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Revista Latino-Americana de Enfermagem

Print version ISSN 0104-1169

Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.6 no.3 Ribeirão Preto July 1998

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-11691998000300015 

Página do Estudante


 

PÁGINA DO ESTUDANTE

CENTRO DE RECUPERAÇÃO PÓS - ANESTÉSICO: OBSERVAÇÃO, ANÁLISE E COMPARAÇÃO1

 

Kátia Gonçalves do Prado2
Lilian Floriano da Silva2
Lucia Perroud Graciano2
Luciana Garcia Domingues2
Paulo Celso Prado Telles Filho2
Regina Célia Marthos Michigami2
Silvia Mara Rangel2
Silvia Rodrigues Daneluzzi2


 

 

INTRODUÇÃO

O centro de Recuperação Pós-Anestésico é o local destinado ao atendimento intensivo do paciente, no período que vai desde sua saída da Sala de Operação até a recuperação da consciência, eliminação de anestésicos e estabilização dos sinais vitais.

Os objetivos e vantagens do Centro de Recuperação Pós-Anestésico incluem prevenção e detecção precoce das possíveis complicações pós-anestésicas e pós-cirúrgicas, assistência de enfermagem especializada a pacientes submetidos a diferentes tipos de anestesias e cirurgias, maior segurança ao paciente, equipe médica e de enfermagem, racionalização de pessoal, eficiência dos recursos humanos e utilização de terapêuticas especializadas, além de servir de campo de aprendizagem para alunos da área da saúde.

DRAIN & SHIPLEY (1981) citam que o objetivo básico da sala de recuperação é a avaliação crítica dos pacientes em pós-operatório com ênfase na previsão e prevenção de complicações que resultam da anestesia ou do procedimento cirúrgico.

Os requisitos ambientais indispensáveis ao centro de recuperação são: localização próxima ao centro cirúrgico, temperatura, ventilação e iluminação adequadas, piso refratário à condutibilidade elétrica, facilidades de limpeza, suficiente espaço, não devendo sua área ser inferior a 25 metros quadrados, os leitos devem estar dispostos de tal forma que os pacientes possam ser vistos de qualquer ângulo do recinto, portas amplas que permitam a entrada de aparelhos transportáveis como RX, aparelho de anestesia, aspiradores, fonte de oxigênio permanente, estantes e armários amplos para depósito de medicamentos, materiais cirúrgicos e aparelhos.

Com relação aos recursos humanos, este é um setor onde se faz necessário profissionais de enfermagem com formação específica para atender aos objetivos do atendimento, ou seja, cuidados intensivos ou semi-intensivos (BRASIL. INSTITUTO NACIONAL DE ASSISTÊNCIA MÉDICA DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, 1988).

 

OBJETIVOS

Este estudo visou a observação e análise da estrutura de três centros de recuperação pós-anestésico de hospitais de Ribeirão Preto-SP e a comparação entre o que é preconizado pela literatura e a realidade encontrada nas instituições analisadas.

 

METODOLOGIA

A metodologia utilizada foi a observação de serviços e entrevista realizada através de um questionário estruturado, aberto, aplicado a enfermeiros das três instituições analisadas: A (hospital de atendimento a urgências), B (hospital de pequeno porte) e C (hospital de médio porte).

Inicialmente enviou-se ofícios às instituições a fim de obter permissão para a realização das visitas, sendo posteriormente agendadas.

A observação centrou-se na estrutura física, localização e características arquitetônicas.

O instrumento de coleta de dados abordou os seguintes aspectos: objetivo do centro de recuperação, recursos humanos e tempo de permanência dos pacientes.

 

DISCUSSÃO

Em relação a localização, observa-se que as três instituições apresentam os Centros de Recuperação ligados aos centros cirúrgicos. As instituições A e C apresentam o Centro de Recuperação em comunicação também com enfermarias de clínicas diversas e possibilitando circulação de pessoal entre estes setores. Segundo a literatura os Centros de Recuperação Pós-Anestésica devem estar instalados dentro da Unidade de Centro Cirúrgico ou em suas proximidades, de modo a favorecer o transporte fácil do paciente anestesiado, assim como seu rápido retorno à sala de operação, na vigência de uma emergência cirúrgica. Esta localização possibilita o livre acesso dos componentes da equipe cirúrgica, para o encaminhamento do paciente operado até este serviço ou mesmo para avaliações posteriores.

Foi possível observar que as plantas físicas das instituições B e C permitem a observação constante de todos os pacientes. Já a instituição A não atende a esse ítem, uma vez que a sua planta física e a disposição dos leitos inviabilizam a ampla visão.

A literatura afirma que o planejamento da planta física deve ser feito de modo a permitir a observação constante de todos os pacientes pelas equipes médicas e de enfermagem, sendo o estilo "aberto" o que melhor atende a esses quesitos.

Em relação às características arquitetônicas, no quesito paredes e pisos, tem-se a instituição A com paredes que encontram-se envelhecidas com rachaduras, pintura lavável de cor azul claro, piso branco de material sintético, lavável, sem fios de cobre, portas largas, tendo apenas como empecilho dois pilares que dificultam o transporte de macas e aparelhos. A instituição C, apresenta parede de cor branca, lavável, sendo o piso de "paviflex" da mesma cor. As portas são estreitas permitindo somente a passagem de macas e não camas-macas ou outros aparelhos de maior porte.

A instituição B possui paredes revestidas de material lavável com divisória entre os leitos em fórmica bege, piso de "paviflex" (de igual coloração) sem fio de cobre, portas largas permitindo passagem de camas e equipamentos.

A literatura recomenda paredes de material resistente, lavável, de cor neutra, que não proporcione reflexos, cantos arredondados e piso de material de fácil limpeza e boa condutibilidade ou com fio de cobre para favorecer a condução elétrica para o fio terra.

Quanto a temperatura ambiental e ventilação, a instituição A apresenta ar condicionado inadequado pois não é ligado à sistema central de ventilação, em número de três e encontrando-se em péssimo estado de conservação; na instituição C existe ar condicionado, também não ligado à sistema central, e na instituição B a aeração dá-se de forma inadequada, pois apresenta temperatura superior à recomendada.

A literatura aponta para a renovação do ar ambiente, sem que haja correnteza e a existência de temperatura e umidade adequadas.

A seguir descreve-se as informações coletadas nas instituições hospitalares pesquisadas através das entrevistas dos enfermeiros das respectivas instituições.

Na instituição A o objetivo do Centro de Recuperação é atender pacientes pós-anestésicos submetidos a cirurgias de urgência. Uma característica particular deste serviço é o atendimento de pacientes em pós-operatório imediato (primeiras 24 horas), mediatos (após 24 horas) e também pacientes críticos que deveriam ser encaminhados ao CTI.

Na instituição C, o objetivo é recepcionar pacientes do pós-operatório imediato de cirurgias de pequeno porte. Na instituição B a finalidade é a assistência no pós-operatório imediato de pacientes submetidos à cirurgias de pequeno, médio e grande porte.

A média de permanência dos pacientes no Centro de Recuperação na instituição A é de aproximadamente 16 horas e nas instituições B e C é de 2 horas.

Os recursos humanos disponíveis na instituição A são onze auxiliares de enfermagem, dois técnicos de enfermagem e três enfermeiros para sete leitos e uma cama-berço; na instituição C existem dois auxiliares de enfermagem e um enfermeiro que atende o centro cirúrgico e o centro de recuperação, onde há seis leitos e um berço; na instituição B há dois enfermeiros para dois leitos.

 

CONCLUSÃO

Percebe-se a existência de falhas, tanto na planta física como na dinâmica de funcionamento dos centros de recuperação e a dicotomia entre o recomendado pela literatura e a realidade encontrada em praticamente todos os itens analisados. Os objetivos de cada centro variam de acordo com a finalidade das instituições (atendimento a urgências, hospital de pequeno porte e hospital de médio porte) e a escassez de recursos humanos em enfermagem é aparente e certamente dificultadora da dinâmica das instituições analisadas. Embora haja limitações, as instituições procuram adequar ao máximo a estrutura para o oferecimento de um atendimento de qualidade ao paciente.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

01.BRASIL. INSTITUTO NACIONAL DE ASSISTÊNCIA MÉDICA DA PREVIDÊNCIA SOCIAL - ENFERMAGEM. Contribuição para o cálculo de recursos humanos na área. Rio de Janeiro, 1988. 44p. Série Políticas de Saúde 5.        [ Links ]

02. DRAIN; SHIPLEY. Enfermagem na sala de recuperação. Rio de Janeiro: Interamericana, 1981. cap. 14.

 

 

1 Trabalho orientado pela Profª Drª Olga Maimoni Aguillar - Departamento de Enfermagem Geral e Especializado da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo; 2 Discentes do 7º Semestre do Curso de Graduação da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo