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Texto & Contexto - Enfermagem

Print version ISSN 0104-0707On-line version ISSN 1980-265X

Texto contexto - enferm. vol.24 no.2 Florianópolis Apr./June 2015

http://dx.doi.org/10.1590/0104-07072015003842014 

RevisÃo De Literatura

Visão dos profissionais de saúde com relação à doação de órgãos e transplantes: revisão de literatura

Francisco Javier Mercado-Martínez 1  

César Padilla-Altamira 2  

Blanca Díaz-Medina 3  

Carlos Sánchez-Pimienta 4  

1Ph.D. Departamento de Saúde Pública, Universidad de Guadalajara. Guadalajara, México. E-mail: fjaviermercado@yahoo.com.mx

2M.Sc. Department of Public Health and Policy, University of Liverpool. Liverpool, United Kingdom. E-mail: c.padilla-altamira@liverpool.ac.uk

3Psic. Centro Universitario de Ciencias de la Salud, Universidad de Guadalajara, Guadalajara, México. E-mail: alex_eminem@hotmail.com

4Centro Universitario de Ciencias de la Salud, Universidad de Guadalajara. Guadalajara, México. E-mail: carlos.cesp@gmail.com

RESUMO

O propósito do estudo foi revisar os artigos empíricos sobre a visão do profissional de saúde em relação à doação e transplante de órgãos. Uma revisão panorâmica da literatura foi realizada em espanhol, inglês e português; e a busca desenvolvida em oito bases de dados e dois motores de busca. O período analisado foi de 1985 a 2013. Análises de frequências e conteúdo foram desenvolvidas. Dos 316 trabalhos identificados, 248 foram selecionados. A produção concentra-se em termos espaciais e temporais, predominando aqueles trabalhos com metodologias quantitativas. As publicações priorizaram a perspectiva dos médicos e profissionais da enfermagem sobre outros atores, como os diretores. As atitudes dos profissionais de saúde sobre a doação de órgãos de falecido foi o tópico mais estudado. Conclui-se que um número cada vez maior de estudos quantitativos analisa a perspectiva dos médicos e profissionais de enfermagem sobre a doação e transplante de órgãos de falecidos.

Palavras-Chave: Doação de órgãos; Transplante de órgãos; Pessoal de saúde; Atitudes; Revisão

INTRODUÇÃO

O transplante de órgãos tem sido considerado um dos avanços mais significativos da medicina moderna.1 Incontáveis iniciativas de doação e captação, tanto de doadores falecidos quanto de doadores vivos, têm sido impulsadas em nível mundial; as mesmas têm sido chaves para fortalecer um número crescente de programas de transplantes de todo tipo. Contudo, diversas circunstâncias têm impedido obter os resultados esperados em matéria de provisão e disponibilidade de órgãos,2 tendo como resultado um número cada vez mais significativo de pessoas doentes em lista de espera para receber um transplante.3

Junto com uma abundante produção na área da biomedicina, durante as últimas décadas, tem se gerado uma gama ampla de literatura envolvendo diversos atores que intervêm de forma significativa no processo de doação e transplante de órgãos e tecidos. De todos eles, há ênfase, algumas vezes de forma isolada ou em conjunto, nos doadores, receptores, familiares, pessoal de saúde, imprensa e população em geral.4 - 6

Os profissionais de saúde, em particular, têm sido considerados peças-chave do sucesso ou fracasso de tais programas.7 Suas opiniões sobre o processo de doação, por exemplo, têm sido consideradas facilitadoras para a identificação de doadores potenciais e, por conseguinte, de grande influência na forma de pensar da população sobre dito processo.8 - 10 E, embora existam estudos empíricos sobre as perspectivas destes profissionais sobre o tema, poucos trabalhos têm revisado a produção empírica em conjunto.11 Alguns destes têm comparado os conhecimentos e as atitudes das enfermeiras em relação à doação em diversos países;9 outros têm feito uma síntese da literatura sobre as atitudes destes profissionais em relação à morte cerebral e à doação de órgãos;8 alguns mais tem revisado a produção sobre as atitudes do pessoal médico à doação de órgãos com o coração parado.12 Porém, tais avanços, até o momento, carecem de uma visão em conjunto da produção gerada sobre a perspectiva dos profissionais de saúde com relação à esses processos e são preteridas as publicações apresentadas em idiomas diferentes do inglês. O assunto parece ter importância porque países não anglófonos, como Espanha, Portugal ou Brasil, têm alcançado avanços significativos em matéria de doação e transplantes de órgãos e em publicações de suas experiências.13

O objetivo deste trabalho foi revisar os estudos empíricos, sobre a visão do pessoal de saúde, em torno da doação e transplante de órgãos. No contexto deste documento utilizamos como sinônimos os termos de visão, ponto de vista e perspectiva. Isto porque tais conceitos compartilham a propriedade de fazer referência a como os indivíduos encontram e avaliam a realidade social, assumindo que tais conceitos têm suas particularidades e podem ser usados de forma diferente, segundo a perspectiva teórica adotada.

MÉTODOS

Desenvolveu-se uma revisão panorâmica (scoping review). Seguindo as propostas de Arksey e O'Malley,14 objetivou-se mapear a literatura relevante sobre a perspectiva dos profissionais da saúde com relação à doação e ao transplante de órgãos. A diferença de outros tipos de revisões que partem de uma pergunta definida, aqui não se considera pertinente dado que nosso interesse era abordar um tema mais amplo e incluir trabalhos com diferentes desenhos e metodologias.

A busca e recuperação dos materiais foi realizada em dois motores de busca: PubMed e Google Scholar, e em oito bases de dados: ProQuest, EBSCO, SAGE Journals Online, ScienceDirect, Wiley Online Library, Periodicals Archieve Online, SciELO e Redalyc. Utilizamos quatro grupos de palavras chave em inglês, português e espanhol: a) pessoal de saúde, enfermeiras, médicos, cirurgiões, coordenadores de doação, coordenadores de procuração de órgãos e de transplantes, assistente social, nefrologistas e médicos que realizam transplantes; b) procuração, doação, transplante de órgãos; c) atitudes, percepções, perspectivas, crenças, representações, experiências e significados; e d) qualitativo, etnografia, enquetes.

Os trabalhos foram selecionados utilizando vários critérios: deviam ser estudos empíricos; publicados em revistas indexadas, cujo objetivo fosse estudar a visão dos profissionais da saúde sobre a doação e o transplante de órgãos; ter como fonte primária os profissionais da saúde; e ter sido publicado em espanhol, inglês ou português. Foram excluídos aqueles sobre os tecidos, assim como sobre as práticas ou aciones do mesmo pessoal. O período compreendido foi de 1985 a 2013; a busca terminou em março de 2014. A definição operacional do termo "visão dos profissionais", nesta revisão, surgiu a partir dos termos utilizados no MeSH, assim como dos termos utilizados nos trabalhos identificados que faziam referência ao que os indivíduos encontram em suas respectivas realidades sociais e em sua interação com os outros agentes sociais. A partir disto, incluíram-se aqueles trabalhos que incorporavam conceitos como os de conhecimentos, atitudes, crenças, opiniões, percepções, experiências e significados. O termo "coordenadores de doação", por sua vez, foi empregado para referir-se a numerosos personagens encarregados do processo de busca de órgãos. Coordenadores de transplantes, coordenadores hospitalares e coordenadores de doação e transplante são alguns dos termos empregados na literatura.

Uma vez havendo selecionado os estudos, os revisamos e resumimos em uma matriz. Fizemos análise de conteúdo15 que consistiu na identificação das principais categorias, subtemas e população do estudo. Utilizamos o software PASW 18 para realizar análise de frequências. Quando um estudo incluía mais de uma categoria professional de saúde, ou examinava vários temas, era classificado nas categorias correspondentes. Por isto, vários quadros, aportam cifras superiores ao 100%. A figura 1 apresenta o procedimento utilizado na recuperação e seleção dos trabalhos.

Figura 1. Procedimento utilizado na seleção dos trabalhos 

RESULTADOS

Dos 316 artigos identificados, 248 foram selecionados. Como pode ser visto na tabela 1, aumentou ao longo dos anos as publicações; as primeiras três (1,2%) apareceram na segunda metade da década de 1980, o número aumentou para 39 (15,7%) no período de 2000 a 2004 e totalizaram 106 (42,3%) entre 2010 e 2013. Esta tendência ascendente é observada em todas as regiões, embora os trabalhos na América do Norte foram distribuídos ao longo do período, enquanto a África apareceu na última década.

Tabela 1. Características dos estudos segundo quinquênios 

Variáveis Quinquênios
1985-1989 1990-1994 1995-1999 2000-2004 2005-2009 2010-2013
Publicações (n=248) 3 (1.2) 9 (3.6) 25 (10.1) 39 (15.7) 67 (27.0) 105 (42.4)
Regiões do mundo
Europa (n=92) - 1 (1.1) 6 (6.5) 10 (10.9) 35 (38.0) 40 (43.5)
América do Norte (n=71) 3 (4.2) 7 (9.8) 11 (15.4) 10 (14.0) 17 (23.9) 23 (32.7)
Ásia (n=38) - - 4 (10.5) 10 (26.3) 8 (21.1) 16 (42.1)
América Latina e Caribe (n=24) - 1 (4.2) 2 (8.3) 6 (25.0) 5 (20.8) 10 (41.7)
Oceania (n=18) - - 2 (11.1) 3 (16.6) 1 (5.5) 12 (66.8)
África (n=5) - - - - 1 (20.0) 4 (80.0)
Idioma da publicação
Inglês (n=221) 3 (1.3) 7 (3.1) 23 (10.4) 34 (15.3) 58 (26.2) 96 (43.7)
Espanhol (n=22) - 1 (4.5) 2 (9.0) 4 (18.1) 9 (41.2) 6 (27.2)
Português (n=5) - 1 (20.0) 0 (0.0) 1 (20.0) - 3 (60.0)
Metodologia do estudo
Quantitativo (n=183) 3 (1.6) 8 (4.3) 18 (9.8) 30 (16.3) 48 (26.2) 76 (41.8)
Qualitativo (n=57) - 1 (1.7) 6 (10.5) 9 (15.7) 18 (31.5) 23 (40.6)
Misto (n=8) - - 1 (12.5) - 1 (12.5) 6 (75.0)
Sujeitos da amostra
Médicos (n=168) 3 (1.7) 2 (1.1) 17 (10.1) 26 (15.4) 42 (25.0) 78 (46.7)
Enfermeiras (n=151) 2 (1.3) 6 (3.9) 17 (11.2) 28 (18.5) 41 (27.1) 57 (38.0)
Outros (n=44) - 1 (2.2) 2 (4.5) 7 (15.9) 13 (29.5) 21 (47.9)
Coordenadores de doação (n=39) - 0 (0.0) 4 (10.2) 6 (15.3) 13 (33.3) 16 (41.2)
Dirigentes (n=15) 1 (6.6) 0 (0.0) 1 (6.6) - 3 (20.0) 10 (66.8)
Conceitos examinados
Atitudes (n=157) 3 (1.9) 6 (3.8) 18 (11.4) 27 (17.2) 47 (29.9) 56 (35.8)
Conhecimentos (n=83) 2 (2.4) 5 (6.0) 12 (14.4) 21 (25.3) 14 (16.8) 29 (35.1)
Percepções (n=57) - 1 (1.7) 5 (8.7) 5 (8.7) 16 (28.0) 30 (52.9)
Opiniões (n=41) - 3 (7.3) 2 (4.8) 4 (9.7) 5 (12.2) 27 (66.0)
Experiências (n=23) - - - 5 (21.7) 7 (30.4) 11 (47.9)
Significados (n=17) - 1 (5.8) 2 (11.7) 4 (23.5) 7 (41.4) 3 (17.6)
Temas
Doação de órgãos (n=214) 3 (1.4) 8 (3.7) 23 (10.7) 37 (17.2) 64 (29.9) 79 (37.1)
Doador falecido (n=158) 3 (1.9) 8 (5.0) 21 (13.2) 36 (22.7) 43 (27.2) 47 (30.0)
Doador de vivo (n=33) - - 2 (6.0) - 19 (57.7) 12 (36.3)
Doação em geral (n=23) - - - 1 (4.3) 2 (8.7) 20 (87.0)
Morte encefálica (n=70) 2 (2.8) 1 (1.4) 10 (14.2) 19 (27.1) 14 (20.0) 24 (34.5)
Transplante de órgãos (n=69) - 3 (4.3) 6 (8.7) 12 (17.3) 8 (11.5) 40 (58.2)
Doação em geral (n=37) - - 2 (5.4) 4 (10.8) 3 (8.1) 28 (75.7)
Doador falecido (n=23) - 3 (13.0) 2 (8.7) 8 (34.8) 2 (8.7) 8 (34.8)
Doador vivo (n=9) - - 2 (22.2) - 3 (33.3) 4 (44.5)

Os estudos foram realizados em 44 países, mas há uma concentração importante por regiões e países. Por um lado, a maior produção deu-se nos países europeus (37,1%), seguida por América do Norte (28,7%), ambas representando quase dois terços do total (65,9%), seguida bem atrás pelos países asiáticos (15,3%) e com menos de 10% na América Latina e Caribe, Oceania e África. Quase 2/3 dos trabalhos (62,5%) foram realizados em seis países: Estados Unidos (22,8%), Espanha (16,9%), Austrália (6,4%), Canadá (6,0%), Brasil (5,6%) e Reino Unido (4,8%).

As publicações examinadas foram escritas fundamentalmente em inglês, embora também se encontraram publicações em espanhol e português. Do total, 89,1% foram publicadas em inglês, 8,9% em espanhol e 2,0% em português. O número de publicações foi ascendendo com o passar do tempo em todos os idiomas, embora as publicações anglo-saxãs foram distribuídas uniformemente ao longo do período, enquanto as espanholas apareceram a partir da década de 1990.

Os trabalhos utilizaram predominantemente metodologias quantitativas (73,9%); porém, a partir do ano 2000, apareceu um número significativo de estudos de desenho qualitativo (22,9%), e só no último quinquênio foram publicados trabalhos com uma metodologia mista (3,2%). Os estudos qualitativos vêm tendo uma crescente importância, já que não houve nenhum no primeiro quinquênio analisado, representaram 11,1% no quinquênio 1990-1994, e a partir desse período suas cifras foram superiores a 20% em todos os quinquênios. As metodologias utilizadas não foram semelhantes em todos países; os trabalhos foram predominantemente quantitativos na Espanha e nos Estados Unidos (97,7% e 69,6%, respectivamente); por outro lado, predominaram os qualitativos no Brasil (64,2%), Suécia (60,0%) e Canadá (53,3%), enquanto que os estudos mistos se destacaram (41,6%) no Reino Unido.

Com relação aos profissionais de saúde como objeto de estudo, é possível destacar que alguns trabalhos os selecionaram segundo as profissões e outros de acordo com os perfis laborais. Neste marco, a maioria das publicações priorizou a perspectiva do pessoal médico e de enfermagem (67,7% e 60,8%, respectivamente). Apenas 15,7% preocuparam-se com os coordenadores de doação e um percentual menor, (6,0%), com os dirigentes de saúde. Outros 17,7% examinaram a situação de diversos profissionais ou pessoal de saúde (psicólogos, assistentes sociais, nutricionistas, motoristas de ambulâncias, etc). A peculiaridade destes trabalhos radica em que sua distribuição variou ao longo do tempo; ou seja, o interesse pela visão dos médicos e enfermeiras deu-se ao longo do período estudado, enquanto que pelo resto dos profissionais da saúde, manifestou-se nos três últimos quinquênios.

Os estudos encontrados não utilizaram um conceito único para examinar a visão do pessoal de saúde; pelo contrário, fizeram uso de diversos elementos conceituais, segundo se observa na tabela 1. De acordo com esta tabela, quase 2/3 partes do total (63,3%) o fizeram focando-se nas atitudes do pessoal sanitário em relação a doação e transplante; e 1/3 parte (33,4%) interessou-se pelos seus conhecimentos. Um número significativamente menor (22,9%), optou pela análise de suas percepções, 16,5% de suas opiniões, 9,2% de suas experiências e 6,8% dos significados. Os estudos sobre as atitudes, conhecimentos e as opiniões do pessoal de saúde se distribuíram ao longo do período examinado, diferentemente daqueles sobre as percepções, as experiências e os significados, que foram realizados nos últimos quinquênios.

Em contrapartida, pode-se notar que o tema ao qual foi dada maior atenção (86,2%) foi à visão do profissional de saúde sobre a doação de órgãos; e em menor medida à sua perspectiva sobre a morte encefálica e aos transplantes (28,2% e 27,8%, respectivamente). Os 214 trabalhos centrados na visão do pessoal de saúde sobre a doação de órgãos examinaram predominante (73,9%) o que pensam sobre a doação de um falecido, enquanto que a doação de vivo, somente foi objeto de estudo em 15,4% deles, e a doação, em termos gerais, apenas em 10,7% dos casos. Uma situação diferente ocorreu com os 69 trabalhos que estudaram a perspectiva sobre os transplantes, já que a maioria (53,7%) não fez distinção entre se os doadores eram falecidos ou vivos, enquanto que uma terceira parte (33,3%) focou nos doadores falecidos e apenas 13,0% nos doadores vivos.

Analisando as questões acima com mais detalhe e considerando todo o período, se encontra que desde a década de oitenta se gerou um grande interesse pela doação e transplante de doador falecido, assim como pela morte encefálica. Por outra parte, o interesse pela doação e o transplante de doador vivo apareceu uma década depois, ou seja, na segunda metade da década de noventa.

Os trabalhos encontrados não se distribuíram da mesma forma tomando em consideração o pessoal de saúde e a dimensão conceitual examinada. De acordo com a tabela 2, o grupo dos trabalhos interessados no pessoal médico, de enfermagem e de outros profissionais se preocupou em examinar suas atitudes e conhecimentos; em contrapartida, a maioria (51,2%) das publicações sobre os coordenadores de doação e/ou transplantes focou em suas percepções. Ao contrário dos anteriores, embora menores em termos numéricos (n=15), aqueles estudos sobre os dirigentes/tomadores de decisões se interessaram tanto pelas suas atitudes como pelas suas percepções, opiniões, experiências e conhecimentos.

Tabela 2. Distribuição dos estudos segundo pessoal da saúde e conceitos estudados 

Pessoal da saúde Conceitos estudados
Atitudes Conhecimentos Opiniões Percepções Experiências Significados
n (%) n (%) n (%) n (%) n (%) n (%)
Médicos (n=168) 111 (66.0) 56 (33.3) 39 (23.2) 31 (18.4) 7 (4.7) 8 (4.7)
Enfermeiras (n=151) 102 (67.55) 55 (36.4) 20 (13.2) 31 (20.5) 14 (9.2) 10 (6.6)
Outro pessoal de saúde (n=44) 32 (72.7) 16 (36.3) 7 (15.9) 6 (13.6) 2 (4.5) 2 (4.5)
Coordenadores de doação (n=39) 9 (23.0) 5 (12.8) 6 (15.3) 20 (51.2) 5 (12.80) 8 (20.5)
Dirigentes (n=15) 6 (40.0) 3 (20.0) 4 (26.6) 5 (33.3) 3 (20.0) 1 (6.6)

A tabela 3 apresenta uma faceta distinta dos trabalhos selecionados. Ali se apresentam os temas do processo de doação e transplante de órgãos de acordo com os próprios profissionais de saúde. Observando esta tabela, é possível depreender que a maioria dos estudos sobre os médicos, as enfermeiras e os outros profissionais têm priorizado a visão em torno da doação de órgãos. Ao invés disto, aqueles sobre os coordenadores de doação e os dirigentes da saúde têm examinado tanto a doação de órgãos quanto o transplante.

Tabela 3. Distribuição dos estudos segundo tipo de pessoal de saúde e os temas estudados 

Pessoal de saúde Temas estudados
Doação de órgãos Transplante de órgãos Morte encefálica
n (%) n (%) n (%)
Médicos (n=168) 140 (83.3) 54 (32.1) 44 (26.1)
Enfermeiras (n=151) 135 (89.4) 35 (23.1) 49 (32.4)
Coordenadores de doação (n=39) 30 (76.9) 17 (43.5) 8 (20.5)
Outro pessoal de saúde (n=44) 37 (84.0) 15 (34.0) 11 (25.0)
Dirigentes (n=15) 8 (53.3) 8 (53.3) 2 (13.3)

As atitudes do pessoal de saúde em relação à doação de órgãos foi o tema específico mais estudado (59,2%) nos trabalhos desta revisão. Essas publicações examinaram de forma isolada ou em conjunto, três tópicos inter-relacionados: suas atitudes em relação à doação de órgãos de modo geral, em relação à doação dos seus próprios órgãos e em relação à doação dos órgãos de seus familiares. A tabela 4 apresenta a situação encontrada nos 26 países selecionados. Ali se destacam três achados sobre tais atitudes. Primeiro, a porcentagem de profissionais da saúde com uma atitude positiva à doação de órgãos usualmente é maior que a porcentagem daqueles que têm a mesma atitude em relação à doação dos seus próprios órgãos e da sua família. Segundo, a porcentagem de médicos com uma atitude positiva à doação usualmente é maior que a porcentagem do resto do pessoal de saúde, sejam enfermeiras ou outros profissionais. Terceiro, a porcentagem de profissionais sanitários com uma atitude positiva à doação e transplante usualmente era maior nos países europeus e da América do Norte do que nas outras regiões do mundo.

Tabela 4. Atitudes favoráveis do pessoal da saúde para a doação em geral (A), para a doação de seus órgãos (B) e para a de seus familiares (C) em estudos de 26 países (%) 

Autor(es) Ano País PS† Atitudes favoráveis*
A B C
Mazaris, et al.16 2011 Reino Unido PS 98 94 --
Erdoğan, et al.17 2002 Turquia MED‡ 98 -- 61
Chernenko, et al.18 2005 Canadá PS 98 -- --
Evanisko, et al.19 1998 EEUU MED 96 80 85
Bøgh, Madsen20 2005 Dinamarca MED 95 70 --
Nowikowska, et al.21 2003 Polônia PS 94 85 53
Abidin, et al.22 2013 Malásia PS 93 47 --
Weber, Canbay23 1999 Alemanha MED 91 84 --
Duke, et al.24 1998 Austrália ENF§ 91 72 57
Pugliese, et al.25 2001 Itália PS 89 77 --
Ríos, et al.26 2012 Espanha PS 86 -- --
Yuet-mui, et al.27 1997 China ENF 85 40 --
Alsaied, et al.28 2012 Catar PS 83 21 25
Shabanzadeh, et al.29 2009 Iran ENF 76 -- 54
Kim, et al.30 2006 Coréia ENF 68 39 25
Siddiqui, et al.31 2012 Paquistão PS 51 35 36
Smudla, et al.32 2013 Hungria PS -- 95 --
Leal-Mateos, et al.33 2005 Costa Rica PS -- 94 --
Abudd-Filho, et al.34 1997 Brasil PS -- 93 80
Omnell-Persson et al.35 1998 Estônia MED -- 78 50
Gorena et al.36 2006 Chile ENF -- 75 55
Omnell-Persson, et al.35 1998 Lituânia MED -- 69 50
Rodríguez, Monteon37 2004 México PS -- 64 --
Reddy, et al.38 2003 Índia MED -- 62 --
Omnell-Persson, et al.35 1998 Letônia MED -- 55 30
Al-Mousawi, et al.39 2001 Kuwait ENF -- 53 33

*Ordenados por porcentagem descendente a partir da coluna A;

Pessoal da saúde;

Médicos;

§Enfermeiras.

DISCUSÃO

Foram revisados 248 estudos empíricos desenvolvidos em 44 países. A principal contribuição desta revisão relaciona-se com a apresentação da produção disseminada em três idiomas sobre a visão do pessoal de saúde em matéria de doação e transplante de órgãos. Outros autores têm realizado revisões sobre o tema, contudo eles terminam examinando uma parte do conjunto e se limitando às publicações em inglês.8 No caso de ter realizado a revisão apenas nesse idioma, neste trabalho teriam ficado de fora 12% dos estudos; ou seja, aqueles que dão conta da contribuição espanhola e brasileira. Um dado de interesse que surge é que os trabalhos em espanhol superaram os trabalhos em português. Uma hipótese provável é que a academia brasileira tem pouco interesse por estudar o que pensa e faz o pessoal de saúde acerca da doação e transplante de órgãos, ao assumir que o tema não merece atenção, uma vez que contam com um sistema de saúde com acesso universal e gratuito, o qual inclui as terapias renais.40

Embora os trabalhos tenham sido realizados em quase meia centena de países, os mesmos distam de dar conta da visão do pessoal de saúde em nível mundial ou ao longo do período. Isto devido à sua concentração temporal e espacial. Ou seja, os estudos revisados ilustram o acontecido durante o último quarto de século e, particularmente, depois do ano 2000. De fato, parece que o interesse por conhecer o que pensam os profissionais de saúde sobre este tema aparece até a década de 1990, o que coincide com o crescente déficit de órgãos de falecido disponíveis e a consolidação de programas de transplantes em vários países do mundo.41 Contudo, o mesmo não poder ser afirmado em outras regiões ou países, dada a escassa ou nula informação existente. Por exemplo, apesar dos avanços em matéria de doação e transplantes na América Latina e no Caribe, os estudos sobre o tema são praticamente inexistentes na região, excetuando no Brasil.

A produção gerada neste campo tem sido dominada pelas metodologias quantitativas. Esta hegemonia não só tem o interesse pela utilização de determinados desenhos e estratégias de obtenção e análises dos dados; senão também porque remete aos mesmos objetos de estudo examinados. Em outras palavras, os estudos inseridos neste marco exploram temáticas que são objeto de medição e quantificação, incluindo seus fatores causais. Desta forma, as atitudes, os conhecimentos e as opiniões dos profissionais de saúde passaram a se converter em objetos de atenção privilegiada, ao serem fenômenos da natureza objetiva. Dentre todos, o conceito de atitudes foi o que mereceu maior atenção. Este conceito tem sido empregado comumente pelos psicólogos sociais, referindo-se à uma tendência relativamente duradoura dos indivíduos para responder a alguém ou a algo de forma que reflita a avaliação positiva ou negativa que se faz desta pessoa ou coisa.42 Por esta razão, a maior parte da produção neste campo está sustentada em determinados aportes da psicologia social norte-americana, e especificamente numa corrente neopositivista.43

Os avanços dos estudos qualitativos e mistos têm sido bastante promissores. Isto reflete uma mudança do paradigma centrado nas pessoas,44 de forma tal que seu crescimento evidencia mudanças nos temas que começam a interessar cada vez mais aos pesquisadores neste campo. Tais mudanças nas preocupações remetem à dimensão subjetiva, vivencial e simbólica do pessoal de saúde. Neste marco se inserem os estudos sobre suas percepções, significados e experiências. Os resultados de algumas pesquisas mostram outra faceta do problema ao evidenciar, por exemplo, que o processo de doação e transplante é emocionalmente demandante e gera estresse e conflito entre os profissionais da saúde.45 Estes estudos, por sua vez, se sustentam em enfoques teóricos interpretativistas, particularmente na fenomenologia e no interacionismo simbólico, e em menor medida na teoria crítica e na pesquisa participativa. De fato, o interesse pelas metodologias qualitativas neste campo, parece ser o reflexo do que acontece na área da saúde em geral, ou em campos específicos, como o da doença renal crônica.46

As atitudes dos profissionais da saúde sobre a doação de falecido têm sido o tema que recebeu maior atenção do conjunto de publicações encontradas no período. O interesse pelo tema parece ser explicado pelo fato de que nos países onde se realizou a maioria dos trabalhos também se compartilha o interesse pela doação e transplante de órgãos de doadores falecidos. Dentre eles, se encontram Estados Unidos, Espanha, Austrália, Brasil e Canadá.13 Em contrapartida, pouco tem se explorado a forma como o pessoal da saúde concebe e atua com relação à doação de vivo. Dentre tantos temas a serem investigados no futuro, poderia estar um sobre as percepções, experiências e práticas dos profissionais da saúde daqueles países que têm priorizado a doação de vivo sobre a de falecido. Os estudos de caso na Jordânia, Turquia, Líbano e México poderiam servir para ilustrar melhor o assunto, haja vista, que são países que impulsam este tipo de doação.47

A perspectiva do pessoal médico e de enfermagem tem sido objeto de atenção privilegiado nos estudos revisados, diferentemente do pouco interesse mostrado pelo que pensam outros profissionais da saúde envolvidos no processo. Segundo nossos achados, os médicos e as enfermeiras têm uma atitude positiva à doação e transplantes em geral, mas sua atitude diminui quando se refere à doação dos seus órgãos ou dos seus familiares. Também mostram que a porcentagem de médicos com atitude positiva parecesse ser maior que das enfermeiras e, que a porcentagem é maior nos países europeus e da América do Norte do que nos países da Ásia, América Latina e do Caribe. Apesar destes achados, é necessário realizar mais estudos comparativos, como entre as distintas regiões ou no interior dos países. Por exemplo, seria pertinente comparar a visão do pessoal de saúde em um mesmo país, no setor público ou privado. Também seria importante incluir nestes estudos outros atores centrais do processo, tais como os dirigentes, tomadores de decisões e coordenadores da doação.48

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esta revisão aporta dados sobre a visão do pessoal da saúde em relação a doação e transplante de órgãos em nível global. Aqui tem documentado uma sólida e crescente produção que, utilizando metodologias quantitativas, têm priorizado o estudo das atitudes dos médicos e enfermeiras sobre a doação e transplante de falecidos. Mas a revisão também evidencia lacunas e desafios neste campo; dentre delas, existe um desconhecimento da perspectiva do pessoal da saúde de várias regiões e países sobre o tema. Tampouco se conta com uma visão de todos os atores da denominada equipe da saúde. Um dos desafios é consolidar a pesquisa qualitativa neste campo, assim como incorporar propostas etnográficas, participativas e críticas. A compreensão dos achados deste trabalho poderá servir para impulsionar novos temas a serem pesquisados e redefinir o papel do pessoal de saúde neste campo.

AGRADECIMENTOS

À Denise Guerreiro, pelo apoio na tradução deste artigo.

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Recebido: 03 de Novembro de 2014; Aceito: 01 de Abril de 2015

Correspondência: Francisco Mercado-Martínez Mar Egeo 1452-41, Country Club 46100 - Guadalajara, México E-mail: fjaviermercado@yahoo.com.mx

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