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Revista Latino-Americana de Enfermagem

versão On-line ISSN 1518-8345

Rev. Latino-Am. Enfermagem v.13 n.6 Ribeirão Preto nov./dez. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-11692005000600008 

ARTIGO ORIGINAL

 

As informações recebidas pelos pais durante a hospitalização do filho

 

Information received by parents during children's hospitalization

 

Las informaciones recibidas por los padres durante la internación del niño

 

 

Ana Llonch SabatésI; Regina Issuzu Hirooka de BorbaII

IDoutor em Enfermagem; Mestre em Enfermagem Pediátrica, Professor da Universidade Guarulhos - CEPPE
IIDoutor em Enfermagem, Mestre em Enfermagem Pediátrica, Professor da Universidade Federal de São Paulo

 

 


RESUMO

Este estudo teve como objetivos conhecer a percepção dos pais quanto ao tipo de informações recebidas das enfermeiras durante a permanência do filho no hospital e identificar as informações que as enfermeiras referem fornecer aos pais. É um estudo exploratório-descritivo, com abordagem quantitativa, realizado nas unidades de internação pediátrica em um hospital de ensino da cidade de São Paulo. Foram entrevistados 50 pais que estavam com seus filhos hospitalizados e 12 enfermeiras que trabalhavam nessas unidades de internação pediátrica. Os resultados evidenciaram que os pais não estavam totalmente satisfeitos com as informações recebidas durante a hospitalização do filho; as informações fornecidas aos pais pelas enfermeiras eram principalmente sobre regras e rotinas, direitos e deveres, motivos dos procedimentos e participação dos pais no cuidado com o filho hospitalizado; os pais solicitam das enfermeiras informações sobre o tempo de hospitalização, evolução da doença, medicação e tratamento do filho.

Descritores: enfermagem pediátrica; criança hospitalizada; pais


ABSTRACT

This study aimed to find out how parents perceive the information they received from nurses during the hospital stay of their children and identify what information nurses indicate they supply to the parents. We carried out a descriptive-exploratory study with a quantitative approach at the pediatric internment units of a teaching hospital in the city of São Paulo, interviewing 50 parents whose children were hospitalized and 12 nurses working at these units. The results showed that parents were not completely satisfied with the information received from the nurses during the children's stay in hospital. The nurses mainly provided information to the parents about rules and routines, rights and obligations, reasons for procedures and parents' participation in care for the child. Parents asked the nurses information about the duration of their child`s hospitalization, progression of the disease, medication and treatment.

Descriptors: pediatric nursing; child, hospitalized; parents


RESUMEN

Este estudio tuvo como objetivos conocer la percepción de los padres cuanto al tipo de informaciones recibidas de las enfermeras durante la permanencia de su hijo en el hospital e identificar las informaciones que las enfermeras indican proveer a los padres. Se realizó un estudio exploratorio-descriptivo, con aproximación cuantitativa, en las unidades de internación pediátrica de un hospital de enseñanza en la ciudad de São Paulo, Brasil. Entrevistamos a 50 padres cuyos hijos estuvieron hospitalizados y 12 enfermeras que trabajaban en esas unidades de internación pediátrica. Los resultados evidenciaron que los padres no estaban totalmente satisfechos con las informaciones recibidas durante la hospitalización del hijo. Las informaciones proveídas a los padres por las enfermeras eran principalmente sobre reglas y rutinas, derechos y deberes, motivos de los procedimientos y participación de los padres en la atención al hijo hospitalizado. Los padres solicitan de las enfermeras informaciones sobre el tiempo de hospitalización, evolución de la enfermedad, medicación y tratamiento de su hijo.

Descriptores: enfermería pediátrica; niño hospitalizado; padres


 

 

INTRODUÇÃO

Durante o processo de hospitalização da criança, a presença dos pais, além de ser uma necessidade para minimizar os efeitos da separação entre pais e filhos, atualmente, é legislada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), no Capítulo I, Art. 12 que garante a "...permanência em tempo integral de um dos pais ou responsável, nos casos de internação de criança ou adolescente"(1).

Nesse contexto, a permanência dos pais tem como significado a garantia de participação nos cuidados básicos da criança e sua operacionalização implica no desenvolvimento de ações pelos profissionais de saúde como "a orientação e o apoio psicológico aos pais quanto aos aspectos específicos do tratamento, medicação e cuidados especiais com a criança e adolescentes, além de orientação quanto à participação nos cuidados básicos ao paciente"(2).

A inserção da família no ambiente hospitalar trouxe novas demandas e a abordagem do cuidado antes centrada na doença, passou a ser na criança e em sua família. Essa mudança contribuiu para que as enfermeiras percebessem que os pais têm suas próprias necessidades; que devem ser informados sobre seu filho, preparados para participar de seu cuidado durante a hospitalização e após a alta e atendidos em suas necessidades físicas e emocionais, entre outras(3).

As informações que os pais precisam receber compreendem obter informações a respeito do estado de saúde do filho, diagnóstico, tratamento, prognóstico, medicamentos, exames; conhecer o motivo da hospitalização e tudo o que é feito com e para seu filho(4).

A Resolução nº 41/95, que trata dos Direitos da Criança e do Adolescente Hospitalizados, assegura o "direito a que seus pais ou responsáveis participem ativamente do diagnóstico, tratamento e prognóstico, recebendo informações sobre os procedimentos a que será submetida"(5).

No cotidiano, em reuniões com pais que têm filhos hospitalizados, eles relatam receber poucas informações das enfermeiras a respeito do atendimento à criança doente, além do papel que devem desempenhar no hospital, bem como dos procedimentos diagnósticos e terapêuticos, decorrentes do processo da doença e hospitalização. Observa-se, também, certo desencontro entre as necessidades de informação relatadas pelos pais e aquelas identificadas pelas enfermeiras.

Semelhante situação foi verificada em estudo sobre participação e autonomia da mãe, ao relatar que, quando o filho adoece e é hospitalizado, as mães se submetem às condições impostas pela instituição e pelos profissionais de saúde, não questionam, não sabem a quem recorrer nem participam da tomada de decisão da conduta terapêutica médica, quando muito os médicos explicam-lhes rápida e superficialmente sobre o estado de saúde do filho(6).

O método de Roy, definido como sendo a aplicação de ações pela enfermeira na interação com a mãe da criança hospitalizada para integrá-la no papel que deve assumir por ocasião da hospitalização do filho, propõe três ações, entre elas "informar". Nessa ação, a enfermeira informa aos pais quanto às condições de tratamento, comportamento e atividades ou limitações de seu filho no hospital(7).

Fornecer informação completa, apurada, correta e clara sobre as condições e as reações à doença, tratamento da criança e verificar como os pais compreendem a situação e o tratamento da criança é um dever da enfermeira. A troca de informações com a família significa compartilhar sem julgar as reações, as idéias e os cuidados da criança e encontrar uma solução conjunta, incorporando as observações dos familiares no plano de cuidado(8-9).

Essas considerações apontam para a necessidade da realização deste estudo que tem como objetivos: conhecer a percepção dos pais quanto ao tipo de informações que recebem das enfermeiras durante a permanência do filho no hospital e identificar as informações que as enfermeiras referem fornecer aos pais.

 

CASUÍSTICA E MÉTODO

Trata-se de estudo exploratório-descritivo, transversal, de campo, com abordagem quantitativa. A pesquisa exploratória tem como objetivo explorar aspectos de uma situação(10) e a descritiva objetiva descrever as características de determinada população ou fenômeno(11). Esta pesquisa foi realizada nas Unidades de Internação Clínica, Cirúrgica e Doenças Infecto-Contagiosas e Parasitárias que compõem a pediatria de um hospital filantrópico, campo de ensino teórico-prático para estudantes de uma universidade federal, localizado na cidade de São Paulo. A escolha dessas unidades de internação deve-se ao fato de as autoras desenvolverem nelas trabalho de integração docente-assistencial.

Fizeram parte da pesquisa dois grupos. O grupo A constituído de pais (pai e mãe) e o grupo B de enfermeiras.

A amostra do grupo A, formada por 50 pais, foi definida de forma não probabilística, por conveniência. Os critérios para inclusão no grupo A foram: pais que estivessem acompanhando o filho durante a hospitalização; pais que permanecessem com o filho por três dias consecutivos, após o dia da internação, tempo considerado necessário para que eles recebessem informações das enfermeiras; pais de filhos com idade entre um mês e seis anos de idade, faixa etária em que a criança tem maior dependência de seus pais e pais que aceitassem participar do estudo.

A população do grupo B constituiu-se de 12 enfermeiras que estavam trabalhando nas unidades de internação pediátrica, durante o período de coleta de dados. Nesse período o total de enfermeiras que trabalhavam nas unidades era 15. No entanto, duas enfermeiras estavam de licença médica e uma não concordou em participar do estudo.

Os dados foram coletados no período de abril a agosto de 2000 por meio de entrevistas, estruturadas, com questões fechadas e abertas. Para as enfermeiras perguntou-se que tipo de informações eram fornecidas aos pais sobre os filhos hospitalizados e quais informações os pais solicitavam. Aos pais foram feitas questões sobre a sua percepção das informações recebidas sobre seu filho em relação às rotinas, direitos, procedimentos, cuidados, a doença e o tratamento. Os pais foram entrevistados após o terceiro dia consecutivo de internação do filho, e as enfermeiras, individualmente, em seu respectivo plantão. As entrevistas com os pais tiveram a duração média de 25 minutos e com as enfermeiras de 15 minutos.

O projeto desta pesquisa foi submetido à apreciação do Comitê de Ética em Pesquisa da instituição onde o estudo foi desenvolvido, recebendo parecer favorável. Para todos, pais e enfermeiras, antes de realizar cada entrevista, solicitava-se autorização, apresentando a Carta de Informação e o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

 

RESULTADOS: APRESENTAÇÃO E ANÁLISE

Características dos sujeitos deste estudo

Em relação ao grupo A, os dados revelaram que a mãe foi a pessoa que permaneceu com o filho hospitalizado com mais freqüência (82%). Esse resultado pode estar relacionado à capacidade das mães dedicarem-se aos filhos, no momento em que esses precisam de toda a atenção, suprindo suas necessidades de alimentação, higiene, acalanto, ou no simples contato sem atividades, que cria condições necessárias para que se manifeste o sentimento de unidade entre duas pessoas(12).

Os pais (64%) referiram ter escolaridade entre a 1ª e 7ª séries do Ensino Fundamental. Quanto à idade, observou-se predominância da faixa etária entre 21 e 30 anos (48%). Em relação às atividades profissionais, detectou-se que 56% das mães exerciam atividades no lar, resultado que pode estar relacionado com a pessoa que mais permaneceu com o filho no hospital.

No grupo B, de acordo com os dados coletados, constatou-se que, para 75% das enfermeiras entrevistadas, o tempo de formada variou de um a cinco anos e 76% tinham de um a cinco anos de experiência em pediatria, portanto, a maioria das enfermeiras tinha o mesmo tempo de formada com experiência em pediatria. Apenas uma era especialista em Enfermagem Pediátrica há sete anos.

Percepção dos pais sobre as informações que recebem durante a hospitalização do filho

Pelos dados da Tabela 1, percebe-se que a maioria dos pais entrevistados recebeu "sempre" informações dos "motivos dos procedimentos" realizados em seus filhos, e foram as enfermeiras, os profissionais que mais informaram tais condutas. Observa-se que a enfermagem quando realiza um procedimento (medicação, exames, curativo etc.), procura informar aos pais.

 

 

Entre as principais informações, em ordem decrescente, destacam-se: o "motivo dos procedimentos", o "motivo da internação", o "estado de saúde do filho", a "doença do filho" e o "tratamento do filho". Nessas informações, excluindo a primeira, o médico foi o principal profissional identificado como informante.

Nos dados da Tabela 1 percebe-se com menor ênfase informações que os pais "sempre" receberam sobre "regras e rotinas", "direitos e deveres" e informações a respeito de sua "participação nos cuidados", ficando evidente mais uma vez que esse tipo de informações é fornecido aos pais pelas enfermeiras.

Resultados semelhantes foram verificados em um estudo sobre a importância do relacionamento existente entre equipe multiprofissional, criança hospitalizada e o acompanhante em unidades de internação pediátrica de um hospital público, onde as informações mais fornecidas pela enfermagem foram a respeito das normas e rotinas, seguidas de cuidados com a criança(13).

Ainda que tenha sido constatado que a maioria dos pais recebeu informações sobre o `motivo da internação", "motivo dos procedimentos", "estado de saúde do filho" e "tratamento do filho", a maioria também nunca foi informada sobre "direitos e deveres" e "participação nos cuidados", que se julga ser de responsabilidade da enfermagem.

A falta de informação é um dos aspectos que mais preocupa os pais e provoca ansiedade. A enfermeira poderá reduzir essa ansiedade, explicando os procedimentos, tratamentos, condições de saúde da criança e causas de sua doença(14).

A ação de informar deve fazer parte da prática cotidiana da enfermagem, melhorando, dessa forma, o padrão de atuação dos pais e minimizando sua ansiedade frente à hospitalização de seu filho.

Embora 42% dos pais considerem-se satisfeitos com as informações recebidas, um porcentual significativo de 38% não está totalmente satisfeito e 20% está insatisfeito.

Esses resultados parecem revelar que os pais ainda não estão sendo atendidos em suas necessidades de informação durante a hospitalização do filho.

Estudos ressaltam que os pais têm necessidade de compreender a situação e o tratamento do filho e, para continuar a prestar assistência à criança no hospital, eles carecem de informações precisas e consistentes a respeito do diagnóstico, tratamento e cuidados específicos ao filho, bem como sobre seu papel no hospital, o que lhes causa muita preocupação e limita sua participação(15-16).

Assistir uma criança hospitalizada implica atender às necessidades dos pais, decorrentes do papel que devem desempenhar no hospital e, dentre elas, está a necessidade de receber informações a respeito de seu filho(4,7).

Os pais poderiam requerer informações sobre o estado de seus filhos, durante a permanência no hospital, usando seus direitos. O direito de receber informações claras, objetivas e compreensíveis sobre a hipótese diagnóstica, exames solicitados, ações terapêuticas estão legisladas na Resolução nº 41/95(5) e na Lei nº 10.241, de data ,que dispõe sobre os direitos dos usuários dos serviços e das ações de saúde no Estado de São Paulo(17).

Pela experiência das autoras do estudo, entretanto, observa-se que alguns pais apresentam dificuldade para exercer o direito de serem informados, pois não questionam nem pedem explicações a esse respeito.

Informações fornecidas pelas enfermeiras aos pais

Quanto à prática de informar aos pais a respeito do filho hospitalizado, 11 (99,9%) das enfermeiras entrevistadas responderam que informam. Comparando esses resultados com os da Figura 1, conclui-se que, embora a maioria das enfermeiras entrevistadas afirme que fornece informações aos pais, eles não estão totalmente satisfeitos.

 

 

Essa insatisfação parece encontrar respaldo nos resultados apresentados na Tabela 1, somando os porcentuais da coluna "às vezes" com os da coluna "nunca", há valores que se aproximam ou ultrapassam aqueles da coluna "sempre" recebemos informação, mostrando que esses pais careciam de informações relacionadas ao filho hospitalizado.

Os sentimentos de frustração dos pais estão, com freqüência, relacionados à falta de informação sobre procedimentos e tratamentos, desconhecimento das regras e regulamentos hospitalares. Grande parte da frustração pode ser aliviada em uma unidade pediátrica, quando os pais estão cientes do que esperar e do que se espera deles(18) .

Dessa forma, considera-se que a informação é essencial para uma interação adequada entre enfermeira e família da criança hospitalizada.

Os dados acima revelam que o tipo de informação que os pais solicitam com maior freqüência das enfermeiras é sobre o "tempo de hospitalização" e a "evolução da doença do filho".

Os pais têm necessidade de perguntar a respeito da hospitalização, do tratamento e dos exames do filho e as enfermeiras precisam conversar com eles para dar a oportunidade de fazerem perguntas relacionadas ao filho(4).

Apesar da literatura constatar a necessidade que os pais têm de receber informações sobre a situação do filho hospitalizado e de oportunidade para perguntar a seu respeito, observa-se que algumas enfermeiras (14%) relatam que os pais não solicitam informações. Será que as enfermeiras estão atentas às necessidades que os pais têm de receber informações sobre o filho e dão oportunidade para que eles manifestem essa necessidade? Por que será que alguns pais não pedem informações? A resposta a essas questões poderia ajudar as enfermeiras a observar os pais e desenvolver ações capazes de estimular sua participação efetiva no cuidado ao filho hospitalizado e minimizar os efeitos nocivos da falta de informação.

Quando os pais estão devidamente informados sobre a hospitalização e procedimentos realizados com seus filhos, têm mais capacidade para superar essa experiência, acompanham de perto os seus filhos e fazem mais perguntas sobre a doença e hospitalização(13).

Pesquisa realizada com mães que acompanharam seus filhos durante a hospitalização, mostra que a mãe diz confiar na enfermeira por ter sido informada, orientada e apoiada a respeito do tratamento de seu filho no momento da internação(19).

As enfermeiras destacam fornecer aos pais informações a respeito de "regras e rotinas" (45%) e dos "motivos dos procedimentos" (30%).

Analisando conjuntamente as Tabelas 1 e 3, percebe-se que as informações mais fornecidas pelas enfermeiras (regras e rotinas, motivos dos procedimentos) também foram referidas pelos pais como autoria das enfermeiras em um porcentual significativo, havendo, portanto, coerência entre o tipo de informações recebidas pelos pais e aquelas que as enfermeiras referem fornecer.

 

 

 

 

A preocupação de orientar sobre normas e rotinas é uma maneira da equipe de enfermagem criar um primeiro vínculo com a criança e sua família e, dessa forma, diminuir a ansiedade causada pela hospitalização(13).

Os resultados apresentados na Tabela 2 e 3, entretanto, mostram haver desencontro entre o tipo de informações que os pais mais solicitam (tempo de hospitalização, e evolução da doença do filho) e as mais fornecidas pelas enfermeiras (regras e rotinas, motivos dos procedimentos).

Pais e enfermagem têm como meta o cuidado da criança visando o atendimento adequado de suas necessidades decorrentes da doença e hospitalização. Nesse sentido, acredita-se que as enfermeiras precisam identificar e compreender as necessidades de informação dos pais para integrá-los no papel que devem assumir durante a hospitalização do filho e entender melhor o que se passa com ele.

 

CONCLUSÕES

A análise dos resultados deste estudo, realizado com pais de crianças hospitalizadas e enfermeiras que trabalham em unidades de internação pediátrica de um hospital público de ensino, permite concluir que os pais não estão totalmente satisfeitos com as informações recebidas durante a hospitalização do filho; as enfermeiras informam aos pais regras e rotinas, direitos e deveres, motivos dos procedimentos e a participação deles no cuidado com o filho hospitalizado; para os pais, os médicos que informam os motivos da internação, estado de saúde, doença e tratamento do filho; os pais solicitam das enfermeiras informações sobre o tempo de hospitalização, evolução da doença, medicação e tratamento do filho, no entanto, elas referem que informam mais a respeito das regras, rotinas e motivo dos procedimentos.

Fornecer informações aos pais a respeito das condições do filho hospitalizado é uma ação que deve ser incorporada na prática do cotidiano da enfermagem. A enfermeira precisa ter competência para exercer essa atividade.

Sabe-se que, quando a comunicação entre enfermeira e pais é eficiente, reduz a ansiedade dos pais e aumenta a aceitação desses na situação da doença e de hospitalização da criança, facilitando o regime de tratamento e favorecendo o processo de enfrentamento da doença, contribuindo para o crescimento enquanto indivíduo.

Para tanto, recomenda-se programas de educação permanente às enfermeiras, preparando-as para identificar a necessidade de informação que emerge em cada situação em diferentes fases da doença e da hospitalização da criança, respeitando o contexto cultural de cada família.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Recebido em: 16.7.2004
Aprovado em: 28.9.2005

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