir como um mecanismo de gatilho para desencadear reações violentas independentemente de motivos. Exemplo disso são as alterações nas funções cognitivas que diminuem, assim como a capacidade do indivíduo em planejar ações em resposta às situações de ameaça, ou seja, ele age sem pensar.16

[...] até de mim mesmo, pois ainda bebo. Eu acho que a pessoa está só entregando a sua vida. A bebida alcoólica não faz bem pra pessoa, mas elas vivem bebendo. É só a gente ver o jornal, ele sempre traz notícia de problemas ocasionados por pessoas alcoolizadas, tipo acidente de trânsito, que o filho bateu na mãe ou o marido na mulher. Coisas desse tipo fazem as pessoas que usam o álcool. A bebida muda muito a pessoa. Uma vez um amigo de porre tentou dar um tiro na namorada, aí eu o segurei e a bala pegou na minha perna, ela atravessou a minha perna (E2).

Os vários problemas de saúde associados ao consumo e à dependência do álcool e de outras substâncias lícitas e ilícitas demandam maior atenção por parte dos profissionais de saúde e solicitam respostas e políticas públicas apropriadas, que se proponham a resolver ou ao menos minimizar esses problemas, nas distintas sociedades. O conhecimento sobre as questões relacionadas ao uso de substâncias e às dependências químicas possui ainda muitas lacunas a serem preenchidas, daí a importância de se somarem esforços provenientes de representantes de todos os segmentos sociais: políticos, legisladores, pesquisadores, profissionais de saúde e outros grupos da sociedade civil.14

Em diversos momentos, quando indagados sobre o motivo que leva um ser humano a aproximar-se da bebida alcoólica, os entrevistados, em sua maioria, relatam os problemas de caráter familiar ou social. Sabe-se que os eventos estressantes da vida são subjetivos para cada indivíduo, e que a capacidade de superação depende de fatores que implicam, a princípio, a maturidade da pessoa no contexto sociocultural no qual está inserida. As falas a seguir reforçam tais afirmações:

[...] eu acho que às vezes é pra esquecer os problemas, e começa a beber pra curtir mesmo, beber pra fazer briga com os outros, criarem coragem, esse é meu ponto de vista. Eu bebo hoje com a minha namorada, mas não bebo com os moleques da rua, porque ali não tem futuro não. Através de amizades, através de ver todo mundo bebendo, aí vai querer experimentar e vê que é gostoso (E12).

eu tomo somente cerveja, eu tomo sempre quando eu saio para ir para festa todo final de semana. Eu bebo para não ficar porre. Um dia desse eu fui para uma festa e tinha um menino que pediu que secasse um copo, eu disse que não era tão alcoólatra assim para secar um copo. Na festa eu só bebo para brincar e me divertir, se divertir mesmo! Até porque tem gente que bebe para fazer confusão. Pois é, eu não, eu fico quieta e não mexo com ninguém, e entro na festa meia-noite e saio por volta das três horas da madrugada, eu só tomo duas latinhas, assim eu não fico porre. Depois que eu bebo, a festa melhora (E9).

Constatou-se nas falas que um dos principais problemas que levam os sujeitos do estudo a se aproximarem da bebida alcoólica é para tangenciar-se de circunstâncias incômodas da vida. Apesar de a bebida alcoólica obter tal simbologia na percepção dos adolescentes entrevistados, sabe-se que o álcool pode ocasionar comportamentos agressivos como já mencionados neste estudo.

A adolescência é também um período de crise para os pais, pois eles terão de conviver com o adolescente em processo de desenvolvimento para a vida adulta. Essas mudanças fazem o adolescente sentir a necessidade de estar menos tempo com seus pais, permitindo a possibilidade de estabelecer novas relações, principalmente com outros adolescentes. O processo de transformação que ocorre é, naturalmente, mais complexo. De certo modo, podemos dizer que a perturbação do equilíbrio traz sentimentos agradáveis e desagradáveis.16

Alcoolismo e suas consequências na família

Nesta unidade temática se percebe como as bebidas alcoólicas trazem transtornos nas histórias de vida dos adolescentes, impregnando, assim, RSs que destacam como a vida familiar é conflituosa, principalmente levando em consideração que muitos adolescentes conviviam com familiares alcoolistas. O alcoolismo é uma doença endêmica, porém percebe-se nas RSs dos adolescentes que ele traz consequências para quem é dependente químico, como se observa nas falas a seguir:

[...] eu vou dar como exemplo do meu pai, que é dependente, que nunca bebeu pra brigar conosco. Quando ele bebe e quer falar as coisas, ele fala pra mamãe, pra ela nos chamar a atenção. Quando é no outro dia que ele não está mais porre aí ele senta e fala o que tem que falar. Tem pessoas que bebem e esperam ficar porre para falar as coisas, espancam mulher e filhos (E36).

[...] no meu caso, a minha mãe é alcoolista, pois eu falo com ela e ela faz que nem é com ela, mas eu insisto assim mesmo, porque eu não vou deixar ela ficar bebendo, porque ela serve de palhaço lá, pois ela fala um bocado de besteira, e faz muita confusão. A minha mãe sempre que bebe serve de palhaço para o pessoal lá em casa, até porque ninguém lá em casa, ninguém gosta dela, nem a família da minha avó gosta dela. Só quem gosta é a minha avó, porque é mãe dela, mas os irmãos e irmãs dela, não gostam da minha mãe (E1).

Analisando-se as falas dos adolescentes, inferiu-se que eles são conscientes dos efeitos do álcool em seu organismo, e também de seus efeitos sociais. Isso foi expresso pelas palavras vício, violência, laços familiares abalados e autodegradação. Porém, é relevante ressaltar que muitos afirmam não suspender o consumo do álcool porque possuem controle, uma vez que não o ingerem em grandes quantidades.

Segundo levantamento realizado pela Secretaria Nacional Antidrogas, os cinco estudos realizados até o momento (1987/1989/1993/1997 e 2003) apontam que o consumo de álcool é bastante alto entre crianças e adolescentes de nove a 18 anos. Para esses jovens, o álcool não apareceu como a droga favorita, mas seu consumo recente (últimos 30 dias) ainda se encontrava no patamar de 43% nas cidades pesquisadas e o consumo semanal ou diário chegava a 22% no último ano pesquisado.17

Por meio de um acordo com o Ministério da Saúde, essa Secretaria recebeu, desde 1988, informações sobre hospitais em todo o país, que admitem pacientes com transtornos relacionados ao consumo de substâncias psicotrópicas. Embora aproximadamente 450 hospitais devessem enviar informações sobre seus pacientes - incluindo gênero, idade e diagnóstico -, apenas cerca da metade em média (variação: 35,5% - 79,6%) o fizeram. No último ano analisado, 1999, foram relatadas 44.680 admissões, das quais 84,5% referentes a bebidas alcoólicas.18

A bebida alcoólica, se consumida de forma abusiva, pode acarretar também problemas psiquiátricos e psicológicos, como os quadros de delirium tremens, ilusões e paranoias. Os comportamentos agressivos têm muito a ver com o consumo exagerado de álcool. Vários estudos demonstram que mais de 50% dos casos de espancamento de esposas têm relação direta com o consumo de álcool pelo agressor. Abusos sexuais e atos incestuosos contra crianças também foram comprovadamente cometidos sob a influência do álcool. Vítimas de um estilo de vida baseado na violência doméstica podem apresentar problemas de longo prazo ou até incuráveis, como doenças de natureza afetiva, neurótica e de desenvolvimento.14 Esse momento é percebível nos seguintes relatos:

[...] o meu pai, quando bebia, ficava muito bravo, ele chegava em casa batia na minha mãe e mandava a gente dormir para continuar se embebedando (E30).

[...] o meu pai e minha mãe, no início que começavam a beber, era uma maravilha, mais depois, quando estavam porres, sempre surgia discussão. Teve uma vez que meu pai bateu na minha mãe que tivemos de separá-lo, senão ele ia matar ela (E33).

[...] a minha mãe é alcoolista, pois ela não sabe beber. Quando ela começa, ela se joga mesmo, só pára quando cai. Eu também tenho uma irmã que é viciada na bebida alcoólica, pois todo final de semana ela tá na festa bebendo, ela não sabe beber, se tiver festa todo dia, ela vai para festa, tem vez que ela passa três dias na rua. Eu tenho dificuldade de lidar com ela, porque quando ela está porre quer fazer onda com todo mundo (E3).

A incidência de violência doméstica tem sido considerada maior em abusadores de substâncias psicoativas na maioria das sociedades e culturas, estando presente nos diferentes grupos econômicos. Um estudo transversal de violência doméstica no qual foram entrevistadas 384 mulheres casadas, de diferentes classes sociais, em uma cidade do México, encontrou uma prevalência de 42% de violência sexual, 40% de violência física e 38% de violência emocional. A pesquisa evidenciou que antecedentes de violência e uso de álcool ou outras drogas em algum membro da família são fatores observados consistentemente nas dimensões exploradas.19

O consumo abusivo de álcool também provoca, direta ou indiretamente, custos altos para o sistema de saúde, pois as morbidades desencadeadas por ele são caras e de difícil manejo. Além disso, a dependência do álcool aumenta o risco para transtornos familiares.19 Sabe-se, hoje, que a intensidade e as complicações do consumo de drogas psicotrópicas variam ao longo de um continuum de gravidade. Desse modo, não existe apenas para o dependente de álcool que ingere duas garrafas por dia, tem tremores matinais e cirrose hepática, mas também aquele que bebe dentro dos padrões considerados normais, e se acidenta ao dirigir. Portanto, não basta olhar para o consumo em si, é necessário considerar os danos que ele acarreta aos indivíduos e seus grupos de convívio.20

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

As RSs reveladas pelo método de história de vida propiciaram a compreensão do universo consensual dos adolescentes que tiveram as bebidas alcoólicas inseridas no seu cotidiano, o que favoreceu compreender a verdadeira extensão deste problema.

Na unidade sobre O bom e o ruim das bebidas alcoólicas, ficou notório como os adolescentes, em suas representações sociais, visualizavam os benefícios e os malefícios do álcool. A parte positiva dessa droga lícita era evidenciada pela sensação de bem-estar e espontaneidade que o efeito do álcool ocasionava nos adolescentes. Já a parte negativa era retratada pelos problemas que a embriaguez lhes provocava.

As bebidas alcoólicas são amplamente difundidas, principalmente porque seus apreciadores gostam da sensação de prazer que a droga ocasiona. Porém, passam despercebidos pela maioria dos consumidores, os malefícios do álcool, tais como a dependência química, os acidentes automobilísticos e outros problemas de vínculo social.

Já na segunda unidade temática, foi percebível como o uso das bebidas alcoólicas causa transtornos na vida familiar dos adolescentes, sendo o principal gerador de problemas o familiar alcoolista que, no caso da maioria dos adolescentes do estudo, era retratado pelo pai ou pela mãe. Essa realidade favoreceu um ambiente familiar conflituoso para os adolescentes.

Cabe mencionar, também, que essa convivência com um familiar alcoolista propiciou aos adolescentes a aprendizagem de ingerir bebidas alcoólicas quando se deparavam com problemas que levaram os seus pais a se tornarem dependentes químicos. O adolescente assume o papel de aprendiz seguindo os passos do perito, que são seus pais.

A adolescência é uma fase de mudança na qual se busca romper com os laços familiares, em busca de um grupo que aceite a sua atitude mais independente pelo novo. Este é o momento que mais oportunizou ao jovem a aproximação das bebidas alcoólicas, conforme foi visível nas suas RSs. Por tal motivo, desvelar o universo do alcoolismo dos adolescentes favorece a implementação de estratégias que devem ser aplicadas para impedir que esta clientela, tão carente de cuidados, faça uso de álcool, seja por experimentação ou de forma abusiva.

Esta pesquisa destaca o fenômeno das RSs como uma forma de conhecimento adequado para desvelar o universo de interação entre os adolescentes e as bebidas alcoólicas. Os estudos que trazem a Teoria das Representações Sociais como fenômeno e não como constructo teórico, favorecem conhecer a realidade que é reapresentada pelo sujeito social, por tal motivo são relevantes para o universo acadêmico, visto propiciar ao pesquisador contemplar a realidade na forma de conhecimento prático. É essencial conhecer as representações dos adolescentes aqui pesquisados, pelo fato de se poder, assim, compreender como o conhecimento consensual influencia nas atitudes e comportamentos dos jovens frente ao objeto psicossocial que é o alcoolismo.

Existe a necessidade de se instituir estratégias de prevenção ao consumo de bebidas alcoólicas de forma abusiva pelos adolescentes que não se centrem unicamente em transmitir os conhecimentos científicos, mas em fornecer uma relação de influência mútua com o conhecimento, que venha servir aos interesses e necessidades do jovem para interagir na sociedade, a fim de que o adolescente se sinta capaz de utilizar seus saberes para participar da sociedade como cidadão, enfatizando a importância da aplicabilidade prática desses conhecimentos para sua relação com o mundo.

 

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Correspondência:
Sílvio Éder Dias da Silva
Avenida 25 de setembro, 1965, ap. 901 - Bairro do Marco
66093-005, Belém, PA, Brasil
E-mail: silvioeder2003@yahoo.com.br

Recebido: 10 de Outubro de 2011
Aprovação: 20 de Julho de 2012

 

 

* Grupo de adolescentes organizados que infligem a lei.
1 Este texto é parte da tese - História de vida e alcoolismo: representações sociais sobre o alcoolismo, apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Enfermagem (PEN) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em 2010

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