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Texto & Contexto - Enfermagem

Print version ISSN 0104-0707On-line version ISSN 1980-265X

Texto contexto - enferm. vol.28  Florianópolis  2019  Epub Nov 04, 2019

http://dx.doi.org/10.1590/1980-265x-tce-2018-0390 

REFLEXÃO

ESTRATÉGIAS DE ANÁLISE DE CONCEITO PARA O DESENVOLVIMENTO DE TEORIAS DE ENFERMAGEM DE MÉDIO ALCANCE

Marcos Antônio Gomes Brandão1 
http://orcid.org/0000-0002-8368-8343

Claudia Angélica Mainenti Ferreira Mercês2 
http://orcid.org/0000-0002-0336-6142

Rafael Oliveira Pitta Lopes3 
http://orcid.org/0000-0002-9178-8280

Jaqueline Santos de Andrade Martins4 
http://orcid.org/0000-0002-4167-519X

Priscilla Alfradique de Souza5 
http://orcid.org/0000-0002-4625-7552

Cândida Caniçali Primo6 
http://orcid.org/0000-0001-5141-2898

1Universidade Federal do Rio de Janeiro, Departamento de Enfermagem Fundamental. Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil.

2Instituto Nacional de Câncer. Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil.

3 Universidade Federal do Rio de Janeiro, Campus Macaé. Macaé, Rio de Janeiro, Brasil.

4 Uniabeu Centro Universitário. Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil.

5 Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Escola de Enfermagem Alfredo Pinto. Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil.

6 Universidade Federal do Espírito Santo. Departamento de Enfermagem. Vitória, Espírito Santo, Brasil.


RESUMO

Objetivo:

refletir sobre fortalezas e limites das estratégias de análise de conceito como recursos para o desenvolvimento de teorias de médio alcance de enfermagem.

Método:

estudo de reflexão de natureza metateórica.

Resultados:

são apresentadas estratégias para análise de conceito para o desenvolvimento de teorias de enfermagem de médio alcance. Foram apresentadas as bases filosóficas de conceitos e sua interface com os procedimentos analíticos. Verificou-se que são três as abordagens utilizadas pela Enfermagem para a análise de conceito: a adaptada da Wilsoniana, a evolucionária e a de utilidade pragmática. A estratégia de análise de conceito teve por ilustração a Teoria Interativa de Amamentação.

Conclusão:

as estratégias de análise de conceito têm sido empregadas na enfermagem para o desenvolvimento de teorias e refinamento dos conceitos e terminologias utilizadas na pesquisa e prática. A despeito do uso difundido ainda há grande diversidade de métodos utilizados e algumas indefinições que dificultam a sua aplicação.

DESCRITORES: Teoria de enfermagem; Formação de conceito; Enfermagem; Modelos teóricos; Enfermagem baseada em evidências

ABSTRACT

Objective:

to reflect on strengths and limitations of the concept analysis strategies as resources for the development of middle-range nursing theories.

Method:

a reflection study of metatheoretical nature.

Results:

strategies for concept analysis for the development of middle-range nursing theories are presented. The philosophical foundations of concepts and their interface with the analytical procedures were presented. It has been found that Nursing uses three approaches for concept analysis: adapted Wilsonian, evolutionary and pragmatic utility. The concept analysis strategy was illustrated by the Interactive Theory of Breastfeeding.

Conclusion:

concept analysis strategies have been employed in nursing to develop theories and to refine the concepts and terminologies used in research and practice. Despite their widespread use, there is still great diversity of methods used and some uncertainties that hinder their implementation.

DESCRIPTORS Nursing theory; Concept formation; Nursing; Models theoretical; Evidence-based nursing

RESUMEN

Objetivo:

reflexionar sobre diversos puntos fuertes y límites de las estrategias de análisis de concepto como recursos para el desarrollo de teorías de enfermería de medio alcance.

Método:

estudio de reflexión de naturaleza metateórica.

Resultados:

se presentan estrategias para el análisis de concepto con el fin de desarrollar teorías de enfermería de medio alcance. Se presentaron las bases filosóficas de los conceptos y su interfaz con los procedimientos analíticos. Se verificó que en Enfermería se utilizan tres enfoques para el análisis de concepto: el adaptado de Wilson, el evolucionario y el de utilidad pragmática. La estrategia de análisis de concepto tuvo a la Teoría de Amamantamiento Interactivo como ilustración.

Conclusión:

las estrategias de análisis de contenido se han incorporado a la enfermería para desarrollar teorías y refinar los conceptos y las terminologías que se utilizan en la investigación y en la práctica. Pese a la gran difusión de su uso, todavía existe gran diversidad de métodos utilizados y algunas indefiniciones que dificultan su aplicación.

DESCRIPTORES Teoría de enfermería; Formación de concepto; Enfermería; Modelos teóricos; Enfermería basada en evidencias

INTRODUÇÃO

A tradição positivista, e posteriormente, pós-positivista, colocam relevância na construção formal de teorias e indicam a ciência como tendo a finalidade precípua de testar explicações teóricas.1-2 Nesta perspectiva, a teoria, como representação simbólica de aspectos inventados ou descobertos da realidade, teria potencial de ampliar o escopo de uma área de conhecimento do campo puramente profissional para o de uma disciplina acadêmica.3

Entende-se que o discurso pós-positivista, assim como as demais contribuições filosóficas, deve ser limitado aos campos de aplicação contextual, epistemológico, histórico e social para evitar posicionamento dogmático na ciência. Destaca-se a vantagem do equilíbrio entre os aspectos filosóficos, conceituais/dimensões teóricas e empíricas para a construção de conhecimento como critério essencial para o avanço disciplinar.4 Desse modo, tanto a prática profissional quanto o conhecimento acadêmico seriam relevantes e indissociáveis no estado atual das profissões científicas. Se por um lado as teorias, como constructos de abstração acima das hipóteses e leis, devam ser reconhecidas na capacidade de produzir adequadas descrições, explicações, predições ou prescrições para os fenômenos; por outro, precisam servir de orientação às pesquisas científicas e à prática profissional.

Na sociologia, para suplantar o problema da limitação ou inadequação de produção de teorias unificadas (grandes teorias ou modelos conceituais), estudioso propôs em 1968 as teorias de médio alcance que seriam teorias intermediárias entre as hipóteses de trabalho e as teorias unificadas explicativas de todas as uniformidades sociais. O autor propôs que tais teorias servissem de guia para a investigação científica.5

Nos anos de 1970, a Enfermagem se inclinava a produzir justamente as teorias unificadas, isso por influência do pensamento positivista. Entretanto, por ser uma disciplina sustentada em uma profissão, a tarefa de teorizar deveria necessariamente estar ligada a testagem na prática profissional. Por conta dessa exigência, surgiu uma lacuna entre teoria (grandes teorias) e prática (profissional). Posteriormente, o desenvolvimento de teorias de enfermagem de médio alcance foi uma das estratégias adotadas para construir as pontes necessárias para superar a mencionada lacuna.6

As teorias de enfermagem de médio alcance possuem um número limitado de conceitos e variáveis, e geralmente são articuladas por uma visão de mundo ou grande teoria, personificando uma identidade disciplinar. Por conta dessas características são testáveis e ainda apresentam um grau de generalização suficiente para serem cientificamente interessantes, o que oferece vantagens de aplicação prática. O uso contínuo das teorias de médio alcance potencializaria os testes e modelagens, aumentando sua relevância na contribuição ao desenvolvimento do conhecimento de enfermagem nas próximas décadas.7

A proposição de teorias de enfermagem de médio alcance depende da manipulação de conceitos pelas estratégias de análise, síntese e derivação. Conceitos têm sido considerados os alicerces essenciais da construção da estrutura conceitual da teoria de enfermagem. O interesse pelo tema é verificado no significativo número de pesquisas de análise de conceitos que foram e ainda são realizadas. Uma revisão da literatura de artigos publicados entre 2001 e 2010 indicou que dos 2317 artigos relacionados a diferentes tipos de teorias ligadas à Enfermagem, a análise de conceito representou a segunda categoria com 327 artigos.8

A análise de conceito é um exercício formal e linguístico que examina os elementos de um conceito, seu uso e o quanto ele é semelhante ou diferente de outras palavras relacionadas. Defensores da análise de conceito enxergam sua utilidade em esclarecer semanticamente palavras que são vagas ou excessivamente usadas, permitindo que posteriormente todos que usam a palavra estejam comunicando o mesmo conceito. Além disso, forneçam definições precisas para uso em teorias e pesquisas. Entretanto, como os conceitos são dinâmicos e mudam ao longo do tempo, uma análise de conceito nunca deve ser considerada como um produto acabado, mas como uma definição de seus atributos naquele momento atual.9

Porém, a posição de defesa sobre a necessidade de realizar a análise de conceito para a construção de teorias não é ponto consensual, a despeito de seu longo e recorrente uso como estratégia desenvolvedora de teorias. Os que discordam, pautam suas críticas sobre a noção comum na enfermagem de que os conceitos seriam os blocos construtores de teorias. Para eles os conceitos são contextuais e é no âmbito da teoria que recebem o seu significado, dito de outro modo, cabe a teoria moldar o significado do conceito e não ao conceito construir a teoria. Por conta disso, seriam infrutíferos e inapropriados os esforços de perseguir uma definição apropriada para o conceito, pois, os conceitos ganham significados por estarem nas relações e contextos em que são empregados. Por consequência, nesta perspectiva filosófica, a ideia de conceitos como blocos construtores da teoria derivaria de um erro de entendimento de destacadas autoras de enfermagem.10-11

O presente artigo reconhece que o tema está em discussão e que a orientação filosófica do autor é que determina a sua posição favorável ou contrária a relevância da análise de conceito como facilitadora da construção de teorias. A finalidade deste artigo não é advogar por uma ou outra perspectiva. De fato, por meio de uma reflexão de natureza metateórica, intenciona trazer mais clareza sobre o emprego da análise de conceito como etapa para geração de teorias de médio alcance, especialmente por assumir que até mesmo os críticos reconhecem a visão predominante na enfermagem de que os conceitos são vistos como blocos para construção de teorias de enfermagem.11

Deste modo, o objetivo é refletir sobre fortalezas e limites das estratégias de análise de conceito como recursos para o desenvolvimento de teorias de médio alcance de enfermagem.

BASES FILOSÓFICAS DO CONCEITO E INTERFACES COM SEUS PROCEDIMENTOS ANALÍTICOS

O termo conceito tem sido apresentado pelos autores de diferentes formas: abstrações, imagens ou formulações mentais, palavras descritoras das imagens mentais.10 O conceito como uma afirmativa simbólica descreve um fenômeno ou classe de fenômenos, sendo expresso por uma definição. Ao passo que o fenômeno é o referente empírico, o conceito é sua expressão teórica e simbólica. Assim, o conceito, e sua formação, dependem da linguagem, conhecimento e os demais constructos cognitivos, afetivos e de crenças pessoais e culturais.12

Esta visão mais clássica do conceito na enfermagem incorpora três elementos: significados, usos e definições.10 E, de algum modo, considera-se que é justamente para esses três elementos que a análise de conceito está voltada. A realização de uma análise conceitual busca trazer clareza aos fenômenos da prática e da pesquisa de enfermagem para obter e clarificar significados, persegue usos que são atribuídos a um dado conceito, e vislumbra construir definições constitutivas e operacionais para melhor precisão e entendimento na difusão do conceito. Entretanto, todas essas considerações só fazem sentido se for adotada uma perspectiva mais universalista, fundacionista e estática do conceito.

Em outra perspectiva, existem os que ressaltam que os conceitos são contextuais, dinâmicos, modificáveis conforme o seu uso e aplicação em diferentes tempos e contextos e, por isso, precisam ser analisados e reavaliados periodicamente, visando o seu aperfeiçoamento.2

Por fim, existem os críticos da realização de grande parte ou de todas estratégias de análise de conceito empregadas na enfermagem como construtoras de teorias, inclusive destacando que alternativas melhores seriam as revisões da literatura e metassínteses voltadas para analisar as produções de teoristas e pesquisadores acerca de um tema em particular.10-13

O espectro de crédito e descrédito da análise de conceito passa pela orientação filosófica da ciência. Na filosofia da ciência a noção de conceito pode ter influenciado o interesse da enfermagem pela determinação de conceitos relevantes para a disciplina e a profissão.14 Problemas conceituais são o ponto crítico do trabalho da ciência, apontando cinco tipos de problemas conceituais: fenômenos que carecem de explicação, mas, não possuem procedimentos explicativos; fenômenos somente parcialmente compreensíveis; conflitos entre conceitos de uma mesma disciplina; conflito entre conceitos de disciplinas diferentes e conflitos entre conceitos e atitudes da sociedade. É sustentável afirmar que os conceitos não são órfãos de seu contexto.14

Considerando aspectos filosóficos, sobre o papel dos conceitos e suas relações com a ciência e as teorias há que se avançar mais no debate sobre a análise conceitual no que concerne às suas bases filosóficas e epistemológicas, porém, isso extrapolaria o objetivo do artigo.

ESTRATÉGIAS PARA A ANÁLISE DE CONCEITO E INTERFACES COM O DESENVOLVIMENTO DE TEORIAS DE MÉDIO ALCANCE DE ENFERMAGEM

Basicamente são três as abordagens utilizadas pela Enfermagem para a análise de conceito: a adaptada da Wilsoniana, a evolucionária e a de utilidade pragmática.15 No presente artigo exploraremos o método proposto por Walker e Avant como base de discussão para estabelecer as divergências e convergências entre as outras abordagens. Tal escolha justifica-se no fato de sua ampla difusão e aplicação nacional e internacional, além de representar um modelo de adaptação da abordagem Wilsoniana.16

Em termos de filiação filosófica, a adaptação Wilsoniana na enfermagem, provavelmente, possui um traço do paradigma positivista, particularmente no que concerne ao modo de encarar o conceito como uma entidade estática no tempo e passível de ser reduzida ou extraída de seu contexto de aplicação. A abordagem evolucionista é entendida como de influência pós-positivista de caráter interpretacionista, contextualizando como os atributos devem ser encarados, estando eles sujeitos ao desenvolvimento ou mudança conceitual. No método de utilidade pragmática, a filiação à teoria crítica é a sustentadora do método, com a visão dos conceitos de natureza probabilística, exigindo a comparação e contraste da aplicação do conceito entre diferentes disciplinas.15

Essa adaptação Wilsoniana, mais difundida na enfermagem, propõe três estratégias para construção de uma teoria: derivação, síntese e análise, sendo que cada estratégia pode ser usada para elaboração de conceitos, afirmações e teorias. Assim, ao combinar as propostas, ao final tem-se nove possibilidades para desenvolvimento de uma dada teoria. A derivação consiste na transposição ou redefinição de um conceito, afirmação e teoria de um contexto ou campo para outro. Na síntese, as informações baseadas na observação são usadas para construir um novo conceito, uma nova afirmação e uma nova teoria. Já na análise, o teórico deve dissecar o todo em partes para que possa ser mais bem compreendido.9

Para ilustrar a aplicação da estratégia de desenvolvimento de teoria de médio alcance a partir da análise de conceito, apresentam-se os procedimentos desenvolvidos na Teoria Interativa de Amamentação.17 A mencionada teoria, desenvolvida no Brasil, utilizou o método de análise de conceito de Walker e Avant9 para analisar o conceito de amamentação e a partir das evidências da literatura científica, identificar os conceitos relacionados ao processo de amamentar que compuseram a teoria. Os autores da Teoria Interativa de Amamentação seguiram o método de Walker e Avant9 e partiram da seleção do conceito de amamentação. A seleção ou escolha do conceito pode parecer uma tarefa simples, no entanto, isso não é totalmente verdade quando se trata da elaboração de uma teoria.

A seleção do conceito a ser analisado é vital para as abordagens Wilsonianas e evolucionária, sendo delas o ponto de partida. Diferenciam-se no modo contextualizado como os atributos devem ser encarados, estando sujeitos ao desenvolvimento ou mudança conceitual. Já no método de utilidade pragmática a seleção do conceito não está explicitada, isso porque tal método se sustenta mais em princípios norteadores do que em etapas.15

A seleção do conceito em termos teóricos é precedida pelas escolhas filosóficas e ontológicas, se os conceitos são formadores de teorias (como na visão de Walker e Avant) ou se são formados pelas teorias, como na visão contextualista.18 A seleção pelo método de análise ou desenvolvimento conceitual, assim como, a aplicação de estratégias de análise, derivação ou síntese devem ser submetidas às decisões sobre o referencial filosófico e teórico do teorista.

Ao decidir por realizar a análise, o teorista ainda precisa ter em mente que o tipo de conceito selecionado modifica a relação conceito-fenômeno com impactos na teorização. Por exemplo, a adoção do conceito de “amamentação” forma uma teoria diferente da escolha do conceito “aleitamento” ou de “alimentação infantil”.

De igual modo, a visão contextualista do conceito tende a informar que as relações para a produção de amamentação ou amamentações são influenciadas por contexto social e/ou cultural da criança, da mulher e da família. A visão contextual, a nosso ver, alinha-se a elaboração de teorias de médio ou de micro alcances que são mais próximas ao nível empírico dos fenômenos, quando comparadas às grandes teorias de enfermagem.

Para evitar a adoção de um caráter estático para o conceito, os autores da Teoria Interativa de Amamentação selecionaram um modelo conceitual compatível com o paradigma interacionista (Modelo de Sistemas Abertos de Imogene King). Também, incorporaram traços contextualistas e não estáticos propondo uma definição de amamentação como experiência dinâmica e única a cada evento.17 Entende-se que esta escolha por uma definição constitutiva de natureza contextualista, em parte, contorna a aplicação do método tradicional de análise de conceito.

A segunda etapa, a de determinação de um objetivo para a análise, está explicitada nas três abordagens de análise, exceto no método Wilsoniano de Schwartz-Barcott e Kim.15-19 O reconhecimento das particularidades da abordagem de análise facilita a definição de objetivos. No método de Walker e Avant os principais propósitos são realizar a distinção entre atributos relevantes e irrelevantes de um conceito e determinar semelhanças e diferenças.9 Se o teórico entende o papel dos conceitos como “construtores de teoria”, então, selecionar um conceito central torna-se análogo a “assentar o fundamento do edifício teórico”. Se por outro lado, o teórico alinha-se à perspectiva de que conceitos são significados à luz da teoria, então, a análise teórica funciona como estratégia para perceber ou compreender o conceito que é significado no âmbito da teoria.

Na análise conduzida para elaborar a Teoria Interativa de Amamentação foram traçados os objetivos de clarificar os significados conceituais da amamentação e desenvolver uma definição conceitual.17

A terceira etapa, a de busca pelos usos do conceito é iniciada no método de Walker e Avant após a determinação da análise de conceito. No método evolucionário essa busca também é feita pela coleta de dados, bem como são indicados como princípios norteadores: a seleção e organização da literatura. Salienta-se que as diferenças filosóficas e características de cada método podem marcar diferenças na forma como a busca é realizada. Na construção teórica que serve de ilustração ao presente artigo, os autores foram fiéis a perspectiva universalista do modelo tradicional de análise de conceito ao realizar uma revisão integrativa de literatura utilizando uma questão norteadora generalizante, a saber: qual a definição de amamentação?17

Há que se destacar que o uso do método evolucionista apontaria para outra perspectiva de busca na literatura. Nesse método seria marcante o contexto de uso do conceito e a presumível possibilidade de mudanças ao longo do tempo (evolução conceitual).15-20 Desse modo, ao desenhar a estratégia de busca e de registro o pesquisador-teórico deve preservar o caráter contextual do uso do conceito, evitando encará-lo como entidade estática, como é caracteristicamente observado nos métodos analíticos de enfermagem adaptados de Wilson.

Para facilitar a coleta de dados os autores se orientaram por um instrumento estruturado nos seguintes tópicos: definição, fatores que antecedem e consequentes. Os demais procedimentos seguiram o desenho da revisão integrativa da literatura.

A busca pelo uso do conceito de amamentação englobou produções de diversas disciplinas da saúde e humanas, como medicina, enfermagem, fonoaudiologia, terapia ocupacional, farmácia, odontologia, nutrição, psicologia, entre outras e serviu para demonstrar diferentes perspectivas de uso conceitual e recortes específicos do fenômeno, como por exemplo: o uso dos termos “breastfeeding” (amamentação), “bottle feeding” (alimentação por mamadeira) e a caracterização dos termos empregados.

Críticos da estratégia de análise de conceito levantam uma questão relevante ao destacar a visão de que a formação de conceitos e de teorias são aspectos fortemente relacionados ou fazem parte de uma mesma atividade, tornando importante a ideia de sistemas de conceitos.11,21 Diante desta perspectiva de formação dos conceitos e teorias, a análise de conceito seria um empreendimento com sérias limitações, dado que a análise é incapaz de trazer a completude do constructo conceitual e de suas relações com outros conceitos e com a teoria como um todo. A crítica ainda se apoia no argumento de que o uso de um termo ocorre em uma situação ou contexto particular, o que negaria a ideia universalista de uma análise de conceito - entendido como entidade única e acontextual.18

Entretanto, exigências profissionais ligadas à análise de conceito demandam que sejamos mais conservadores. Isso porque a formação de uma linguagem disciplinar tem exigido o procedimento de análise conceitual para o avanço da clínica de enfermagem, especialmente, nos diagnósticos de enfermagem. Também, a crítica aos analistas não é a posição hegemônica, necessitando-se de mais debates sobre as consequências que o abandono da análise de conceito poderia trazer ao conhecimento da Enfermagem. Assim, pontua-se que a ciência tem muito a ganhar ao avançar na reflexão sobre a análise de conceitos na enfermagem e suas interfaces com o desenvolvimento de teorias.

Feita a identificação de todos os usos do conceito, parte-se para a quarta etapa, a de determinação dos atributos definidores, ou seja, a reunião de atributos que são mais frequentemente associados ao conceito.9 A própria noção do termo “atributo” tende a carregar em si a ideia cartesiana de atributo como aquilo pelo qual uma substância é conhecida (substância corpórea e mente) ou da teoria dos atributos daquilo que exprime a essência da substância.22 A ideia cartesiana é de que há uma impossibilidade de se conhecer a substância senão por algum atributo.23 Desse modo, torna-se compreensível a ideia de “atributos definidores” no campo da análise conceitual, sendo as qualidades, as propriedades ou as características (atributos predicáveis) que permitem a um conceito ser conhecido.

Em termos metodológicos, a visão evolucionária incorpora a identificação de atributos nas etapas de coleta, gerenciamento e na análise de dados. Entretanto, dada as particularidades filosóficas desta abordagem, a revisão da literatura identifica em conjunto os atributos, aspectos contextuais (antecedentes, consequentes, variações socioculturais e temporais), termos substitutos, e conceitos relacionados.2 A abordagem de utilidade pragmática também reconhece a necessidade de identificar os atributos. Nesse método, os atributos são as características do conceito identificadas na literatura e obtidas a partir das definições operacionais e variáveis utilizadas no material investigado. Ainda, todos os atributos devem estar presentes em um caso para o mesmo ser considerado um exemplo do conceito.24

Para a construção da Teoria Interativa de Amamentação, foi feita a varredura da literatura em busca de atributos da amamentação. Os autores buscaram ideias, palavras ou expressões e características definidoras que indicassem traços de identidade, singularidade ou essência do conceito. Usando desses três aspectos (identidade, singularidade e essência) aliado a prevalência de ocorrências na literatura conferiram a certos atributos a condição de “atributo crítico”. A concepção de atributo crítico foi empregada para subsidiar a ideia central do conceito de amamentação (interação entre mãe e filho que usualmente envolve a relação, o afeto e o vínculo). Na mencionada análise, parece que o atributo crítico funcionaria como análogo a ideia de “atributo principal”, ou seja, aquele tipo que se hipoteticamente retirado da substância só restariam palavras e nenhuma substância em si. Quando os autores adotam a interação como atributo crítico (principal) da amamentação, por consequência, negam a possibilidade de existência de qualquer conceitualização de amamentação não interativa. Assim, qualquer processo não-interativo recai na ausência do atributo crítico (principal) para a Teoria Interativa de Amamentação, sendo, portanto, um conceito diferente de amamentação. Logo, a finalidade do atributo crítico é ser a base para a construção de uma definição que seja representativa do conceito.17

Além do atributo crítico, os autores da Teoria Interativa de Amamentação também trabalharam com os “atributos definidores”, sendo eles: percepção, julgamento, ação e reação entre mãe e criança.

Também existem críticas concernentes aos procedimentos de identificação de atributos das adaptações de enfermagem ao modelo Wilsoniano. Questiona-se a opção pela identificação de atributos preceder a construção de casos justamente porque os casos funcionariam como evidências de fornecimento de atributos, e não como exemplos.18 No modelo de Wilson,16 os critérios para a definição dos atributos também não estariam claros entre os analistas, mesmo que se identifiquem três diferentes versões para definir um atributo definidor: a sua frequência de ocorrência, as condições necessárias e a pureza (os atributos devem estar presentes para a existência de um exemplo “puro” do conceito).10

As duas etapas seguintes têm relação com a construção de casos. O caso modelo é construído na quinta etapa de Walker e Avant e representa o exemplo de uso do conceito que utiliza todos os atributos definidores do conceito, a partir de um caso real, encontrado na literatura ou construído.9 No método evolucionário tal etapa é denominada de identificação de um exemplo, ou seja, não é um caso construído, mas sim a identificação de um caso modelo da realidade que ilustre de forma prática o conceito em um contexto relevante.25

A sexta etapa refere-se à construção de casos adicionais: limites, relacionados, contrários, inventados e ilegítimos. Os casos limites devem trazer a maioria dos atributos definidores, mas não todos. Os relacionados são instâncias do conceito que são relacionadas ao conceito em si, mas, não possuem todos os atributos definidores. Apresentam similaridade com o conceito estudado, mas diferem dele quando analisados especificamente. Os casos contrários são os exemplos do “não conceito”. Os casos inventados são aqueles que possuem as ideias fora da experiência e das evidências presentes na realidade. Por fim, os casos ilegítimos incorporam o uso inapropriado do conceito ou fora de seu contexto.9

A Teoria Interativa de Amamentação fornece pistas para a exemplificação destes casos. Começando pelo caso modelo, este deve atender em prioridade ao atributo crítico de garantir a interação entre mãe e filho, envolvendo a relação, o afeto e o vínculo. Obviamente para um maior entendimento das características desse atributo há que se recorrer ao exame da Teoria. Ainda se exige a inclusão de todos os atributos definidores apontados pelos autores: percepção, julgamento, ação e reação entre mãe e criança.17

Já para o caso limite, o atributo crítico deveria estar presente, porém, um ou mais dos atributos definidores estariam ausentes. No caso específico da Teoria Interativa de Amamentação, não existem evidências de que haveria possibilidade de existir os casos limites por ausência de atributo definidor. No entanto, é possível estimar que prejuízos ou mudanças na natureza dos atributos definidores possam gerar casos relacionados. Por exemplo, o prejuízo no atributo definidor de “percepção” pode alterar o processo interativo gerando um caso de amamentação prejudicada, no qual o atributo crítico de interação é preservado, embora alterações no nível do fenômeno possam gerar um caso relacionado do conceito.17

O caso relacionado refere-se de algum modo ao conceito de amamentação, mas não dispõe de todos os elementos definidores. O aleitamento por meio de equipamentos e dispositivos possuem alguns atributos da amamentação, porém, é um conceito diferente.17

O caso contrário envolveria uma situação em que os atributos não estivessem presentes. No âmbito da Teoria Interativa de Amamentação representaria situações de alimentação da criança com ausência de afeto, vínculo, relação, percepção, julgamento, ações e reações típicas do binômio mãe-criança. A condição mais provável para esta situação remete aos conceitos de abandono, abuso e descuidado.17

O caso inventado envolve ideias que extrapolam a experiência do conceito, projetando matérias características da especulação ou da ficção, como por exemplo: uma amamentação paterna, amamentação por organismo cibernético ou não humano. Na aplicação sobre a Teoria Interativa de Amamentação, uma hipotética “amamentação paterna” modificaria as afirmativas relacionais ligadas aos conceitos de amamentação e papel de mãe; assim como a inclusão de entidades não-humanas implicaria em profundas mudanças ao conceito metaparadigmático de ser humano. Por contraste, os casos inventados ajudam a delimitar e clarificar os atributos definidores do conceito.17

Utilizando as propriedades descritivas e explicativas da Teoria Interativa de Amamentação, a construção de um caso com atributos da amamentação como um processo fundamentalmente nutricional representaria um típico caso ilegítimo de aplicação do conceito. Isso porque o atributo crítico se pauta na interação de natureza relacional, conferindo ao critério nutricional o status de resultado do processo interativo da amamentação.

A ideia de descrição de caso modelo parece ser o único aspecto a não receber críticas diretas dos contrários ao uso da análise de conceito na perspectiva da enfermagem, talvez por ser a etapa para a qual foi mantida a maior similaridade com o modelo original de Wilson.11

Na etapa de identificação dos antecedentes e consequentes do conceito, são verificados os incidentes ou eventos que ocorrem a priori do fenômeno (antecedentes), sendo necessários para a sua ocorrência; e os que acontecem a posteriori do conceito e resultam da presença do fenômeno (consequentes).9 Como etapa separada, essa identificação só ocorre no método de Walker e Avant.9 Na abordagem evolucionária a identificação de antecedentes e consequentes estão contidas na coleta e gerenciamento dos dados.25 Há que se considerar que o maior enfoque de antecedentes e consequentes não estava contido na proposta de Wilson.11

Na Teoria Interativa de Amamentação os autores elaboraram perguntas que guiaram uma revisão integrativa como técnica usada para identificar antecedentes e consequentes. As perguntas norteadoras foram: quais as condições que influenciam o início da amamentação?; quais as consequências da amamentação?17

Pode-se presumir que a utilização de uma etapa separada de antecedentes e consequentes traga impactos na produção de uma teoria, exigindo que sejam considerados os conceitos de tempo e causalidade. Na perspectiva mais tradicional do tempo, a causa é antecedente ao efeito (consequente) e o fluxo corre de forma linear, ao passo que no novo paradigma da ciência a causalidade e as relações entre antecedentes e consequentes são de natureza recursivas.26 Tal paradigma coloca em destaque o intercâmbio rítmico e mútuo entre o ambiente e as pessoas, estabelecendo padrões que são constantemente alterados e que evoluem para campos de auto-organização. Assim, a temporalidade linear não existe, pondo em questão a veracidade da análise para o estabelecimento de antecedentes e consequentes.

Como última etapa, tem-se a definição dos indicadores empíricos: identificar as classes ou categorias da amamentação mais próximas ao nível observável e empírico. Os indicadores são essenciais para fornecer dados observáveis e mensuráveis da amamentação.9 Na Teoria Interativa de Amamentação, o fenômeno foi definido como um processo de interação dinâmica, portanto de natureza complexa. Diante disso, uma única medida não será suficiente para representar o conceito de amamentação. De forma ampla pode-se apontar alguns “indicadores empíricos” que indiquem um processo interativo: olhos nos olhos mãe-filho, comunicação entre mãe-filho, posição mãe-filho, pega e sucção do recém-nascido, choro e sono da criança após mamada, relato de satisfação da mãe, relações produtivas entre trinômio pai-mãe-filho, suprimento de leite humano, esvaziamento da mama após mamada.17

O fenômeno da amamentação possui definições que expressam diferentes perspectivas conceituais derivadas de contextos diversos do uso do termo e de possíveis evoluções conceituais temporais. Por exemplo, aplicando-se uma visão funcionalista a amamentação pode ser conceituada na perspectiva da função nutricional. Se por outro lado, for adotada a visão de interacionismo o conceito recairá no processo de reciprocidade de ações (interação).

Ainda que a amamentação figure na literatura em termos de método de alimentação infantil, os artigos da revisão apontaram a nutrição como uma das finalidades da amamentação, mas não a sua essência. Para que o fenômeno amamentação possa acontecer, é essencial a presença de uma mulher e de uma criança interagindo, comunicando-se e buscando uma posição-pega adequadas para alcançarem os benefícios da amamentação. Vantagens essas disponíveis tanto para a mulher, quanto para a criança e para a sociedade.

CONCLUSÃO

O estudo permitiu refletir sobre fortalezas e limites das estratégias de análise de conceito como recursos para o desenvolvimento de teorias de médio alcance de enfermagem, buscando colaborar na ampliação do conhecimento sobre a temática ao detalhar aspectos de diferentes estratégias e confrontá-las com elementos filosóficos que as orientam.

A ilustração das etapas de análise de conceito pelo uso da Teoria Interativa de Amamentação mostrou-se como um fator facilitador da demonstração procedimental. Além disso, abriu espaços para interpretações teórico-conceituais que tem potencial de ampliar o conhecimento do leitor.

Quanto à estratégia de análise de conceito, ressalta-se que além da necessidade de convergência entre visão filosófica e estratégia, o teórico necessita atentar-se para a preservação de uma coesão teórico-filosófica na construção de teorias de médio alcance.

Por fim, o uso de teorias e conceitos alinhados à amamentação, conceito referenciado a um fenômeno extremamente comum para as pessoas, tem potencial de minimizar o esforço de entendimento de constructos que não fazem parte do cotidiano. E como consequência, dos que não estão habituados com os procedimentos da análise de conceito e do desenvolvimento de teorias de enfermagem.

REFERÊNCIAS

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NOTAS

FINANCIAMENTO Agradecimentos ao apoio fornecido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) nº 23038.0091178/2012.

Recebido: 17 de Outubro de 2018; Aceito: 07 de Fevereiro de 2019

AUTOR CORRESPONDENTE Marcos Antônio Gomes Brandão marcosantoniogbrandao@gmail.com

CONTRIBUIÇÃO DE AUTORIA

Concepção do estudo: Brandão MAG. Análise e interpretação dos dados: Brandão MAG; Mercês CAM; Lopes ROP; Martins, JSA; Souza PA; Primo CC. Discussão dos resultados: Brandão MAG; Mercês CAM; Lopes ROP; Martins, JSA; Souza PA; Primo CC. Redação e/ou revisão crítica do conteúdo: Martins, JSA; Souza PA; Primo CC. Revisão e aprovação final da versão final: Brandão MAG; Lopes ROP.

CONFLITO DE INTERESSES

Não há conflito de interesses.

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