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Texto & Contexto - Enfermagem

versão impressa ISSN 0104-0707versão On-line ISSN 1980-265X

Texto contexto - enferm. vol.27 no.1 Florianópolis  2018  Epub 05-Mar-2018

http://dx.doi.org/10.1590/0104-07072018006550015 

Artigo Original

PESQUISA EM ENFERMAGEM: BRASIL E PORTUGAL NA CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE PROFISSIONAL

INVESTIGACION EN ENFERMERIA: BRASIL Y PORTUGAL EN LA CONSTRUCCION DE LA IDENTIDAD PROFESIONAL

Monica Motta Lino1 

Vânia Marli Schubert Backes2 

Maria Arminda da Silva Mendes Carneiro da Costa3 

Maria Manuela Ferreira Pereira da Silva Martins4 

Murielk Motta Lino5 

1Doutora em Enfermagem. Docente do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. E-mail: monicafloripa@hotmail.com

2Doutora em Enfermagem. Docente do Departamento de Enfermagem e do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da UFSC. Pesquisadora do CNPq. Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. E-mail: vania.backes@ccs.ufsc.br

3Doutora em Enfermagem. Docente da Escola Superior de Enfermagem do Porto. Porto, Portugal. E-mail: arminda@esenf.pt

4Doutora em Enfermagem. Docente da Escola Superior de Enfermagem do Porto. Porto, Portugal. E-mail: mmartins@esenf.pt

5Mestre em Enfermagem. Enfermeira do Trabalho na Eletrobras-Eletrosul. Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. E-mail: muryelk@gmail.com


RESUMO

Objetivo:

compreender a construção da identidade profissional na pesquisa em enfermagem de Brasil e de Portugal segundo a percepção de seus pesquisadores, adotando-se Gaston Bachelard como referencial teórico.

Método:

pesquisa descritiva, exploratória, de abordagem qualitativa, realizada no Brasil e Portugal. Adotou-se entrevista semiestruturada com 17 enfermeiros pesquisadores de ambos os países, com experiência em pesquisa científica e título de doutorado e/ou pós-doutorado. A análise dos dados obedeceu a seguinte ordem: fase exploratória, seleção das unidades de significado e processo de codificação das unidades de análise com a respectiva construção de categorias não-apriorísticas.

Resultados:

emergiram duas categorias para discussão: Objeto e linhas de pesquisa em enfermagem; e, Atitude política dos pesquisadores.

Conclusão:

as fragilidades na construção da identidade profissional precisam ser rompidas a partir do desenvolvimento de investigações experimentais, com respostas imediatas aos serviços de saúde e que atendam às demandas sociais. Profissional satisfeito é o maior marketing da profissão. Por meio da qualificação profissional na enfermagem será possível ocupar melhores cargos e desenvolver com maior propriedade o papel de liderança e a atitude política.

DESCRITORES: Enfermagem; Conhecimento; Pesquisa em enfermagem; Cuidados de enfermagem; Prática profissional

RESUMEN

Objetivo:

comprender la construcción de la identidad profesional en la investigación en enfermería de Brasil y de Portugal según la percepción de sus investigadores, adoptándose Gaston Bachelard como referencial teórico.

Método:

investigación descriptiva, exploratoria, de abordaje cualitativo, realizado en Brasil y Portugal. Se adoptó entrevista semiestructurada con 17 enfermeros investigadores de ambos países, con experiencia en investigación científica y titulo de doctorado y/o post-doctorado. El análisis de los datos obedeció el siguiente orden: fase exploratoria, selección de las unidades de significado y proceso de codificación de las unidades de análisis con la respectiva construcción de categorías no apriorísticas.

Resultados:

emergieron dos categorías para discusión: Objeto y líneas de investigación en enfermería y; actitud política de los investigadores.

Conclusión:

las fragilidades en la construcción de la identidad profesional precisan ser rotas a partir del desarrollar de investigaciones experimentales, con respuestas inmediatas a los servicios de salud y que atiendan a las demandas sociales. Profesional satisfecho es el mayor marketing de la profesión Por medio de la calificación profesional en enfermería será posible ocupar mejores cargos y desarrollar con mayor propiedad el papel de liderazgo y la actitud política.

DESCRIPTORES: Enfermería; Conocimiento; Investigación en enfermería; Atencion de enfermería; Práctica profesional

ABSTRACT

Objective:

to investigate the construction of professional identity in Brazilian and Portuguese nursing research, according to the perception of their researchers, adopting Gaston Bachelard as a theoretical framework.

Method:

descriptive and exploratory research, with a qualitative approach, undertaken in Brazil and Portugal. Semistructured interviews were held with 17 nurse researchers from both countries, with experience in scientific research and doctorates and/or post-doctorates. Analysis of the data was undertaken in the following order: exploratory phase, selection of the units of meaning and process of codification of the units of analysis, with the respective construction of aprioristic categories.

Results:

two categories emerged for discussion: object and lines of research in nursing; and the political attitude of the researchers.

Conclusion:

the weak points in the construction of the professional identity need to be broken with, based on the undertaking of experimental investigations, with immediate responses for the health services and which meet the social requirements. Professional satisfaction is the best advertisement for the profession. Through professional qualification in nursing it will be possible to occupy better positions and undertake the role of leadership and the political attitude with greater apprpriateness.

DESCRIPTORS: Nursing; Knowledge; Nursing research; Nursing care; Professional practice

INTRODUÇÃO

Este estudo é parte de uma pesquisa que teve como objetivo compreender os obstáculos epistemológicos à pesquisa em Enfermagem no Brasil e em Portugal na perspectiva de enfermeiros pesquisadores. O estudo apontou três obstáculos: a questão da identidade profissional, a questão da influência capitalista na produção do conhecimento em Enfermagem e a necessidade de uma nova pesquisa em Enfermagem: colaborativa, transdisciplinar e translacional. Neste texto aprofunda-se a análise acerca de um dos obstáculos identificados: a questão da identidade profissional. Assim, o objetivo do presente estudo foi compreender a construção da identidade profissional na pesquisa em Enfermagem no Brasil e em Portugal segundo a percepção de seus pesquisadores. Adota-se como referencial teórico a noção de obstáculo epistemológico de Gaston Bachelard.1

Parte-se do pressuposto de que os escritos de Gaston Bachelard, nesse campo teórico-epistemológico, são importantes para o pensamento na Enfermagem, considerando que contribuem para refletir acerca das práticas em pesquisa pautadas na visão positivista de ciência. O obstáculo inibe o padrão de pensamento e ação, sua dimensão reflexiva e construtiva, que determina o horizonte das práticas em pesquisa.1 A fragilidade na construção de uma identidade profissional é apontada, nesse estudo, como um obstáculo a ser superado segundo enfermeiros pesquisadores contemporâneos.

A identidade profissional da enfermagem é construída diariamente a partir da confluência de alguns aspectos como o papel dos profissionais nas práticas de cuidado em saúde, o modo como se estrutura a formação na área e seus desdobramentos de cunho histórico, social, político e filosófico.2 O trabalho em pesquisa reconhece esse olhar e objetiva-o na visão do pesquisador, sendo esse um obstáculo primeiro: o próprio sujeito e a desubjetivação do objeto.1

Acredita-se que o trabalhador da enfermagem desenvolve sua identidade profissional antes mesmo de entrar na enfermagem, sendo transformada com anos de estudos e experiência clínica, evoluindo ao longo da carreira. A educação e a pesquisa científica são retratos dessa identidade manifestada e, simultaneamente, influenciam tal construção. A constituição de um conjunto de conceitos, desenvolvidos por cada profissional referentes ao papel da enfermagem na sociedade pode ser trabalhada para a conservação de alunos e enfermeiros nos serviços de saúde.3

O pensamento bachelardiano pressupõe que o ato de conhecer (pesquisar) é um conhecer-se, uma reformulação das estratégias na produção do conhecimento.1 Eis que a identidade profissional do pesquisador (individual) e da área (coletivo) encontra-se intimamente relacionada com a produção do conhecimento. A experiência primeira do pesquisador o faz retratar determinados fenômenos objeto de investigação conforme o mesmo interpreta sua identidade com o mundo e na profissão, ou seja, sua disposição ao que é tido como dado.

A construção da identidade profissional na enfermagem vem sendo foco de discussão em diferentes partes do mundo. Estudos apontam que a imagem pública da enfermagem é diversa e incongruente. Acredita-se que o fortalecimento da identidade profissional é uma estratégia importante para ampliação e a manutenção de profissionais na classe, bem como para a obtenção de melhores posições desses profissionais dentro dos sistemas de saúde. As fragilidades, na construção dessa identidade, precisam ser rompidas a partir de educação continuada no ambiente de trabalho, do desenvolvimento de pesquisas científicas enfocados no cuidado em saúde, bem como, no fortalecimento de defesa dos achados de pesquisa e discurso em público.4

O investimento em educação e a construção de saberes avançados promovem mudanças na identidade profissional em longo prazo. As pós-graduações, na área da enfermagem, vêm impulsionando o fortalecimento de uma identidade profissional que goza de direitos e causa impacto nas práticas em saúde. Cada vez mais vem ocorrendo uma adesão a melhores práticas clínicas, à implementação de diretrizes na regulação do corpo profissional e ao envolvimento da sociedade de forma incremental para influenciar na atual e futura identidade profissional.5

A partir de um conhecimento geral sobre a enfermagem e sobre o seu objeto, o pesquisador reproduz ideias e valores próximos à definição de sua individualidade e do âmbito social, no qual verdades podem ser assumidas e partilhadas sem serem questionadas. A crítica, nesse aspecto, consiste na desconexão entre experiência e razão, no perigo do imediatismo na formação do espírito científico.

Sendo que o ato de conhecer dá-se contra um conhecimento anterior, a identidade profissional, que existe no âmbito da pesquisa em enfermagem, é um obstáculo a ser superado.1 Assim, o objetivo deste estudo é compreender a construção da identidade profissional na pesquisa em enfermagem no Brasil e em Portugal segundo a percepção de seus pesquisadores, adotando-se Gaston Bachelard como referencial teórico.

MÉTODO

Pesquisa descritiva, exploratória, de abordagem qualitativa, realizada no Brasil e em Portugal. Adotou-se como estratégia de coleta dos dados a entrevista semiestruturada com enfermeiros pesquisadores de ambos os países, com experiência em pesquisa científica e título de doutorado e/ou pós-doutorado. A seleção dos participantes ocorreu por meio da técnica snowball, que consiste em participantes iniciais apontarem novos participantes, formando-se uma rede de indicações. O critério de saturação dos dados por repetição de informações limitou a pesquisa em 17 participantes (Tabela 1).

Tabela 1 Distribuição dos participantes do estudo segundo titulação. Florianópolis-SC, 2013. (n=17) 

Titulação Brasil* Portugal
Doutor 06 06
Pós-Doutor 03 02
Total 09 08

*Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Pará;

Cidades de Lisboa, Porto e Coimbra.

No cenário brasileiro, os pesquisadores entrevistados foram e/ou são líderes de grupos de pesquisa, ocupam ou já ocuparam cargo de coordenação de Programas de Pós-Graduação em Enfermagem, bem como cargo de coordenação em órgãos de classe, órgão de fomento e de avaliação nacional. Os pesquisadores portugueses entrevistados, por sua vez, são de renome no país, destacando-se no âmbito da formação em enfermagem a partir da coordenação de cursos e, em grande parte, envolvidos diretamente com unidades de investigação e orientação de alunos de Pós-Graduação em Enfermagem.

O roteiro de entrevista semiestruturada versou sobre oito questões exaustivamente pensadas e intencionalmente voltadas ao objetivo da presente pesquisa. Dentre elas, foi considerada como principal questão norteadora a pergunta: como fazer para superar os obstáculos/limitações, que dificultam o trabalho dos pesquisadores de enfermagem? Em sua opinião, que tipo de medidas ou providências precisaria ser adotado para a superação desses problemas?

O período de coleta dos dados teve a duração de 14 meses (out/2011 a nov/2012) e a análise dos dados teve a duração de 20 meses (out/2011 a mai/2013). As entrevistas foram gravadas em arquivo digital, transcritas e, posteriormente, validadas por todos os entrevistados.

Procedeu-se à análise do conteúdo das entrevistas produzindo inferências embasadas nos pressupostos de Gaston Bachelard e a noção de obstáculo epistemológico. Incluiu-se, nessa etapa da pesquisa a fase exploratória, a seleção das unidades de significado, o processo de codificação das unidades de análise com respectiva construção de categorias não-apriorísticas.6

A pesquisa teve parecer favorável no Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos no Brasil (CEP/UFSC 2227/11) com validação em Portugal. Todos os participantes aceitaram participar da pesquisa e assinaram Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Os participantes são identificados com as siglas PB (Pesquisador Brasileiro) e PP (Pesquisador Português), seguido de um número.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Dos dados coletados, emergiram duas categorias de análise, sendo elas comuns à realidade de Brasil e de Portugal: Objeto e linhas de pesquisa em enfermagem, que diz respeito à necessidade apontada pelos pesquisadores entrevistados quanto a uma definição do objeto de estudo da enfermagem para a consequente escolha das linhas de pesquisas que respondam às necessidades sociais; e Atitude política dos investigadores, que trata da postura considerada necessária ao enfermeiro pesquisador para que esteja mais engajado com a profissão e busque na pesquisa resultados que impactem na realidade profissional.

Objeto e linhas de pesquisa em enfermagem

É preciso dedicar-se à curiosidade epistemológica e ao desenvolvimento de pesquisa relacionada à área de conhecimento específico da enfermagem - ao seu objeto. Tal prática fortalece a identidade profissional. Trata-se, pois, de apropriar-se dos fenômenos e significados da profissão, que por sua natureza, requerem um olhar complexo tecido de relações. Há a necessidade de ruptura com a epistemologia cartesina das pesquisas de enfoque estritamente racionalistas-positivistas, já que o âmbito de atuação da enfermagem, segundo os entrevistados, é fundamentada na prática crítica e reflexiva.

Identifica-se uma insatisfação dos pesquisadores sobre a realização de investigação com enfoque no objeto da enfermagem. Afinal, qual é o objeto da enfermagem? Para um dos entrevistados não existe um consenso sobre o conhecimento que confere especificidade à enfermagem. Esse aspecto é facilmente identificável no contexto europeu e complexifica todo o debate sobre os focos da investigação em enfermagem, as fronteiras do conhecimento e as atividades de pesquisa transversais às ciências da saúde (PP2).

A ciência, por sua natureza, é ávida pela unidade. No entanto, é possível encontrar em sistemas homogêneos mais obstáculos que estímulo. O espírito científico deseja saber para melhor questionar.1 Questionar o objeto da profissão torna-se um exercício dialético, permite instituir novos saberes a partir de rupturas com o senso comum. Assim, resguardadas insatisfações com essa delimitação, grande parte dos pesquisadores vem apontando o cuidado como o objeto da profissão, o que caracterizaria a identidade profissional da enfermagem.

Por conseguinte, os pesquisadores atentam que as investigações precisam ser realizadas com foco no objeto da enfermagem. Há uma falta de clareza e de identidade com a profissão (PB6).

A pesquisa, em outras áreas do conhecimento, na perspectiva dos participantes do estudo, é uma fragilidade. Muitas vezes, os projetos que são encaminhados não têm como foco a enfermagem. Penso que é fundamental que o olhar seja para a enfermagem (PB6).

Na epistemologia, o incompreendido ou o mal interpretado constitui-se em obstáculo, em contrapensamento. Torna-se fundamental a reflexão acerca do exercício profissional da enfermagem, afinal, estamos a serviço de quem? Para quê? Por quê? A identidade profissional está em constante transformação, redesenhando-se no tempo, na história e nas circunstâncias.7 É preciso refletir sobre aspectos, que fragilizam a profissão: a autonomia profissional e seu reconhecimento social e o domínio de um campo próprio de saber.8

As investigações realizadas por enfermeiros em sua área específica fortalecem a identidade profissional, apesar de não haver consenso no que diz respeito ao cuidado humano e ao trabalho da enfermagem.8 Para os pesquisadores, independente da discussão sobre o real objeto da enfermagem fazemos parte da área da saúde, com certeza, mas a nossa área de identidade primeira é a enfermagem. Então, temos que estar comprometidos com o desenvolvimento da ciência da enfermagem e da produção em enfermagem (PB5).

As discussões sobre o cuidado de enfermagem ocorrem há mais de vinte anos. Estudo sobre a investigação em enfermagem na América Latina aponta que existe vulnerabilidades da enfermagem, enquanto ciência e produção científica, sendo necessário adotar condutas que fortaleçam o consumo das pesquisas cientificas para consequente transformação de políticas públicas, bem como, o fortalecimento do cuidado de enfermagem enquanto objeto da classe. Destacando como principais razões para a vulnerabilidade na produção científica em Enfermagem a falta de preparo em áreas como metodologia de pesquisa, falta de apoio institucional e a falta de clareza quanto às questões que consideradas importantes para a investigação em enfermagem.9

O cuidado de enfermagem é o objeto da profissão e como tal precisa ser defendido e sustentado teoricamente, objetivado em teoria e prática. A mesma autora destaca que "o termo cuidado explodiu em uma tremenda desordem terminológica, espécie de caos epistemológico, tantas são as variações de uso da palavra cuidado no âmbito das várias profissões que se identificam agora como de cuidado".10:409 A profissão de médico, exemplificando, desde o Século XVIII identificava-se como aquele que presta diagnóstico e tratamento de doenças, mas, recentemente, "vem invocando e defendendo o cuidado como termo de sua alçada diagnóstica e espaço de perspectiva clínica na área da saúde". Sendo assim, "não há conceito de disciplina específica que se sustente diante de tal ideia e de possibilidade polissêmica".10:409

Assim, cabe ao enfermeiro promover o cuidado de enfermagem na sua prática diária e nos seus registros, mantendo-o atualizado em termos de produção científica. Ao pesquisador, torna-se fundamental ter como foco o objeto da profissão ou temáticas, que circundam tal objeto, em prol do sujeito do cuidado (cidadão). O ato de estudar deve permear a prática diária dos enfermeiros, enquanto que a inquietação e a dúvida devem ser o par do pesquisador.

A eterna insatisfação do pesquisador é relatada por todos os entrevistados. Produção do conhecimento é um exercício de inquietação. Quem estiver satisfeito não está fazendo produção de conhecimento (PB9). O fundamental é questionar-se. A verdadeira ciência acontece na retificação de erros anteriores de modo incessante. Todo conhecimento é superado. Assim, não há verdades, mas erros provisórios. O questionamento sobre as próprias ações da enfermagem promovem rupturas com o passado e alinham um corpo de conhecimentos em dado período histórico, legitimando as invenções. Mas é preciso estar aberto a novas ideias, pois o espírito científico é inquieto. O antigo deve ser pensado em função do novo.1

Com relação às linhas de pesquisa, há a necessidade de uma orientação mais clara e definida no que tange a escolha das temáticas das pesquisas em enfermagem e a consolidação de linhas de investigação, que tenham relevância social e impacto no ponto de vista prático. Tal alerta é realizado tanto no contexto brasileiro quanto português: É o problema de haver certa indefinição, um caminho por onde devem ir as linhas de investigação. Onde é que é mais necessário inv estigar para que a enfermagem afirme-se como disciplina de conhecimento? Ela se afirma na medida em que isso dá resultados práticos e isso não está de maneira nenhuma planificado (PP7).

Os órgãos de fomento em pesquisa, bem como os de avaliação, vêm fortalecendo junto aos pesquisadores a prática da adoção de uma ou duas linhas de investigação em enfermagem. Atualmente, existem agendas globais de necessidades em pesquisa que se desdobram em editais de financiamento específicos para temáticas previamente determinadas. Assim sendo, será que a formação dos pesquisadores vem ocorrendo de modo a ampliar as possibilidades de intervenção ou afunilar em um foco de pesquisa? A sociedade necessita de pesquisadores com linhas de investigação definidas ou preparados para atender a qualquer temática relacionada à enfermagem a partir do domínio de diferentes referenciais teórico-metodológicos? Ampliar ou estreitar?

No campo da defesa por uma linha de pesquisa parece que todo o mundo quer a sua quintinha, o seu espaço e essa imaturidade ainda existe. Há pouco lhe dizia de uma linha que se construiu e que eu perguntei, mas para que mais uma linha? Porque no fundo cada Doutor que sai pensa que tem que ter uma linha. Ainda estamos um bocadinho nessa fantasia (PP3).

O pesquisador deve aprofundar-se em uma única linha de investigação, aprimorando-a, ou se o mesmo deve ser capacitado para atender a diferentes frentes, conforme a necessidade social? Uma criatura faz anos a fio pesquisa sobre o mesmo tema, sobre a mesma linha, sobre o mesmo método. E vai ampliando ou vai aprofundando. Se estou inserida numa sociedade e se há temas que me inquietam, o meu ideal de pesquisa é responder a essas inquietações, que estão na sociedade. Considero que os pesquisadores devem sair dos seus nichos e estar à frente do que acontece na sociedade, para buscar respostas o mais rápido possível (PB8).

É real a dificuldade que os grupos de pesquisa/unidades de investigação de enfermagem apresentam na transferência de conhecimentos da academia para a vida prática e vice-versa. Tal responsabilidade deve ser partilhada entre pesquisadores e profissionais. Apesar do movimento que existe atualmente para que os pesquisadores saiam dos seus núcleos para a prática, a pesquisa ainda tem sido desenvolvida de modo enclausurado. É preciso acreditar num futuro de enfermagem com efetivas redes de trabalho, com linhas de investigação e temas afins a partir de um compromisso social entre instituições de saúde e de educação.11-12

Ainda, emerge, no teor do diálogo dos pesquisadores, a importância de desenvolver investigações experimentais com respostas imediatas aos serviços de saúde e que atendam às demandas sociais. Uma fragilidade, muitas vezes, é que pode- se constituir um constrangimento investigar a pessoa. Nós temos muito pouca experiência em estudos experimentais, nem é do nosso âmbito - é mais a investigação aplicada aos estudos experimentais - e daí que, muitas vezes, não conseguimos publicar nestas revistas com alto fator de impacto (PP4). Sendo o cuidado de enfermagem um fenômeno complexo e multifacetado, a realização de estudos experimentais é necessária, mas considerada tarefa difícil.

Atitude política dos pesquisadores

A pesquisa científica requer atitude política por parte dos pesquisadores. Para Bachelard1, no âmbito da pesquisa científica o próprio matematismo já não é mais descritivo e, sim, formador. A ciência não se contenta mais com o "como" e está à procura de "porquês". Afinal, a formação do pesquisador é uma formação política em todos os sentidos. Ele tem que agir politicamente: com os alunos, onde ele está, para conseguir mais recursos, para representar a pesquisa e para influenciar as mudanças das práticas docentes e das práticas assistenciais (PB7).

Os entrevistados questionam-se sobre a postura política dos enfermeiros pesquisadores na contemporaneidade. Para eles não basta apenas pesquisar e estar inserido no contexto social em saúde, mas também, envolver-se com a classe profissional e na defesa de ideias. Assim, um obstáculo é a formação política dos enfermeiros pesquisadores para influenciar em políticas públicas. O pesquisador tem que ser, antes de tudo, um grande defensor dos seus achados. E tem que colocar esses achados para serem aplicados. Então, não adianta fazer uma pesquisa linda sobre educação em enfermagem e não ter influência nenhuma nas mudanças dos currículos e nas políticas de educação de enfermagem ; essa formação é indissociável(PB9).

A atitude política é algo inerente ao pesquisador, que para além de produtor de inovação, desdobra-se em postura crítico-reflexiva. O próprio ato de pesquisar requer atitude política, já que a experiência científica contradiz o senso comum.1 Para um entrevistado a pesquisa não é algo isolado da vida, pesquisa é a vida. Você imagina a fragilidade que percebo sendo eu uma de nossas representantes do CNPq de uma profissão que está nessa dualidade. A pesquisa é algo que nasce na pessoa. O pesquisador é ele. Ele quem tem que se transformar em pesquisador e depois ele tem que influenciar na formação de outros. Isso é a pesquisa e para isso tem que ter política. A prática, a organização profissional e o conhecimento são os três pilares que sustentam a profissão (PB8).

Lacuna no âmbito da competência profissional de enfermagem e sua dimensão ético-política é identificado por estudo científico.12 Nele, o discurso é pautado na necessidade de pesquisadores e enfermeiros criativos, curiosos epistemologicamente e potenciais transformadores da realidade. Propõe, ainda, maior problematização da realidade vivenciada, pautada na teoria da reflexão crítica na ação e sobre a ação proposta por Donald Schön.

A atitude política do pesquisador também deve ser sobre suas próprias ações, sua organização, enquanto grupo, e no diálogo com os pares. Bachelard destaca que o espírito científico tem o poder da autocrítica.1 Nesse sentido, um entrevistado atenta que é preciso pensar na nossa organização enquanto pesquisadores. Isso é uma fragilidade total. Nós temos organização para discutir tudo, menos para discutir as nossas questões como pesquisadoras. E influenciar o financiamento, o aumento do financiamento e , também, a utilização adequada, porque tem desperdício. A regulação é um ponto importante, mas faz parte da organização do pesquisador e da influência que ele tem nos órgãos (PB1).

A postura política dos pesquisadores requer liderança. A literatura13-14 aponta que o exercício da liderança em enfermagem é não-linear, implica a resolução de problemas e tomada de decisão. Assim, uma das qualidades do enfermeiro pesquisador é a liderança. O pesquisador deve ter ao menos três competências: "integrar conhecimento científico com outras fontes para avançar a prática de enfermagem; desenvolver explicações teóricas sobre fenômenos clínicos de enfermagem através da pesquisa empírica e desenvolver e aplicar métodos científicos para testar, refinar e ampliar o corpo de conhecimento da área".3:143

Uma pesquisadora portuguesa alerta que o despertar para a atitude política tem uma relação com a questão histórica de gênero na enfermagem. O saber político têm-nos feito muita falta, o saber político, no sentido de saber, o que fazer para atingir determinado objetivo. O facto de sermos mulheres têm tido vantagens e desvantagens, porque sabemos resolver os problemas, mas não sabemos fazer o marketing da profissão. Mas, as mulheres, também, estão a evoluir, também deixaram de ser obedientes e, portanto, também a evolução da profissão e a evolução da mulher na sociedade andou sempre a par e passo e, portanto, acredito que também na enfermagem irá ter esse retorno (PP8).

A questão de gênero influencia na identidade profissional da enfermagem. Ainda existe um imaginário social muito feminino da profissão, o que aparentemente fragiliza a valorização profissional. A inserção social da enfermagem requer atitude política e envolvimento responsável. É preciso fortalecer os referenciais de cidadania, a postura crítica, a defesa pela pesquisa de qualidade em consonância com as necessidades sociais, para, então, ampliar o cuidado em saúde com liberdade e a autonomia da classe.7

A história da enfermagem, enquanto campo de conhecimento, encontra-se em processo de sedimentação e ampliação. O registro da identidade profissional vem sendo evidenciado na produção científica e, também, com pessoas que fizeram e vêm fazendo diferença nos modelos profissionais.15 A produção do conhecimento reproduz uma prática vivenciada dia a dia. Nesse aspecto, um entrevistado alerta que obstáculo é a exigência acadêmica de textos escritos em substituição aos valores de textos práticos de saberes e fazeres organizacionais da profissão em sua prática (quem sabe, o mestrado profissional e o doutorado profissional venham cobrir justamente esse espaço). Vivencio essa problemática por minhas observações como certo atraso dos melhores tempos de avanços profissionais da profissão na contemporaneidade (PB3).

Para o espírito científico, todo conhecimento é resposta a uma pergunta, então, é preciso saber formular problemas.1 É preciso que a pesquisa em enfermagem subsidie a prática profissional e aporte benefícios à saúde da população. Esse é um dos modos de contribuição da pesquisa científica na formação da identidade profissional da enfermagem. Fortalece-se uma classe de pessoas com competências técnico-científicas para inovar, para defender ideias, construir um corpus de conhecimento e qualificar o cuidado às pessoas. Os pesquisadores brasileiros e portugueses consideram que os enfermeiros precisam estar mais envolvidos com as suas categorias profissionais. Que a pesquisa científica deve ser orientada conforme as necessidades em saúde das pessoas e servir para o desenvolvimento de maior autonomia profissional. As entidades representativas devem estar atentas ao trabalho em pesquisa, fornecendo aportes aos pesquisadores e trabalhadores, investindo na formação de enfermagem e mantendo subsídios para defender e fortalecer a classe.

A base da identidade profissional da enfermagem é formada na escola e sedimenta-se após um contato profundo e prolongado com contextos de trabalho e com pesquisa científica.16 A enfermagem em suas diferentes vertentes é influenciada e regulada por órgãos de classe. Assim, alguns pesquisadores criticaram o modo como as entidades representativas vêm desenvolvendo suas ações: A categoria que tem o COREN (Conselho Regional de Enfermagem) e o COFEN (Conselho Federal de Enfermagem) pode ser forte em pesquisa. Como mudar se a representação máxima do nosso conselho é da maneira que é? Como que eu vou sentar em uma mesa de negociação se há uma questão política tão grave como essa? Como que vou discutir educação de enfermagem se eu própria não consegui superar e politizar a minha representação profissional? (PB2).

Em Portugal, discute-se a mesma problemática. Um entrevistado resume o discurso proferido pelos entrevistados: é preciso ter mais investigação para problemas sensíveis da sociedade e, depois, a divulgação desses resultados, não só na comunidade, mas também numa divulgação alargada. Essa é uma parte que todos e cada um de nós pode fazer. Depois há uma parte que compete mais a quem está em situações de direção. À Ordem dos Enfermeiros, às escolas de enfermagem e às suas direções, às unidades de investigação de enfermagem que existem, às pessoas que estão nos órgãos científicos, que é um trabalho de intervenção mas política, também. É preciso mostrar a importância e a necessidade desse tipo de reconhecimento em relação à investigação e à enfermagem em geral (PP1).

A pesquisa científica, as organizações de classe, o papel do educador de enfermagem estão em processo de transformação contínua, afinal, não existem verdades, mas erros retificados.1 A atitude política dos pesquisadores requer fortalecimento para intervir mais efetivamente na sociedade dentro do que se considera necessário na perspectiva da ciência contemporânea e, por sua vez, fortalecer a identidade profissional da enfermagem. A defesa do conhecimento científico de domínio da enfermagem tem como consequência natural a incorporação dos achados e reflete na cultura organizacional da profissão.

CONCLUSÃO

É necessário refletir acerca da identidade profissional da enfermagem, da produção do conhecimento na área e da postura dos pesquisadores, pois estes são obstáculos à pesquisa em enfermagem que precisam ser superados para o crecimento da profissão.

A enfermagem, enquanto ciência em construção, tem capacidade para desenvolver conhecimentos avançados no que diz respeito ao cuidado de enfermagem. Porém, a atividade diária do pesquisador e das instituições de ensino, especialmente aquelas com Programas de Pós-Graduação em Enfermagem, têm sido influenciada por modos capitalista de produzir conhecimento.

Transformar a realidade das exigências de produção, díspares com as condições de trabalho, de valorização e de fomento em pesquisa, é uma tarefa árdua, porém necessária. Entende-se que é preciso que os pesquisadores saiam dos nichos para compreender melhor a vida prática em saúde e propor novas possibilidades, fortalecendo o cuidado de enfermagem enquanto objeto ímpar.

As linhas de investigação, nesse sentido, precisam estar apuradas com as necessidades sociais e derivadas do objeto da profissão. Se enfermagem é cuidado, o mesmo não deveria ser intitulado "linha de pesquisa" como tem ocorrido, mas sim, todas as linhas de pesquisas deveriam ser aderentes ao contexto do cuidado de enfermagem.

Apresenta-se como ponto de reflexão a necessidade do fortalecimento da identidade profissional da enfermagem dentro dos serviços, nas instituições de ensino, nos espaços da sociedade e por que não na mídia televisiva e jornalística? É preciso que os próprios profissionais estejam engajados em condições de trabalho adequadas, em prol da satisfação e melhoria da autoimagem. Profissional satisfeito é o maior marketing da profissão. Aliado ao contexto da satisfação, por meio da qualificação profissional será possível ocupar melhores cargos e desenvolver, com maior propriedade, o papel de liderança e a atitude política.

REFERÊNCIAS

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Recebido: 12 de Dezembro de 2015; Aceito: 23 de Agosto de 2016

Correspondente: Monica Motta Lino. Avenida Brigadeiro Silva Paes, n. 85, apto 1005A. 88101-250, Campinas, São José, SC, Brasil. E-mail: monicafloripa@hotmail.com

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