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Revista Latino-Americana de Enfermagem

versão impressa ISSN 0104-1169

Rev. Latino-Am. Enfermagem v.16 n.spe Ribeirão Preto jul./ago. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-11692008000700022 

ARTIGO DE REVISÃO

 

Em busca da igualdade: representações do ato de fumar em mulheres adolescentes

 

 

J. Adriana Sánchez MartínezI; Cléa Regina de Oliveira RibeiroII

IPsicóloga, Professora da Universidade Autônoma de Querétaro, Escola de Enfermagem México, e-mail: adrianauaq@yahoo.com.mx
IIFilósofa, Doutora em Saúde Pública, Professora, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Centro Colaborador da OMS para o Desenvolvimento de Pesquisa em Enfermagem, Brasil, e-mail: clearib@eerp.usp.br

 

 


RESUMO

O objetivo deste estudo foi conhecer as representações do ato de fumar em mulheres adolescentes, tanto fumantes quanto não fumantes, de uma instituição de Educação Superior no Estado de Querétaro, México. Trata-se de uma investigação qualitativa, realizada com 14 mulheres adolescentes em 2005. Entrevista semi-estruturada e questionário de dados socio-demográficos foram utilizados na coleta de dados. Os resultados demonstraram que as adolescentes conhecem o discurso biomédico, o qual prescreve que fumar traz graves conseqüências ao organismo, contudo, há outras razões, de cunho simbólico, que incidem no consumo, como a busca pela igualdade, e a imagem da mulher para os homens. Nesse sentido, as adolescentes consideraram que uma mulher que fuma é mais atraente e tem grau de maturidade mais elevado. O grupo social exerce uma influência importante para que as mulheres fumem, ao validar a prática e minimizar os danos ao organismo.

Descritores: tabagismo; mulheres; adolescente


 

 

INTRODUÇÃO

Numerosas pesquisas foram desenvolvidas a fim de conhecer o consumo de tabaco, a maioria delas enfocadas na descrição da magnitude e no impacto desta prática na saúde da população(1-3).

Alguns estudos expõem que os países em desenvolvimento ainda não apresentam índices de consumo tão altos quanto os países desenvolvidos, nos quais esta prática se converteu em uma epidemia que traz, como conseqüências, diversas doenças e altos índices de morte relacionados a este consumo(2,4). Não obstante, a conduta dos fumantes é a de ignorar estes efeitos, uma vez que o consumo tem crescido que maneira desmedida em todo o mundo. Neste sentido, a população adolescente é uma das mais afetadas, pois os níveis nesta população são cada vez maiores.

Os resultados do impacto do fumo na saúde não foram suficientes para diminuir ou evitar o consumo. Entretanto, não é só por falta de informação que as pessoas continuam consumindo, mas sim pelo conjunto de significados e representações que o ato de fumar lhes representa; significados que mudam de acordo com o contexto, época e condições sócio-políticas e culturais de onde o fumante está inserido. Para os indígenas americanos, desde os tempos pré-históricos, a figura do chamán era o principal autor e único privilegiado para consumir grandes quantidades de tabaco, usado principalmente com fins religiosos e práticas curativas(5). As representações mudaram no transcorrer do tempo e do contexto, e são estas que guiam as ações e atitudes que uma pessoa terá ante outra pessoa, fato ou acontecimento. É por isso que, em espaços diversos, existem diferentes representações que se convertem em razões suficientes para a prática do fumo.

Existem várias correntes que têm se dedicado a estudar as representações sociais. A Escola Francesa define a representação social como "um sistema de valores, idéias e práticas com uma função dupla: primeiro de estabelecer uma ordem que possibilitará às pessoas orientar-se em seu mundo material, social e controlá-lo; e em segundo lugar, de possibilitar que a comunicação seja possível entre os membros de uma comunidade, proporcionando-lhes um código para normatizar e classificar os aspectos de seu mundo e de sua história individual e social sem ambigüidade"(6).

As representações não são universais, mas sim regionais, variando de um lugar para outro; são compartilhadas pela comunidade e aceitas como verdades - por isso, orientam as ações das pessoas que compartilham essa comunidade. No momento em que nos inserimos dentro de uma sociedade, esta já tem em sua estrutura uma rede intrincada de representações que identificam e categorizam as ações, os objetos e as pessoas. Estas são adquiridas pelos sujeitos e constituem a maneira como vêem o mundo; são como lentes que permitem aos seus indivíduos ter uma visão das coisas, que para eles é sua realidade.

Estas representações são retidas na memória das pessoas, fazendo-as parte de seus esquemas de pensamento como categorias que expressam a realidade. São fatores produtores de realidades ao determinar as maneiras pelas quais os sujeitos a interpretam e como respondem a ela como forma de conhecimento prático, orientando as ações do cotidiano.

Resumindo, as representações sociais se conceitualizam como saberes funcionais ou teorias sociais práticas que designam uma forma de conhecimento específico, o saber de sentido comum, cujo conteúdo manifesta a operação de processos gerativos e funcionais caracterizados socialmente. Em um sentido mais amplo, designam uma forma de pensamento social(7), e ainda que venham permeadas por conhecimentos científicos, mostram a lógica e as idéias que levam as pessoas a compreender as diferentes ações que realizam.

Na área da saúde, é de suma importância realizar estudos sobre as representações que os autores têm dos diferentes fenômenos, pois são eles que os vivem de maneira cotidiana. Como resultado deste estudo, procuramos aprofundar nas representações das mulheres adolescentes com relação ao ato de fumar, mas, sobretudo, analisar se algumas destas concepções reforçam o consumo nas adolescentes e se existem diferenças entre mulheres que fumam e as que não o fazem.

Nesta perspectiva o objetivo geral da pesquisa foi conhecer as concepções das mulheres adolescentes de uma instituição de Ensino Médio Superior sobre o ato de fumar. Com a finalidade de identificar se estas representações reforçam a prática de fumar e se existem discrepâncias nas representações das mulheres que fumam e das que não o fazem.

 

METODOLOGIA

Esta pesquisa é um estudo qualitativo realizado em uma instituição de Ensino Médio Superior do Estado de Querétaro, México. As participantes foram 14 mulheres que tinham entre 16 e 17 anos de idade, dentre elas 7 fumantes e 7 não-fumantes. Como técnica de coleta de informação, foram utilizados um questionário para obter dados sócio-demográficos e uma entrevista semi-estruturada(8-10).

Um elemento fundamental no desenho do estudo foi o gênero. Neste estudo só se tomou a perspectiva das mulheres com relação a suas concepções do ato de fumar. O segundo elemento fundamental na escolha das informantes foi o fato destas serem ou não fumantes ativas. É desta forma que a diferença nas representações das adolescentes que fumam e das que não o fazem constitui o objeto central deste estudo. O último elemento a considerar foi o horário, apenas as mulheres que pertenciam ao turno vespertino foram convidadas a participar, uma vez que é este horário que apresenta o maior número de fumantes.

Procedimento

Após a autorização da instituição, uma primeira entrevista grupal com 20 mulheres adolescentes foi realizada para convidá-las a participar do estudo. Nesta reunião se expôs o objetivo central do mesmo, assim como a importância de sua participação. Desta reunião foram obtidas as 14 participantes, que em seguida forneceram um termo de consentimento livre e esclarecido assinado por elas e por seus tutores. A seguir, as datas das entrevistas foram estabelecidas, de acordo com o tempo disponível das participantes, e buscou-se um espaço silencioso que permitisse o diálogo e convidasse à conversa dentro das instalações da instituição educativa. As entrevistas ocorreram no período de 23 de novembro a 10 de dezembro de 2005, no período da tarde. Estas foram gravadas e transcritas; a efeito de identificação dos discursos das informantes, as entrevistas foram enumeradas de 1 a 14.

A análise da informação foi realizada seguindo as diretrizes da Análise de Conteúdo(11), que nos permitiu obter (por meio de procedimentos sistemáticos e objetivos da descrição dos conteúdos) as mensagens e indicadores dos quais se inferiram as categorias. Os seguintes procedimentos foram tomados: fase de pré-análise; exploração do material; tratamento e interpretação dos resultados obtidos; elaboração do relatório técnico.

As mulheres que participaram do estudo o fizeram de forma voluntária, assegurando a confidencialidade de sua identidade.

 

RESULTADOS

Representações de fumar

A forma como os dois grupos de estudo representam o ato de fumar se mostra com opiniões ambivalentes. As mulheres fumantes acreditam que fumar é uma atividade considerada "normal" diminuindo seus efeitos ao equiparar esta prática com outras da vida cotidiana. [O que acha de fumar] na verdade nada, é como algo normal, que faço muito... como tomar água (Entrevista nº 7).

O ato de fumar lhes proporciona benefícios imediatos, como, por exemplo, provocar relaxamento, mas elas também consideram que não é algo bom e que a prática constante pode se tornar um costume difícil de deixar. Além disso, as participantes manifestam uma mudança em suas representações antes e depois de iniciar o consumo; antes pensavam que esta prática era ruim e exclusiva de certo tipo de população, entre eles os "vagabundos" e os homens; esta representação mudou a partir do momento em que elas começaram a fumar, e que cada vez mais pessoas o fazem; ao serem tantos os que fumam, a prática é validada pelo grupo, se minimizando ou eliminando os efeitos que provoca na saúde.

Antes era estranho ver uma senhora, mas agora não mais. Antes eu pensava que colocar um cigarro na boca era muito mal visto, mas agora não, como se eu já tivesse me acostumado a ver acontecer, a ver qualquer um fumando... Já não é estranho, então, você diz, se eles fumam, por que não eu. (Entrevista nº 14)

As adolescentes são conscientes de que os padrões de consumo mudaram, estendendo-se a outras camadas da população; isto reforça sua decisão de iniciar-se ou manter-se no consumo, representando o ato de fumar como uma prática cotidiana.

As mulheres que não fumam também se mostram ambivalentes; por um lado expressam que não se incomodam quando outros fumam, argumentando que não é uma atividade muito grave; por outro, dizem que as pessoas que fumam danificam não só a sua própria saúde, mas a das pessoas que estão ao seu redor também. Eu o vejo como uma faca de dois gumes, não? No sentido de que afeta tanto a pessoa que o consome como as pessoas que o rodeiam... além de ser ruim para a saúde. (Entrevista nº 13).

Até com esta ambivalência, as adolescentes que não fumam são mais conscientes dos danos que o fumo provoca e, ao preocupar-se com sua saúde, evitam iniciar esta prática.

Razões pelas quais uma pessoa fuma

As entrevistadas indicam a influência que tem o grupo de amigos ao que se pertence como a razão principal para que uma pessoa fume. As adolescentes que não fumam argumentam que as pessoas iniciam ou mantêm esta prática a fim de tentar pertencer a um grupo e não se expor à rejeição do mesmo. Depois de seus amigos te perguntarem de você quer e você dizer não, eles te colocam de lado, e para pertencer a um grupo você entra e fuma. (Entrevista nº 11).

Entretanto, elas também consideram que o fazem como uma expressão que simboliza a entrada na adolescência e como uma forma de estar contra as normas sociais. As mulheres que fumam expressam que o grupo de amigos valida a prática; é algo que todos fazem, o que converte o fumar em algo comum e cotidiano, apesar de seus efeitos. Porque você está rodeada da mesma gente, e eu te digo, eles te influenciam, pois todas as minhas amigas fumam, todas, e uma hora você o vê como algo normal e diz "o que há de errado?". (Entrevista nº 1).

Outra diferença importante entre as mulheres fumantes e as não-fumantes foi que as não-fumantes manifestam um discurso social que expressa que as pessoas que consomem drogas (entre elas o tabaco) o fazem por problemas familiares, falta de compreensão dos pais ou má comunicação com os mesmos, considerando esta expressão como uma saída falsa aos problemas da vida cotidiana.

Nas mulheres fumantes esta representação muda a partir de quando elas iniciam o consumo. Elas manifestam que um adolescente não fuma só devido a problemas em casa, mas, entre outras coisas, pelos benefícios que se obtém a nível psicológico (relaxamento, diminuição de ansiedade, etc.), por costume ou por gosto e não porque esteja passando por problemas em casa. Antes, quando não fumava, eu pensava que isto talvez ocorresse mais pelos problemas que há em casa ou porque queria relaxar, mas depois disse, acho que fuma porque quer. (Entrevista nº 14).

Representação de uma mulher que fuma

As mulheres que fumam reconhecem o discurso social que argumenta que as mulheres não se vêem bem fumando, e que fumar é uma prática "exclusiva" dos homens; elas não coincidem com este discurso e consideram que não há diferença quando uma mulher e um homem fumam, porque eles são iguais. Neste discurso aparece uma igualdade de direitos entre homens e mulheres, e fumar é uma expressão desses direitos. Bom, essa sociedade já está quase completamente discriminativa, os homens já são completamente viciados, e as mulheres devem ter cuidado porque devem ser mais bem-vistas; como uma dama vai fumar, será vista super mal. Mas eu creio que não, bom, não vejo diferença alguma. (Entrevista Nº. 6) .

A diferença que expressam com relação aos homens é que a mulher engravida; durante a gravidez não se pode fumar por ser prejudicial ao bebê, por isso devem se preocupar em não cair no vício, para poder deixar de fumar no momento da gravidez. Consideram que, quando uma mulher é mãe, é permitido a ela que fume desde que o faça escondido dos filhos.

Assim como uma mulher não deve andar fazendo isso [fumar], é bom que, se o fizer, o faça escondido. (entrevista nº 14). Para as mulheres que não fumam a imagem é muito importante; consideram que uma mulher que fuma é muito mal-vista, e que esta prática tira a feminilidade; a maioria coincide com o discurso social que expõe que fumar é uma prática dos homens; estes têm mais permissão a nível social de fumar do que as mulheres. Da mesma forma que as mulheres que fumam, as que não o fazem expressam que fumar é uma expressão de igualdade entre homens e mulheres. Entretanto, estas últimas consideram que a mulher está arriscando tanto sua saúde quanto a de quem a rodeia nesta busca por igualdade.

Para as mulheres que não fumam o cuidado da imagem e da saúde são as duas razões mais importantes pelas quais não realizam esta prática, além de procurar a igualdade com os homens. Critico muito as mulheres que fumam, eu digo "sim, é mal-vista"... sinto como se a mulher tivesse perdido muito, não?, Como que se em sua ambição por ser igual ao homem tenha denegrido uma parte dela mesma, não?, que afinal de contas não afeta só a ela mesma, mas sim, por exemplo, [afeta] se quiser procriar, e às pessoas que a rodeiam e tudo isso. (Entrevista nº 11).

Razões pelas quais uma mulher fuma

As mulheres que fumam manifestaram (entre outras razões) que o fazem pelos benefícios que esta prática proporciona a nível psicológico, como tirar o nervoso e a tensão.

Outra razão importante é a imagem, já que consideram que uma mulher que fuma é mais atraente para os homens, é vista como mais interessante; assim, fumar é uma estratégia para chamar a atenção dos mesmos. Por outro lado, consideram que fumar é uma expressão de igualdade, pois, ao realizar esta prática, demonstram ter os mesmos direitos, razão importante que inclusive é reforçada pelos homens: Às vezes eu penso que as mulheres querem ser iguais [aos homens] e os homens dizem porque não, ou seja, nós também fumamos, ok, e fazemos bobeiras. (Entrevista nº 5).

Nas não-fumantes também aparece esta representação de considerar que as mulheres fumam porque querem ter igualdade diante de um homem e ter os mesmos direitos, embora considerem que a razão mais importante pela qual as mulheres fumam é a imagem. Manifestam que uma mulher que fuma é mal-vista, mas mencionam que os homens acham atraente que uma mulher fume porque esta se mostra mais madura, e por isso as mulheres fumam: para chamar sua atenção. Aparece também com muita insistência a necessidade de pertencer, para não serem rejeitadas pelo grupo de amigos que fumam e entrar em seu círculo social.

Lugar

O lugar de consumo é uma categoria que foi elaborada apenas com o discurso das mulheres fumantes e expressa o contexto onde realizam esta prática. As mulheres que fumam o fazem na escola ou na rua. Em casa não o fazem, entre outras razões, porque seus pais não sabem que fumam, porque em sua casa ninguém fuma, porque não é permitido fumar e porque a casa é um lugar "respeitado". Em casa não, não costumo fumar, não, não sei se me permitem, porque em minha casa ninguém fuma, mais é aqui na escola... na escola ou na rua. (Entrevista nº 1).

De forma cotidiana, elas fumam seu primeiro cigarro a partir das 2 da tarde, horário de ingresso na escola preparatória. Esta situação permite analisar, além disso, que fumar não é uma atividade individual, mas que se realiza com o grupo a que se pertence e que valida a prática.

Efeitos

As mulheres que fumam mencionam o câncer e o enfisema pulmonar como principais conseqüências do consumo de tabaco e, além disso, alguns sintomas como dificuldades na respiração, dor no peito e um relaxamento extremo.

As mulheres que não fumam apresentaram uma gama muito mais ampla de conseqüências, onde o câncer e o enfisema pulmonar estão acompanhados de asma, doenças das vias respiratórias, danos aos brônquios e aos dentes e a possibilidade de morrer por asfixia, além de uma série de sintomas relacionados, como tosse, rouquidão, dor de cabeça e mau hálito. Consideram que fumar produz diversos sintomas psicológicos como ansiedade, nervosismo, pensamentos negativos e histeria.

 

DISCUSSÃO

Nos conhecimentos das adolescentes aparece o discurso médico que expõe que fumar tem graves conseqüências para a saúde. Entretanto, as representações que aparecem a nível simbólico são mais importantes que a própria saúde.

Da mesma forma que em outros estudos(12), descobriu-se que fumar representa um rol de autonomia, de idade adulta, de busca de aceitação e de pertencer a um grupo para a população estudada características próprias da idade adolescente. Entretanto, existem algumas representações exclusivas das mulheres pelas condições de gênero que se apresentam em nosso país.

Como em outras pesquisas(13), as mulheres manifestam que há uma moral dupla a nível social, que considera fumar como uma prática exclusiva dos homens, e que as mulheres que fumam são mal vistas. O ato de fumar nas mulheres desta pesquisa aparece como uma manifestação do que elas consideram igualdade de direitos. Por isso, fumar lhes permite demonstrar seu valor. Além disso, existe a representação de que uma mulher que fuma se vê mais interessante, madura, e que essas qualidades são atraentes para os homens. Manifestam que fumar é uma estratégia de sedução para chamar a atenção dos mesmos.

Nas duas representações existe uma condição de valor. Por um lado, fumar é uma expressão de igualdade entre os direitos dos homens e as mulheres; por outro, fumar se expressa como um valor agregado, ao apresentarem-se mais atraentes para os homens.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

É importante destacar que a maioria das campanhas publicitárias de prevenção e diminuição de consumo de tabaco que aparecem nos meios de comunicação de massa manipula os problemas familiares como principal causa do consumo em seu discurso. Assim como em outras pesquisas(14), este estudo demonstra que este fenômeno não é unicausal e não tem apenas uma manifestação, mas sim, depende do valor, da forma e da representação que lhe dá o contexto no qual aparece. Nesta pesquisa, as mulheres que não fumam compartilham este discurso social de considerar os problemas familiares como causa fundamental, enquanto as mulheres que fumam o compartilhavam até antes de iniciar o consumo, mas, uma vez iniciado, manifestam muitas outras causas, razões e simbolizações, algumas conscientes e outras não.

Os programas direcionados para que os fumantes deixem esta prática devem considerar estes significados, já que suprir o tabaco com um substituto de nicotina não é suficiente; o fumo é somente um sintoma, e é preciso atuar na causa do mesmo se quisermos que nossas ações tenham o resultado esperado.

 

AGRADECIMENTOS

Agradecemos a Comissão Interamericana para o Controle do Abuso de Drogas/CICAD da Subsecretaria de Segurança Multidimensional da Organização dos Estados Americanos/OEA, a Secretaria Nacional Antidrogas/SENAD, aos docentes da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, Centro Colaborador da OMS para o desenvolvimento da pesquisa em enfermagem, a população da amostra dos estudos e aos representantes dos oito países Latinoamericanos que participaram do I e II Programa de Especialização On-line de Capacitação e Investigação sobre o Fenômeno das Drogas - PREINVEST oferecido no biênio 2005/2006 pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo, na modalidade de ensino a distância.

 

REFERÊNCIAS

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Recebido em: 28.3.2007
Aprovado em: 10.1.2008