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Revista Latino-Americana de Enfermagem

versão On-line ISSN 1518-8345

Rev. Latino-Am. Enfermagem vol.26  Ribeirão Preto  2018  Epub 08-Mar-2018

http://dx.doi.org/10.1590/1518-8345.2123.2978 

Artigos Originais

Intervenção musical sobre a ansiedade e parâmetros vitais de pacientes renais crônicos: ensaio clínico randomizado

Geórgia Alcântara Alencar Melo1 

Andrea Bezerra Rodrigues2 

Mariana Alves Firmeza3 

Alex Sandro de Moura Grangeiro4 

Patrícia Peres de Oliveira5 

Joselany Áfio Caetano6 

1 Doutoranda, Departamento de Enfermagem, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, CE, Brasil.

2 PhD, Professor Adjunto, Departamento de Enfermagem, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, CE, Brasil.

3 Enfermeira.

4 Doutorando, Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, PB, Brasil.

5 PhD, Professor Adjunto, Departamento de Enfermagem, Universidade Federal de São João del Rei, São João del Rei, MG, Brasil.

6 PhD, Professor Associado, Departamento de Enfermagem, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, CE, Brasil.

RESUMO

Objetivo:

avaliar o efeito de uma intervenção musical sobre a ansiedade e parâmetros vitais em doentes renais crônicos em comparação ao cuidado convencional de clínicas de hemodiálise.

Método:

ensaio clínico controlado randomizado realizado em três clínicas de terapia renal substitutiva. Foram alocadas aleatoriamente 60 pessoas com doença renal crônica em hemodiálise (30 no grupo experimental e 30 no grupo controle). A ansiedade-estado foi avaliada em ambos os grupos pelo State-Trait Anxiety Inventory. Para verificar o efeito da manipulação experimental sobre as variáveis estudadas foi utilizado o teste t de Student.

Resultados:

houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos no que diz respeito à ansiedade durante a sessão de hemodiálise. O grupo experimental apresentou redução estatisticamente significativa do escore de ansiedade após a audição musical (p = 0,03), bem como pressão arterial sistólica (p < 0,002), pressão arterial diastólica (p < 0,002), frequência cardíaca (p < 0,01) e frequência respiratória (p < 0,006).

Conclusão:

a música apresenta-se como uma potencial intervenção de enfermagem para a redução da ansiedade-estado durante sessões de hemodiálise. Registro Brasileiro de Ensaio Clinico: RBR-64b7x7.

Descritores: Diálise Renal; Ansiedade; Terapias Complementares; Musicoterapia; Ensaio Clínico; Enfermagem

Introdução

A doença renal crônica (DRC) é considerada um importante problema mundial de saúde pública, que inicia como uma lesão renal que conduz à progressiva perda de função desse órgão, no qual a taxa de filtração glomerular torna-se inferior a 15 ml/min. Isso acarreta, em seu estágio final, a necessidade de alguma terapia renal substitutiva, sendo a hemodiálise a modalidade de tratamento mais utilizada na atualidade 1-2. Estima-se que 10% da população mundial é afetada pela DRC3-4 e, no Brasil, acredita-se que dois milhões de brasileiros possuam algum grau de disfunção renal1.

A DRC é uma doença traumática e de consequências psíquicas significativas à vida do enfermo. Todo o percurso do tratamento é vivenciado como uma árdua e sacrificante experiência que acarreta diferentes limitações de ordem física, social e emocional. Essas experiências provocam significativas mudanças no convívio familiar, além da perda de autonomia e da dependência da Previdência Social1,4-6.

Devido às limitações ocasionadas pela DRC, transtornos mentais são frequentes em pacientes dialíticos, tais como depressão4, estresse5 e ansiedade4-5,7. A ansiedade é definida como sentimentos mentais desagradáveis, preocupação e tensão associados a sintomas físicos, tais como agitação, cefaleia e palpitações8.

A ansiedade e o estresse têm um efeito avassalador sobre os indivíduos em hemodiálise, visto que aumenta a mortalidade, a frequência da hospitalização, além dos custos de tratamento7. Também prejudica o engajamento às mudanças no estilo de vida, a aderência à dieta, as terapias recomendadas e piora na performance status9, demonstrando uma premente necessidade de intervenção dos profissionais que cuidam dessa clientela.

Estudo aponta que, em comparação com o estresse e a depressão, a ansiedade tem recebido pouca atenção clínica, no entanto foi prevalente entre pacientes renais crônicos hemodialíticos4. Muitas são as estratégias para amenizar esse sintoma, entre elas estão as intervenções não farmacológicas, tais como a auriculoterapia, acupuntura sistêmica e musicoterapia, esta última uma intervenção preconizada pela Nursing Interventions Classification (NIC) (4400) e definida como o uso da música para ajudar a alcançar uma mudança específica no comportamento, sentimento ou fisiologia10.

Algumas atividades propostas pela NIC, para execução da musicoterapia, compreendem: definir a mudança de conduta específica e/ou fisiológica desejada (relaxamento, estimulação, concentração, diminuição da dor); informar ao indivíduo o propósito da experiência musical; eleger seleções de música particularmente representativas das preferências do indivíduo; ajudar o indivíduo a adotar uma posição confortável; limitar estímulos externos (por exemplo, luzes, sons, visitantes, chamadas telefônicas) durante a experiência da escuta; proporcionar fone de ouvido, se conveniente; assegurar o volume adequado, entre outras atividades10.

A música na prática da enfermagem tem sido apontada como recurso terapêutico complementar no manejo e no controle de sinais e sintomas, bem como no âmbito da comunicação e relação paciente-enfermeiro, tornando o cuidado mais humanizado11-13. Pesquisas afirmam que os efeitos fisiológicos da música envolvem reações sensoriais, hormonais e fisiomotoras, como mudanças no metabolismo, liberação de adrenalina, regulação de frequência respiratória, variações na pressão arterial, redução da fadiga, do tônus muscular e aumento do limiar dos estímulos sensoriais, melhorando a atenção e a concentração12-14. Além disso, é uma excelente ferramenta terapêutica, de fácil uso, acessível, sem efeitos colaterais e que pode ser utilizada em vários contextos e para diversas doenças12,15-18.

Justifica-se a realização deste estudo considerando que, até o momento, pesquisas nessa área, centrada sobre o efeito da música na redução da ansiedade e parâmetros vitais de pessoas em hemodiálise, são limitadas19) e acredita-se que os enfermeiros desempenham um papel importante no cuidado de pessoas com DRC em hemodiálise, pois constituem o eixo que reúne uma série de ações interdisciplinares. Diante do exposto, objetivou-se avaliar o efeito de uma intervenção musical sobre a ansiedade e parâmetros vitais em doentes renais crônicos em comparação ao cuidado convencional de clínicas de hemodiálise.

Método

Trata-se de um ensaio clínico controlado, randomizado, realizado em três clínicas de terapia renal substitutiva localizadas no estado da Paraíba, Brasil, com 60 clientes com DRC em hemodiálise. O estudo foi realizado entre os meses de maio e julho de 2016.

Foi definido como critérios de inclusão: ter 18 anos de idade ou mais, ser alfabetizado, com pontuação na escala de Glasgow igual a 15 e apresentar acuidade auditiva preservada mediante testes auditivos propedêuticos (testes de diapasão, Weber e Rinne). Os critérios de exclusão foram: uso de ansiolíticos no período de até 24 horas antes da aplicação da música, possuir histórico de doença psiquiátrica e instabilidade hemodinâmica.

O tamanho da amostra foi calculado para ambos os grupos, assumindo nível de significância 5% e poder do teste de 80%, considerando-se uma diferença mínima a ser detectada de cinco pontos no variável desfecho. Assim, obteve-se um tamanho amostral de 30 clientes renais crônicos em tratamento hemodialítico em cada grupo. A Figura 1 apresenta o fluxograma dos participantes que receberam o tratamento pretendido e que foram analisados para o desfecho primário. Dos 119 participantes avaliados para elegibilidade, 59 foram excluídos por não atenderem aos critérios de inclusão. Destes, 20 na clínica 1, 27 na clínica 2 e 12 na clínica 3. Os motivos foram descritos por clínica: clínica 1: 12 por analfabetismo, sete por ter usado ansiolítico nas últimas 24 horas e um por possuir histórico de doença psiquiátrica; clínica 2: 20 por analfabetismo, sete por ter usado ansiolítico nas últimas 24 horas; e clínica 3: 10 por analfabetismo, dois por ter usado ansiolítico nas últimas 24 horas. Os 60 pacientes randomizados foram alocados em grupo experimental (n=30) e grupo controle (n=30). Não houve perdas no seguimento ou na análise (Figura 1).

Figura 1 Diagrama do fluxo do estudo. Cajazeiras, Guarabira, Patos; Paraíba; Brasil, 2016. 

O processo de randomização foi realizado com o auxílio da tabela de números aleatórios gerada no software Epi Info versão 7.1.4, em dois grupos: grupo experimental (GE) e grupo controle (GC), com taxa de alocação 1:1, por um profissional que não mantinha contato com os pesquisadores. Foram confeccionados por este profissional 60 envelopes numerados sequencialmente com a designação em seu interior “grupo experimental” ou “grupo controle”. Os envelopes foram entregues lacrados ao pesquisador principal.

A fim de garantir o cegamento da alocação dos participantes até o momento da intervenção, a enfermeira do serviço selecionou os pacientes que atendiam aos critérios de inclusão. Com a lista dos pacientes elegíveis em mãos, a pesquisadora se dirigia ao paciente que já estava conectado à máquina de hemodiálise, nos 30 primeiros minutos da terapia, para proceder à mensuração dos níveis basais das variáveis desfecho (ansiedade e parâmetros vitais) e coleta dos dados sociodemográficos e clínicos. Ressalta-se que para garantir a ocultação da alocação dos participantes, a sua designação só foi de conhecimento do pesquisador assistente após a abertura de envelope devidamente lacrado, no qual constava a condição selecionada para aquele participante. Neste momento, ocorria a alocação do paciente em algum dos dois grupos. Os envelopes foram utilizados sequencialmente pela ordem de numeração de 1 a 60. Com base nesse procedimento e após a designação dos participantes para cada um dos grupos GC e GE, realizaram-se as etapas da pesquisa, que envolveram aferição dos sinais vitais e aplicação de instrumentos e da música para o GE. Após a realização da manipulação experimental, realizou-se uma segunda mensuração (reteste), na qual foram novamente aferidas as medidas anteriormente relatadas. Além da pesquisadora, o responsável pela análise estatística também foi mascarado, uma vez que antes dos dados serem disponibilizados, os GC e GE foram codificados em G1 e G2 para impedir que o mesmo distinguisse o grupo que recebeu a intervenção.

Para a coleta dos dados foram utilizados dois instrumentos: um questionário com questões sobre os dados sociodemográficos e clínicos (idade, estado civil, nível educacional, renda familiar, presença de cuidador, apoio espiritual, via de acesso para a hemodiálise, presença de dor, pulsação, pressão arterial sistólica, pressão arterial diastólica e frequência respiratória) e a escala Stait-Trait Anxiety Inventory (STAI), que é uma das medidas de autorrelato de ansiedade mais utilizadas na pesquisa e na clínica em diferentes culturas20. É uma escala traduzida e adaptada para o Brasil em 1979, com medidas psicométricas superiores à da versão em inglês e em espanhol. A consistência interna mostrou que os coeficientes alfa de Cronbach foram 0,93 para homens e 0,88 para mulheres21.

A STAI é constituída por duas subescalas (ansiedade-traço, que apresenta assertivas para que o indivíduo descreva como geralmente se sente, e ansiedade-estado que requer que a pessoa responda como se sente em um determinado momento20-22, ou seja, neste estudo, na sessão de hemodiálise). Cada uma dessas escalas é formada por 20 questões com um formato de respostas tipo Likert, da seguinte forma: 1-quase nunca; 2-às vezes; 3-bastante; 4-quase sempre. O escore varia de 20 a 80 pontos, sendo que pontuações mais altas indicam maiores níveis de ansiedade22, podendo indicar ansiedade-traço e ansiedade-estado, em: baixo grau (0-34), grau moderado (35-49), grau alto (50-64) e grau muito alto (65-80). Para a presente pesquisa, utilizou-se a escala de ansiedade-estado (20 questões), uma vez que o objetivo consistia em avaliar a ansiedade no momento da terapia dialítica, e não traçar um diagnóstico da tendência para ansiedade.

Sobre a mensuração dos parâmetros vitais, ressalta-se que alguns cuidados foram realizados para uma maior adequação da mensuração, em que antes de proceder à coleta dos dados, o pesquisador seguiu um manual com informações para uma adequada execução dos procedimentos de aferição dos parâmetros vitais. No que se refere à aferição da pressão arterial, foi utilizado o método indireto com técnica auscultatória e esfigmomanômetro aneroide calibrado (padronização).

A técnica de verificação e avaliação das medidas pressóricas seguiu o protocolo recomendado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia nas Diretrizes Brasileiras de Hipertensão23. A pulsação e a frequência respiratória, por sua vez, foram medidas a partir das técnicas de palpação da artéria radial, contada em um minuto, mensuradas em batimentos por minuto (bpm), e da inspeção do número de inspirações por minuto (ipm), respectivamente.

A coleta de dados ocorreu nos primeiros 30 minutos da terapia dialítica. Seguiu-se a seguinte ordem: verificação dos parâmetros vitais e aplicação do questionário sociodemográfico e da escala STAI (período pré e pós-intervenção) por um pesquisador assistente; abertura dos envelopes e alocação do paciente em algum dos grupos por uma enfermeira do serviço e intervenção pela pesquisadora principal.

Deu-se, então, para o GE, início à intervenção seguindo recomendações da NIC10, incluindo a definição da mudança fisiológica e de conduta desejada, ou seja, para o presente estudo, o relaxamento e a redução da ansiedade e parâmetros vitais (Pressão Arterial, Pulso e Frequência Respiratória); a informação do indivíduo sobre o propósito da experiência musical; a manutenção do paciente em uma posição confortável; proporcionar fone de ouvido, assegurar o volume adequado, bem como a limitação de estímulos externos. Para limitar esses estímulos foi orientado ao acompanhante e profissional de saúde que não mantivessem contato com o paciente durante a escuta musical, bem como desligar aparelhos celulares durante a experiência da escuta da música.

No que se refere especificamente à intervenção proposta pela NIC sobre eleger seleções de música particularmente representativas das preferências do indivíduo, utilizou-se referenciais de pesquisas anteriores12,24 que afirmam que as músicas clássicas suaves são compostas de amplitudes baixas, ritmo simples e direto, e frequência (tempo) de aproximadamente 60 a 70 batidas por minuto, e promovem relaxamento, objetivo pretendido com o atual estudo. Sendo assim, foi eleita a música clássica suave “Primavera das Quatro Estações de Vivaldi” que atende a esses pré-requisitos.

A reprodução musical foi realizada por meio de fones de ouvido individuais acoplados a um aparelho MP3, por um período de 30 minutos, na própria poltrona em que o cliente fazia a hemodiálise. A opção pela duração de 30 minutos foi baseada em outros estudos sobre o mesmo tema com população adulta24-25. O volume foi controlado pelo participante do estudo e, nesse período, o cliente não teve contato com nenhum profissional da saúde ou acompanhante.

Destaca-se que foi respeitado o mesmo intervalo de tempo para os participantes do GC, para os quais a pesquisadora principal realizou escuta terapêutica nos primeiros e nos últimos cinco minutos do mesmo período de tempo da intervenção, ou seja, 30 minutos, também no início da terapia dialítica.

Após o período de 30 minutos, foram mensuradas novamente as variáveis desfecho (ansiedade e parâmetros vitais) para os dois grupos.

Ressalta-se que, por turno de diálise, a intervenção era aplicada somente a um paciente, por dois motivos: a necessidade de ocorrer nos primeiros 30 minutos da terapia dialítica, visto que a diálise remove líquidos do paciente fazendo com que, por si só, reduza a pressão arterial; e para que os pacientes do GE e GC não mantivessem contato. A fim evitar a contaminação da amostra, a coleta ocorreu em três clínicas diferentes. As três clínicas são instituições de natureza privada, contudo todos os pacientes atendidos são conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS); ou seja, não há nenhum paciente atendido por plano de saúde. As três clínicas possuem o mesmo perfil de atendimento, com estrutura física e de recursos humanos semelhantes entre si.

Os dados foram processados por meio da dupla digitação, para o controle de possíveis erros no programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 22.0. Para a análise estatística também foi utilizado o SPSS, adotado nível de significância de 5%, correspondente a p<0,05 (intervalo de confiança de 95%). Foi empregada a estatística descritiva envolvendo a obtenção de distribuições absolutas, percentuais, médias e desvio padrão a fim de expor as variáveis estudadas, além das análises de correlação de Pearson. Foi empregado o teste t de Student para verificar o efeito da musicoterapia sobre as variáveis estudadas.

Ressalta-se que, para participar no estudo, todos os participantes receberam Termos de Consentimento Livre e Esclarecido, sendo garantidos sua confidencialidade e anonimato. O desenvolvimento do estudo atendeu às normas nacionais e internacionais de ética em pesquisa envolvendo seres humanos e foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Ceará, sob número 1.482.535, e registro clínico na base de dados do Registro Brasileiro de Ensaios Clínicos com identificador primário: RBR-64b7x7.

Resultados

Participaram do estudo 60 clientes com doença renal crônica em hemodiálise. Verifica-se na Tabela 1 os dados de caracterização da amostra.

Tabela 1 Comparação dos dados sociodemográficos e clínicos entre os doentes renais crônicos em hemodiálise do grupo controle e experimental no momento pré-intervenção. Cajazeiras, Guarabira, Patos; Paraíba; Brasil (2016) 

Variáveis sociodemográficas e clínicas Grupo Controlel (n=30) Grupo Experimental (n=30) Valor p*
Idade em anos Média 44,3 DP (13,9) Média 42,1 DP (13,4) 0,534
Sexo n % n %
Feminino 14 46,7 13 43,3 0,795§
Masculino 16 53,3 17 56,7
Cuidador n % n %
Sim 18 60,0 16 53,3 0,397§
Não 12 40,0 14 46,7
Escolaridade n % n %
Fundamental incompleto 14 46,7 14 46,7 0,320§
Fundamental completo 1 3,3 5 16,7
Médio incompleto 4 13,3 1 3,3
Médio completo 9 30,0 8 26,6
Superior completo 1 3,3 2 6,7
Pós-Graduação 1 3,3 0 0,0
Estado Civil n % n %
Solteiro 10 33,3 12 40,0 0,960§
Casado 18 60,0 16 53,3
Divorciado 1 3,3 1 3,3
Viúvo 1 3,3 1 3,3
Religião n % n %
Não possui 2 6,7 1 3,3 0,709§
Católica 23 76,7 22 73,3
Evangélica 5 16,7 7 23,3
Renda familiar em Salário Mínimo|| Média DP* Média DP*
Menos de 1 salário 1 3,3 1 3,3 0,355§
1 a 3 salários 27 90,0 29 96,7
Mais de 3 salários 2 6,7 0 0,0
Dor n % n %
Sem dor 30 100,0 28 93,3 0,150§
Dor Leve 0 0,0 2 6,7
Tipo de acesso venoso n % n %
FAV** 26 86,7 26 86,7 1,000§
CDL†† 4 13,3 4 13,3
Ansiedade-estado n % n %
Baixa 21 70,0 14 46,7 0,128§
Moderada 8 26,7 14 46,7
Alta 1 3,3 2 6,7
Parâmetros Vitais n % n %
Pressão sistólica em mmHg 147,9 25,8 152,9 28,0 0,475
Pressão diastólica em mmHg 91,9 13,9 92,1 13,5 0,948
Pulsação média em batimento por minuto 78,6 12,5 82,4 13,7 0,266
Frequência respiratória em inspiração por minuto 17,4 1,3 18,2 1,8 0,044

*p-value; †Desvio padrão; ‡teste de significância (p-value) referente ao cálculo do teste t para amostras independentes; §teste de significância (p-value) referente ao cálculo do qui-quadrado; ||salário mínimo=R$ 880,00 (US$=259,45); ¶escala analógica de dor; **fístula arteriovenosa; ††cateter temporário duplo lúmen.

No que se refere aos níveis de ansiedade-estado, a ocorrência de baixos níveis de ansiedade-estado foi mais frequente em homens (72,7%), seguidos por níveis moderados (24,2%) e, em menor frequência, o relato de níveis elevados (3,0%). De forma distinta, entre as mulheres foi mais frequente a ocorrência de ansiedade-estado moderada (51,9%), seguida por relatos de ansiedade-estado baixa (40,7%). Os testes de comparação de médias atestaram a relevância estatística dessas diferenças, sendo que a pontuação média obtida pelas mulheres foi de 38,1 (DP = 7,7) e, de acordo com o teste t de Student, na escala de ansiedade-estado foi significativamente superior (t =2,98; p = 0,004) às observadas nos homens, com média de 32,3 (DP = 7,4).

Outra variável que demonstrou efeito sobre os níveis de ansiedade-estado relatados foi a idade dos participantes. Conforme a análise de correlação linear realizada, observou-se uma correlação negativa (coeficiente de correlação linear r = -0,26; p = 0,04) entre os níveis de ansiedade-estado e a idade do participante, o que permitiu inferir que, quanto maior a idade do participante, menor o nível de ansiedade-estado autopercebida. No que diz respeito à presença ou não de cuidadores, essa variável não demonstrou efeito significativo nos escores de ansiedade-estado (t =-0,44; p > 0,05).

Quando foram comparadas as pontuações totais de cada participante (grupo experimental) na pontuação de ansiedade-estado do STAI antes e após a intervenção, existiu uma redução significativa (t = 2,24; p = 0,03) entre os escores médios em ansiedade-estado relatados pelos participantes do grupo experimental antes (média = 36,2; DP = 9,0) e após (média = 32,8; DP = 9,6) a intervenção musical. Por outro lado, os participantes do grupo controle não apresentaram diferenças significativas (t = 0,85; p > 0,05) entre as pontuações médias obtidas na primeira avaliação, com média de 33,7 (DP = 6,7), e na segunda avaliação, com média de 33,3 (DP = 6,3), ainda que o tempo decorrido entre as aplicações tenha sido igual ao estabelecido para a condição experimental.

De forma mais detalhada, verifica-se que 70,0% (n = 21) dos participantes do grupo experimental apresentaram uma redução no nível de ansiedade-estado percebida após a intervenção musical, enquanto 6,6% (n = 2) não indicaram melhora e 23,4% (n = 7) relataram uma piora no nível de ansiedade. Por outro lado, entre os participantes do grupo controle, foi constatado que na grande maioria dos participantes os níveis de ansiedade-estado relatados pioraram (46,7%; n = 14) ou mantiveram-se inalterados (23,3%; n = 7), enquanto foi observada uma redução nos níveis de ansiedade-estado em apenas 30,0% (n = 9) dos participantes.

Em termos gerais, percebeu-se uma redução média de 3,33 pontos nos escores de ansiedade-estado relatada para os participantes submetidos à intervenção musical, enquanto entre os participantes do grupo controle foi observada uma redução média de 0,47 pontos.

Além de avaliar o efeito da intervenção musical sobre os níveis de ansiedade autopercebidos, buscou-se também mensurar os efeitos da exposição musical sobre os parâmetros vitais (pulso, frequência respiratória e pressão arterial). Os principais resultados são sumarizados na Tabela 2.

Tabela 2 Comparação da ansiedade e dos parâmetros vitais dos clientes renais crônicos em hemodiálise entre os períodos pré-intervenção e pós-intervenção para os grupos controle e experimental. Cajazeiras, Guarabira, Patos; Paraíba; Brasil (2016) 

Parâmetro Grupo Pré-intervenção Pós-intervenção Valor p
Média DP* Média DP*
Nível de Ansiedade Estado Experimental (n=30) 36,2 9,0 32,8 9,6 0,033
Controle (n=30) 33,7 6,7 33,3 6,3 0,403
Pressão arterial (Sistólica) em mmHg Experimental (n=30) 152,9 28,0 139,9 24,9 0,002
Controle (n=30) 147,9 25,8 143,1 29,0 0,133
Pressão arterial (Diastólica) em mmHg Experimental (n=30) 92,1 13,48 86,1 13,4 0,002
Controle (n=30) 91,9 13,9 86,2 13,1 0,020
Pulso em batimento por minuto Experimental (n=30) 82,4 13,7 76,5 9,8 0,015
Controle (n=30) 78,6 12,5 82,2 14,1 0,167
Frequência Respiratória em inspiração por minuto Experimental (n=30) 18,2 1,8 17,2 1,4 0,006
Controle (n=30) 17,4 1,3 17,5 1,5 0,600

*Desvio padrão; †p-value; ‡teste de significância (p-value) referente ao cálculo do teste t para medidas repetidas

Comparando os dois grupos, é possível verificar que, em todos os parâmetros, com exceção da pressão arterial diastólica, o valor médio observado no grupo experimental foi superior ao do grupo controle no período pré-intervenção. Cenário que se inverte após a intervenção, quando é observada uma redução significativa dos parâmetros mensurados passando os participantes submetidos à intervenção a apresentarem valores mais baixos do que os observados para os participantes do grupo controle.

Para verificar a significância estatística dessa diferença, foi realizado um teste t para amostra não pareadas (Tabela 3), o qual demonstrou que os níveis de redução observado entre a primeira e a segunda aplicação nos níveis de ansiedade estado (t = 2,01; p = 0,048), nos parâmetros pulsação (t = 2,77; p= 0,007) e frequência respiratória (t = 2,68; p = 0,01), em participantes submetidos à intervenção musical (grupo experimental), foram significativamente maiores aos observados nos participantes não submetidos à intervenção (grupo controle). Já no que consiste aos parâmetros pressão arterial sistólica (t = 1,66; p > 0,05) e diastólica (t = 0,10; p > 0,05), não foi observada diferença significativa entre os níveis de redução ocorridos nas condições controle e experimental.

Tabela 3 Comparação intergrupos da diferença nos níveis de ansiedade e parâmetros vitais entre os períodos pré e pós-intervenção para as condições controle e experimental. Cajazeiras, Guarabira, Patos; Paraíba; Brasil (2016) 

Parâmetro Grupo Mdiferença* DPdiferença t (gl) Valor p§ IC 95%**
Inf Sup
Nível de Ansiedade Estado Experimental (n = 30) 7,1 15,81 2,01 (58) 0,048 -15,87 -0,05
Controle (n = 30) -0,7 14,78
Pressão Arterial (Sistólica) Experimental (n = 30) 13,1 21,25 1,66 (58) 0,102 -18,22 1,68
Controle (n = 30) 4,8 17,02
Pressão Arterial (Diastólica) Experimental (n = 30) 5,9 9,52 0,10 (58) 0,917 -6,07 5,47
Controle (n = 30) 5,7 12,59
Pulso Experimental (n = 30) 5,8 12,37 2,77 (58) 0,007 -16,24 -2,62
Controle (n = 30) -3,6 13,93
Frequência Respiratória Experimental (n = 30) 1,0 1,38 2,68 (58) 0,010 -1,98 -0,29
Controle (n = 30) -0,1 1,86

*Média das diferenças observadas entre a primeira e segunda aplicação nas pontuações da Escala de Ansiedade Estado; †Desvio Padrão das diferenças observadas entre a primeira e segunda aplicação nas pontuações da Escala de Ansiedade Estado; ‡ Valor do Teste t e grau de liberdade para medidas não pareadas; § p-value; ¶teste de significância (p-value) referente ao cálculo do teste t para medidas não pareadas; **Intervalo de Confiança de 95%

Discussão

Os participantes de ambos os grupos GC e GE neste estudo possuíram características sociodemográficas similares, no que se refere ao sexo, presença de cuidador, idade e via de acesso para hemodiálise, visto que a maioria era do sexo masculino, possuía cuidador, com média de idade de 42,1 anos (GE) e 44,3 anos (GC) e como via de acesso a FAV. Esses achados são bem consistentes com os já apresentados na literatura sobre pacientes em tratamento hemodialítico. O presente estudo aponta prevalência de homens (63,07%), média de idade entre os pacientes de 49,7 anos26) e fístula como acesso vascular predominante (93,8%)27.

Analisando-se a média de escores de ansiedade, a maior parte dos participantes apresentou algum grau, sendo que 36,7% apresentou nível de ansiedade moderada. Autores acreditam que maiores níveis de ansiedade em clientes que fazem hemodiálise podem ser explicados pelo fato de necessitarem permanecer conectados à máquina várias horas por semana, restringindo sua independência, além do deslocamento até o local de realização do procedimento, dieta restrita e impossibilidade de fazer viagens prolongadas4-5. Ademais, como indica um estudo clínico randomizado realizado com 54 pessoas com doença renal crônica em terapia hemodialítica, o qual apontou que a ansiedade diminui a qualidade de vida das mesmas e pode aumentar o tempo de internação5.

Deste modo, os resultados ora apresentados, que dão indícios preliminares da eficácia da intervenção musical na redução do escores médios em ansiedade-estado em pacientes submetidos à hemodialise, são animadores, visto que apontam para a possibilidade de se contar com uma intervenção coadjuvante de baixo custo que possibilite maior bem-estar e qualidade de vida a esses pacientes. Tais resultados também vão na mesma direção de outros estudos realizados com pacientes durante procedimentos invasivos, que também demonstram que ouvir música alivia significativamente os níveis de ansiedade percebidos 12,22. De forma complementar, estudos de revisão e metanálise apontam a efetividade da intervenção musical para reduzir os estressores fisiológicos e psicológicos experimentados por pacientes submetidos a procedimentos realizados em ambulatórios16, hemodiálise19, período perioperatório15 e perante pacientes queimados28.

Ademais, verificou-se que quanto maior a idade, menor foi o nível de ansiedade-estado autopercebida, corroborando os dados identificados em outros estudos, em que clientes idosos submetidos à hemodiálise que possuem melhor performance status tinham níveis mais baixos de ansiedade4. Acredita-se, assim, que essa amostra possuía uma boa capacidade funcional, uma vez que há uma relação inversamente proporcional entre a capacidade funcional física de pacientes idosos submetidos ao tratamento hemodialítico e os níveis de ansiedade.

A essa semelhança foi verificada uma correlação negativa entre a média de pontuação de ansiedade-estado nas mulheres em relação à observada nos homens, o que também ocorreu em estudo internacional, no qual a média de ansiedade entre as mulheres (média = 25,00, DP = 5,59) foi superior àquelas encontradas nos homens (média= 21,93, DP = 7,30)29. Essa evidência pode estar relacionada à preocupação referente à dinâmica familiar, necessitando de estudos que vislumbrem um paradigma naturalista para melhor avaliação desse fenômeno.

Cabe ressaltar que foi perceptível, no grupo experimental, a redução estatística e clínica da pressão arterial sistólica e diastólica, além da pulsação e frequência respiratória. Esta redução corrobora com estudo realizado com 172 indivíduos em cirurgia ambulatorial em que houve a redução da ansiedade e redução dos parâmetros vitais em relação aos valores basais14 e estudo de metanálise que objetivou descrever o efeito da audição musical no tratamento de hipertensão arterial, com resultados de redução da pressão arterial sistólica de 144 mmHg para 134 mmHg e pressão arterial diastólica de 84 mmHg para 78 mmHg30.

Estudo de coorte conduzido na Holanda durante três anos identificou que doentes renais crônicos com sintomas de ansiedade mostraram uma tendência de maior propensão para eventos adversos e pior desfecho clínico13. Nesse sentido, a utilização da música entra em consonância com o cuidado mais humanizado, uma vez que estudos evidenciam a associação dos saberes e práticas de utilização das intervenções musicais para a saúde, originando efeitos fisiológicos que envolvem alterações no metabolismo, liberação de adrenalina, regulação dos parâmetros vitais, redução da fadiga, aumento do limiar dos estímulos sensoriais, além de melhora da cognição. Destarte, esta intervenção pode ser usada como um recurso terapêutico complementar na prática da enfermagem11-12,22.

Destaca-se que a inclusão da música nas intervenções de enfermagem não se caracteriza como uma prática de musicoterapia, visto que essa função é de competência dos musicoterapeutas, profissionais com domínio em habilidades terapêuticas específicas sobre o uso da música e seus elementos. No entanto, por ser reconhecida em diferentes estudos nacionais e internacionais pela sua eficácia perante diversos problemas de saúde e por estar representada como intervenção em documentos que regulam as práticas intervencionistas do enfermeiro (NIC), constitui-se em uma intervenção possível, de baixo custo e passível de ser utilizada em desequilíbrios no estado de saúde.

Algumas limitações, no entanto, devem ser pontuadas. O fato de a amostra ser reduzida e, embora o estudo tenha sido conduzido em três clínicas de terapia renal substitutiva, as mesmas localizavam-se em um único estado do país, não garantindo a generalização externa dos achados em outras regiões do Brasil. Sugere-se a condução de estudos multicêntricos em diferentes regiões do país.

Outra questão foi a não utilização de música da preferência do paciente, atividade descrita na intervenção musicoterapia pertencente à classificação de intervenções de enfermagem da NIC10. A música escolhida para o estudo pertence a um gênero musical que não está entre as preferências musicais da maioria da população brasileira, talvez pelo difícil acesso a obras clássicas. Esse fato não descredencia a escolha, uma vez que o objetivo desta pesquisa é comprovar o efeito terapêutico da música na redução da ansiedade, o que foi baseado em estudos internacionais12,24 que comprovaram resultados efetivos com esse gênero musical. Ainda, um estudo corrobora que a utilização de música da preferência do paciente não apresentou diferença estatisticamente significativa na redução de ansiedade quando comparada à música clássica (p=0,769)29.

Recomenda-se, assim, que estudos futuros comparem o efeito de músicas da preferência do paciente com músicas clássicas na redução de ansiedade e parâmetros vitais de pacientes sob terapia substitutiva renal.

Este ensaio clínico foi conduzido com base nas diretrizes do CONSORT, o que viabiliza a reprodução deste estudo, inclusive com a possibilidade do uso de seus resultados em revisões sistemáticas posteriores.

Conclusão

Houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos em relação à ansiedade e aos parâmetros vitais, demonstrando que a intervenção musical é um recurso terapêutico passível de ser utilizado na assistência prestada pelo enfermeiro, de modo a auxiliar na redução de ansiedade e alterações nos parâmetros vitais decorrentes da mesma em doentes renais crônicos submetidos a procedimento de hemodiálise.

Espera-se que este estudo tenha desdobramentos futuros e que seus resultados estimulem o uso de práticas complementares pelos enfermeiros em seu cotidiano.

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Recebido: 07 de Março de 2017; Aceito: 26 de Outubro de 2017

Correspondência: Geórgia Alcântara Alencar Melo Universidade Federal do Ceará, Departamento de Enfermagem Rua Alexandre Baraúna, 1115 CEP: 60430-160, Rodolfo Teófilo Fortaleza, Ceará, Brasil E-mail: georgiaenf@hotmail.com

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