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Revista Latino-Americana de Enfermagem

versão impressa ISSN 0104-1169versão On-line ISSN 1518-8345

Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.25  Ribeirão Preto  2017  Epub 05-Jun-2017

http://dx.doi.org/10.1590/1518-8345.1566.2902 

Artigo Original

Propriedades psicométricas da Escala de Benefícios/Barreiras para o Exercício em idosas mexicanas

María Cristina Enríquez-Reyna1 

Rosa María Cruz-Castruita2 

Oswaldo Ceballos-Gurrola2 

Cirilo Humberto García-Cadena3 

Perla Lizeth Hernández-Cortés4 

Milton Carlos Guevara-Valtier4 

1Doutoranda, Facultad de Organización Deportiva, Universidad Autónoma de Nuevo León, San Nicolás de los Garza, Nuevo León, México. Professor Assistente, Facultad de Organización Deportiva, Universidad Autónoma de Nuevo León, San Nicolás de los Garza, Nuevo León, México.

2PhD, Professor Titular, Facultad de Organización Deportiva, Universidad Autónoma de Nuevo León, San Nicolás de los Garza, NL, México.

3PhD, Professor Titular, Facultad de Psicología, Universidad Autónoma de Nuevo León, Monterrey, NL, México.

4PhD, Professor Titular, Facultad de Enfermería, Universidad Autónoma de Nuevo León, Monterrey, NL, México.

RESUMO

Objetivo:

analisar e avaliar as propriedades psicométricas das subescalas que compõem a versão em espanhol da Escala de Benefícios/Barreiras para o Exercício em uma população idosa do nordeste do México.

Método:

estudo metodológico. A amostra abrangeu 329 idosas adstritas a uma das cinco casas de convivência públicas da área metropolitana do Nordeste mexicano. As propriedades psicométricas incluíram a avaliação do coeficiente alfa de Cronbach, o coeficiente Kaiser-Meyer-Olkin, a correlação inter-itens, análise fatorial exploratória e confirmatória.

Resultados:

na análise de componentes principais, foram identificados dois componentes a partir dos 43 itens da escala. O coeficiente de correlação item-total da subescala benefícios do exercício foi adequado. Porém, o coeficiente da subescala barreiras para o exercício mostrou inconsistências. A confiabilidade e validade foram aceitáveis. A análise fatorial confirmatória revelou que a eliminação de itens melhorava a qualidade de ajuste do modelo basal da escala sem afetar sua validade ou confiabilidade.

Conclusão:

a Escala de Benefícios/Barreiras para o Exercício apresenta parâmetros psicométricos satisfatórios para o contexto mexicano. Apresenta-se uma versão reduzida de 15 itens com estrutura fatorial, validade e confiabilidade similares aos da escala completa.

Descritores: Psicometria; Exercício; Enfermagem; Percepção; Estudos de Validação

Introdução

A literatura científica descreve diferentes condutas com relação à prática do exercício físico na população idosa. Mesmo que a maioria identifique seus benefícios, persiste a indisposição para o exercício e a falta de perseverança1-2. Foram descritos determinantes sociais que influenciam a efetivação desta ação promotora da saúde3, mas a compreensão desta conduta complexa continua sendo insuficiente. Particularmente no México, deve-se analisar as percepções que delineiam a prática desta conduta durante o envelhecimento, já que o exercício ajuda a diminuir o risco de depressão e deterioração cognitiva, melhora a função cardiorrespiratória e muscular e incide na saúde óssea e funcional deste grupo populacional crescente4.

A prevalência generalizada de inatividade física resultou na necessidade de conhecer os motivos ou barreiras para que as pessoas realizem ou não este tipo de conduta. A percepção positiva ou negativa das pessoas sobre condutas promotoras da saúde, tais como o exercício, costuma induzir determinados comportamentos que afetam sua saúde. Neste sentido, o Modelo de Promoção da Saúde explora os fatores que influenciam a mudança nos comportamentos de saúde e pode ser utilizado para analisar os pensamentos sobre o exercício e os benefícios e barreiras percebidos5. O modelo explica as relações entre as características e experiências individuais, os pensamentos e sentimentos perante as condutas de saúde e sua execução. Dois pensamentos sobre as condutas de saúde abrangidos pelo modelo são: os benefícios percebidos da ação e as barreiras percebidas para a ação6.

Os benefícios percebidos da ação correspondem à percepção antecipada das pessoas sobre resultados positivos de uma conduta de saúde. São baseados nas memórias pessoais derivadas da experiência prévia ou da aprendizagem através da observação de outras pessoas que se comprometem com as ações em benefício da saúde. Os indivíduos investem seu tempo e recursos em atividades com alta probabilidade de incrementar as experiências com resultados positivos6.

No que diz respeito ao exercício como conduta de saúde, os benefícios percebidos melhoraram a prática desta conduta como parte do tratamento de doenças crônicas7-8 e foram relacionados à melhoria física-funcional, da condição neurológica e à diminuição da dor na população idosa9-11. Também foi encontrada correlação negativa entre a percepção de benefícios e a prática do exercício físico (r 2=0.16, p <.01), o que sugere que, apesar dos benefícios percebidos serem evidentes, a conduta é pouco executada12. Mesmo que os adultos percebam a importância do exercício diante dos seus antecedentes pessoais, persiste a crença de que poderia ser uma perda de tempo em sua agenda diária13.

As barreiras percebidas para a ação se referem às avaliações mentais negativas ou impedimentos individuais -imaginários ou reais- que podem impedir um compromisso com uma conduta de saúde. As barreiras representam a percepção da não disponibilidade, inconveniência, custo, dificuldade ou tempo consumido para realizar a conduta e incitam a evitar a conduta planejada. Portanto, quando a disposição para a ação é baixa e as barreiras altas, dificilmente a conduta será executada6. As principais barreiras identificadas para o exercício incluem o clima ruim, a falta de disciplina, tempo, dinheiro ou de companhia para realizar a ação14. Além disso, em mulheres adultas de idade mediana, observa-se que as barreiras são relacionadas a problemas de saúde, feridas e doenças relacionadas à idade15.

A Escala de Benefícios/Barreiras para o Exercício [EBBE]16 foi desenhada no idioma inglês para medir estes pensamentos pela Dra. Nola J. Pender nos Estados Unidos da América. Foi traduzida e validada na população idosa da Coréia17 e Brasil18 e, na China, foi desenvolvida e validada uma adaptação para aplicação em pacientes submetidos a diálise19. A versão em espanhol foi publicada também pelas autoras originais da EBBE e coeficientes de confiabilidade aceitáveis foram relatadas na Colômbia12 e no México2. Porém, não foram encontrados dados publicados sobre as propriedades psicométricas da versão em espanhol. Estas percepções podem variar em função do grupo estudado. Além disso, as variações dentro de um mesmo idioma podem afetar a validade das escalas adaptadas20. Portanto, considera-se pertinente analisar o funcionamento da escala em uma população idosa no contexto mexicano.

O objetivo foi analisar e avaliar as propriedades psicométricas das subescalas que compõem a versão em espanhol da Escala de Benefícios/Barreiras para o Exercício em uma população idosa do nordeste mexicano. Também, em uma análise secundária, será avaliada a viabilidade de uma versão reduzida que facilite a estimativa do poder dessas percepções nesta população.

Método

Trata-se de um estudo metodológico, desenvolvido em uma população de 2701 idosos da comunidade, adstritos a cinco casas de convivência públicas na área metropolitana do nordeste mexicano. Como o número de homens nesses centros é muito baixo, foi contemplada a participação exclusiva de mulheres no presente estudo.

Participantes

Foram incluídas mulheres com idade de 60 a 80 anos, com propriedades cognitivas intactas de acordo com o Questionário de Pfeiffer, com capacidade de ler e escrever, sem contraindicação médica para o exercício e que aceitaram participar do estudo de forma voluntária. Mulheres que demonstraram incapacidade de compreender instruções apesar do resultado no Questionário de Pfeiffer foram excluídas. A amostra foi calculada utilizando-se a fórmula para populações finitas, com 329 participantes. Foi aplicado um esquema de amostragem estratificada simples, baseado na lista de participantes em cada um dos estratos (casas de convivência).

Instrumento

A versão espanhola da EBBE foi publicada junto com a versão em inglês (Figura 1) e foi traduzida inicialmente para o espanhol por Juarbe T. Consiste em uma escala quase Likert de 43 itens com 4 respostas alternativas. A nota "quatro" corresponde à concordância completa com a afirmação, "três" à concordância simples, "dois" à discordância simples e "um" à discordância completa com a proposta do item. A escala inclui duas subescalas: 29 itens para a subescala de benefícios percebidos do exercício e 14 para a subescala de barreiras percebidas para o exercício. Os itens da subescala barreiras para o exercício correspondem às afirmações 4, 6, 9, 12, 14, 16, 19, 21, 24, 28, 33, 37, 40 e 42. Para avaliar as 14 frases que representam as barreiras, a escala de resposta varia de 14 a 56; para os benefícios, em contrapartida, a escala varia de 29 a 116. Em ambas as subescalas, quanto maior a pontuação, maior essa percepção perante o exercício16.

(c) K. Sechrist, S. Walker, N. Pender, 1985. Reproduction without authors' express written consent is not permitted. Permission is obtainable by downloading the Exercise Benefits/Barriers Scale (EBBS) Information and Permission Letter from deepblue.lib.umich.edu. If additional information is needed, contact Dr. Karen Sechrist by e-mail: krsech@pacbell.net.

Figura 1 Versão original da Exercise Benefits/Barriers Scale 

A escala avalia separadamente as duas percepções, já que no modelo de Pender (2011) constituem dois construtos independentes que, além disso, são opostas. Sechrist, Walker e Pender (1987) sugerem a possibilidade de avaliar a escala completa: o resultado da subescala de barreiras para o exercício avalia-se de forma inversa e é subtraído do resultado dos benefícios do exercício.

Procedimento

A análise preliminar incluiu dois passos: 1) revisão linguística e cultural por especialistas e 2) estudo piloto qualitativo em uma pequena amostra de idosas com características similares àquelas da amostra final. O primeiro passo foi revisar, através de três especialistas na área de enfermagem gerontológica, a adaptação do vocabulário e redação em espanhol deste contexto mexicano. Foram seguidas as diretrizes da International Test Commission para a adaptação de instrumentos: diferenças culturais e de idioma, aspectos técnicos e métodos, e interpretação dos resultados20. Após reunir a informação das especialistas, a EBBE foi aplicada em um grupo de 30 adultas maiores para avaliar a clareza e adequação da escala. Como resultado destes passos, decidiu-se modificar a redação de 12 itens.

O estudo recebeu a aprovação do comitê de ética institucional e das autoridades das casas de convivência. Os dados foram coletados por profissionais de exercício físico devidamente capacitados; a coleta foi realizada de forma individual e privada durante a visita das participantes à casa de convivência. O preenchimento da EBBE demorou de cinco a dez minutos.

Análise dos dados

Foram analisadas a EBBE completa e as subescalas de benefícios e barreiras separadamente. A consistência interna foi estimada com o uso do software SPSS versão 21.0, mediante o coeficiente alfa de Cronbach. Além disso, a validade de construto foi avaliada com o uso do coeficiente de adequação amostral de Kaiser Meyer Olkin (KMO) e a correlação inter-itens de acordo com as bases teóricas da teoria de mensuração. A estrutura fatorial foi estimada com a aplicação de análise fatorial exploratória e confirmatória no software estatístico AMOS 21.0.

Resultados

A média de idade das participantes foi 69 anos (DP =5.44), com escolaridade média de 6.5 anos (DP =2.92). Somente 42% indicou ter parceiro.

EBBE completa

A aplicação do teste de Bartlett à matriz de correlações entre os itens da EBBE foi significativa (Bartlett =7168.174, gl =903, p <.001). A análise de componentes principais com rotação varimax revelou dois componentes com valor próprio superior à unidade (Determinante=1.120), com rotação de três componentes. De acordo com a soma quadrada das saturações da rotação, o valor total do primeiro fator foi de 13.698, o que representa 31.86% da variância. O segundo fator contribuiu com 3.542, o que representa 8.24% da variância total. A porcentagem acumulada dos dois fatores explicou 40.09% da variância. Utilizando .40 como critério de saturação interpretável na rotação ortogonal, confirma-se que os itens que saturam nos componentes correspondem àqueles propostos pela escala.

Propriedades psicométricas por subescala

Na subescala de benefícios do exercício, o coeficiente KMO de adequação foi significativo e aceitável (KMO =.959, p <.001). De acordo com a soma quadrada das saturações da extração, os itens desta subescala explicaram 47.23% da variância. Na subescala de barreiras para o exercício, a medida KMO também foi aceitável (KMO =.751, p <.01), com variância explicada correspondendo a 22.97%.

Consistência interna e análise dos itens. Foi encontrado um coeficiente alfa de .958 para a subescala de benefícios do exercício, o que é considerado muito bom21. Houve grande diversidade de correlações inter-itens, variando de .235 a .804. O coeficiente alfa não sugere que a eliminação de itens pudesse aumentar a consistência interna da subescala (Tabla 1).

Tabela 1 Coeficientes de correlação e alfa de Cronbach da subescala benefícios do exercício da Escala de Benefícios/Barreras para o Exercício. Monterrey, N. L., México, 2015 

Item* Descrição Correlação item-total corrigida Alfa de Cronbach se o item for eliminado
1 Yo disfruto el hacer ejercicio ,632 ,951
2 Hacer ejercicio ayuda a que disminuya mi estrés y tensión ,722 ,951
3 Hacer ejercicio ayuda a mejorar mi salud mental ,733 ,951
5 Haciendo ejercicio prevengo ataques al corazón ,472 ,953
8 Hacer ejercicio me da un sentido de logro personal ,700 ,951
7 Hacer ejercicio aumenta la fuerza de mis músculos ,547 ,952
10 Hacer ejercicio me hace sentir relajada ,787 ,950
11 Hacer ejercicio me permite tener contacto con mis amistades y con personas que me agradan ,576 ,952
13 Hacer ejercicio evitará que suba mi presión arterial (hipertensión) ,235 ,957
15 Hacer ejercicio mejora mi condición física ,585 ,952
17 Mi tono muscular mejora haciendo ejercicio ,668 ,951
18 Hacer ejercicio mejora el funcionamiento de mi corazón ,736 ,951
20 Cuando hago ejercicio, mi sentido de bienestar mejora ,692 ,951
22 Hacer ejercicio aumenta mis energías ,779 ,950
23 Hacer ejercicio mejora mi flexibilidad ,804 ,950
25 Mi estado de ánimo mejora cuando hago ejercicio ,750 ,951
26 Hacer ejercicio me ayuda a dormir mejor por las noches ,623 ,952
27 Voy a vivir más tiempo si hago ejercicio ,543 ,952
29 Hacer ejercicio me ayuda a disminuir la fatiga ,544 ,952
30 Hacer ejercicio es una buena forma para que yo conozca personas nuevas ,690 ,951
31 Mi fortaleza física mejora por medio del ejercicio ,727 ,951
32 Hacer ejercicio mejora el concepto que tengo de mi misma ,655 ,951
34 Hacer ejercicio aumenta mi agilidad mental ,699 ,951
35 Hacer ejercicio me permite llevar a cabo actividades normales sin que me canse ,584 ,952
36 Hacer ejercicio mejora la calidad de mi trabajo/actividades ,714 ,951
38 Hacer ejercicio es buen entretenimiento para mi ,652 ,951
39 Hacer ejercicio mejora la imagen general que otros tienen de mi ,627 ,952
41 Hacer ejercicio mejora el funcionamiento general de mi cuerpo ,635 ,951
43 Hacer ejercicio mejora mi apariencia física ,671 ,951

*Os números dos itens correspondem àqueles atribuídos na escala completa.

O coeficiente alfa da subescala de barreiras para o exercício foi aceitável (,715). Em contraste, a análise por item revelou coeficientes de correlação muito baixos, variando entre ,002 e ,436. Por outro lado, na subescala de benefícios, observou-se que, devido à baixa correlação item-total corrigida (,002), a eliminação do item 21 poderia aumentar a consistência interna da subescala de barreiras para ,729 (Tabela 2).

Tabela 2 Coeficientes de correlação e alfa de Cronbach da subescala de barreiras para o exercício da Escala de Benefícios/Barreiras para o Exercício. Monterrey, N. L., México, 2015 

Item* Descrição Correlação item-total corrigida Alfa de Cronbach se o item for eliminado
4 Hacer ejercicio toma mucho de mi tiempo ,348 ,679
6 Hacer ejercicio me cansa ,278 ,687
9 Los lugares en que yo puedo hacer ejercicio están muy lejos ,393 ,672
12 Me da mucha vergüenza hacer ejercicio ,413 ,672
14 Hacer ejercicio cuesta mucho dinero ,436 ,670
16 Los lugares para hacer ejercicio no tienen horarios convenientes para mi ,418 ,668
19 Yo me fatigo cuando hago ejercicio ,311 ,683
21 Mi esposo/compañero o ser más querido no me apoya para hacer ejercicio ,002 ,729
24 Hacer ejercicio toma mucho tiempo de las relaciones familiares ,375 ,677
28 Yo pienso que las personas en ropa deportiva se ven graciosas ,273 ,687
33 Mis familiares y amigos no me animan para que haga ejercicio ,235 ,695
37 Hacer ejercicio toma mucho tiempo de mis responsabilidades familiares ,388 ,674
40 Hacer ejercicio es un trabajo duro para mí ,297 ,685
42 Hay muy pocos lugares para que haga ejercicio ,358 ,676

*Os números dos itens correspondem àqueles atribuídos na escala completa.

Análise fatorial confirmatória. Foram cumpridos critérios teóricos e estatísticos para incrementar a consistência interna das subescalas. A subescala de benefícios do exercício não apresentou distribuição normal (p <.05), mas a subescala de barreiras do exercício sim (p >.05). Para a análise fatorial confirmatória, foram utilizados o método de mínimos quadrados e o método de máxima verossimilhança de acordo com a distribuição dos dados.

Para avaliar a qualidade de ajuste do modelo por subescala, foram utilizados índices de ajuste absoluto (Chi-quadrado, chi-quadrado/gl e índices de qualidade de ajuste [GFI e AGFI]), índices de ajuste incremental (índice de ajuste não padronizado [NNFI], índice de qualidade de ajuste de parcimônia [PGFI], a raiz do erro médio quadrático de aproximação [RMSEA] ou a raiz quadrada média residual [RMR] se necessária). Considera-se que um valor de 5 ou menos demonstra bom ajuste para o índice chi2/gl20. Coeficientes de GFI, AGFI e NNFI superiores a .90 indicam um bom ajuste22. Os valores padronizados do índice PGFI variam entre 0 e 1, mas nenhum dos dois alcança o limite de ,90. Por esse motivo, valores mais próximos a ,80 são considerados adequados23. Para o RMSEA, valores entre ,05 e ,10 são considerados aceitáveis, com coeficientes de 0,8 ou inferiores sendo ideais. Para o RMR, valores baixos são exigidos, sendo que valores mais próximos de zero indicam melhor ajuste24.

Análise secundária para facilitar a aplicação em idosas

Considerando as dificuldades de ajuste de alguns parâmetros, propôs-se analisar a pertinência de uma solução fatorial que fosse satisfatória, tanto para os parâmetros estruturais do modelo como para a validade e consistência interna. Na Tabela 3 mostram-se os resultados alcançados para a subescala benefícios do exercício. O modelo à esquerda corresponde à estrutura completa da subescala original, e o direito apresenta uma proposta reduzida com parâmetros de qualidade de ajuste aceitáveis. Assim, foi alcançada uma versão de seis itens com coeficientes de correlação inter-itens variando entre ,74 e ,82, considerados satisfatórios.

Tabela 3 Análise fatorial da subescala benefícios do exercício da Escala de Benefícios/Barreiras para o Exercício com 29 e seis itens. Monterrey, N. L., México, 2015 

Benefícios do exercício 29 itens 6 itens* Ajuste
Validade
Kaiser Meyer Olkin ,959 ,885 >,700
Valor de p <,001 <,001 <,05
Ajuste absoluto e incremental
Chi-quadrado 362,574 13,859
Chi-quadrado/graus de liberdade 6,251 ,990 <5
Valor de p <,001 <,001 <,05
Índice de bondade de ajuste ,989 ,997 >,90
Índice de bondade reajustado ,987 ,993 >,90
Índice de ajuste não padronizado ,987 ,995 >,90
Índice geral de parcimônia ,857 ,498 0-1
Raiz quadrada média residual ,022 ,011 ,05-,10
Confiabilidade
Alfa de Cronbach ,958 ,919 >,70

Itens selecionados da subescala benefícios do exercício: 2, 3, 15, 22, 23, 25; os números dos itens correspondem àqueles atribuídos na escala completa.

†Método de estimativa: Escala livre de mínimos quadrados.

A versão final da subescala barreiras para o exercício foi de novo itens, com coeficientes de correlação inter-itens variando entre ,34 e ,45. O modelo à esquerda corresponde à estrutura inicial da subescala, e o modelo à direita é a solução desenhada com menos itens e parâmetros de qualidade de ajuste similares (Tabela 4).

Tabela 4 Análise fatorial da subescala barreiras para o exercício da Escala Benefícios/Barreiras para o Exercício 14 e 9 itens. Monterrey, N. L., México, 2015 

Barreiras para o exercício 14 itens 9 itens* Ajuste
Validade
Kaiser Meyer Olkin ,751 ,768 >,700
Valor de p <,001 <,001 <,05
Ajuste absoluto e incremental
Chi-quadrado 216,808 64,898
Chi-quadrado/graus de liberdade 2,82 2,40 <5
Valor de p <,001 <,001 <,05
Índice de bondade de ajuste ,916 ,960 >,90
Índice de bondade reajustado ,886 ,933 >,90
Índice de ajuste não padronizado ,667 ,840 >,90
Índice geral de parcimônia ,672 ,576 0-1
Raiz do erro médio quadrático de aproximação ,074 ,065 <,07
Confiabilidade
Alfa de Cronbach ,715 ,722 >,70

Itens selecionados da subescala barreiras percebidas para o exercício: 4,9, 12, 14, 16, 24, 28, 37, 42; os números dos itens correspondem àqueles atribuídos na escala completa.

†Método de estimativa: Máxima verossimilhança.

Discussão

Os resultados alcançados no estudo da confiabilidade da versão mexicana da EBBE revelam semelhanças essenciais com os parâmetros publicados para a versão original16. Os coeficientes alfa das duas subescalas da EBBE mostraram consistência interna adequada e foram semelhantes aos coeficientes obtidos nas adaptações de Coréia e Brasil17-18. Considerando que o ponto de referência para discutir os resultados da adaptação de uma escala a um contexto linguístico e cultural são os estudos relacionados20, devido aos níveis de validade e confiabilidade encontrados, corrobora-se o uso da EBBE em uma população idosa do nordeste mexicano.

A estrutura fatorial e a distribuição de itens entre os fatores da subescala benefícios do exercício estão de acordo com aquelas encontradas na versão original16. As correlações altas entre itens apoiam a validade de construto desta subescala; os índices de discriminação podem ser considerados adequados e semelhantes aos índices obtidos na versão original.

Em contraste, a subescala barreiras para o exercício mostrou coeficientes de confiabilidade e validade apenas aceitáveis. Este detalhe também foi observado ao aplicar a versão original da EBBE em uma população americana adolescente25 e nas outras adaptações publicadas17-18. A análise fatorial confirmatória revela o problema; as correlações baixas inter-itens sugerem a necessidade de revisar o construto20. Por exemplo, o item 21 refere-se à "falta de apoio do marido ou companheira para praticar exercício", a falta de poder explicativo deste item nesta amostra pode ser devida à baixa proporção de participantes que indicou ter parceiro. Esta explicação também pode-se aplicar ao caso da população adolescente. Como as barreiras para o exercício possam depender de aspectos diretamente relacionados com o contexto e a cultura populacionais, deve-se analisar o construto antes de tomar decisões a partir desta subescala. Em síntese, a EBBE mostrou uma estrutura bifatorial, de acordo com os princípios teóricos que orientaram sua construção.

Com a análise da estrutura fatorial das duas subescalas, observou-se que, nesta amostra, os índices de ajuste AGFI e NNFI da subescala barreiras para o exercício não mostraram propriedades psicométricas adequadas. Este detalhe sugeriu a pertinência de analisar a utilidade da eliminação de itens para melhorar os parâmetros de qualidade de ajuste desses modelos. Apresentam-se os dados como um convite à reflexão sobre considerar esta alternativa para aumentar o fluxo da estimativa destas percepções em uma população idosa.

Conclusões

Os coeficientes de validade e confiabilidade encontrados nesta amostra de idosas mexicanas corroboram o uso das subescalas da EBBE no contexto mexicano. Porém, recomenda-se que futuros estudos analisem a estrutura fatorial da subescala barreiras para o exercício para confirmar a validade do construto antes da tomada de decisões com base na avaliação desta percepção. Preliminarmente conclui-se que uma versão reduzida da EBBE com somente 15 itens -seis para benefícios do exercício e nove para barreiras para o exercício- possa apresentar uma estrutura fatorial, validade e confiabilidade semelhantes àquelas da escala completa. Ainda é necessário corroborar os resultados da presente amostra em populações idosas de outros contextos do país.

Agradecimentos

Aos participantes e colaboradores deste projeto de pesquisa. Ao projeto PFCE 2016-2017 para a tradução e publicação deste artigo.

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Recebido: 01 de Abril de 2016; Aceito: 26 de Março de 2017

Correspondência: María Cristina Enríquez-Reyna Universidad Autónoma de Nuevo León Av. Universidad s/n Ciudad Universitaria CEP: 66459, San Nicolás de los Garza, NL, México E-mail: mcreyna_mty@hotmail.com

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