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Revista Latino-Americana de Enfermagem

On-line version ISSN 1518-8345

Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.16 no.spe Ribeirão Preto July/Aug. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-11692008000700008 

ARTIGO ORIGINAL

 

Opiniões de adolescentes estudantes sobre consumo de drogas: um estudo de caso em Lima, Perú

 

 

Hilda Luz Bolaños GilI; Débora Falleiros de MelloII; Maria das Graças Carvalho FerrianiIII; Marta Angélica Iossi SilvaIV

IProfessora Auxiliar, Universidade Peruana Cayetano Heredia, Escola de Enfermagem, Peru, e-mail: hbolanos@upch.edu.pe
IIProfessora Associada, e-mail: defmello@eerp.usp.br
IIIProfessora Titular, e-mail: caroline@eerp.usp.br
IVProfessora Doutora, e-mail: maiossi@eerp.usp.br. Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Centro Colaborador da OMS para o Desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem, Brasil

 

 


RESUMO

O consumo de drogas tem aumentado em todas as regiões do mundo e tem se tornado um problema de saúde pública, afetando principalmente adolescentes. Este estudo tem como objetivo identificar as opiniões dos adolescentes em idade escolar sobre o uso de drogas e sobre o consumidor de drogas em uma escola de Lima, Peru. Estudo descritivo e transversal com questionário auto-aplicável a 386 estudantes. Foram obtidos dados pessoais dos estudantes, percepção de risco do consumo de drogas, motivações, informação sobre medidas preventivas, disponibilidade da droga, opinião sobre o consumidor de drogas e aceitação familiar e social do consumidor de drogas. O sexo masculino foi predominante. A maioria tem opinião desfavorável sobre a percepção de risco e sobre os motivos de consumo, e é a favor da informação. Temos um papel relevante na explicação de condutas assim como para por em prática programas adequados e eficazes de prevenção e tratamento.

Descritores: adolescente; drogas ilícitas; dependência de drogas


 

 

INTRODUÇÃO

Nos últimos 30 anos, o uso de drogas tem aumentado mundialmente de forma alarmante em todas as regiões, transformando-se em um problema de saúde pública e em uma adversidade para a humanidade. A Organização das Nações Unidas estima que 5.09% da população mundial nas idades de 15 e 64 anos já usou drogas. O aumento do tráfico de drogas nos diversos continentes afeta cerca de 200 milhões de pessoas no mundo, fenômeno que é responsável por mais de 50% dos casos de delinqüência juvenil, sendo os adolescentes um grupo vulnerável para o uso de drogas ilícitas(1).

Para a sociedade em geral, o uso de drogas constitui uma das condutas mais amplamente percebidas como problema, afetando especialmente os adolescentes. A prevalência no uso e abuso de drogas na adolescência é alta. Na atualidade, o fácil acesso as drogas por parte dos adolescentes, os obriga a aprenderem a conviver e tomar decisões sobre o uso ou abstinência as mesmas.

A crescente necessidade da autonomia que o adolescente experimenta o leva a rejeitar a proteção dos adultos, e a enfrentar situações e condutas de risco, que podem apresentar uma grave ameaça ao seu desenvolvimento. A necessidade de sentir-se especial pode levá-lo a acreditar que é invulnerável e que não sofrerá conseqüências mais prováveis dos riscos que correm. Os jovens que fumam e bebem regularmente apresentam uma alta prevalência de experimentação de drogas; além de apresentar uma atitude mais positiva perante o consumo de drogas ilegais (2).

Um estudo sobre drogas e delitos (1) menciona que os adolescentes iniciam o uso de drogas ilícitas cada vez mais cedo, sendo o álcool o principal problema. Da mesma forma, observa-se que o uso de drogas legais e ilegais está aumentando perigosamente entre os escolares. O consumo de maconha foi evidenciado em 61.988 escolares; para PBC foi 35.143 escolares; e, para cocaína foi de 39.200 escolares. Com relação às drogas legais (álcool e tabaco, ilegais para os menores de idade) a cifra foi de 646.755 escolares. Outro estudo(3) sobre o êxtase, droga sintética do uso oral com propriedade estimulante, apontou que os escolares de ensino médio têm reportado altos índices de consumo (6.9%). A população adolescente no Perú corresponde a 29% da população nacional, dos quais cerca de 70% vivem em áreas urbanas(4).

Este trabalho justifica-se devido às últimas pesquisas realizadas no nosso meio mostram que os adolescentes e jovens usam algum tipo de droga ilícita A situação é especialmente preocupante devido à idade de início cada vez menor. Os adolescentes iniciam o consumo com drogas chamadas "sociais", como o álcool e tabaco, já que nesta etapa há diversas mudanças emocionais, fisiológicas, e psicológicas nos adolescentes, assim como a presença de variados fatores de risco (baixo apego escolar, ter amigos ou familiares consumidores de alguma droga ou estresses). Este período é quando têm mais curiosidade para experimentar. Portanto, é necessário conhecer o que os jovens acham sobre o uso de drogas, para poder realizar intervenções na prevenção primária, e assim, fortalecer os fatores protetores e motivar ao adolescente para ser seu próprio agente de mudança.

Este estudo teve como objetivo identificar a opinião dos adolescentes escolares sobre o uso de drogas e identificar a opinião dos adolescentes escolares sobre o consumidor de drogas, realizado em uma escola de Lima-Perú.

 

METODOLOGIA

Este estudo é descritivo e transversal. Foi realizado em uma escola estatal para ambos os sexos, localizada na área periférica do município de Lima-Perú. A escola conta com ensino fundamental e médio, tendo 17 turmas da primeira sesta série (ensino fundamental) e da primeira a quinta série (ensino médio), sendo adolescentes que moram na favela de São Martim.

A população dos indivíduos foi formada por escolares que cumpriram os critérios de inclusão: escolares matriculados no ano letivo 2007, segundo registro da escola; que não apresentaram doença mental aguda ou crônica; e, que consentiram participar livremente do estudo. Foram um total de 470 estudantes, que cursavam o nível médio da primeira a quinta série, entre as idades de 12 e 19 anos de ambos os sexos.

O tamanho da amostra foi calculado aplicando a fórmula da amostra com fixação proporcional, considerando o número de estudantes de cada ano de estudo. A amostra para a primeira série foi de 85 estudantes, considerando uma população de 106; a segunda série de 84 de uma população de 105; a terceira série de 76 de 93; a quarta série de 64 de 75; a quinta série de 77 de 95, num total de 386 estudantes. A seleção dos sujeitos foi aleatória e sistemática, sendo utilizadas como amostra as listas de alunos de cada ano de estudo. O número para início em cada amostra (por ano de estudo) foi selecionado utilizando a tabela de números aleatórios. Posteriormente, foram sistematicamente selecionados os participantes.

Na presente pesquisa, foi utilizado um questionário auto-aplicado, adaptado de outro estudo(5). O instrumento foi composto de 35 itens com três seções. A primeira referiu-se a dados pessoais do escolar. A segunda, com 25 itens, relacionou-se a opinião do escolar sobre o uso de drogas (percepção do risco para o uso de drogas=7 itens; motivações que o levaram ao uso de drogas=6 itens; informação sobre medidas de prevenção=7 itens; disponibilidade da droga=5 itens). A terceira seção teve por finalidade indagar a opinião sobre o consumo de drogas (4 itens) e a aceitação social e familiar do consumidor (6 itens). Cada um dos itens foi avaliado através de uma escala tipo Likert com valores de 1 a 4 dados para cada resposta de maneira direta (muito de acordo, de acordo, em desacordo, muito em desacordo) e inversa (muito em desacordo; em desacordo; de acordo; muito de acordo). A pontuação total obtida pelos estudantes foi considerada como opinião favorável (opinião a favor do uso de drogas) ou desfavorável (opinião contraria ao uso de drogas).

O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Peruana Cayetano Heredia. A coleta de dados foi iniciada posterior a autorização da direção da escola, e de realizar as coordenações respectivas com o professor da sala para ter acesso e proximidade com os estudantes para aplicação do instrumento. Cada questionário foi identificado através de um código, o que permitiu preservar o anonimato dos participantes. O instrumento foi aplicado individualmente, com prévio conhecimento e assinatura do consentimento livre e informado por partes dos participantes.

A análise dos dados foi realizada através do levantamento de opiniões dos adolescentes, fundamentada na estatística descritiva, estabelecendo uma discussão mediada por aspectos ressaltantes das pesquisas desenvolvidas, com adolescentes de diversos países.

 

RESULTADOS

De acordo com os resultados do questionário, a porcentagem de mulheres que vão à escola de ensino médio é menor que a porcentagem de homens, 44.25% e 55.75%, respectivamente. O intervalo de idade dos estudantes concentra-se nas idades de 14 e 16 anos (54.93%). Assim mesmo, 46.9% moram com seus pais e 53,1% moram somente com a mãe.

Ao analisar a opinião dos adolescentes sobre o uso de drogas encontrou-se que 52.6% têm uma opinião desfavorável sobre o uso de drogas, e 47.4% é a favor do uso, como observado na Figura a seguir:

 

 

Na Tabela 1, vemos que, no sexo feminino, 24% apresentam opinião favorável, e 26% mencionam ser desfavoráveis. O sexo masculino 29% é a favor do uso e 11% é contra o uso de drogas.

 

 

A respeito da percepção de risco dos adolescentes, observamos na Tabela 2 que 52.3% tem opinião desfavorável e 47.4% é favorável . Quando considerada a motivação, 53.6% é desfavorável e 46.4% é favorável.

 

 

Os entrevistados consideram as informações sobre o uso de drogas como favorável (38.6%) e, desfavorável 61.4%. Quanto à disponibilidade para o consumo, 44.8% são desfavoráveis e, 55.2% são favoráveis.

Na Tabela 3, apresentamos as opiniões dos adolescentes sobre os usuários de drogas.

 

 

Quanto ao usuário de drogas, 58.6% dos adolescentes os rejeitam; já, 41.5% o aceitam o jovem usuário. Da mesma forma, a aprovação social e familiar é negativa. Assim 55.4% é contra e, 46.5 posicionam-se a favor.

Com relação à informação que os adolescentes recebem sobre o uso de drogas, foi evidenciada a opinião a favor de receber informação, manifestando o desejo de essa informação ser passada em primeiro lugar, pelos professores; seguido dos profissionais de saúde (no caso, de enfermagem); e, poucos manifestaram seu desejo de receber informação por parte dos pais.

 

DISCUSSÃO

Chama a atenção, que 53% dos adolescentes entrevistados sejam a favor do uso, coincidentemente com estes dados, foi encontrado que 52.3% tinham opinião desfavorável perante a percepção do risco.

Um estudo (6) em uma população de adolescentes de uma escola de ensino médio de ambos os sexos realizado em Lima em 2002, descobriu que 94,5% opinam que usam drogas e é danoso para a saúde; apenas, 2.5% mencionaram que a droga não causava dano, e 6.5% a considerou como perigosa, fato que converte a este grupo mais vulnerável perante as drogas.

Os indivíduos com maior risco de envolver-se em estas condutas tendem a sobreestimar a prevalência de uso no seu contexto e de fatores individuais - experimentação determinada pela tentativa raciocinada ou decisão dos adolescentes para iniciar ou não o uso de drogas. Primeiramente, a decisão é afetada pela atitude dos adolescentes ao respeito da própria experimentação em função de conseqüências pessoais (custo - beneficio), ou seja, do que esperam desta experimentação; e do valor afetivo dadas a estas conseqüências. Neste sentido, os adolescentes podem ter uma atitude positiva frente ao consumo, se suas expectativas de beneficio são mais altas que as expectativas de custo. Em segundo lugar, a decisão é afetada pelas crenças dos adolescentes a respeito das normas sociais para o uso.

Os adolescentes percebem que existe risco no uso drogas, reconhecendo como grupo mais vulnerável aos jovens, junto com as crianças. Ressaltam que o uso de drogas não se configura como uma situação de perigo. A percepção do risco se estabelece através de decisões racionais do indivíduo para envolver-se ou não no uso; das crenças; das expectativas; do valor afetivo atribuído às mesmas; da percepção de expectativas das pessoas significativas; e, da auto-eficácia. Portanto, os adolescentes ao não ter alta percepção do risco, encontram-se em perigo de iniciar o uso. Por outro lado, consideram que as drogas não são tão perigosas, e que podem afastar-se delas em qualquer momento(7).

É uma característica nos adolescentes ter a percepção de que nada acontecerá, e que podem controlar a situação. Este aspecto leva a ter uma menor percepção do risco; e, aumenta o uso de drogas, em contrapartida, uma baixa percepção do risco as aumenta. Os pressupostos teóricos utilizados para conhecer a percepção do adolescente sobre o perigo no uso de drogas para a saúde, foi a Teoria da Ação Raciocinada (TAR). Esta teoria tenta explicar condutas que se encontram sob o controle consciente dos indivíduos, partindo de diversos determinantes que a precedem e a explicam. O determinante imediato da conduta não é a atitude propriamente dita, senão é a intenção do adolescente realizar a ação. Por sua vez, a intenção da conduta tem dois precursores: um estritamente individual, como é a atitude sobre a conduta; e, outro de tipo coletivo e social, que é referido ao contexto sociocultural do indivíduo, alicerçado em normas subjetivas (8).

A motivação que os jovens têm para usar drogas, seu uso ou abuso de substâncias psicoativas é um fenômeno multifatorial, com implicâncias nos fatores psicológicos; biológicos; e, sociais. Estes fatores encontram-se relacionados à curiosidade para obter prazer e satisfação; relaxamento de tensões psicológicas, facilitando a socialização; evitar a pressão social no seu grupo, e o isolamento social; dinâmica familiar; baixa auto-estima; manejo inapropriado de intervenções sobre as drogas; influencias genéticas; alcoolismo na família. Ainda, o caráter lúdico, a curiosidade natural do adolescente constitui-se em um dos fatores internos de maior influência para a experimentação(9). Da mesma forma, como todo ser humano, o adolescente não é um ser homogêneo, pois dentro dele habitam várias personalidades, que motivam a vivenciar diversas experiências, desafiando o desconhecido - reflexo do desejo de conhecer sempre mais e romper limites, podendo algumas destas experiências realizadas atender a esses desejos, como o uso de drogas.

Dentro dos fatores externos, o modismo é particularmente importante. A adolescência é influenciada na escolha de seu próprio estilo. Aliados a este fator, encontramos o desejo de pertencer a um grupo; a opinião de amigos; o modelo social (o mundo adolescente é uma conseqüência, reprodução do mundo adulto); a facilidade de acesso às drogas; os modelos dos ídolos; e um ambiente favorável para experimentar as drogas.

Nas próprias "motivações" subjetivas dos jovens, o desejo de estimulação e de risco parece desempenhar um papel importante. Em um estudo realizado por nossa equipe de trabalho com adolescentes de escola descobriu que a curiosidade e o desejo de "experimentar novas sensações" foram as "motivações para seu uso". Em outro trabalho, a procura de risco e aventura; a curiosidade, e o desejo de superar a chateação são "motivos" freqüentemente apontados quando se questiona aos jovens sobre o "por quê" da sua conduta delitiva(10).

A disponibilidade de informações é um fator protetor para evitar e interromper a redução do dano para o uso de drogas. Desta forma, tem sido objeto de estudo a disponibilidade e aceitação das informações recebidas pela mídia, em procura de informações sobre drogas, se destacando à família por ser aquela que mais informa quando discute sobre o assunto; os professores; os amigos e o pessoal de saúde, além de considerar os meios de comunicação como rádio, televisão e impressa, quando direcionados aos jovens(11-14).

Embora os jovens percebam que seus conhecimentos sobre drogas são cada vez maiores, demandam principalmente uma informação confiável e com credibilidade, além de educação sobre prevenção e redução de danos. Estas demandas são coincidentes com as demandas de jovens de outros países europeus. Os meios de comunicação precisam fomentar atitudes e transmitir conhecimentos sobre drogas e vício em drogas. Caso contrário, a informação inadequada pode chegar a estender o uso de drogas, e piorar as reações da sociedade para com os usuários de drogas, situação que pode gerar sérios problemas para os pais e provocar rejeição, marginação, e isolamento para com os usuários de drogas.

Os jovens têm expressado sua preocupação frente ao aumento e precocidade no uso de drogas ilegais, o que eles relacionam com a facilidade de acesso. Além de considerar que, nessa faixa etária, o uso pode ser maior do que as drogas legais. A experimentação precoce também foi vinculada à persistência no uso. Entre os escolares de 13 e 14 anos, 22% declarou ter amigos que já usaram drogas ilegais, apontando coincidentemente com a percepção que o contato dos jovens com as drogas ilegais é cada vez mais precoce. A disponibilidade econômica esta associada com o uso de tabaco, álcool, Cannabis e outras drogas ilegais, além, do consumo de cocaína pelos escolares(10).

A respeito da opinião sobre o consumo de drogas, a opinião desfavorável é coincidente com um estudo (15) realizado em Madrid, o qual mostrou que 26% opinam que os consumidores são uma conseqüência do contexto; 24.5% consideram que são doentes; 21.15% referem que os adolescentes devem ser tratados com rudeza; 73% mencionam que não se pode ser compreensivo com os dependentes às drogas pois o problema é do usuário. Da mesma forma, 36.7% opinam que o dependente consome por fugir da realidade; e, 36.2% os consideram como emocionalmente instáveis. Com relação ao apoio que devem receber, foi evidenciado que 60.6% mencionam que devem ser ajudados, mas não devem ser presos.

Ao mencionar sobre a aceitação social e familiar do jovem usuário(15), 56.0% mencionaram que não se incomodam em assistir a uma consulta com um jovem viciado. Com relação à aceitação em seu contexto, 23% mencionam que é correto, mas não fariam nada a seu favor; 29.8% sentem-se muito incomodados, mas que não seriam contra; 77.7% opinam que os usuários de drogas e a atenção requerida é um problema de todos(15). Estas opiniões são devidas, por um lado, à percepção de crenças que as pessoas significativas adotam à respeito da conduta que o indivíduo deve assumir e pela motivação do indivíduo satisfazer as expectativas das outras pessoas significativas sobre ele. Ou seja, os adolescentes podem sentir uma forte pressão para usar drogas se eles crêem que seus amigos ou família apóiam seu uso, ou se consideram que o uso entre amigos e adultos em geral é um fato normal.

A coesão familiar é um aspecto importante para que a família possa aceitar ao jovem dependente, porque tem a capacidade de atuar de forma integrada e coerente, como um todo articulado, beneficiando o desenvolvimento individual e favorecendo o sentimento de pertencimento, com um efeito protetor(16). Um estudo(7) realizado na Holanda sobre os níveis de coesão familiar em filhos dependentes mostraram que aqueles pais muito envolvidos na vida de seus filhos adolescentes conseguem quase sempre reduzir a probabilidade de uso de drogas ou evitar o avanço para condutas de consumo de drogas mais abusivas(17). No caso da Argentina, o consumo recente de qualquer droga ilícita aumentou em 4.9% entre estudantes com pais muito envolvidos; e 16.3% em aqueles pais nada envolvidos. No Chile, a prevalência foi de 10.8% com pais envolvidos, e 36.6% com pais não-envolvidos na vida de seus filhos. O Equador apresentou uma prevalência ascendente de 2.6% a 12% entre estudantes para pais envolvidos e não-envolvidos, respectivamente. Entre os estudantes do Paraguai, a prevalência foi de 2.1% para pais envolvidos, e 12.1% para pais nada envolvidos. No Peru, as prevalências são de 2% a 8.4% em estudantes com pais envolvidos e nada envolvidos, respectivamente. No Uruguai, os índices de uso aumentaram recentemente em 5.8% e 26,7% para pais envolvidos e não-envolvidos, respectivamente (7).

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este estudo de caso permitiu conhecer que, com relação às características pessoais do adolescente, predominou o sexo masculino. Ao opinar sobre a percepção do risco nos adolescentes, a maioria tem uma opinião desfavorável, indicando conhecimento sobre risco no uso. De maneira similar, têm opinião desfavorável perante os motivos do uso, mostrando-se favoráveis à informação.

A opinião desfavorável sobre a disponibilidade das drogas foi também ressaltada nesta pesquisa. Os adolescentes têm uma opinião desfavorável do consumidor de drogas, sendo a mesma opinião ao respeito da aceitação social e familiar do adolescente que usa drogas.

O processo de socialização com a família, amigos, escola e a mídia é de suma importância. A percepção do risco e seus fatores, juntamente ao ócio, tempo livre e vida recreativa são elementos que devem ser considerados para compreender esta problemática. Temos um papel relevante, tanto para explicar a complexa conduta como para colocar em prática programas adaptados e eficazes na prevenção e tratamento.

 

AGRADECIMENTOS

Agradecemos a Comissão Interamericana para o Controle do Abuso de Drogas/CICAD da Subsecretaria de Segurança Multidimensional da Organização dos Estados Americanos/OEA, a Secretaria Nacional Antidrogas/SENAD, aos docentes da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, Centro Colaborador da OMS para o desenvolvimento da pesquisa em enfermagem, a população da amostra dos estudos e aos representantes dos oito países Latinoamericanos que participaram do I e II Programa de Especialização On-line de Capacitação e Investigação sobre o Fenômeno das Drogas - PREINVEST oferecido no biênio 2005/2006 pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo, na modalidade de ensino a distância.

 

REFERÊNCIAS

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Recebido em: 12.11.2007
Aprovado em: 7.3.2008

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