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Revista Latino-Americana de Enfermagem

Print version ISSN 0104-1169On-line version ISSN 1518-8345

Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.23 no.3 Ribeirão Preto May/June 2015

http://dx.doi.org/10.1590/0104-1169.0398.2581 

Artigos Originais

Análise da trajetória dos pais latinos, variáveis culturais nas atitudes sexuais dos adolescentes, normas, auto-eficácia, e intenções sexuais1

Vanessa Pirani Gaioso 2  

Antonia Maria Villarruel 3  

Lynda Anne Wilson 4  

Andres Azuero 5  

Gwendolyn Denice Childs 6  

Susan Lane Davies 7  

2PhD, Instrutor, University of Alabama at Birmingham, School of Nursing, Birmingham, AL, Estados Unidos

3PhD, Professor Titular, University of Pennsylvania, School of Nursing, Philadelphia, PA, Estados Unidos

4PhD, Professor Titular, University of Alabama at Birmingham, School of Nursing, Birmingham, AL, Estados Unidos

5PhD, Professor Associado, University of Alabama at Birmingham, School of Nursing, Birmingham, AL, Estados Unidos

6PhD, Professor Assistente, University of Alabama at Birmingham, School of Nursing, Birmingham, AL, Estados Unidos

7PhD, Professor Associado, University of Alabama at Birmingham, School of Public Health, Birmingham, AL, Estados Unidos


RESUMO

OBJETIVO:

testar um modelo teórico com base na Expansão Parental da Teoria do Comportamento Planejado, examinando a relação entre pais selecionados, adolescentes e variáveis culturais e as intenções dos jovens latinos ao se envolverem com comportamento sexual.

MÉTODO:

um design correlacional de corte transversal baseado em uma análise de dados secundários de 130 pares de pais e adolescentes latinos.

RESULTADOS:

procedimentos de regressão e de análise de trajetória foram usados para testar sete hipóteses e os resultados demonstraram um apoio parcial para o modelo. O familismo parental e o conhecimento sobre sexo foram significativamente associados com as atitudes dos pais em relação a comunicação sexual com seus filhos. A aculturação dos pais latinos foi negativamente relacionada com sua auto-eficácia na comunicação sexual com os adolescentes e positivamente relacionada com suas normas subjetivas na comunicação sexual com os jovens. O conhecimento do adolescente sobre sexo foi consideravelmente associado com os mais altos níveis de suas atitudes e normas subjetivas sobre a comunicação sexual com seus pais. Apenas o preditor das atitudes dos adolescentes sobre ter relações sexuais nos próximos três meses foi significativamente associado com as intenções dos adolescentes em ter relações sexuais nos próximos 3 meses..

CONCLUSÃO:

os resultados deste estudo fornecem informações importantes para guiar pesquisas futuras que possam informar o desenvolvimento de intervenções para prevenir o comportamento sexual arriscado de adolescentes entre os latinos.

Palavras-Chave: Comportamento do Adolescente; Hispano-Americanos; Comportamento Sexual; Relações Pais-Filho; Comunicação; Cultura

ABSTRACT

OBJECTIVE:

to test a theoretical model based on the Parent-Based Expansion of the Theory of Planned Behavior examining relation between selected parental, teenager and cultural variables and Latino teenagers' intentions to engage in sexual behavior.

METHOD:

a cross-sectional correlational design based on a secondary data analysis of 130 Latino parent and teenager dyads.

RESULTS:

regression and path analysis procedures were used to test seven hypotheses and the results demonstrated partial support for the model. Parent familism and knowledge about sex were significantly associated with parents' attitudes toward sexual communication with their teenagers. Parent Latino acculturation was negatively associated with parents' self-efficacy toward sexual communication with their teenagers and positevely associated with parents' subjective norms toward sexual communication with their teenagers. Teenager knowledge about sex was significantly associated with higher levels of teenagers' attitudes and subjective norms about sexual communication with parents. Only the predictor of teenagers' attitudes toward having sex in the next 3 months was significantly associated with teenagers' intentions to have sex in the next 3 months.

CONCLUSION:

the results of this study provide important information to guide future research that can inform development of interventions to prevent risky teenager sexual behavior among Latinos.

Key words: Adolescent Behavior; Hispanic Americans; Sexual Behavior; Parent-Child Relations; Communication; Culture

RESUMEN

OBJETIVO:

poner a prueba un modelo teórico basado en " Parent-Based Expansion " y con base en la teoría del comportamiento planificado para examinar la relación entre los padres seleccionados, adolescente y variables culturales, como también en las intenciones de los adolescentes latinos a participar en el comportamiento sexual.

MÉTODO:

un diseño correlacional transversal basado en un análisis de datos secundarios de 130 padres latinos y sus diadas adolescentes.

RESULTADOS:

regresión y procedimientos de análisis camino se utilizaron para probar siete hipótesis y los resultados demostraron un apoyo parcial para el modelo. El familismo y el conocimiento sobre el sexo de padres se asociaron significativamente con las actitudes de los padres hacia la comunicación sexual con sus hijos adolescentes. La aculturación de los padres latinos fue negativamente asociada con la autoeficacia los padres hacia la comunicación sexual con los adolescentes y alteran asociados a normas subjetivas de los padres hacia la comunicación sexual con los adolescentes. Conocimiento del adolescente sobre el sexo fue significativamente asociado con niveles más altos de las actitudes y normas subjetivas acerca de la comunicación sexual con padres adolescentes. Sólo el predictor de actitudes de los adolescentes teniendo sexo en los próximos 3 meses se asoció significativamente con la intención de adolescentes tiene relaciones sexuales durante los próximos 3 meses.

CONCLUSIÓN:

los resultados de este estudio proporcionan información importante para orientar la investigación futura que puede informar al desarrollo de intervenciones para prevenir comportamiento sexual de riesgo entre los adolescentes latinos.

Palabras-clave: Conducta del Adolescente; Hispanoamericanos; Conducta Sexual; Relaciones Padres-Hijo; Comunicación; Cultura

Introdução

Ao longo das duas últimas décadas, o número de latinos tem crescido rapidamente nos Estados Unidos, e eles agora compreendem o maior grupo étnico minoritário da nação com 17% da população total. A população latina dos Estados Unidos é jovem, com a idade média de 27 anos( 1 ). Os adolescentes latinos são mais propensos que os jovens brancos a terem mais de quarto companheiros sexuais durante sua vida, a iniciar a atividade sexual antes dos treze anos de idade e evitar o uso de camisinha e de métodos contraceptivos( 2 ). Como resultado, os jovens latinos sofrem de taxas desproporcionalmente mais altas de doenças sexualmente transmissíveis, e em 2011 apresentaram 21% dos diagnósticos de infecção pelo HIV( 3 ).

Os resultados de numerosos estudos sobre adolescentes minoritários têm apoiado a visão de influências complexas em vários níveis do ambiente social sobre o comportamento sexual do adolescente latino. Essas influências incluem famílias, grupos de amigos, escolas e bairros, e de raça ou etnia( 4 ). Três influências externas potencialmente importantes são os níveis de aculturação dos pais( 5 ), valor percebido familismo( 6 ), e níveis de conhecimento sobre gravidez e doenças sexualmente transmissíveis (DSTs)( 7 ). Aculturação latina significa a medida pela qual o indivíduo é orientado aos costumes latinos ou à cultura do novo país. Os valores do familismo são componentes-chave da cultura latina e referem-se ao valor percebido de um indivíduo da unidade da família, a intimidade, e a interligação entre a família nuclear e os membros da família extendida( 8 ). No entanto, a quantidade e a qualidade da comunicação sexual entre pais e filhos têm sido sugeridas como melhores preditores do comportamento sexual arriscado dos adolescentes. ( 9 ).

O propósito desse estudo foi em testar uma estrutura teórica baseado no modelo da Expansão Parental da Teoria do Comportamento Planejado examinando a relação entre pais selecionados, adolescentes e variáveis culturais e as intenções dos jovens latinos ao se envolverem com comportamento sexual. O modelo PETPB( 10 ) é uma expansão ecológica da Teoria do Comportamento Planejado que incorpora a influência do comportamento dos pais no comportamento sexual arriscado dos adolescentes. O modelo propõe que o risco do HIV relacionado ao comportamento sexual seria determinado pelas intenções do adolescente em se envolver em comportamentos sexuais de risco. O modelo ainda expõe que as intenções do jovem ao se engajar em comportamentos sexuais de risco seriam determinadas por suas crenças comportamentais, crenças normativas e crenças de controle. Além disso, o modelo PETPB sugere que o comportamento dos pais e as crenças normativas e de controle são influenciados por fatores externos e subsequentemente influenciam as intenções dos pais em conversar com seus filhos adolescentes sobre sexo, o que é visto como uma influência externa sobre o adolescente.

A Figura 1 elucida a adaptação do modelo PETPB e as diversas análises de trajetória e hipóteses que foram testadas no estudo proposto.

Figura 1 Modelo Conceitual utilizada no presente estudo. 

Os caminhos a, b e c (Hipótese 1) no modelo sugerem que os pais que têm níveis mais elevados de aculturação latina, valores de familismo, e conhecimento sobre gravidez/DST/AIDS teriam atitudes mais favoráveis, normas subjetivas e auto-eficácia com relação a comunicação sexual com seu filho adolescente. Outros pesquisadores encontraram relações positivas entre a comunicação entre pais e adolescentes e nível parental de aculturação latina(5) e conhecimento sobre tópicos sexuais( 7 ), assim como o nível parental de familismo e a auto-eficácia dos pais na comunicação sexual com seus filhos adolescentes( 6 ).

Os caminhos d, e, e f (Hipótese 2) sugerem que as atitudes parentais mais positivas, maiores normas subjetivas e níveis mais elevados de auto-eficácia para a comunicação sexual com seus filhos estão associados a níveis mais elevados da intenção dos pais em conversar sobre comportamento sexual com seus adolescentes. Estudos anteriores demonstraram relações positivas entre a comunicação sexual entre pais e adolescentes e as atitudes dos pais, normas subjetivas e auto-eficácia para a comunicação sexual( 6 , 11 - 14 ).

O caminho g (Hipótese 3) sugere que níveis mais elevados de intenção dos pais em falar sobre comportamento sexual com seus filhos estão associados a uma maior comunicação aberta da família, comunicação sexual entre pais e adolescentes, e o conforto deles com a comunicação sexual, relatados por ambas as partes.

O caminho h (Hipótese 4) sugere que os níveis maiores de adolescentes da aculturação latina, valores de familismo, e conhecimento sobre gravidez/DST/AIDS estão associados a níveis mais altos de atitudes dos adolescentes e normas subjetivas sobre a comunicação sexual com os pais. Outros pesquisadores reportaram associações positivas entre os níveis da comunicação sexual entre pais e filhos e níveis de aculturação( 15 ), valores de familismo( 6 ) e conhecimento sobre sexo( 16 ).

O caminho i (Hipótese 5) sugere que níveis elevados das atitudes dos adolescentes e normas subjetivas em relação à comunicação sexual com os pais estão associados ao maior nível de percepção dos pais e filhos sobre a comunicação aberta da família, a comunicação sexual entre pais e adolescentes, e o fato de se sentirem confortáveis com esse tipo de conversa. Os resultados de um estudo (que não incluem os pais latinos e adolescentes) sugeriu uma associação positiva entre as medidas de crenças dos adolescentes e normas subjetivas em relação a comunicação sexual entre pais e filhos e a quantidade dessa comunicação sobre a sexualidade relatada apenas pelos adolescentes( 17 ).

Os caminhos j, k e l (Hipótese 6) sugerem que níveis mais elevados da percepção de pais e adolescentes sobre a comunicação aberta nas famílias, a comunicação sexual entre pais e filhos, e conforto deles com esse tipo de comunicação estão associados a níveis mais baixos de atitudes dos adolescentes e normas subjetivas em relação a ter relações sexuais nos próximos 3 meses e níveis superiores de auto-eficácia sobre como evitar comportamentos sexuais de risco. Outros pesquisadores reportaram relações positivas entre a comunicação entre pais e filhos e as atitudes dos adolescentes, normas subjetivas e auto-eficácia em relação ao comportamento sexual de risco( 9 , 16 , 18 - 21 ). No entanto, apenas um estudo relatou descobertas especificamente para adolescentes latinos (21).

Os caminhos m, n, e o (Hipótese 7) sugerem que níveis mais baixos das atitudes dos adolescentes e normas subjetivas em relação a ter relações sexuais nos próximos 3 meses e níveis mais elevados de auto-eficácia sobre como evitar comportamentos sexuais de risco estão associados com níveis mais baixos das intenções dos jovens em ter relações sexuais nos próximos 3 meses. Estudos anteriores demonstraram relações entre as atitudes dos adolescentes, normas subjetivas e auto-eficácia em evitar comportamento sexual de risco e o comportamento sexual de risco dos adolescentes( 22 - 25 ).

O presente estudo avaliou individualmente os componentes do modelo PETPB com uma amostra de adolescentes latinos e seus pais nos Estados Unidos, sendo analisados os relatórios dos jovens e dos pais sobre a comunicação geral entre eles, e seu conforto com a comunicação sexual.

Métodos

Um projeto correlacional transversal foi utilizado com base em uma análise secundária dos dados de base recolhidos como parte de um ensaio clínico aleatório projetado para testar a eficácia de uma intervenção computadorizada pelos pais projetada para aumentar a comunicação sexual entre pais e adolescentes ( 26 ). Os participantes deste estudo foram recrutados no sudoeste de Detroit, em uma área de comunidade latina com a maior concentração de latinos no estado de Michigan. O recrutamento foi feito através de panfletos, anúncio em um jornal bilíngue, e através do contato pessoal e apresentações realizadas em escolas e programas de base comunitária, como cursos de inglês e de promoção da saúde. Este estudo analisou os questionários de pré-avaliação que foram completados por uma amostra de 130 pais latinos e seus 130 filhos adolescentes (entre as idades de 12-18). A aprovação do Conselho de Revisão Institucional para a análise secundária foi obtido a partir da Universidade do Alabama em Birmingham.

Medidas

As medidas utilizadas neste estudo foram previamente traduzidas, retraduzidas, testadas como piloto, modificadas para o espanhol, e foram usadas com pais mexicanos em estudos anteriores( 14 , 26 ). A tabela 1 mostra a confiabilidade da consistência interna do Alfa de Cronbach para as medidas de estudo, que variaram 0,71 a 0,95. Os itens foram medidos com escalas de 5 pontos do tipo Likert com contagens mais altas indicando maior percepção de atitudes, normas subjetivas e auto-eficácia para a comunicação sexual com os adolescentes e níveis mais elevados de familismo, conhecimento, comunicação e conforto com a comunicação sexual. A validade de todos os instrumentos foi relatada anteriormente( 26 - 27 ).

Tabela 1 Distribuição da Confiabilidade Interna para as Escalas de Pais e Adolescentes. Detroit, MI, EUA, 2009-2010 

Instrumentos (e número de itens) Tabelas dos
Pais
Tabelas dos Adolescentes
Cronbach’s α Cronbach’s α
Escala da aculturação latina (3 itens) 0.95 0.78
Escala do familismo (14 itens) 0.79 0.71
Escala da comunicação aberta da família (10 itens) 0.73 0.88
Escala da comunicação sexual entre pais e adolescentes
(9 itens)
0.95 0.93
Escala do conforto com a comunicação sexual (8 itens) 0.94 0.95
Escala das atitudes dos adolescentes com relação a comunicação sexual com os pais (3 itens) - 0.85
Escala das normas subjetivas dos adolescentes com relação a comunicação sexual com os pais (3 itens) - 0.87
Escala da auto-eficácia dos adolescentes em evitar comportamento sexual de risco (4 itens) - 0.72
Escala das atitudes dos pais com relação a comunicação sexual com seus filhos (3 itens) 0.72 -
Escala das normas subjetivas dos adolescentes com relação a comunicação sexual com os filhos (3 itens) 0.86 -
Escala da auto-eficácia percebida dos pais com relação comunicação social com seus filhos (5 itens) 0.92 -
Escala das intenções dos pais em conversar sobre comportamento sexual (3 itens) 0.89 -

A escala de aculturação latina usou o idioma preferido como uma medida substituta da aculturação e incluiu os relatórios dos pais e adolescentes sobre suas preferências para o uso do Inglês ou do Espanhol para falar e ler, e o idioma preferido usado em casa. As pontuações mais altas indicaram maior aculturação latina e as mais baixas indicavam aculturação anglicana. O familismo foi medido com uma versão adaptada da Escala de Familismo Comportamental( 28 ) a qual incluía quatro dimensões inter-relacionadas de familismo: (a) obrigações familiares (seis itens); (b) apoio percebido da família (um item); (c) a família como referentes (sete itens). A mesma escala foi usada tanto com os pais como com os adolescentes. O conhecimento sobre a gravidez/DST/ AIDS foi medido com um teste de seis questões que avaliaram o conhecimento dos adolescentes e seus pais sobre a gravidez, as DSTs e a transmissão do HIV. A confiabilidade do teste e reteste do conhecimento sobre gravidez/DST/AIDS foi calculada e mostrou um coeficiente de correlação de Pearson positivo e significativo para os pais (r = 0,753, p = 0,000) e adolescentes (r = 0,765, p = 0,000). A escala para medir as atitudes dos pais na comunicação sexual com seus filhos adolescentes estimou os sentimentos daqueles ao falar com seus filhos sobre sexo, métodos anticoncepcionais e uso de preservativo. A escala para medir as normas subjetivas dos pais para a comunicação sexual com seu filho avaliou a percepção dos pais sobre o que as pessoas consideram importantes e se os pais aprovariam ou desaprovariam as conversas sobre sexo, métodos anticoncepcionais e preservativos com o seu filho ou filha. A escala para medir a auto-eficácia percebida dos pais na comunicação sexual com seu filho estimou a percepção dos pais sobre se teriam recursos suficientes, habilidades e confiança para falarem com seus filhos sobre sexo, métodos anticoncepcionais e uso de preservativo. A escala de medição das intenções dos pais em falar sobre o comportamento sexual com os adolescentes avaliou a probabilidade subjetiva percebida dos pais de que iriam conversar com seus filhos nos próximos três meses sobre sexo, métodos anticoncepcionais e preservativos.

A comunicação aberta das famílias foi medida com a Subescala da Abertura da Comunicação entre Pais e Adolescentes( 29 ) que avaliou a abertura na comunicação geral entre pais e filhos. A comunicação sexual entre pais e adolescentes foi medida pela Escala da Comunicação sobre os Ricos do Sexo entre Pais e Adolescentes( 19 ) que avaliou a quantidade de informações que os pais tinham compartilhado com seus filhos durante os últimos 3 meses sobre seus sentimentos com relação ao comportamento sexual dos adolescentes, métodos contraceptivos, DSTs, HIV, proteção contra DSTs e HIV, preservativos, o adiamento ou o fato de não ter relações sexuais, a pressão dos amigos e a pressão sexual de colegas e parceiros, e como resistir à esse tipo de pressão. A Escala do Conforto na Comunicação Sexual ( 20 ) incluiu oito perguntas que avaliaram o nível de conforto em discutir vários temas sexuais (por exemplo, quão confortável você se sente quando conversa com seus pais/adolescentes sobre temas sexuais, comportamento sexual, como evitar a gravidez, DSTs, HIV/AIDS, proteção contra DSTs e HIV, preservativos especificamente, a pressão sexual de colegas e parceiros?).

A escala de medição das atitudes dos adolescentes em relação a comunicação sexual com os pais avaliou o grau em que os jovens apresentam uma avaliação positiva ou negativa ou apreciam esse tipo de comunicação( 25 ). A escala que mede as normas subjetivas dos adolescentes em relação a comunicação sexual com os pais avaliou a percepção dos jovens sobre se as pessoas importantes para eles aprovariam ou desaprovariam suas conversas com seus pais sobre sexo, métodos contraceptivos e uso de preservativos( 14 ). A escala que mede a auto-eficácia dos adolescentes em evitar comportamento sexual de risco avaliou a percepção dos mesmos sobre se teriam recursos suficientes, habilidade e confiança para exercer o autocontrole e não ter relações sexuais mesmo que seu parceiro queira; ou a usar preservativos, mesmo se o parceiro não quiser; ou usar algum método de contracepção, mesmo com a oposição do parceiro( 25 ).

As atitudes dos adolescentes sobre ter relações sexuais nos próximos três meses foi medido com uma única pergunta: "Como você se sente sobre ter relações sexuais nos próximos três meses?" As respostas variaram de 1 (muito má ideia) a 5 (muito boa ideia). As normas subjetivas dos adolescentes em relação a ter relações sexuais nos próximos três meses foram medidas com uma pergunta: "Será que a maioria das pessoas que são importantes para você aprova ou desaprova o fato de você fazer sexo nos próximos três meses?" As respostas variaram de 1 (eles fortemente desaprovariam) a 5 (eles fortemente aprovariam). As intenções dos adolescentes em ter relações sexuais nos próximos 3 meses foram medidas com uma pergunta: "Qual é a probabilidade de que você vá decidir a ter relações sexuais nos próximos três meses?". As respostas variaram de 1 (muito improvável) a 5 (muito provável).

Análises de Dados

A análise dos dados foi realizada utilizando o IBM SPSS Versão 20 e IBM SPSS Amos 20. Um nível de significância de 0,05 foi considerado estatisticamente significativo. Para cada uma das sete hipóteses de investigação, os dados foram analisados em duas etapas: uma fase exploratória (por meio de regressão linear simples e múltipla para examinar as relações entre as variáveis independentes e dependentes específicas para cada hipótese), e uma fase de confirmação (utilizando técnicas de análise de trajetória para testar o grau em que as relações identificadas na fase exploratória suportaram o modelo proposto). A adequação para os modelos de trajetória foram avaliados pelo índice de ajuste comparativo (CFI), e a raiz quadrada média do erro de aproximação (RMSEA). Os valores do CFI de 0,95 ou superior e os valores RMSEA de 0,06 ou menores são indicativos do bom ajuste do modelo, e os valores RMSEA maiores que 0,10 são indicativos de modelos pobres de ajuste( 30 ). Os tamanhos de efeito e as orientações de Cohen( 31 ) foram utilizados para descrever a magnitude da relação entre as variáveis. A análise de potência por modelos de regressão múltipla mostrou poder adequado para detectar tamanhos de efeito médio (80% de potência para detectar um R2 variando entre 0,06-0,08, dependendo da hipótese); e para os modelos de trajetória, utilizando um teste de RMSEA, o tamanho da amostra forneceu potência adequada (80%) para testar a qualidade do ajuste em modelos simples (com graus mais elevados de liberdade), mas proporcionaram apenas um poder moderado (variando de 58% a 69%) para os modelos com maior complexidade (e, portanto, menos graus de liberdade).

Descobertas

Características da amostra

Os pais eram na maioria do sexo feminino (n = 107, 82,9%), com idade média de 39,26 (SD de 7,104), e 54,2% (65) não haviam completado o ensino médio. Um total de 69,9% (86) era casado e 81,5% (106) relataram ser de origem mexicana. O período de tempo vivido nos Estados Unidos era em média de 19,37 anos (SD de 12,4). Um total de 70 (53,8%) dos adolescentes da amostra era do sexo feminino, e sua idade média era de 14 anos (SD = 1,489). Apenas um adolescente relatou que não estava atualmente matriculado na escola.

Hipótese 1: Níveis mais elevados de pais de aculturação latina, valores de familismo, e conhecimento sobre gravidez/DST/AIDS estão associados com mais atitudes positivas dos pais, maiores normas subjetivas, e maiores níveis de auto-eficácia na comunicação sexual com seus filhos adolescentes.

Na fase exploratória, apenas dois preditores, familismo parental (Std. β = 0,218, p = 0,017) e conhecimento dos pais sobre a gravidez/DST/AIDS (Std. β = 0,254, p = 0,009), foram significativamente associados com o resultado das atitudes dos pais em relação a comunicação sexual com seus filhos adolescentes. Ambos os preditores tiveram efeito médio sobre o resultado das atitudes dos pais em relação a comunicação sexual com seus filhos adolescentes. No segundo modelo de regressão apenas os preditores de aculturação latina dos pais (Std. β = 0,186, p = 0,042) e familismo parental (Std. β = 0,256, p = 0,005) foram significativamente associados com o resultado das normas subjetivas dos pais em relação a comunicação sexual com seus filhos adolescentes. A aculturação latina dos pais (Std. β = -0,28, p = 0,002) foi negativamente associada com a auto-eficácia dos pais com relação a comunicação sexual com seus filhos adolescentes. O conhecimento dos pais sobre a gravidez/DST/AIDS (Std. β = 0,232, p = 0,012) foi positivamente associado com níveis mais elevados de auto-eficácia dos pais na comunicação sexual com seus filhos. Tanto a aculturação latina como o conhecimento dos pais teve um efeito médio sobre o resultado da auto-eficácia dos pais na comunicação sexual com os jovens. A etapa de confirmação para a primeira hipótese apoiou as conclusões de análises de regressão múltipla. A análise de trajetória sugeriu um bom ajuste do modelo aos dados para a hipótese um, com dois dos três índices que fornecem suporte para a hipótese nula de que o modelo ajusta-se aos dados (Figura 2).

Figura 2 Resumo do Modelo de Trajetória para Hipóteses 1-3 com os coeficientes de regressão padronizados. Detroit, MI, EUA 2009-2010 

Hipótese 2: Níveis mais altos de atitudes dos pais, normas subjetivas e auto-eficácia percebida na comunicação sexual com seus filhos adolescentes estão associados a níveis mais elevados das intenções dos pais em falar sobre o comportamento sexual com os jovens.

Na fase exploratória, apenas o preditor de normas subjetivas dos pais em relação a comunicação sexual com seu filho foi significativamente associada com o resultado de suas intenções em falar sobre o assunto com os adolescentes (Std. β = 0,347, p = 0,000). Este preditor teve um efeito médio sobre o resultado. A etapa de confirmação apoiou as conclusões da análise de regressão múltipla e mostrou um bom ajuste do modelo para dois dos parâmetros de avaliação de qualidade de ajuste (ver Figura 2).

Hipótese 3: Níveis mais altos das intenções dos pais em falar sobre o comportamento sexual com seus filhos adolescentes estão associados a uma maior comunicação aberta da família, a comunicação sexual entre pais e adolescentes, e o conforto dos mesmos com esse tipo de conversa, relatados por ambas as partes.

Na fase exploratória, o indicador das intenções dos pais em falar sobre o comportamento sexual com seu filho adolescente foi significativamente associada com três resultados: a comunicação sexual entre pais e filhos percebido pelos pais ( Std β = 0,217, p = 0,013), comunicação familiar aberta percebida pelo adolescente (Std. β = 0,193, p = 0,028), e conforto com a comunicação sexual percebida pelo adolescente (Std. β = 0,214, p = 0,015). No entanto, os resultados da análise de trajetória na fase de confirmação sugeriu que o modelo não se ajustou aos dados (Figura 2). A Figura 2 mostra as estatísticas de modelo de ajuste apresentadas em caixas sombreadas.

Hipótese 4: níveis mais elevados de aculturação latina dos adolescentes, familismo, e conhecimento sobre gravidez/DST/AIDS estão associados a níveis mais altos de suas atitudes e normas subjetivas sobre a comunicação sexual com os pais.

Na fase exploratória, apenas o preditor do conhecimento do adolescente sobre a gravidez/DST/AIDS foi significativamente associado com níveis mais altos das atitudes dos adolescentes (Std. β = 0,223, p = 0,012) e normas subjetivas sobre a comunicação sexual com os pais (Std. β = 0,208, p = 0,020). Os resultados da análise de trajetória na fase de confirmação sugeriu que o modelo foi um bom ajuste para os dados (ver Figura 3). A Figura 3 mostra as estatísticas de modelo de ajuste apresentadas em caixas sombreadas.

Figura 3 Resumo do Modelo de Trajetória para Hipóteses 4-7 com os coeficientes de regressão padronizados. Detroit, MI, EUA 2009-2010 

Hipótese 5: Níveis mais elevados das atitudes dos adolescentes e normas subjetivas em relação à comunicação sexual com os pais estão associados a níveis mais elevados das percepções dos pais e filhos na comunicação aberta da família, a comunicação sexual entre pais e adolescente, e conforto com a comunicação sexual.

Na fase exploratória, apenas o indicador de atitudes dos adolescentes em relação à comunicação sexual com os pais foi significativamente associada com níveis mais elevados de comunicação familiar aberta (Std. β = 0,637, p = 0,000), a comunicação sexual entre pais e adolescentes (Std. β = 0,399 , p = 0,000), e conforto com a comunicação sexual (Std. β = 0,486, p = 0,000) percebidos pelos adolescentes. Na fase de confirmação, o modelo de trajetória sugeriu que o modelo não teve um bom ajuste aos dados (ver Figura 3).

Hipótese 6: Níveis mais altos das percepções dos pais e filhos na comunicação aberta da família, a comunicação sexual entre pais e adolescente, e conforto com a comunicação sexual estão associados a níveis mais baixos das atitudes dos adolescentes e normas subjetivas em relação a ter relações sexuais nos próximos 3 meses, e níveis mais altos de auto-eficácia sobre como evitar comportamentos sexuais de risco.

Somente o preditor de normas subjetivas dos adolescentes em relação a ter relações sexuais nos próximos três meses foi significativamente associada com o resultado do conforto com a comunicação sexual percebida pelos adolescentes (Std. β = 0,357, p = 0,014). Em outras palavras, os adolescentes que percebiam a aprovação de outras pessoas significativas para eles em ter relações sexuais nos próximos 3 meses relataram maior conforto com a comunicação sexual com os pais. Problemas com multicolinearidade foram evidenciados entre os preditores de comunicação sexual entre pais e filhos e o conforto com a comunicação sexual percebida pelos pais, o que significa que estas duas variáveis são redundantes. Na fase de confirmação, o modelo de trajetória sugeriu que o modelo não proporcionou bom ajuste aos dados (ver Figura 3).

Hipótese 7: Níveis mais baixos das atitudes dos adolescentes e normas subjetivas em relação a ter relações sexuais nos próximos 3 meses e níveis mais elevados de auto-eficácia sobre como evitar comportamentos sexuais de risco estão associados com níveis mais baixos das intenções dos adolescentes em ter relações sexuais nos próximos 3 meses.

Somente o preditor das atitudes dos adolescentes em relação a ter relações sexuais nos próximos três meses foi significativamente associada com o resultado de suas intenções em ter relações sexuais nos próximos 3 meses (Std. β = 0,721, p = 0,000). Estes resultados sugerem que as atitudes dos adolescentes em relação a ter relações sexuais nos próximos três meses é uma importante variável a ser considerada na concepção de futuros programas para diminuir as intenções dos adolescentes em ter relações sexuais. Na fase de confirmação, o modelo de trajetória sugeriu que o modelo não proporcionou bom ajuste aos dados (Figura 3).

Discussão

O modelo PETPB postula que as variáveis externas podem influenciar as crenças de comportamento, crenças normativas, crenças de controle e intenções, que então influenciam o comportamento do adolescente, crenças normativas de controle, e, assim, influenciam comportamento sexual de risco nos jovens( 4 ). Devido ao pequeno tamanho da amostra (130 pais e 130 adolescentes), não foi possível realizar uma análise estatística para testar o modelo completo de uma só vez. Em vez disso, sete análises separadas foram conduzidas para testar hipóteses que foram desenvolvidas com base em resultados de pesquisas anteriores e sobre as relações previstas pelo modelo. As figuras 2 e 3ilustram os relacionamentos do modelo que foram apoiados pelos resultados deste estudo.

Os resultados deste estudo fornecem suporte parcial para cada uma das hipóteses que foram derivadas do modelo conceitual que norteou o estudo, como observado na Figura 1. Embora a comunicação sexual entre pais e filhos possa influenciar o comportamento sexual de risco do adolescente, há evidências limitadas sobre como a comunicação sexual dos pais pode influenciar as atitudes dos adolescentes, normas subjetivas e auto-eficácia em relação ao comportamento sexual arriscado.

Os resultados da primeira hipótese sugerem que a aculturação latina dos pais, familismo parental, e o conhecimento dos pais sobre a gravidez/DST/AIDS estão significativamente relacionadas com as atitudes dos pais, normas subjetivas e auto-eficácia para a comunicação sexual com seu filho adolescente. Inesperadamente, a aculturação latina dos pais foi negativamente associada com a auto-eficácia dos pais na comunicação sexual com seus filhos adolescentes. Uma explicação para isso pode ser que a variável de aculturação latina foi medida apenas com questões relacionadas com a língua de preferência. Se uma medida mais abrangente de aculturação fosse utilizada, provavelmente os resultados seriam diferentes. A média para a escala de aculturação latina foi maior para os pais (média = 4,11) do que para os adolescentes (média = 2,83). As diferentes preferências de idioma dos pais e adolescentes podem ter criado uma barreira para a comunicação sexual entre eles, podendo explicar a associação negativa entre a aculturação parental latino e a auto-eficácia na comunicação sexual. Não houve estudos anteriores identificados que tivessem examinado a relação entre essas variáveis específicas, embora alguns estudos tenham identificado relações positivas entre a real comunicação entre pais e adolescentes e a aculturação parental (amostra de adolescentes latinos, dos sexos masculino e feminino, com média de 13,6 anos, vivendo nos EUA)( 5 ), o conhecimento sexual (amostra de adolescentes mexicanos, dos sexos masculino e feminino, com idades entre 14-17 anos, vivendo no México)( 7 ), e familismo parental e auto-eficácia para a comunicação sexual entre pais e adolescentes (amostra de adolescentes mexicanos, dos sexos masculino e feminino, com idades entre 14-17 anos, vivendo no México)( 6 ).

A segunda hipótese foi parcialmente apoiada. Normas subjetivas dos pais em relação a comunicação sexual com seus filhos adolescentes estão positivamente relacionados as suas intenções em falar com os jovens sobre sexo. Não houve relações signficantes entre atitudes parentais e auto-eficácia para a comunicação sexual e intenções em falar sobre o comportamento sexual. Uma explicação para este achado pode ser a homogeneidade de respostas sobre as atitudes dos pais e intenções parentais em relação a comunicação sexual. A maioria dos pais (87%) respondeu que a comunicação sexual com seus filhos adolescentes era "uma boa ideia" ou "uma ideia muito boa" e 84% dos pais "provavelmente" ou "muito provavelmente" falariam sobre sexo com seus filhos. Não houve estudos anteriores que identificaram especificamente as relações medidas que foram examinadas na segunda hipótese entre as intenções dos pais em falar sobre o comportamento sexual e as suas atitudes, normas subjetivas e auto-eficácia na comunicação sexual com seus filhos adolescentes. No entanto, estudos anteriores demonstraram relações positivas entre a real comunicação sexual entre pais e adolescentes e as atitudes daqueles, normas subjetivas e auto-eficácia para a comunicação sexual( 6 , 11 - 14 ) (uma amostra de pais mexicanos que tinham filhos adolescentes entre 14 e 17 anos de idade, homens e mulheres, vivendo no México( 6 ); predominantemente mães e adolescentes afro-americanos, com idades entre 11-14, dos sexos masculino e feminino, vivendo nos EUA ( 12 ); predominantemente mães e adolescentes latinos, com idade média de 13 anos, dos sexos masculino e feminino, vivendo nos EUA( 13 ); pais mexicanos, predominantemente mães, vivendo no México( 14 )).

As descobertas não apoiaram o modelo proposto pela terceira hipótese de que existiam relações positivas entre as intenções dos pais em falar sobre variáveis de comportamento e comunicação sexual relatados por ambos os pais e adolescentes. No entanto, os resultados de análises de regressão sugerem que três variáveis (comunicação familiar aberta percebida pelo adolescente, comunicação sexual entre pais e adolescentes e conforto com a comunicação sexual percebida pelos pais) estavam relacionados com as intenções dos pais em falar sobre o comportamento sexual. Uma explicação para a falta de apoio do modelo completo pode ser as inter-relações entre as variáveis de comunicação múltiplos. Não há estudos anteriores que especificamente examinaram as relações testadas na terceira hipótese.

Apenas uma das três relações que foram preditas na quarta hipótese foi corroborada pelas conclusões. O conhecimento sexual do adolescente (mas não a aculturação latina ou familismo) estava relacionado com as atitudes dos adolescentes e normas subjetivas em relação à comunicação sexual com os pais. Embora não existam relatos de estudos anteriores que examinassem essas relações específicas, dois estudos identificados relataram relações positivas entre o conhecimento sexual do adolescente e as percepções da real comunicação sexual entre pais e filhos( 16 , 32 ), (amostra de adolescentes Afro-Americanos do sexo masculino, com idades entre 18-22 , vivendo nos EUA (16); predominantemente brancos adolescentes, homens e mulheres, com idades entre 14-18, que vivem nos EUA (32)), que condizem com as descobertas no presente estudo.

As descobertas relacionadas com a quinta hipótese sugeriram que as atitudes dos adolescentes na comunicação sexual com os pais (mas não as suas normas subjetivas) foram relacionadas com as percepções dos adolescentes (mas não as dos pais) sobre a comunicação aberta da família, a comunicação sexual entre pais e filhos, e o conforto com a comunicação sexual. No entanto, os dados não apoiaram o modelo de trajetória para essa hipótese. Esses achados contradiziam as conclusões de um estudo (que não incluem os latinos, com uma amostra de adolescentes com idade média de 16 anos, dos sexos masculino e feminino, de raça mista, vivendo na Holanda), que relataram uma associação positiva entre as crenças dos adolescentes e as normas subjetivas com relação a comunicação sexual entre pais e filhos e relatórios dos adolescentes da comunicação sexual entre pais e adolescentes( 17 ).

A sexta hipótese não apoiou o modelo de trajetória que previu relações entre diferentes variáveis da comunicação entre pais e filhos e as atitudes dos adolescentes, normas subjetivas e auto-eficácia em evitar comportamentos sexuais de risco. O conforto dos adolescentes com a comunicação com seus pais (mas não suas percepções da comunicação familiar aberta ou comunicação sexual entre pais e filhos) estava relacionado com as normas subjetivas dos adolescentes em ter relações sexuais nos próximos 3 meses. Apenas um outro estudo foi encontrado que examinou estas relações em famílias latinas (mães latinas e adolescentes, com idades entre 12-15, dos sexos masculino e feminino, predominantemente do México, vivendo nos EUA), e os resultados deste estudo sugeriram relações positivas entre a comunicação familiar aberta e atitudes do adolescente com relação ao sexo antes do casamento( 21 ).

A sétima hipótese foi também apenas parcialmente apoiada pelos dados. As atitudes dos adolescentes (mas não as normas subjetivas ou auto-eficácia) em relação a ter relações sexuais nos próximos 3 meses foram associados positivamente com suas intenções em ter relações sexuais nos próximos 3 meses. Este resultado pode ser explicado pelo fato de que apenas 11 adolescentes relataram intenções de ter relações sexuais nos próximos três meses, e por esse motivo a variabilidade pode não ter sido suficiente para identificar relações significativas. Essa descoberta foi consistente com os resultados relatados anteriormente( 22 , 25 ) que as atitudes favoráveis (mas não as normas subjetivas ou auto-eficácia) com relação a engajar-se em relações sexuais foram relacionados à atividade sexual (amostra de adolescentes afro-americanas do sexo feminino, com idade entre 12 e 18 anos( 22 ); adolescentes latinos, dos sexos masculino e feminino, entre 12 e 18 anos, que vivem nos EUA( 25 )).

Houve algumas limitações ao estudo atual que deveriam ser abordadas a fim de proporcionar orientações para pesquisas futuras. Em primeiro lugar, as análises de dados secundários foram obtidas a partir de um estudo controlado aleatório - pesquisa pré-intervenção, limitando assim a capacidade de identificar as relações preditivas longitudinais. Em segundo lugar, a medida utilizada para avaliar a aculturação focou no idioma preferido dos entrevistados, e não incluiu outros componentes da aculturação, como valores e afiliação de grupo. A terceira limitação foi a utilização de uma amostra de conveniência que incluía latinos que eram principalmente de origem mexicana (81,5%) que tinham vivido nos Estados Unidos por uma média de 19,37 anos. Além disso, 83% dos pais na amostra eram mães. Ademais, uma análise ajustada covariável que poderia ter incluído os fatores que afetam as relações eventualmente examinadas no estudo (por exemplo, período de tempo nos EUA, educação e renda familiar) não foi realizada devido às limitações de tamanho da amostra. A quarta limitação é que os dados do estudo foram baseados em medidas de autorrelato preenchidos pelos jovens adolescentes e seus pais. A precisão dos relatórios poderia ser afetada pelo medo de expor uma das partes a temas sensíveis, como a intenção de se envolver em relações sexuais, mesmo que os questionários fossem administrados por meio de computadores em uma sala privada. Uma quinta limitação foi que pouquíssimos adolescentes na amostra relataram intenções de ter relações sexuais nos próximos três meses, resultando em variabilidade limitada na variável dependente primária e limitando assim o poder de detectar relações preditivas. Uma limitação final deste estudo foi de que os dados para homens e mulheres não foram analisados separadamente.

Há uma série de implicações das descobertas para pesquisas futuras. Estudos futuros devem ser longitudinais para examinar como as variáveis e fatores familiares culturais estão relacionados com intenções sexuais dos adolescentes ao longo do tempo. Os estudos futuros também devem usar diferentes medidas de aculturação que são mais multi-dimensionais e que incluem valores de papel de gênero. Os resultados de estudos anteriores sugerem que podem haver diferentes relações entre a comunicação de pais e filhos e o comportamento sexual dos adolescentes, tanto do sexo feminino como masculino(18), e, assim, os estudos futuros devem testar o modelo PETPB separadamente para jovens do sexo masculinos e feminino. Finalmente, os estudos futuros devem incluir uma amostra maior de mães e pais latinos de diferentes países e com mais variação nos níveis de aculturação, a fim de generalizar os resultados para as diversas populações de imigrantes latinos que vivem nos Estados Unidos, e permitir o exame dos efeitos de variáveis independentes.

Os resultados do estudo também têm implicações importantes na prática. Os profissionais de saúde que cuidam de jovens latinos devem avaliar os níveis de aculturação dos adolescentes, conhecimento sexual, atitudes, normas e intenções de ter relações sexuais, bem como variáveis de comunicação entre pais e filhos, a fim de desenvolver intervenções sob medida para reduzir comportamento sexual de risco.

Conclusão

Os resultados deste estudo fornecem informações importantes para orientar futuras pesquisas que possam informar o desenvolvimento de intervenções para prevenir comportamentos sexuais de risco de adolescentes entre os latinos. Os resultados sugerem que o modelo PETBP fornece uma estrutura útil para a compreensão das relações complexas entre pais selecionados, adolescentes e variáveis culturais e intenções dos adolescentes latinos para se envolver em comportamento sexual. A pesquisa futura deve também explorar o uso desse modelo em diferentes países e com diferentes grupos culturais.

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1 Apoio financeiro do National Institutes of Health Grant, Estados Unidos, processo nº 5R21NR010457-02

Recebido: 11 de Setembro de 2014; Aceito: 16 de Março de 2015

Correspondência: Olivia Sanhueza-Alvarado Universidad de Concepción. Facultad de Medicina Departamento de Enfermería Janequeo Esquina Chacabuco, Sin Número Barrio Universitario 4130000, Concepción, Chile E-mail: osanhue@gmail.com

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