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Revista Latino-Americana de Enfermagem

Print version ISSN 0104-1169

Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.16 no.2 Ribeirão Preto Mar./Apr. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-11692008000200020 

ARTIGO ORIGINAL

 

Conduta anti-social e consumo de álcool em adolescentes escolares*

 

 

Karla Selene López GarcíaI; Moacyr Lobo da Costa JuniorII

IProfessor da Universidade Autónoma de Nuevo León, México, e-mail: karla_selene23@yahoo.com.mx
IIProfessor Doutor da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Centro Colaborador da OMS para o Desenvolvimento de Pesquisa em Enfermagem, Brasil, e-mail: mlobojr@eerp.usp.br

 

 


RESUMO

A adolescência se apresenta como uma etapa de vulnerabilidade e facilitadora para o início de condutas de risco como o consumo de drogas. Os objetivos do presente estudo foram: descrever as diferenças entre sexo, idade e escolaridade na conduta anti-social e o consumo de álcool e conhecer a relação existente entre a conduta anti-social e o consumo de álcool em 1221 adolescentes escolares de Monterrey, Nuevo León, México. De acordo com os resultados obtidos foram observadas diferenças na conduta anti-social por sexo. Destaca-se que 41,3% dos estudantes consumiram álcool em algum momento da vida, e houve diferenças de consumo de álcool por idade e escolaridade. Finalmente, encontrou-se uma relação positiva e significativa entre a conduta anti-social e o consumo de álcool (rs=,272, p<,001).

Descritores: anti-social; alcoolismo; adolescente; transtorno da personalidade anti-social


 

 

INTRODUÇÃO

O consumo de álcool, tabaco e outras drogas é apontado como um problema de grande importância que a sociedade defronta, tanto pela magnitude do fenômeno, como pelas conseqüências pessoais e sociais ocasionadas. Cerca de 4.8% da população mundial utiliza algum tipo de droga e mais da metade da população das Américas e Europa já experimentou álcool. Segundo a Organização Mundial da Saúde e o Banco Mundial em Latino-america, a proporção de dias de vida perdidos é de 9.7%, os quais são devidos a morte prematura ou incapacidade(1-2).

O fenômeno das drogas é altamente complexo e de múltiplas causas, não reconhecendo limites territoriais, nem sociais, muito menos a idade. Assim, o novo padrão de consumo dos adolescentes mantém uma prevalência incrementada durante os últimos anos. Esta situação pode ser devido às características evolutivas, como a busca pela identidade e independência, o isolamento dos valores familiares e a ênfase na necessidade de aceitação por seus pares. Portanto, a adolescência se converte em uma etapa de vulnerabilidade e facilitadora para o início de condutas de risco, como é o caso do consumo de drogas(3).

O contato dos adolescentes escolares com as drogas está cada vez mais precoce. No México, as evidências apontam que os jovens estão fazendo uso de drogas lícitas mais precocemente, iniciando em torno dos 13 anos de idade. Posteriormente, e durante os anos subseqüentes, muitos adolescentes iniciam, também, o consumo de sustâncias ilícitas(4).

Em relação ao índice de consumo de álcool em adolescentes, evidencia-se que cerca de 65,8% deles já usaram álcool alguma vez na sua vida, sendo que destes, 35,2% relataram ter consumido no último mês. Assim mesmo, as Pesquisas Nacionais de Adição [PNA] evidenciam uma tendência ascendente na prevalência global para o consumo de álcool, ao longo dos anos. Durante 1998 e 2002 foi registrada uma prevalência de 27,0% e 35% em homens, sendo que para 2002 a prevalência foi de 27.0% e 35.0%, respectivamente. Entre as mulheres a prevalência foi de 18% a 25% durante os mesmos anos. Foram também assinaladas diferenças com relação ao nível de escolaridade. Estima-se que 24,4% dos estudantes de segundo grau consumiram álcool no último mês, sendo que esta proporção dobra no nível dos bacharelados (51,7%)(1,4).

Da mesma forma, tem-se relatado estimativas no consumo atual de álcool de 26,0% até 81,0% (IC95%, 0.24-0.83) em adolescentes escolares de 15 a 17 anos de idade em países de América Central e República Dominicana (Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, El Salvador, Guatemala e República Dominicana)(5).

Por outro lado, pesquisas indicam que o consumo de drogas é mediado por fatores de risco e proteção pessoais, sociais, cognitivos, emocionais e de personalidade, incluindo dificuldades na competência social, relações interpessoais, necessidade de aprovação de seus pares, relações familiares fracas, atitudes favoráveis para o uso de drogas, além da falta de assertividade(6).

Ressalta-se que, a capacidade de interagir com as pessoas está diretamente relacionada com as habilidades sociais do indivíduo, que por sua vez facilitam o estabelecimento de relações mais próximas com as pessoas. Assim, a falta de habilidades sociais podem prejudicar a adaptação do indivíduo ao meio, trazendo conseqüências que vão desde dificuldades em fazer amigos, até o desenvolvimento de condutas anti-sociais e de risco, como o consumo de drogas(7).

Entende-se que as relações debilitadas têm um papel crítico no desenvolvimento de habilidades sociais e na expressão de sentimentos, sendo essenciais para o crescimento pessoal, uma vez que são importantes para o desenvolvimento da identidade pessoal e independência do círculo familiar. Os adolescentes que são socialmente aceitados por seus pares recebem reforço, melhorando assim sua adaptação, não apenas na área social, mas também, na área pessoal e escolar. Portanto, a aceitação ou popularidade entre seus pares tem conexão com a conduta sociável, sendo que a pouca aceitação está relacionada a uma conduta anti-social(8).

Tem-se observado na literatura que escores altos na conduta anti-social auto-percebida, indicam um fator preditivo para o consumo de tabaco e álcool na adolescência. Contrariamente, diversas pesquisas têm demonstrado que adolescentes sociáveis, assertivos e socialmente hábeis, quando comparados com estudantes anti-sociais são menos propensos a manifestar condutas de risco para saúde, como o consumo de drogas lícitas ou ilícitas(9).

A experiência mostra que os adolescentes constituem um grupo populacional exposto ao uso de drogas, sendo em grande parte devido à associação de fatores pessoais, sociais, relativos ao desenvolvimento de competências sociais, às mudanças sofridas nesta etapa da vida, e às dificuldades para se adaptar às mesmas, assim como, a influência do contexto, no qual se encontram inseridos.

Nestas circunstâncias, o profissional da área da saúde, incluindo a enfermagem tem o papel de protagonista no desenvolvimento de fatores de prevenção, assim como, o fortalecimento de competências sociais; promovendo condutas pró-sociais, e boas relações interpessoais, para evitar o consumo de drogas em adolescentes escolares e conseqüentemente, evitar graves problemas de saúde futuros.

Neste contexto, os objetivos do presente estudo foram:

- descrever as diferenças da conduta anti-social e o consumo de álcool de acordo com sexo, idade e escolaridade;

- conhecer a relação existente entre a conduta anti-social e o consumo de álcool em adolescentes de Monterrey, Nuevo León, México.

 

MÉTODOS

Um desenho descritivo de correlação tem por finalidade, descrever e observar as relações dos conceitos da conduta anti-social e consumo de álcool. A amostra constituída por 1221 estudantes de segundo grau da primeira à terceira série de Monterrey, Nuevo León, México. Para o tratamento dos dados foi utilizado o programa estatítisco N Query Advisor, versão 4,0, com um limite de erro de estimação de 0,05%, potência de 90%.

Os instrumentos utilizados foram: 1) Teenage Inventory of Social Skills [TISS](8); 2) Questionário de Identificação de Transtornos por uso de álcool [AUDTI] e antecedentes sobre uso e dependência ao consumo de álcool nos adolescentes(10).

O TISS(8) avalia a competência social dos adolescentes nas relações com seus colegas. Consiste de duas escalas que incluem a conduta pró-social e a conduta anti-social. No presente estudo apenas a escala de conduta anti-social foi considerada. Os ítens foram avaliados mediante uma escala tipo Likert, com seis pontos, que variam desde discordar totalmente com a descrição que eles têm de si mesmos, até concordar totalmente. A pontuação da conduta anti-social se obteve somando os valores atribuídos pelos sujeitos a cada ítem, sendo o valor mínimo de 20 e o máximo de 120; posteriormente, para a análise estatística, as pontuações se transformaram em um índice de 0 a 100. A interpretação dada às pontuações altas indicou uma elevada conduta anti-social. Assim mesmo, o instrumento obteve valores de consistência interna aceitável (a=0.87).

O questionário AUDIT(10) tem sido utilizado em populações de adolescentes e jovens, mostrando sensibilidade e especificidade aceitável, ajuda a identificar o consumo de risco e dano prejudicial do álcool, assim como sua possível dependência. Apresenta um valor mínimo de 0 e máximo de 40 pontos. Por último, foi realizada uma valoração sobre o consumo de álcool (através da História sobre Uso e Dependência ao Álcool), que avalia a freqüência no uso: uma vez na vida (Prevalência Global); nos últimos doze meses (Prevalência por Lapso); e, no último mês (Prevalência Atual). Da mesma forma foi determinada a idade de início no consumo de álcool.

O presente estudo levou em conta o Regulamento da Lei Geral de Saúde com relação às Pesquisas em Saúde no México. Foi aprovado pelos Comitês de Ética e Pesquisa da Escola de Enfermagem e Obstetrícia de Celaya, Universidade de Guanajuato, e obteve autorização das instituições educativas participantes. Os estudantes das instituições selecionadas foram convidados a participar da investigação, sendo entregue o consentimento livre e esclarecido para ser assinado por um dos pais, assinalando que a não apresentação do termo assinado indicaria a exclusão do participante na pesquisa.

A pesquisadora, juntamente com uma equipe de 10 estudantes de mestrado em Enfermagem e docentes do grupo de Prevenção em Adições, da Faculdade de Enfermagem, UANL, receberam treinamento prévio, para a aplicação dos instrumentos, desde a explicação da finalidade do estudo. Ressaltou-se que as informações fornecidas pelos participantes seriam mantidas em anonimato e confidencialidade, considerando que a participação era de caráter voluntário.

A análise dos dados foi realizada através da estatística descritiva e inferencial, utilizando o programa estatístico computacional SPSS, (STASTICAL PACKAGE FOR THE SOCIAL SCIENCES, 1999), versão 10.0. A estatística descritiva permitiu caracterizar os participantes do estudo através de freqüências, proporções, medidas de tendência central e medidas de variabilidade, obtendo-se assim os índices para a escala utilizada. O primeiro objetivo foi alcançado através da utilização das provas U de Mann-Whitney y Kruskal-Wallis, o segundo foi obtido utilizando-se o coeficiente de correlação de Spearman.

 

RESULTADOS

Com relação a algumas variáveis sócio-demográficas, 54.2% dos participantes foram do sexo feminino, sendo observada uma média de idade de 13 anos (DE= 0.98). A amostra foi proporcional com relação à escolaridade, embora 35,7% cursava a terceira série. A maioria dos participantes (79,6%) eram estudantes, apenas 10,2% deles trabalhavam como ajudantes em comércio ou supermercados. Com relação às características familiares foi verificado que 80.0% dos participantes relataram que moram com ambos os pais.

Observa-se que os adolescentes apresentaram uma média de 28 pontos (DE=16.16) de acordo com a escala de conduta anti-social, que é avaliada através do intervalo de 0 a 100 pontos.

Para avaliar o primeiro objetivo do estudo, o qual estabelece descrever as diferenças entre a conduta anti-social e o consumo de álcool de acordo com sexo, idade e escolaridade foram encontradas diferenças de conduta anti-social por sexo, através da aplicação do teste U de Mann-Whitney, onde foi observado que os estudantes do sexo masculino ( =30.64, DE=16.26) apresentam valores mais altos em condutas anti-sociais quando comparados com o sexo feminino ( =26.44, DE=15.85). Com relação à idade e escolaridade não foram encontradas diferenças significativas nas condutas anti-sociais (p>0.05).

Com relação à proporção no consumo de álcool em adolescentes, destaca-se que mais de 40% dos estudantes consumiram álcool alguma vez na vida, 20% dos participantes relataram ter consumido álcool no último ano e mais de 13.3% relatou consumo de álcool no último mês, anterior à aplicação do instrumento, como se mostra na Tabela 1.

 

 

Com relação ao consumo de álcool segundo sexo, não foi observada diferença significativa entre o consumo em alguma vez na vida e no último ano. Porém, quando se considera o consumo no último mês houve diferenças estatisticamente significativas. Neste último caso, evidencia-se que adolescentes do sexo masculino apresentaram maior proporção no consumo (36.6%), quando comparados com adolescentes do sexo feminino (27.8%).

Para a variável idade, os participantes mostraram diferenças estatisticamente significativas com relação ao consumo de álcool alguma vez na vida (c2 =46.96, p<.001), no último ano (c2 =57.12, p<.001, e no último mês (c2 =38.13, p<.001), sendo que, foi observada uma maior proporção no consumo de álcool em adolescentes de 15 anos de idade.

Na Tabela 2, estão representados os resultados referentes ao consumo de álcool de acordo com a escolaridade dos adolescentes. Observa-se que existem diferenças significativas entre o consumo de álcool alguma vez na vida, no último ano e no último mês. Observou-se diferenças de acordo com a proporção no consumo de álcool de acordo com o tempo, ou seja, conforme o passar dos anos escolares, o consumo em proporção vai aumentando.

 

 

A Tabela 3 representa os tipos de consumo de álcool dos participantes do estudo de acordo com os escores obtidos no questionário AUDIT. Foi verificado que 34.7% (IC95%, 0.30-0.49) apresentam um consumo de risco, sendo que 14.8% (IC95%, 0.11-0.18) refletem sintomas de dependência ao consumo de álcool. Além disso, cerca de 30.4% dos participantes (IC95%, 0.26-0.35) manifestaram danos relacionados ao consumo de álcool.

 

 

A análise do segundo objetivo, ou seja, conhecer a relação existente entre a conduta anti-social no adolescente e o consumo de álcool está representada na Tabela 4. O índice de conduta foi obtido utilizando-se o coeficiente de correlação de Spearman. Nesta análise foi evidenciada a relação positiva e significativa da conduta anti-social com o consumo de álcool (rs=0.272, p<0.001), indicando que, quanto maior a pontuação na conduta anti-social, maior o consumo de álcool nos adolescentes escolares.

 

 

DISCUSSÃO

O presente estudo permitiu analisar a relação entre a conduta anti-social e o consumo de álcool em adolescentes escolares de Monterrey, Nuevo León, México.

Com relação ao sexo, foram identificadas diferenças estatisticamente significativas da conduta anti-social (p<.001), uma vez que os indivíduos do sexo masculino apresentaram valores mais altos na conduta anti-social, quando comparados com o sexo feminino (=26.44, DE= 15.85). Diversos estudos internacionais(11-12) concordam com o evidenciado neste estudo, ou seja, observam diferenças na conduta anti-social segundo sexo, reportando médias mais altas nas condutas anti-sociais no sexo masculino.

Estes achados sugerem que os estudantes do sexo feminino tendem a apresentar com maior freqüência condutas pró-sociais do que anti-sociais, ao contrário dos estudantes do sexo masculino, que apresentam mais condutas anti-sociais. Situação que pode ser explicada desde o ponto de vista biológico, pois existe uma predisposição inata para a empatia entre mulheres, o que as prepara para assumir o papel de protetoras de forma precoce, gerando portanto, condutas do tipo pró-social. Além disso, as mudanças hormonais influenciam significativamente nos homens, pois existe um aumento nos níveis plasmáticos de testosterona, que está relacionado com a predisposição para exercer condutas anti-sociais de agressividade e irritabilidade, o que pode inibir sua tendência para atuar de forma sociável.

Por outro lado, se ressalta que homens e mulheres apresentam diferentes padrões no desenvolvimento social, enquanto nos homens é motivada a asserção negativa, as mulheres são instruídas para antepor às necessidades dos outros, gerando diferenças nos estereótipos sexuais no processo de socialização, para ambos os gêneros. Com relação à conduta anti-social, não foram observadas diferenças estatisticamente significativas segundo a idade, porém, apesar dessas diferenças não serem significativas, foi observada uma média maior para condutas anti-sociais entre adolescentes de 16 anos de idade. Tais resultados concordam com estudos anteriores(11-12) que sugerem que a presença de condutas anti-sociais na infância e na adolescência podem ser fatores de predisposição que dificultam o ajustamento social do indivíduo na fase adulta, ressaltando a importância de identificar, de forma precoce, a conduta anti-social durante as primeiras etapas do desenvolvimento, com a finalidade de prevenir problemas, como o consumo de drogas. Na conduta anti-social por escolaridade não se apresentaram diferenças significativas.

Com relação ao consumo de álcool, não foram observadas diferenças significativas entre o consumo alguma vez na vida e no último ano, dado que corrobora diversos estudos da literatura(4,13). Com relação ao consumo atual, diferenças referentes ao sexo foram observadas (c2=4.54, p =.033), ou seja, adolescentes do sexo masculino apresentaram maior proporção para o consumo (36.6%), quando comparados com adolescentes do sexo feminino (27.8%). Vale ressaltar que trabalhos realizados anteriormente(14) evidenciaram diferenças significativas no consumo de álcool no último mês, coincidindo com resultados do nosso estudo, que os homens foram maiores consumidores de bebidas alcoólicas, quando comparados com as mulheres.

Destacam-se diferenças no consumo de álcool nos adolescentes, ressaltando que, adolescentes de maior idade e escolaridade apresentam maior proporção no consumo de álcool alguma vez na vida, no último ano e no último mês. Os resultados deste estudos concordam com diversos estudos(4,14-15), destacando que, quanto maior a idade e escolaridade, maior a proporção no consumo de bebidas alcoólicas.

Com relação à escolaridade, como evidenciado no estudo, conforme aumenta a escolaridade aumenta o consumo de álcool em adolescentes escolares, resultados consistentes com o encontrado em estudos anteriores(4,13-14), que também evidenciaram que a tomada de decisões para esse grupo é cada vez mas complexa.

De acordo com a pontuação no questionário AUDIT, observou-se que 34.7% apresentam risco no consumo de álcool, 14.8% relataram sintomas de dependência ao álcool, sendo destacado que 30.4% já manifestam danos ocasionados pelo consumo de álcool. Neste estudo não foram observadas diferenças no consumo de álcool (AUDIT) referentes ao sexo e escolaridade. Estes resultados diferem de alguns estudos realizados com adolescentes norte-americanos(16), onde foram encontradas diferenças no consumo de álcool de acordo com o sexo e idade. Da mesma forma, se observa que conforme aumenta a idade, aumentam os riscos no consumo de álcool nos adolescentes escolares.

De acordo com os resultados do presente estudo é preocupante o alto consumo de álcool por adolescentes mexicanos, apesar da venda ser vedada para menores de 18 anos. Alguns dos fatores que podem favorecer o consumo de bebidas alcoólicas são: a difusão através dos meios de comunicação e a falta de controle na comercialização de bebidas alcoólicas.

Foi encontrada relação entre a conduta anti-social e o consumo de álcool (rs=0.272, p<.001) em adolescentes escolares, ou seja, quanto maior a ocorrência de condutas anti-sociais, maior é o consumo de álcool e drogas ilícitas em adolescentes. Estes resultados corroboram os resultados de pesquisas realizadas(11) em estudantes espanhóis, ao apontar a conduta anti-social como variável preditora no consumo de álcool, ao analisar esses resultados se observa que a conduta aparece como um fator de risco altamente relacionado com os tipos de condutas frente ao álcool e drogas ilícitas, nos adolescentes escolares. Assim, é fundamental considerar esta etapa do desenvolvimento com certo cuidado e vulnerabilidade, uma vez que se iniciam uma série de condutas que podem afetar e trazer conseqüências para a vida adulta.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considerando as contribuições do presente trabalho, se propõe promover e facilitar o desenvolvimento de competências sociais de comportamentos e valores pró-sociais e/ou corrigir condutas anti-sociais.

Assim, os resultados deste estudo oferecem subsídios para aprofundar na identificação de habilidades sociais dos adolescentes e sua relação com o consumo de drogas, com a finalidade de estabelecer ações educativas mais eficientes.

Cabe, mencionar, que os achados deste estudo contribuem na geração de conhecimento científico da disciplina de Enfermagem sobre melhores perspectivas do fenômeno das drogas na população adolescente escolar. Nesse sentido, uma visão multidimensional do problema ajudará a encontrar fatores determinantes e condicionantes, macro e micro, que contribuam para o problema. Portanto, é necessário que, conforme se gere maior conhecimento acerca do fenômeno das drogas, se desenvolvam novos modelos operacionais que orientem as políticas públicas, programas, projetos de pesquisa e intervenções sobre o fenômeno, em especial, nos grupos mais vulneráveis, como é o caso da adolescência.

 

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Recebido em: 14.8.2007
Aprovado em: 7.12.2007

 

 

* Artigo extraído de Tese de Doutorado.