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Revista Latino-Americana de Enfermagem

Print version ISSN 0104-1169

Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.14 no.4 Ribeirão Preto July/Aug. 2006

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-11692006000400019 

ARTIGO ORIGINAL

 

Socialização profissional: estudantes tornando-se enfermeiros

 

 

Gilberto Tadeu ShinyashikiI; Isabel Amélia Costa MendesII; Maria Auxiliadora TrevizanII; René A DayIII

IPsicólogo, Professor Doutor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, email: gtshinya@usp.br
IIEnfermeira, Professor Titular da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, Centro Colaborador da Organização Mundial da Saúde para o desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem. Pesquisador 1A do CNPq, e-mail: trevizan@eerp.usp.br, iamendes@eerp.usp.br
IIIEnfermeira, Doutor, Faculdade de Enfermagem da Universidade de Alberta, Canadá

 

 


RESUMO

Habitualmente, as faculdades são avaliadas pela qualidade do conhecimento e treinamento técnico propiciados ao estudante e pouca atenção é dada à aquisição dos valores, comportamentos e atitudes necessários para assumir seu papel profissional. Este estudo exploratório tem o objetivo de aumentar a compreensão do processo de socialização profissional que ocorre nas faculdades de enfermagem e dos resultados obtidos através da socialização dos valores e normas profissionais. A experiência educacional vivenciada pelos estudantes de enfermagem envolve mais do que um corpo de conhecimentos científicos e a aquisição de habilidades para cuidar do paciente. Uma amostra de 278 estudantes de duas faculdades públicas de enfermagem no estado de São Paulo preencheu questionários, 164 da faculdade A e 114 da faculdade B. Os resultados indicam que alguns valores, normas e comportamentos profissionais são influenciados pelo tempo de permanência na escola, e que estudar durante quatro anos em uma faculdade de Enfermagem leva a diferenças de valores, normas e comportamentos profissionais.

Descritores: instituições de ensino superior; valores sociais; educação em enfermagem; escolas de enfermagem; estudantes de enfermagem; papel do profissional de enfermagem


 

 

INTRODUÇÃO

Esse projeto tem o objetivo de contribuir para aumentar a compreensão dos processos de socialização profissional que ocorrem nas faculdades de enfermagem e dos resultados conseguidos na socialização dos valores e normas da profissão.

Este assunto é relevante para compreender o processo de socialização que irá ocorrer quando estes graduados entrarem em uma organização, pois os valores, atitudes e comportamentos socializados na faculdade serão avaliados na seleção e na integração dos graduados na organização. O ajustamento que vier a ocorrer irá influenciar a estabilidade e o comprometimento organizacionais, a satisfação, o sentimento de aceitação mútua, o envolvimento com o trabalho e a motivação interna(1-2).

A socialização profissional é um processo pelo qual as pessoas aprendem, durante sua educação e treinamento, as habilidades, conhecimentos, valores, comportamentos e atitudes necessárias para assumirem seu papel profissional(3-6).

A enfermagem, como todas as outras profissões, dedica muito tempo e recursos para a preparação educacional dos enfermeiros(7). Estudo sobre a socialização de enfermeiros recém-graduados conclui que o estabelecimento da enfermagem como profissão é determinado pelo modo como os enfermeiros são socializados(8). A obra clássica de Kramer registra que a socialização inadequada está associada com turnover e pedido de dispensa entre os enfermeiros de hospitais gerais(9). O gerenciamento descuidado das primeiras experiências profissionais pode levar a baixa motivação, baixa produtividade, desmoralização e diminuição do cuidado com o paciente(8).

A experiência educacional vivenciada pelos estudantes de enfermagem envolve mais do que um corpo de conhecimentos científicos e aquisição de habilidades para cuidar do paciente; os estudantes de enfermagem aprendem como se relacionar com o paciente e consigo mesmo enquanto enfermeiros, ou seja, construir uma identidade como profissional. Portanto, há benefícios se o processo de socialização ocorre e sérias conseqüências se este processo não ocorre(10).

 

CONCEITO DE SOCIALIZAÇÃO PROFISSIONAL

Vários autores propuseram definições para o termo socialização profissional:

"o processo pelo qual as pessoas seletivamente adquirem valores e atitudes, interesses, habilidades e conhecimentos - em resumo, a cultura - corrente em grupos nos quais elas estão ou buscam se tornar membros. Refere-se ao aprendizado de papéis sociais"(3).

"envolve a aquisição das habilidades e conhecimentos necessários e também o senso de identidade ocupacional e internalização das normas ocupacionais típicas de um profissional completamente qualificado"(4).

"o processo de aprender a abandonar os velhos papéis e auto conceitos e adquirir novos.., socialização profissional refere-se tanto as conseqüências planejadas como as não planejadas do programa educacional"(5).

"processo complexo pelo qual a pessoa adquire conhecimento, habilidades e senso de identidade ocupacional que são característicos dos membros daquela profissão. Envolve a internalização de valores e normas do grupo no comportamento e auto conceito da própria pessoa. No decorrer do processo, a pessoa abre mão dos estereótipos sociais existentes anteriormente em nossa cultura e assume aqueles adotados pelos membros daquela profissão"(6).

Três temas surgem das definições citadas. Um deles está ligado aos valores e normas que tornam os valores concretos, pois independentemente de o novato já trazer para a faculdade um conjunto de valores, estes podem mudar durante o processo de socialização para refletir os valores da profissão. O segundo tema é o comportamento, pois quando os valores mudam, o comportamento altera coerentemente. O terceiro tema, que se extrai das definições, está relacionado ao nível sócio-psicológico da socialização profissional, o qual ocorre dentro do indivíduo, mudando seu auto conceito de tal forma que a identidade da profissão se desenvolve(11).

Como a socialização profissional é um aspecto crítico do desenvolvimento do estudante de enfermagem ela ocorre tanto no contexto educacional como no contexto clínico(10). A socialização profissional para graduados acontece em duas etapas: primeiro ocorre a socialização pela educação e treinamento que é determinante do conteúdo do papel, depois vem a socialização pelo ambiente de trabalho e seus agentes. Alguns aspectos da primeira socialização podem ser descartados agora, para que o profissional atue de modo profissional e alguns outros serão mantidos, dependendo do jogo de forças, escolhas profissionais e restrições situacionais(12).

 

PAPEL DO ENFERMEIRO

Papéis definem o modo como os indivíduos agem, internalizando certos valores e normas e participação na ação social entre outros papéis de referência. A aquisição de um novo papel inicia o indivíduo em um grupo social em particular. A assunção de um papel e o processo de socialização ocorrem essencialmente durante o curso de graduação, tanto no contexto educacional quanto no clínico. As pessoas que assumem o papel de enfermeiro não somente assimilam novos fatos e aprendem novas habilidades, mas imergem em uma nova cultura com expectativas de valores e normas. Isto simultaneamente desenvolve uma identidade, auto estima, interação com os modelos de papéis e julgamento das reações dos outros ao papel(13).

Um tema crítico é o modo como os valores e idéias sobre enfermagem que os estudantes trazem com ele (que são resultados da socialização por antecipação) entram em conflito com os objetivos da organização que vai treiná-los. A socialização profissional envolve mudar atitudes, valores, crenças e auto imagens das pessoas, assim como proporcionar habilidades e conhecimentos. Toda profissão tem uma idéia clara das atitudes e valores que seus futuros membros devem desenvolver e qual é o produto final esperado. Por outro lado os estudantes podem trazer concepções variadas das exigências do trabalho, interesses e objetivos que podem ou não ser compatíveis com os objetivos do programa. Estes dois fatores - objetivos do programa e orientações que os estudantes trazem - combinam para criar uma variedade de problemas e conflitos no processo de socialização.

Estudo sobre estudantes de enfermagem, sugere que a socialização profissional envolve uma seqüência de fases. Primeiro, existe uma mudança de objetivos amplos e sociais que levaram o estudante à escolha da profissão, para a proficiência e domínio de tarefas específicas do trabalho. Depois, um grupo de referência se desenvolve a partir de outros significativos do ambiente de trabalho. Finalmente, os valores do grupo ocupacional são internalizados e o novato assume atitudes, valores e comportamentos que o grupo prescreve(14). Mas há consenso na literatura sobre a importância e necessidade de se trabalhar valores durante sua permanência na escola(15)

 

METODOLOGIA

A pesquisa teve a finalidade de investigar os padrões e mudanças dos valores profissionais em função do processo de socialização profissional desenvolvido na faculdade durante o período da graduação (quatro anos). A abordagem "cross sectional" foi escolhida por ser mais barata e rápida, pois a passagem do tempo (duração da graduação) é eliminada pela amostragem de diferentes amostras de estudantes dos diversos anos acadêmicos(16).

O método longitudinal permitiria uma identificação mais precisa da variação das mudanças em função do processo de socialização, mas em função do longo período de tempo que exigiria a continuidade do pessoal técnico e do suporte financeiro e também do problema de amostragem, pelo número limitado de sujeitos que poderiam ser acompanhados durante quatro anos, optamos pelo estudo transversal.

O controle de uma grande quantidade de variáveis demográficas permitiu verificar se a variação dos valores profissionais se deu em função das variáveis demográficas ou do tempo que o estudante permanece na faculdade.

Em vista do discutido, as questões importantes que surgem são:
- Qual é a influência da socialização profissional realizada nas escolas de enfermagem para a aquisição dos valores da profissão pelos estudantes?
- Quais são as mudanças em relação aos valores, no decorrer da socialização profissional?
- Como os fatores demográficos influenciam na aquisição dos valores da profissão?

O questionário foi elaborado a partir de questionários utilizados previamente e cujos resultados apontavam algumas variáveis que influenciavam o processo de socialização profissional. Os questionários são adaptações de estudos já validados por diversos autores. A utilização de questionários já utilizados por outros autores visa reduzir a margem de erro por causa do método(17) e tornar possível o estudo comparativo intercultural.

O questionário está composto de seis partes:
- Dados demográficos: idade, estado civil, cidade onde foi criado, semestre matriculado, religião e faculdade.
- Dados Vocacionais: Incluía a idade quando fez a escolha da carreira de enfermagem, se a enfermagem foi sua primeira escolha de carreira e desejo de mudar de carreira,
- Dados sócios econômicos: Nível educacional dos pais e status sócio econômico.da família
- Socialização Profissional(10): O questionário utilizou 18 questões de uma escala de 54 itens desenvolvido pela autora que consiste em afirmações sobre o sujeito e a enfermagem. Os itens utilizam uma escala de 5 pontos de Likert. Os itens abrangiam 4 dimensões: a) Valores da carreira; b) Características de Personalidades; c) Competências Profissionais e d) Valores Profissionais. Estas dimensões foram extraídas utilizando uma análise fatorial. O coeficiente-Alpha é 0,8365 que significa que a escala pode ser considerada de confiável.
- Nurses Professional Values(18): O NPVS (Nurses Professional Values Scale) mede os valores. Tem 44 itens em formato de escala Likert de 5 pontos. Para cada item, o respondente indica a importância da afirmação do valor para cada prática da enfermagem. O NPVS é baseado nos 11 princípios encontrados no código de ética da American Nurses Association. Os itens englobam 11 dimensões: Respeito à vida, Privacidade/Confidencialidade, Advogar, Responsabilidade pela verdade, Conhecimento-Competência, Tomar Decisões/Pensamento Crítico, Desenvolvimento de Conhecimento, Cuidados de Qualidade/ Excelência em enfermagem, Justiça/Igualdade, Imagem de Integridade Profissional e Altruísmo/Ativismo. O coeficiente-Alpha é 0,9451.
- Socialização nas profissões de Saúde(19): A escala lida com as transformações de atitudes ocorridas em estudantes de odontologia durante as várias etapas de formação profissional. A escala foi adaptada para estudantes de Enfermagem. Os respondentes apontavam em uma escala de 5 pontos sua importância para 15 traços diferentes da prática de enfermagem. Os itens englobavam 3 componentes: a) Orientação para pessoa; b) orientação para Ciência, e c) Orientação para Status. O coeficiente-Alpha é 0,8365.

A amostra do estudo constituiu-se de estudantes de duas faculdades públicas de enfermagem na região sudeste do Brasil. Estudantes matriculados nos quatros anos do curso de enfermagem foram informados em sala de aula sobre o estudo e aqueles que concordam em participar preencheram e assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido e preencheram o questionário. O tempo médio de preenchimento foi torno de 20 minutos. Foram preenchidos 278 questionários nas duas escolas, sendo 164 destes da escola A e 114 da escola B.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os dados obtidos mostram que 22,7% dos alunos que responderam os questionários estão no segundo semestre do curso, 32,4% estão no quarto semestre, 25,9% no sexto semestre, e 19,1% dos alunos estão no oitavo semestre.

A média de idade dos respondentes é 21,58 anos com uma amplitude de 17 a 45 anos. O gênero feminino corresponde 96% do grupo, sendo que 96,4% são solteiros e 67,3% nunca trabalharam; 29% passaram a maior parte de sua infância em cidades com número de habitantes entre 100 e 500 mil; 21% em cidades entre 20 e 50 mil habitantes e 18% em cidades com mais de 500 mil habitantes. Metade da amostra pertence à Classe Média na classificação econômica (Critério de Classificação Econômica do Brasil) desenvolvida pela ANEP -Associação Nacional de Empresas de Pesquisa - Dez.2002)(20).

Aproximadamente metade dos alunos que responderam o questionário escolheu a carreira de enfermagem entre 18 e 22 anos de idade; 39,9% tinham a enfermagem como primeira opção de carreira. Quanto a carreira, 32,8% dos entrevistados escolheriam outra carreira que não a enfermagem se tivesse condições. A maioria (60,8%) dos sujeitos é católica, enquanto 20,9% são espíritas, 10,8% são evangélicos e o restante (8,5%) professam nenhuma religião ou classificaram como outras.

Quanto a escolaridade do pai, os pais de 24,5% dos alunos questionados têm ensino fundamental; 37% ensino médio; 31,9% ensino superior; e 6,6% dos alunos têm pai com pós-graduação.Em relação a escolaridade da mãe, 21,3% dos respondentes tem mãe com ensino fundamental; 40,1% ensino médio; 33,9% ensino superior; e 4,7% responderam que tem mãe com pós-graduação.

Apesar de serem semelhantes na grande maioria das estatísticas realizadas (Tabela 1), os dois grupos (escola A e B) mostram diferenças em alguns itens. Nota-se pelo resultado do teste que há diferenças significativas entre os participantes das escolas A e B, nos itens: semestre de matrícula, idade da escolha da carreira de enfermagem, e escolha de outra carreira que não a enfermagem.

Na escola A, 34,8% dos alunos participantes estão no segundo semestre, 28% no quarto semestre, 16,5% no sexto semestre, e 20,75% estão no oitavo semestre. Já na escola B, apenas 5,35% dos alunos estão no segundo semestre, 38,6% estão no quarto semestre, 39,5% estão no sexto semestre, e 16,7% dos alunos estão no oitavo semestre.

Quanto à idade de escolha da carreira de enfermagem, a escola A tem média de idade (em anos) maior do que a da escola B. Quanto ao item escolha de outra carreira que não a enfermagem, na escola A 42,6% dos respondentes faria outra opção de carreira se tivesse condição, enquanto que na escola B apenas 18,8% o fariam.

Calcularam-se também as estatísticas das variáveis de orientação (pessoa, ciência e status), socialização (profissional, personalidade, orgulho de carreira e vocação), e valores (altruísmo/ativismo, advocacia, tomada de decisões/pensamento critico, justiça/equidade, competência em conhecimento, desenvolvimento de conhecimento, privacidade/confidencialidade, imagem profissional/integridade, qualidade do cuidado, respeito à vida, e responsabilidade/responder pela verdade). Desta forma, pode-se visualizar pela Tabela 2 os números de respondentes, as médias, os desvios padrão, e os valores mínimos e máximos de cada variável de orientação, socialização e valor.

Foram realizados os testes de Kruskal Wallis e de Mann Whitney para medir as diferenças entre as médias das variáveis demográficas e as médias dos valores. Como se pode verificar na Tabela 3, foram encontrados resultados significativos estatisticamente entre as seguintes variáveis demográficas e vocacionais e os valores.

O tempo que o estudante está na faculdade aponta para uma diferença significativa dos valores assumidos, reforçando a hipótese de que a permanência na faculdade e a própria faculdade têm relação com mudanças de valores. Entretanto observa-se que outras variáveis têm uma influencia importante, em particular, as vocacionais e a escolaridade da mãe.

Na tentativa de identificar em qual ano do curso de enfermagem destas duas faculdades ocorrem diferenças entre as médias das variáveis de orientação, recompensa, socialização e valores, realizou-se o teste de Mann Whitney para a comparação dos seguintes anos: 1x2, 1x3, 1x4, 2x3, 2x4 e 3x4.

Os resultados significativos foram:
- entre o primeiro e o segundo ano de curso há diferenças em valor de carreira;
- entre o primeiro e o terceiro ano, em orientação para status, valor de carreira, desenvolvimento de conhecimento, cuidados de qualidade e respeito à vida;
- entre o primeiro e o quarto ano, em orientação para status, respeito à vida, e imagem profissional/integridade;
- entre o segundo e o terceiro ano há diferenças entre orientação para ciência, desenvolvimento de conhecimento, cuidados de qualidade, respeito à vida e responsabilidade pela verdade;
- entre o segundo e o quarto anos, em socialização profissional, personalidade, vocação, imagem profissional/integridade e respeito à vida; e
- entre o terceiro e o quarto anos em vocação.

Pode-se identificar que a passagem do segundo para o terceiro ano é o momento que ocorrem mais mudanças.

Os resultados sugerem algumas conclusões sobre o processo de socialização que ocorre durante o curso de graduação:

O ano de matrícula é um fator influente para alguns valores

Pode-se identificar que o ano de matrícula na faculdade faz diferença nas mudanças dos valores profissionais socializados. Com certeza é preciso considerar que outras variáveis demográficas podem melhorar a previsão de mudanças.

Cabe destacar que a faculdade em si influencia os valores: a orientação para status, valores da carreira e os valores Profissionais (vocação), o desenvolvimento de conhecimento e a qualidade do cuidado.

A escolha vocacional faz diferença para alguns valores

Em quase metade dos valores, as variáveis vocacionais aparecem relacionadas as diferenças de valores. As orientações para status e pessoa, incorporar as competências profissionais, os valores da carreira e o desenvolvimento do conhecimento são os fatores que têm relação com a escolha vocacional, sinalizando que é um fator importante pois caso a escolha vocacional seja equivocada, faculdade tem um impacto menor na socialização desses valores.

O ano de matrícula não faz diferença

Para alguns valores, a variável de socialização, o ano de matrícula, não tem relação, o que significa que não contribui para a mudança dos seguintes valores: Orientação para pessoa, competências profissional, valores de justiça/equidade e competência do conhecimento. Os valores da vocação têm relação com gênero e valores de justiça/equidade e competências profissionais têm relação com a escolaridade da mãe.

Não temos informação do que influencia

Para alguns valores como: Altruismo/Ativismo, Tomada de decisão/Pensamento Crítico, Privacidade/Confidencialidade, Imagem Profissional/Integridade e Verdade/Responsabilidade não conseguimos identificar alguma variável que ajudasse a explicar a diferença.

 

CONSIDERAÇÕES

O controle de uma ampla quantidade de variáveis demográficas nos permitiu verificar se a variação dos valores profissionais era devido as variáveis demográficas ou se ao tempo de permanência na faculdade.

Os dados disponíveis permitem algumas reflexões preliminares. A identificação das mudanças nos valores no decorrer do tempo de permanência na faculdade indica a importância da faculdade na socialização dos valores profissionais.

Estudar em uma faculdade de Enfermagem durante 4 anos leva para uma diferença nos valores, normas e comportamentos profissionais. Há alguma ênfase no currículo destas duas faculdades, durante o segundo e terceiro anos, que leva a variação em alguns valores. Ainda pode-se ressaltar que a Faculdade tem alguma característica que é forte o suficiente para influenciar alguns valores.

Entretanto, não se pode subestimar a influencia de variáveis demográficas e vocacionais, alguns valores são internalizados antes que os estudantes vivenciem a Faculdade e mudanças dependem da socialização anterior.

Finalmente para alguns valores, não se conseguiu identificar qualquer relação.

 

LIMITAÇÕES

Um dos fatores que trazem alguma dificuldade para o estudo é a diferença existente na amostra estudada; uma das escolas tem uma participação menor de alunos do ultimo ano, fazendo com que as diferenças atribuídas à faculdade possam ser influenciadas pela diferença existente no perfil dos grupos estudados.

O estudo dos currículos poderia contribuir para entender o que mudanças acontecem nas disciplinas e atividades realizadas nos segundos e terceiros anos para identificar as transformações que ocorrem nesse período.

 

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Recebido em: 3.1.2006
Aprovado em: 26.5.2006