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Texto & Contexto - Enfermagem

Print version ISSN 0104-0707On-line version ISSN 1980-265X

Texto contexto - enferm. vol.27 no.1 Florianópolis  2018  Epub Mar 01, 2018

http://dx.doi.org/10.1590/0104-07072018005500016 

Artigo Original

BULLYING: PREVALÊNCIA E FATORES ASSOCIADOS À VITIMIZAÇÃO E À AGRESSÃO NO COTIDIANO ESCOLAR1

Emanuella de Castro Marcolino2 

Alessandro Leite Cavalcanti3 

Wilton Wilney Nascimento Padilha4 

Francisco Arnoldo Nunes de Miranda5 

Francisco de Sales Clementino6 

2Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Natal, Rio Grande do Norte, Brasil. E-mail: emanuella.de.castro@gmail.com

3Doutor em Odontologia. Docente do Programa de Pós-graduação em Saúde Pública pela UFPB. Campina Grande, Paraíba, Brasil. E-mail: dralessandro@ibest.com.br

4Doutor em Odontologia. Docente do Programa de Pós-graduação em Saúde Pública da UFPB. Campina Grande, Paraíba, Brasil. E-mail: wiltonpadilha@yahoo.com.br

5Doutor em Enfermagem Psiquiátrica. Docente do Programa de Pós-graduação em Enfermagem da UFRN. Natal, Rio Grande do Norte, Brasil. E-mail: farnoldo@gmail.com

6Doutor em Enfermagem. Docente da Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Campina Grande. Campina Grande, Paraíba, Brasil. E-mail: fclementino67@yahoo.com.br

RESUMO

Objetivo:

analisar a prevalência de vitimização e agressão por bullying e tipologias associadas aos fatores sociodemográficos e comportamentos de risco em estudantes.

Método:

estudo transversal, desenvolvido em escolas municipais de ensino fundamental em Campina Grande, Paraíba, Brasil, sendo a amostra representada por 678 adolescentes matriculados do 6º ao 9º ano escolar. Os dados foram atualizados com o programa escolar estatístico Statistical Package for the Social Sciences, sendo utilizado nível de significância de 5% e intervalo de confiança de 95% para realização do teste qui-quadrado de Person.

Resultados:

a prevalência de vitimização de bullying alcançou 29,5%, com predomínio do bullying psicológico, 23,3% e envolvimento majoritário do sexo masculino. Quanto à prática de bullying, 8,4% dos estudantes afirmaram praticarem bullying contra os pares.

Conclusão:

pode-se observar associação entre agressores de bullying com comportamento de risco na escola.

DESCRITORES: Violência; Bullying; Adolescente; Vitimização; Agressão

INTRODUÇÃO

O bullying surge como uma modalidade da violência na escola e distingue-se a esta, pois diz respeito à afirmação de poder interpessoal por meio da agressão/violência. O termo bullying é de origem inglesa e remete a ações de agredir, intimidar, maltratar e atacar o outro, pautadas em uma relação desigual de poder, visando inferiorizar a vítima produzindo exclusão social.1-2

O fenômeno se dá por meio do uso ofensivo do poder sobre o outro de maneira sutil, intencional, repetitiva e por período prolongado de tempo. Desse modo, constata-se que o bullying, além de assumir o comportamento de perseguição e intimidação ao indivíduo, associa-se, geralmente, a características individuais como idade, tamanho, porte físico, traços de personalidade, desenvolvimento emocional e formação de grupos de estudantes.1-3

Configura-se como problema de Saúde Pública, complexo, multidimensional e relacional entre pares que requer investimentos científicos e políticos para a ampliação do foco sobre a questão, tendo em vista se caracterizar como um objeto de investigação intersetorial permeado por uma diversidade de formas de manifestação.4-6

Os atos de agressão que compreendem o bullying classificam-se em três principais grupos: físico, a exemplo de bater, pontapear, chutar e usar armas para agredir; verbal/psicológico, que abarca ameaças, insultos, deboches, apelidos, humilhação e, por último, o indireto, representado por comportamentos de exclusão social, indiferença e extorsão.7-9 Há ainda, a modalidade denominada cyberbullying, a qual abrange a agressão repetida com intenção de perseguir e humilhar, por meio de artifícios eletrônicos, especialmente, celular e internet.10

Em âmbito internacional, a prevalência de bullying exibe-se com variação de 32% a 2%.11 Dados de pesquisa desenvolvida pela Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OCDE) encontraram prevalência de estudantes vitimizados por bullying com variação de 8,0% a 46,0%, e de agressores entre 5,0% e 39,0%, com 20,0% das crianças em ambas categorias.2 No Brasil, a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PENSE) de 2012 revelou que sofrer bullying por colega da escola atingiu 7,2% dos escolares, enquanto 20,8% dos estudantes demonstraram praticar algum tipo de bullying contra colegas da escola.8

Ao analisar a produção científica internacional sobre a temática, constataram-se entraves na conceituação e operacionalização do termo bullying, bem como a própria tradução do mesmo. Para além de divergências conceituais, outro aspecto que gera desacordo centra-se na definição de um ponto de corte para o bullying, ou seja, a frequência mínima capaz de transformar um evento de violência escolar para bullying em si.12-13 A construção de tais consensos científicos contribui na formulação do entendimento do fenômeno, já que pesquisas demonstram relação direta entre as consequências do envolvimento no bullying com a frequência, duração e severidade dessas ações. 14

Diante dessas fragilidades científicas e do impacto na saúde de crianças e adolescentes, faz-se mister conhecer os elementos que contribuem para o surgimento e propagação do bullying, avançando na construção de padrões de interpretação e análises acerca desse fenômeno cotidiano, no meio escolar, como possibilidade de intervenção no campo da saúde coletiva e individual.

Para tanto, o estudo objetiva analisar a prevalência de vitimização e agressão por bullying nas suas diversas tipologias, associadas aos fatores sociodemográficos e comportamentos de risco em estudantes do 6º ao 9º ano, das escolas municipais de Ensino Fundamental de Campina Grande, Paraíba, Brasil.

MÉTODO

Estudo epidemiológico transversal, de caráter exploratório,15 direcionado a adolescentes escolares matriculados em escolas urbanas públicas municipais nas séries do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental, do município de Campina Grande, Paraíba, Brasil. Como critérios de inclusão considerou-se: ser adolescentes, tendo-se em conta o conceito da World Health Organization,16 que define adolescente como sendo o indivíduo com idade entre dez e 19 anos; estar regularmente matriculado nas séries de 6º ao 9º ano e encontrar-se presente na sala de aula no momento da coleta de dados. E, como critérios de exclusão, estabeleceu-se: estar regularmente matriculado na escola há menos de seis meses e ter mais de 19 anos de idade.

Das 86 escolas públicas municipais urbanas existentes no município de Campina Grande, 13 ofereciam turmas de 6º ao 9º ano. Destas, selecionou-se uma, por conveniência, para a realização do estudo piloto; as 12 escolas municipais urbanas restantes configuraram o cenário de coleta de dados, totalizando 2.565 alunos regularmente matriculados.

Utilizou-se a técnica de amostragem do tipo probabilística por conglomerado em um estrato (turmas), com distribuição proporcional da amostra, considerando o número de alunos por escola e seleção destes por conveniência. Realizou-se o cálculo amostral considerando-se a prevalência de 50% para o fenômeno violência escolar, sendo adotado um nível de confiança de 95% e margem de erro de 5%, efeito do desenho (Deff) de 1,7 e um acréscimo de 20% para perdas. A amostra final foi de 678 escolares.

Os dados foram coletados no período entre março e julho de 2014, por meio de questionário validado, denominado Escala de Violência Escolar (EVE), fundamentada em escala tipo Likert com foco para este estudo na vitimização por aluno, agressão contra outro aluno e comportamento de risco.11 Esta escala tem o objetivo de investigar a frequência e a gravidade da violência escolar em escolas, avaliando o quanto alunos são vítimas e autores da violência escolar;17 nesse sentido a escala permite a análise da frequência dos tipos de violência escolar e a intensidade, aspecto que diretamente relacionado ao bullying.

A coleta dos dados foi realizada em duas etapas: a primeira abordou as turmas para esclarecimentos sobre a pesquisa, entrega do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) para assinatura dos pais ou responsáveis e acordo para devolução dos TCLE; a segunda, em que se aplicou o questionário EVE, nas salas de aula em horário de aula dos alunos, àqueles escolares que apresentaram o TCLE assinado pelos pais ou responsável e aceitaram participar da pesquisa.

Para análise estatística, definiram-se as seguintes variáveis: vítima de bullying, bullying físico, bullying psicológico, bullying material, bullying virtual, agressor de bullying, agressor de bullying físico, agressor de bullying material, agressor de bullying virtual, vítima de violência escolar e agressor de violência escolar. A essas variáveis acrescenta-se sexo, idade, uso de fumo, uso de álcool, uso de maconha, craque, cola, porte de arma branca, porte de arma de fogo.

Utilizou-se o SPSS (Statistical Package for the Social Sciences) para realização da análise descritiva a partir da distribuição de frequências absolutas e relativas, média, mediana e desvio padrão para as variáveis sociodemográficas e tipologias do bullying, dicotomizadas. Em seguida, a análise inferencial por meio do teste de qui-quadrado de Pearson com nível de significância adotado no teste estatístico de 5% e intervalo de confiança de 95% permitindo a verificação de associação entre as variáveis de vitimização e agressão por bullying e entre as variáveis sociodemográficas e de comportamento de risco.

Ressalta-se que o ponto de corte para classificação de vitimização e agressão por bullying fundamentou-se em estudo inglês,18 o qual estabelece como caso de bullying a repetição de mais de quatro episódios de determinada situação de violência escolar em um período de seis meses.

Os parâmetros éticos da resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde foram seguidos, sendo a pesquisa aprovada por Comitê de Ética CAAE 27623214.3.0000.5187. Todos os escolares participantes da pesquisa, menores de 18 anos, foram autorizados pelos pais e/ou responsáveis por meio da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido; bem como, assinado por parte dos escolares o Termo de Assentimento para participação na pesquisa.

RESULTADOS

Os resultados mostraram que 61,8% dos entrevistados eram do sexo feminino, 86,7% na faixa etária entre 10 e 14 anos, sendo a média de idade dos estudantes de 12,67 anos e a mediana 12,0 (DP± 1,61).

De acordo com dados apresentados na figura 1, a prevalência de vitimização de bullying autorrelatada entre os adolescentes entrevistados atingiu 29,5% dos escolares, considerando as situações de violência escolar com caráter de bulllying, ou seja, a repetição de situações de violência escolar direcionadas ao mesmo aluno mais de quatro vezes, ocorridas nos últimos seis meses do momento de aplicação do instrumento.

Figura 1 Distribuição da prevalência de vitimização e agressão por bullying escolar e tipologias 

Dentre os tipos de bullying sofridos pelos estudantes, o bullying psicológico (espalhar fofocas, excluir de atividades, xingar, ameaçar, ridicularizar) predominou nas situações; 23,3% dos estudantes relataram sofrer este tipo de violência escolar. Enquanto o bullying físico (dar tapas, socos, chutes, empurrar) e virtual (enviar mensagens por via telefone ou internet de ameaça, xingamento, ridicularização, ofensa) alcançaram 15% e 5,5% dos estudantes, respectivamente.

Quanto à prevalência da prática de bullying autorrelatada, 8,4% dos estudantes afirmaram praticarem bullying, caracterizando-se como agressores. O bullying psicológico mostrou-se como o mais praticado pelos estudantes; 5,3% relataram a prática deste, enquanto 4,6% afirmaram praticar bullying físico e apenas 0,6% declararam produzir bullying virtual com os pares.

Na tabela 1 pode-se constatar que houve um predomínio de sofrimento de bullying em estudantes do sexo masculino (33,8%). Destaca-se assim, essa maior vitimização pelos meninos em todos os tipos de bullying; estando o bullying psicológico na primeira posição (26,6%). Em seguida, o bullying físico (20,1%), e o bullying virtual (6,8%). Diante dessa associação entre ser vítima de bullying e o sexo do estudante, a tabela explicita que os adolescentes estudantes do sexo masculino tiveram 0,71 vezes mais chances de sofrer bullying em todas as suas manifestações e, especificamente, no que se refere ao bullying físico, adolescentes meninos têm 0,53 mais chances de serem vítimas de bullying físico comparado às meninas.

Tabela 1 Associação entre sexo e idade categorizada de vítimas de bullying, bullying físico, bullying psicológico, bullying virtual em escolares da rede pública municipal de ensino no município de Campina Grande, Paraíba, Brasil, 2014. (n= 678) 

Sexo Valor p RP* Idade Valor p RP*
Fem Masc 10-14 15-19
n % n % n % n %
Vítima de Bullying
Sim 111 26,74 89 33,84 0,048 0,71
0,51 - 0,99
166 28,97 29 32,95 0,44 0,83
0,51 - 1,34
Não 304 73,26 174 66,16 407 71,03 59 67,05
Total 415 100 263 100 573 100 88 100
Vítima de Bullyingfísico
Sim 49 11,80 53 20,15 0,003 0,53
0,37 - 0,81
87 15,18 14 15,9 0,86 0,94
0,51 - 1,75
Não 366 88,20 210 79,85 486 84,82 74 84,1
Total 415 100 263 100 573 100 88 100
Vítima de Bullying psicológico
Sim 88 21,20 70 26,61 0,10 0,74
0,51 - 1,06
131 22,86 23 26,13 0,49 0,83
0,50 - 1,40
Não 327 78,80 193 73,39 442 77,14 65 73,87
Total 415 100 263 100 573 100 88 100
Vítima de Bullying virtual
Sim 19 4,57 18 6,84 0,20 0,65
0,33 - 1,27
30 5,06 8 9,09 0,12 0,53
0,23 - 1,20
Não 395 95,43 245 93,16 543 94,94 80 90,91
Total 415 100 263 100 573 100 88 100

Teste de qui-quadrado de Pearson com nível de significância adotado no teste estatístico de 5% e intervalo de confiança de 95%

*RP:

A tabela 2 expõe associação entre ser praticante de bullying e comportamentos de risco na escola. Especificamente, constata-se que estudantes adolescentes que fazem uso de fumo na escola apresentam 0,40 mais chances de praticarem bullying contra colegas, comparado aos alunos que não relataram esse tipo de comportamento (p=0,04; RP IC 95%=0,4; 0,16-1,01). A mesma relação se estabelece quanto ao uso de álcool. Os estudantes que consomem bebida alcoólica na escola possuem 0,28 mais chances de serem agressores de bullying (p=0,28; RP IC 95%=0,28; 0,13-0,58).

Tabela 2 Associação entre agressor de bullying e comportamento de risco em escolas da rede pública de ensino de Campina Grande, Paraíba, Brasil, 2014. (n= 678) 

Agressor de bullying
Sim Não Valor p RP
n % n %
Uso de fumo
Sim 6 10,5 28 4,5 0,04 0,40
0,16 - 1,01
Não 51 89,5 590 95,5
Total 57 100 618 100
Uso de álcool
Sim 11 19,3 39 6,3 0,00 0,28 0,13 -
0,58
Não 46 80,7 579 93,7
Total 57 100 618 100
Uso de drogas ilícitas
Sim 0 0 12 2 - -
Não 57 100 605 98
Total 57 100 618 100
Porte de arma branca
Sim 2 3,5 35 5,6 0,49 1,65 0,38 -
7,04
Não 55 96,5 583 94,3
Total 57 100 618 100
Porte de arma de fogo
Sim 3 5,2 13 2,1 0,13 0,38 0,10 -
1,39
Não 54 94,8 605 97,9
Total 57 100 618 100

Teste de qui-quadrado de Pearson com nível de significância adotado no teste estatístico de 5% e intervalo de confiança de 95%

Na tabela 3, observa-se associação entre bullying e violência escolar demonstrando que há maior probabilidade dos estudantes vítimas de bullying sofrerem violência escolar confrontando-se com os adolescentes estudantes que não sofreram qualquer episódio de violência na escola. O dado exibe 47,43 mais chances da vítima de bullying ser vítima de violência escolar.

Tabela 3 Associação entre vítima e agressor de violência escolar com vítima de bullying e tipologias em escolas da rede pública municipal de ensino, no município de Campina Grande, Paraíba, Brasil, 2014. (n=678) 

Vítima de violência escolar Valor p RP Agressor de violência escolar Valor p RP
Sim Não Sim Não
n % n % n % n %
Vítima de bullying 0,00 47,436,56 - 342,83 0,00 1,92
1,37 - 2,69
Sim 199 34 1 1 116 36,6 83 23
Não 386 66 92 99 201 63,4 277 77
Total 585 100 93 100 317 100 360 100
Vítima de bullyingfísico
Sim 101 17,26 1 1 0,00 19,192,64 - 139,35 63 19,8 38 10,55 0,001 2,10
1,36 - 3,24
Não 484 82,74 92 99 254 80,2 322 89,45
Total 585 100 93 100 317 100 360 100
Vítima de bullying psicológico
Sim 158 27 0 0 0,00 1,211,17 - 1,26 91 28,7 67 18,6 0,002 1,76
1,22 - 2,52
Não 427 73 93 100 226 71,3 293 81,4
Total 585 100 93 100 317 100 360 100
Vítima de bullying virtual
Sim 37 6,33 0 0 0,013 - 26 8,2 11 3 0,003 2,82
1,37 - 5,81
Não 547 93,67 93 100 291 91,8 348 97
Total 584 100 93 100 317 100 359 100

Teste de qui-quadrado de Pearson com nível de significância adotado no teste estatístico de 5% e intervalo de confiança de 95%

Não houve associação entre vitimização por bullying e faixa etária, demonstrando não existir diferença de vitimização entre as faixas etárias dos escolares.

Verificou-se, também, associação entre vitimização por bullying e agressor de violência escolar, evidenciada por maior probabilidade da vítima de bullying tornar-se produtor de alguma violência contra outro escolar em 1,92 mais chances,

DISCUSSÃO

Com base nos resultados obtidos, destaca-se a vitimização por bullying com prevalência relevante, representando um maior número de vítimas em relação a agressores, entre os escolares. O presente estudo identificou prevalência de vitimização por bullying de 29,5%, em consonância à média internacional e a estudos desenvolvidos nos Estados Unidos; um desses revelou vitimização por bullying de 20,1% e outro apontou envolvimento de 21,4% dos adolescentes como vítimas de bullying.19-20 Conforme o Health Behaviorin School-aged Children (HBSC), a prevalência de vitimização de bullying oscila entre 3% e 33% em adolescentes de 11 a 15 anos, assim a prevalência de bullying no presente estudo se encaixa nessa faixa de variação corroborando com o supracitado órgão de pesquisa internacional em escolares.21

Assemelha-se também a pesquisa nacional, a realizada pela Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência (ABRAPIA) verificou vitimização por bullying em 27,8% dos escolares.1 Pesquisa anterior desenvolvida no mesmo município do atual apresentou estudo que constatou vitimização por bullying de 23,6%.22

Em relação aos escolares vitimizados, a associação entre ser vítima de bullying e sexo do estudante demonstrou maior propensão dos meninos se tornarem vítimas do fenômeno, o que corrobora com a maioria das pesquisas na área.22-24 Diversos estudos8,11,22,25 demonstraram o predomínio de vitimização por bullying entre os estudantes do sexo masculino.

Inquérito nacional brasileiro8 identificou percentual de 26,1% dos meninos como agressores de bullying e 7,9% como vítimas, número maior se comparado com as meninas, 16,0% (agressoras) e 6,5% (vítimas), dados aquém dos encontrados no presente estudo. Porém, estudo21 na região Nordeste corrobora com o atual, logo que apresenta um percentual de 31,5% de vitimização por bullying para os meninos. Estudo brasileiro26 desenvolvido na região Sul do país destacou o envolvimento dos estudantes nas situações de bullying, indicando que os meninos apresentam cerca do dobro de chances de participarem desses casos no ambiente escolar.

Outro estudo brasileiro27 apresentou resultados contrários demonstrando maior percentual de vitimização como de agressão por bullying em meninas (vítimas: 57,8%; agressoras: 53,3%), sendo elas as maiores envolvidas nessas situações; mesmo assim, os meninos (vítimas: 42,2%; agressores: 46,7%) também participam em percentuais elevados. Essa configuração de maior envolvimento das meninas nas situações de bullying reafirma-se em outro estudo brasileiro,28 o qual demonstra maior percentual de vitimização por bullying nos diversos tipos nas meninas (bullying verbal: 92% das meninas, 84% dos meninos; psicológico: 70% das meninas, 53% dos meninos; físico: 46% meninas, 44% meninos; virtual: 13% meninas, 12% meninos).

De modo geral, estudos internacionais11,25 demonstraram maior envolvimento dos estudantes do sexo masculino como vítimas e agressores, destacando a condição majoritária dos meninos como vítimas de todos os tipos de bullying analisados: psicológico, físico e virtual, contudo com maior chance de vitimização por bullying físico. Esses resultados identificaram que os estudantes permanecem mais inseridos em situações de bullying físico e/ou formas diretas de bullying, enquanto as estudantes envolvem-se mais nas formas indiretas de bullying.

Todavia, o bullying psicológico destaca-se dentre as tipologias do fenômeno como o que alcança maior número de vitimização em ambos os sexos, mostrando-se como o mais frequente entre os escolares. Estudo29 evidencia maior vitimização tanto de meninos como de meninas por bullying psicológico. Esta tipologia encontra-se associada ao estereótipo de menor gravidade, o que contribui para o processo de naturalização dessas ações no convívio escolar.

Em relação à faixa etária, salienta-se que não houve diferenças estatísticas relevantes entre a ocorrência do bullying em relação às idades dos escolares analisados, apresentando índices aproximados de vitimização por bullying tanto na faixa etária de 10 a 14 anos, quanto de 15 a 19 anos. No entanto, a literatura científica nacional e internacional8,25-26 destaca os escolares de 10 a 14 anos como o grupo com maior ocorrência de vítimas de bullying, com progressiva redução com o aumento da idade, uma vez que os alunos mais velhos detêm características que podem protegê-los da vitimização.

Neste estudo, a prática do bullying por parte de escolares contra seus pares manifestou-se em 8,4% destes, aquém do inquérito brasileiro PENSE (Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar), que identificou a prática de bullying em 20,8% dos estudantes.8 Não obstante, se faz necessário cautela na análise desse resultado, uma vez que no atual estudo a constatação da prática do bullying é de maneira autorrelatada o que permite margem para a subinformação da manifestação do ato.

Discursos teóricos tentam explicar o ato de praticar o bullying com base na busca pela afirmação da superioridade de poder por meio da humilhação e perseguição a seus pares, com ausência de motivação evidente por parte da vítima,6 associados a comportamentos de riscos, tais como consumo de fumo, álcool e outras drogas.30,22 Problemática em consonância ao apontado neste estudo que menciona associação estatística entre uso de fumo e álcool na escola com o praticante de bullying.

Essa superioridade de poder para com o outro que embasa as relações nas quais se estabelece o bullying; revela indícios do maior envolvimento masculino nas situações de bullying como vítimas, bem como agressores; pois a diferença cultural na formação e desenvolvimento dos meninos e meninas pode sustentar tais comportamentos. Desde a infância, os meninos são permeados por tendências agressivas no comportamento as quais encoraja-os a manter atitudes hostis com os pares e emanar masculinidade por meio da imposição da força física e da valentia; esses são comportamentos propensos à utilização da violência/agressividade nas relações estabelecidas entre os meninos.31

Além do impacto macrossocial, o bullying tem efeito direto nas dimensões emocionais, psicológicas, físicas e sociais. As vítimas caracterizam-se, na maioria, como indefesas, inseguras e com baixa autoestima, principalmente, por apresentar alguma característica socialmente discriminada, tornando-a alvo do agressor de bullying. Essa perseguição produz reflexos severos na saúde dos escolares vitimizados. Os mesmos desenvolvem instabilidade emocional, tendência a transtornos psíquicos, depressão, suicídio; tristeza relacionada ao ambiente escolar desencadeando baixo rendimento de aprendizagem e até abandono, com consequente, redução da qualidade de vida desses adolescentes.2,6,15,29,32

Estudo33 demonstra que os efeitos negativos não se restringem, somente, às vítimas. Os agressores que já possuem instabilidade emocional e dificuldades de relacionamento social tendem a potencializar esse comportamento antissocial, de isolamento e de criminalidade com supervalorização da violência como forma de obtenção de poder e inserção social.

Considerando-se o bullying como a ponta do iceberg da violência escolar,34 compreende-se o que a última tabela desse estudo evidencia: a associação entre vitimização por bullying com vitimização por violência escolar, assim como, com praticante de violência escolar, demonstrando que a vitimização por bullying não ocorre de maneira isolada. Não é possível afirmar, com o presente estudo, qual fenômeno constitui-se precursor do outro; no entanto, constata-se a existência de um meio escolar violento que fomenta a própria violência.

Nessa troca de papeis (re)constrói-se um ciclo de violência no espaço escolar, no qual há o deslocamento de papéis entre vítimas e agressores, o que evidencia a complexidade de fatores que circunscreve o bullying, o qual não pode ser analisado de forma simplificada e reduzida, pois trata-se de uma via de duas mãos na medida em que os agressores não podem ser os únicos responsáveis pelos atos de violência, porque também são produto da mesma.35 Ademais, esse quadro cíclico tende a ampliar e intensificar a violência nesse meio produzindo consequências negativas para toda a comunidade escolar. A quebra desse ciclo configura-se como de caráter essencial para o enfretamento do bullying nas escolas, com intervenções capazes de interferir nos aspectos promotores e mobilizadores do bullying nas relações escolares.34

CONCLUSÃO

Os achados científicos desse estudo constituem-se como subsídio para a compreensão da realidade do bullying nas escolas e os fatores potencialmente associados à manifestação desse fenômeno tanto na perspectiva das vítimas, quanto dos agressores, uma vez que converge com o cenário científico internacional em termos de apresentação das manifestações da vitimização e agressão e em associação com as características destes escolares (sexo, idade, tipologia).

Constata-se a existência de um ciclo de violência escolar fomentado pelo próprio bullying e outras formas de violência nesse meio que, a seu turno, permite interpretar o mecanismo de sobrevivência e persistência da violência nas escolas.

Como processos de intervenção frente à problemática, deve-se priorizar o rompimento de tal ciclo, ressalvando-se que o mesmo permanece diretamente relacionado aos determinantes sociais e aos contextos no qual se encontra inserido, o que requer ações multidisciplinares e intersetoriais no sentido de implementar políticas públicas que visem o incentivo a valores e atitudes de paz e convivência saudável nas escolas, ademais ações educativas de prevenção ao bullying na escola são voltadas aos grupos prioritários identificados neste estudo, ou seja, escolares do sexo masculino que apresentam envolvimento significativo nas situações de bullying.

Respeitadas as vantagens de um estudo transversal, de um lado, este não permite estabelecer relações de causa e efeito entre as variáveis estudadas; por outro lado, uma vez que se adotaram respostas autorrelatadas pelos escolares, estas podem ser influenciadas pelas compreensões e memórias particulares de cada escolar. Concluindo, ressalta-se que essas limitações estão intrínsecas ao estudo do fenômeno da violência, já que este se mostra como um fenômeno social e subjetivo difícil de ser mensurado.

1Artigo extraído da dissertação - Violência escolar: vitimização e agressão entre adolescentes da rede pública municipal de ensino, apresentada ao Programa de Pós-graduação em Saúde Pública da Universidade Estadual da Paraíba (UFPB), em 2015.

REFERÊNCIAS

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Recebido: 07 de Setembro de 2016; Aceito: 03 de Julho de 2017

Correspondência: Emanuella de Castro Marcolino, Rosendo Pereira de Lucena, 92, São José, 58 400 382 - Campina Grande, Paraíba, Brasil. E-mail: emanuella.de.castro@gmail.com

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